16 de maio de 2012 às 0h36
Beastie Kids
“Sabotage” versão criança. Homenagem a Adam Yauch feita pelo diretor americano James Winters com seus filhos.
O vídeo original para comparar.
“Sabotage” versão criança. Homenagem a Adam Yauch feita pelo diretor americano James Winters com seus filhos.
O vídeo original para comparar.
Muitas referências de coisas legais que você já ouviu em outros tempos (quem nunca?) no teaser/megamix que o francês I:Cube soltou do próximo álbum dele.
O disco vai chamar M: Megamix e está saindo agora. São 24 músicas inéditas mixadas uma na outra.
Tracklist
01. Not Important
02. Bajo Bajo
03. Grotto
04. Your Brain
05. Transparent Sea Creatures
06. Transpiration
07. Zero Tastatur
08. In Alpha
09. Interludio
10. Y.O.U.R.O.C.K
11. Get the Fever
12. Cadence Iii
13. Jah Menta
14. Makossa Suspens
15. N’dololo X M
16. Magnetic Mambo
17. Omamo
18. Club Miniature
19. Le Rocher Aux Singes
20. Déflation
21. Popular Electronics
22. Too Old for This
23. Lucifer En Discothèque
24. Sh 50 Storm
Squarepusher (foto: Ariel Martini)
Foi bonito, foi animado, foi diverso. O festival Sonar São Paulo preencheu com êxito uma enorme lacuna musical da cidade e do País. Faz tempo que faltava por aqui um evento de música polirrítmica e multifacetada, um evento que fosse tanto de entretenimento quanto de descoberta, onde surpresa com novas sonoridades fosse a regra, não a exceção.
Faça um rápido mash-up na cabeça, um time-lapse mental das 25 horas de atrações. Um loop do groove ciclista de “Tour de France”, um coice drum’n'bass do Marky com o Patife, o clima introspectivo de Alva Noto & Ryuichi Sakamoto, uma distorção do Mogwai, uma frase do Criolo, um sopro analógico do Modeselektor, um refrão do Cee-Lo, uma virada de rima do Emicida, um teclado nu disco do John Talabot, o pulso do Psilosamples, um acorde soturno do James Blake, uma síncope suja do Rustie, um riff cafona do Justice, uma melodia sintética do Chromeo etc.
James Blake trio (foto: Ariel Martini)
Essa riqueza fez do Sonar um festival que podia ser vivido de muitas maneiras: balada de pista, show de pop, apresentação de hip hop, concerto de música erudita de vanguarda, viagem psicodélica, delírio extasiado, exercício puramente corporal.
É por essa diversidade de experiências, mais importante do que o show X ou Y, que o Sonar acabou sendo um dos melhores festivais já realizados nestas terras.
Ryuichi Sakamoto e Alva Noto (foto: Ariel Martini)
Pena que tantos comentaristas, inclusive profissionais, não se ligaram disso e tentaram medir tudo com a mesma fita métrica, insistindo em parâmetros convencionais de “show”. Foi a partir desse equívoco que vieram aqueles papos de “Kraftwerk foi muito parado” ou que James Blake “não agitou a galera”.
No geral, o público mostrou ter entendido e embarcado na viagem bem mais do que os tais comentaristas. Artistas tão distintos como Alva Noto, Four Tet, Criolo, James Blake e Justice foram recebidos com respeito, calor e empolgação. Prova de que, ao contrário do que prega a ladainha conformista, o complexo de vira-lata, não é preciso subestimar a plateia brasileira colocando no palco o óbvio, os de sempre, o mínimo denominador comum.
Justice (foto: Ariel Martini)
E quem era essa plateia? Mais uma vez, contrariando o discurso da obviedade, era mista, com caras de todas as procedências e perfis. A atmosfera era de paz e curtição. Para ficar melhor ainda, precisaríamos só de um ingresso mais acessível. Quem sabe o ano que vem?
Apesar da estrutura bem montada e boa organização, ocorreram escorregões no esquema. Entre eles, falta de sinalização com os horários dos artistas nas pistas, demora na entrada no primeiro dia e opções limitadas de alimentação.
Os atrasos no lineup também foram falhas chatas. Em especial, no caso do Rustie que foi lançado para mais de uma hora depois do horário original. O motivo é que seus subgraves estavam invadindo a ambiência do show de Alva Noto & Ryuichi Sakamoto. Será que na passagem de som não dava pra ter sacado isso?
Talvez o maior pecado tenho sido a escalação de Psilosamples, dos melhores artistas brasileiros hoje (eletrônico ou não), para abrir os trabalhos do evento, às 16h. Como a largada inicial acabou atrasando, o projeto do Zê Rolê conseguiu tocar meia hora, se muito. Bem injusto.
SEXTA-FEIRA
O Kraftwerk foi uma experiência vintage, afetiva e reverencial. Seu futurismo é antigo, flagrantes de uma sociedade se acostumando a auto-estradas, robôs, computadores e radioatividade. Predomina neles uma visão irônica da relação entre homem e tecnologia. Sim, o Kraftwerk, ao fingir ser robozinho no palco, mostra ter grande senso de humor. Taí uma mensagem que continua atualíssima no Kraftwerk: não vamos levar esse fascínio pela tecnologia tão a sério.
Eles podem não ser mais representantes de “música avançada”. Mesmo o seu 3D, a novidade desse show, assim como as faixas mais recentes, tem bem pouco de inovação. Mas é graças a suas visões e conceitos lá de trás que surgiram ao longo das décadas carreiras tão diversas como Ryuichi Sakamoto, Gang do Eletro, Four Tet, Jeff Mills e (preencha a lacuna com qualquer nome do Sonar). Assistir a um show deles meio que basta pelo aspecto presencial para quem curte música eletrônica. Estar ali é o que importa. É um pouco como ir à Meca para um muçulmano.
Alguns chamaram o show de “frio”, “parado” (meio como criticar a Claudia Leitte por ser muito “agitada”, é o jeito, a imagem deles, duh).
Disseram também que os alemães “não empolgaram” e eu fiquei pensando se tinham visto o mesmo show que eu ou que o pessoal no vídeo aí embaixo. Como você vê, o problema não era com o público, nem com o Kraftwerk. Emocionante.
O outro grande show de sexta foi de uma banda bem mais atual, mas absolutamente obcecada com os anos 80. O Chromeo, que sempre chamei de electro-cafajeste (vide as pernas de mulher no suporte dos teclados), fez algo mais absurdo ontem: synth-funk-boogie… de arena.
O grande DJ set da noite (do que vi) trouxe o encontro de dois veteranos brasileiros: Marky e Patife. Coice atrás de coice, com uma interação e energia entre os dois que contaminou toda a plateia.
Marky (foto: Ariel Martini)
Um set de drum’n'bass rasgado, claro, com toques clássicos aqui e ali, como uma versão quebrada para “Show Me Love”, de Robin S, e o final com “Big Fun”, do Inner City (a original).
Vi também Skream, que foi bem meia-boca. Rolou até um Nirvana, momento de desespero para conseguir alguma resposta de uma plateia dispersa (o MC Sgt. Spokes até zoou: “essa é pro pessoal do karaokê). Gui Boratto entrou depois e fez seu live eficiente, a melhor pedida para animar o público que minguava.
Perdi o Hudson Mohawke, que me falaram ter sido incrível. E o Cut Chemist, e o Doom e quase todo o James Pants. Mas era tanta coisa…
SÁBADO
Em meio a tanto vanguardismo, ninguém estava dando muito bola para Cee-Lo Green. Ele e a banda não tiveram o melhor dos sons tecnicamente falando. Mas a figuraça e seus hits trouxeram um contraponto pop para o festival que mexeu bem com a audiência (apesar de ter arrastado metade do público do Kraftwerk).
No mesmo palco, o Justice arrebatou mais. Pedradas electro-rock abraçadas com fervor por uma multidão de sábado à noite. Confesso que não me pega, a pisada de seu ritmo é quadrada demais para o meu gosto. A repetição dos mesmos truques para levantar a massa (subidas, subidas, subidas e explosão) perde o efeito depois de usada pela terceira, quarta vez. Você discorda? Tudo bem, a pista tomada de braços levantados também discordaria.
No palco do SonarVillage/Red Bull, um quarteto de DJ mostrou um caminho bem mais redondo e que deu certo do mesmo jeito. Cada um na sua praia: o americano Flying Lotus, com seu set desengonçadamente gracioso; o inglês James Holden com um progressivo cheio de camadas e propulsão; o conterrâneo Four Tet trazendo house e techno fora do eixo; e outro americano, Seth Troxler, mandando tech-house balístico “big room”.
Enquanto isso, no SonarHall acontecia um dos pontos altos do festival: o show ao vivo de James Blake. Tocando synths analógicos e cantando, com um baterista e guitarrista de apoio, Blake representou um dos lados mais “avançados” da música do festival. Soul pós-dubstep, que vai de música de fossa digital a dub-house introvertido. Climas sombrios, linhas de baixo de tremer o chão e um final grandioso com “The Wilhelm Scream”.
Finalizei o sábado vendo a primeira parte do set de John Talabot, que fez um dos álbuns de 2012 até agora (Fin). Seu som estava ótimo, cool disco com fluidez e pegada. Mas sua postura era das mais estranhas. Talvez tomado de timidez extrema, passou o tempo todo curvado sobre o mixer sem levantar a cabeça um milímetro que fosse.
Minhas forças tinham acabado aí… não fiquei para ver Modeselektor e Squarepusher (assim como cheguei tarde para o Rustie). Pode me xingar. Eu já fiz o mesmo. Segundo meu amigo Fernão (VJ do Embolex) disse, “o Modeselektor fez uma apresentação audiovisual incrível, as melhores imagens do festival, sorry Kraftwerk”.
PS
Assistir ao show de James Blake, música nova, com a cabeça olhando para a frente, no Palácio das Convenções do Anhembi foi especial por mais um motivo.
Foi lá que, em 1986, aos 17 anos, vi dois shows que para mim tiveram exatamente essas características, abrindo janelas e consolidando meu mundo musical de então: Siouxsie & The Banshees e Public Image Limited.
Tenho certeza de que o Sonar em 2012 fez o mesmo para muita gente.
O canal do Sonar SP no YouTube tem mais um monte de vídeos das apresentações
Aqui mais fotos do Ariel Martini do Sonar
Mais uma do álbum Ufabulum,que chega em junho (mas já encontrável por aí…).
Tempinho atrás, pus outra do disco aqui.
No Sonar catalão de 2011.
Quer mais? Nesse link aqui tem um álbum inteiro deles para baixar de graça, Wiki & Leaks.
Em São Paulo tocam no sábado.
Segura!
A dupla alemã, que toca no Sonar no sábado, oferece mais uma seleção nervosa. Modeselektion Vol 2 sai no fim de junho.
Lembra que o álbum deles, Monkeytown, foi um dos melhores de 2011.
Filmado em janeiro agora. Falta grave, mas o que vale é o espírito da coisa.
Repara quando entra “The Bells”, aos três minutos…

