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Arquivo: CIDADE

Frankie Knuckles e Barack Obama

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A foto acima é de 2004, quando o então senador por Illinois Barack Obama encontrou o “godfather of house”. O evento era o lançamento do “Frankie Knuckles Day” (25 de agosto), tributo ao filho pródigo da cidade. No mesmo ano, Knuckles ganhou outra homenagem e virou nome de rua, mostrada na imagem abaixo.

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A morte de Knuckles mereceu pronunciamento oficial na cidade.

No dia seguinte à notícia, o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel, leu esta mensagem:

“Hoje, Chicago se despede de um de seus mais estimados pioneiros culturais, Frankie Knuckles, o ‘padrinho da house music’. Durante sua longa carreira, Frankie se estabeleceu como um daqueles artistas e inovadores que vieram a esta cidade não apenas para contribuir para um gênero musical, mas para criar um novo. Ao fazê-lo, ele também encontrou um lugar nos corações daqueles que o conheciam e dos muitos outros que seguiam o seu trabalho.”

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Seminário da Noite Paulistana

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Já está rolando o evento que pretende promover uma reflexão sobre a noite urbana e suas implicações econômicas, sociais e culturais. São mais de 23 horas de programação lá na Biblioteca Mário de Andrade, entre os dias 18 e 21 de março de 2014. Devem rolar vídeos depois.

Nesta quinta, eu participo de uma mesa sobre mediação, legislação e as relações entre a noite e a cidade. Ao meu lado estarão o jornalista Gilberto Dimenstein, o escritor Ferréz e a doutora em psicologia Elaine Bortolanza. Vai das 19h às 20h30.

Informações completas sobre o evento aqui.

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A balada que é a cara de São Paulo hoje acaba de ser legalizada

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Foto: Chico Tchello

A balada mais comentada no momento em São Paulo não tem valet, nome na porta ou cerveja do tipo IPA. As paredes e o teto são sujas de fuligem e pixo. O chão é de asfalto e a gerência diz que não aceita cartão. Aliás, que gerência o quê. No Buraco da Minhoca não tem disso, não. Ali, quem manda é o povo. Que chega, monta som, começa a tocar e logo tem uma pista de centenas pronta para atravessar a noite. O Buraco da Minhoca é um resumo de conceitos legais de São Paulo, de ontem e hoje: o faça-você-mesmo do punk, o hedonismo maratonista da música eletrônica, a capacidade realizadora dos coletivos, a reocupação do Centro e a retomada das vias públicas. Como diz na página da festa no Facebook: “O buraco da minhoca é uma passagem para outra dimensão de ocupação do espaço público.

Uma história como essa merecia um tratamento mais caprichado aqui no blog. Achei que seria uma ótima oportunidade para promover a estreia da Stefanie Gaspar como colaboradora aqui desse espaço. A Stefanie é parceira das antigas, trabalhamos juntos na editoria de música do Virgula. Ela conhece música de maneira detalhada e intensa e já escreveu para Deep Beep, Estadão e UOL. Para mim, que ando precisando de reforço nessa lida diária que envolve paternidade, editoria do Link e outras cousas mais, é um apoio que vem em ótima hora. Go, Stefanie, go!

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Foto: Facebook do Buraco da Minhoca

Sair de casa para dançar e se jogar na pista é um ato político – e em São Paulo, cidade que por vezes entende apenas a lógica dos lugares fechados, preços inacessíveis e listas VIP, a festa é ainda mais significativa quando o cenário é a céu aberto.

Nos últimos meses, festas na rua vêm proliferando de maneira significativa em São Paulo, com inúmeras opções para quem quer não só economizar como ter o prazer de ocupar as ruas, aproveitar o verão e juntar os amigos. Nomes como Metanol, Free Beats e Selvagem já são conhecidos entre o público ligado da cidade, e todo fim de semana traz alguma festa inédita, normalmente anunciada em cima da hora pelas redes sociais.

Ainda mais importante é o precedente, já que cada vez mais artistas, organizadores e performers perceberam que a cidade é terreno livre para invenção e ocupação. Um bom exemplo disso é o SP na Rua, que colocou todo mundo para dançar ao som de diversos coletivos sob o cenário do centro antigo da cidade.

O movimento de festas em espaços públicos foi logo atraindo atenção suficiente para virar assunto da esfera política. Com a mudança de administração, que sob o comando de Kassab chegou a proibir a atuação de artistas de rua nas principais vias da cidade, a atitude em relação à ocupação do espaço público também começou a se transformar.

Em janeiro deste ano, Haddad vetou o projeto de lei que proibia a utilização de vias públicas para a realização de bailes funk e qualquer outro evento musical/cultural que não tenha sido pré-aprovado pela prefeitura – vale lembrar que o projeto era de autoria dos vereadores Conte Lopes, do PTB, e de Coronel Camilo, do PSD, ex-comandante da Rota. O fim da proibição abriu espaço para manifestações culturais eventuais, em um começo de ano também marcado pelo primeiro Carnaval no qual os blocos de rua foram oficialmente autorizados pela prefeitura.

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Foto: Facebook do Buraco da Minhoca

Foi nesse contexto que mais uma área “marginal” da cidade se tornou local de comemoração. No dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, o túnel entre o Minhocão e a Rua Augusta, debaixo da Praça Roosevelt, ganhou um novo nome: Buraco da Minhoca. Aproveitando que o tráfego de veículos é proibido durante a madrugada – e transformando a tristeza das fortes luzes “anti-mendigo” em estrobos da pista de dança -, um grupo de artistas, DJs e performers acabou ocupando o espaço de maneira inesperada.

“A primeira festa aconteceu por acaso. Eu já caminhava há mais de um ano pela cidade carregando uma caixa amplificada presa ao corpo, e comecei a discotecar nos eventos da galera do Organismo Vivo Parque Augusta. No dia 25 rolou o primeiro protesto ‘Não Vai Ter Copa’, e o coletivo decidiu ir para a Paulista. No fim, rolou um confronto com a PM e descemos para a Roosevelt. Soltamos um som e começou a chegar gente, e umas 22h a GCM avisou que a festa precisaria acabar. Daí que falei pro pessoal para descermos para o túnel. O povo foi aglomerando e assim nasceu a festa. Cheguei em casa, batizei como Buraco da Minhoca, criei a página no Facebook e tivemos mais cinco eventos espontâneos”, explica o DJ Chico Tchello.

No dia 22 de fevereiro o local teve sua primeira grande festa, a Circolando no Buraco, que contou com Tchello, Dani Maddox e Márcio Vermelho. Segundo a organização, cerca de 5 mil pessoas passaram pela festa.

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Capslock embaixo da Roosevelt Foto: Paulo Tessuto

Acabou a festa

Semanas depois, foi a vez de mais uma festa ocupar o espaço do Buraco da Minhoca. Em pleno Carnaval, a festa Capslock botou o bloco na rua e convidou os foliões a dançarem de graça no centro a partir do fim da tarde. Desta vez, entretanto, a Polícia Militar parou a festa sob a alegação de que não havia autorização prévia para o evento. De acordo com o Artigo 5º do Decreto 49.969/08 e Seção 3.5 da Lei 11.228/92, qualquer manifestação tida como eventual que se utilize de logradouros públicos (ruas, praças viadutos e parques) precisa de uma autorização prévia da prefeitura, que tem até 30 dias para liberar ou não um alvará de autorização para eventos temporários.

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“Leve o lixo e deixe a saudade” (Foto: Facebook do Buraco da Minhoca)

“A festa tinha autorização, porém faltou a palavra dispersão no documento, o que foi usado como instrumento para barrar a festa. O grande problema que tivemos foi uma denúncia que ocorreu antes da festa, com os policiais monitorando o evento por conta de uma denúncia de prováveis moradores da região”, explicou Paulo Tessuto, organizador da Capslock. Segundo ele, todas as festas são “ilegais” no sentido estrito, já que os eventos são organizados de maneira independente e orgânica, o que dificulta uma articulação meses ante diante das autoridades.

“O ideal é que todo mundo que for organizar uma festa procure a subprefeitura da região para viabilizar uma autorização, que blinda o evento de eventuais denúncias ou reclamações relativas a um barulho eventual. Se ocupar a via dos carros, é necessário entrar em contato também com a CET”, completou ele, que organizou outro evento no último domingo (9). “Foi mais uma festa sem autorização. A polícia apareceu após uma reclamação de barulho, mas como o denunciante não formalizou a reclamação, assinei um B.O e a festa continuou”, explicou Tessuto.

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Agenda oficial

Na noite de quinta-feira (13), o Buraco da Minhoca anunciou em sua página no Facebook que o espaço está oficialmente regularizado. “É com muita emoção que informo a todos vocês que o Buraco da Minhoca foi aceito como evento oficial e será devidamente regularizado pela prefeitura, CET, GCM e Secretaria de Segurança Pública”.

Em entrevista, Paulo Tessuto confirmou que a nova administração está aberta a conversas, e que a Capslock está em negociação. “Vamos discutir uma agenda de ocupação. Anteriormente, nunca tínhamos ido atrás de autorização porque era difícil e burocrático. Mas com o crescimento desse movimento as coisas estão ficando mais fáceis, e pretendemos discutir isso”, explicou.

Chico Tchello adiantou que duas festas já estão a caminho para os próximos dias. “Uma delas provavelmente irá se chamar ‘noite do rala tanga’ (a festa com essa nome foi confirmada – CR), festa escrachada com temática inspirada na pornochanchada. A ideia é tocar o roots da MPB, com nomes desconhecidos de artistas e grupos que estamos garimpando em lojas de CD”.

PS CAMILO ROCHA: Foi anunciado também a Vaca Mirim, primeiro evento vespertino, “para todas as idades”, do Buraco. 

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A noite em que a pista de dança venceu o medo

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Fotos: Marcelo Paixão

Leitor e cidadão, aqui vai uma verdade incontestável: os atos mais políticos muitas vezes não precisam de palanque ou cartaz.

A maneira mais eficiente de arrebanhar para uma causa não passa necessariamente por marchas ou gritos de ordem.

Sábado passado, dia 9 de fevereiro, o festerê do SP na Rua nos trouxe um grande exemplo de como isso funciona.

Foi a noite em que a pista de dança venceu o medo.

O SP na Rua juntou uma porção de coletivos da cidade para promover um baile a céu aberto, fazendo de salão as ruas do Centro antigo dessa cidade judiada. Em vez de parede e teto, a decoração era o Martinelli, o Banespão, o prédio do CCBB.

A gandaia mixou o maracatu da Pilantragi com o eletrônico udigrudi da Voodoo Hop, o beat fino da Laço, o bass da Free Beats e muito, muito mais. O pout-pourri se reproduziu no chão do baile, onde cada foi o que quis, do jeito que quis. Deu pinta, pôs fantasia, rasgou seda ou ficou de canto em pose blasé. Ninguém igual, ninguém mais do que ninguém.

Afinal, não custava nada para participar, era só chegar.

Em época de cordões VIP, cobrança de taxa de 10% em buate, água mineral com preço de uísque 18 anos e outras exorbitâncias mais, tem coisa mais refrescante?

Woodstock teve três dias de paz e música, São Paulo conseguiu uma noite inteira. Para uma cidade onde muitos só acreditam em grade e guarita, não é um ótimo começo?

Com uma vibe dessas, os agentes da lei e da ordem não tiveram opção a não ser bater o pezinho. A amiga Luciana Rabassalo, repórter de musica do Virgula, relatou esse encontro com dois policiais: “Ouvi de dois PMs que até aquele momento (às 3h) NENHUMA ocorrência havia sido registrada e que eles estavam adorando a movimentação. ‘Isso aqui é diferente de tudo’, me disse um deles. O outro me deu a informação que precisava e me desejou ‘boa noite’.”

Só faltou ligar a sirene na hora do break pra bombar a pista.

Vídeo: Márcio Vermelho

ABAIXO AS VIVANDEIRAS

Enquanto as vivandeiras do apocalipse berram na sala brasileira que não se pode mais sair de casa, que estamos cercados de bandidagem por todos os lados, o SP na Rua respondeu na base do beijo e da contradança. Enquanto os trolls da intolerância querem desvalorizar a gente bronzeada do Brasil e dizer para todo mundo o que pode ou o que não pode, o SP na Rua era um fuzuê colorido de identidades.

O amigo Vitor Angelo postou uma foto de dois caras se beijando, com a legenda: “É beijo gay ou é só beijo?” É por aí. Na hora da pista boa, não importa se é gay, hetero ou trans, centro, direita ou esquerda.

Raciocine comigo, quem merece mais confiança? O DJ Márcio Vermelho ou o lineup dus infernus: Rezende, Sheherazade e Datena? O SP na Rua foi uma noite que marcou um golaço contra as mil e uma noites do terror da contadora de trololó do SBT.

O escritor Hakim Bey, muito citado nos tempos áureos da rave, tinha uma boa frase sobre o potencial ideológico de uma boa festa: “Vamos admitir que fomos a festas onde por uma noite uma república de desejos satisfeitos foi conseguida. Não confessaríamos que a ideologia dessa noite tem mais realidade e força para nós do que, digamos, todo o governo americano?”

Nesse ótimo texto sobre festa na rua, a Camila Hessel lembrou o escritor e professor Clay Shirky para falar sobre o potencial da mobilização de recorte horizontal:

“Ao dar aos indivíduos uma habilidade que antes era institucionalizada, você substitui planejamento por coordenação, você flexibiliza, evita as limitações inevitavelmente trazidas pela institucionalização”.

Agora põe o ouvido na janela. Tem muito mais dobrando a esquina. Olha aqui.

P.S. Eu não fui ao evento e baseei meu relato em dezenas de depoimentos no Facebook e de pessoas próximas. Como a intenção era mais elogiar a iniciativa do que fazer uma “resenha” do evento, não vi problema nisso.

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Barbárie ou civilização: qual é a sua?

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Em, Revolução, série para TV de J.J. Abrams, a luz do mundo inteiro acaba para sempre. Sem eletricidade, a humanidade rapidamente regride para um estágio pré-civilizatório. Milicias de homens fortemente armados passam a controlar tudo.

Saindo da ficção, é conhecido o caso da Somália, que desde 1991 não pode mais ser considerada um país. Sem governo central, a Somália virou terra de ninguém, onde senhores da guerra e facções passam o dia se metralhando. Qualquer jornalista visitando a área tem que andar com escolta fortemente armada. Mogadishu, a capital, que era uma cidade agradável e ajeitada até os anos 60, virou uma coleção de escombros e prédios cravejados de bala.

Na ficção ou na vida real, cenários onde a civilização se decompõe e a barbárie toma conta são apavorantes. Não há instituições, leis, governo, nem direitos nem deveres. Domina quem tem mais força, violência, o melhor armamento. Grupos assim viram polícia e Justiça e a definição do que é certo ou errado fica em suas mãos.

Cada vez que alguém apoia uma ação de justiceiros, como no caso do menino preso pelo pescoço com uma trava de bicicleta no Rio, está flertando com um cenário assim. Imagino que para muitos exista mesmo satisfação em ver um suposto ladrão ser maltratado. Acostumados à inoperância policial e judicial que estamos, funciona como um grãozinho de retribuição.

Mas é um engano esse caminho. Por que, veja só, e depois de bater ou matar, acontece o quê? Suponhamos que o sonho de alguns fosse realizado e que, um dia, todos os bandidos do Brasil amanhecessem mortos. No mais, tudo seria deixado como está: desigualdade, favelas, corrupção, educação ruim, falta de ética etc. Em menos de dois anos, um novo exército criminal de milhões estaria formado. “Ah, mas matar bandido intimida os outros bandidos”. Mentira. O Brasil tem esquadrões da morte e justiceiros há décadas e olha onde chegamos.

O problema com a barbárie é que ela não passa de um círculo vicioso. Ela não usa o cérebro, funciona a base de reações, reflexos, instinto. É o homem de neanderthal jogando uma pedra naquele que o atacou. É a turba raivosa que só quer quebrar e saquear. Toma lá, dá cá.

Demoramos alguns milênios para erguer esta obra grosseira e inacabada chamada civilização. E ela ainda está longe de ser perfeita. De fato, pode-se dizer que sequer chegou a muitos pontos do mundo ou do Brasil, como em comunidades pobres dominadas por milícias ou presídios onde se pratica a degola. Mas, acredite, mesmo com todos os defeitos e irregularidades, viver num País com Congresso, Suprema Corte, polícia, Constituição e Código Civil é de longe a melhor alternativa que existe.

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Dez motivos que fazem de Berlim a capital da música eletrônica da Europa

BE-clubdevisionaire

Já dei o toque aqui da mesa sobre produção musical que vou mediar no RMC este sábado (7/12). Vou conversar com Xerxes, Antonio Eudi, André Salata, Gabe e Memê. Mais infos aqui.

Mas tem mais: às 19h do mesmo dia farei uma entrevista no palco com o jornalista e DJ Jonty Skrufff sobre Berlim. Jonty é inglês, mas mora na capital alemã há muitos anos e conhece a cena de lá como poucos. Além disso, é um grande especialista na cultura dos clubs e da música eletrônica, que ele cobre desde os anos 90 em seu boletim Skrufff e no site Skrufff.com.

O papo “Dez motivos que fazem de Berlim a capital da música eletrônica da Europa” vai falar de clubes, história, artistas, liberdade e festas que nunca terminam. Vai ser wunderbar!

O RMC acontece no Centro da Cultura Judaica, rua Oscar Freire, nº 2500.

Para participar, é necessário comprar inscrição do RMC Pro, que custa R$ 70. Além desta palestra, o bilhete Pro te dá direito a uma programação gigante de workshops, palestras e debates.

Mais detalhes do evento aqui no Facebook.

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Um músico de rua recebe uma visita dos anos 80

BE-bronskirua

O músico de rua executava um clássico pop dos anos 80, “Smalltown Boy”, do Bronski Beat.

De repente, uma visita inesperada.

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Policial 4:20

BE-policiaquatroevinte

Policial ajuda galera a acender baseado de Itu.

Tem coisas que só Seattle faz por você.

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Seattle: polícia para quem precisa de Doritos

BE-doritosbags

A foto aí em cima é de um dos pacotes de Doritos que a polícia de Seattle distribuiu num festival canábico recente.

O adesivo vem cheio de graça (“achamos que você pudesse ter fome”) e toques sobre como funciona a nova lei estadual que permite fumar beque recreativamente.

Tipo NÃO permite dirigir, usar em público etc.

Em compensação, pode “ouvir Dark Side of The Moon razoável”.

Os Doritos, claro, se esgotaram.

O tom da polícia local tem sido assim, brincalhão e simpático. Meio que dizendo “não precisa mais encanar, agora somos amigos”.

O Twitter deles anda impagável. Cheio de piadinhas chapadas e humor de maluco (sacou o Kevin Spacey?)

 

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Há algo de podre no ar do Leblon

BE-vandalismoleblon

Quem está quebrando tudo no Rio de Janeiro? A quem interessa que quebrem tudo?

Vale ler os três textos abaixo.

1) Depoimento do Rafucko publicado pela Mariana Pabst Martins ontem no Facebook.

“Queridos

Hoje de madrugada fui detido por “formação de quadrilha” com mais 5 pessoas que não se conheciam. Fomos algemados e humilhados pelo Batalhão de Choque enquanto fugíamos do caminhão de água.

Quando andava até a viatura, segurando uma camisa que eu uso para molhar de vinagre em caso de gás, um dos policiais mascarados e sem identificação perguntou o que era aquilo, pegou e disse “tá confiscado”. Os outros 5 participantes da “minha quadrilha” são testemunhas.

Logo depois, o policial aparece na viatura com a minha camisa CHEIA DE PEDRAS PORTUGUESAS. Falei alto, para todo mundo ouvir: “essa é a minha camisa e essas pedras que ele está colocando agora não são minhas! Todo mundo aqui está vendo”. Ele respondeu: “é bravo, é? vamos ver quando chegar lá, vou enfiar essas pedras no seu cu, aposto que você vai gostar”.

Chegando na 14ªDP, a delegada perguntou quem éramos nós e por que estávamos sendo trazidos para a delegacia. Eles foram rápidos em dizer: “estavam jogando pedras no caminhão. Nós trouxemos as pedras”. Um pequeno detalhe: filmei o momento que a confusão começou e o momento da prisão, com abusos.

Entreguei o celular para a delegada, que chamou os dois oficiais do choque (sem identificação até mesmo dentro da delegacia) para uma sala. Saíram, avisaram que ninguém seria indiciado e devolveram minha camisa, sem as pedras. Mais tarde posto o vídeo sem cortes. Peço a todos que espalhem bastante ANTES QUE O DITADOR SERGIO CABRAL FALE MENTIRAS NA REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DAQUI A POUCO.”

2) Matéria que saiu na Folha hoje:

Manifestantes acusam ‘infiltrados’ da PM

O primeiro momento em que a situação quase degringolou foi quando três policiais militares deixaram a área protegida pela polícia para apurar uma suposta denúncia de que estariam chegando manifestantes com coquetéis molotovs no local.

Os manifestantes cercaram os policiais obrigando-os a dar meia volta. Pouco depois, um homem de camisa social e boné se aproximou da grade, gritou para os policiais e tentou derrubar a estrutura. Foi contido pelos manifestantes: “É infiltrado”.

A partir daí, criou-se um clima de neurose coletiva de que agentes infiltrados da polícia estavam ali para provocar confusão e precipitar reação violenta das autoridades.

Manifestantes com câmeras obrigaram dois homens a mostrarem suas identidades para provar que não eram do serviço reservado da PM.

Leia o restante aqui.

3) Terra ontem:

Polícia pode voltar a usar ARMAS LETAIS (meu CapsLock) e gás em protestos no Rio

Para o comandante da PM, Erir da Costa Filho, o que foi pactuado com a secretaria de Direitos Humanos, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Anistia Internacional não deu certo. “Temos que mudar essa conduta. Foi pactuada a diminuição do gás. Outras organizações queriam que tirássemos todas as armas não letais e nós decidimos usar água. Depois do que ocorreu ontem vamos fazer uma reavaliação da forma de atuar” disse, completando mais tarde: “como é que a polícia vai controlar uma turba com uma munição não letal? As organizações têm que ir à frente das câmeras e dizer que armas podemos usar”.

Matéria completa aqui.

Enquanto isso, o governador Cabral replica o primeiro-ministro turco Erdogan e fala em “conspiração internacional”.

Sim, não há prova de nada. Mas o cheiro que está no ar é podre.

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