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Em São Paulo, a praça é a nova pista

Grafite de Dafne Sampaio e Ana Lima Cecílio

Conversava eu com um amigo que sabe dessas coisas e ele me pintou o seguinte cenário: “Vai ser complicado para eventos pagos esse ano. A impressão é que as pessoas só querem coisas de graça, na rua.”

A gente estava em frente ao Paribar, na praça Dom José Gaspar, centro de São Paulo. Era a festa Selvagem, de Augusto Olivani e Millos Kaiser, onde eu tocaria como convidado. O evento é gratuito, basta aparecer. Conforme a noite de domingo chegava, o povo também. A pista logo entrou em modo disco fever. Espalhadas pelo bar e praça, havia facilmente umas 300 pessoas.

Em outra roda, o papo era a explosão dos blocos de rua na cidade. O pré-Carnaval paulistano há tempos não parecia tão energizado. No sábado, a Vila Madalena ficou trancada, de tanta gente que apareceu para brincar nos blocos. Um carioca, que estava na conversa, tirou uma: “É estranho para vocês isso, né?”

São Paulo em começo de 2013 está assim. Com sede de rua. Depois de anos de estímulo ao prédio e desencorajamento à praça, há um forte sentimento de que esse ano vai ser diferente. Ainda não vale para toda cidade, claro. O cinturão periférico segue encurralado e amedrontado depois que escurece.

A gestão Haddad está ciente da demanda reprimida. Juca Ferreira, novo secretário de Cultura da cidade, tocou no assunto em reunião com cerca de 1.000 representantes de coletivos, produtores de teatro e cinema, empresários, atores, artistas de rua e de outras áreas da cultura na terça-feira (absurdamente ignorada pela mídia em geral). Entre muitas coisas, o secretário disse que ruas e praças podem “se transformar em espaços de manifestação cultural” para artistas da cidade, com calendário para o ano todo.

Sou um grande entusiasta de festar na rua. É ótimo que cidadãos e autoridades estejam na mesma sintonia e isso vire uma opção viável na cidade.

Ao mesmo tempo, não seria bom se essa onda esvaziasse os eventos pagos, em lugares fechados. Clubes, festas e festivais são importantes para a economia da diversão. Além de viabilizar o sustento de artistas, o preço da entrada paga o salário de várias categorias de trabalhadores da noite. E, se a gente quer ver um show como Kraftwerk ou Hot Chip não tem jeito, vai custar dinheiro (obviamente não deveria custar TANTO quanto nos cobram aqui no Brasil, mas isso é outra conversa, apesar de também relacionada ao movimento em direção à rua).

Juca Ferreira também contemplou o ramo da diversão noturna no encontro dessa semana. ”É preciso pensar uma política cultural para a noite, mudar a visão de que em São Paulo se dorme à noite e se trabalha de dia. A cidade vai ganhar muito se disponibilizar cultura à noite.”

Apesar da empolgação momentânea por dançar no asfalto, acredito que a coisa tende a se equilibrar. E São Paulo, claro, tem gente de sobra pra todo tipo de festa.

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É hora de fiscalizar os fiscais da noite

O Brasil estará no seu encalço das casas noturnas agora.

Depois da horrenda tragédia de Santa Maria, as baladas de todo o País podem esperar começam a enfrentar uma fiscalização muito maior. Não só das autoridades, como do público e da mídia também. A melhor coisa que um dono de casa pode fazer agora é se certificar de que o boteco está com tudo em cima.

E isso é ótimo. O Brasil deve estar cheio de boates Kiss, com equipamento irregular e estrutura inadequada. Precisam ser localizadas e corrigidas.

Mas é só uma ponta do problema. Há todo um cenário de propina, burocracia e descaso armado nos órgãos responsáveis que precisa ser corrigido junto. E isso é muito mais difícil do que checar se os extintores estão funcionando.

É por conta dessa situação que o fato da boate Kiss não ter alvará, tão alardeado na mídia, chega a ser irrelevante. O documento não é garantia de nada no Brasil. São comuns os casos de licenças conseguidas num passe de mágica uma vez que se engraxa a mão certa.

Cansei de ouvir donos de casa noturna e organizadores de festa em São Paulo reclamando sobre o trâmite para se conseguir alvará. As histórias se repetem. Fiscais criam dificuldades para vender facilidades. Os donos de casa honestos, que fazem a coisa certa, sem atalhos, enfrentam uma maratona burocrática. Não é incomum ter que conseguir uma liminar na Justiça para o negócio poder funcionar.

André Barcinski, que além de jornalista é empresário da noite, definiu bem no seu blog.

A impressão que tenho é de que as leis e regulamentos para obtenção de alvarás são propositalmente absurdas e kafkianas, com o único intuito de dificultar a vida de quem deseja tirá-los. E quando isso acontece, sabemos as consequências: corrupção e falta de fiscalização adequada.

Não estou eximindo nenhum comerciante de suas responsabilidades. Mas desafio qualquer pessoa a entrar sozinha numa secretaria e conseguir um alvará, sem a ajuda de despachantes, advogados e “técnicos” e sem apelar, no fim das contas, para liminares judiciais.

Reforçando o que disse o Barça: não se trata de transformar os donos de boate em vítimas do sistema, mas de enxergar toda a cadeia de erros.

Em toda atividade, existem os picaretas e os bons. Os primeiros devem ser enquadrados com rigor. Os segundos devem poder trabalhar com a tranquilidade de que a lei está do seu lado.

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Retrospectiva Oesquema 2012: Um futuro para SP no Minhocão

Dois domingos atrás, fui a um evento que, se não foi especialmente grande em número de pessoas, foi enorme em termos de simbolismo.

Aconteceu em cima da cicatriz mais feia da cidade-baranga, o Minhocão. Aglomerados de pessoas dançaram e socializaram sobre o asfalto interditado no final da tarde. Uma ocupação lúdica desafiando o castigo diário do concreto e da via expressa.

Diversos sound systems com DJs mandavam som. Uma banda tocou perto de uma instalação inflável chamada Bolha Imobiliária. Foi uma das ações ligadas à rede Preliminares, de discussão de propostas para São Paulo em 2013.

Uma tenda da VoodooHop oferecia quitutes de um pessoal conhecido como Creative Comes. Era um mini-festival com boas doses de humor, música e social (quantas pessoas? Sou ruim de contar gente, mas pelo menos 300).

Entre o evento e seu cenário, um gritante contraste entre a cidade que queremos e a cidade que abominamos.

Andando por esse Minhocão em dia de folga, fiquei impressionado com a proximidade da via às janelas de vários apartamentos. Que projeto de cidade era esse, que destruiu a qualidade de vida em prol do escoamento automotivo?

Quarenta anos depois da inauguração do Minhocão, o erro da abordagem é sentido por todos. Porque além dos moradores da região que pioraram de vida, temos agora também a quase totalidade dos motoristas amarrados em vias congestionadas.

São Paulo não parou de reincidir em políticas urbanas que assassinam o bem-estar. Nos últimos anos, seu solo ficou entregue a uma violação sem precedentes, conluio entre oficiais corruptos e incorporadoras gananciosas. Armação ilimitada, construção irrestrita. Estacas de concreto seguiram batendo sem dó, derrubando casas charmosas, desfigurando bairros, multiplicando o trânsito em ruas esgotadas, desafiando leis do urbanismo, da física, da estética, do bom senso.

Nada mais simbólico então que subverter um marco dessa mentalidade, o Minhocão, promovendo nele necessárias ações de comunhão, de coletividade, de engajamento, de lazer, de sorrisos, de gente encontrando gente na rua.

Há muita esperança com a administração do Haddad, mas não por se achar que ele é o prefeito perfeito, alguma espécie de salvador. Mas porque articulações de propostas e mobilização cidadã estão a todo vapor e sente-se que existe abertura para conversa. A nova administração só terá a ganhar se escutar com atenção.

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Um grande esquenta para São Paulo 2013

Já entra dezembro e logo mais teremos prefeito novo em São Paulo. Como vai ser? Vai melhorar? Mais importante: como podemos acompanhar e participar?

O evento Preliminares nasceu dessa necessidade de dar pitacos no que vem por aí. Se define como “uma grande conspiração pública para a construção de uma rede independente de mídia, mapeamento e ação pública”. E mais:

9 dias, 9 pontos da cidade, 9 temas gerais: a lista de coletivos e convidados só cresce. E a programação do Preliminares vai tomando forma.

Já são mais de 30 mesas, debates e oficinas. Ocupações, transmissões, festas. Mas a agenda estará aberta até o final.

Copa do Mundo, Especulação Imobiliária, Jornalismo Investigativo, Educação, Arquitetura, Tecnologias de Ocupação, Economia Solidária, Lixo, Redes e Códigos, Carnaval de Rua…

Alguns exemplos:

No sábado, às 18h, na Casa Fora do Eixo, tem o jornalista escocês Andrew Jennings, autor do livro Jogo Sujo: O Mundo Secreto da Fifa.

Na terça, mesmo horário, tem Hermano Vianna falando no Studio SP.

Quarta, 9 da manhã, na Sala Crisantempo, tem um seminário dos 25 anos da ONG educacional Cenpec com Marina Silva, Nabil Bonduki, Maria Alice Setubal e Maria do Pilar Lacerda.

Sábado, tem 20 blocos de rua num Manifesto Carnavalista pelas ruas da Vila Madalena.

E, para fechar, no domingo, tem festa no Minhocão, com intervenções, sound systems (eu vou tocar no trio do Carlos Capslock) e show histórico do Akira S.

Acompanhe e se informe mais aqui no Facebook.

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Um filme sobre a guerra paulistana

Outro dia vi Os Inquilinos, de Sergio Bianchi, na TV. Foi filmado em 2009 e é perfeito para entender a lógica da periferia paulistana do ponto de vista de quem está dentro.

É a história de gente comum, que batalha para melhorar de vida enquanto tem que lidar diariamente com a violência e a sensação de vulnerabilidade. Bons atores, história bem contada e um final que te joga no olho do problema atual de São Paulo.

Aqui alguns artigos recentes que ajudam a entender a guerra urbana de São Paulo.

Milícia disputa com traficantes controle de caça-niqueis em São Paulo (isso mesmo, milícias em São Paulo)

- Blog do Forastieri – Tropa de Elite 3: a guerra chegou a São Paulo

- 16 perguntas sobre o PCC

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O que querem conservar os conservadores?

Então está explicado, embasado por pesquisa. São Paulo, aquela que já se gabou de ser a locomotiva do Brasil, e que há uns 30 anos empacou num congestionamento eterno, agora assume com orgulho a marcha a ré. Quase metade dos vagões da locomotiva (cerca de 44%) se declaram “conservadores”.

Fiquei pensando bastante e não consegui responder uma simples pergunta: “conservar o quê”?

Fica claro que o conservador paulistano (e o brasileiro) não está familiarizado com os livros de história.

Até entendo um morador da Suíça querer conservar aquele modo de vida imaculado, seus relógios pontuais e pastos bem cortados. Ou mesmo um americano de Massachusetts, com seus 300 anos de ordeiras comunidades.

Mas o que é ser conservador num País que só vem conseguindo baixar a desigualdade há meros 20 anos? Que conhece democracia continuada há menos de três décadas. Que não completou a segunda década de história sem inflação descontrolada e com economia estável. Que ainda tem milhões de pessoas vivendo em barracos que parecem sofrer combustão espontânea. Que ainda custa a aprender o que é uma faixa de pedestre. Que tem entre seus esportes preferidos a intromissão na vida alheia.

São Paulo, como cidade de verdade (o período pós-Anchieta e pré-imigração não conta, ok?), tem pouco mais de 100 anos. E o Brasil é ainda um experimento inacabado, um projeto não concluído. É metamorfose ambulante.

Precisa com urgência de menos “conservadores” e de mais ousadia e mente aberta.

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Favela do Moinho, destaque do VMB 2012

Gosto muito de citar a frase de Chuck D sobre o hip hop ser a “CNN negra”. É um dos papeis mais relevantes que um artista pode ter, contar as histórias que os canais tradicionais ignoram.

Não é algo exclusivo do rap. De Bob Dylan à house music, as narrativas paralelas são essenciais para dar voz a marginalizados, ao subterrâneo, ao “outro lado”.

Enquanto a polícia jogava gás e baixava a borracha em moradores da já arrasada Favela do Moinho, era difícil achar algo a respeito nos grandes portais. Na mesma hora, acontecia o VMB 2012, este muito bem noticiado.

Mas, graças a artistas como Criolo, Emicida e Karina Buhr, a favela do Moinho apareceu no palco do evento.

“Gostaria de oferecer esse prêmio principalmente para as autoridades públicas desse país, que tenho certeza vão apurar quais dos 30 incêndios foram provocados”, disse Criolo.

“Não satisfeita com os 36 incêndios em São Paulo, a policia militar está sitiando neste momento a favela do Moinho. Infelizmente o momento não é de festa”, lamentou Emicida.

Ao final de sua apresentação, Karina gritou: “Sai polícia, sai da favela do Moinho!”

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Os candidatos de Springfield – SP

Mas, como a vida não é desenho animado e eleição não é comédia, é bom se informar bem antes de escolher.

Veio daqui.

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Nova York em capas de álbum

Você provavelmente conhece a capa do Led Zeppelin aí de cima. Mas sabe onde fica o prédio da imagem?

O vídeo da Fuse.tv localiza em Nova York essa e outras capas que usaram a cidade de cenário, incluindo álbuns de Bob Dylan, Beastie Boys, The Wh0 etc.

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Enquanto te exploram…

Veio daqui.

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