OEsquema

Arquivo: HIP HOP

O 4:20 na cultura pop

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Esse é o tema desse mashup de imagens feito pelo Eclectic Method. No pacote, referências canábicas no cinema, TV e música.

Inclui: Beleza Americana, Pulp Fiction, TED, Cheech and Chong (claro), Easy Rider, A Vida Marinha com Steve Zissou, Snoop Dogg, Ice Cube, Richard Nixon e muito mais.

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A noite em que a pista de dança venceu o medo

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Fotos: Marcelo Paixão

Leitor e cidadão, aqui vai uma verdade incontestável: os atos mais políticos muitas vezes não precisam de palanque ou cartaz.

A maneira mais eficiente de arrebanhar para uma causa não passa necessariamente por marchas ou gritos de ordem.

Sábado passado, dia 9 de fevereiro, o festerê do SP na Rua nos trouxe um grande exemplo de como isso funciona.

Foi a noite em que a pista de dança venceu o medo.

O SP na Rua juntou uma porção de coletivos da cidade para promover um baile a céu aberto, fazendo de salão as ruas do Centro antigo dessa cidade judiada. Em vez de parede e teto, a decoração era o Martinelli, o Banespão, o prédio do CCBB.

A gandaia mixou o maracatu da Pilantragi com o eletrônico udigrudi da Voodoo Hop, o beat fino da Laço, o bass da Free Beats e muito, muito mais. O pout-pourri se reproduziu no chão do baile, onde cada foi o que quis, do jeito que quis. Deu pinta, pôs fantasia, rasgou seda ou ficou de canto em pose blasé. Ninguém igual, ninguém mais do que ninguém.

Afinal, não custava nada para participar, era só chegar.

Em época de cordões VIP, cobrança de taxa de 10% em buate, água mineral com preço de uísque 18 anos e outras exorbitâncias mais, tem coisa mais refrescante?

Woodstock teve três dias de paz e música, São Paulo conseguiu uma noite inteira. Para uma cidade onde muitos só acreditam em grade e guarita, não é um ótimo começo?

Com uma vibe dessas, os agentes da lei e da ordem não tiveram opção a não ser bater o pezinho. A amiga Luciana Rabassalo, repórter de musica do Virgula, relatou esse encontro com dois policiais: “Ouvi de dois PMs que até aquele momento (às 3h) NENHUMA ocorrência havia sido registrada e que eles estavam adorando a movimentação. ‘Isso aqui é diferente de tudo’, me disse um deles. O outro me deu a informação que precisava e me desejou ‘boa noite’.”

Só faltou ligar a sirene na hora do break pra bombar a pista.

Vídeo: Márcio Vermelho

ABAIXO AS VIVANDEIRAS

Enquanto as vivandeiras do apocalipse berram na sala brasileira que não se pode mais sair de casa, que estamos cercados de bandidagem por todos os lados, o SP na Rua respondeu na base do beijo e da contradança. Enquanto os trolls da intolerância querem desvalorizar a gente bronzeada do Brasil e dizer para todo mundo o que pode ou o que não pode, o SP na Rua era um fuzuê colorido de identidades.

O amigo Vitor Angelo postou uma foto de dois caras se beijando, com a legenda: “É beijo gay ou é só beijo?” É por aí. Na hora da pista boa, não importa se é gay, hetero ou trans, centro, direita ou esquerda.

Raciocine comigo, quem merece mais confiança? O DJ Márcio Vermelho ou o lineup dus infernus: Rezende, Sheherazade e Datena? O SP na Rua foi uma noite que marcou um golaço contra as mil e uma noites do terror da contadora de trololó do SBT.

O escritor Hakim Bey, muito citado nos tempos áureos da rave, tinha uma boa frase sobre o potencial ideológico de uma boa festa: “Vamos admitir que fomos a festas onde por uma noite uma república de desejos satisfeitos foi conseguida. Não confessaríamos que a ideologia dessa noite tem mais realidade e força para nós do que, digamos, todo o governo americano?”

Nesse ótimo texto sobre festa na rua, a Camila Hessel lembrou o escritor e professor Clay Shirky para falar sobre o potencial da mobilização de recorte horizontal:

“Ao dar aos indivíduos uma habilidade que antes era institucionalizada, você substitui planejamento por coordenação, você flexibiliza, evita as limitações inevitavelmente trazidas pela institucionalização”.

Agora põe o ouvido na janela. Tem muito mais dobrando a esquina. Olha aqui.

P.S. Eu não fui ao evento e baseei meu relato em dezenas de depoimentos no Facebook e de pessoas próximas. Como a intenção era mais elogiar a iniciativa do que fazer uma “resenha” do evento, não vi problema nisso.

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Dos Beatles aos Beastie Boys, uma breve história da sampleagem

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Aulinha relâmpago sobre “sampling” do VJ Eclectic Method.

“Uma jornada em remixes de vídeo pela história da sampleagem incluindo alguns de seus breaks e riffs mais famosos das décadas. Um viagem cronológica, desde o uso dos Beatles do Mellotron nos anos 60 ao hip hop e a dance music com sua alta densidade de samples nos anos 80 e 90. Cada break é representado por uma onda sonora de vinil vibrante que explode para revelar várias faixas que o samplearam, sendo cada reuso um novo capítulo na narrativa moderna.”

Vi aqui.

 

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Um guia ligeiro das máquinas que criaram o som da música moderna

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Eles formam a Santíssima Trindade dos instrumentos eletrônicos, reverenciados no altar da produção musical. São três equipamentos analógicos produzidos pela japonesa Roland na primeira metade dos anos 80 que, como diz a BBC, “ajudaram a esculpir o som da música moderna”.

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As TR-808 e TR-909 são baterias eletrônicas. A primeira foi produzida entre 1980 e 1983, a segunda entre 83 e 85.

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A TB-303 é um sintetizador de baixo, fabricado entre 82 e 83.

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Na época de seus respectivos lançamentos, foram mal de vendas. O principal motivo eram suas sonoridades, tidas como “artificiais” e mecânicas. Rapidamente saíram de linha. Consta que nenhum dos três instrumentos teve mais de 10 mil unidades produzidas.

O preço baixo (especialmente depois de descontinuados) tornou esses instrumentos opções atraentes para uma série de moleques DJs e produtores. Mas não era só questão de custo. O caráter eletrônico e estranho dos sons também contribuiu. Esses produtores estavam forjando novas linguagens musicais, novos gêneros urbanos, influenciados por disco music, Kraftwerk, tecnologia, videogames e futurismo: hip hop, house/acid house e techno. Os aparelhos da Roland ajudaram a construir a identidade desses estilos.

 

TRÊS CLÁSSICOS

Afrika Bambaataa e Arthur Baker usaram a 808 em “Planet Rock”; a bateria depois virou padrão para o electro-funk.

O Flavorwire juntou dez clássicos que usam a 808.

Esse diagrama mostra a programação de “Planet Rock” na 808.

Em Detroit, Derrick May e Juan Atkins aproveitaram o vigor da 909 para experimentos na discotecagem e no estúdio.

Aqui uma demonstração da TR-909.

Jeff Mills e a 909.

DJ Pierre, Spanky, Hubert J e Marshall Jefferson inauguraram em Chicago a sonoridade “acid” ao pirar geral na TB-303.

O site Fact listou 20 discos essenciais de acid house.

Aqui um fórum com músicas que usam a TB-303 mas não são “acid”, incluindo Heaven 17, Massive Attack e Aaliyah.

No fim dos anos 80, as sonoridades da 303, 808 e 909 tinham se alastrado pela música eletrônica e, de tabela, pelo pop dançante da época (tinha até 303 em remix de “A Little Respect”, do Erasure).

No hip hop, ela perdeu espaço, especialmente em Nova York, para beats e grooves construidos através de samples digitais (só nos anos 00, a 808 voltaria a sonorizar discos de rap e R&B em escala significativa).

As máquinas viraram ícones, cantadas em verso e prosa, do Hardfloor (o álbum TB Resuscitation) ao Fatboy Slim (“Everybody Loves a 303″) a Kanye West (808s & Heartbreak) ao Wado (Samba 808). Projetos e grupos também referenciaram os aparelhos, como 808 State, 808 Mafia e House of 909.

Como todas tiveram uma tiragem muito limitada, qualquer original em bom estado valia outro nos anos 90. Com a disseminação dos softwares e plugins na produção musical, apareceram vários emuladores digitais, alguns bem fieis.

 

O RETORNO DAS MÁQUINAS

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A Roland jogou na rede dois teasers onde anuncia a “volta” da 808 e da 909 (nada de 303, mas tem gente que jura que logo ela reaparece). Não os instrumentos como eram, mas novas versões, digitais e com configurações diferentes (acima a nova 808). O projeto se chama AIRA.

Olha os teasers abaixo.

TR-808

TR-909

 

DOIS DOCUMENTÁRIOS

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Este ano deve sair um documentário sobre a 808 chamado Planet Rock & Other Tales Of The 808, realizado por ninguém menos que Arthur Baker, produtor de “Planet Rock” e de muitos outros clássicos.

Promete ser muito bom e tem participações de Questlove, Diplo, Paul Oakenfold, New Order, A-Trak, Felix Da Housecat, SoulClap, Skrillex, Richie Hawtin e Soulwax. O filme vem sendo anunciado desde 2012, vamos torcer para que finalmente saia.

E tem esse documentário de rádio da BBC que trata dos três instrumentos.
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Grammy surpreende com um monte de indicados legais

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Olha o que tá concorrendo:

James Blake – Melhor Artista Novo

Settle, do Disclosure – Melhor Álbum Dance/Eletrônico

Lux, do Brian Eno – Melhor Álbum de New Age

“Get Lucky”, do Daft Punk – Gravação do Ano

Random Access Memories, do Daft Punk – Álbum do Ano (e uma série de outros)

E mais: Hudson Mohawke, Duke Dumont, Kendrick Lamar, Kanye West etc

Parecem coisas que a gente vê numa típica home d’O Esquema.

Aqui mais indicados.

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MÚSICA DO DIA (41) Criolo – Dois de Cinco

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A grande sacada aqui é o sample de Rodrigo Campos. E não apenas pelo encaixe da sonoridade samba cool ou pela maneira como o vocal foi processado. Mas também porque é o “encontro” de dois dos maiores talentos musicais da cidade hoje. São dois repórteres da quebrada, cada um com seu estilo, cada um de um canto: Criolo é do Grajaú e Rodrigo, de São Mateus. Falam de vida dura, bairros castigados, mas com cabeca erguida e poesia afiada. E se você, como eu, ficar curioso em saber o que é o tal “jaco Califórnia azul”, vá aqui.

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MÚSICA DO DIA (36) James Blake ft. Chance the Rapper – Life Round Here

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Releitura da faixa do álbum Overgrown, de Blake, com um dos MCs do momento (ele já trampou, por exemplo, com o Nosaj Thing).

Ficou ainda mais legal.

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MÚSICA DO DIA (34) Eminem – Rap God

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A nova do Eminem podia ser mais curta e esse papo de “Deus do rap” é um pouco demais. Mas preste atenção no vocal e diga se não são de cair o queixo esses duplos carpados que Eminem dá na língua. Mesmo acelerado, ele valoriza cada sílaba, cria um flow imprevisível. É um acrobata da rima.

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Sete motivos por que Kanye West quis Peter Saville

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A Certain Ratio – All Night Party (single, 1979)

Talvez você tenha visto que o Kanye West vai trabalhar com o designer Peter Saville. Bobo ele não é. Saville produziu algumas das capas de disco mais marcantes da história da música. Boa parte delas foi para a Factory, o icônico selo independente que deu ao mundo Joy Division e New Order. Juntei sete delas aqui.

Repare na força que tem a austeridade dessas capas. Em alguns casos, o minimalismo é tão radical que nem o nome do álbum ou do artista aparecem. A produção nem sempre era simples. A faca da capa de “Blue Monday”, que imita um disquete, teria saído uma fortuna para a gravadora.

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Joy Division – Unknown Pleasures (álbum, 1979)

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New Order – Blue Monday (single, 1983)

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New Order – Ceremony (álbum, 1981)

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Section 25 – Always Now (álbum, 1981)

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The Durutti Column – The Return of the Durutti Column (álbum, 1981)

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Joy Division/The Durutti Column/John Dowe/Cabaret Voltaire – Fac-2 A Factory Sample (EP, 1978)

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É do Daft Punk o vinil mais vendido da história da Amazon

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A Amazon revelou que Random Access Memories, do Daft Punk, é o álbum em vinil mais vendido de sua história. Apesar de não dar números, a varejista online forneceu uma lista dos mais vendidos. E disse que este ano vendeu 100% mais bolachas que o ano anterior.

Embora o rock venda muito mais vinil hoje em dia, acho digno um nome eletrônico encabeçar a lista. Durante anos, foi o gênero que manteve o vinil vivo, junto com o hip hop. Graças a eles, o formato chegou aos anos 00 respirando.

1. Daft Punk, ‘Random Access Memories’
2. Adele, ’21′
3. Amy Winehouse, ‘Back to Black’
4. David Bowie, ‘The Next Day’
5. Pink Floyd, ‘The Dark Side of the Moon’
6. David Bowie, ‘The Rise and Fall of Ziggy Stardust & the Spiders from Mars’
7. Arctic Monkeys, ‘Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not’
8. Pink Floyd, ‘The Dark Side of the Moon (30th Anniversary Edition)’
9. Arcade Fire, ‘The Suburbs’
10. The Beatles, ‘Love Me Do (50th Anniversary Limited Edition 7” Single)’
11. Radiohead, ‘In Rainbows’
12. Pink Floyd, ‘Wish You Were Here’
13. Bon Iver, ‘For Emma Forever Ago’
14. Radiohead, ‘Ok Computer’
15. Micah P. Hinson, ‘Micah P. Hinson & The Gospel of Progress…’
16. PJ Harvey, ‘Let England Shake’
17. Kate Bush, ’50 Words for Snow’
18. Alt-J, ‘An Awesome Wave’
19. The White Stripes, ‘Elephant’
20. The xx, ‘xx’

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