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Arquivo: LIVROS

Stravinsky para crianças

Foi um dos episódios mais punk da história da música. Quando o compositor Igor Stravinsky e o coreógrafo Nijinsky apresentaram o balê A Sagração da Primavera em Paris, em 1913, o público ficou em choque. A música era agressiva, com rompantes de dissonância. O balé tinha movimentos esquisitos e sensuais. Os espectadores se dividiram entre admiração e revolta. O tumulto estourou nas cadeiras do teatro Champs-Élysées.

Essa história aparece agora contada para o público infantil em When Stravinsky Met Nijinsky, de Lauren Stringer. A autora usa ilustrações de encher os olhos, textos com rimas e dá destaque para os animais de estimação dos artistas, tudo para envolver os novos leitores.

Segundo essa resenha, o livro “sugere que criar arte, mesmo a mais incrível e não convencional, é um processo divertido”.

Belo antídoto contra a Galinha Pintadinha. Precisa de versão em português urgente.

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100 anos de Luiz Gonzaga e uma bio

Aproveitando o centenário do mestre Gonzagão, uma biografia de 1980 está sendo relançada. O sanfoneiro do Riacho da Brígida foi escrito por Sinval Sá.

Essa é a capa de uma edição antiga.

Aqui mais detalhes.

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O LSD visto lá de trás

Nos anos 60 estava assim.

A novidade chamada LSD causando um rebuliço social, cultural e moral.

Muitos tateando atrás de uma compreensão do poderoso alucinógeno (e muitos enxergando fractais e plantas que pulsam enquanto faziam isso…)

Um dos autores do livro acima, o psicólogo Richard Alpert, era da linha de frente da pesquisa. Fazia parte do “clube psicodélico de Harvard”, ao lado de Timothy Leary.

Um trecho do livro diz que “o LSD é menos perigoso que quatro anos de estudo numa faculdade de artes liberal”.

Atente para a última foto, com a figura usando óculos que são refletores de bicicleta.

Veio daqui.

Mais sobre a questão das drogas aqui.

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Grafite gonzo

Viva Hunter!

Veio daqui.

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Eric Hobsbawm (1917-2012)

O inglês Eric Hobsbawm foi um dos maiores historiadores de nossos tempos. Se tiver que ler um livro sobre o século 20 leia A Era dos Extremos, de tirar o fôlego em seu detalhe e perspectiva.

Comunista até morrer, a tendência política pode muitas vezes ter lhe tirado a objetividade, mas não diminuiu o valor de sua obra. Seu trabalho é amplamente reconhecido: a publicação conservadora britânica The Spectator o chamou de “nosso maior historiador – não só da Grã-Bretanha, mas do mundo”.

Hobsbawm foi também crítico de jazz por muito tempo, assinando como Francis Newton (nome de um músico que tocou em “Strange Fruit”, de Billie Holiday). Entre seus livros, dois focam no estilo: A História Social do Jazz (The Jazz Scene) e Pessoas Extraordinárias: Resistência, Rebelião e Jazz.

Nesse artigo do London Review of Books ele conta como virou crítico de jazz e lembra das andanças pelo underground noturno do Soho nos anos 50.

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Nelson Rodrigues, crítico musical

Nelson Rodrigues: cronista esportivo, dramaturgo, frasista, comentarista social… e crítico musical?

Sim, o homem que o Brasil celebrou essa semana chegou a incursionar por esse terreno.

Olha o que ele disse sobre “A Banda”, de Chico Buarque, cantor que Nelson considerava a única unanimidade do Brasil.

Imaginem vocês que, um dia desses, entro em casa e encontro minha mulher, Lúcia, e a minha filhinha, Daniela, com olhos marejados. Acabavam de ouvir “A banda”, ou seja, a mais doce música da Terra. Dias depois, eu próprio ouvi a marchinha genial. E a minha vontade foi sair de casa, me sentar no meio-fio e começar a chorar. Com “A banda”, começa uma nova época da música popular no Brasil.

Isso é Nelson falando bem. Uma beleza, uma doçura.

E falando mal? Segura:

O que se está fazendo aqui é uma música popular brasileira que não é popular, nem brasileira e vou além: — nem música.

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Provocação poética vs polícia possessa

Pô, seu guarda, pode brincar, não?

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Gore Vidal (1925-2012)

Silenciou um dos críticos mais ácidos da sociedade americana.

“Metade dos americanos nunca leu um jornal. Metade nunca votou para presidente. Esperamos que sejam a mesma metade” é um exemplo primoroso da sagacidade de Gore Vidal.

“Moralidade é a última coisa em que a nossa república pensa ou segue. Temos sido imorais desde o começo”, respondeu ele quando perguntado sobre a suposta “obrigação moral” dos EUA em ajudar outros países. Tem mais no vídeo:

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Berlim: 100 anos de música

Dos cabarés do começo do século ao antro techno Berghain, a capital da Alemanha foi um foco de desbunde artístico e musical no século 20 (continua sendo no 21…).

Os nazistas usavam a devassa Berlim dos anos 20 como exemplo da Alemanha que precisava ser “regenerada”.

Saiu agora Berlin Sampler, livro (com edição em inglês) que propõe contar essa rica história.

Aí embaixo tem uma entrevista do autor, Théo Lessour , onde ele também toca músicas relacionadas ao livro.

Aqui mais detalhes.

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Finalmente um livro sobre o pai da música moderna

Musica, pintura de Luigi Russolo (1911)

Finalmente alguém escreveu um livro sobre o músico e pintor Luigi Russolo. É Luigi Russolo, Futurist, de Luciano Chessa.

As ideias de Russolo são o ponto de partida da música do século 20. Seu manifesto A Arte dos Ruídos (L’Arte Dei Rumori, em italiano; The Art of Noises, em inglês), de 1913, foi pioneiro na defesa do barulho como música. Para ele, acordes melodiosos e arranjos harmoniosos não serviam ao século 20, uma era amplificada por carros, aviões, metrópoles, fábricas e guerras espetaculares.

Instrumentos tradicionais eram inúteis na hora de expressar esse pandemônio, segundo Russolo. ”A máquina hoje criou tamanha variedade e competição de ruídos, que o som puro, em toda sua exiguidade e monotonia, não desperta mais qualquer sentimento”, escreveu.

Pode não parecer radical numa era onde o tempo todo ouvimos música amplificada, distorcida, barulhenta, composta com explosões e efeitos dissonantes (e nem estou pensando em Aphex Twin, mas naquela da Lady Gaga que toca no rádio). Mas há um século, bem… não havia apresentação de Russolo e seu cacofônico instrumento intonarumori (foto abaixo) que não terminasse em vaias e plateias indignadas.

Russolo foi inspiração para caras como Edgard Varèse, Pierre Schaeffer e John Cage, teóricos e práticos que avançaram suas ideia de “tudo é música”, pavimentando a estrada para acordes distorcidos, samples de sirenes e ruídos eletrônicos. Muita gente chega a classificar Russolo como “pai do sintetizador”, graças aos instrumentos “de barulho” que construía.

Russolo era da turma dos futuristas italianos, artistas e intelectuais como Filippo Marinetti que queriam riscar o passado e as tradições. Proto-fascistas, acreditavam na guerra e no autoritarismo como maneiras de “limpar” a área para um novo mundo.

Um personagem dessa importância não contava com uma biografia decente até hoje. Pesquisar sobre ele era andar em círculos pelas mesmas fontes e informações. É Chessa que nos conta que o único livro sobre ele foi escrito em 1958 pela própria mulher de Russolo, Maria Zanovello. Segundo o autor, são páginas de glorificação e endeusamento ao marido, morto dez anos antes.

O novo livro traz valiosas informações e curiosidades da vida pessoal do visionário italiano. No subtítulo, já tem pista de uma delas: Noise, Visual Arts e Occult. Sim, o homem era um grande interessado no ocultismo e em espíritos. Não só isso, como adorava assustar a mulher simulando aparições de um “fantasma” seu.

Mas, entre as graças e peculiaridades, o livro de Chessa vai fundo ao tentar decifrar como a mente desse homem da Emilia Romana, nascido no fim do século 19, conseguiu vislumbrar a música mundial da nossa era. Parece que Russolo via os ruídos como manifestações dos espíritos. Tal como os poetas do dub, décadas depois…

Luigi Russolo, Futurist,  na Amazon

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