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Arquivo: POLÍTICA

Frankie Knuckles e Barack Obama

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A foto acima é de 2004, quando o então senador por Illinois Barack Obama encontrou o “godfather of house”. O evento era o lançamento do “Frankie Knuckles Day” (25 de agosto), tributo ao filho pródigo da cidade. No mesmo ano, Knuckles ganhou outra homenagem e virou nome de rua, mostrada na imagem abaixo.

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A morte de Knuckles mereceu pronunciamento oficial na cidade.

No dia seguinte à notícia, o prefeito de Chicago, Rahm Emanuel, leu esta mensagem:

“Hoje, Chicago se despede de um de seus mais estimados pioneiros culturais, Frankie Knuckles, o ‘padrinho da house music’. Durante sua longa carreira, Frankie se estabeleceu como um daqueles artistas e inovadores que vieram a esta cidade não apenas para contribuir para um gênero musical, mas para criar um novo. Ao fazê-lo, ele também encontrou um lugar nos corações daqueles que o conheciam e dos muitos outros que seguiam o seu trabalho.”

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50 anos do golpe: música de tarja preta

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Departamento de Censura. Reprodução: Glaucio Dettmar/O Globo

Texto: Stefanie Gaspar
Em 13 de março de 1964, o Rio de janeiro parou para assistir a um comício de João Goulart. O então presidente reuniu cerca de 200 mil pessoas na Central do Brasil, centro da cidade, para ouvir um discurso promovendo reformas na legislação brasileira com foco na reforma agrária.

50 anos depois, o Brasil olha para dentro para analisar a própria memória e compreender o legado que seguiu esse discurso de Jango: uma ditadura que durou 21 anos, derrubou políticos, exilou cidadãos, torturou e censurou a vida cotidiana e artística do país.

Enquanto em 2014 ainda discutimos algumas questões essenciais em relação à liberdade artística no Brasil (alô, músicos proibindo biografias), é hora de relembrar como a música sofreu nas mãos da ditadura militar. Os casos de obras sendo vítimas de escrutínio por alas conservadoras da sociedade ou da igreja são uma coisa – a censura da época da ditadura, entretanto, inventava motivos tão bizarros para proibir obras que muitas vezes os argumentos pareciam papo de quem acredita em discos voadores.

Pode parecer (e de fato era) um processo aleatório, mas a arbitrariedade da censura era garantida por lei. Após a promulgação do AI-5 em 1968, o regime endureceu também contra as artes, e em 1972 foi criada a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), que podia censurar ou simplesmente proibir qualquer material artístico. Os motivos iam de justificativas políticas a “morais e bons costumes”, ou simplesmente incompreensão por parte dos censores do que a música/livro/filme queria dizer.
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O disco riscado da Blitz

Imagine que você faz parte de uma banda prestes a lançar seu primeiro álbum. Quando o disco já foi prensado e está pronto para chegar às lojas, você recebe um comunicado oficial da censura afirmando que duas das faixas foram barradas pela censura – o que, obviamente, inutiliza as cópias já prontas e causa um prejuízo que nenhuma banda iniciante está apta a bancar.

Foi esse cenário irreal que a Blitz, liderada por Evandro Mesquita, precisou enfrentar com o lançamento de seu álbum de estreia, As Aventuras da Blitz. As faixas “Ela Quer Morar Comigo na Lua” e “Cruel Cruel Esquizofrenético Blues” foram censuradas e não podiam ser lançadas, mas os vinis já estavam prontos, prensados e empacotados. A banda e a gravadora resolveram então escancarar o absurdo e riscaram os vinis, um por um, de forma que as faixas proibidas ficaram inaudíveis.

Melhor não usar tule

Formado por Ney Matogrosso, João Ricardo e Gérson Conrad em 1970, o Secos & Molhados escapou da censura quando o assunto era estúdio, mas não teve a mesma sorte ao vivo. Enquanto os álbuns do grupo – mesmo fazendo alusões a temas espinhosos como liberdade e transgressão sexual – se tornaram queridinhos da crítica e escaparam pela tangente dos censores, as apresentações ao vivo estavam sob holofotes.

De acordo com depoimentos posteriores de Ney Matogrosso, uma censora acompanhava qualquer apresentação do grupo ao vivo, permanecendo no camarim até quando os músicos estavam se trocando. A banda precisava fazer duas apresentações: uma para os censores, que apontavam elementos considerados “problemáticos”, e outra oficial.

Descontentes com o figurino multi-colorido e repleto de tule e tecidos brilhantes, a mania dos músicos de mostrar mais pele (e pelos) do que o normal para a televisão da época e o look andrógino cultivado pela banda, os censores chegaram a pedir para que as transmissões dos shows do Secos & Molhados focassem apenas os rostos dos músicos em close, sem mostrar os corpos. Se imagem é tudo, a falta dela é talvez ainda mais significativa.

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O Julinho ou o Chico?

Já crucificado pela ditadura e conhecido por absolutamente qualquer censor em território brasileiro, Chico Buarque sabia bem que nunca mais ia conseguir passar uma música com qualquer tom de crítica pelo escrutínio do DCDP – até mesmo uma música sobre algodão doce que trouxesse sua assinatura provavelmente seria barrada. A solução foi começar a utilizar composições de outro artista, descrito por ele como “um compositor de morro carioca que vivia nas páginas policiais e que de repente passou para as páginas de crônica musical”.

O sujeito anônimo era Julinho da Adelaide, que começou a colocar no papel o que Chico não podia mais articular. Obviamente, o compositor era um blefe – Chico resolveu jogar verde, mandou algumas músicas suas para a censura sob o novo pseudônimo, conseguiu aprovação e ainda por cima tirava sarro e agradecia Julinho em seus shows pelas composições inestimáveis. O novo compositor chegou até mesmo a dar uma entrevista para Mário Prata, que publicou a brincadeira no jornal Última Hora (leia aqui).

O silêncio de Edu Lobo

Na ditadura brasileira, não falar nada podia ser tão problemático quanto sair cantando uma música de Geraldo Vandré. O compositor Edu Lobo enfrentou uma situação inesperada com o lançamento de “Casa Forte”, que foi vetada pelos censores em 1971. Detalhe: a música era instrumental.

Se não havia letra, a partir de quais critérios os censores dispensaram a canção? De acordo com as regras do DCDP, os censores não precisavam divulgar exatamente seus motivos para tirar uma música de circulação, mas de acordo com documentos da época “Casa Forte” foi censurada exatamente por ser instrumental – quando não existem palavras, qualquer interpretação ou teoria é possível e a música poderia ser utilizada como “propaganda anti-regime”.

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Moral e bons costumes

Embora Chico Buarque e Geraldo Vandré fossem os músicos mais visados pelos censores do regime militar, em trajetórias que chegaram ao exílio e à tortura, Odair José foi talvez um dos compositores que mais bateu ponto no escritório da censura. Em entrevista ao site Censura Musical, que resgata a história de todas as músicas censuradas pela ditadura militar, o cantor afirmou que a partir de 1970 o local fazia parte de sua rotina diária, já que cada leva de músicas precisava ser explicada minuciosamente.

“Tudo que era negócio de cama, corno, seio, não podia falar. Passei quatro anos dessa maneira”, explicou ele, que teve “O Motel”, “Uma vida só – Pare de tomar a Pílula” e “A Primeira Noite” censuradas e precisou reescrever quase todas as suas músicas lançadas a partir dos anos 70. Os censores não precisavam de nenhuma justificativa específica: o músico foi categorizado como “ofensor da moral e dos bons costumes” e virou persona non grata no DCDP. Curiosamente, Odair José afirmou que sua música mais famosa, sobre a pílula, passou tranquilamente pela censura e até hoje tem o carimbo de “aprovada” – o hit só foi proibido posteriormente, quando a Igreja Católica fez uma reclamação por escrito e “pediu” para que a música fosse proibida.

Balé

Ironicamente, uma das histórias mais inacreditáveis da censura brasileira não teve nada a ver com a nossa produção cultural. Em 1978, o ministro da justiça Armando Falcão, trabalhando sobre a égide do presidente Ernesto Geisel, proibiu a execução televisiva do balé clássico “O Lago dos Cisnes”, de Tchaikovsky, sob a alegação de que a obra era interpretada pelo Bolshoi, uma companhia russa.

PS: Uma boa oportunidade para rever alguns dos filmes censurados pela ditadura militar é a mostra organizada pela prefeitura durante o mês de abril. Entre os filmes, estão Cabra Marcado para Morrer, de Eduardo Coutinho, Bang Bang, de Andrea Tonacci, e O Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla (veja a programação completa).

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A noite em que a pista de dança venceu o medo

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Fotos: Marcelo Paixão

Leitor e cidadão, aqui vai uma verdade incontestável: os atos mais políticos muitas vezes não precisam de palanque ou cartaz.

A maneira mais eficiente de arrebanhar para uma causa não passa necessariamente por marchas ou gritos de ordem.

Sábado passado, dia 9 de fevereiro, o festerê do SP na Rua nos trouxe um grande exemplo de como isso funciona.

Foi a noite em que a pista de dança venceu o medo.

O SP na Rua juntou uma porção de coletivos da cidade para promover um baile a céu aberto, fazendo de salão as ruas do Centro antigo dessa cidade judiada. Em vez de parede e teto, a decoração era o Martinelli, o Banespão, o prédio do CCBB.

A gandaia mixou o maracatu da Pilantragi com o eletrônico udigrudi da Voodoo Hop, o beat fino da Laço, o bass da Free Beats e muito, muito mais. O pout-pourri se reproduziu no chão do baile, onde cada foi o que quis, do jeito que quis. Deu pinta, pôs fantasia, rasgou seda ou ficou de canto em pose blasé. Ninguém igual, ninguém mais do que ninguém.

Afinal, não custava nada para participar, era só chegar.

Em época de cordões VIP, cobrança de taxa de 10% em buate, água mineral com preço de uísque 18 anos e outras exorbitâncias mais, tem coisa mais refrescante?

Woodstock teve três dias de paz e música, São Paulo conseguiu uma noite inteira. Para uma cidade onde muitos só acreditam em grade e guarita, não é um ótimo começo?

Com uma vibe dessas, os agentes da lei e da ordem não tiveram opção a não ser bater o pezinho. A amiga Luciana Rabassalo, repórter de musica do Virgula, relatou esse encontro com dois policiais: “Ouvi de dois PMs que até aquele momento (às 3h) NENHUMA ocorrência havia sido registrada e que eles estavam adorando a movimentação. ‘Isso aqui é diferente de tudo’, me disse um deles. O outro me deu a informação que precisava e me desejou ‘boa noite’.”

Só faltou ligar a sirene na hora do break pra bombar a pista.

Vídeo: Márcio Vermelho

ABAIXO AS VIVANDEIRAS

Enquanto as vivandeiras do apocalipse berram na sala brasileira que não se pode mais sair de casa, que estamos cercados de bandidagem por todos os lados, o SP na Rua respondeu na base do beijo e da contradança. Enquanto os trolls da intolerância querem desvalorizar a gente bronzeada do Brasil e dizer para todo mundo o que pode ou o que não pode, o SP na Rua era um fuzuê colorido de identidades.

O amigo Vitor Angelo postou uma foto de dois caras se beijando, com a legenda: “É beijo gay ou é só beijo?” É por aí. Na hora da pista boa, não importa se é gay, hetero ou trans, centro, direita ou esquerda.

Raciocine comigo, quem merece mais confiança? O DJ Márcio Vermelho ou o lineup dus infernus: Rezende, Sheherazade e Datena? O SP na Rua foi uma noite que marcou um golaço contra as mil e uma noites do terror da contadora de trololó do SBT.

O escritor Hakim Bey, muito citado nos tempos áureos da rave, tinha uma boa frase sobre o potencial ideológico de uma boa festa: “Vamos admitir que fomos a festas onde por uma noite uma república de desejos satisfeitos foi conseguida. Não confessaríamos que a ideologia dessa noite tem mais realidade e força para nós do que, digamos, todo o governo americano?”

Nesse ótimo texto sobre festa na rua, a Camila Hessel lembrou o escritor e professor Clay Shirky para falar sobre o potencial da mobilização de recorte horizontal:

“Ao dar aos indivíduos uma habilidade que antes era institucionalizada, você substitui planejamento por coordenação, você flexibiliza, evita as limitações inevitavelmente trazidas pela institucionalização”.

Agora põe o ouvido na janela. Tem muito mais dobrando a esquina. Olha aqui.

P.S. Eu não fui ao evento e baseei meu relato em dezenas de depoimentos no Facebook e de pessoas próximas. Como a intenção era mais elogiar a iniciativa do que fazer uma “resenha” do evento, não vi problema nisso.

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A legalização da maconha no Uruguai em 10 pontos

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Na terça-feira, o Uruguai do presidente Mujica se tornou o primeiro país do mundo a legalizar o comércio de maconha.

É um passo corajoso e necessário. A Guerra às Drogas é um dos grandes desastres sociais e políticos do século 20. Que não se arraste até o fim deste.

O El Pais preparou dez pontos para entender como funcionará essa legalização do vizinho (via O Globo):

Papel do Estado

O projeto estabelece que o Estado assumirá o controle a regulação, a importação, a exportação, a plantação, o cultivo, a colheita, a produção e a aquisição de todas as partes da comercialização e da distribuição da cannabis e de todos seus derivados.

Órgão supervisor

A lei cria o Instituto de Regulação e Controle de Cannabis, o IRCCA, que dará licenças e poderá aplicar multas e suspender o registro dos infratores. O órgão também pode destruir mercadorias. Participam desse controle os ministérios da Agricultura e da Saúde Pública e a Junta Nacional de Drogas.

Quem pode plantar

A planta pode ser cultivada para pesquisa científica e criação de produtos farmacêuticos. O cultivo para consumo próprio será limitado a seis plantas ou 480 gramas anuais. Cooperativas de maconha também podem plantar, para isso, devem ter no mínimo 15 e no máximo 45 membros, além de uma autorização do poder Executivo.

Pena

Os que plantarem, armazenarem ou comercializarem ilegalmente podem cumprir pena de 20 meses a 10 anos de prisão.

Farmácias

IRCCA dará licença para que farmácias possam vender a droga. O consumo mensal máximo por pessoa é de 40 gramas.

Uso medicinal

O uso medicinal de maconha também será liberado.

Onde não pode fumar

A lei de tabagismo se aplica, com isso, fica proibido fumar maconha em lugares fechados. Não se pode consumir a droga quando houver mais de 1% de THC no organismo.

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Fica proibido fazer campanha da maconha e passa a ser obrigatório o ensino da matéria “prevenção do uso problemático de drogas” em escolas e universidades.

Tratamento

Em cidades com mais de 10 mil habitantes serão inaugurados centros de informação e diagnóstico para reabilitação de usuários problemáticos.

Regulamentação

O governo tem 120 dias, quatro meses, para regulamentar a lei. Entre os pontos que precisam ser resolvidos estão a aquisição das sementes e como será a venda nas farmácias.

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Na Tailândia, a polícia baixou as armas e se juntou aos manifestantes

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Em Bangkok, a Tropa de Choque tirou capacetes, removeu escudos e baixou as armas. Colocou tudo no asfalto e parou de reprimir os protestos contra o governo da primeira-ministra Yingluck Shinawatra. Ver a polícia suspender a repressão para ficar do lado da população é sempre uma cena de impacto.

E está tendo efeito.

UPDATE Um outro lado: “Protestos reacionários querem forçar um golpe na Tailândia”.

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Angeli e o mundo cão

BE-angelidireita

Aos rottweilers e seus donos.

 

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Dilma na ONU em três jornais e um panfleto político

BE-dilmaonuQ

Dilma fez na ONU o que tinha que ser feito. O benefício político é consequência. Já a chamada de Veja é pura panfletagem oposicionista disfarçada de jornalismo. O viés não fica claro apenas no texto, repare na diferença entre as fotos.

Ainda sobre ONU, o Matias avisou que o discurso do Mujica vale ser ouvido.

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Coluna social

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Tem gente que que ainda tá no u-hu da coisa toda.

No mundo real, o bicho continua pegando.

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Censura ao Álvaro

BE-tiroalvaro

Crédito: Arquivo Nacional, Fundo Divisão de Censura de Diversões Públicas

O clássico de Adoniran, “Tiro ao Álvaro”, também bateu na censura.

“A falta de gosto impede a liberação da letra”, decretou o refinado censor no documento da DCDP (Divisão de Censura de Diversões Públicas).

Sem falar que, ao cantar sobre trens de subúrbio e sambas no Brás, Adoniran só podia ser um perigoso agente do comunismo.

Vi na Revista Samuel.

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Uruguai e a maconha: o vizinho sentirá o cheiro da mudança?

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Lei que regulamenta a produção, distribuição, venda e consumo de maconha é aprovada por 50 votos a favor (46 contra) na Câmara dos Deputados do Uruguai. Agora o projeto segue para o Senado e depois para sanção presidencial. O Uruguai está muito próximo de se tornar o primeiro país do mundo a regulamentar toda a cadeia produtiva da maconha. ‪#‎regulacionmarihuana‬ (Rede Pense Livre)

O gigante verde-amarelo deveria prestar muita atenção no baixinho azul e branco nos próximos anos. A dica vale em especial para aqueles setores da política e da mídia que são proibicionistas irredutíveis.

Será um grande laboratório. Daqui a um ano, dois, já se poderá avaliar uma série de fatores. A criminalidade caiu? A dependência aumentou? O tráfico perdeu força? Os jovens ficaram mais maconheiros? E como ficou o uso da cocaína e do crack? A sociedade uruguaia degringolou em um fosso de perdição e caos?

Boto fé que a experiência vai dar certo. Tem certamente muito mais chances disso do que nosso velho modelão da proibição, errado na essência. Além disso, as experiências de países como Portugal e Holanda mostram que o caminho é bom. Veja você que a Holanda agora deu pra fechar presídios, por falta de presos.

É uma pena que chegue tão pouca informação aqui sobre o saldo positivo das experiências europeias. Mas o Uruguai é vizinho, latino-americano e visitado por muitos brasileiros. Será bem mais difícil esconder ou mentir sobre um eventual sucesso da legalização.

Mais informações sobre a aprovação

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