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Arquivo: POLÍTICA

Atos de “brandalismo” em Londres 2012

Só se aceita VISA e as fritas tem que ser do McDonalds. Generosas isenções fiscais para grandes empresas foram concedidas.

Será Londres 2012 a Olimpíada mais corporativa da história?

O contra-ataque já está nas ruas e nas redes.

Graças à onda de indignação popular e deste abaixo-assinado bombado, várias empresas como Coca-Cola, General Electric, McDonalds e VISA estão dispensando a isenção de imposto.

Artistas urbanos do país também estão fazendo seu protesto.

Inventaram o “brandalismo”, a ocupação de espaços publicitários da cidade com críticas ao consumismo e ao corporativismo desenfreado.

Tem mais fotos nesse site.

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Presidente da Eslovênia pede voto em DJs

Danilo Turk, presidente da Eslovênia, gravou um vídeo pedindo voto para os DJs de sua terra. Umek foi o seu preferido, mas outros como Valentino Kanzyani também entraram na sua lista.

E por que não? Já tem tanto na eleição da DJ Mag que lembra a política tradicional: chatos pedindo voto, manipulação do processo de votação, resultados finais duvidosos etc

Mesmo assim, a mensagem do presidente é bacana. E mostra o reconhecimento do papel que os DJs têm em divulgar esse pequeno e escondido país.

Dica do Factoide.

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Nem vem com sopa que a cidade é dos garfos

“Morte ao prefeito por enforcamento/Per una città piu bella” Fellini, 1989 (via Cadão Volpato)

Analise a foto acima, mas com moderação. Olhar demais pode provocar enjoos e fazer subir o sangue.

É sempre melancólico voltar pela Marginal Tietê vindo de cidades onde as coisas funcionam. Em San Francisco, onde eu estava, o cidadão pode, no fim do expediente, descer até o Fisherman’s Wharf, pegar uma cerveja e respirar o vento que vem do mar. Tem músicos se apresentando pela calçada. Quando o sol se vai, a escuridão desce acompanhada de um sax tenor tocando Miles Davis.

Tenta uma viagem dessas perto das nossas “águas”. São Paulo não pode parar. Um ronco de Scania na pista expressa da Marginal te coloca rapidinho no lugar, tá vacilando? E ele vai estar com pressa. Às nove termina o rodízio, aquele velho hit que iria ajudar o trânsito lá nos anos 90 e que foi remixado agora em versão caminhoneira.

A MALDIÇÃO

Eu acho que São Paulo talvez tenha sido Sodoma ou Gomorra em outra encarnação. É muita maldição para um lugar só. Às vezes, parece que só um raio vindo do céu pra dar um jeito. Uma intervenção divina para transformar em estátuas de sal as ratazanas que se dedicam a garfar nossa qualidade de vida com suas propinas e esquemas.

Criminalidade, violência policial, sujeira, transporte saturado, trânsito, poluição, falta de lazer gratuito, falta de planejamento, tá tudo aí sem perspectiva de melhorar. Luz no fim do túnel? É o pisca-alerta de uma cidade enguiçada.

Coisas básicas, prosaicas, ficaram complicadas: vá jantar fora e fique até a uma da manhã bebendo despreocupado, saindo para fumar um cigarrinho enquanto joga papo fora com os amigos na calçada. Não dá mais, é “perigoso”. E se acontecer alguma coisa, lembre, A CULPA É SUA, que teima em comprar iPhone, jantar fora do shopping, sair de casa depois das 22h, como fez questão de dizer o tenente-coronel João Luiz Campos, da PM paulista.

O TRIUNFO, SÓ QUE AO CONTRÁRIO

Cruzei esses dias com um livro do americano Edward L. Glaeser chamado Triumph of the City (o triunfo da cidade). Não li, mas o subtítulo, “como nossa maior invenção nos faz mais ricos, espertos, verdes, saudáveis e felizes” me fez pensar. O que ele diz da cidade americana é exatamente o contrário da cidade brasileira. E olha que os EUA não são a Suécia. Detroit, metrópole quase fantasma, que o diga.

Voltemos ao tal subtítulo. São Paulo, no presente momento, é o extremo oposto de tudo que está ali: nos deixa menos ricos, espertos, verdes, saudáveis e felizes (e quando penso feliz, penso na felicidade/tranquilidade que existe sem ter que gastar os tubos com guarita, cerca elétrica, manobrista, alarme, segurança Man In Black etc).

Vale uma ressalva também para os “menos ricos”. É que alguns estão, na real, ficando MUITO ricos com tudo isso. Especialmente se o seu nome é Hussain Aref Saab, o diretor municipal que liberava alvarás para empreendimentos imobiliários. Sua acumulação é ofensiva, absurda até para padrões malufescos: 105 imóveis adquiridos em sete anos! Se você ganhar na MegaSena duas vezes seguidas não consegue juntar isso. Chamem o Guinness, o homem é um prodígio da roubalheira. Esse glutão do dinheiro é a versão paulista do Monsieur Creosot, do Monty Python.

MAESTRO DO “NÃO PODE”

Chegamos então no maestro dessa sinfonia do inferno. Gilberto Kassab, o proibicionista, o homem que combateu artistas de rua, proibiu o grito do feirante e cuja ideia de administrar é dizer “não pode” (o Xico Sá fez uma lista das suas proibições). Kassab, além de prefeito medíocre, tem coração murcho e mesquinho. Só isso explica sua decisão, diante dos gigantescos problemas a resolver em sua cidade, de CORTAR A SOPA DOS MORADORES DE RUA. O motivo é que seria “insalubre”. Sim, de repente, aquele cara revestido de cascão, trapos podres e dread empedrado, que vive a perambular pela fedentina dos exaustores e chama uma calçada embostejada de cama, pode dormir tranquilo. O prefeito Kassab está cuidando da sua saúde.

Prefeito Kassab, cortar a comida dos miseráveis é muito, muito feio. Já pensou no karma ruim que isso vai lhe trazer?

Ofereço um exemplo muito próximo. Seu ex-amigo da foto ali de cima, o ex-prefeito Celso Pitta. Depois que a casa dele caiu, Pitta virou doença contagiosa para seus antigos colegas de política. De repente, nunca o viram mais gordo, tipo aquele cara na festa que ninguém sabe quem convidou.

O inferno astral de Pitta foi implacável: disposta a destruí-lo, sua ex-mulher Nicéa chegou a oferecer R$ 1.000 para quem trouxesse à mesa informações sobre suas falcatruas. Em 2008, serviu de brinde inesperado à PF na Operação Satiagraha, que foi para prender Daniel Dantas e Naji Nahas e o achou dando bobeira no ninho dos ratos. A bad trip de Pitta só terminou quando ele morreu, em 2009. Não mais que 50 pessoas compareceram ao seu desprezado enterro.

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Mano Brown apoia Sarau do Binho

A batalha pela reabertura do Sarau do Binho segue.

Também tem abaixo-assinado.

Aqui o blog do Sarau do Binho.

E aqui falei sobre os dois pesos e duas medidas que vigoram em São Paulo.

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Avenida Adam Yauch

Por enquanto, só no clipe novo do M83, “Reunion” (aos 0:45).

Mas não duvide se virar verdade. O Senado do Estado de Nova York homenageou o rapper dos Beastie Boys logo depois de sua morte, reconhecendo sua contribuição.

O senador Daniel Squadron, de Brooklyn Heights, área de Adam “MCA” Yauch, discursou. Um trecho:

“Os Beastie Boys se tornaram muito conhecidos da inovadora cena musical no East Village e Lower East Side de Manhattan com um som e estilo só deles. Exemplificaram Nova York durante um período onde criatividade vinda da rua e uma comunidade de artistas iconoclastas ajudou a redefinir e rejuvenescer uma cidade em péssimo estado”.

Enquanto isso,  na terra dos dois pesos, duas medidas…

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Marcha da Maconha: ideias sóbrias no fumacê da burrice

“Em setembro de 2006, pistoleiros abriram as portas da discoteca Sol y Sombra, em Uruapan, no estado de Michoacan, oeste do México, e jogaram cinco cabeças humanas na pista de dança.

Enquanto os frequentadores assustados assistiam, a gangue rabiscou uma mensagem na cena, anunciando a chegada de uma nova facção traficante chamada La Familia Michoacana, e saiu tão tranquilamente quanto entrou.”

O México é hoje o Apocalipse Now da guerra contra as drogas. A mesma matéria da BBC de onde tirei o pedaço de texto acima conta que “só nos últimos dez dias foi registrado um total de 81 corpos decapitados no país, algo sem precedentes”.

É uma situação extrema, mas, em qualquer lugar que se olhe, a guerra contra as drogas significa muito custo e pouco benefício. Bilhões gastos em repressão, muita morte, muitos feridos, muitos pequenos traficantes e usuários fazendo PhD de bandidagem na prisão. Do outro lado, máfias e carteis seguem tocando seu negócio, sofrendo pequenos arranhões de percurso.

Semana passada, o ex-presidente da Polônia, Aleksander Kwasniewski, manifestou sua mudança de opinião com relação ao tema. Ele escreveu um artigo para o New York Times que começa assim: “Assinei, em 2000, uma das leis de posse de drogas mais conservadoras da Europa. Qualquer quantidade de substâncias ilícitas poderia levar uma pessoas a passar até três anos na prisão”.

Kwasnieswski conta que a lei não levou ao encarceramento de traficantes, nem freou o abuso de drogas.

“O que a lei fez, porém, foi permitir à polícia aumentar as estatísticas de prisões mandando para dentro montes de jovens pegos com pequenas quantidades de maconha. Mais da metade das prisões era de gente com 24 anos ou menos. A vasta maioria desses indivíduos não era traficante. Alguns deles, entretanto, eram adolescentes cujas perspectivas de seguir carreira como advogados, funcionários públicos ou professores foram subitamente arruinadas.”

As leis da Polônia mudaram desde então. Pequenas quantidades pessoais não levam mais à prisão. Promotores podem interromper processos contra usuários.

Kwasnieswski se juntou à Comissão Global de Políticas sobre Drogas, grupo que reúne figuras como os ex-presidentes FHC e Cesar Gavíria (Colômbia) e os empresários Richard Branson, do grupo Virgin, e João Roberto Marinho, das Organizações Globo. O grupo busca o debate inteligente e a revisão da abordagem repressiva.

As marchas da maconha que aconteceram pelo Brasil sábado passado batalham para trazer esse debate para a rua, para o cotidiano nacional. Lugares onde ele simplesmente não existe, tirando o ocasional artigo de opinião em jornal ou revista (alguém por acaso viu a história do ex-líder da Polônia em algum lugar?).

As correntes reaças agem na má fé, desdenhando as passeatas como coisa de maconheiro querendo fumar um na contramão atrapalhando o trâfego. O nível da argumentação é esse: muita gritaria e pouca informação.

“O tráfico é contra a legalização” dizia a faixa na Marcha da Maconha de São Paulo sábado passado (19), uma das várias que rolaram no País no mesmo dia. Mensagem parecida apareceu em Niterói, “Cultivo proibido traficante agradecido”, como mostra a foto acima.

Mais inteligência e sobriedade em duas faixas de rua do que na cortina de fumaça de centenas de textos mal-informados.

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Dá pra lutar contra tudo…

…menos contra a marcha do tempo.

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A longa Marcha da Maconha

Foto do instagram do DJ Gabriel Rocha, postada pelo Torturra com a pertinente pergunta: “E a PM disse 2000 pessoas? Acredite quem quiser…”

Volto depois com mais Marcha da Maconha.

O Gabriel Quintã0 colocou mais fotos no Virgula.

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Virada Cultural mostra o tamanho da fome do povo

Foto: Marlene Bergamo/FolhaPress

A Virada Cultural serve, antes de tudo, para demonstrar a pobreza de opções culturais que é a rotina da maior parte da população de São Paulo.

As autoridades, em vez de pensar numa política continuada e numa agenda permanente de cultura acessível, socam tudo em 24 tumultuadas horas na vida de São Paulo. E pronto, o “favor” está feito e não se fala mais no assunto até o ano que vem (exceção feita aos anos de campanha eleitoral, quando a “grande festa para o povo de São Paulo” rende boas imagens para a propaganda política)

Quem já foi, sabe. A Virada Cultural é uma experiência incrível, pelo fato de ser inclusivo, coletivo, democrático blá blá blá. Mas é também lugar de muuuuito perrengue, de ruas mijadas, de toneladas de lixo, de arrastão, de superlotação. É o equivalente cultural do caminhão da ONU chegando com comida num acampamento de refugiados da Somália (analogia especialmente apropriada para a bagunça que virou a galinhada do Alex Atala; saca a foto que abre o post).

Esse é o tom da Virada: desespero para conseguir um pouquinho daquilo que não existe no resto do ano.

O Ganjaman fez as contas no seu Twitter:

“São 1265 shows em 24hs. Considerando q cada espetáculo tenha uma hora, só é possível ver 24 shows, ou seja, menos de 2% da programação.

Dividindo isso pelos 56 finais de semana do ano dariam 23 shows por fim de semana, ou 3 shows por dia. Kassab, o que é melhor?”

Assino embaixo, com um adendo: Kassab, o que é melhor para a população, não para seu marketing político?

Em tempo: Já toquei várias vezes na Virada Cultural e, se convidado, tocaria de novo. Isso não me impede de criticar o conceito do evento e discutir um formato que acredito seja bem melhor para quem frequenta.

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Sentindo o clima na política

Realpolitik.

Por Ed Arno, na New Yorker.

 

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