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Arquivo: POLÍTICA

Deus salva e o diabo investe…

“América, a terra onde Deus salva e Satã investe em armas de ataque e pentes de alta capacidade.”

Novo pôster do Obey, autoria de Shepard Fairey. Edição limitada e assinada de 450, US$ 50 cada.

Dá para comprar aqui. Parte dos fundos vão para um grupo pró-desarmamento a defnir.

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Trollando Marco Feliciano

Das melhores armas contra o bisonho Marco Feliciano tem sido o humor.

Veio do CQC um dos momentos mais engraçados.

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Hugo Chávez aqueceu os pobres dos EUA

Ame ou odeie, não há como negar que Hugo Chávez foi um mestre da provocação e do espetáculo político.

Entre tantos gestos teatrais, o mais atrevido foi o programa de óleo para aquecimento com desconto para os “pobres da América”.

Um anúncio de página inteira publicado no New York Times se gabava de “Como a Venezuela está mantendo o fogo das casas de Massachusetts aceso”.

A Citgo, petrolífera de origem americana comprada pela PDVSA (a Petrobras venezuelana) em 1986, garante que ajudou a aquecer mais de 500 mil pessoas nos EUA durante o programa, que durou de 2005 a 2010.

“A ajuda está a caminho”, dizia o comercial da Citgo. Na locução, o político democrata Joe Kennedy.

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Em São Paulo, a praça é a nova pista

Grafite de Dafne Sampaio e Ana Lima Cecílio

Conversava eu com um amigo que sabe dessas coisas e ele me pintou o seguinte cenário: “Vai ser complicado para eventos pagos esse ano. A impressão é que as pessoas só querem coisas de graça, na rua.”

A gente estava em frente ao Paribar, na praça Dom José Gaspar, centro de São Paulo. Era a festa Selvagem, de Augusto Olivani e Millos Kaiser, onde eu tocaria como convidado. O evento é gratuito, basta aparecer. Conforme a noite de domingo chegava, o povo também. A pista logo entrou em modo disco fever. Espalhadas pelo bar e praça, havia facilmente umas 300 pessoas.

Em outra roda, o papo era a explosão dos blocos de rua na cidade. O pré-Carnaval paulistano há tempos não parecia tão energizado. No sábado, a Vila Madalena ficou trancada, de tanta gente que apareceu para brincar nos blocos. Um carioca, que estava na conversa, tirou uma: “É estranho para vocês isso, né?”

São Paulo em começo de 2013 está assim. Com sede de rua. Depois de anos de estímulo ao prédio e desencorajamento à praça, há um forte sentimento de que esse ano vai ser diferente. Ainda não vale para toda cidade, claro. O cinturão periférico segue encurralado e amedrontado depois que escurece.

A gestão Haddad está ciente da demanda reprimida. Juca Ferreira, novo secretário de Cultura da cidade, tocou no assunto em reunião com cerca de 1.000 representantes de coletivos, produtores de teatro e cinema, empresários, atores, artistas de rua e de outras áreas da cultura na terça-feira (absurdamente ignorada pela mídia em geral). Entre muitas coisas, o secretário disse que ruas e praças podem “se transformar em espaços de manifestação cultural” para artistas da cidade, com calendário para o ano todo.

Sou um grande entusiasta de festar na rua. É ótimo que cidadãos e autoridades estejam na mesma sintonia e isso vire uma opção viável na cidade.

Ao mesmo tempo, não seria bom se essa onda esvaziasse os eventos pagos, em lugares fechados. Clubes, festas e festivais são importantes para a economia da diversão. Além de viabilizar o sustento de artistas, o preço da entrada paga o salário de várias categorias de trabalhadores da noite. E, se a gente quer ver um show como Kraftwerk ou Hot Chip não tem jeito, vai custar dinheiro (obviamente não deveria custar TANTO quanto nos cobram aqui no Brasil, mas isso é outra conversa, apesar de também relacionada ao movimento em direção à rua).

Juca Ferreira também contemplou o ramo da diversão noturna no encontro dessa semana. ”É preciso pensar uma política cultural para a noite, mudar a visão de que em São Paulo se dorme à noite e se trabalha de dia. A cidade vai ganhar muito se disponibilizar cultura à noite.”

Apesar da empolgação momentânea por dançar no asfalto, acredito que a coisa tende a se equilibrar. E São Paulo, claro, tem gente de sobra pra todo tipo de festa.

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É hora de fiscalizar os fiscais da noite

O Brasil estará no seu encalço das casas noturnas agora.

Depois da horrenda tragédia de Santa Maria, as baladas de todo o País podem esperar começam a enfrentar uma fiscalização muito maior. Não só das autoridades, como do público e da mídia também. A melhor coisa que um dono de casa pode fazer agora é se certificar de que o boteco está com tudo em cima.

E isso é ótimo. O Brasil deve estar cheio de boates Kiss, com equipamento irregular e estrutura inadequada. Precisam ser localizadas e corrigidas.

Mas é só uma ponta do problema. Há todo um cenário de propina, burocracia e descaso armado nos órgãos responsáveis que precisa ser corrigido junto. E isso é muito mais difícil do que checar se os extintores estão funcionando.

É por conta dessa situação que o fato da boate Kiss não ter alvará, tão alardeado na mídia, chega a ser irrelevante. O documento não é garantia de nada no Brasil. São comuns os casos de licenças conseguidas num passe de mágica uma vez que se engraxa a mão certa.

Cansei de ouvir donos de casa noturna e organizadores de festa em São Paulo reclamando sobre o trâmite para se conseguir alvará. As histórias se repetem. Fiscais criam dificuldades para vender facilidades. Os donos de casa honestos, que fazem a coisa certa, sem atalhos, enfrentam uma maratona burocrática. Não é incomum ter que conseguir uma liminar na Justiça para o negócio poder funcionar.

André Barcinski, que além de jornalista é empresário da noite, definiu bem no seu blog.

A impressão que tenho é de que as leis e regulamentos para obtenção de alvarás são propositalmente absurdas e kafkianas, com o único intuito de dificultar a vida de quem deseja tirá-los. E quando isso acontece, sabemos as consequências: corrupção e falta de fiscalização adequada.

Não estou eximindo nenhum comerciante de suas responsabilidades. Mas desafio qualquer pessoa a entrar sozinha numa secretaria e conseguir um alvará, sem a ajuda de despachantes, advogados e “técnicos” e sem apelar, no fim das contas, para liminares judiciais.

Reforçando o que disse o Barça: não se trata de transformar os donos de boate em vítimas do sistema, mas de enxergar toda a cadeia de erros.

Em toda atividade, existem os picaretas e os bons. Os primeiros devem ser enquadrados com rigor. Os segundos devem poder trabalhar com a tranquilidade de que a lei está do seu lado.

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Retrospectiva Oesquema 2012: Um futuro para SP no Minhocão

Dois domingos atrás, fui a um evento que, se não foi especialmente grande em número de pessoas, foi enorme em termos de simbolismo.

Aconteceu em cima da cicatriz mais feia da cidade-baranga, o Minhocão. Aglomerados de pessoas dançaram e socializaram sobre o asfalto interditado no final da tarde. Uma ocupação lúdica desafiando o castigo diário do concreto e da via expressa.

Diversos sound systems com DJs mandavam som. Uma banda tocou perto de uma instalação inflável chamada Bolha Imobiliária. Foi uma das ações ligadas à rede Preliminares, de discussão de propostas para São Paulo em 2013.

Uma tenda da VoodooHop oferecia quitutes de um pessoal conhecido como Creative Comes. Era um mini-festival com boas doses de humor, música e social (quantas pessoas? Sou ruim de contar gente, mas pelo menos 300).

Entre o evento e seu cenário, um gritante contraste entre a cidade que queremos e a cidade que abominamos.

Andando por esse Minhocão em dia de folga, fiquei impressionado com a proximidade da via às janelas de vários apartamentos. Que projeto de cidade era esse, que destruiu a qualidade de vida em prol do escoamento automotivo?

Quarenta anos depois da inauguração do Minhocão, o erro da abordagem é sentido por todos. Porque além dos moradores da região que pioraram de vida, temos agora também a quase totalidade dos motoristas amarrados em vias congestionadas.

São Paulo não parou de reincidir em políticas urbanas que assassinam o bem-estar. Nos últimos anos, seu solo ficou entregue a uma violação sem precedentes, conluio entre oficiais corruptos e incorporadoras gananciosas. Armação ilimitada, construção irrestrita. Estacas de concreto seguiram batendo sem dó, derrubando casas charmosas, desfigurando bairros, multiplicando o trânsito em ruas esgotadas, desafiando leis do urbanismo, da física, da estética, do bom senso.

Nada mais simbólico então que subverter um marco dessa mentalidade, o Minhocão, promovendo nele necessárias ações de comunhão, de coletividade, de engajamento, de lazer, de sorrisos, de gente encontrando gente na rua.

Há muita esperança com a administração do Haddad, mas não por se achar que ele é o prefeito perfeito, alguma espécie de salvador. Mas porque articulações de propostas e mobilização cidadã estão a todo vapor e sente-se que existe abertura para conversa. A nova administração só terá a ganhar se escutar com atenção.

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Um grande esquenta para São Paulo 2013

Já entra dezembro e logo mais teremos prefeito novo em São Paulo. Como vai ser? Vai melhorar? Mais importante: como podemos acompanhar e participar?

O evento Preliminares nasceu dessa necessidade de dar pitacos no que vem por aí. Se define como “uma grande conspiração pública para a construção de uma rede independente de mídia, mapeamento e ação pública”. E mais:

9 dias, 9 pontos da cidade, 9 temas gerais: a lista de coletivos e convidados só cresce. E a programação do Preliminares vai tomando forma.

Já são mais de 30 mesas, debates e oficinas. Ocupações, transmissões, festas. Mas a agenda estará aberta até o final.

Copa do Mundo, Especulação Imobiliária, Jornalismo Investigativo, Educação, Arquitetura, Tecnologias de Ocupação, Economia Solidária, Lixo, Redes e Códigos, Carnaval de Rua…

Alguns exemplos:

No sábado, às 18h, na Casa Fora do Eixo, tem o jornalista escocês Andrew Jennings, autor do livro Jogo Sujo: O Mundo Secreto da Fifa.

Na terça, mesmo horário, tem Hermano Vianna falando no Studio SP.

Quarta, 9 da manhã, na Sala Crisantempo, tem um seminário dos 25 anos da ONG educacional Cenpec com Marina Silva, Nabil Bonduki, Maria Alice Setubal e Maria do Pilar Lacerda.

Sábado, tem 20 blocos de rua num Manifesto Carnavalista pelas ruas da Vila Madalena.

E, para fechar, no domingo, tem festa no Minhocão, com intervenções, sound systems (eu vou tocar no trio do Carlos Capslock) e show histórico do Akira S.

Acompanhe e se informe mais aqui no Facebook.

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O fascista mora ao lado

O fascismo mora ao lado, é amigo do amigo no Facebook.

Você nunca está a mais de dois cliques de um. Essa ficha caiu com barulho feio essa semana quando foram divulgados os perfis de dois boys nazistas na rede.

Um dia antes, a corajosa dupla de bodybuilders tinha arrebentado de porrada um estudante num ataque de fúria homofóbica. Na delegacia, um dos criminosos, com zero de arrependimento, disse a um repórter que a vítima “apanhou de besta. Se tivesse seguido o caminho dele não teria apanhado.”

Muitas pessoas descobriram que tinham amigos em comum com os agressores. Eu mesmo compartilhava 83 amigos com um deles.

O fascista, em geral, não é um bicho esquisito, com bigodinho preto e chifres saindo pela cabeça. Ele frequenta o clube bacana e usa roupas estilosas. Provavelmente, tem um carro legal. Malha numa academia de renome. Está na fila de espera do restaurante atrás de você. A mãe dele o adora, apesar de meio “rebelde”. É o “cidadão Boilesen”, frequentador de bons ambientes e que assiste a sessões de tortura por esporte.

Uma das coisas mais assustadoras do nazismo foi a devoção cega das pessoas comuns. Não demorou para que pacatos pais de família e donas de casa começassem a dedurar vizinhos judeus e queimar sinagogas.

No Brasil de 2012 ninguém encoraja a perseguição de “diferentes” indefesos. Mas desencoraja o bastante?  Um governo deixa de criminalizar a homofobia por conveniência política. Um articulista compara gays a cabras numa revista semanal. Um policial mata um garoto preto e pobre porque “parece” bandido. Um juiz absolve rapazes de “boa família” que queimam um morador de rua.

Por isso, quando dois ogros acham normal espancar um rapaz gay numa avenida paulistana em plena hora do rush, não deveríamos ficar chocados. O anormal ainda é aquele que está caído na calçada, rosto sangrando.

O título desta coluna eu emprestei de uma frase do amigo Vitor Angelo no Facebook.

Vai ter um evento de apoio à vítima do ataque neste sábado, aqui mais detalhes.

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Laerte e a “volta” da Arena

Certas ridicularias do noticiário nacional dão vontade de ir gastar indignação nas redes sociais. E dizer coisas e mais coisas. Nem sempre precisa. Muitas vezes, o Laerte vem e resume lindamente tudo o que precisa ser dito em quatro quadrinhos.

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Tradição sulista

Qualquer semelhança não é mera coincidência.

Clica na imagem para ver melhor.

A fonte.

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