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Arquivo: ROCK

Uma hora de Kraftwerk ao vivo em 1970

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Acabaram de subir no YouTube um achado arqueológico. É um apresentação de uma hora do Kraftwerk em 1970 para o programa de TV alemão Rockpalast (no ar até hoje). O grupo nesse tempo ainda estava distante de Autobahn e seu futuro robótico-eletrônico. A onda aqui é bem mais hippie e experimental (tem até flauta). É o som que se ouve nos seus primeiros álbuns, aqueles com cone de trânsito na capa, mais alinhado com o que faziam seus companheiros “kraut” da época, como Can e Cluster.

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Dos Beatles aos Beastie Boys, uma breve história da sampleagem

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Aulinha relâmpago sobre “sampling” do VJ Eclectic Method.

“Uma jornada em remixes de vídeo pela história da sampleagem incluindo alguns de seus breaks e riffs mais famosos das décadas. Um viagem cronológica, desde o uso dos Beatles do Mellotron nos anos 60 ao hip hop e a dance music com sua alta densidade de samples nos anos 80 e 90. Cada break é representado por uma onda sonora de vinil vibrante que explode para revelar várias faixas que o samplearam, sendo cada reuso um novo capítulo na narrativa moderna.”

Vi aqui.

 

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As 50 melhores músicas de 2013

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Você se lembra como foi ouvir “Get Lucky” pela primeira vez? Não a música, mas o teaser, aquele de um minuto? Eu lembro bem. O groove limpo e redondo, a inconfundível guitarra de Nile Rodgers repicando… era uma aula de savoir faire musical. O mundo parecia que seria salvo da hecatombe EDM/sertanejo/indie genérico/tech-house impessoal que parecia seu destino inevitável. Se o Daft Punk estava prestes a fazer o Deus do bom groove sair da seção da flashback e caminhar para o topo das paradas, estava tudo lindo. Aquele teaser não era só música, mas um raio de luz vindo do céu.

“Get Lucky” provou ser espetacular na íntegra também e se tornou a música-símbolo de 2013. Virou même, ícone cultural, rebateu em lugares impensados, foi cantada pelo Obama e pelo marido da Scheila Carvalho. E Nile Rodgers hoje desfruta de todo o sucesso, atenção e amor que sempre mereceu. Está no centro da música pop, lugar de onde nunca deveria ter saído.

No mais, porém, quem continuou reinando na maioria das pistas e paradas do mundo foram mesmo caras como Avicii. Como que para confirmar esse estado de coisas, em setembro saiu uma música do Avicii featuring Nile Rodgers.

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Na lista deste blog, “Get Lucky” só perdeu para o Mount Kimbie. Não é pedantismo, não. É que “Made To Stray” mexeu demais, conseguindo soar ousada e memorável de um jeito só seu. O mais importante: parecia mesmo uma faixa de 2013, ao contrário de “Get Lucky”, que é puro 1979.

No fim da lista, coloquei um player de YouTube com todas as 50 músicas. Em ordem. Para facilitar sua vida no caso de você querer ouvir alguma coisa.

P.S. Eu sei que “Latch”, do Disclosure, saiu em 2012, mas ela entrou aqui por motivos simples: não tinha entrado no ano anterior; é um dos destaques de um álbum deste ano, Settle; e é um som que ouvi bastante no ano que se passou.

1-10

Mount Kimbie – Made To Stray
Daft Punk – Get Lucky
James Blake – Retrograde
Disclosure – Latch
David Bowie – Love Is Lost (Hello Steve Reich Mix by James Murphy)
Dornik – Something About You
bEEdEEgEE ft. Lovefoxxx – Flowers
Arcade Fire – Here Comes the Night Time
Disclosure ft. London Grammar – Help Me Lose My Mind
Darkside – Paper Trails

11-20

Daft Punk – Instant Crush
Dorgas – Hortência
Ninetoes – Finder
Washed Out – All I Know
Marcelo Jeneci – Alento
Múm – Candlestick
Warpaint – Love Is To Die
Pet Shop Boys – Fluorescent
Julia Holter – This Is a True Heart
Forest Swords – Thor’s Stone

21-30

Todd Terje – Strandbar (disko)
Bixiga 70 – Ocupai
Benoit & Sergio – $100 Bill
DJ Guerrinha – Estamos Cascateando Fraclassicos Com O Valor Comunal
Daniel Avery – All I Need
Moderat – Bad Kingdom
Connan Mockasin – Do I Make You Feel Shy?
Beyoncé & Frank Ocean – Supernatural
DJ Koze – Marilyn Whirlwind
Arcade Fire – We Exist

31-40

Ariel Pink ft. Jorge Elbrecht – Hang On To Life
Night Moves – Colored Emotions
The Knife – A Tooth For An Eye
Karol Conká – Gueto ao Luxo
Stellar OM Source – Par Amour
Axel Boman – Hello
Small Pyramids – I Want Blood
Barrientos – On My Mind
Jon Hopkins – Open Eye Signal
Flume & Chet Faker – Drop the Game

41-50

Brynjolfur – I Love You
DAMH – What a Waste of Time
Blood Orange – You’re Not Good Enough
Elekfantz – Wish
Dean Blunt – Papi
Paul Woolford – Untitled
Midland – Trace
Matthew E. White – Steady Pace
Tigerskin – Windfall
Fairmont – Poble Sec

Aqui os melhores álbuns de 2013.

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Os melhores álbuns de 2013

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Sei não esse negócio de “melhores álbuns”. Não ficou meio anacrônico isso de ouvir o álbum inteiro? Queremos (e podemos) escolher só as melhores partes. Ou ficar no single. Pegar o remix diferente. Ou se apegar àquela faixa escondida. A época é muito mais de playlists, mixtapes, fluxos de streaming aleatório. O tempo é sempre escasso e a oferta, abundante.

Falemos a real: 99% dos álbuns não merecem ser ouvidos até o fim. Quantos não começam cheios de pique e já soam cansados e sem ideias lá pela sexta ou sétima faixa? (e por que o Justin Timberlake achou necessário fazer dois álbuns? Quem deu bola para o segundo?).

Mas certas tradições resistem e a virada do ano pede o retrospecto. Aqui vai mais uma lista de fim de ano com os 20 álbuns de 2013 que melhor funcionaram do começo ao fim para mim.

Depois veja a lista das 50 músicas de 2013.

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1. DARKSIDE – Psychic

Se existisse um universo paralelo onde a dupla protagonista de Medo e Delírio em Las Vegas fosse para o Burning Man em vez da cidade dos cassinos, esta seria a trilha sonora.

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2. DISCLOSURE – Settle

Uma batida de garage, house e pop que prova que dá para ser dançante e acessível sem perder a elegância.

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3. ARCADE FIRE – Reflektor

Baixou santo do Haiti na friagem indie canadense. Ao fundo, James Murphy fala em línguas que a pista entende muito bem.

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4. JAMES BLAKE – Overgrown

Mais maduro e resolvido, nem por isso menos incisivo e ousado.

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5. FOREST SWORDS – Engravings

O inglês Matthew Barnes faz downtempo e trip hop climatizado para os dias atuais. Música que sai do chão… mas de outro jeito.

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6. BOARDS OF CANADA – Tomorrow’s Harvest

Um disco de realidade alternada, onde lampejam sons e reflexos de outros tempos. Não o melhor BoC, mas melhor que a maioria do resto.

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7. BEEDEEGEE – SUM/ONE

Excêntrica e melódica estreia de Brian DeGraw do Gang Gang Dance, com convidados com Lovefoxxx e Alexis Taylor, do Hot Chip.

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8. DORGAS – Dorgas

O primeiro (e último, pelo menos nessa formação) álbum do grupo carioca é deep house com cara de pop de rádio dos anos 80.

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9. MÚM – Smilewound

Ambient-pop islandês com tons lúdicos e delicados. Fofice que não enjoa.

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10. DAFT PUNK – Random Access Memories

Mais hinos que um evento olímpico. Sob vários aspectos, o disco do ano. Acontece que nem sempre o conteúdo ficou a altura do hype.

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11. WASHED OUT – Paracosm

Synth-pop com doutorado em refrão.

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12. MARCELO JENECI – De Graça

Recupera uma tradição de pop brasileiro suingado e cosmopolita lá dos anos 80.

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13. JAMES HOLDEN – The Inheritors

Holden pira em estilo cada vez maior.

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14. DEAN BLUNT – The Redeemer

Amargo na temática (fim de relacionamento) e esparso na produção, faz bonito usando muito pouco.

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15. JULIA HOLTER – Loud City Song

Entre ornamentos barrocos e ambiências desvairadas, a moça Holter fez um ótimo segundo disco.

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16. STELLAR OM SOURCE – Joy One Mile

A holandesa Christelle Gualdi fez o álbum techno do ano. Cheio de boas novas ideias para o gênero.

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17. KAROL CONKÁ – Batuk Freak

Hip hop feminista e feminino com produção de altíssimo nível.

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18. THE KNIFE – Shaking The Habitual

“É político”, disse a banda sobre este manifesto contra a normalidade. No som, algo muito mais para quebra-quebra do que protesto pacífico.

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19. FALTY DL – Hardcourage

Um americano com o olho constante em Londres.

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20. BONOBO – North Borders

Mestre do beat rebaixado entrega mais uma vez.

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MÚSICA DO DIA (47) The War on Drugs – Red Eyes

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Parece saído de alguma trilha de filme do John Hughes. Ou uma gravação perdida do Bruce Springsteen. Tanto faz, é de jogar o astral bem pro alto.

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O inesperado elo entre Lou Reed e o Information Society

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New York, de 1989, é considerado um dos melhores álbuns da fase pós-70 de Lou Reed. Foi produzido pelo então jovem Fred Maher, fã de tecnologia e sintetizadores. Na mesma época, Maher produziu um de seus maiores hits, o álbum de estreia do Information Society. Antes de tudo isso, o produtor tinha trabalhado com a banda inglesa de synth pop Scritti Politti.

Maher nunca tentou fazer Lou Reed “eletrônico”. Pelo contrário. Como todo bom produtor, sabia que a melhor tática era deixar as qualidades do artista se sobressaírem. Por isso, New York é direto, básico, sem modernidades forçadas. Lou gostou de cara: “Eu sôo como Lou Reed outra vez pela primeira vez em anos…”

Essa história apareceu no boletim do blogueiro Bob Lefsetz contada pelo próprio Maher. Ele termina agradecendo a Lou Reed por ter dado a grande chance de sua carreira. “Não consegui muitas oportunidades a partir do grande sucesso do Information Society, mas consegui muito trabalho e respeito com New York, do Lou”, escreveu.

Segue a íntegra, em inglês, e depois a tradução gentilmente feita pelo Rodrigo (se alguém traduizsse, seria lindo).

Subject: RE: Lou Reed

Lou Reed.

Bob, I co-Produced and played drums on Lou’s “New York”. I did some half assed engineering too. I met Lou (Prior to “New York”) through Bob Quine. I played drums on a couple of his albums, Legendary Hearts & New Sensations,
did a bit or touring with him and, then I went off to be in a POP Band called Scritti Politti.

After the 18 month rush of Scritti Politti I came back home to NYC and Lou called me to ask if I would play drums on his next record that would become “New York”. I told him that I would be happy to. I was all of 23 or 24 at that time and was looking to become a record producer. I never thought I would end up Producing “New York” with Lou. It was going to be another gig with someone I knew and felt comfortable with. He liked my playing because it was simple. I was NOT a prodigy. I was just a guy with a decent sense of what was needed from a drummer.

So, Lou starts asking me (the young guy) “Who should I get to produce this
record?” I blurted out the usual suspects of that that era, Bob Clearmountain, Scott Litt and so on but, no one was interested. NO ONE. The thing that is important here is that Lou had just been signed by Seymour Stein to SIRE / Warner Bros. And he essentially had, as usual in those days of WB, total artistic
control!

After several weeks of Lou searching for someone to produce, I (brass balled twenty something year old) suggested that I produce the record. He said “What the fuck do you know about recording guitars?… All you’ve done is “synth pop” crap. My response was “Lou, book ONE day in a studio and let’s see what happens”

He did, and that ONE day at the legendary Media Sound on 57th street changed everything. I was so cocky, I didn’t even hire an engineer… I would just do it myself! Long story short, we recorded and mixed the opening track of New York, “Romeo Had Juliette” in that single day.

He called me the next morning and said “I sound like Lou Reed again for the
first time in years… Let’s do this”. What we did that day (“Romeo Had Juliette”) IS the first cut on “New York”. He did not want to change a single thing about it. No remix, no overdubs, nothing.

Although I was a child and fan of technology, I knew that this record would best be served by using NO modern appliances. No drum machines, no automation assisted mixing, nothing. My main inspiration was the recently release Leonard Cohen record, “I’m Your Man”. It was my first time hearing ANY Leonard Cohen but, what struck me was the level of the vocal. It was LOUD. soaring above the music. Yes, the underpinning “score” of “I’m You Man” was synthetic but, The song, The Lyrics were the thing.

Having been “just the young drummer” on two previous Lou records, I suffered through and producers and engineers trying to get Lou to “sing”. Observing the relentless desire of those producers and engineers to DELIVER a new Lou Reed hit. Lou was not a singer per se. He was a Pre-Punk Punk. Spoken, half sung words and “sort of” melodies were his strength.  Raw, in your face story telling was the conceptual lynch pin of New York.

I suggested that we take it one step further and have no piano, organ or any other kind of keyboards on the record. I’m not sure how long it was from his initially contacting me to play on “his next record” to actually starting in the studio but, the whole thing took Six weeks. The funny thing about that time was that while we were recording New York, I was having my first major radio and sales success with a record I had produced a year earlier, Information Society. So, from that moment on, my fate was sealed. I would never be “That Producer” with that “Go To” Sound. I didn’t get many gigs from the “Big Time” Success of Information Society but, I did get lots of work and respect from Lou’s New York.
Lou Believed in me. Lou gave me one of the biggest breaks I ever had and will always be grateful.

Rest in peace Lou.

Cheers – Fred Maher

PORTUGUÊS

Assunto: RE: Lou Reed

Lou Reed.

Bob, eu co-produzi e toquei a bateria no [disco] “New York” do Lou. Fiz meio que alguma engenharia também. Conheci Lou (antes de “New York”) por meio de Bob Quine. Toquei bateria nuns álbuns dele, “Legendary Hearts” e New Sensations, em eventualidades ou em turnês dele, e então me desliguei para entar em uma banda pop chamada Scritti Politti.

Após 18 meses de Scritti Politti eu voltei para minha casa em Nova Iorque e Lou me ligou para perguntar se eu poderia tocar bateria em seu próximo álbum, que viria ser o “New York”. Disse-lhe que eu ficaria feliz em fazê-lo. Eu tinha feito tudo aos 23 ou 24 naquela época e estava tentado a me tornar um produtor musical. Eu nunca pensei que iria acabar produzindo “New York” com Lou. Seria como um outro trabalho artístico com alguém que eu conhecia e me sentia confortável. Ele gostou de me ver tocar pela simplicidade. Eu NÃO ERA um prodígio. Eu era só um cara com algum bom senso sobre o que se podia esperar de um baterista decente.

Então, Lou começa perguntando a mim (o cara jovem): “Quem eu deveria chamar pra produzir este disco?”. Eu citei os nomes mais adequados naquela época, como Bob Clearmountain, Scott Litt e assim por diante, mas ninguém o estava interessando. NINGUÉM. A única coisa importante aqui é que Lou havia acabado de ser integrado por Seymour Stein à SIRE/Warner Bros. E ele tinha, essencialmente, e como de costume naqueles dias de Warner Bros, o total controle artístico!

Após várias semanas com Lou à procura de alguém para produzí-lo, eu (na inconsequência dos meus vinte e poucos anos de idade) lhe sugeri que eu produzisse o disco.Ele disse: “E que merda você entende de gravar guitarras?… Tudo o que tem feito foi aquela porcaria synth pop”. Respondi: “Lou, agende UM dia num estúdio e vamos ver no que dá.”

Ele agendou, e aquele UM dia no lendário Media Sound na 57th Street mudou tudo. Eu estava tão cheio de mim, nem sequer contratei um engenheiro… queria simplesmente fazer a parada sozinho! Para encurtar a história, nós gravamos e mixamos a faixa de abertura de “New York”, “Romeo Had Juliette“, naquele único dia.

Ele me ligou na manhã seguinte e disse: “Eu soei como Lou Reed novamente pela primeira vez em muitos anos… vamos fazer assim.” O que haviamos feito naquele dia (“Romeo Had Juliette”) É [exatamente] a primeira faixa de “New York”. Ele não quis fazer alteração alguma nela. Sem remixagem, sem overdubs, nada.

Embora eu fosse [praticamente] uma criança e fã de tecnologia, eu sabia que o trabalho soaria melhor SEM o uso de equipamentos mais modernos. Sem drum machines, sem automação assistida na mixagem, nada. Minha principal inspiração foi o trabalho recém lançado de Leonard Cohen: “I’m Your Man”. Foi a minha primeira vez ouvindo QUALQUER coisa de Leonard Cohen mas, o que me impressionou foi o nível do vocal. Soava ALTO. Escalava por sobre a música. Sim, a base matadora de “I’m Your Man” era sintética, mas a música, as letras, eram a assência.

Tendo sido “apenas o jovem baterista” em dois trabalhos anteriores, eu sofri como os produtores e engenheiros tentando fazer Lou “cantar”. Observando-se que há o desejo implacável de todos os produtores e engenheiros de ENTREGAR um novo hit de Lou Reed. Lou não era um cantor per se. Ele era um Punk Pré-Punk. Declamações, palavras cantadas pela metade e “sortir” melodias eram seu ponto forte. Crueza, escancarando causos contando um alicerce conceitual de Nova York.

Sugeri darmos um passo adiante e excluir piano, órgão ou qualquer outro tipo de teclados no disco. Eu não tenho certeza de quanto tempo transcorreu de quando ele inicialmente me contactou para tocar no “seu próximo trabalho” até começarmos em estúdio, mas o processo todo durou seis semanas. O engraçado sobre esse tempo foi que, enquanto estávamos gravando “New York”, eu estava tendo meu primeiro grande sucesso de vendas e de rádio com um trabalho que eu havia produzido um ano antes, Information Society. Assim, a partir daquele momento, o meu destino estava selado. Eu nunca mais seria “um tal produtor” com “um tal tipo” de som. Eu não havia pego muitos trabalhos após o sucesso de “Big Time” com o Information Society, mas consegui muitos trabalhos e respeito após “New York” de Lou.
Lou acreditou em mim. Lou me deu uma das maiores chances que já tive e sempre lhe serei grato.

Descanse em paz Lou.

Felicidades – Fred Maher

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MÚSICA DO DIA (37) Arcade Fire – Reflektor

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Entre as gratas surpresas de 2013 pode por aí entre os primeiros lugares da lista: um Arcade Fire com pegada disco. Reflektor, a faixa, saiu em setembro e foi produzida por James Murphy, o que explica muita coisa. O álbum de mesmo nome foi liberado semana passada. Musicão e discão, ouça tudo.

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Lou Reed, o cronista da cidade suja

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Foto: Dustin Pittman (Reprodução)

Foi um dia imperfeito para a música. Lou Reed morreu, aos 71 anos.

Dois dos discos que mais ouvi na vida (e que ainda ouvirei muito, eu sei) têm a ver com Lou Reed: Velvet Underground & Nico (1967) e Transformer (1972).

Ele era o Plínio Marcos do rock, um cronista do submundo, poeta dos indesejáveis da cidade suja.

A travesti, o michê, o junkie, o traficantezinho de esquina, o notívago, a moça de todas as festas do amanhã, as drag queens da Factory. Esse era o mundo de Lou Reed, o lado de baixo das ruas de Nova York, em especial o bas-fond do Greenwich Village.

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Foto: Mick Rock (Reprodução)

Não era pose ou turismo. Por alguns anos, sua namorada e musa foi a travesti/transexual Rachel (na foto). Se para muitos, ousadia era dropar um ácido ou falar de maconha em letra de duplo sentido, Reed cantou sobre “se sentir homem quando enfiava uma ponta na veia” (“Heroin”). Passou os anos 60 sem compor uma música de protesto ou viagem psicodélica. Estava mais para Burroughs e Bukowski do que para Dylan e Lennon.

Reed também dialogava com arte de vanguarda e música erudita. Sua música filtrava influências de Andy Warhol, mentor inicial dos Velvet Underground, e de minimalistas cabeçudos como John Cage e La Monte Young. O som do Velvet só começou a ser entendido por um público mais amplo duas décadas depois de sua existência.

Na Manhattan gentrificada de hoje, não há espaço nas calçadas para os personagens de Lou Reed. Festivais de rock hoje tem vibe de shopping center. E “Perfect Day” foi cantada até por Susan Boyle. Lou Reed morreu ontem, mas o mundo que o tornou possível já tinha morrido faz tempo.

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David Bowie vs James Murphy

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Quando dois caucasianos cheios de funk no pé como estes se encontram fique ligado porque pedaços do teto vão cair.

E que belo toque Murphy homenagear o pioneiro eletrônico Steve Reich no remix.

Dá para ouvir aqui no Pitchfork.

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MÚSICA DO DIA (33) Milky Edwards & The Chamberlings – Moonage Daydream

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Isso aqui apareceu como uma raridade esquecida. Um tributo soul do álbum Ziggy Stardust, de David Bowie, gravado logo depois do original, no começo dos anos 70.

Logo começaram a aparecer elementos suspeitos. Para começar, nem os especialistas mais bitolados tinham ouvido falar. Depois, para o ouvido treinado, a ambiência da produção denunciava uma demão de verniz recente. E, finalmente, a fonte usada na capa, Mojo Standard, foi criada depois da suposta época do disco (sem falar que os efeitos nas letras não teriam como ser feitos sem o auxílio de um computador).

Mas quem se importa se é hoax quando o resultado soa tão bom? Sem falar que um embuste com essa qualidade também é digno de aplauso.

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