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Uma revista semanal que faz mal à saúde

Desde os anos 90, uma droga vem causando estrago considerável na Europa, em especial a Inglaterra. Cenas de gente estirada no torpor da cetamina (“ketamine”, em inglês; “ketamina”, informalmente no Brasil, ou ainda, Special K), com seus movimentos anestesiados, ficaram cada vez mais comuns em clubes e festas por lá.

A cetamina também ganhou muitos fãs nos EUA e Brasil, mas o alcance sempre foi bem menor. Mas, já em 2007, seu consumo preocupava a polícia brasileira.

Um dos efeitos colaterais do uso prolongado da cetamina é que ela danifica a bexiga. Na Inglaterra, tem aparecido casos de jovens de 20 anos com a bexiga tão deteriorada que a única solução é removê-la.

A cetamina é um anestésico comum em hospitais há muito tempo. Apesar de por um tempo ser conhecida como “remédio para cavalo”, é usada em animais e humanos.

Qual não foi a surpresa ao ver a mesma cetamina estampando a capa da Veja dessa semana. E não como alerta, mas como “esperança de cura”. Pesquisadores em Yale indicaram que a cetamina pode ser uma eficiente aliada no tratamento da depressão.

Algumas palavras deste artigo do site da Yale University sobre o assunto, porém, são importantes de ressaltar: “evidências sugerem“, “pesquisa”, “estudo”. Além desta frase: “A melhora dos sintomas dura apenas de uma semana a dez dias”. As palavras também estão na matéria da Veja. Mas há um perturbador tom eufórico e leviano em torno do assunto.

Na hora lembrei, claro, da capa alarmista que a revista fez sobre a maconha. Ao contrário da cetamina, a cannabis vem amparada por algumas décadas de estudos que comprovam sua eficiência médica. O uso medicinal é permitido em vários estados americanos (além do uso recreativo agora em Washington e Colorado). Há outro tanto de pesquisas que relativizam seus “males”, propondo que ela é menos nociva que o álcool. E há alguns estudos (como os citados pela revista) que dizem que ela faz mal e ponto.

Aqui a resposta do blog Pense Livre à capa da Veja sobre maconha.

Seja como for, maconha e cetamina são drogas que têm que ser discutidas com cuidado e informação.

O que é totalmente diferente de cravar que “DROGA A faz mal” e “DROGA B é super-legal”.

O leitor só tem a perder com esse tipo de abordagem.

E quem ganha?

Mande sua resposta numa bula de remédio e concorra a um vale-farmácia.

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Nicolas Jaar e algumas novidades

O álbum The Prism, coletânea do selo de Nicolas Jaar, Clown & Sunset, saiu no primeiro semestre num formato físico bem inusitado.

Agora ele está disponível para compra em versão digital com o nome de Don’t Break My Love.

O single “The Ego”, parceria com “Theater Roosevelt”, sai de graça. É excelente, um momento de delicadeza pop-reggae bizarra que merece sua atenção.

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Crazy P entre nu disco e house?

Fique com os dois.

A original da música nova é ótima. E o remix do Huxley também. Cada um tem sua hora na pista.

Dois elementos valem atenção: um vocal masculino que parece Bobby Womack e uma guitarra com jeitão pós-punk.

Crazy P – Heartbreaker

Crazy P – Heartbreaker (Huxley remix)

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Mais Massive Attack: um set novinho do Daddy G

Sincronia é isso. Comecei a semana lembrando “Unfinished Sympathy” na seção DNA aqui do blog e eis que aparece agora um set novinho em folha do Daddy G.

Foi gravado para o programa 6Mix, da BBC, e é o primeiro que ele publica desde seu DJ Kicks, de 2004.

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Quarenta docs de música brasileira na íntegra

O Pedro Consorte fez um grande favor à nação e compilou em seu blog 40 documentários de música brasileira que podem ser vistos na íntegra no YouTube.

Tem de tudo: Titãs, Arnaldo Baptista, Tom Jobim, Novos Baianos, Cartola, Elis, Milton, Chico Science, Paralamas, Mamonas, Tim Maia etc etc.

Chega mais, chega mais…

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As Novas Frequências estão chegando!

É dia 8 de dezembro, aqui em São Paulo.

O festival traz três atrações extra-quentes para o Brasil: Actress, Hype Williams e Pole.

A página da festa no Facebook tá aqui.

Dois deles já aparecem nas listas de melhores de 2012 que começam a pintar por aí.

Olha o Actress e o Hype Williams (com um projeto paralelo dos membros Dean Blunt e Inga Copeland, na foto acima) em primeiro e quinta na lista dos eletrônicos de 2012 da Mojo.

O Hype Williams lançou a incrível “Galice” esses dias, uma sinfonia urbana noturna de movimentos contidos.

Aqui uma entrevista muito boa com Blunt e Copeland no Guardian.

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DNA#34 Marshall Jefferson – Move Your Body

Fora de países como Inglaterra, Alemanha, Espanha e França, o cânone dos clássicos house e techno é alienígena para a maior parte dos fãs de música. Incluindo aí muitos que ganham para escrever sobre o assunto.

Eles conhecem muito bem LCD Soundsystem, Justice, Daft Punk e The Rapture. Mas fale em Adonis, Steve Silk Hurley, Farley Jackmaster Funk, Derrick May e Juan Atkins e a cara será de ponto de interrogação.

Normal. A grande maioria dos fãs de Led Zeppelin, Eric Clapton e Rolling Stones não conhece suas fontes negras dos EUA, blueseiros como Muddy Waters, Willie Dixon e Sonny Boy Williamson.

Marshall Jefferson é um bom ponto de partida para explorar os originais da house de Chicago. Era, aliás, fã de Led Zeppelin, Yes e King Crimson, o que já o diferenciava de seus contemporâneos, que tinham como referências principalmente soul e disco.

Jefferson começou trabalhando no estúdio Universal, por onde passaram muitas lendas do blues e soul de Chicago. Quando passou a produzir material próprio, foi direto na house, que já era o som dos clubes underground da cidade. Mas, graças a sua bagagem, seu house também não seria como o dos outros.

Jefferson queria uma bateria com poder de John Bonham. Resolveu também colocar um piano na música. Era uma inovação. As faixas de house até então eram exercícios minimalistas de bateria eletrônica e sampler, com poucos adornos melódicos. Como Jefferson não era pianista, sua solução foi tocar as notas bem devagar e depois acelerar a gravação. Na hora do refrão, um vocal passional, soulful: “Gotta Have House/Music!”

“Move Your Body” saiu em 1986. É forte, melodiosa, rica em textura, inovadora no arranjo. A ideia do piano foi replicada algumas milhares de vezes. A tal ponto que dá para defender com propriedade que o som do piano nasceu para a house e vice-versa.

E ainda tem o riff. Tal qual os acordes do blues que foram reaproveitados por muitas gerações do rock, o riff de “Move Your Body” foi copiado e colado muitas vezes. Ajudou pelo menos uma música a virar megahit global: “Pump Up The Jam”, do Technotronic.

“Move Your Body” ganhou apelido de “hino da house music”. E Jefferson passaria em qualquer teste de paternidade do gênero.

Marshall Jefferson – Move Your Body (The House Music Anthem)

Aqui outros episódios da série DNA.

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Grafite gonzo

Viva Hunter!

Veio daqui.

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Laerte e a “volta” da Arena

Certas ridicularias do noticiário nacional dão vontade de ir gastar indignação nas redes sociais. E dizer coisas e mais coisas. Nem sempre precisa. Muitas vezes, o Laerte vem e resume lindamente tudo o que precisa ser dito em quatro quadrinhos.

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DNA#33 Chic – Le Freak

Nile Rodgers, do Chic, era o rei da disco, você sabe, não John Travolta. Era também o rei de um dos espaços mais nobres de todo o movimento: o banheiro feminino do Studio 54. “Passava a maior parte do tempo no banheiro das mulheres – ficou conhecido como o meu escritório”, lembra Nile em sua autobiografia, Le Freak.

“Eu tinha muito pó. Nunca me pediram para sair, o que me fez sentir muito especial, tão especial que passava a noite inteira ali. Todas os meus drinks eram levados lá, todos os meus amigos me encontravam lá. Às vezes, uma ou mais meninas faziam sexo oral em mim.”

Nile devia seu reinado no banheiro, no Studio 54, em Nova York, no mundo, ao sucesso de “Le Freak”. O Chic já vinha acumulando hits (“Everybody Dance”, “Dance, Dance, Dance”), mas “Le Freak”, de 1978, os levou de vez ao andar de cima. Vendeu sete milhões de singles no mundo inteiro.

A música nasceu, ironicamente, da revolta sentida por Nile e seu parceiro Bernard Edwards, ainda não conhecidos o bastante, ao serem barrados no mesmo Studio 54.

“Óóóóaa Fuck Off”" virou “Óóóóaa Freak Out!”. Nile inventou mais um de seus riffs de funk cristalino e Bernard um de seus baixos de propulsão nuclear. Depois, veio a batida musculosa de Tony Thompson e o chantilly das vocalistas Alfa Anderson, Luci Martin e Diva Gray, com versos como: “Apenas venha para o 54/Ache um lugar ali na pista” (“Just come on down, to fifty four/Find a spot out on the floor”).

Nile e Bernard eram as cabeças e a alma do Chic. Muito espertos, criaram um grupo que expressou à perfeição (e com uma boa dose de sarcasmo) os códigos de glamour, frivolidade e dolce vita da disco. Começando pelo nome, Chic.

A banda se apresentava sempre impecavelmente vestida. “Halston…Gucci… Fiorucci”, como na letra que a dupla fez para Sister Sledge em “He’s The Greatest Dancer”. “Vi você subir todos os degraus daquela escada social/Vivendo na alta sociedade”, compuseram para o disco solo de Norma Jean Wright, ex-vocalista do Chic. A assinatura de produção de Rodgers e Edwards era Chic Organization, assim com ar bem corporativo.

O Chic era aspiracional, como a disco e como Rodgers e Edwards, criados na dureza e que tocaram por trocados por anos em bandas de jazz e R&B. Rodgers chegou a militar na organização Panteras Negras.

Mesmo milionários, ainda havia oportunidade para provocar o establishment branco. Na biografia, Rodgers lembra quando ele e Edwards entraram numa concessionária da Mercedes. Ao serem tratados com arrogância pelo vendedor, Edwards fez questão de comprar dois carros zero dos modelos mais caros. No final disse: “Seja educado e legal com todo mundo que entra aqui, você nunca sabe quem eles são, ou o que são capazes de fazer”.

Aqui outros episódios da série DNA.

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