30 de novembro de 2012 às 13h25
Uma revista semanal que faz mal à saúde
Desde os anos 90, uma droga vem causando estrago considerável na Europa, em especial a Inglaterra. Cenas de gente estirada no torpor da cetamina (“ketamine”, em inglês; “ketamina”, informalmente no Brasil, ou ainda, Special K), com seus movimentos anestesiados, ficaram cada vez mais comuns em clubes e festas por lá.
A cetamina também ganhou muitos fãs nos EUA e Brasil, mas o alcance sempre foi bem menor. Mas, já em 2007, seu consumo preocupava a polícia brasileira.
Um dos efeitos colaterais do uso prolongado da cetamina é que ela danifica a bexiga. Na Inglaterra, tem aparecido casos de jovens de 20 anos com a bexiga tão deteriorada que a única solução é removê-la.
A cetamina é um anestésico comum em hospitais há muito tempo. Apesar de por um tempo ser conhecida como “remédio para cavalo”, é usada em animais e humanos.
Qual não foi a surpresa ao ver a mesma cetamina estampando a capa da Veja dessa semana. E não como alerta, mas como “esperança de cura”. Pesquisadores em Yale indicaram que a cetamina pode ser uma eficiente aliada no tratamento da depressão.
Algumas palavras deste artigo do site da Yale University sobre o assunto, porém, são importantes de ressaltar: “evidências sugerem“, “pesquisa”, “estudo”. Além desta frase: “A melhora dos sintomas dura apenas de uma semana a dez dias”. As palavras também estão na matéria da Veja. Mas há um perturbador tom eufórico e leviano em torno do assunto.
Na hora lembrei, claro, da capa alarmista que a revista fez sobre a maconha. Ao contrário da cetamina, a cannabis vem amparada por algumas décadas de estudos que comprovam sua eficiência médica. O uso medicinal é permitido em vários estados americanos (além do uso recreativo agora em Washington e Colorado). Há outro tanto de pesquisas que relativizam seus “males”, propondo que ela é menos nociva que o álcool. E há alguns estudos (como os citados pela revista) que dizem que ela faz mal e ponto.
Aqui a resposta do blog Pense Livre à capa da Veja sobre maconha.
Seja como for, maconha e cetamina são drogas que têm que ser discutidas com cuidado e informação.
O que é totalmente diferente de cravar que “DROGA A faz mal” e “DROGA B é super-legal”.
O leitor só tem a perder com esse tipo de abordagem.
E quem ganha?
Mande sua resposta numa bula de remédio e concorra a um vale-farmácia.
















DJ que escreve, jornalista que toca 



