OEsquema

Control X, Control V

Eu tenho estado cornucópia

Desde ontem, eu mudei de cadeira. Dá pra dizer também que eu mudei de emprego. Depende da ênfase. Eu mudei de editoria, mas acho essa descrição técnica demais. Mudei de equipe, mudei de ares. Mudou bastante coisa. E minha cabeça tá um frevo.

Sexta-feira foi meu último dia no Link. E ontem foi meu primeiro dia no Paladar. E pra cada uma dessas frases há uma fileira enorme de coisas. Vou começar pelo que começa. Meu começo no Paladar.

Desde que o Paladar começou eu comecei a querer trabalhar lá. Eu saía da terapia, que era às quintas, passava na banca, comprava o Estadão e ia pra padaria tomar café da manhã e ler o Paladar. Tem uma jequice em pagar pau assim para um suplemento semanal de jornal, ainda mais quando você é jornalista e esse suplemento semanal é feito na sua cidade e você mais ou menos conhece as pessoas que fazem. Mas caguei pra jequice. E assumo que sempre paguei pau.

Então no primeiro dia (que na verdade não foi ontem, porque teve um primeiro dia antes do primeiro dia, mas eu não vou explicar que é pra não ficar confuso), quando eu li a coluna do Dias Lopes (aliás, hoje é aniversário dele, parabéns, Dias Lopes, muitas felicidades para você), eu fiquei tocada. Porque sempre li ela impressa, ‘fechada’, e um texto aberto, estourando, com viúvas, é mais, digamos, íntimo.

E quando a segunda coisa que eu fiz foi pegar um texto da Neide Rigo, que conheci há menos tempo mas que impactou radicalmente coisas tão importantes da minha vida como meus cafés da manhã (aprendi a fazer tapioca lendo o blog dela, o meu kefir veio da casa dela pelas mãos da Jana, e todos os dias de manhã eu como tapioca e tomo lassi feito com o kefir), eu assustei.

Porque o texto era gigante e a retranca não, e o texto falava de umbu, Uauá, bode, refrigério, caatinga, vinagre de umbu, almoço para o ministro e coisa e tal e tal e coisa e corta e corta e corta e corta. E doeu cortar. Mas acho que deu tudo certo. E quem quiser ler o texto inteiro (recomendo muito), a íntegra está no blog dela. (Falando em íntegras, a Belle, minha pen-pal também publicou a íntegra do perfil que fez sobre o Grant Achatz para o Comida no blog dela. Outra leitura que vale a pena).

Bom, são muitas coisas, que ainda estão sendo processadas, enquanto outras tantas vão entrando na fila de coisas e assuntos que eu vou aprendendo a cada conversa.

E isso sem falar de sair do Link… O Link, pouca gente sabe, é uma espécie experimento utópico operante. Quase tudo o que eu achava que a prática do jornalismo deveria ter mais, tem ali. E eu não vou nem tentar explicar, porque é difícil. Mas, em suma, a equipe do Link (e isso engloba as pessoas que já saíram e foram para outro lugares) trabalha de um jeito especial. E, de um ângulo mais pessoal, o Link me devolveu a vontade de fazer jornalismo, que vinha enfraquecendo, enfraquecendo, enfraquecendo…

Eu queria conseguir escrever um comentário sobre cada uma das pessoas de lá, pra deixar registrado esse momento para a posteridade. Mas eu não achei um tom que não fosse piegas. Então vou esperar um pouco para ver se a coisa, mais processada, ganha uma forma melhor.

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8 Comentários
por: Heloisa Lupinacci postado em: Papinho de portão tags: , , ,

8 Comentários

Comentário por gui
27 de março de 2012 às 14h54

é nóis, vizinha! =) suerte suerte suerte bj

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Comentário por Thá Albieri
27 de março de 2012 às 15h04

Helozita!

Lindo texto! Vida longa a vc no Paladar, no jornalismo e onde mais você quiser estar!
Beijos!
PS: a carta resposta da Isabelle e os textos sobre comida são sensacionais e imperdíveis, povo!!!!! Vale HIPER a pena não perder!

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Comentário por Belle
27 de março de 2012 às 16h43

:) obrigada, thá! <3

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Comentário por
27 de março de 2012 às 15h11

Parabéns, Helô! Que venham muitas garfadas e um constante e delicioso amadurecimento do paladar :-)

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Comentário por Belle
27 de março de 2012 às 16h42

Helozita,
vai ser uma delícia (um adjetivo cujo uso muitas vezes é cretino, mas desta vez é perfeito) ter vc pensando mais e mais e mais e mais no mundo da comida. tô muito animada pra sua nova fase e tenho muito orgulho de ter assistido você no link.
muito sucesso e diversão pra vc na nova fase <3

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Comentário por Lilian Ribeiro
27 de março de 2012 às 22h20

Parabéns pela mudanças toda, Helô!! Eu gosto muito da Paladar tbm, é muito bom saber que você foi pra lá!

Beijão!

P.S. – É a mãe do Lucio…rs

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Comentário por Thá Albieri
28 de março de 2012 às 17h21

De nada, Belle (olha a intimidade!)!!!!!

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Pingback por FYI: A cultura da aparência | Trabalho Sujo
15 de abril de 2012 às 9h35

[...] Helô deixou o Link para ir para o Paladar, mas arrumamos um jeito de continuar nossa indefectivel parceria – e a partir dessa sexta, eu e ela assinamos a coluna FYI semanal no blog do Instituto Moreira Salles. Para começar, misturamos Lana Del Rey com Nigella com Instagram com Adele com Foodspotting para falar do lado bom de vivermos uma época de aparências: Se a high society virou a Sociedade do Espetáculo e as redes sociais ajudam qualquer um a criar sua própria alta sociedade, é natural que a mudança de sentido do termo social venha acompanhada de uma preocupação exagerada com a aparência. Não que isso seja novidade na história da humanidade. Índios botocudos aumentavam os lábios, as mulheres gir afa da Birmânia alongam o pescoço e todo mundo se olha no espelho antes de sair de casa. Mas estamos assistindo a uma evolução da consciência da aparência que vem alinhada à possibilidade de mudar drasticamente como nos vemos e somos vistos – além de acompanhar a repercussão dessas mudanças quase instantaneamente. [...]

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