OEsquema

E falando de cornucópia

Michael Pollan’s Food Rules from Marija Jacimovic on Vimeo.

A Fátima Mesquita, minha primeira guia (e fundamental) pelo mundo das redações, postou no Face esse vídeo hoje, baseado no livro Food Rules, do Michael Pollan, que foi minha leitura recente mais impactante. Que saborosa coincidência.

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Control X, Control V

Eu tenho estado cornucópia

Desde ontem, eu mudei de cadeira. Dá pra dizer também que eu mudei de emprego. Depende da ênfase. Eu mudei de editoria, mas acho essa descrição técnica demais. Mudei de equipe, mudei de ares. Mudou bastante coisa. E minha cabeça tá um frevo.

Sexta-feira foi meu último dia no Link. E ontem foi meu primeiro dia no Paladar. E pra cada uma dessas frases há uma fileira enorme de coisas. Vou começar pelo que começa. Meu começo no Paladar.

Desde que o Paladar começou eu comecei a querer trabalhar lá. Eu saía da terapia, que era às quintas, passava na banca, comprava o Estadão e ia pra padaria tomar café da manhã e ler o Paladar. Tem uma jequice em pagar pau assim para um suplemento semanal de jornal, ainda mais quando você é jornalista e esse suplemento semanal é feito na sua cidade e você mais ou menos conhece as pessoas que fazem. Mas caguei pra jequice. E assumo que sempre paguei pau.

Então no primeiro dia (que na verdade não foi ontem, porque teve um primeiro dia antes do primeiro dia, mas eu não vou explicar que é pra não ficar confuso), quando eu li a coluna do Dias Lopes (aliás, hoje é aniversário dele, parabéns, Dias Lopes, muitas felicidades para você), eu fiquei tocada. Porque sempre li ela impressa, ‘fechada’, e um texto aberto, estourando, com viúvas, é mais, digamos, íntimo.

E quando a segunda coisa que eu fiz foi pegar um texto da Neide Rigo, que conheci há menos tempo mas que impactou radicalmente coisas tão importantes da minha vida como meus cafés da manhã (aprendi a fazer tapioca lendo o blog dela, o meu kefir veio da casa dela pelas mãos da Jana, e todos os dias de manhã eu como tapioca e tomo lassi feito com o kefir), eu assustei.

Porque o texto era gigante e a retranca não, e o texto falava de umbu, Uauá, bode, refrigério, caatinga, vinagre de umbu, almoço para o ministro e coisa e tal e tal e coisa e corta e corta e corta e corta. E doeu cortar. Mas acho que deu tudo certo. E quem quiser ler o texto inteiro (recomendo muito), a íntegra está no blog dela. (Falando em íntegras, a Belle, minha pen-pal também publicou a íntegra do perfil que fez sobre o Grant Achatz para o Comida no blog dela. Outra leitura que vale a pena).

Bom, são muitas coisas, que ainda estão sendo processadas, enquanto outras tantas vão entrando na fila de coisas e assuntos que eu vou aprendendo a cada conversa.

E isso sem falar de sair do Link… O Link, pouca gente sabe, é uma espécie experimento utópico operante. Quase tudo o que eu achava que a prática do jornalismo deveria ter mais, tem ali. E eu não vou nem tentar explicar, porque é difícil. Mas, em suma, a equipe do Link (e isso engloba as pessoas que já saíram e foram para outro lugares) trabalha de um jeito especial. E, de um ângulo mais pessoal, o Link me devolveu a vontade de fazer jornalismo, que vinha enfraquecendo, enfraquecendo, enfraquecendo…

Eu queria conseguir escrever um comentário sobre cada uma das pessoas de lá, pra deixar registrado esse momento para a posteridade. Mas eu não achei um tom que não fosse piegas. Então vou esperar um pouco para ver se a coisa, mais processada, ganha uma forma melhor.

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Demora nos comentários

Eu estou demorando para aprovar os comentários (e, arram, também para atualizar o blog).
Dos comentários, é que eu estava acostumada a receber avisos quando tivesse comentários novos e isso não acontece mais. Daí eu esqueço de vim ver se tem comentário novo. Desculpem. Das atualizações, a história é mais longa e jajá eu conto.

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Gaaato gato gato gato

A Tapioca, com o abacaxi, é a mãe da Shoyu, com a meia

Eu já tinha detectado que havia alguma coisa estranha no ar. Daí hoje, estava passeando pelos meus vizinhos de OEsquema e vi que o plano é maior. O alerta veio no post da Jô no Defeito:

“Dei para ter comportamentos estranhos. Comecei a postar fotos do gato em diversas poses de forma obsessiva. Tentei parar, não consigo. Cada fofura se transforma em algo necessário de registro, praticamente o desembarque das tropas aliadas na Normandia. Tico com os bichinhos. Tico dormindinho. Tico brincandinho. Mostro a foto do gato no celular quando tenho a oportunidade. Sou aquilo que sempre odiei.
(…)
Eu, que gostava de conversar sobre os rumos do mundo, agora só frequento blogs temáticos como “Gatos e Fatos”, “Felino Amigo” e “Meu xodó meu xodozinho”. Acompanho discussões sobre a funcionalidade da areia patagônica para o animal fazer xixi. É uma argila rara. Quando estou em casa com ele, falo com voz de palhacinho. A coisa não vai bem.
(…)
E juro, também, que um dia pretendo retornar ao mundo da normalidade.

Por enquanto, gato, leve-me ao seu líder!”

Idem, idem e miau.

PS: O título do post saiu daqui.

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O aleatório enciclopédico

A Enciclopédia Britânica foi impressa pela última vez. Agora, só em plataformas digitais.

Eu fico entre ir correndo comprar os 32 volumes (e dar um jeito de me livrar de 32 volumes das minhas lotadas estantes para dar lugar) ou comprar um tablet. E a última edição da enciclopédia é bem mais cara que um tablet, custa quase US$ 1.400.

Se o orçamento fosse irrestrito, comprava os dois (e contratava um marceneiro para fazer mais estantes). Mas danem-se as minhas contas. Quero falar de enciclopédias. Eu amo enciclopédias.

Elas trazem em si o mundo do acaso. São um livro mágico em que você pode ler sobre abdômens, Abraham Lincoln ou ábaco. Lá em casa não tinha Britânica. Tinha Conhecer e Larousse. E eu e meu irmão inventamos um jogo, éramos CDF, que funcionava assim: um cantava uma palavra e o outro tinha que percorrer a estante (que tinha outras coleções de biologia, história, geografia, nossos pais são CDFs também) e formular uma definição. Lembro direitinho de quando minha mãe ganhou um vaso de cyclamen e a gente descobriu que ele vinha da Pérsia, que precisava de sol e crescia de um tubérculo.

Anos depois, quando eu trabalhava no caderno de Turismo da Folha, sempre que alguém precisava tirar alguma dúvida enciclopédica e virava para o computador e começava a digitar Wikip… O editor do caderno, Silvio Cioffi, levantava apressado já com sua edição miniatura da Britânica, uma caixinha linda, com três volumes, e interrompia e ia abrindo e procurando a dúvida em questão dizendo que não dá, na Wikipedia não, tem a Britânica aqui, é menor mas é melhor. Eu adorava fuçar aqueles livrinhos, que tinham umas ilustrações delicadas e miúdas.

Daí esses dias, a gente publicou, no Link, um texto incrível do Evgeny Morozov sobre o fim do flâneur na internet. E o Luiz Américo contou que flana na Wikipedia. E é legal também flanar na Wikipedia. Ele resumiu assim: “Não é incrível começar lendo um verbete sobre pinot noir, ir pulando de link em link e acabar nos hititas?”. É lindo.

Mas aí ontem conversando sobre o fim da versão impressa da Britânica eu pensei no seguinte: uma coisa é ir para um link dentro de um verbete que, num primeiro momento, foi procurado com intenção. Outra é abrir o livro e cair num verbete como quem abre a Bíblia procurando uma luz. Abriu na página de Nsukka. E aprende que é uma cidade no estado de Enugu, na Nigéria. Onde vive o povo lgbo que cultiva milho, mandioca e inhame.

Eu nunca pensaria em digitar Nsukka.

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A revolução da salsinha

(A troca de correspondências continua. Hoje eu respondo a carta da Belle)

É mais ou menos por aqui

De Heloisa Lupinacci, São Paulo
Para Isabelle Moreira Lima, Chicago

Minha vontade é que mude tudo! Mudança é das minhas coisas favoritas. Gosto até de mudar de casa. Encaixota, fitacrepa, etiqueta. Carrega. Desencaixota, desetiqueta. E tudo que era meio velho fica meio novo. Aqueles móveis cansados ficam atordoados. A cômoda incomodada. É como aqueles suvenires de lugar com neve, que você chacoalha e a neve sobe toda e fica flutuando. Acho lindo.

Mas eu não quero mudar de casa que estou bem aqui. Queria, sim, que você mudasse, de volta aqui pra sua casa do lado da minha. Isso sim! Mas beleza, esse período em Chicago vai ser bom pra você, vai ser bom pro Chico, e, por consequência, pra mim, que estou certa de que você vai ficar muito amiga do Rahm Emanuel. Daí ele vem te visitar e você me chama pra tomar umas no baiano com ele. Aliás, faz isso com o Achatz também? (Aliás aliás, esse perfil que você fez para o Comida hoje parece amuse bouche: dá vontade de muito mais. Aposto que você deve estar aí se contorcendo com a dor de ser jornalista e escrever um texto enorme que precisou se encaixar num espaço que não era nem a metade do tamanho… eu passei por isso recentemente, fazia tempo que não acontecia. Adoro, com cada veia e artéria, o jornal impresso, dedo manchado, braço aberto pra virar a página. Mas bem que podia ter um ‘carregar mais parágrafos’ clicável no fim de cada retranca. Aliás aliás aliás, estou bem digressiva, esses dias ouvi uma história incrível. Vou contar e já volto pras mudanças)

Eu estava conversando com um mineiro das baixelas e ele me contou que na casa dele, todas as manhãs, o jornal era passado. Na tábua de passar roupa, com ferro quente. “Sem vapor, claro”. Havia um ferro específico para o jornal. A empregada abria a edição em cima da tábua e passava página por página. Disse ele que, com isso, o jornal não solta tinta e os dedos continuam limpos depois da leitura. Eu estou para experimentar. Deve ficar lindo o jornal todo lisinho.

Então voltando à mudança. Eu queria muitas. Mas queria muito uma:

Eu queria que todo mundo prestasse atenção ao que come. Que quando as pessoas abrissem o pote de iogurte de manhã, se perguntassem como ele foi feito. Como o leite virou iogurte. Como o leite saiu da teta da vaca? Como vive a vaca?

Comer está na moda, todo mundo vai aos restaurantes do momento, todo mundo sabe de vinhos tais e quetais. Mas e o pão nosso de cada dia?

Num segundo momento, queria que todo mundo de repente pegasse pra si alguns desses processos. Pão? Mistura a farinha com água, coloca o fermento, escolhe suas castanhas favoritas, vê o bichinho crescer, assar, dourar, queimar. Aprende o pão. É o iogurte? Descola um fermento e bastam 10 minutos por dia para ter iogurte fresquinho feito em casa diariamente. E aí você escolhe qual leite usar. E vê como tudo muda se o dia tá quente, se tá frio, se o leite é bom, se o leite é médio. E que se você coar, vira coalhada. Se coar muito e apertar, vira queijinho.

Aí, viria a revolução: todas as pessoas iam querer cultivar suas próprias cebolas, seu próprios chuchus. E iam arrumar cantinhos pela cidade para fazer hortas. No topo do prédio, no canto da varanda, no canteiro do condomínio. No teto da loja da frente, que fica ali só refletindo o calor do sol. E a cidade seria tomada por hortas. E se a minha horta desse muita beterraba e a sua estiver bombando de couve, a gente troca! Eu dou umas beterrabas pra você, que me dá uns pés de couve. E a gente se conhece e conhece aquele outro vizinho que deu de cobrir a fachada do prédio com lindos pés de maracujá!

Ok, talvez minha utopia roceira não aconteça e São Paulo não se transforme numa enorme fazenda… Mas essa minha sugestão é só um meio para um fim, para a mudança que eu quero e venho tentando fazer na minha vida: parar de consumir sem pensar. E não estou falando de bolsa cara, sapato de grife.

Estou falando de você ir ao supermercado e ter: frango.

Como assim frango? Queria que o consumidor do meu bairro, da minha cidade e, no limite, do Brasil, ficasse cricri e se perguntasse: como assim frango? Eu quero frango criado livre, quero frango caipira. Galinho carijó, galinha d’Angola. Pato, ganso, codorna.

É isso. E você tava achando que tava hippie demais porque queria um pouco mais de paz…

Beijo, que agora eu vou lá vestir meu poncho e tocar flauta de pan.

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Por que eu adoro morar na Santa Cecília

A loja de toldo azul é a bomboniére que vende saco de lixo

Porque depois de rodar diversas lojas de jardinagem, dessas enormes, e de chafurdar na internet, atrás de floreiras de 20 cm x 10 cm que não fossem pretas mas sim coloridas, eu passei na floricultura da Terezinha e em dois dias ela me ligou pra eu ir lá buscar um arco-íris de floreiras, na medida certa.

Aí o cartão não passou, porque a máquina de Visa dela tava com problema. E ela: passa aqui depois e paga.

Porque depois de rodar diversas lojas de jardinagem e de chafurdar na internet atrás de cactos bonitos, pequenos mas bem espinhentos (jajá explico porque), lembrei da lojinha de R$ 1 do largo Sta Cecília em que, sabe Deus porque motivo, sempre há pelo menos uma estante com as suculentas mais suculentas e os cactos mais cactáceos que eu já vi. A R$ 2, cada.

Porque no caminho pra casa, com uma caixa cheia de cactos na mão, eu vi um senhor saído de um filme italiano sentado no boteco nordestino comendo uma mocofava. Boina, óculos escuro, cabelo branco, suéter listrado. Se minhas mãos não estivessem ocupadas, teria tirado uma foto.

E bem quando eu pensava em tirar a foto, olhei pra frente e vi um cara vestido de Chaves. Do Chaves da infância. Com o chapéu cobrindo a orelha, a camiseta listrada e a bermuda, o suspensório torto e tudo. Ele parou na calçada e fez a pose do Chaves, aquela de quando ele trava. E lá ficou.

Eu subi a rua rindo, mano, que bairro divertido. E parei pra comprar saco de lixo na bomboniére. Ah, sim.

Porque na Santa Cecília a gente vai na bomboniére comprar saco de lixo.

E, como eu disse, eu tava carregando uma caixa de cactos, as duas mãos ocupadas. O moço já veio rindo, dá aqui a caixa, moça, eu vou guardar aqui no escritório. Peguei o saco de lixo e fui pagar.

- Oi, se o tamanho do saco de lixo estiver errado, posso trocar? Eu nunca sei se é 60 litros, 100 litros, 30 litros…

E o cara:

- Hm, poderia, mas só se a embalagem não estiver aberta.

Ficamos os dois pensando… Com a embalagem fechada eu não tenho como saber se o saco de lixo é do tamanho certo. Se abrir a embalagem e descobrir que está errado não posso trocar. Então a resposta é…

- Ah, quer saber? Abre o saco com cuidado, vê se é o tamanho certo, se não for, coloca direitinho na embalagem e vem aqui que eu troco.

Paguei e logo já apareceu o moço com minha caixa cactácea.

As jardineiras e os cactos são pra fazer essa linda barreira para as gatas não saírem pela janela,. Os cactos dessa foto ainda são os antigos. Os que comprei hoje são muito mais bonitos

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Na Tcheca

No ano passado eu fui à República Tcheca fazer uma reportagem sobre cerveja. O resultado saiu no Paladar há algumas semanas. Hoje, publiquei a versão redux (isso quer dizer: aqueles textos longos que os jornalistas escrevem mas que nunca cabem no espaço designado a eles) do texto no Drum Bun, o blog que criei com a Ana sobre viagens.

São quatro textos:

Pilsen, a Praga
Entre, sente e diga: Pivo!
Zatec: a terra do lúpulo e das casas com narinas
Em Chodovar, à moda antiga

Espero que seja tão divertido ler quando foi apurar e escrever.

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Guacamole

Incrível dica da incrível Thea

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O pior vilão do mundo

Você precisa muito saber quem é esse cara

Quem é o maior vilão do mundo hoje? O maior criminoso? O mais cruel e maldito de todos os seres humanos?

Eu entendo se você ficar na dúvida agora que o Kaddafi morreu. O Assad tá caprichando na síria para ganhar esse posto. Mas, na boa, esses dois são fichinha. E não sou eu que estou falando isso. Quem fala isso é a lista dos maiores criminosos do mundo do órgão responsável por levar essas pessoas a tribunais internacionais.

Quer saber em que lugar da lista o Kaddafi tava? VIGÉSIMO QUARTO. Tem 23 pessoas mais cruéis e malditas que ele. E se você acompanhou as notícias depois da queda dele, em que começaram a surgir as histórias de anos de abusos, imagino que a sua espinha esteja gelada neste momento ao saber que ela era só o vigésimo quarto.

A minha espinha está totalmente congelada.

Então vamos ao primeiro da lista. O mais cruel dos cruéis é Joseph Kony.

O que leva à segunda pergunta: quem é Joseph Kony? Ele é lider de um exército rebelde em Uganda. Ele sequestra crianças, transforma as meninas em escravas sexuais e os meninos em soldados. Eles são forçados a matar os pais e todo mundo mais que cruzarem pela frente. Baseado em que? Nada. Por quê? Por nada. Quer dizer, não há uma causa. Não é guerra étnica. Não é pela independência de um país. É só para ele continuar sendo líder.

Uganda. É lá que ele está. Uganda faz fronteira com o Sudão do Sul, o mais jovem país do mundo, criado depois de anos de guerra e crimes contra a humanindade. Uganda faz fronteira com Ruanda, outro país que foi palco de crimes contra a humanidade. O cara está lá barbarizando. A comunidade internacional dos escritórios da ONU quer o cara preso. Por que ele não está preso? Porque ele está na selva de Uganda e é difícil achar alguém na selva de Uganda.

Eles, lá em Uganda, precisam de ajuda, das coisas que os exércitos de outros lugares sabem fazer. Por isso, os caras da Organização Invisible Children conseguiram um quase-milagre. Eles tanto atazanaram Washington que convenceram o governo a mandar tropas para um conflito que não tem interesse nenhum para os EUA (não oferece risco ao país nem interesse a ele financeiramente). Um grupo de militares norte-americanos está em Uganda para dar assistência e ajudar a pegar Kony e levá-lo a julgamento.

Agora, acompanhe dois raciocínios meus:

1. A corrida eleitoral norte-americana já começou, certo? Certo. O Obama mandou essas tropas para Uganda em outubro. E já está dito que elas vão sair de lá até o final deste ano. O Obama, e eu sou obamete assumida, topou esse movimento inédito de mandar tropas para um país pelo bem do país, e, num sentido maior, pelo bem do que eu considero O Humano. Ele fez isso de livre e espontânea vontade? Não. Ele fez isso porque um monte de jovens se uniu e resolveu atazanar a vida dos políticos. Ele apenas cedeu à pressão. À pressão de quem mesmo? DE UM GRUPO (enorme) DE JOVENS.

Eu tenho um sonho. E nesse sonho uma medida como essa é alardeada aos quatro cantos. No mundo dos meus sonhos, uma medida como essa pode ser chamada de eleitoreira. Porque no mundo dos meus sonhos todo mundo vota por um governo que decide ajudar um país que não tem nada a ver com nada. Um pedaço de selva no meio da África. E isso num momento em que os EUA estão em crise. Em que o Irã e Israel se alfinetam. Em que a comunidade internacional está na dúvida entre apoiar ou não uma intervenção armada na Síria. Tudo isso serviria como (boas) desculpas para falar para os caras da Invisible Children: Crianças, eu tenho problemas mais sérios que Joseph Kony.

Vote Obama. Obrigada.

2. Em 2004, saiu o filme Hotel Ruanda, que contava uma parte da história do genocídio naquele país. O filme termina com uma tela preta com escrito dizendo alguma coisa como ‘não podemos deixar isso acontecer de novo’. Depois de Ruanda teve o Sudão. E isso só do que a gente sabe. Do que chegou no conforto das nossas casas via jornal, revista, YouTube etc. Eu sinto um grande desconforto por saber e admitir que é isso. Eu estou em casa, alguém me manda o vídeo que eu recebi hoje falando sobre o Joseph Kony e eu fico doida querendo que todo mundo comece a conversar sobre isso agora. Estou em casa, alguém me indica o livro O Que é o Quê, que conta a história de um menino no Sudão, e eu leio e fico doida querendo que todo mundo saiba o que aconteceu com o Valentino Achak Deng e seu país. MAS nesse vídeo de hoje o que os caras pedem é justamente isso.

Eles só querem tornar o Kony famoso. Querem que você e eu, que a gente saiba quem é o cara. Que a gente saiba que ele está em Uganda tornando o mundo um lugar pior. Por quê? 1. Porque precisa né? 2. Porque se a gente souber, aumenta a pressão para que ele seja preso e julgado pelos crimes que cometeu. E com mais pressão, maiores as chances de isso acontecer.

Então por favor, e eu nunca pedi nada nesse blog, veja o vídeo (é só clicar aqui). É meia hora. É bem longo eu sei. Mas é meia hora, vai. Veja o filme, conte para os seus amigos, explique para seus pais. Espalhe o vídeo na internet. Se você ficar envolvido, entre no site dos caras e veja como pode ajudar mais. Eu vou fazer tudo o que puder para ajudar esses caras. Eu prefiro viver num mundo em que o Kaddafi não é mais o vigésimo quarto pior criminoso. Mas, mais ainda, eu prefiro viver num mundo em que pior criminoso que existe é preso e julgado pelos crimes que cometeu.

Obrigada

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