OEsquema

Apanhado Soundcloud e Bandcamp (Vol.1)

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Tentando começar uma nova série semanal aqui no blog. O título é auto-explicativo.

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Ceticências – II

Second track from the EP “Branco” by Ceticências.
Ceticências is: Cadu Tenório & Sávio de Queiroz
Filmed and edited by Cadu Tenório

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Seixlack – Seu Lugar É O Cemitério

Artista: seixlacK
Selo: 40% Foda/Maneirissimo
Video : Jorge H. Loureiro
Ano: 2014

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Salvar o Plano B

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Como alguns de vocês ja devem saber, o Plano B está para fechar as portas.

Localizado na Lapa/RJ durante os últimos 10 anos, o Plano B foi loja de discos, espaço de shows e ponto de encontro de artistas cariocas, brasileiros e estrangeiros, geralmente ligados à chamada “música experimental”.

Concebido e produzido pelo artista e produtor Fernando Torres, o Plano B abrigou uma programação semanal, que incluiu cursos, workshops, mostras de cinema, entre outras atividades dedicadas a explorar esse campo em aberto que é a ‘música experimental’ e a arte sonora.

Tudo isso grátis, entrada franca, 0800, free total 100% gratuito.

Agora o Plano B precisa de ajuda para fechar enquanto loja, sem que as dívidas impeçam o Fernando de prosseguir seu trabalho.

Montamos uma equipe para viabilizar apoio institucional para a digitalização e catalogação do acervo, alem da continuidade das atividades do Fernando.

A vaquinha pode ser feita clicando aqui.

O pessoal que está ajudando concentra a comunicação nesse grupo do Facebook aqui.

Vamoquevamo!”

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Apostas para 2014

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O pessoal da Revista Elle me pediu dicas de atrações musicais que devem bombar em 2014 para a edição de janeiro. Mandei 08 nomes, mas acabaram citando apenas o Rio Shock. Reproduzo abaixo os nomes e textos completos que enviei pra eles.

SEIXLACK

seixlacK é meu produtor favorito do coletivo paulistano Metanol FM, turma que tem agitado a cena de bass music de São Paulo nos últimos anos e contribuído com a vocação da cidade de construir festas bacanas que acontecem na rua, de graça. Seu Lugar É o Cemitério é o título de seu mais novo EP, previsto para janeiro, que terá lançamento pelo selo carioca de house e techno experimental (uma das revelações de 2013, aliás) 40% Foda/ Maneiríssimo.

RIO SHOCK

Rio Shock é o mais novo projeto do carioca João Brasil. Acostumado a misturar música de tudo quanto é tipo em seus infames mashups, João decidiu agora misturar UK house a la anos 90 com o funkão carioca – algo que ele vem chamando de “deep baile”. Junto com os MCs Sabará e Dannie, o percussionista Junior Teixeira e o diretor artístico Filipe Raposo (material gráfico, vídeos, figurino e cenografia), o Rio Shock parece pronto para sair dos Bandcamps e Soundclouds da vida e ganhar os palcos do Brasil e, porque não, do mundo.

HAPPA

O que vc fazia com 16 anos de idade? Pois com apenas (!) 16 anos de idade, Samir Alikhanizadeh, de Leeds, na Inglaterra, produz techno de alta qualidade sob o nome Happa. Seus dois singles para os selos Church e Boomkat Editions comprovam que o hype em torno do seu nome é mais do que justificavel. Não é um exagero dizer que Happa vem fazendo uma das músicas mais excitantes, originais, bass heavy e fora do quadrado da atualidade. Seu trabalho combina a estética brutalista do techno com a sonoridade sônica da bass music inglesa, se aventurando inclusive pelos terrenos mais sombrios do industrial, do noise e da música hipnagógica.

OPALA

O carioca Opala passou este ano pelos festivais Coquetel Molotov em Recife, e Eletronika em Belo Horizonte. Tocou no Bar Riviera em São Paulo, e no Studio RJ, no Rio. Ou seja, eles já são um nome conhecido no cenário indie nacional. Mas depois que esta dupla formada por Lucas de Paiva e Maria Luiza Jobim (sim, ela é filha do maestro supremo) for morar em Nova Iorque no início de 2014 para gravar seu primeiro álbum cheio, aí eu quero ver o tamanho do auê.

PRÍNCIPE DISCOS

Escolhi aqui falar de um selo ao invés de um artista. O Príncipe Discos é um pequeno label dedicado 100% a lançar música eletrônica contemporânea produzida nos subúrbios, comunidades, guetos e favelas de Lisboa, em Portugal. Basicamente, os artistas do Príncipe (DJ Firmeza, DJ Maboku, DJ Colt, DJ Perigoso, DJ Nigga Fox, DJ Noronha) fazem dance music com influências folclóricas da diáspora lusitana-africana, leia-se kuduro, batida, kizomba, funaná e tarrachinha.

JAI PAUL

O inglês Jai Paul é um velho conhecido de quem está ligado em novas tendências. Velho porque seus primeiros singles datam de 2007. Ao longo dos anos vieram outros por aí mas até agora ainda não conseguimos ouvir, em funções de leilões pelo seu passe, brigas contratuais e todo um clima de mistério (e muito marketing) um álbum inteiro (e oficial) desse cantor e beatmaker que com certeza vai explodir mundialmente.

FUDISTERIK

Se sobrasse tempo eu viraria imediatamente empresário e agente desse mineiro residente da bucólica Matias Barbosa. Um dos destaques da surpreendente cena eletrônica mineira (em geral estremamente psicodélica), Fudisterik começou a produzir de forma naif em 2011 e o resultado é completamente esquizofrênico e non-sense: mudanças de andamento bizarras, samples de percussão africana e brasileira e um quê de drama épico.

CLIPPING

Clipping é um trio de hip-hop não tradicional baseado em Los Angeles. Sua música não contém beats. Contém noise. MUITO NOISE. Com referências que vão de Death Grips a My Bloody Valentine, seu primeiro álbum, Midcity, arrancou elogios rasgados do jornal inglês The Guardian (“um álbum com momentos OMG”). E não é por menos. A música do Clipping soa tão ameaçadora quanto o mundo em que a gente vive hoje.

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O Estado da Arte: Música sem Fronteira

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Em pleno Natal, 25 de dezembro, curtindo um solzinho no sul da Bahia, recebo telefonema, SMS, mensagem de Facebook e email do Arnaldo Bloch me convidando para assinar o último texto, o 22º, da série “O Estado da Arte” do Jornal O Globo, mais especificamente sobre “música sem fronteiras”. Maior honra!

Para quem não acompanhou, “OEDA” reuniu artigos escritos por artistas, acadêmicos, críticos e gente dos bastidores, nomes como Christine Greiner, Luiz Ruffato, Wagner Moura, Leonel Kaz, Ailton Franco Jr., João Guilherme Ripper, Hugo Sukman, Ana Luiza Nobre, entre outros.

A série refletiu sobre diversos temas. Cito alguns. O cinema “fora do eixo”, pode conviver em paz com os sucessos da neochanchada? O que há no front dos sons, no imprevisível mercado da pintura, nas metamorfoses da dança, nos desafios da fotografia? Os musicais estão abafando o teatro alternativo e as vanguardas? Por que os curtas-metragens estão vivendo um boom? A ópera brasileira resiste, ou pior, ainda existe? O que é, hoje, um autor de livros em meio à babel das redes sociais? Como se configura a TV do futuro?

A íntegra do texto, que também saiu no online, segue abaixo:

O estado da arte
Chico Dub é idealizador do festival Novas Frequências

Os sons ao redor
Curador vê o Brasil, a médio prazo, como o centro da música avançada no continente

Notícias sobre a falência da indústria fonográfica são tão constantes nos últimos anos que viraram lugar-comum. Mesma coisa em relação à indústria do entretenimento musical: são festivais internacionais sendo cancelados, turnês de artistas “billbordianos” dando prejuízos faraônicos, e gigantescas empresas de eventos falindo em dois, três anos. Se está difícil para a música pop, imagina para a chamada música sem fronteiras e as diversas aventuras estimuladas pela vanguarda contemporânea? Um parêntese para lembrar que vivemos num país onde a canção reina absoluta (não à toa, nosso cantor mais popular possui o título de rei). Pois então, como é hoje o estado da arte desse tipo de proposta que passa ao largo da estética radiofônica e dos mercados milionários? Que utiliza os mais variados ruídos, barulhos, chiados, dissonâncias, microfonias e outros aparentes erros ou elementos não musicais como matéria prima? Que está mais interessado em compor texturas, ambiências e climas do que criar refrãos assobiáveis?

Que considera o computador como o instrumento mais completo e perfeito já inventado pelo homem? Que utiliza a voz como instrumento sonoro ao invés de instrumento retórico? Que desconstrói instrumentos musicais em função de criar novas possibilidades sônicas, que se utiliza dos sons da natureza e da urbe (os “sons ao redor”), que incorpora objetos do cotidiano ao seu backline? Que muitas vezes mais valoriza o improviso e a indeterminância do que o ensaio? A despeito dessa aparente estranheza, 2013 foi um ano ímpar para a música sem fronteiras no Brasil. Isso se deu em função de investimentos através de leis de incentivo à cultura, verbas de marketing direto da iniciativa privada, ações sem fins lucrativos e, claro, devido à coragem e ousadia de produtores culturais, curadores e gestores de casas de show e centros culturais. O principal palco da cidade para esse tipo de proposta, abrigando desde artistas locais a bandas e projetos internacionais, é sem dúvida o Audio Rebel, o nosso Café Oto. Só para ficar com os superstars (acreditem em mim, dezenas de shows aconteceram neste pequeno palco em Botafogo), o Rebel programou a saxofonista Matana Roberts e o baterista Paal Nilssen Love, dois dos maiores músicos de jazz do mundo. Também passaram pela casa músicos das festejadas bandas Tortoise e Wilco em apresentações solo.

Não é de hoje que o Rio de Janeiro vem produzindo música experimental de qualidade. E uma das coisas mais legais que têm acontecido nos últimos meses é a parceria entre músicos, bandas, curadores e produtores artísticos. Mas o que mais me chamou a atenção neste ano foram eventos especiais, praticamente minifestivais, organizados por essa turma.

O Ruído reuniu no Audio Rebel, em um domingo de dezembro, nove bandas de noise e industrial. Também em um domingo, dessa vez em setembro, no estúdio de criação SuperUber, oito artistas se apresentaram com o “objetivo de celebrar o momento histórico que vive a música contemporânea do Rio, onde os sons mais experimentais e vanguardistas vêm saindo dos guetos e ganhando o público e a atenção da mídia em geral.” Durante o Circo Digital, em novembro, a produtora Quintavant comemorou seu terceiro aniversário em pleno Circo Voador com “quatro combos reunindo artistas significativos do panorama experimental carioca, em quatro apresentações exclusivamente desenvolvidas para o evento”.

Além dos eventos mencionados acima (e muitos outros a nível nacional que não poderei citar infelizmente por falta de espaço), tivemos um festival em maio no CCBB (Admirável Música Nova) e uma série de podcasts com os grandes nomes da arte sonora do país (Rodolfo Caesar, Guilherme Vaz, Chelpa), uma produção com a chancela da feira ArtRio. E, finalmente, o Novas Frequências, festival cuja terceira edição foi um sucesso absoluto. Vendeu todos os ingressos para os seis dias de shows no Oi Futuro Ipanema em menos de quatro horas e conquistou o troféu de melhor festival de até 5 mil pessoas no Segundo Prêmio Noite Rio.

Ainda mais importante do que esses eventos todos talvez seja o fato de que a produção autoral de qualidade nunca tenha sido tão grande. Agora, falando do país como um todo, existem experimentos com eletrônica originalíssimos sendo feitos em Belém do Pará; o Rio de Janeiro tem produzido drone, noise, industrial, free jazz, música ambiente e house music com qualidade internacional; e São Paulo vem entortando a MPB e gerando música urbana de pista digna de lançamentos em Berlim, Londres ou Nova York.

Fico feliz de saber que em 2014, graças a uma iniciativa da Quintavant, a cinemateca do MAM irá ceder parte do seu acervo para artistas cariocas construírem ao vivo trilhas sonoras originais. E que o Auditório Guiomar Novaes, anexo da Sala Cecília Meireles, durante o projeto Vertigem vai abrigar propostas musicais inovadoras e sem regras. Mas ainda é pouco, muito pouco.

Para sobreviver (além da internet), esse tipo de proposta precisa de apoios constantes de verba pública e iniciativa privada. Não temos a nosso favor canais de comunicação de massa, rádios que operam sem jabá e gravadoras dispostas a encarar esse desafio. A saída é nos aproximarmos cada vez mais de institutos e centros culturais, museus e galerias — afinal de contas, somos muito mais conectados à arte de ponta do que à indústria do entretenimento.

Aliás, a arte contemporânea mundial nunca deu tanta importância para a arte sonora e a performance — as recentes exposições de sound art no MoMA e no Metropolitan, em Nova York, e a abertura do complexo de performances da Tate Modern (The Tanks), em Londres, comprovam isso. Os grandes museus e institutos culturais brasileiros, principalmente os mais novos, precisam entender que música, sobretudo esse campo que opera dentro da eletrônica (seja de pista, de headphone ou de concerto), da música de improviso, e da sound art, também é arte contemporânea. As exposições de arte do CCBB são das mais visitadas do mundo. Tenho certeza de que a belíssima expo de Julio Le Parc na Casa Daros também irá bater todos os recordes de público.

Inhotim é tão grande que virou passeio turístico: parece que a seleção argentina de futebol está programada para conhecer o instituto durante a preparação para a Copa do Mundo. Da mesma forma, acredito piamente que uma programação musical ousada dará retorno de público e crítica a esses espaços. A formação de público e a capacitação cada vez maior de nossos artistas (com bolsas, residências, verba para projetos comissionados, pesquisa e viagens internacionais) podem transformar o Brasil em médio prazo na principal base investigativa da música sem fronteiras na América Latina e num centro exportador de novas ideias musicais e sonoras para o mundo.

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As 13 melhores coisas de 2013 por Chico Dub

13 – #bondedoscamisapreta aka Black Sabbath, Metallica e Stephen O’Malley

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Três dos melhores shows que fui esse ano foram de artistas absolutamente fundamentais para a história do heavy metal.

O mais importante deles, o Black Sabbath, fez um show primoroso na Praça da Apoteose, de chorar de tão bom. Foi sem dúvida a melhor apresentação que vi em 2013: metal, stoner, sludge e doom soando atuais como nunca.

O Metallica é a minha banda favorita da adolescência e eu só tinha até então assistido eles ao vivo uma vez, lá no campo do Flamengo, em 1999. Em 2011, com o ingresso na mão, me deu uma preguiça danada de encarar a maratona Rock in Rio e amarelei. Ressultado: vi pela televisão e me xinguei de burro durante 30 dias seguidos. O show de 2013 foi campeão, com vários clássicos dos primeiros 4 álbuns, rodinha de pogo e amigos das antigas reunidos.

Finalizando com o Stephen O’Malley, metade da dupla Sun O))). Já o tinha trazido ao Brasil em 2012 para o Sónar São Paulo, só que com o projeto KTL. Dessa vez trouxe ele para um concerto de guitarra minimalista como parte do Festival Novas Frequências. Uso aqui as palavras do guru Maurício Valladares para descrever a experiência: durante uma hora, stephen o’malley lançou ipanema (inteira) nas profundezas dos sons mais escabrosos já ouvidos no berço da bossa nova! barra muito pesada… ALTO para meirelles! a pressão foi tão violenta que teve gente baixando emergência depois do terremoto.

12 – Os primeiros três volumes da série Hy-Brazil

Hy Brazil Vol 1

Em março, abril e maio, lancei os três primeiros volumes da Hy-Brazil, série de coletâneas que tem como objetivo mapear e divulgar a nova música produzida no país. Foram ao todo 42 faixas inéditas de 42 artistas. Saiu no Globo, no Estadão e em diversos blogs e sites gringos, como Dummy, Resident Advisor, Spin, Tiny Mixtapes e Fact.

Hy Brazil Vol. 3 (More) Fresh Electronic Music From Brazil 2013

1 – Fudisterik – Calango
2 – Paulo Dandrea – Macaco Azul
3 – MJP – Emx1 Error
4 – Droid-ON – Auto Discord
5 – Taksi – Nananananananana
6 – oscilloID – Blau
7 – Thingamajicks – Priceless
8 – akaaka – JHW-122
9 – Catacumba – Urubu
10 – Epicentro do Bloquinho – 2303
11 – grassmass feat. INKY – Inaccessible
12 – Opala – Make It Shake
13 – Vekr – Razor In The Flesh
14 – Viní – Santa Teresa

Hy Brazil Vol 2: New Experimental Music From Brazil 2013

01 – Sobre A Máquina – Aldeia
02 – Gimu – In Tatters Again
03 – Babe, Terror – C’mon Breakfest
04 – DeCo Nascimento – Queimo
05 – Iridescent Life – No Ouvidor
06 – The Industrialism – Earth Ink
07 – Camel Heads – Red Firefly
08 – Barulhista – Giss
09 – Satanique Samba Trio – Pipocalipse
10 – Keroøàcidu Suäväk – Binga Miocórpio
11 – DEDO – Indonesia
12 – Duplexx – Capilar
13 – Chinese Cookie Poets feat. Zbigniew Karkowski – LURK
14 – bemônio – dilecti laceratione complevit

Hy Brazil Vol 1: Fresh Electronic Music From Brazil 2013

01 – Tropkillaz – Let the Ba$
02 – Soul One – Morfina
03 – CESRV – Walk Away
04 – Sants – Ollie Bob
05 – Pazes – Cendres
06 – Jaloo – Pa Parará
07 – Strausz – Me Ama feat. Kassin
08 – OMULU – Fire Eagle
09 – Psilosamples – Amélias Polaminesas
10 – DJ Guerrinha – Pra Que Ter O Alvará Se Você Cega Eles Com Luz Strobo
11 – People I Know – Dedicado Ao Meu Primo Tomás
12 – Bruno Real – No Concreto, A Flor
13 – seixlacK – Baoding
14 – Leo Justi – O Invasor (Baile Metal)

OBS: o 4º volume da série deve ser lançado até março de 2014. Será dedicado a canção.

11 – Cesena no Festival Panorama de Dança (Cidade das Artes)

Cesena é uma produção da compania de teatro belga Rosas (da coreógrafa Anne Teresa de Keersmaeker) com o grupo vocal especializado em cantos medievais Graindelavoix. Junto com o show do Stephen O’Malley, foi a experiência mais visceral que presenciei no ano. Metade da obra se dá no escuro total, o palco é totalmente nu e não há nenhum instrumento sendo tocado a não ser os sons produzidos pelos bailarinos. De arrepiar.

10 – Antimateria, Ruído e Quintavant no Circo

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Não é de hoje que o Rio vem produzindo música experimental de qualidade. E uma das coisas mais legais que tem acontecido nos últimos meses são as parcerias entre músicos, bandas e produtores artísticos. Na Audio Rebel, palco master de tudo isso que tá rolando, as parcerias são constantes. Mas o que mais me chamou a atenção este ano foram eventos especiais criados dentro da Rebel e fora dela – praticamente mini-festivais.

O Ruído, organizado por Cadu Tenório (Sobre a Máquina, Ceticências, VICTIM) e J.P-Caron (-notyesus>, Epilepsia), “propõe a admitir e expor, juntamente a outros eventos, a existência de um intenso movimento no Brasil de criação de música experimental no contexto dos gêneros ditos noise e industrial”. O evento reuniu na Rebel em um domingo de dezembro, 09 bandas: Sleep of Ages, Afro Hooligans, Paralized Blind Boy, -notyesus>, VICTIM/Cadu Tenório, Sávio de Queiroz, Alexander Zhemchuzhnikov, DEDO e God Pussy.

Também em um domingo, dessa vez no espaço da SuperUber, estúdio de criação com foco em arte, tecnologia, design e arquitetura, 08 artistas se apresentaram das 18:00 a 0:00 com o “objetivo de celebrar o momento histórico em que vive a música contemporânea do Rio de Janeiro, onde os sons mais experimentais e vanguardistas vem saindo dos guetos e ganhando o público e a atenção da mídia em geral.” Com produção/ direção artística/ curadoria envolvendo Bernardo Oliveira (Matéria, Quintavant), Audio Rebel e euzinho, o Antimatéria teve -notyesus>, DEDO, bemônio, Sobre a Máquina, Negro Leo & Baby Hitler, Dorgas, Ceticências e Epicentro do Bloquinho.

Durante o Circo Digital, a Quintavant (Bernardo Oliveira, Renato Godoy do Chinese Cookie Poets e Pedro Azevedo da Audio Rebel) comemorou seu terceiro aniversário em pleno Circo Voador com “quatro combos reunindo artistas significativos do panorama experimental carioca, em quatro apresentações exclusivamente desenvolvidas para o evento. Propusemos aos artistas a elaboração de uma apresentação a partir do mote do festival: a CULTURA DIGITAL.” Se apresentaram: Chelpa Ferro + Ceticências; Giant Dubsteps + Alex Zhem & André Neme; Negro Leo & Baby Hitler + Leo Monteiro; DEDO + bemônio.

09 – Festival Novas Frequências

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Eleito o melhor festival do Rio de Janeiro de acordo com o Prêmio Noite Rio 2013, o Novas Frequências esse ano arrebentou a boca do balão. Organizado de forma a ter uma festa de inauguração no La Paz, dois dias de discussões sobre música contemporânea com 4 britânicos no POP e seis dias de shows com um total de 8 apresentações no Oi Futuro, o Novas Frequências provou mais uma vez que existe espaço para a música contemporânea de vanguarda na cidade.

08 – Wooble com Pearson Sound, Zed Bias e Horsepower Productions

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A Wooble é uma festa de bass music que 2013 em trouxe as três feras acima pra sua pistinha. Maximum Respect!

07 – Audio Rebel

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O Café Oto do Rio de Janeiro teve um ano de gala. Sem dúvida o espaço com a programação regular mais criativa da cidade. Não consegui ir em tudo porque o ritmo foi intenso, frenético, mas assisti coisas incríveis como: Zomes, Matana Roberts, dois dias de Paal Nilssen Love, sendo que um deles junto com o Arto Lindsay, o guitarrista do Tortoise Jeff Parker, Passo Torto em duas oportunidades, Negro Leo, Chinese Cookie Poets, bemônio, Porto, Guilherme Granado, El Diablo Es Un Magnifico, Frode Gjerstad Trio, Sobre a Máquina, Duplexx, Arthur Lacerda + Sávio de Queiroz + Cadu Tenório, LXMP…

06 – 40% Foda/ Maneiríssimo

epicentro do bloquinho na época que eles eram um trio (@ comuna)

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Difícil escrever sobre esses caras porque os releases são toscos/confusos e rolam vários “monikers” diferentes entre os artistas. É um selo de house e techno encabeçado pelo Gabriel Guerra vulgo DJ Guerrinha (do Dorgas) e o Lucas de Paiva (ex-SILVA, ex-Mahmundi, atual Opala) que foi formado a partir das jams com o projeto de Live P.A Epicentro do Bloquinho. Entre singles, Eps e jams transformadas em fita cassete, o 40% Foda/ Maneiríssimo lançou 7 trabalhos em 2013 e pelas conversas que tive com os meninos esse ano, os planos para 2014 são ainda mais ambiciosos.

Legal ver que o Epicentro deu uma rodada boa em São Paulo, invadiram festas maiores (como a Lenda, do pessoal da MOO) e que suas máquinas despertaram a vontade de mais gente fazer live em festas de eletrônica, tipo o Domina e o Catacumba (projeto solo do Luciano Oliveira, do The Twelves).

05 – Dia 08 de setembro aka “Invasão Gamboa” com ArtRio, ArtRua, Antimatéria e Bota na Roda

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O gigantismo da Art Rio (feira de arte conteporânea) tem inspirado ações paralelas e simultâneas por toda a cidade. Localizada no Cais do Porto da cidade, próxima da Gamboa, a feira esse ano teve a compania de um evento de arte urbana e música (ArtRua), outro de música experimental (Antimatéria) e uma festa muito louca com DJs, projeções, instalações e intervenções em um galpão abandonado (Bota na Roda). Todos os eventos citados acima estavam em distâncias facilmente percorríveis a pé e quem se deu melhor foi quem conseguiu ir em tudo.

04 – Julio Le Parc na Casa Daros

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Melhor exposição do ano. De longe! Arte cinética feita com luz, espelhos, pequenas engenhocas e movimento. O cúmulo da simplicidade!

03 – Itacoatiara

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34 anos de Rio de Janeiro e eu mal conheço Niterói. Nunca tinha ido a Itacoatiara, por exemplo! Shame on me!

02 – Viajar pra Europa com meu camarada Stro

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Rolezinho pelo Sónar Barcelona, alguns dias em Berlim e o motivo principal da viagem: participar de três atividades no c/o pop, festival muito bacana em Colônia.

01 – Karaokê na feira de São Cristóvão

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Programa mais divertido que esse não existe!

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Os melhores de 2013

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Os 30 melhores álbuns de 2013:

30 – Toro Y Moi – Anything in Return
29 – Frikstailers – En Son De Paz
28 – Passo Torto – Passo Elétrico
27 – Owiny Sigoma Band – Power Punch
26 – Gang do Eletro – Gang do Eletro
25 – Heatsick – Re-Engineering
24 – Follakzoid – II
23 – The Haxan Cloak – Excavation
22 – Julianna Barwick – Nepenthe
21 – São Paulo Underground – Beija Flors Velho e Sujo
20 – Group Rhoda – 12th House
19 – Huerco S – Collonial Patterns
18 – The Cyclist – Bones In Motion
17 – Oneohtrix Point Never – R Plus Seven
16 – Livity Sound (V.A.)
15 – Frisk Frugt - Dansktoppen Møder Burkina Faso I Det Himmelblå Rum Hvor Solen Bor, Suite
14 – Pantha Du Prince & The Bell Laboratory – Elements of Light
13 – Darkside – Psychic
12 – DJ Rashad – Double Cup
11 – Lonnie Holley – Keeping A Record Of It
10 – Mammane Sani et son Orgue – La Musique Electronique du Niger
09 – TM 404 – TM 404
08 – Dean Blunt – The Redeemer
07 – King Krule – 6 Feet Beneath The Moon
06 – The Stranger – Watching Dead Empires in Decay
05 – Jai Paul leaks
04 – Stara Rzeka – Cień chmury nad ukrytym polem
03 – Tim Hecker – Virgins
02 – Dawn of Midi – Dysnomia
01 – Forest Swords – Engravings

As 75 melhores músicas de 2013:

75 – Rio Shock – Surreal
74 – Jerusalem In My Heart – Ko7l El-3ein, 3emian El-3ein
73 – Meridian Brothers – Niebla Morada (Purple Haze)
72 – Ceticências – White Jacket
71 – Sants – Alone
70 – Ducktails – Tie-Dye
69 – Wild Belle – Love Like This
68 – Rabih Beaini – Maples and Rocks
67 – Bruh Jackman – Miss My Love
66 – seixlacK – Zintro
65 – Zomes – Time Was
64 – DEDO – Sad Ritchie
63 – Coyote Clean Up – The Least U Could Feel
62 – Bass Clef – Lower State Of Unconsciousness
61 – Sobre a Máquina – Baixio das Bestas
60 – Branko – Waves feat. Roses Gabor
59 – Murlo – Adder
58 – Dj Rashad – Pass That Shit
56 – Barn Owl – The Opulent Decline
55 – Moiré – Lose It
54 – The Haxan Cloak – The Drop
53 – Gang do Eletro – Só No Charminho
52 – Huerco S – Prinzif
51 – Daywalker & CS – You Only Live Once
50 – Follakzoid – Rio
49 – Omar Souleyman – Wenu Wenu
48 – Copeland – A&E
47 – MMM – Que Barbaro
46 – Sophie – Bipp
45 – DJ Maboku, DJ Lilocox, DJ Firmeza – O Vento Uma Verdadeira Amizade
44 – Demdike Stare – Eulogy
43 – Heatsick – Re-Engineering
42 – Julianna Barwick – One Half
41 – dBridge & Skeptical – Move Way
40 – Prurient – You Show Great Spirit
39 – Toro Y Moi – High Living
38 – Frikstailers – Otra Vez
37 – MMM – Casio Dub
36 – DJ Nigga Fox – Powerr
35 – Oneohtrix Point Never – Problem Areas
34 – The Cyclist – Visions
33 – Peverelist and Kowton – Raw Code
32 – Tessela – Nancy’s Pantry
31 – King Krule – Border Line
30 – Lonnie Holley & Mammane Sani Abdullaye – On My Way to Christmas
29 – Romare – Your Love (Time Was)
28 – Burial – Rival Dealer
27 – The Stranger – Spiral Of Decline
26 – Group Rhoda – Day Ruiner
25 – Dean Blunt – Two
24 – Dean Blunt – Need 2 Let U Go
23 – Mammane Sani et son Orgue – Lamru
22 – Arthur Joly – Só o Esquisitão Dança
21 – Darkside – Freak, Go Home
20 – Fudisterik – Calango
19 – São Paulo Underground – Evetch
18 – Pantha Du Prince & The Bell Laboratory – Particle
17 – Daniel Menche – Marriage Of Metals II
16 – Marina Rosenfeld feat. Warrior Queen – Hard Love
15 – Stara Rzeka – Cień chmury nad ukrytym polem
14 – Chrome Hoof – Varkada Blues
13 – Carmen Alves – Um Bom Natal Pra Ti
12 – James Blake – Life Round Here
11 – Frisk Frugt – Dansktoppen Møder Burkina Faso I Det Himmelblå Rum Hvor Solen Bor 1+2
10 – Concrete – Batillus (Andy Stott Remix)
09 – Vatican Shadow – Enter Paradise
08 – Lonnie Holey – Six Space Shuttles and 144,000 Elephants
07 – L.B. Dub Corp – Turner’s House
06 – Passo Torto – Isaurinha
05 – Jai Paul – 16
04 – Dawn of Midi – Dysnomia
03 – TM 404 – 203/303/303/SY1/TG33
02 – Tim Hecker – Virginal I
01 – Forest Swords – Weight Of Gold/ Thor’s Stone/ Gathering

Os 10 melhores shows de 2013:
(sem ordem particular e um hors concours)

1 – Black Sabbath @ Praça da Apoteose (outubro)

- Stephen O’Malley @ Oi Futuro Ipanema @ Festival Novas Frequências (dezembro)
- Tim Hecker @ Oi Futuro Ipanema @ Festival Novas Frequências (dezembro)
- Miles @ La Paz @ Festival Novas Frequências (dezembro)
- Arthur Lacerda + Cadu Tenório + Savio de Queiroz @ Audio Rebel (outubro)
- Beach House @ Circo Voador (agosto)
- Jurassic 5 @ Sónar Barcelona (junho)
- Nils Frahm: a tribute to Music for Airports @ Kleiner Sendesaal des WDR @ c/o pop (junho)
- Metallica @ Rock in Rio (setembro)
- Metá Metá @ Studio RJ (setembro)
- Paal Nilssen Love & Arto Lindsay @ Audio Rebel (julho)

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outros shows que poderiam estar na lista acima:

- Chelpa Ferro & Ceticências @ Quintavant especial @ Circo Voador (novembro)
- David Toop & Chelpa Ferro @ Oi Futuro Ipanema @ Festival Novas Frequências (dezembro)
- São Paulo Underground @ Oi Futuro Ipanema @ Festival Novas Frequências (dezembro)
- Matana Roberts @ Audio Rebel (novembro)
- Zomes @ Audio Rebel (março)
- Passo Torto @ Audio Rebel (julho)
- Diamond Version @ Sónar Barcelona (junho)
- Vatican Shadow @ Sónar Barcelona (junho)
- Liars @ Sónar Barcelona (junho)
- Epicentro do Bloquinho @ Cornucópia @ Fosfobox (abril)

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Quem é quem na 3ª edição do Novas Frequências

Tá chegando a hora! Faltam apenas 7 dias! 

_Lee Gamble_

Screen Shot 2013-11-23 at 3.15.18 PM

“rave fantasma”

No final da década de 90, Lee Gamble fundou o Cyrk, “coletivo de parahumanos responsáveis por música, mixes, design, eventos e happenings com aspecto irregular”. Enquanto discotecava em rádios piratas, foi produtor de programas pela Resonance 104.4 FM e editou, pelo selo Entr’Acte, trabalhos que transitavam pelos devaneios da non-music, entre os quais se destaca Join Extensions, de 2009. Ou seja, até meados de 2012, seu nome estava ligado ao surgimento de músicos e produtores europeus, preocupados em explorar as fronteiras entre o universo acadêmico da música experimental e a pós-rave da primeira década do século XXI.

Ocorre que em 2012, Gamble editou dois álbuns pelo selo alemão PAN que abalaram o universo da música eletrônica. Sintetizando samples e mixtapes extraídas de sua coleção particular, Diversions 1994-1996 lançou um olhar microscópico sobre os interlúdios silenciosos da jungle music, que resultou na elaboração de texturas ambient, batizadas adequadamente de jungle abstractions. No mesmo mês, editou Dutch Tvashar Plumes, suíte techno que invertia as premissas de Diversions: ao invés de reutilizar materiais antigos, buscar novas composições sobre uma tela em branco.

À semelhança do álbum Death of Rave, editado em 2006 pelo músico inglês Leyland Kirby, a imaginação de Gamble percorre grandes espaços abandonados, hoje assombrados pela ressonância sinistra das raves. Com seu techno fantasmagórico, Gamble evoca temas como tempo, espaço e memória, transcendendo a noção de “gênero” em direção a um território desconhecido.

DISCOS SELECIONADOS
Join Extensions (Entre’Acte, 2009)
Diversions 1994-1996 (PAN, 2012)
Dutch Tvashar Plumes (PAN, 2012)

_Heatsick_

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“plays himself”

DJ e produtor surgido em meados da década passada, Steven Warwick aparece primeiramente como um artista interessado em circular por muitas cenas. Com o pseudônimo Hungover Breakfast, editou cassetes devotados a gerar confluências entre o dub e o drone. Ao lado de Luke Younger (proprietário do selo Alter, que lançou de Hieroglyphic Being a ÈLG), formou a dupla Birds of Delay, aventurando-se na seara dos power electronics. Com o supergrupo Bird of Prey, uma derivação do Birds of Delay, investiu no metal às fronteiras do noise.

O lançamento de Intersex pelo selo alemão PAN de Bill Kouligas, coroou uma nova fase no trabalho de Warwick. O título se refere à obra do controverso sexólogo alemão Magnus Hirschfeld, que teria identificado semelhanças entre as atividades musicais e sexuais, dentro de uma escala constante de fluxo e deslizamento. O ritmo é ressaltado pelo verniz eufórico da pista de dança, temperado pela timbragem rarefeita das primeiras gravações eletrônicas (early electronics). Sob a influências do neo-classical de Roberto Cacciapaglia e da cultura house de Chicago, Intersex se coloca no ponto de convergência entre o psicodélico e o robótico, o nostálgico e o paródico, em extensos experimentos produzidos com Casiotone e pedais de guitarra.

DISCOS SELECIONADOS
Intersex (PAN, 2011)
Déviation (PAN, 2012)
Deviation Heat-Treated (com Sensate Focus, PAN, 2012)

_Miles_

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“nômade”

Antes de formar o Demdike Stare com seu parceiro Sean Canty, Miles Whittaker dividiu-se em uma longa lista de trabalhos e colaborações, gêneros e estilos. Produziu dub techno de timbres granulados sob a alcunha MLZ. Com Gary Howell, fundou o Pendle Coven, apostando em uma improvável combinação entre a regularidade techno e as distúrbios rítmicos da chamada IDM. Como Suum Cuique, fincou pés na fronteira tênue entre o drone eletrônico e o noise. Ao lado de Andy Stott, com o duo Millie e Andrea, produziu breakbeat, juke e até mesmo uma visão particular do “tamborzão” (que pode ser escutada em “Write Off”).

Miles vem percorrendo com ouvidos abertos o imenso território expandido das sonoridades contemporâneas. Seus discos autorais perseveram no imaginário mágico e ritualístico do Demdike Stare, mas enriquecido por uma intensa pesquisa cross cultural. Dela, Miles extrai um mundo de sons infinitos a partir de suas atividades como colecionador de discos, pesquisador e criador, seja inventando trilhas-sonoras para filmes inexistentes, seja revolvendo o hedonismo da pista de dança.

DISCOS SELECIONADOS
Facets (Modern Love, 2011)
Faint Hearted (Modern Love, 2013)
Unsecured (Modern Love, 2013)
MLZ – “Dark Days” (12”) (Modern Love, 2008)
Suum Cuique – Ascetic Ideals (Modern Love, 2012)

_Fudisterik_

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“fudistérico”

Mineiro de Juiz de Fora, Ricardo Cabral escolheu um neologismo insinuante para batizar seu projeto musical. São pequenas as chances de que as três primeiras letras não remetam ao sexo ou a uma situação negativa (“tô f…!”). Ainda mais improvável que o “isterik” não faça alusão à palavra “histérico” ou a um sentimento de euforia e desorientação. Residente da bucólica Matias Barbosa, onde, segundo o artista “a galinha cisca pra frente”, Fudisterik é mais um destaque da surpreendente cena eletrônica mineira. Em 2011, o produtor paulista Paulo Dandrea (com que divide o projeto Detuned Portable Studio) o convenceu a migrar para o Ableton Live e o ensinou regras básicas de produção. O resultado foi devastador. Divulgadas através de um prolífico Soundcloud, suas composições exalam ironia, transe e sexualidade, embaralhando de forma peculiar as prateleiras imediatistas do consumo tecnológico.

_Paulo Dandrea_

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“arvo partiu”

Aos 29 anos, o paulistano Paulo Dandrea exibe um curriculum vitae característico dos artistas contemporâneos. Fotógrafo profissional, baixista de bizarre-metal (?) do trio Tarja-Preta, produtor da música de elevador da banda Som Ambiente. Começa a produzir com ferramentas digitais em 2010, quando descobriu o computador e a internet, o que resultou no álbum Pineapple, lançado em agosto de 2012 através do Bandcamp. Trafegando pelo minimalismo tribal de “Diatonic Arrests”, até os arabescos percussivos de “Unidentified Flying Home”, Dandrea soube conferir forma própria a seus experimentos descompromissados. Como se pode perceber na vertiginosa “Arvo Partiu”, que se aproxima das recentes releituras do drum and bass, mas com uma nuvem espessa de sintetizadores. Além do trabalho solo, Dandrea se aventura no estúdio portátil com o Detuned Portable Studio, tendo seu “irmão musical e espiritual” Ricardo Cabral (Fudisterik) como parceiro.

_Demdike Stare_

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“filmes imaginários”

Paisagens, personagens, fluxos, catástrofes. O olhar inebriante de Demdike absorvendo a imaginação do ouvinte e, através de uma infinidade de sons — uma “biblioteca infinita”. O clima permanentemente sombrio, justificando o rótulo “dark ambient”. Os aspectos ritualísticos da música africana e oriental interconectados com o transe da pista de dança. Imagens distópicas de um futuro prefigurado nas imagens genéricas da library music. Trilhas sonoras dos anos 70 e 80, canto gregoriano, jungle, industrial, drone.

O nome escolhido por Miles Whittaker e Sean Canty para batizar a dupla que formaram em 2009, diz muito a respeito do tipo de experiência que se pode ter em contato com a música do Demdike Stare. Demdike (pseudônimo de Elizabeth Southern) foi considerada a líder das “bruxas” de Pendle Hill, em um dos mais célebres casos de punição por bruxaria do século XVII. Acusada por três assassinatos, morreu na prisão em 1622, antes de vir a julgamento.

Editados pelo selo Modern Love, a dupla se desdobra em outros projetos, tais como o Slant Azymuth e NeoTantrik, ambos ao lado do músico e produtor britânico Andy Votel. Também com Votel, a dupla dirige o selo Pre-Cert Home Entertainment, que edita vinis com tiragem limitada, dedicados a recriar “falsas trilhas-sonoras para filmes obscuros sobre ocultismo e terror, diretamente filmados em VHS” (“faux 70′s obscure occult/horror direct-to-VHS film soundtracks”).

DISCOS SELECIONADOS
Tryptich: Forest of Evil/Liberation Through Hearing/Voices of Dust (Modern Love, 2011)
Elemental (Modern Love, 2012)
Testpressing #001, #002, #003 (Modern Love, 2013)
Slant Azymuth (Pre-Cert Home Entertainment, 2012)
NeoTantrik – Intervisions (Pre-Cert Home Entertainment, 2013)

_David Toop_

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“oceano sonoro”

A obra de David Toop não se restringe à criação musical, entendida em sentido tradicional.

Como pensador da música, Toop elaborou um campo original de interrogações acerca das relações entre a música e a expansão do campo sonoro. Seus livros Ocean of Sound (1995) e Sinister Resonance (2010) são estudos incontornáveis acerca das mutações técnicas, estéticas e intelectuais que impactaram a criação musical nas últimas décadas.

Como artista, desenvolveu experiências a partir de uma interpretação particular da ambient music, plasmando suas ideias acerca da natureza “imersiva” do som em peças compostas com uma ampla variedade de propósitos. Esse ambiente de experimentação não o impediu de transitar também por diversas regiões do rock, do jazz, do dub.

O título de seu primeiro disco, lançado em 1975 pelo selo Obscure de Brian Eno pode servir como um indicativo: New and Rediscovered Musical Instruments, dividido com Max Eastley, um de seus mais constantes colaboradores. Seu último projeto — que resultou no álbum Sound Body, 2010 — foi resultado de três anos de estudos utilizando-se de tecnologia digital e técnicas de improvisação. Em 40 anos de carreira gravou álbuns autorais, escreveu livros, concebeu projetos de sound art e instalações sonoras, participou de inúmeras sessões de improviso, gravou field recordings, e se aventurou na produção de pop music, música para televisão, teatro, ópera e dança.

David Toop vem se dedicando a um exercício constante de problematização do “som”, considerado como uma instância mais ampla do que aquela que conhecemos tradicionalmente como “música”. Sua obra ilumina os caminhos pelos quais a música vem gradualmente incorporando elementos do ambiente e de sons considerados “não musicais”, tornando-se cada vez mais intensa e perigosa.

DISCOS SELECIONADOS
New and Rediscovered Musical Instruments (com Max Eastley, Obscure, 1975)
Circadian Rhythm (com Paul Burwell, Hugh Davies, Max Eastley, Paul Lovens, Paul Lytton, Annabel Nicolson, Evan Parker. Incus, 1980)
Buried Dreams (com Max Eastley, Beyond, 1994)
Spirit World (Virgin, 1997)
A Picturesque View, Ignored (com Scanner e I/O3, Room 40, 2002)
Wunderkammern (com Rhodri Davies e Lee Patterson, Another Timbre, 2010)

LIVROS SELECIONADOS
Rap Attack: African Jive to New York Hip Hop (Pluto Press, 1984)
Ocean of Sound: Aether Talk, Ambient Sound and Imaginary Worlds (Serpent’s Tail, 1995)
Sinister Resonance: The Mediumship of the Listener (Continuum, 2010)

_Chelpa Ferro_

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“descontrole”

Há quase 20 anos, o grupo carioca formado por Luiz Zerbini, Barrão e Sérgio Mekler é reconhecido pelas instalações e intervenções que desenvolve no território da sound art. Os limites do som e dos materiais empregados, tematizados através de objetos, instalações, vídeos, performances, discos (três até o momento) e demais circuitos intersemióticos. Um grande momento no trabalho do grupo foi “Autobang” (2002), no qual destruíam “percussivamente” um Maverick 74′, com o auxílio de Laufer, Dado Villa-Lobos, Domenico, Bacalhau e Leo Monteiro.

Propondo uma intervenção musical colaborativa, o Chelpa compôs seu terceiro disco com instalações sonoras, guitarras, bateria e outros instrumentos. Chelpa Ferro 3 privilegia o aspecto sonoro das obras em interação com o improviso de instrumentistas familiarizados com as propostas do grupo. O som é como que destacado das obras para funcionar como parte da instrumentação, combinado às participações de Arto Lindsay, Pedro Sá, Kassin, Jaques Morelembaum, Berna Ceppas, Chico Neves e Stephane San Juan.

A apresentação ao lado de David Toop não poderia vir em hora mais propícia. Como Toop, a música do Chelpa abriga uma perspectiva entrópica, segundo a qual o som opera por deslocamento e descontrole. Assim como o Chelpa, Toop vem estudando formas de “improviso estratégico”. Toop investe em uma ambient improvisada, enquanto o Chelpa improvisa na trilha do noise, das dissonâncias e dos sons concretos. Quem pode se antecipar ao que resultará desse encontro?

DISCOS SELECIONADOS
Chelpa Ferro (Rock It! Records, 1997)
Chelpa Ferro II (Ping Pong, 2004)
Chelpa Ferro 3 (Mul.ti.plo, Brasil, 2012)

LIVRO
Barrão, Zerbini, Luiz e Mekler, Sérgio. Chelpa Ferro. São Paulo: Imprensa Oficial (IMESP), 2008.

_James Ferraro_

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“ferro velho”

No início de Weekend, certamente um de seus filmes mais corrosivos, Godard escreve no letreiro: “este filme foi encontrado no ferro velho”. A imaginação de James Ferraro parece seguir o mesmo caminho, construindo mosaicos com o ferro velho do mundo contemporâneo. Justaposição de simulacros. Pastiche. Loja de conveniência. Xerox music. Pós-tudo. Branding terror, branding error. Hipnose.

Compositor e produtor eletrônico nascido em Nova Iorque, James Ferraro integra uma infinidade de projetos, mas foi reconhecido primeiramente como membro do californiano The Skaters, editado pelo seu próprio selo, o New Age Tapes. As vigorosas construções contidas em seu álbum Far Side Virtual, lançado em 2011, renderam o reconhecimento como melhor disco do ano pela revista inglesa The Wire. Seus últimos trabalhos — a mixtape Cold e NYC, Hell 3 AM — indicam uma estranha guinada para a desconstrução do R&B. Ainda que as prerrogativas do chamado found sound sirvam de base para diversos artistas contemporâneos, Ferraro está entre os que operam esses sons de forma realmente original.

Distorcendo logotipos, aterrorizando vinhetas comerciais, Ferraro expõe todo o cinismo impessoal do signo publicitário, esvaziando sua função mercantil e vandalizando sua forma tosca. A matéria-prima é a própria realidade, cada vez mais atravessada pela tecnologia digital, pela publicidade, pelos gadgets virtuais e expressões meméticas.

DISCOS SELECIONADOS
Rerex 1 (Muscleworks, Inc., 2009)
Son of Dracula (Muscleworks, Inc., 2009)
Nigh Dolls with Hairspray (Olde English Spelling Bee, 2010)
Far Side Virtual (Hippos in Tanks, 2011)
The Skaters: Humming Lattice Flowers (com Yellow Swans, Collective Jyrk, 2004)
The Skaters: Dispersed Royalty Ornaments (Wabana Ore Limited, 2007)

_São Paulo Underground_

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“carnaval”

A música do São Paulo Underground segue os interesses múltiplos de seus integrantes. No primeiro álbum, Sauna: Um, Dois, Três, o noise e o espírito de improvisação livre, característicos da cena jazz de Chicago dos anos 90. O trompete versátil de Mazurek combinado às camadas concentradas de timbres acústicos e eletrônicos a cargo de Maurício Takara, se impunham através de uma beleza complexa e estranhamente acessível. Com o ingresso definitivo de Guilherme Granado e as participações de Richard Ribeiro (Porto), o São Paulo Underground abriu-se ainda mais para a intervenção dos timbres sintéticos. Desta relação nasceu um dos melhores discos do ano de 2008, The Principles of Intrusive Relationship. Os álbuns seguintes, Três Cabeças Loucuras e Beija Flors Velho e Sujo, derivaram para uma valorização dos sons acústicos e da música brasileira instrumental.

Mauricio Takara toca com o grupo paulistano Hurtmold, desenvolve um trabalho autoral com o M. Takara 3 e se distribui nas percussões, cavaquinho e eletrônicos. Guilherme Granado também integra o Hurtmold, faz parte do Bodes & Elefantes, toca teclados, sintetizadores, samplers e canta. Rob Mazurek toca trompete e opera uma parafernália eletrônica vintage, que conta com um delay analógico. A multiplicação de timbres sintéticos e artefatos acidentais convivem com a energia e a beleza dos temas compostos por Mazurek. Ao incorporar uma generosa diversidade de influências, a música do São Paulo Underground remete ao cromatismo delirante do carnaval.

DISCOS SELECIONADOS
The Principle Of Intrusive Relationships (Aesthetics/ Submarine, 2008)
Três Cabeças Loucuras (Cuneiform, 2011)
Alan Licht, Frank Rosaly, Jason Ajemian, Matthew Lux, Rob Mazurek, Steve Swell – Mandarin Movie (Aesthetics, 2005)
Hurtmold (Submarine Records, 2007)
Bill Dixon with Exploding Star Orchestra (Thrill Jockey, 2008)
M. Takara 3 – Sobre Todas e Qualquer Coisa (Desmonta, 2009)
Rob Mazurek & Exploding Star Orchestra – Matter/Antimatter (Rogueart, 2013)

_Gimu_

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“noite e neblina”

Como traduzir em sons a experiência das trevas e da introspecção? Graves monstruosos, dissonâncias sinistras, ritmos marciais estão entre os clichês do dark ambient. Porém, como em qualquer arte, não basta explorar os clichês. Convém ao artista que pretenda se destacar da média, ir além do que se espera e conferir estilo às suas experiências. Este é o caso do Gimu, projeto de drone, ambient, field recordings e sound-sculpting capitaneado pelo capixaba Gilmar Monte. Ex-membro da banda indie Primitive Painters e do projeto eletrônico Terrorturbo, Monte vem se mostrando um dos mais produtivos destaques da eletrônica brasileira.

Com mais de dezoito trabalhos editados entre 2010 e 2013 através do Bandcamp, Gimu também lançou álbuns por selos britânicos (Heat Death, Twisted Tree Line, Childrenplay, Rural Colours) e um cassete pelo brasileiro Toc Label (All the intricacies of an imaginary disease). Ao lado da poeta americana Emily Loren Moss Ferrell, assina o projeto Caterpillars Dressed In Their Finest, combinando poesia falada (spoken word) e texturas viajantes em modo new age. Em todos os seus trabalhos, Monte explora a música sombria com originalidade, lançando mão de grandes durações, com a intenção de descer aos recantos mais sinistros da alma humana.

_Stephen O’Malley_

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“monolito”

Músico e produtor influente e requisitado, curador do selo Ideologic Organ, designer de numerosas capas de disco (Oneohtrix Point Never, Boris, Earth, etc.), Stephen O’Malley acumula um volume de produção digno da palavra monumental. Não só em termos de volume de produção (sua discografia ultrapassa uma centena de discos), como também em relevância. Nascido em Seattle, Stephen O’Malley foi o mentor de bandas que expandiram as rígidas fronteiras do metal, redefinindo-o como gênero: Burning Witch, Khanate e, principalmente, o Sunn O))). Como integrante, participa de projetos igualmente desafiadores como o Æthenor. Com Peter Rehberg integra o KTL, sintetizando metal e abstrações eletrônicas. Acrescente-se as colaborações com Merzbow, Nurse With Wound, Boris, Jim O’Rourke, Oren Ambarchi, Melvins, além de instalações, performances, design e experimentações na área da dança, das artes visuais e do cinema.

Suas peças mais notórias podem ser comparadas a imensos monolitos construídos com a sobreposição de camadas de guitarras e contrabaixos distorcidos. O andamento lento e repetitivo favorece o transe e a suspensão da consciência. Incorporando elementos do drone e do transe psicodélico, O’Malley transferiu o peso das guitarras para o clima e o ambiente, redefinindo a fisionomia do metal na primeira década do século XXI.

DISCOS SELECIONADOS
Sunn O))) – Black One (Southern Lord, 2005)
Sunn O))) – Monoliths & Dimensions (Southern Lord, 2009)
Æthenor: En Form For Blå (VHF Records, 2011)
St. Francis Duo (com Steve Noble, Bo’Weavil, 2012)
KTL – V (eMego, 2012)
Nazoranai (com Keiji Haino e Oren Ambarchi, Ideologic Organ, 2012)

_Babe, Terror_

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“canibal digital”

“Babe Terror se mantém inserido na revolução contemporânea da Tropicália, canibalizando No Age, TV On the Radio, e Animal Collective, soando no entanto completamente brasileiro.” No artigo assinado em 2009 para o The Guardian, Alan McGee se mostrou impressionado com o trabalho do paulistano Claudio Szynkier, enaltecendo o lançamento de Knights (2012), editado pelo selo Phantasy de Erol Alkan. O que haveria na aparência diáfana de suas composições que pudesse lembrar o célebre grupo de artistas dos anos 60? Com suas releituras de clássicos imaginários, extraídos de fitas cassetes e VHS dos anos 80, o Babe, Terror foi considerado uma espécie de sintetizador cultural à moda dos tropicalistas. Utilizando-se de gravações de outros artistas como matéria-prima, Babe, Terror emite fotografias instantâneas recortadas de um delirante continuum sonoro.

_Tim Hecker_

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“retroalimentação”

Natural de Vancouver, Tim Hecker estudou acústica digital e software, até estrear na produção musical sob o pseudônimo Jetone em 2000. Desde então, vem compondo para diversas áreas, desde a dança contemporânea até instalações de arte sonora. Quando assumiu seu nome de batismo, passou a investir em um equilíbrio delicado entre lirismo e desorientação. Sua música pode ser comparada a uma paisagem sonora formada por texturas densas e nebulosas, elaboradas com a utilização de guitarra, pedais de efeito, sintetizadores e sistemas de retroalimentação.

Consagrou-se mundialmente em 2011 com o álbum Ravedeath, 1972 (Kranky), gravado numa igreja em Reykjavik, na Islândia. A gravação contou com a contribuição inestimável de um órgão de tubo, acompanhado por outros instrumentos. Para além de rótulos como ambient ou new age, o trabalho de Tim Hecker está inserido em uma reviravolta na música “imersiva” dos últimos 30 anos. Ao lado de nomes como David Toop, Christian Fennesz, William Basinski, entre outros, o trabalho de Hecker vem se destacando nesse panorama.

DISCOS SELECIONADOS
Radio Amor (Mille Plateaux, 2003)
Mort aux vaches (Mort Aux Vaches, 2004)
Harmony in Ultraviolet (Kranky, 2006)
An Imaginary Country (Kranky, 2009)
Ravendeath, 1972 (Kranky, 2011)
Virgins (Kranky/Paper Bag, 2013)


Maiores informações sobre o festival:

www.novasfrequencias.com
www.facebook.com/novasfrequencias


Os textos acima foram escritos pelo crítico de música e professor de filosofia Bernardo Oliveira.

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Pé. Boca. Orelha. (sobre o Festival Novas Frequências 2013)

Novas Frequências 3ª edição_eflyer completo

O que leva uma pessoa a sair de casa para assistir a uma performance musical nos dias de hoje? Com uma discoteca inesgotável a um clique, e a experiência da escuta disponível em todo tipo de aparato possível e imaginável, será que ainda faz sentido pagar (em muitos casos uma pequena fortuna) por um show? Enfrentar trânsito, passar perrengue em fila, para escutar música ao vivo?

Tenho plena consciência de que vivemos um momento chave para a experiência ao vivo. Ficou tão fácil e democrático produzir, divulgar e compartilhar música durante a “revolução digital”, que muitos artistas se tornam famosos antes mesmo de subirem ao palco pela primera vez. Passamos tanto tempo online com nossos fones de ouvido baratos, arquivando álbuns e faixas que nunca teremos tempo de escutar, que adentrar em uma sala escura, um anfiteatro ou uma grande área ao ar livre se tornou (de novo) algo mágico.

O Festival Novas Frequências foi concebido como um festival de música. Porém, é preciso atualmente oferecer ao público mais do que simplesmente um show. Para ser completa, a experiência de um festival  precisa obrigatoriamente tornar-se multifacetada, desdobrar-se em atividades que percorrem as diversas áreas da expressão artística contemporânea.

Dentro do universo da música experimental, da eletrônica de vanguarda e das novas tendências, os festivais que mais se conectam ao Novas Frequências são aqueles que se ambientam em múltiplas locações. Acredito muito em ações culturais site specific, no sentido do “evento certo no lugar certo”. Quanto mais venues em um festival, mais janelas exploratórias se abrem, mais possibilidades artísticas surgem. Por este motivo, além dos shows, o Novas Frequências abre espaço para uma pista de dança e uma série de conversações com os artistas.

Praticamente todas as atrações que passaram pelo festival trabalham com conceitos teóricos e códigos específicos em seus lançamentos. Sendo que muitos deles também desenvolvem outras atividades complementares ou em paralelo à música. É preciso uma bagagem cultural significativa para transitar por múltiplas plataformas. Para dar conta desse trânsito, vamos abrir espaço para que esses multicriadores revelem suas ideias e processos criativos através do Talking Sounds, uma parceria do Novas Frequências com o Transform, o programa de artes do British Council.

Em paralelo, o Novas Frequências vai mostrar que experimentação e pista de dança não são como água e vinho. Pelo contrário. Artistas ligados ao noise e ao industrial nunca produziram tanta música de pista como em 2012/ 2013. Ao mesmo tempo, produtores de house e outros gêneros associados à pista estão se aventurando cada vez mais pela seara do drone, da música ambiente e dos power electronics. E é por isso que também apresentamos uma festa especialmente voltada para as ‘novas frequências’ da pista de dança.

Saímos do nosso formato original, mas para ampliar interesses e atracões em direção a uma experiência expansiva. Abraçamos discussões teóricas sobre questões ligadas à música, ao som e ao comportamento contemporâneo. Apostamos em uma noite de eletrônica experimental, voltada para a pista de dança. No futuro, queremos muito mais: projetos comissionados, itinerâncias por outras cidades do país e pontes com festivais internacionais, instalações de arte sonora, publicações, residências, demostração das outras atividades de nossos artistas  — artes plásticas, design, dança, vídeo. Em relação ao Festival Novas Frequências, pego carona na expressão muito utilizada pelas companias aéreas: o céu é o limite. A brincadeira está apenas começando. Apertem os cintos.

Novas Frequências 3ª edição_eflyer La Paz

Novas Frequências 3ª edição_eflyer POP

Novas Frequências 3ª edição_eflyer Oi Futuro Ipanema

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