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Arquivo: dorgas

40% Foda/Maneirissimo

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Gabriel Guerra (DJ Guerrinha; voz e teclado do Dorgas), Lucas de Paiva (ex-People I Know, atual Pessoas Que Eu Conheço; ex-SILVA; atual Mahmundi e Opala), Lourenço de Paiva (Principe de Montreal; irmão do Lucas de Paiva) e Savio de Queiroz (De Queiroz; ótimo produtor de shows, faz comigo a série Cornucópia) são os quatro responsáveis pelo selo de house/ techno 40% Foda/Maneirissimo. Além do selo, eles (com a exceção do Lourenço, que mora no Canadá) também assinam como Epicentro do Bloquinho, que é um live (bem venenoso) cheio de máquinas analógicas.

Numa cidade totalmente dominada pela house de Wolf+Lamb, Hot Creations, Crosstown Rebels, Visionquest e afins, espero que haja espaço para o 40%/ Epicentro invadir. Eles são muito mais deep.

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Guerrinha – De Rosinha Falsificado Para Feirinhas Cinzentas (Os Pequenos Tijolos Da House Music)

Sob a alcunha Guerrinha, o Gabriel Guerra, do Dorgas, tem feito altos deep houses experimentais. De Rosinha Falsificado Para Feirinhas Cinzentas (Os Pequenos Tijolos Da House Music) é o nome do disquinho com duas faixas que ele acaba de lançar pelo TOC, o label do Cadu Tenório. Vem aqui e baixa que é coisa fina.

Reproduzo na íntegra o texto sen-sa-sio-nal que acompanha o EP. Muito gênio, o moleque.

Guerrinha apresenta:          
Texto acompanhante do EP
“De Rosinha Falsificado Em Feirinhas Cinzentas (Os Pequenos Tijolos da House Music)”
Lançado pela TOC Label no dia ??/??/2012

1. O Amadora de Confetees 12:01
2. A Catador de Smodees 13:00

Arranjado, gravado, mixado e falsamente masterizado por Gabriel Guerra entre maio e agosto de 2012.

OBS1:
Este texto não apresenta pretensões acadêmicas, apesar de haver certa polifonia.
OBS2:
Deve ter uns erros ortográficos e de semântica por ai, me perdoem. Este texto não fora revisado.

Antes de tudo, eu gostaria de agradecer ao Cadu Tenório, dono do selo TOC pela oportunidade, esse é o meu primeiro lançamento por qualquer tipo de selo, e sendo este voltado para sons drone/darkwave/doom, lançar um EP de deep house toma um apelo bem mais interessante, o que é a base desse lançamento. A ideia inicial surgiu de um antigo “disco edit” que eu fiz de “Vulcan Worlds” do Return To Forever e que eu pretendia lançar por algum selo de rock progressivo carioca. Os dois únicos selos que eu achei, o niteroiense Rock Symphony e o petropolitano Som Interior eram mais distribuidoras do que propriamente selos, eles nunca iam ter a cara-de-pau de pelo menos ouvir meu edit, quanto mais lançar… Soma-se isso ao fato de que design Geocities 1997 dos sites também não me agradava, não tive coragem nem de mandar. Joguei fora o edit, mas mantive a ideia, falei com o Cadu, ele topou, e aqui estamos.
Ao saber que ia lançar pelo selo TOC tentei me dar o trabalho de analisar um pouquinho a forma de pensamento desse selo e como a minha musica funcionaria dentro desse grupo, fica claro que house music no seu sentido mais puro (não quero incluir crossovers e adaptações do mercado indie) não tem a melhor reputação por esses nichos, incluir uma batida bate-estaca em uma faixa não seria o melhor dos convites, muito menos abrir o EP com uma. De certa forma, a mesma ausência de estrutura formal (verso-refrão) que existe nessa faixas e que poderia ser elogiada pelas pessoas desse selo pode gerar criticas pela forma que ela é tratada: uma vez que eu estou usando uma batida que não deve ser referencial/representativa das preferencias desse selo, pelo ao contrario, a musica dos artistas da TOC apresentam uma total aversão a qualquer musica que seja ligada a idéia de “dance music”. Tanto VICTIM! (TOC002), Gruta (TOC003), Bemônio (TOC004) e Gimu (TOC005) não apresentam batidas, ou se apresentam, são de forma bem mais esquisita ao tradicional tuntz tuntz). Vamos nos lembrar que Gilmar Monte, o Gimu, afirmou em uma entrevista para o Floga-que batidas são “ditadoras” e “tiram a atenção”… Quando eu li isso, foi a confirmação para eu finalmente poder aceitar a batida bate-estaca como um bom ponto de representação, e é assim que abre “O Amadora de Confetees”, algo que não era o mais habitual pra mim, pois na minha série de singles que eu lancei esse ano, Finalzinho Chegando, quase todas as minhas batidas eram simplesmente sampleadas de discos de jazz ou não eram tão “pedantemente house music*, muito pela minha preguiça em programar uma batida e pela minha ausência de interesse em ter “skills”/proficiência técnica nesse tipo de musica. Enfim, resumindo, essa é a primeira vez que a batida principal vem de uma bateria eletrônica que soa como a de selos de deep house do final dos anos 80/inicio anos 90 como Nu Groove e Strictly Rhythm (fase pré-1993), o fato da minha bateria eletrônica ser uma Roland R8 (“A” bateria eletrônica que estava em voga em 1991), pode ser levado em conta também.
Outro ponto que eu tentei abordar nesse lançamento é sexualidade, acho que fica bem claro para os poucos que me acompanham (meus amigos) o meu interesse por Terre Thaemlitz e todos os trabalhos dela/dele (seja como DJ Sprinkles, K-S.H.E. ou usando seu próprio nome), que de certa forma, sempre criticou os apelos humanistas-essencialistas nos processos de formação da house music etc, e mostrando como os modelos socioeconômicos de cultura dominante afetam o som e a forma que estes são produzidos, claro que dá pra fazer um parâmetro e chamar de Thaemlitz como alguém que só usufrui do materialismo histórico de Karl Marx, mas eu sempre gosto de ver o trabalho dela/dele em comparativo com os capítulos finais do trabalho seminal de Margaret Mead, “Sexo e Temperamento”, principalmente na analise de como limitações sociais cercadas pelo binarismo sexual se proliferam nas nossas vidas. Existe uma grande margem na abordagem dos dois autores: Mead  fala em caráter antropológico e ainda vê o sexo como algo possivelmente não politizado socialmente, enquanto que Thaemlitz esta usando áudio (principalmente no sentido de os seus samples apresentarem uma ligação histórica com o tema abordado) para mostrar essas barreiras e restrições, sem ter o menor interesse em apresentar uma resolução, afinal, a potencialidade do ser humano, algo bem característico ao tão-criticado humanismo ficaria muito presente nesse formato de produção. Ele/ela então acaba por trabalhar em cima dessas restrições para não cair nas armadilhas do que ele mesmo afirma como o maior marketing do capitalismo: Desejos e sonhos. Assim, os seus métodos de produção estão sempre incluindo referências de caráter sexualmente dubio (em ordem de confundir o ouvinte subordinado pelo binarismo sexual) ou vindo de processo com grande ligações ao tema (por exemplo, “Midtown 120 Blues” e “Sloppy 42nds” seriam os trabalhos de Thaemlitz que melhor analisariam a relação da house music nova iorquina com transgeneros). Como um bom amante das suas analises, tanto textuais como de áudio, eu usei essa dubiedade na formação dos nomes das faixas, da capa (feita pela querida Elga Libano, a qual eu nunca conheci pessoalmente) e nos pequenos samples vocais, que de primeira vista parecem vir de homossexuais, mas é puramente retirado de vídeos de piadas machistas no YouTube. É tanto thaemlitzianismo que alguns podem me chamar de “não-autêntico” e de estar roubando o trabalho dele, mas eu deixei bem explicito no nome primeira faixa do EP a minha “referencialidade”, e digo mais, no dia em que autenticidade for uma das categorias buscadas no meu trabalho, eu provavelmente vou estar considerando a morte. É dessas limitações sociais explicadas tanto por Mead quanto Thaemlitz e outros tantos que eu não citarei aqui que eu gosto de enxergar as coisas, o meu relacionamento com deep house atua de forma absurdamente diferente dos processos que originarão a deep house: Os ciclos sociais que minha música alcança (heterossexual, caucasiano, classe média)  até tem uma verve de cooptação bem grande com homossexualismo/”transgeneridade”, mas isso não significa que as raízes dominantes estão cortadas, isso vale pra mim também, é claro.
A TOC sempre utilizou de um certo nível de abstração/alienação social na sua estética, até mesmo a paleta minimalista e monocromática adotada pelo design do website pode ser vista como um exemplo. Tamanha minimização de detalhes me aparenta resultar em um maior foco na interiorização do relacionamento humano-música, no sentido de pessoas relacionadas com música em caráter direto, sem influencias exteriores. Eu gostaria de pegar duas frases que comprovam essa minha visão: Uma do próprio Cadu Tenório em entrevista ao Altnewspaper , aonde ele opina que música experimental seria “uma vontade de transcender as noções, de se expressar da forma mais nua possível. De ser livre de parâmetros rígidos”, a outra sendo a famosa frase de John Cage em The Future Of Music: Credo (como sabemos, Cage é um compositor com bastante influencia nesse meio em que Cadu e os outros artistas da TOC atuam), quando ele afirma que “o uso dos ruídos para fazer música continuará e aumentará até alcançarmos uma música produzida com a ajuda de instrumentos elétricos, que disponibilizará para fins musicais quaisquer sons que podem ser ouvidos”. Eu não vou tentar achar muito os pontos de ligação das duas frases pois são contextos absurdamente diferentes, mas ambas mostram o quanto as pretensões deles são as mesmas no sentido de não se adquirir de politicas, no caso de John Cage a um caráter físico, no de Cadu, um caráter emocional, ou quer dizer, um foco gigantesco em música per si.. que é engraçado porque se pegarmos por exemplo, a critica marxista de Fredric Jameson ao pós-modernismo em Post-Modernism: The Cultural Logic Of Late Capitalism,, quem está abdicando de importância do conteúdo e ignorando “alienações sociais” para ser simplesmente reprodução/representação nessa história sou eu, e não o Cadu, que racha uma opinião similar a de John Cage, que o próprio Jameson considera como musico precursor dessa condição sócio-cultural..
O trabalho de incluir um som não-usual a um grupo especifico sem parecer um trabalho descontextualizado acabou virando o rumo, e sem tentar soar ofensivo, pois estes estão me dando a oportunidade de lançar algo. Em “A Catador de Smodees”, por exemplo, a melhor forma de trabalhar seria usando samples que envolvessem o próprio ambiente da TOC para formar o tipo de deep house que eu gosto, somado ao meu “estilo de produção” (leia isso como “meus instrumentos”), logo, para esse trabalho eu usei samples de favoritos do Cadu, como Tim Hecker, Throbbing Gristle  etc. Para se encaixar nas minhas preferencias musicais, eu modifiquei eles de uma certa forma que é quase imperceptível reconhecer a fonte original, mas ter eles como base das faixas seria criar a limitação necessária para eu trabalhar em cima e fazer algo que eu gosto, isso é claro, somado ao já ditos uso de samples referidos a sexualidade.
Sendo a vagueza de informação um ponto indiretamente sugerido pela TOC, sexualidade obviamente não é uma questão muito levada em conta, a pergunta que fica é a de como se dariam as reações de um trabalho como esse a um nicho que não visa diretamente as relações sociais como primeira inspiração… o uso de um ritmo, samples, capa etc com essas referencias vai guiar ao que para essas pessoas? É  obvio que qualquer pretensão minha de controlar feedback seria ridícula (e pior ainda, “coisa de marqueteiro”), mas eu posso tentar examinar elas, eu posso “jogar as cartas na mesa”. O funcionamento desse EP não esta em ser um artigo sobre “sexualidade” ou “house music”, e sim em ser uma questão retórica para as politicas de um ambiente,  no sentido de “como vocês lidam com isso que raramente é apresentado?”,  a tentativa de identificação das regras criadas pelas preferencias oferecidas por esse circulo acabam por virar uma influencia. Somando essa “atenção as fronteiras”  com nossa clássica exposição a distribuição globalizada da informação (como dito, essa minha exposição pode ser vista no meu interesse por um estilo tão longe das minhas “raízes” como é a deep house) dá até mesmo para achar, se você realmente quiser usar essa palavra, uma “identidade”.
No final (e agora entrando em um caráter mais pessoal) é essa grande mistura de “não-consigo-fazer” com “não-gosto-do-que-isso-pode-representar” que acabam por virar um dos meus guias principais em quase todo o trabalho que eu faço, alguns chamam de “baixa auto-estima” e “preconceito” respectivamente, e meus amigos sempre me criticam porque eu levo muito em consideração aspectos não-musicais para dar minha opinião sobre alguma musica, mas acho que se nós não tomarmos as dores dos nossos cenários e mercados para produzir e ouvir musica, nós estamos de certa forma ignorando o lado social desses tipos de musica.  Eu ainda acho que a  stiaução em queprodução quase-masturbatória, (aonde o “fazer musica pelo prazer de fazer-la” vira a diretriz do individuo) se transforma em nossa principal forma de produção de musica deve ser traduzida como  uma vertente forte de lógicas capitalista-globalizantes que sempre descontextualizam, o que não significa que essa produção é pior (essa qualificação depende de gosto pessoal) ou tem menor valor “social” (pois, afinal, isso não esta nas mãos do produtor/artista/compositor, e sim da opinião publica), mas o individualismo presente nesse modelo de “fazer por prazer” pode ser apresentado como apenas uma alienação, como na descrição de Jameson para a globalização, aonde esta seria “uma espécie de ciberespaço na qual o capital dinheiro alcançou sua desmaterialização máxima”. A nossa subordinação aos métodos de produção já é existente e eu não fujo disso, minha critica não vai pra produção masturbatória, pois eu também a faço de vez em quando, o que eu quero dizer é que nós não somos tão autênticos assim, nós trabalhamos em áreas reguladas mais ou menos por regras dominantes, elas existem até mesmo onde se menos espera… Se vamos usar elas ou não, ai é outra história, mas elas existem da sua maneira em cada lugar, não existe “real escapismo” da formalização de um tipo de música se existe um mercado para isso, o meu EP acaba virando uma espécie de heterotopia para a TOC e adjacentes. 25 minutos de house music podem conseguir beliscar até quem esta tentando transgredir a musica por um todo, tudo depende se a noção de “mensagem” esta no feedback da estrutura e não na musica. Independente de se esse EP vai alcançar poucas pessoas, o certo é de que agora é com vocês.
Abraços,
Gabriel Guerra
gabrielguerra@globo.com
(21) 7128-1044

*
(Todas as batidas desse EP foram comprimidas até elas não aguentaram mais,. Inclusive, a parte do titulo do EP sobre “Pequenos Tijolos” é também uma referencia ao modelo “brick wall” de compressão. Apesar disso, essas faixas tem um volume baixo para quem fora tão comprimida, criando um paradoxo interessante em relação aos indiretamente-obrigatórias mixagens Pokemon “gotta catch ‘em all” da musica eletrônica atual, sempre comprimida, sempre alta…)

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Finalzinho Chegando – Cinco Décadas de Inação

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Top 10 janeiro 2012

Janeiro mal começou e amanhã já é fevereiro. Não consegui ouvir muita coisa no mês, mas acho que isso aqui foi o que mais chamou minha atenção.

The Caretaker – Patience (After Sebald)

Todo disco do Kirby precisa de bula para ser entendido por completo (isso não é uma crítica). Nesse caso, Patience (After Sebald) é trilha de um filme do diretor Grant Gree (doc. Joy Division) sobre o escritor W.G Sebald, mais especificamente sobre os conteúdos de Rings of Saturn, seu mais famoso livro. Aqui, ao invés de samplear e manipular discos antigos de 78 rotações de música de baile e jazz, Kirby descostrói a peça Winterreise (1927) do compositor austríaco Franz Schubert

Todd Terje – “Swinging Star (parts 1 & 2)”

Melhor faixa do ótimo EP It’s the Arps, todo ele trabalhado no lendário sintetizador Arp 2600. Mais um capítulo da saga disco espacial nórdica.

Gonjasufi – MU.ZZ.LE

Gonja é o novo Tricky, né? (isso também não é uma crítica).

Demdike Stare – Elemental

Dos 4 Ep’s que formam a série Elemental, só ouvi os dois primeiros. Por enquanto tá bem industrialzão.

Siba – Avante

“Siba troca a rabeca pela guitarra”. Ficou ótimo.

Lucas Santtana – O Deus Que Devasta Mas Também Cura

O melhor disco do Lucas, fácil. São 10 músicas, uma melhor do que a outra.

Air – “Moon Rock”

Air: Moon Rock
on Nowness.com.

Pequeno aperitivo de Le voyage dans la lune, trabalho inspirado no filme de 1902 dirigido por George Méliès e que é tido como o primeiro sci-fi movie da história.

Bonobo – “Eyesdown (Machinedrum Remix)”

Tô bem curioso pra ouvir o disco de remixes de Black Sands, o último do Bonobo (e o melhor dele em muito tempo). Com versões de faixas feitas pelo Floating Points, Falty DL, Cosmin TRG, entre outros, deve ser um discasso.

Eyesdown ganha aqui o tratamento juke/ footwork de Travis Stewart a.k.a. Machinedrum e Sepalcure (junto com Praveen Sharma).

Finalzinho Chegando – #1


Gostei bastante das duas faixas de #1, primeiro trabalho solo do guitarrista do dorgas, Gabriel Guerra. Parece que vem mais por aí – Gabriel em entrevistas tem prometido um single por mês. Olho no cara.

Benjamin Damage & Doc Daneeka – They!Live

Techno e house com temperos de UK funky e garage. Algumas faixas, mais pop, possuem a bela voz da inglesa Abigail Wyles.

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Festival Ponte Plural

Parceria entre o coletivo de empreendedores culturais integrado ao Circuito Fora do Eixo, Ponte Plural, e o estúdio/loja/casa de shows Áudio Rebel, o Festival Ponte Plural vai apresentar nos dias 12 e 13 de junho diversas bandas que se encaixam no guarda chuva do pós-rock. Maravilha!


12 de junho (domingo)
Fossil (CE), Nem Maçã Nem Pêra (RJ) e Dorgas (RJ)

13 de junho (segunda-feira)
Burro Morto (PB) Sobre A Máquina (RJ) e Avec Silenzi (RJ)

Confira o serviço completo aqui.

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