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O que está acontecendo comigo?


O primeiro CD que eu ganhei na vida (depois do da Eliana) foi Ten, do Pearl Jam. Eu tinhs 10 anos. A partir daí, seguiu-se uma bela estória de amor e ódio pela maior banda do mundo, que teve seu ápice num singelo pandeiro recebido (por mim) num show da banda em 2005, e depois entrou em decadência. Mas outro dia eu conto essa.

Junto com meu gosto pelo Pearl Jam, vieram Nirvana, Soundgarden, Chris Cornell, Screaming Trees. O Grunge, mas eu nunca gostei de chamá-lo assim. Mesmo quando eu usava camisa de flanela no calor dos trópicos, aos 13 anos. Eu sempre odiei esses rótulos.

Desde que comecei a freqüentar grandes shows, soube que era aquilo que eu queria pra mim. Assumi que meu grande objetivo de vida seria ir ao maior número de shows legais possíveis. Que esses eventos seriam a prioridade de minha mesada. Enquanto as banda snão vinham colecionava VCDs (e posteriormente DVDs) dos grupos que eu gostava e ficava assistindo. Cheguei até a elaborar uma lista mental de bandas-must-go. Shows que eu não poderia perder, nem que vendesse os CDs daquela banda pra ir.

Na época, a lista incluía Pearl Jam, Foo Fighters, qualquer banda com o Chris Cornell, o Queens of the Stone Age e qualquer banda que envolvesse os dois.

Anos depois eu comecei a ouvir música de viadinho e a lista aumentou consideravelmente. As prioridades se modificaram. Fora que o maior sonho da minha adolescência, ver um show do Pearl Jam, foi realizado. Três vezes.

Mas, neste ano, eu não honrei com o meu compromisso mental. Eu não tinha dinheiro? Pode ser que não tivesse, mas pra ser franca, um pouco de economia (plus uma ligação pra vovó) daria conta. Eu não fui fiel àqueles responsáveis por darem forma e conteúdo ao meu gosto musical e cultural. Eu fui infiel e mereço ser punida por isso – embora o arrependimento já seja um castigo suficientemente amargo.

Troquei um monte de gente pelo Planeta Terra (só com nomes novos e coisas que não me marcaram) e pelo Tim Festival (uma bosta). Troquei LCD Soundsystem, Incubus, Eagles of Death Metal e Chris Cornell por meia dúzia de macacos ingleses, meia dúzia de falsos ingleses de Las Vegas, mais uma menininha que canta de vestido e sabe falar palavrão. Chris Cornell, cara.

Eu posso me perdoar… posso me perdoar pelo LCD, que acho que vou ter chance de ver de novo, pelo Incubus, que nem é grande coisa embora eu goste, pelo Eagles of Death Metal. Mas pelo Chris Cornell, eu sempre vou me culpar por ter perdido o show do Chris Cornell.

2 Comentários
por: Ana Freitas postado em: Música, Pop tags: , , ,

2 Comentários

Comentário por Eric Franco
19 de dezembro de 2007 às 11h04

Eu dei uma brochada de show depois do TIM Festival. É por causa de experiências ruins como essa que eu percebo como estou ficando velho e que não tenho mais saco pra ficar tropeçando em gente bêbada e esperando nego entrar 1 horas depois do horário estipulado.

Eu também tenho a opção de ficar rico e sempre comprar ingressos vips, mas ficar rico sempre é a parte mais difícil.

Eu tava lendo o Popload e e o Lúcio já anunciou mais uma porrada de shows já no começo do ano que vem e ao que tudo indica os preços continuarão absurdos e eles vão continuar tratando a gente que nem gado. Sei que é muita prepotência minha, mas será que se nós fizermos um levante blogueiro alguma preces nossas seriam atendidas?

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Comentário por Enio
22 de dezembro de 2007 às 0h26

perdi Magic Numbers e outros que não lembro agora, mas vi Los Hermanos no Rio e Devo em Sampa.

não tenho do que reclamar. :)

li também a coluna do Lucio Ribeiro… tá dando medo de tantos shows no ano que vem e eu querendo estudar (ha ha, vai vendo).

pelo menos um tá garantido: Iron Maiden na Pedreira Paulo Leminski. lml

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