OEsquema

Arquivo: dezembro de 2007

Neo-utilidades internéticas

haha depois de milênios volto com duas EXCELENTÍSSIMAS dicas de sites

O quê pode ser definido também como o youtube dos seriados, é um site com a possibilidade de assistir TODOS os seriados online! Sem precisar de download! O grande problema é que você realmente precisa de um inglês bom, por que achar algum episódio com legenda em português é REALMENTE difícil!’

O Anywhere.fm te dá a possibilidade de armazenar TODAS as suas músicas online! É necessário se cadastrar no site e depois fazer o upload das músicas (que pode levar um tempo dependendo da sua conexão), mas além de poder armazenar todas as suas músicas você pode criar suas rádios online e ouvir suas músicas em qualquer lugar!

e para os malvados de plantão tem também o site www.whenwillamywinehousedie.com, em que é possível apostar em que dia e mês a nossa querida e talentosa junkie Amy Winehouse vai morrer. Ah! E o prêmio é um iPod touch! Agora é ver se vale a pena apostar na morte de alguém…

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Radar Cultura

O nome sugere uma coisa que capta e unifica freqüências, mas tem tanta coisa acontecendo e tanta gente falando que parece um paradoxo. Estou na inaguração do radar cultura, que é o novo projeto da Fundação Padre Anchieta (que reúne os canais de TV e de rádio), um lance de crossmedia e de convergência, essa coisa bem Web 2.0 (embora nem a Wikipedia saiba direito o que é isso).

O Radar Cultura é uma rádio colaborativa. Você entra, se cadastra e vota ou sugere novas músicas, discussões e podcasts. A parte legal é que o conteúdo é 100% produzido pelo público. A música mais votada entra lá na programação e pronto. Não há intermédio dos programadores da rádio. O projeto está no começo, mas a idéia me pareceu fantástica quando o negócio se popularizar. Pena que é só música brasileira, mas a nossa música dá conta da diversidade que esse tipo de rádio precisa, e iniciativas semelhantes – que permitam música estrangeira – podem surgir daqui pra frente. O importante é o primeiro passo.

Desde que comecei a trabalhar com tecnologia, comecei a ter a leve impressão de que eu era uma excluída digital. Hoje, durante o evento, tive certeza: parece que não, mas um blackberry, um celular multimídia, um notebook ou qualquer coisa portátil com internet podem fazer muita falta.

De resto, o importante é ser abraçada pelo Tom Zé e receber um ‘boa sorte’ dele. Acho que a sorte vem, nesse caso.

Ah! Pela falta, justamente, de um aparelho que dê conta das minha necessidades bloguísticas, as fotos vão ficar pra depois. Virei paparazzo de grandes celebridades blogueiras. Aguardem. =)

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Os 12 Pen-Drives

Texto um pouco grande pros padrões do blog, mas lá vai. É pra promoção do Blog do Becher, chamada Pen Drive do Senhor. Fazia um tempão que não escrevia ficção. Ficou meio viagem, mas foi meio cuspido, tipo… automatismo psíquico. Então valeu. Lembrando qu as pérolas da heresia podem ser encontradas em Jesus, me chicoteia. Lembrando também que eu não acredito nem desacredito em Deus. Só acho que, se ele existir, cooom certeza é um cara muito bem humorado e que sabe rir de si mesmo. =)

Dois mil anos tinham se passado e, se ele fosse sincero consigo mesmo, admitiria que pouca coisa tinha mudado. Ele tinha avisado o Cara que esse negócio de morrer pelos outros não tinha nada a ver. No começo, Jay C tentou dissuadí-lo. Achou que era só sadismo. Pregos nos punhos e nas canelas? Chicotadas? Caregar uma cruz morro acima? Pô. Ele era gente fina. Não tinha nada a ver ele pagar pelo pecado dos outros.

No fim, como ele não tinha muita opção, veio e tocou o puteiro – como ele gostava de dizer. Arranjou 12 puxa-sacos pra pagar pau pra ele e ficar dizendo por aí o quanto ele era foda. Aí, ele saía fazendo mágica: água em vinho era o preferido da galera dos butecos de Jerusalém, mas o lance de andar na água também era um dos mais pedidos. Daí ele operava os milagres e os discípulos saiam contando pra todo mundo. O papel dos 12 otár…, digo, apóstolos, era fundamental, já que naquela época a internet banda larga ainda tava sendo prototipada pelo setor de comunicações e tecnologia do paraíso e, pra galera se comunicar na Terra, só no boca-a-boca mesmo.

Só que o Cara queria que ele voltassee pra cá. Ele dizia que ia resolver alguma coisa, mas Jay C sabia que era só mais um lance de sadismo e tal. O Cara gosta de ver a reação dos humanos a esse tipo de coisa extraordinária. Ele diz que eles ficam pateticamente mais emotivos durante um período limitado de tempo. Fica se divertindo com as manifestações de alegria. Mais uma prova de que é tudo sadismo.

Ele ainda não sabia direito como morreria desta vez, mas o Cara tinha comentado que teria algo a ver com ele descobrindo uma maneira infalível e super simples de destravar o iPhone e ser perseguido por isso.

Jay C chegou aqui tímido. Pensou em ir a uns programas de TV, fazer parcerias com rappers de nomes parecidos e tal, pra divulgar e conseguir os outros 12 otários pra ajudá-lo na propagação d’A Palavra. Mas ouviu dizer que, se fizesse isso, não seria levado a sério (soube até de um tal de Inri Cristo, que ele jurava que não tinha nada a ver com ele, porquê aquele sotaque Aramaico era tãão out).

Em suas andanças (“não tinha medo tal João de Santo Cristo…”), Jay C acabou conhecendo uma galera que batia uma bola todo fim de semana no society do bairro. Como tinha um goleiro reserva eram 12 caras, e já que já tava todo mundo ali mesmo (e Jay C já tinha passado da sétima lata de Skol), ele acendeu um cigarro, disse que considerava muito todo mundo e que ficaria regozijado se eles pudessem ser os discípulos dele. Apóstolos ele achou estranho falar, porquê ninguém mais usava essa palavra hoje em dia. Ele queria se modernizar. Achava que era necessário para atingir as camada mais jovens – chegou até a pensar numa reunião com o Turco-Loco.

Bem, quanto ao convite, todo mundo aceitou, claro, porquê esse negócio de não aceitar Jay C sempre deu muito problema no Velho Testamento. Jay C ficou feliz bagaray (regozijado) e resolveu começar a operar a milagrada, pra ver se a galera ficava sabendo dele. O meia-esquerda sugeriu uma puta estratégia pro Jay C, um lance que envolvia blog+last.fm+twitter, imbatível. O centro-avante se comprometeu a postar todo dia e manter as relações na blogosfera saudáveis, pra galera linkar o Jay C e tal.

Dia desses, Jay C tava em casa ouvindo o CD novo do Nine Inch Nails (ele é fã) e resolveu dar uma pesquisada nas letras. Descobriu que os caras da banda tinham tido uma puta idéia de divulgação: colocar as músicas em pen-drives e largá-los por aí. “É isso!”, pensou Jay C. A estratégia, combinada com mensagens meio misteriosas em lugares bizarros, formou um grande viral. Era isso que ele ia fazer.

Jay C dispensou os discípulos e resolveu comprar 12 pen-drives para substituí-los na propagação d’A palavra (muito mais eficientes, aliás). Hoje, ele paga para colocar frases misteriosas e indecifráveis em outdoors vermelhos (tipo “A TELEVISÃO É A IMAGEM DA BESTA”, ou “TERRA FERIDA, CANAL DENTE DÓI CORPO REAGE” e “Cabelos Neve Médio Rosto JESUS Uma Olhos Azuis Luz”) enquanto espera que alguém ache um dos 12 Pen-Drives, leia o outdoor, junte as duas mensagens e entenda o que ele quis dizer. Ele não entende, contudo, porque só deu certo com o Nine Inch Nails.

Imagens do Google Images. Nunca tirei uma fotos desses outdoors porquê sempre passo de carro e nunca tá trânsito ali na Bara Funda onde tem um. Mas amigos da internet já tiveram a idéia.

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Automatismo psíquico…

…é o nome de uma característica do Surrealismo, uma vanguarda (nesse caso, literária) sobre a qual aprendi no segundo ano. Nunca me esqueci do termo, que significa, na verdade, ‘escreva o que vier na sua cabeça’. “Automatismo psiquíco” É também o tema deste meme, para o qual o Marcus, d’O Grande Abóbora, ‘me convidou’ (depois de eu dizer que tava com preguiça de fazer).

Uma hora: 00:12
Um astro: Eddie Vedder
Um móvel: criado-mudo
Um líquido: alvejante
Uma pedra preciosa: esmeralda
Uma árvore: cidreira
Uma flor: rosa
Um animal: macaco
Uma cor: verde
Uma música: The Pretender (Foo Fighters)
Um livro: 1984, do George Orwell
Comida: alface
Um lugar: Londres
Um verbo: fazer
Uma expressão: por baixo dos panos
Um mês: agosto
Um número: 37
Um instrumento musical: violino
Uma estação do ano: primavera

Editado: esqueci de convidar outras pessoas. Mas comigo não tem essa de convidar… (desculpa de quem não conhece ninguém na blogosfera pra indicar). Então, se vcê tiver um blog e quiser postar, só manda o link pra cá depois que a gente publica. =)

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O blog das coisas esquisitas

Antes da internet, quando a gente queria saber sobre pessoas esquisitas e habilidades bizarras, a gente lia no Guiness Book. Mas, felizmente, a rede nos traz essas coisas sem que façamos muito esforço.

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David Allen Bawden, na lista de pessoas mais estranhas do mundo, se auto-proclamou
Papa Michael I. O pior: o nome dele é DAVID!

Por dica do MyPix.com, cheguei no Oddee, um blog que reúne listas de bizarrices. Tem pessoas com mamilos nos pés (!), um homem que viveu durante muitos anos com o irmão gêmeo dentro do estômago e coisas mais light, pra quem não tem sangue tão forte, como anúncios em lugares nada a ver, pessoas engraçados e coisas caras de que você nunca vai precisar.

Dá pra perder umas horas, fácil.

Materinha no site da Pc Mag fala sobre a mais recente invenção que-todos-queremos-ter e que é promessa de um dia revolucionar-nossa-maneira-de-se-locomover. Ou não.

Sabe o Jetpack? Não? São aquelas mochilas voadoras que a gente vê nos filmes, nos quadrinhos e nos desenhos a milianos, aquelas que todos nós sempre quisermos ter. Bom, inventaram uma. Que funciona.

Faz 16 Km de cada vez e anda com combustível de jato (de jatinho, não que o combustível sai à jato ou algo assim). Custa 226.000,00 U$. Eu já encomendei a minha! O preço inclui treinamento pra pilotar a bagaça.

Não, sério. Tô com quase 20 anos. Daqui a uns 15, esse negócio vai estar custando muito barato, não vai? E pô, 16 Km são pouco, mas você vai voar! Não vejo a hora.

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iPod no sorvete

Fiz uma notinha sobre isso agora há pouco pro site da PC Mag e vim postar aqui porquê achei genial.

A minha relação com publicitários, marketeiros e pessoas dessa espécie sempre foi conturbada. Talvez por causa da má impressão que os futuros profissionais dessas áreas (leia-se: estudantes) me passam, lá na Metodista. Talvez porque a publicidade e o marketing sejam uma forma cruel de criar desejo de compra e de incentivar alguns atos de violência, bombardeando todos os lugares com coisas pras pessoas comprarem. Mas não posso negar, é claro, que existem profissionais talentosíssimos em marketing e publicidade. Essa campanha é um exemplo de idéia simples e genial.

A Kibon queria algo novo pra aquela promoção que todos nós conhecemos: o “palito premiado”, em que você compra um sorvete e ganha outro, se encontrar o palito marcado. Eles queriam uma promoção de verão, que é o período que corresponde a 70% das venas de picolé do ano inteiro. Pois bem. Os caras da Bullet, a agência contratada pra pensar em algo legal, pensou em algo muuuito legal.

kibonipod.jpg

 

Tipo isso. O Shuffle vem dentro do pacotinho de sorvete. Não, não vem DENTRO do sorvete. Se você der a sorte de comprar um Fruttare sorteado, não vai receber o sorvete, e sim um ‘case’ projetado para acondicionar o iPod e para ter o mesmo peso e tamanho do picolé, quando congelado.

Eu fiquei me perguntando sobre os fones e o carregador. De algum jeito (acho que você entra em contato com a central, por telefone), eles mandam entregar na sua casa. Junto com um sorvete de verdade. No sabor de sua escolha, espero.

Não sei vocês, mas eu vou me matar de comprar sorvete nesse verão. Um depois do almoço todos os dias, no mínimo. =)

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Writer’s block e Dica Literária


Não vou falar do CD de Peter Bjorn & John. Ok, já falei. É que eu acho Writer’s Block uma palavra do cacete.

Eu tenho essa coisa com palavras, eu as adoro. Adoro descobrir as novas, entender o que elas dizem. Writer’s block é o que a gente chama, em português, de bloqueio criativo. Quando o escritor, por algum motivo, não é capaz de colocar as idéias no papel. Normalmente, o bloqueio criativo é provocado por stress e ansiedade. A famosa ‘cabeça cheia’ (‘saco cheio’ também serve bem, aqui).

Acontece que ‘block’ tambpem pode ser traduzido como ‘quarteirão’. E eu, quando vi a expressão pela primeira vez, achei que ‘writer’s block’ era um tipo de bairro onde só morassem escritores.

Não parei pra me perguntar qual a necessidade de uma expressão pra designar um bairro habitado somente por escritores, já que provavelmente um lugar como esse não existe. Só achei muito legal a possibilidade de existir um lugar desse.

Imagino que teria uma livraria a cada esquina.

E penso na contradição entre os dois significados: Se um bloqueio criativo é a nulidade de qualquer criação, um bairro só de escritores com certeza seria um lugar muito rico, cheio de influências literárias, um lugar onde as pessoas sempre teriam idéias legais e elas seriam traduzidas pro papel com fluidez.

Tô falando tudo isso porquê estou passando por esse bloqueio aí. As palavras saem, mas com dificuldade, quase um parto, e eu odeio muito isso. Os textos, não consigo mais terminar. Tenho uns 10 drafts interminados, aqui. Não consigo mais comentar as notícias com alguma piadinha, nada. Acho (espero) que seja alguma conseqüência passageira dessa minha vida atribulada.

Já que falei, falei e falei pra dizer que não consigo falar sobre nada, vou fechar com uma super dica literária. Acho que isso configura o post como ‘alguma coisa’

Eu sou uma Bookwhore. Isso significa que eu faço qualquer coisa por um livro. Nesse sábado, fui seduzida por um belo e reluzente exemplar do livro Tão ontem, do Scott Westerfeld.

semtitulo-12.jpgAcho que a capa, muuuito fofa, me atraiu. O tema também, claro: moda. Minha relação com a moda sempre foi controversa. Porque eu sempre fui conhecida, familiarmente, por ‘não gostar’ de moda. Na verdade, eu sempre fui um pouco largada. No fundo, a verdade é que eu adoro moda. Eu acho.

Bom. Acontece que o livro é legal, mas não tão legal quanto parece. ‘Não julgue um livro pela capa’ se provou um ditado bem sábio. O começo é legal, explica a hierarquia da indústria da moda e como ela dita o comportamento, mas principalmente conta a história de um garoto cujo emprego é de caçador nde tendências. Ele procura o que tem potencial pra ser hypado e cataloga, tornando isso hypado (porque trabalha pras pessoas certas). Aí ele conhece uma menina hiper-descolada e rola um mistério-romance e tal.

O livro é legalzinho. Gosto dessas literaturas adolescentes leves. Mas vale menos do que pesa. Não confio em livros que você lê metade em duas horas. Prefira aqueles da Marian Keyes.

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Goodbye, so long

Nos últimos seis meses passei 240 horas dentro de trens. São dez dias apertada dentro daquela lata com pessoas de todo tipo: as normaizinhas e as que não cheiram bem, as que falam alto, as que têm algum tipo de desvio de comportamento e as que são inclassificáveis.

Eu acumulei muitas histórias para contar dos meus dias de passageira do sistema de trens paulista. O trem é um ecossistema bizarro, particular – quase uma metáfora da sociedade, um paraíso para cronistas como Nelsom Rodrigues. É bem diferente do metrô. No metrô as coisas são mais efêmeras, impessoais. Os passageiros passam muito mais tempo juntos, porque as viagens demoram mais. Além disso, como os intervalos são maiores, a maioria das pessoas pega o trem no mesmo horário, de maneira que todo dia é um dejà-vù e a gente começa a fazer amigos. Ou inimigos.

No trem, o negócio é mais caipira. Tem gente que senta no chão e ocupa espaço de três pessoas. Os vendedores de coisas fantásticas acham conveniente passear pelos corredores dos vagões e não se importam se a lotação impedir a passagem. Lugar reservado para idosos e deficientes? Piada. Com freqüência, alguém precisa lembrar o carinha sentado de que tem uma grávida em pé. Na frente dele.

A batalha por um assento, no trem, é muito mais brutal. Alguns bancos, no caso da linha D, são dispostos de uma maneira que deixam na dúvida qual das duas pessoas em pé seria o dono do direito de fazer a viagem sentadinho. Os critérios variam – na maioria das vezes não há nenhum, e senta quem for mais esperto.

Eu mesma tenho uma inimiga. Não a conheço. Não sei o nome dela. Mas jamais esquecerei aquele olhar vazio e a expressão falsamente distante que ela põe no rosto quando se senta no lugar que poderia perfeitamente ser meu (pela disposição dos assentos, poderia!). Ela faz isso sempre que pode. Eu a chamo de Heloísa Helena. Ela se parece muito com a ex-senadora. Pela roupa, deve ser enfermeira também, a infeliz. Ela sabe que eu a odeio. Eu sei que ela também não gosta de mim. Nunca nos falamos.

Hoje, mais uma vez, pude observar um fenômeno cada vez mais freqüente nos trens. Eu o chamo de Síndrome de DJ.

Nestes tempos de popularização de gadgets eletrônicos, todo mundo tem um celular multimídia e um mp3 player. Dentro desses meios de transporte um pouco mais ‘provincianos’, os freqüentadores têm alguns hábitos já abandonados na cidade grande. Um dele, bastante comum, é o ato de ouvir música no alto falante do aparelho de MP3. Sem fones. Com o aparelho geralmente pendurado no pescoço, o passageiro em questão escolhe a música que mais lhe agrada e aciona sua playlist logo de manhã, numa tentativa de alegrar o ambiente e unir todos sob a vibe de uma mesma canção.

Acho que vocês imaginam o que rolam nesses setlists.

Hoje pela manhã, enquanto um cidadão despreocupado, alegre e brasileiro ouvia sua seleção dos top 10 da Nativa FM, um outro rapaz, que aparentemente tentava se concentrar nas manchetes esportivas do Lance! se irritou.

A cena foi curiosa. O fã de futebol começou a fechar e morder os punhos, visivelmente tentando controlar os ímpetos de ir socar o filho da puta. O moço irritado chegou, inclusive, a dar soquinhos-descarregadores-de-raiva na mandíbula e no queixo, com uma cara sangüinária. Essas pessoas reconhecem rápido seus semelhantes. Eventualmente, ele notou que eu também não estava satisfeita com a situação e me olhou, desesperado. Tentei retribuir com um olhar solidário, e ele aquietou um pouco.

Pra ser sincera, a música em si não estava me incomodando tanto, porque uso fones de ouvido in-ear, daqueles que bloqueiam quase completamente ruídos externos. Me irritava a falta de noção, e mais ainda, me entretinha a situação toda.

Antes de o pagodeiro levantar pra ir embora, a moça na frente dele – vejam só, que coincidência fantástica! – chamou atenção para o fato de ter um celular igual. Ela pediu pra que ele lhe ensinasse alguma coisa, no que ele prestativamente correspondeu. Quando o moço se levantou para ir embora e eu e o leitor de jornal soltamos um suspiro aliviado, a moça sorriu, faceira, e apertou o play no celular dela. Iniciou-se aí uma belíssima seleção dos clássicos das pegadinhas-trotes telefônicos da era da internet: vidente soraya, criança engasgada, trote da telerj. Só a moça ria. E a tia do lado dela.


Eu poderia encontrar uma história curiosa por dia para contar por muito tempo. Mas esse foi um post de despedida. Na segunda-feira, começo no novo emprego. Para ir até lá, só andarei de ônibus (por 10 minutos) e depois farei uma longa viagem de metrô na linha verde.

Trem, nunca mais – é o que eu sempre quis. Mas agora, pensando bem, vou sentir falta dessas histórias.

*Tirei fotos dos envolvidos na ‘confusão’ de hoje. A moça faceira, o rapaz nervoso e o pagodeiro folgado. Ah, do moço sentado no chão do trem também. Mas meu celular não correspondeu às expectativas e salvou tudo em formatos bizarros e inesperados. Caso eu consiga arrumar a confusão, edito o post com as ilustrações. Tenho até uns vídeos!

**Pronto!

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Escapando das balas

Eu sempre quis estar no meio de um cenário de conflito. Desde que comecei a me interessar por Jornalismo e lia as estórias daqueles caras que estavam na hora certa, no lugar certo, sempre desejei ter a ‘sorte’ de estar eu, ali, vítima e testemunha ocular de algo grande, algo sobre o que eu pudesse dar o testemunho.

Claro que eu não imaginei que aconteceria. Tampouco imaginei que, quando acontecesse, eu ia me esquecer que era jornalista e agiria como todas as outras pessoas: running for my life.

Ah, digamos que nem é tanta coisa assim. Eu tava no metrô Sé na hora do tiroteio, na última sexta. Sumi do blog porquê estou tendo um começo de mês complicado, dezenas de recuperações, mudança de vida, sensações de coisas acontecendo, mas principalmente porque eu tava sem cabeça pra falar desse negócio do tiroteio.

A ficha meio que caiu só depois que tudo aconteceu. Eu estava na plataforma da linha azul, sentido Tucuruvi; vi uns trinta policiais correndo em direção ao andar de cima, e muitas pessoas alvoroçadas. A primeira coisa que me veio na cabeça: simulação da polícia. Afinal, não consegui pensar num motivo pra trinta PMs estarem correndo dentro da estação Sé do metrô. Eram muitos policiais. Se fosse algo de verdade, pensei, algo que exigisse tantos oficiais envolvidos, a estação estaria evacuada.

E, de repente, as pessoas começaram a correr. Sem direção, assim. Eu não consegui identificar o motivo do susto repentino. As pessoas estavam correndo de algo que se encontrava, no mapa da minha cabeça, no lado contrário àquele para qual os policiais tinham corrido – ou seja, não fazia sentido. Entendi que estavam assustados com os policiais.

Nessa hora, ouvi o tiro. Veio do andar debaixo. A sensação foi estranha, e até então eu não fazia idéia do que estava acontecendo. Com o disparo, me abaixei, como boa parte das pessoas na plataforma. Algumas corriam, desesperadas, sem saber muito bem pra onde; outras choravam, desesperadas, também sem saber muito bem porquê, imagino. Tinha gente com o celular na mão, xingando baixo quando o sinal não vinha, e olhando assustados pros policiais que passavam correndo, revólveres em punho, gritando para que todos se abaixassem.

O grande problema, nessa hora, foi não saber o que estava acontecendo. Nenhuma mensagem naquele sistema de avisos do metrô, exceto alguns chamando funcionários com voz de desespero.

Do meu lado, um senhor de uns 45 anos rezava alto e invocava todos os santos de que ele já tinha ouvido falar. Do outro, uma menina deficiente, que usava andador, olhava pra mão tremendo e respirava com dificuldade. Ela não conseguiria correr, se tentasse, por motivos óbvios.

Na escada rolante, uma senhora descia sentada – provavelmente tinha caído na confusão. Um senhor era carregado, de maca, para fora da estação. Não sei se era o homem baleado no ombro. Outro senhor, na confusão, havia se chocado contra uns dos postes de concreto, e seu nariz e testa sangravam muito.

Ah, essas coisas. Eventualmente, um policial disse para descermos. Quero dizer, eu e a menina ao meu lado. Lá embaixo a situação estava mais complicada. Muito mais gente no chão, machucada, grávidas chorando, e um menino muito bonito contando de como ele havia salvado a mãe dele na hora exata do tiro, e que a bala então teria atingido o ombro de um senhor.

Vi as pessoas descendo nos trilhos pra pegar o trem que milagrosamente tinha chegado, do outro lado, e os levaria dali. Muita gente comentou que pegaria aquele metrô por pegar, mesmo. Eu fui, também. Lá dentro, um bombeiro acompanhava um menininho de uns 10 anos, que estava sozinho na estação e tinha se assustado muito.

Aí, ouvi do bombeiro que não pegaram o cara.

Então eu me pergunto: como é que TRINTA POLICIAIS, mais a equipe de guardas do metrô, mais alguns bombeiros, não são capazes de pegar um assaltante desarmado e que já tinha tomado um tiro na mão?

Mal a pretensão, mas precisava escrever sobre essa bagaça. Tentei tirar foto com o celular, mas minha mão tremia tanto que não saiu nada. Vou voltar a andar com a câmera digital na bolsa. Na saída, do outro lado da plataforma onde eu estava, deu pra ver o sangue e um pedaço de alguma parte do corpo de alguém que foi atingido. Teria chegado perto pra ver e tirar foto, que eu tenho estômago forte, mas fiquei com medo e preguiça de dar a volta pelas escadarias.

De tarde escrevo um post legal. Ouvi umas bandas novas interessantes no fim-de-semana.

Agentes literarios interessados, tô querendo publicar meu projeto “Sobrevivi: um dia de tiroteio no metrô de São Paulo”. Favor entrar em contato.

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Jogando Sujo

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Na hora de combater um adversário político, as táticas usadas são sempre repugnantes. Mas nenhuma da qual eu já tenha ouvido falar (tudo bem, não sou especialista no assunto) chegou a ser de nível tão baixo quanto essa.

 

Segundo uma reportagem da Reuters, o governo da Venezuela afirma que seus opositores estão escondendo o papel higiênico para criar uma sensação de desabastecimento.

 

Parece que o produto não dura nas prateleiras, e o governo de Hugo Chávez acredita que é tudo intriga da oposição. “Há setores que ocultaram papel higiênico”, teria dito o ministro das Finanças do país. Por causa dos rumores não confirmados de que o papel higiênico estaria acabando, os consumidores estão comprando o produto desesperadamente, o que pode fazer com que o boato se torne realidade.


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