OEsquema

Arquivo: janeiro de 2008

Somos todos criminosos

Eu, você, todos nós baixamos MP3.

Se você não baixa, com certeza você já transferiu um CD seu pro computador. Aí você não é criminoso, certo? Você pagou pelo conteúdo. Vai fazer uso próprio, colocar no MP3 player. Não vai mais precisar carregar trinta CDs (quando você sabe que não ia escustar um terço deles). Pode passar tudo para o iPod e levar todos. Sem stress. E você não é um fora-da-lei, porquê não baixa MP3. Certo?

Errado.

Acontece que a RIAA, mais uma vez, mudou a definição do que é pirataria. Pirataria, agora, inclui ouvir música ou assistir a um vídeo direto do seu HD, e não da mídia de DVD ou de CD onde o arquivo originalmente estava. Confiram aqui o caso do cara que foi processado por copiar 2000 músicas de seus CDs pro computador.

Não sei o que eles pensam sobre o fato de nós termos MP3 player e termos direito de ouvir as músicas que adquirimos em CD no aparelho. Também não sei o que pensam sobre os hardwares e softwares que possibilitam cópia. Caso as grandes empresas de software comprem a causa, iTunes e Windows Media Player nas próximas versões devem impossibilitar ripagem de CDs. Mas acho que essas empresas nem tem cacife pra brigar com o hardware, o lance de drives RW mesmo. Até porque rola um conflito de interesses – a Sony, por exemplo, é gravadora e é produtora de hardware pra cópia de mídia.

Sou só eu que não agüento mais ver a indústria de música dando murro em ponta de faca com essa história de download de MP3 player? É difícil reconhecer uma derrota e partir pra outra? Esses e todos os outros esforços, claramente inúteis, tão se tornando risíveis. Parece aquelas perseguições de gato e rato, mas o gato é grande e bonachão, e o rato é pequenininho e ágil. E são milhões de ratos.

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Uma ou duas coisas sobre o Grande ABC

Aula de geografia hoje, pessoal.

Eu moro no Grande ABC. O Grande ABC é um pólo industrial formado, segundo a Wikipedia, por sete municípios. Os principais são Santo André, São Bernardo e São Caetano. Podemos agregar levemente Diadema, Mauá e Ribeirão Pires. Logo, falta um. Eu (na minha perspicácia) diria que é Suzano, que eu descobri há pouco tempo ser ‘perto’ (quando fui numa rave). Mas, segundo a Wikipedia, é Rio Grande da Serra, que eu não sei exatamente onde fica.

No ABC, nós temos alguns ícones de reconhecimento no país. Vejamos. Temos a Lucélia Santos, que é de Santo André. Temos o assassinato do prefeito Celso Daniel, que desencadeou a crise no PT. Tem o presidente Lula, que era metalúrgico em São Bernardo. Temos as montadoras de carros, que as pessoas sabem que é aqui. Temos a Estância Alto da Serra, reduto de caubóis e festeiros desocupados e encubadora para um político safado (o dono virou vereador em SBC e logo corre pra prefeito, claro). Sim, e ele é safado, porque sei de estórias dele. Temos também…

Ok.

Morar no ABC é foda. Eu gosto da minha cidade (moro em Santo André). É bonitinha, singela e dá pra ver a prefeitura da minha casa. Mas encontro dificuldade pra sair dela. Ir pra São Paulo é difícil se você não tem um carro, mesmo sendo bem perto. porquê dá trabalho fazer mil baldeações. Fora quê tem lugares em SP que você pode DESISTIR de chegar se não tem carro. A região de Pinheiros, por exemplo, é uma delas.

Também tem outro probleminha. Tem coisas que não dá pra comprar por lá, por mais que você queira, que não vai achar. Sei que vocês devem estar pensando que ‘é assim mesmo, interior’. Não é! É MUITO PERTO DE SÃO PAULO. Sério. De trem, tô na Luz em 25 minutos. De carro, pro Ipiranga dá pra fazer em 40 minutos, sem trânsito, só por trecho urbano. O que significa, na prática, que você não percebe a transição de uma cidade pra outra. É tudo um bloco só! E como explicar que do lado de cá tenha um monte de caipiras e do lado de lá um monte de gente descolada?

Esqueçam o descolada, é brincadeira, mas deu pra entender o sentido, acho. No ABC tem três grandes ruas onde a moçada vai para se divertir.

- Em Santo André, a Rua das Figueiras, que concentra dezenas de bares, discotecas (como eu odeio a palavra ‘balada’) e idiotas na rua, com os capôs de seus Gols abertos tocando a última coletânea da Nativa bem alto. Uma Vila Olímpia low-fi, mais humilde, mais caipira.

- A Av. Kennedy, em São Bernardo, que tem um volume menor de bares e algumas discotecas. Essa é a ‘Figueiras low-fi’, eu diria. Como é uma avenida, mais larga, o trânsito flui um pouco melhor e se pá rolam uns rachas, também.

- A Av. Goiás, em São Caetano. Essa é mais larga ainda, porque é via de acesso ABC – São Paulo. Tem uma meia dúzia de bares e restaurantes, na mesma vibe Jeito Muleke. Rachas também são semsassaum.

Se você gosta de algum outro gênero musical que não seja funk, psytrance ou pagode, amigo, não adianta tentar se divertir no sábado à noite no ABC.

Não podemos ignorar, também, o infortúnio da pequeneza. Quer dizer, é uma cidade grande. Mas o espaço urbano dos incluídos (gente, aprendi isso na faculdade) é restrito, freqüentado sempre pelos mesmos grupos. Ou seja: todo mundo se conhece. Não quer dizer que a cidade é pequena, porque tem um monte de gente que não faz parte disso, mas como não tem muitos lugares pra ir, a gente sempre conhece todo mundo nos lugares em que vai. O resultado era muito simples: sempre, SEMPRE que você conhecia alguém, essa pessoa era amiga de alguém que era seu amigo. Se não, no máximo em duas pessoas você já achava ligação. Não dava pra fazer nada sem que todo mundo ficasse sabendo. Não que aos 15 anos eu fizesse muitas coisas secretas. Só estou conjecturando.
“e daí?”
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Primeiro, que eu tô com raiva de morar tão longe e ao mesmo tempo tão perto. É o ‘longe’ mais perto possível da capital. Mas não é a capital, e isso é claro em todos os aspectos: nos lugares que as pessoas freqüentam, nas maneiras como elas se portam e se vestem, nos olhares indignados diante de um casal homossexual, no jornalzinho provinciano e marrom que noticia a região. Ah, também diante da quantidade de emos. Tem muito emo no ABC. Um lugar assim não poderia ser uma cidade grande, nunca.
Segundo, não aguento mais uma pergunta muito, muito chata, e esse post todo é pra esclarecer só isso. Gente, o ABC é (11). Nem precisa discar 11, como em certas cidades do interior. Você geralmente disca direto o número de telefone. Não é fantástico?

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My prerrogative

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Adoro o fato como os títulos das músicas da Britney, de alguma forma, previam o futuro dela. ‘Oops, I did it again’, ‘Toxic’, ‘You drive me crazy’.

Mas vamos lá. Você tem 15 anos e assina com uma gravadora. O detalhe é que seu talento é nenhum exceto ser gostosa. Ok, suas músicas grudam na cabeça, dão vontade de rebolar, e você dança bem… mas a Kelly Key faz isso. Não é um grande mérito, exatamente. Você é tudo o que você é porque canta coisas sexies com voz de criancinha e é gostosa.

Em seguida, você é famosa e milionária. E gostosa. Você podia ter parado por aí. A maioria das pessoas pára.

O que eu gostaria de entender é como uma mulher passa de uma situação de absoluto sucesso (e, aparentemente, faculdades mentais plenas) assim, prum claro surto psicótico, diante dos olhos de todo o mundo, e ninguém consegue (ou quer) fazer absolutamente nada. Na internação em hospital psiquiátrico, os exames não apontaram nenhuma toxina. Ainda assim, o The Sun deu que era Clembuterol, um remédio pra cavalo que nego toma pra emagrecer, parece. Eu acho que ela só endoideceu, mesmo. Eu não a culparia.

Engraçado eu ficar com pena da Britney, culpando a vida cruel que ela teve, depois do choque de realidade de hoje à tarde. Nada pra fazer, fui buscar na minha pasta de filmes alguma daquelas coisas que eu vou baixando e nunca vejo. Optei pelo Ônibus 174, aquele. Pô, achei foda. Acho que a maioria conhece a história, mas o documentário conta principalmente a esstória da vida do Sandro, o assaltante que em julho de 2000 fez 11 reféns dentro de um ônibus no Jardim Botânico, no Rio. É, acho que é esse o nome do bairro. O filme é tipo um tapa na cara da burguesia. Minha única ressalva é que meio que apela pro lado emocional, saca, e não que isso seja reprovável num filme que pretende se destacar, mas sei lá, enche o saco.

Meio que querendo me sentir mais culpada por não morar na rua e por ter almoçado, resolvi assistir outro filme da lista, Notícias de uma guerra particular. Achei legal um delegado que foi entrevistado pro filme. Ele deu uma opinião muito interessante sobre o tráfico de armas. Disse que se os EUA acham que têm direito de intervir nas plantações de coca na Colômbia, com o argumento de que o narcotráfico deve ser impedido porquê é prejudicial para o país deles, olhando da mesma ótica nós também temos o direito de fechar as fábricas de armas nos países desenvolvidos. E tipo, faz todo o sentido. Claro que isso é só um pensamento. Ninguém está pensando em ir lá e fazer. Várias citações interessantes no filme. Do tipo, “o único segmento de poder do estado que chega na favela é a polícia, e só a polícia não resolve nada”. Ou o menino de 16 contando da primeira missão dele, aos 11, quando teve que ‘botar fogo num X9′. Ou o delegado questionando até onde a sociedade quer uma polícia não corrupta.

De qualquer forma, o que me passou pela cabeça foi a babilônia caindo. Esse povo todo, que não faz idéia da força que tem, saindo do morro e vindo pro asfalto. Claro que isso já tá acontecendo, de certa forma, mas falo de um lance real, dos oprimidos contra os opressores, não esses gritos isolados e desesperados que a gente vê de vez em quando, mas uma coisa coesa. Vamos ver por quanto tempo ainda a gente consegue manter o povo no morro, né.

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Não se perca em Lost

Pegaram? Hein?

Situação 1:
- Você assistiu LOST, mas faz tanto tempo que já esqueceu de tudo.

Situação 2:
- Você nunca viu (ou viu alguns episódios), NÃO AGÜENTA MAIS as pessoas falando disso ao seu redor, mas tem preguiça de ver tudo.

Nos dois casos, o vídeo abaixo vai te servir. =)

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Eu dou esmola

Quem acompanha o blog sabe que o trem é um assunto recorrente na minha vida. Sei que me despedi dele, mas um imprevisto fez com que eu voltasse a freqüentá-lo. Não nas mesmas tristes circunstâncias, porque agora os horários são alternativos e a viagem, portanto, mais tranqüila. Mas aqueles que têm o prazer de andar de trem sabem que neles vende-se de tudo: caneta, bolsinha, palavras cruzadas, livro de pintar, culinária alternativa, régua, taboada, cerveja e coca-cola… Também pede-se tudo, sob todos os pretextos possíveis nesse mundão véio de deus: “preciso dar de comer pro meu filho”, “minha mãe não tem uma perna”, “minha vó engravidou e agora vão morar 16 pessoas na nossa quitinete”…

Acontece que, dia desses, um rapaz usou um argumento meio pesado pra pedir dinheiro.

Ele entregou um papelzinho que, na frente, dizia:

“Na vida existem coisas simples e importantes…

E quando você virava, lia-se:

“…simples como eu e importantes como você!”

E a chantagem emocional (quase cruel) funcionou, porque um monte de gente deu a grana. Eu, inclusa. Eu sempre dou esmola quando tenho. Sou absolutamente a favor. Os argumentos contra nunca me convenceram.

E daí se a pessoa for comprar drogas e cachaça? Eu sou de classe média. Se quiser drogas e cachaça, posso comprar. A pessoa pobre, não, e eu sou a favor dos direitos iguais. Não tenho nada a ver com o que ela faz com o dinheiro que eu dou. Fora isso, a vida não é fácil e todo mundo merece um traguinho pra relaxar.

Doar dinheiro pra uma intituição de caridade? Fora a burocracia, não confio nos intermediários.

Além disso, centavos valem muito mais pra quem é pobre do que pra mim. Vira e mexe a gente encontra centavos perdidos na gaveta. Ou então, passa na rua, vê – sei lá – um brigadeiro, e compra. Não custa deixar de gastar com tranqueira e dar dinheiro pra quem tem menos. É distribuição de renda.

Uma das minhas determinações de 2008 é arrumar o blogroll, que tá poluído. E eu tava usando quase como um favoritos. Isso porquê eu + del.icio.us não funciona. Eu tenho preguiça de colocar tags.

A outra é comer mais comida japonesa.

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Capitão Nascimento ficaria envergonhado

‘Eram mais de 30 criminosos’, diz homem mantido em cativeiro em Jacareí

“Em fuga em três carros, os criminosos chamaram a atenção de policiais, que utilizaram o rádio para comunicar os colegas sobre a suspeita. Atentos à freqüência da Polícia Militar, eles escaparam. “Eram muito profissionais, utilizaram grampos que a polícia chama de “miguelitos” para furar os pneus dos carros. Dois carros da polícia tiveram os pneus furados. Até o reforço chegar, eles já haviam escapado.”

Então eles eram profissionais porque tiveram a idéia óbvia (desculpem, mas é óbvia) de comprar um saco de preguinhos e jogar na estrada? Gente, qualquer um teria uma idéia dessas. Tipo, o Papa-léguas usava isso contra o Coiote.

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Olá, 2008

Não vou falar do novo ano lindo e promissor, só não tive outra idéia de título. Hoje quero falar sobre o futuro, não o próximo, sim aquele futuro mais abstrato e conceitual; é, esse misterioso e obscuro que espera a todos nós. (Você sabem que quando eu escrevo nesses termos estúpidos eu estou brincando, certo? Que eu jamais falaria sério usando as palavras ‘misterioso’ e ‘obscuro’, e o termo ‘a todos nós’) Ou não, se alguém morrer amanhã. Não que eu queira isso, porquê não quero.

A matéria de capa da revista em que trabalho, no próximo mês, falará do futuro. A capa da Wired, mais recente, fala sobre a Era do Genoma, quando por U$1000 poderemos fazer um teste que nos dirá como viveremos e morreremos. A Era do Genoma é agora. E hoje, no Twitter, alguém postou o FutureMe.org.

Você vai lá no FutureMe e escreve uma carta pra você mesmo no futuro. Aí, o site envia a mensagem pro email que você escolher, em quanto tempo você quiser. Eu vou receber minha mensagem em dois anos exatos. Fiz umas previsões envolvendo tecnologia, minha vida, meu TCC e o meu corte de cabelo. Mentira sobre o corte de cabelo.

Aí desejei já saber surfar (meu sonho um), andar de skate (sonho dois). Achei a idéia legal, porque eu sou a pessoa que sempre fica pensando em como eu mudo tão rápido de opinião e que seria ótimo saber exatamente como eu me sentia antes. E eu adoro esse negócio de cartas para momentos diversos. Quando eu era mais nova, tipo… ano passado, escrevia cartas pras pessoas lerem caso eu morresse. Desculpem, é doentio, mas eu fazia. Não no ano passado, isso foi brincadeira. Eu tinha uns 14-15. 16, talvez.

Fora as gafes. Eu sempre cometo gafes em blogs. Tipo falo coisas que são mal-interpretadas por pessoas. Ou que são bem interpretadas por pessoas que nunca iam entrar no blog e acabam entrando. Meu bom senso acaba impedindo posts geniais, como sobre o rapaz da minha sala que quer ser o Gugu. Essa eu conto um dia, porque o cara nunca vai entrar aqui (haaaa).

Passei a tarde buscando inspiração para escrever (você já observaram que foi inútil). Nas minhas andanças, li os blogs do Ronald Rios e do Nigel, o Te Dou um Dado?, ri horrores, e tudo mais. Mas acabei caindo em algo genial, que já tinha visto (antes do blog aqui existir) e devo reproduzir para vocês.

Um trailler desse te isenta da necessidade de ter que postar algo depois e tal.

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