OEsquema

Arquivo: setembro de 2008

Censo do Olhômetro

Segui a onda do meu grande camarada Marcus e resolvi montar, no Google docs, um formulário para conhecer melhor os leitores daqui.

São apenas algumas perguntas que vão me ajudar a saber quem exatamente está entrando aqui.

Por favor, se estiver moscando por aí, responda.

CENSO DO OLHÔMETRO

Editado: o censo foi encerrado, depois de uma semana no ar e 117 respostas. Publicarei os resultados entre essa e a próxima semana.

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Spore, Douglas Adams e a crise existencial

Como todo bom fã de The Sims, Sim City e todos os outros ‘Sims’, eu esperei Spore por muitos anos. O jogo foi anunciado há uns 7 anos, com outro nome (que eu nem me lembro). Comprei uma cópia original pelo Submarino nessa sexta, aproveitando o frete grátis.

Spore é provavelmente o jogo mais legal que eu já joguei em tempos. É um jogo para qualquer idade e qualquer gênero. Até a trilha sonora casa com perfeição com o jogo.

Spore é um simulador de criação de espécies. Você começa como um microorganismo, num lugar gigantesco chamado ‘água primordial’, comendo outros microorganismos menores que você, sejam vegetais ou animais, para assimilar os DNAs dessas outras espécies e evoluir.

Não demora, você já pode acrescentar mais flagelos (para correr mais rápido) ou mais quatro pares de olhos (para deixar seu bicho bem esquisito). As possibilidades de personalização de cada espécie são infinitas. É quase impossível que um bichinho seja igual a outro, depois que ele evolui. Além disso, Spore é jogado online, com milhares de outras pessoas ao redor do mundo jogando e desenvolvendo suas espécies.

Crescendo bastante na água primordial, você desenvolve pernas, chega à superfície e começa a desenvolver habilidades que te permitem caçar em bando, formar uma civilização e coisas assim. O último passo é a exploração do espaço sideral, de outros planetas. É inesgotável.

Eu era isso…

…e me tornei isso!

Por coincidência, acabo de terminar O Restaurante no Fim do Universo, e já comecei o volume seguinte da série de Douglas Adams, chamado A Vida, o Universo e Tudo Mais.

A combinação de um jogo desse com uma série dessas me tem feito refletir seguidamente sobre a absoluta insignificância da espécie humana na grande linha do tempo que é a história do universo. Eu entrei em crise existencial por causa de um jogo e uma série literária.

Ok, eu sou uma pessoa permanentemente em crise existencial, mas o combo Spore mais Guia do Mochileiro tem provocado reflexões muito freqüentes, reveladoras e um pouco fatalistas.

Nós somos só um pedaço do que já passou e vamos acabar muito antes do que ainda vai passar. Não falo de mim, ou de você, particularmente; falo do planeta terra. Somos um episódio num imenso livro de histórias. Se houvesse um livro de história contando o início, meio e fim do ‘tudo’, seríamos sortudos se fôssemos mencionados em um ou dois parágrafos.

Você consegue imaginar um mundo sem grandes intervenções humanas? Um mundo no qual as modificações da nossa espécie tivessem sido mínimas – sei lá, moradia, domínio da agricultura, da caça. O que a gente fez com o mundo é realmente admirável do ponto de vista das habilidades que isso demandou, mas basta um pouco mais de sensibilidade e a gente percebe que o planeta terra virou uma aberração. O progresso é uma coisa esquisita.

A verdade é que nós não entendemos nada. E não sei se iremos chegar a entender qual o real sentido disso tudo. Enquanto a gente não descobre, eu sigo jogando Spore e lendo ficção científica. Afinal, alguém precisa continuar fazendo algo de realmente produtivo nesse planeta.

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A justiça quase foi feita, um título óbvio para um texto sobre o Justice

Se um dia alguém me dissesse que eu seria fã de música eletrônica eu não acreditaria. Sempre fui uma adolescente-rebelde-do-rock-n-roll, até poucos anos atrás. Ainda sou, de certa forma. A maior prova é que eu sai do show de ontem do Justice, no Skol Beats, em São Paulo, desperada por ouvir uma guitarrinha. Um riffzinho, que seja.

Eu sempre sinto essa necessidade depois dessas overdoses de sintetizadores e BPMs. Aconteceu da outra vez que eu fiz algo assim, numa rave que fui há mais de um ano. Música eletrônica pra mim é assim: legal, ótimo, até me divirto, mas no fundo é algo que só vai me dar dor de cabeça depois de 3 horas ouvindo. Além disso, é algo muito novo pra mim, e confunde meus gostos musicais. Eu não tenho um parâmetro para o que eu gosto ou não em música eletrônica. Parece tudo igual, mas não é, porque de algumas coisas eu gosto e outras não, só não sei como é que essa minha seleção funciona, de fato.

De qualquer forma, tenho certeza que gosto do Justice, a dupla francesa subversiva que tem quase os dois pés no rocknroll, e acabei ganhando ingressos para o Skol Beats numa super promoção do blog da Close-up, o Eles3.

Eu esperava um show mais pesado, pra ser sincera, mas no geral foi legal, empolgante e tal, e acabou antes do que eu gostaria, ou seja, estava divertido. Mas os destaques ficam com outros elementos do show e do festival.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com a excelente organização.

Nunca tinha ido no Skol Beats e fiquei surpresa com o número de gente que dança o famigerado ‘rebolation’. Rebolation é uma dancinha ridícula engraçada, algo como isso aqui:

Nunca tinha ido ao Skol Beats e fiquei surpresa com algumas pessoas vestidas assim:

Imaginem o show do Klaxons. Vai ser supercolorido.

Nunca tinha ido no Skol Beats e achei legal os seguranças ficarem rindo do pessoal dançando engraçado.

E o mais curioso: nunca tinha ido a show no qual milhares de jovens dançavam ao som de música pesada, claramente subversiva (dos valores familiares, digo), usando drogas de todo tipo, todos reverenciando uma… cruz. O símbolo máximo de você-sabe-o-quê.

Se a genialidade do Justice não reside na música, reside sem dúvida na capacidade de fazer com que um paradoxo desse seja possível – e mais, seja até ignorado pela maioria das pessoas que assiste ao show deles.

O Padre Marcelo, ou a rave evangélica, até conseguem fazer milhares de jovens dançarem reverenciando uma cruz, mas duvido que você consiga incluir aí gente usando wayfarers coloridos sem lentes, cerveja e jaquetas de couro.

A outra possibilidade é que Jesus está de volta, seu nome é Xavier de Rosnay e ele quer arrebatar multidões de jovens. Para isso, sendo Jesus, soube que o melhor jeito seria fazer música eletrônica.

Só acho que ele deveria fumar menos.

Vídeos no canal do You Tube da Flávia Durante. Eu até ia gravar algo, mas decidi por um momento parar de pensar no post que faria depois do show.

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Aos novos leitores (aos antigos, também)

O Olhômetro tem prosperado numa proporção que eu jamais poderia imaginar. Tudo isso se deve principalmente a alguns links que o blog vem ganhando. Primeiro, nos destaques do Yahoo!Posts e na própria home page do Yahoo! Depois, o Uêba, que de vez em quando nos agracia com uma chamada. Além disso, blogs como o Asttro também nos destacam freqüentemente. O AOE e o AOE Blogs também são fonte de tráfego constante. E finalmente, o responsável pelo estouro de visitas dessa semana se chama Sedentário & Hiperativo. Adianto que tive mais de 10.000 visitas neste domingo, 28. Isso é quase mais do que eu tive em todo o mês de julho.

Agradeço todas as referências e agradeço também, principalmente, a quem lê o blog e continua lendo. Escrever para ninguém seria muito chato. Muito obrigada.

Por causa disso, muita gente nova tem entrado aqui. Sejam bem vindos ao meu humilde blog. Criei um pequeno guia que vai ajudá-los a entender o que é isso, porque isso é isso e como eu e você nos relacionamos com… isso.

1. Se você usa um leitor de feeds rss, pode assinar o feed do Olhômetro: http://feedproxy.google.com/olhometro. Se você não faz idéia do que é isso, saiba que é algo que pode ser muito útil na sua vida. Aqui eu explico direitinho.

2. Se quiserem saber mais sobre as minhas motivações, o link lá em cima, ‘Sobre o Olhômetro‘, explica quem eu sou e o que eu quero com isso. Por ‘isso’, entenda-se o blog.

3. Lá em cima tenho uma aba que leva o feliz visitante a uma seleção de melhores posts. Eu escolhi os textos baseada 2.1. na repercussão deles entre os leitores, 2.2. no meu senso auto-crítico, 2.3. na minha afinidade com eles, e acho que podem ser um bom exemplo do que o blog se propõe.

4. Também gostaria de alertar ao novo leitor que o blog expõe, acima de tudo, uma visão (pretensamente) bem humorada das coisas. Exceções existem, naturalmente, e às vezes eu falo sério. Mas na maioria das vezes, não passa de uma sátira, sempre baseada em observação e alguma reflexão cotidiana. Aliás, meus textos são cheios de auto-crítica. Vocês saberiam se me conhecessem.

5. Na aba ‘Sobre o Olhômetro‘ você encontra links para o meu Orkut, last.fm e todas essas tranqueiras inúteis das quais eu faço parte. Pode me adicionar sem problema, só avisa que pegou a referência aqui.

6. Opiniões, críticas, sugestões, ofertas em dinheiro e propostas de anúncio são sempre bem-vindas e estimuladas. É muito importante ouvir o que vocês tem a dizer E EU TÔ FALANDO SÉRIO. Para tanto, use o formulário disponível aqui.

7. Nunca, em hipótese alguma, saia de casa sem sua toalha.

Aguardem um post menos sem-vergonha ainda nesta segunda-feira.

E lembrem-se: o que está acima é igual ao que está embaixo.

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Top 5: bandas mais legais da ficção

Nos filmes, nos livros, na TV: tem centenas de bandas que foram criadas na ficção. Em muitos casos, os autores se dão ao trabalho de compôr até músicas de verdade. Simular shows. O RBD surgiu mais ou menos assim. A Vagabanda também. Mas esses são exemplos ruins. Existem as bandas realmente legais que surgiram na ficção – ou por terem uma história divertida, uma letra ou visual engraçado e em alguns casos por terem músicas realmente boas. Eu mergulhei em algumas coisas realmente nostálgicas a escolhi as minha cinco preferidas bandas que só existem na ficção:

5. Disaster Area

A Wikipedia explica que o nome do vocalista foi tirado desse lugar aí, na Inglaterra

É a banda mais incrivelmente barulhenta do universo. Como se isso não bastasse, a Disaster Area produz também o barulho mais alto dos barulhos. Do universo. Em O Guia do Mochileiro das Galáxias, Douglas Adams explica que a Disaster Area é tão alta, mas tão alta, que os músicos tocam os instrumentos a distância. E o público também assiste aos shows de muito longe: “o melhor lugar para se ouvir um bom som é dentro de grandes bunkers de concreto a uns 60km do palco, quanto os músicos em si tocam os instrumentos por controle remoto de uma espaçonave altamente isolada que fica em órbita em torno do planeta – ou mais freqüentemente, em torno de um planeta completamente diferente.”

Os hits do Disaster Area, variados, no geral versam sobre o velho homem-encontra-mulher sob uma lua prateada, ainda segundo o livro. Claro que eu nunca ouvi nenhum, pois isso seria impossível.

Alguns planetas baniram as apresentações do Disaster Area, pois os instrumentos da banda, em alguns casos, violam os tratados de armas estratégicas. É o preço a se pagar.

Como o Disaster só aparece no segundo livro da série, ‘O restaurante no fim do universo’, e nós só temos o filme do primeiro livro, vou ficar devendo uma apresentação da banda no Youtube. Mas é melhor assim: suas caixas de som estourariam. A sua janela trincaria, e sua tela LCD de 17” recentemente adquirida acabaria em pedaços.

4. Driveshaft

O Driveshaft é uma ‘one hit wonder’, que ficou conhecida na Inglaterra pela grudenta You all, everybody.

Você poderia dizer isso com tranqüilidade se seu nome fosse, sei lá, Jeremy Bentham. Mas não é, então você precisa dizer que o Driveshaft é a banda do Charlie, de Lost. O Charlie se foi, mas do Driveshaft ninguém esqueceu, até porque é impossível, com essa música cujo refrão passa dias na sua cabeça. Lembrando que a gente só conhece o refrão da música…

Infelizmente, o Driveshaft acabou e o Charlie mesmo nunca conseguiu compôr outra música que fizesse tanto sucesso. Ficamos só com You All Everybody - ah, e Good Vibrations tocada num teclado de bloqueio de uma estação de comando. Um triste fim.

3. Weird Sisters

A maior banda de rock do mundo bruxo. Cultuada por 10 entre 10 adolescentes em Hogwarts, a Weird Sisters (ou Esquisitonas, na versão brasileira do livro e do filme) é formada por rapazes com instrumentos muitos loucos, inclusive uma gaita de fole, como deve ser num mundo mágico bretão. O nome vem de outras três irmãs bruxas que Shakespeare criou em Macbeth.

A banda apareceu no quarto filme da série Harry Potter, ‘Harry Potter e o Cálice de Fogo’, e BOTOU PARA QUEBRAR no Baile de Inverno. FOI IRADO. No longa, os membros da banda eram nada mais nada menos que Jarvis Cocker e Steve Mackey, do Pulp, nos vocais, John Greenwood e Phil Selway, do Radiohead, e mais dois caras desconhecidos que eu não vou mencionar afinal ninguém conhece, e todo mundo sabe que a referência importante é a dos caras conhecidos.

As Weird Sister têm dois grandes hits: Do The Hippogriff (que tá lá em cima), um rock’nroll feito para balançar as multidões, e Believe That Magic Works, uma balada para dançar coladinho. Além delas, rola uma terceira música, This is the night (ignorem as fanfotos dos filmes rolando com a música), que é a melhor das três. Eles têm até perfil no last.fm: http://www.lastfm.com.br/music/Weird+Sisters

2. Big Bad Boys

Ele é tipo o Justin dos Big Bad Boys: o único que deu certo depois da banda

Essa fantástica Boy Band, composta por CAIO BLAT (SIM!) mais três anônimos, era o grupo preferido de Juliana, a irmã de Lucas Silva e Silva. A Juliana era maluca pelos gatinhos da Big Bad Boys, Caio Blat incluso, e o Lucas morria de ciúmes. Eles apareceram em dois episódios de O Mundo da Lua.

O grande hit dos Big Bad Boys, que deve se chamar Somos os Big Bad Boys (auto-afirmação detected), tinha a letra mais ou menos assim:

Somo os Big Bad Boys, todas as minas gostam de nós
Meu nome é Caio, eu super bom atleta
Eu só dou carona de motoca ou bicicleta
Meu nome é Pedro Luz e eu gosto de cantar
Tenho pinta de ator, venham todas me beijar
Ruly, ruly, galy, galy, samba, rock, funk, jazz
Eu sou Cristian, o sapateiro, olhe só para os meus pés
Sou José olho de gato, gato é pouco, eu sou gatão
Não que eu seja convencido, mas cheguei a perfeição

Os nomes descritos por eles nas músicas são os nomes dos próprios atores, de maneira que fica fácil deduzir, portanto, que o Caio Blat só dá carona de motoca ou bicicleta, o que faz dele um ecochato desde aquela época.

Vamos evitar comentar o fato de o Christian, o terceiro homem dos Big Bad Boys afirmar, na letra, ser sapateiro.

Gostaria imensamente de ter achado o vídeo dos garotos se apresentando em O Mundo da Lua, mas o You Tube tem pouquíssimos episódios do seriado que, para muitos (eu inclusa) foi o mais legal da infância de todo mundo. A TV Cultura podia pensar em digitalizar o arquivo… serviço de utilidade pública. Enquanto isso, use a letra para assobiar a música. Aposto que você não esqueceu a melodia.

1. The Beets

Surpreendentemente, os vídeos originais das duas músicas do The Beets não estão no You Tube, mas por sorte temos gente desocupada no mundo

Dá para dizer que o criador do Doug Funny era fã de rock’n'roll. A irmã esquisita dele se chamava Jude. E a banda-sensação entre a galera se chamada The Beets. O último álbum deles é o Let It Beet. O visual dos Beets fazia referência aos Ramones, e algumas músicas também.

E se Doug foi um dos desenhos mais legais que já houve, em parte foi por causa de sacadas como essas. O maior sucesso dos Beets era o clássico Killer Tofu, ou em português, como vocês devem se lembrar a essa altura, Mingau Matador. Estão assobiando?

Foi o Skeeter, aquele camarada esverdeado, quem apresentou os Beets ao Doug e fez com que ele se apaixonasse pela banda. O próprio vizinho dele, o Sr. Jenkins, era superfã, também. E vale lembrar que o pai do Doug tocou com os Beets em um dos episódios, o que deve ser superlegal de contar para os amigos. Se você for o Doug, digo.

Os Beets tinham quatro músicas, no desenho: Killer Tofu, I Need Mo’ Allowance (as duas do vídeo), Where’s My Sock?, que eu não encontrei, and You Gotta Shout Your Lungs Out, que eu também achei num vídeo de usuário no You Tube, aqui, mas não no original.

Eu nunca vou descobrir quem compôs essas músicas, mas cara, elas são realmente boas. Dá para desejar que a banda fosse de verdade. As versões em português não estão indisponíveis na internet, aparentemente, mas no imeem tem Killer Tofu. E dá para achar os Beets no Blip.fm, também.

Bônus atualizado: Como bem observou o @robson, nos comentários, eu deixei de fora o The Wonders. O motivo é que eu sou de 88 – o filme, de 96, de maneira que eu não peguei a febre da coisa, apesar de conhecer a música. Ou seja – não me marcou como essas cinco que eu mencionei. Para quem não sabe, The Wonders passou horrores na seção da tarde e conta a história de uns garotos que fizeram muito sucesso nos EUA com uma bandinha bonitinha tipo Beatles. E todo mundo sabe cantar o sucesso deles – That thing you do. Muita gente nem sabe que essa música é de uma banda que na verdade não exisitu – por isso, merecem, claro, menção honrosa aqui na lista:

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Chegou a hora: já dá para colocar e compartilhar tags de objetos do mundo real

Eu sempre pensei que as coisas na tecnologia iam começar a esquentar quando a interação entre o mundo de verdade e o mundo virtual fosse concebível e possível de ser colocada em prática. Meio Minority Report, sabe? Mas sem a parte dos oráculos, que aquilo é fake demais até para mim.

E todo mundo sempre soube que esse momento está cada vez mais perto. Mas parece que, embora ainda de uma maneira meio indireta, ele chegou. Já é possível relacionar informação digital com tempo e espaço real.

No início do mês, uma feira de tecnologia em São Francisco, a TechCrunch, foi palco para a mais nova criação da japonesa TonchiDot: a Sekai Camera, um software para iPhone que permite colocar tags em objetos, produtos, serviços e lugares no mundo real.

Você insere seus comentários sobre uma loja ou um restaurante em áudio, imagem ou texto através do software. Depois, qualquer outro usuário de iPhone com o software instalado que estiver buscando info sobre aquele lugar poderá vê-la na tela. Basta ligar a Sekai Camera. Dá para colocar ‘marcações’, tipo um post-it, em qualquer coisa que seja filmável. Para se localizar em meio a tantas tags num mesmo lugar, se você estiver num shopping ou coisa assim, o software vem com um sistema de agrupamento por categorias de serviços, o Air Filter, tipo ‘lojas de roupas’, ‘restaurantes italianos’, ‘escolas de idiomas’.

Confuso? Parece inconcebível? Olha o vídeo:

É isso mesmo, exatamente o que parece, japoneses realmente não conseguem falar inglês de um jeito que não seja engraçado, e para mim parece revolucionário – assim como para todo mundo que assistiu à demonstração, como dá para sentir pela empolgação deles no vídeo. A empresa são informou alguns detalhes importantes, como quem vai gerar mesmo o conteúdo (só os usuários? empresas podem anunciar?), preço, data de lançamento. E só serve para quem tem iPhone, e eu não tenho um e nem pretendo ter (ainda mais depois disso, que me fez pensar um bocado).

As possibilidades que um software desse pode gerar são infinitas. A nós, meros mortais, residentes no Brasil e não possuidores do iPhone, resta aguardar até que o Google compre a TonchiDot por milhões e adapte a tecnologia inteiramente e de forma gratuita ao Android. E se a coisa for tão impressionante quanto parece, isso não deve demorar…

(Dica do camarada César Marins, publicada também aqui)

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Emo Day: tô fora, o negócio é ser collmin

A figura engana, mas eu não vou participar do Emo Day, que é hoje, 24 de setembro, simplesmente porque ser emo já saiu de moda, ok? E o negócio nem é mais ser From UK. Você tem que conhecer os collmin:

Eu ainda não descobri que diabos é isso, mas eles são “totalmente diferentes, modernos e estilosos” (ok que a gente sabe que eles são emos mesmo, mas eu queria ver o que têm a dizer), porque não consegui ser aceita na comunidade deles, o que desencadeou em mim uma depressão profunda. De qualquer forma, esses collmin parecem ser uma digievolução mais astuta dos emos – afinal, bloquearam a comunidade para não serem zuados e só aceitam quem tiver franja lambida e calça skinny por dentro do Nike cano alto. Justo.

Collmin, a palavra, não quer dizer nada. É um nome próprio da língua inglesa, só. Peculiar. Não desperta nenhum julgamento a partir do nome, como ‘emo’ ou ‘From UK’, que por si só já têm um significado.

Outra prova da astúcia dessa linhagem é que eles seguem criando novas denominações que os livram da condição de emo, e conseqüentemente, de ser passível de zuação. Primeiro, era o From UK. Mas logo em seguida surgiu esse negócio de collmin. Na verdade, é uma estratégia para despistar.

Afinal, quando perguntados se são emos, eles podem dizer ‘não, sou collmin’, e aí o interlocutor ficará com cara de tacho, pois desconhecerá essa nova tribo. Dessa maneira, o emuxo-collmin-from -uk sairá da discussão se sentindo moderno e vanguardista, e não mais terá que sofrer humilhações públicas.

Eu disse que eles eram mais espertos. É darwinismo, meus caros. Não se surpreenda se no mês que vem aparecerem uns emos que se auto-denominam ‘smuffles’.

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O lado bom de um trote sacana

O trote do seqüestro já entrou e já saiu de moda. Mas levante a mão quem não conhece alguém que tenha recebido uma dessas ligações (não precisa levantar. Não to te vendo. É só um recurso estilístico).

Para os (prováveis poucos) que não sabem do que estou falando, o trote do seqüestro consiste no seguinte: um fulano liga no seu celular, berra dizendo que seqüestrou seu filho/irmão/irmã/tia etc e diz que se você desligar o telefone, seu parente morre. Aí, pede para você depositar X dinheiros numa conta que ele vai te passar. Só que é tudo mentira. Muitas ligações vêm de dentro de presídios, e os caras chegam a pedir como resgate cartões de recarga de celular.

Eu mesma conheço um monte de gente que caiu, inclusive na minha família – e o stress é bravo. Perde-se dinheiro de uma forma estúpida, que poderia ser evitada, e ainda há um parente normalmente em choque, fragilizado, para lidar. Essa é a pior parte.

Danilo Gentili também falou sobre o golpe do seqüestro

Mas o trote tem sua função sócio-educativa, sim. A família, essa instituição falida da sociedade brasileira, estava mesmo precisando de um chacoalhão. Diante da adversidade, as pessoas se unem. E todo mundo que passa por uma experiência de quase perda de alguém que ama começa sim a dar mais valor àquela (e às outras) pessoas.

No fundo, tudo encontra seu papel nesse ecossistema louco que é a sociedade. Se é preciso um golpe cruel para que um pai, sempre de cara fechada, diga ‘eu te amo’ ao filho, que seja assim. O que são 10.000 mil reais perto de uma demonstração de afeto como essa, não é mesmo? Nada paga a evolução que esse relacionamento vai sofrer. Nada paga aquele abraço há tanto esperado.

Meu irmão é um camarada sossegado, sabe? Desses que não se impressiona facilmente. E não que ele não demonstre normalmente, mas acabei de receber uma mensagem de texto dele dizendo que me ama. Não entendi a subitaneidade da declaração, mas ele explicou: tinha acabado de receber o trote. Já avisado, não caiu, mas é uma situação estressante, de qualquer forma. ‘Puxa, que droga’, eu disse. ‘Mas eles falaram que eu estava seqüestrada?’ Ele respondeu, em seguida: ‘Não, eu só ouvi uma vozinha, mas resolvi conferir’. Ah, o amor fraternal é cego. E surdo. E nessas, provavelmente ele conferiu a integridade da família inteira. É a corrente do bem gerada por um trote sacana.

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As letras de música que não querem dizer nada

De acordo com a grande mestra Wikipedia, licença poética se define assim:

…é a permissão para extrapolar o uso da norma culta da língua, tomando a liberdade necessária para utilizar recursos como o uso de palavras de baixo-calão, desvios da norma ortográfica que se aproximam mais da linguagem falada ou a utilização de figuras de estilo como a hipérbole ou outras que assumem o carácter “fingidor” da poesia, de acordo com a conhecida fórmula de Fernando Pessoa (“O poeta é um fingidor”).

A matéria-prima do poeta é a palavra e, assim como o escultor extraí a forma de um bloco, o escritor tem toda a liberdade para manipular as palavras, mesmo que isso implique em romper com as normas tradicionais da gramática. Limitar a poética às tradições de uma língua é não reconhecer, também, a volatilidade da fala.

De acordo comigo, licença poética é uma puta sacanagem. Porque sob o manto protetor e tolerante da ‘licença poética’ se cometem grandes atrocidades, não só com a língua portuguesa: o problema mesmo é quando alguém escreve uma música que não quer dizer nada.

As músicas que não querem dizer nada estão por aí, aos montes. As assobiamos com entusiasmo no caminho do trabalho, na volta do clube, indo para a academia. Elas são tão parte do dia-a-dia que nós não mais nos damos conta que algumas letras não fazem de fato sentido nenhum.

A música que não quer dizer nada é democrática. Ela está em todos os lugares, em todas as classes sociais e em todos os gêneros. Não escolhe tipo de instrumento, número de integrantes da banda ou idade do compositor. Quer um exemplo? Tente entender como alguém consegue formular tantas frases e não dizer categoricamente nada:

Em muitas vezes procurei tentar achar
Onde eu errei em coisas que nem têm porquê
Naquela vez perguntei
Você não soube responder
O que eu tinha feito pra você

Agora como eu vou saber
Tem hora que é melhor esquecer
Espera o dia amanhecer
Pra ver o que a gente vai fazer

CPM 22 é um dos grandes nomes adeptos das letras que não querem dizer nada

Para os desavisados, essa foi a música com a qual o CPM 22 estourou, lá por 2001, e se chama ‘Regina, Let’s Go’. Outro grande exemplo é de um trecho de uma letra que eu nunca compreendi e talvez nunca compreenderei, a não ser que o próprio compositor me esclareça (se é que ele sabe). ‘Temporal‘, do Art Popular (deve ser de algo como 1996 ou 1997, mas não tenho certeza), recita a máxima da música que não quer dizer… nada:

Eh!
Até parece que o amor não deu
Até parece que não soube amar
Você reclama do meu apogeu
Do meu apogeu!

E todo o céu vai desabar
Ah ah ah ah ah ah ah!
Ai! Desabou!…(2x)

Ok, amor acabou, fim, desgraça, inconformação. Até aí a gente pega. Mas eu nunca encontrei uma frase tão bizarra, jogada no meio de uma música para fazer rima, que fosse capaz de estragar todo o resto da letra.

Art Popular posa junto de seu Apogeu modelo 65

Não que o resto da letra seja um primor. Mas você tá lá, sambando suavemente durante o show do Art Popular e entoando com alegria um dos hits do grupo, ‘Temporal’. Ironicamente, o sol está alto no céu. Bom, você canta e se lembra da sua última decepção amorosa, se identifica e tal, mas aí você chega nessa parte do apogeu, e aí complica. Porque o pagode não pode ter complicação na letra, entende? Precisa fluir, cara, porque as pessoas precisam sambar e o show tem que continuar. Não dá para questionar a letra, não. Só que ‘você reclama do meu apogeu’ demanda um alto processamento de CPU. Você tá cantando e de repente vem uma frase dessa – não é algo que você está esperando.

Infelizmente, não consegui formular nenhuma teoria plausível para o que seria um ‘apogeu’, nesse contexto, e porque a mulher em questão estaria tão insatisfeita com ele. Sugestões nos comentários.

Claro que existem outros mestres, mais sofisticados, do nonsense letrista no cenário nacional. Não dá para esquecer do Djavan. E Tom Zé sempre foi um nome com muito potencial. Só que esse post tem como objetivo fazer justiça a Leandro Lehart, do Art Popular, como outra fera do cenário nacional de músicas que não fazem sentido. Afinal, não dá para esquecer do ‘Pagode da Amarelinha’ e do grande hino do Art Popular, que não diz naaaaada: ‘Agamamou’. Clássicos.

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10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem

Esse texto do Holy Taco, muito espirituoso, compilou 10 itens de vários gêneros que são usados por pessoas que pensam que isso as faz parecer descoladas quando, na verdade, não as faz.

Como também sou muito espiritualizada espirituosa e estou em sintonia com as maiores tendências do wannabe-descoladismo, compilei eu mesma (com co-autoria do meu pai) minha lista de 10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem – versão Brasil 2008. Acompanhe e concorde:

10) Ir ao restaurante de comida japonesa e não comer comida japonesa

Yuki's - Dinner
Creative Commons License photo credit: VirtualErn

Olha, eu nem ligo que os restaurantes estejam se popularizando. Acho ótimo, na verdade – cria concorrência e os preços caem. Eu gosto bastante de comida japonesa e acho que a ‘moda’, sem sentido pejorativo, veio justamente por essa concorrência, que tornou os preços mais acessíveis. Mas assim, OU VOCÊ GOSTA OU VOCÊ NÃO GOSTA. Não tem essa de ‘eu gosto, só não gosto do peixe-cru’. Amigo, você não pode ir a um restaurante japonês, pagar 35 reais e comer manga enrolada no arroz e um Yakissoba, ok? Então, se você não gosta, não precisa ir só porquê você acha que te faz parecer descolado. Porque ir ao restaurante japonês e não comer comida japonesa, olha só, provoca justamente o contrário.

9) Ouvir música alta no celular

Cara, essa é sintomática. Porque é visível no olhar desafiador da pessoa que faz isso que ela realmente se acha muito descolada por ter alto-falantes em seu Sony w300i. Pois eu tenho uma novidade pra você, amigo: não é legal. Não importa o gênero que você ouve, não importa quantas músicas ou o motivo pelo qual você está fazendo isso: todas as outras pessoas ao teu redor, dentro do ônibus, no metrô ou na rua, nesse momento, te acham um babaca. Inclua a  variação ‘ouvir música muito alta no seu carro’, e a outra variação, ‘acelerar sua moto e fazer aqueles barulhos de tiros’. Ambas NÃO te fazem parecer descolado, embora você aparente estar se sentindo muito descolado, e ambas acabam interseccionadas com o próximo item, que é…

8 ) Tunar o carro

Olha, eu não quero ser polêmica. Mas tunar o carro é meio como fazer cirurgia plástica: as pessoas começaram fazendo pequenos retoques, porque era bonito ou porque era preciso. Mas depois a coisa descambou, perdeu-se a referência e hoje em dia todo mundo faz 30 mil modificações e isso acaba resultando em aberrações. Fica ridículo, mas ninguém tem coragem de falar, porque deu um trabalhão para fazer. E não é descolado.

7) Usar buttons

Olha, esse item é controverso. Eu mesma tenho alguns buttons de bandas descoladinhas que gosto de ouvir. Mas cheguei a conclusão que buttons não te fazem parecer descolado, por mais que dêem essa ilusão. É uma pena, pois seria uma maneira relativamente fácil de parecer descolado. Só que não funciona. Embora o design moderno e as cores dos buttons possam enganar alguns incautos, não se iluda: na maioria das vezes você só vai parecer alguém tentando parecer descolado e usando buttons para isso.

6) Tatuar o nome da sua banda preferida aos 15 anos

Olha, eu tenho uma coisa para te falar, se você tem 15 anos. Eu sei (e eu realmente sei do que estou falando) que o mundo parece ser pequeno, mas olha, ele é muito maior. E eu posso te garantir que em menos de, digamos, 5 anos, você não vai mais ouvir as mesmas músicas que ouvia. Além disso, sabe aquela cara de ‘…ah.’ que as pessoas fazem quando você explica para elas o que significa sua tatuagem escrito ‘NX S2′? Então, aquela cara significa que você falhou profundamente na sua intenção de parecer descolado.

5) Ler Paulo Coelho

Gente, que fique claro que eu não tenho nada contra ler Paulo Coelho, nem acho que é literatura pobre ou coisa assim. A questão aqui é que ler os livros dele, sinto informar, não faz ninguém parecer mais descolado. Eu sei que esse é um item perigoso. Você pode pensar que chegar numa roda de descoladinhos com ‘O Alquimista’ debaixo do braço fará milagres, mas não. Falar sobre os livros dele que você leu também não ajuda. Alguém precisa te avisar.

4) Usar o penteado da Amy Winehouse

Gente, ELA pode. Ela é louca. Mas ninguém que não fuma crack pode, de livre e espontânea vontade, fazer aquilo no cabelo. Ninguém vai te olhar e dizer ‘uau, que pessoa legal’. A reação vai ser algo mais como ‘olha, ela quis parecer legal imitando a Amy Winehouse mas não deu muito certo’. Confie em mim.

3) Ficar com um cabinho de pirulito na boca

Calma que eu vou explicar. A moda das raves trouxe junto alguns hábitos curiosos, que rapidamente se espalharam entre os jovens. Um deles foi o uso compulsório de pirulitos. É porque o ecstasy gera alguma brisa maluca que a pessoa fica mordendo (eu acho bem horrível, mas ok, sem lição de moral) então precisa ter algo na boca para morder. Aí, nas festas, a galera fica com cabinhos de pirulitos na boca. Só que a moda se espalhou para os outros ambientes, e as pessoas (talvez querendo dar a entender que estão sob efeito do ecstasy sem estarem) ficam com esse negócio na boca. Isso não faz você parecer descolado, ok? Só em caso de você não saber. E só aqui tem 439 que não fazem idéia…

2) Usar um chapéu que quer ser parecido com o do Justin (Timberlake)

Eu preciso explicar porque isso não é descolado?

1) Ter um blog

Ok, eu sei como é. Você tá de bobeira em casa e sua mãe lê sua redação do colégio. Aí ela te diz que você escreve bem e isso vira sua cabeça. A idéia soa legal. Você vai poder dizer para as pessoas ‘olha, entra no meu blog’. Vai poder mostrar ao mundo o que você pensa dele. Mas enquanto você pensa que todo mundo deve estar te achando muito legal por isso, a maioria das pessoas só te vê como um… nerd. Sim, talvez um nerd antenado, mas nada além de um nerd. E nerds, na visão tradicional (que não inclui vida pós-tecnologica), não são descolados.

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