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Arquivo: outubro de 2008

Há vida inteligente no Zorra Total?

O Zorra Total, famigerado programa de não-humor que passa aos sábados na Rede Globo, tem dois problemas principais.

Um: é muito ruim. Nada ali se salva.

Pra ficar mais engraçado, só com a Irislene mesmo

Dois: o programa traz consigo uma carga depressiva forte. Assistir Zorra Total tem toda uma simbologia, afinal, se é sábado à noite e você não tem absolutamente nada melhor para fazer, definitivamente há algo errado. E isso também contribui para a des-graça da coisa toda.

Hoje vamos falar só do primeiro problema. Existem três tipos de atores no programa:

- Um deles é o ator-geladeira, gente contratada da emissora que, sem espaço em outras atrações, acaba jogada no Zorra Total e se vê obrigada a fazer não-humor.

- O outro tipo é a atriz-gostosa, modelos que fazem papel delas mesmas – muito burras – e se encaixam em quase todas as esquetes estúpidas do programa. Algumas são figurantes, outras fizeram escolinha de atores da Globo e depois do teste do sofá de passarem num teste rigoroso acabaram conseguindo uma vaguinha lá.

- O terceiro tipo é o ator-humorista, mesmo. O cara que sempre fez humor, nessa ou em outras emissoras/meios, e acabou caindo no Zorra por uma infelicidade do destino.

O que pode surpreender os incautos é que nessa terceira categoria há muito gente talentosa. O Zorra Total é um programa tão ruim que estraga até quadros consagrados de atores excelentes.

‘Mas se um ator é excelente, porquê ele vai para o Zorra Total?’

Boa parte da nova safra do humor brasileiro vem dos palcos, do stand-up comedy, e o Zorra percebeu isso. Certamente fez propostas irresistíveis para atores do teatro, que diante da visibilidade e da grana oferecida pela TV, não tiveram como recusar a proposta.

Claro que nem tudo são flores. Você vai ficar famoso e conhecido, mas vai ter que adaptar o quadro ao gado telespectador. O negócio é ver se o humorista está disposto a exibir algo tão ruim – não só no Zorra, mas em todos os outros lugares na TV em que humoristas precisam ‘conter’ seu potencial para adaptar o texto ao horário ou ao telespectador estúpido.

E mesmo que o quadro seja bom, não há bom quadro que se sustente toda semana com a mesma piada, com todo mundo sabendo como vai terminar. Não há saída – ir para o Zorra te tornará um cara com fama de sem graça.

Mas tem gente boa lá, sim.

A humorista Samanta Schmutz faz aquele chatíssimo quadro do ‘Juninho Péim’ ou algo assim no Zorra Total, mas é bem engraçada em seus outros personagens – assistam até o final para uma imitação precisa da Maria Rita:

O Marcelo Mansfield tem anos de carreira consolidada no teatro e adaptou o engraçadíssimo Seu Merda para um tal de Seu Banana, que ficou bem inferior… o original, contudo, é demais:

Não precisa nem falar dos Melhores do Mundo, que de Joseph Climber passou para – puta merda – Jajá e Juju.

Tem outro cara que não faz Zorra Total (e nem deve ser por falta de convite), mas cujos trabalhos tradicionais em novelas não nos permitiram perceber o quão genial ele é: Marcelo Médici.

O Zorra Total e outras novelas com núcleos supostamente bem-humorados podem ser vitrine para caras bons, sim. O problema é detectar isso no meio de tanta gente sem-graça e de quadros idem.

Alguém tem conhecimento de mais algum talento ofuscado por um formato ruim na TV?

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Something wicked this way comes: trailer de Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Eu sou uma das maiores fãs de Harry Potter de que você já teve notícia. E é por isso que eu não consigo conter a empolgação ao assistir coisas como essa. Esse é o trailer do próximo filme da série, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, e como nos últimos dois anos eu estarei lá, na sessão da meia-noite da estréia, fazendo cosplay de Minerva McGonagall.

Mentira né, gente. O cosplay é de Hermione.
Não, tô brincando, eu não sou tão nerd assim. Só assisto o filme na estréia, mesmo; nada de fantasias.

Assiste aí.

(Peguei no Goma de Mascar)

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Recursos naturais não renováveis e palitos de dente


Estilo de vida do homem supera capacidade do planeta

A Terra perdeu, em pouco mais de um quarto de século, quase um terço de sua riqueza biológica e recursos, e no atual ritmo, a humanidade necessitará de dois planetas, em 2030, para manter seu estilo de vida, adverte o Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

Porque acho que não é nada que alguém mais observador não possa concluir depois de alguns anos habitando o planeta. Mas sei lá, né.

Sábado me deparei com o maior símbolo do capitalismo e de como a mente bizarra do ser humano funciona. Não achei que fosse encontrar elemento tão emblemático, assim, numa mesa de bar. Mas lá estava ele, discreto mas destacado à sua maneira.

Palitos de dentes plastificados individualmente e com menta na ponta.

Sim, meu caro. O bar em que eu fui na última semana disponibiliza gratuitamente aos clientes palitos de dente com embalagens plásticas individuais e uma pontinha mentalizada.

Quando me dei conta, já comecei a imaginar um idiota tendo uma idéia que prometia revolucionar um mercado já estabelecido e consolidado. Ele juntou uns conceitos idiotas que chamou de ‘valor agregado’, ‘público diferenciado’ e ‘sofisticação’ e chegou à conclusão que seria interessante e lucrativo plastificar e mergulhar pontas de palitos de dente na menta.

Eu me pergunto: será que esse cidadão dorme todos os dias sabendo que ele criou algo que aumenta o consumo de petróleo e colabora para o desmatamento de uma maneira estúpida e inútil?

Será que o dono do bar acha realmente que isso é um diferencial que vai influenciar a escolha do cliente entre esse ou o outro bar?

Será que as pessoas realmente acham que esse palito de dente é algo legal?

E a última coisa, porém não menos importante: palitar os dentes não era falta de educação? Não é só porquê o palito vem num plastiquinho e tem ponta verde que a coisa se torna agradável de assistir ou a regra de etiqueta muda.

Esse palito é o maior exemplo de como a gente vive de criar e satisfazer necessidades inexistentes. E isso tem um papel bem grande no fato de que, segundo o texto da EFE lá em cima, nesse ritmo em 2030 precisaremos de duas Terras para agüentar o tranco.

Eu não sou eco-xiita. Faço o básico, sabe? Fecho a torneira na hora de escovar os dentes. Jogo o lixo no lixo. Não imprimo papel à toa – as coisas que todo mundo deveria fazer. Mas esse palito de dente é uma afronta. E quer saber? Quase nem dá para sentir o gosto de menta.

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Blogs já eram e o futuro é o Twitter, diz Paul Boutin, da Wired

A Wired, explico para noobs leigos, é uma revista linda, divertida e com projeto gráfico fantástico, que eu compro a cada três meses por causa do preço final aqui no Brasil: 25 mangos.

A Wired é uma revista de tecnologia, de certa forma, mas não da maneira convencional. É tecnologia, comportamento, ciência, atualidades e algo de cultura pop de um jeito que não dá para exemplificar comparando com qualquer publicação nacional, já que ninguém no Brasil faz nada parecido.

No último dia 20, um colunista da revista chamado Paul Boutin publicou aqui um texto cujo título é algo mais ou menos assim: ‘Twitter, Flickr e Facebook fazem blogs parecerem tão 2004′

O camarada começa o texto dizendo que se você pensa em começar um blog, é para mudar de idéia. E se já tem um, acabe com ele.

O argumento é o seguinte: blogs são impessoais e tem volume muito grande de informação. Para Paul, a bola da vez são o Twitter, o Facebook (?) e o Flickr.

Infelizmente para o Paul, eu discordo absolutamente do que ele postulou e felizmente para mim meu blog me permite dizer isso. Não quero que a informação se reduza a 140 toques, ou a uma foto, ou a um perfil cheio de widgets e associados a padrões de comportamento em forma de comunidades. O que Paul esqueceu, ansioso por escrever um texto polêmico e por tentar prever uma tendência de maneira precária, é que a internet é o que é justamente por ter espaço para todos os tipos de mídia.

É claro que as ferramentas que reduzem informações a um número de caracteres ou a uma foto são importantes, mas a mim parece óbvio que elas não são – e nunca serão, como na vida real, onde lemos livros com textos e vemos livros de ilustrações – isoladas uma da outra.

Twitter, Flickr, Facebook (adaptemos ao nosso Orkut) são ferramentas complementares. Cada uma atende a uma necessidade diferente, e as pessoas podem buscar uma delas de cada vez ou a duas ou três, como é comum.

Não, as fotos e os textos de 140 toques não vão substituir textos de 2.000 toques. Na pior das hipóteses, lembremos que sempre existirão os entusiastas do texto, como existem os entusiastas do vinil. E considerando o cenário que Paul menciona – de que as postagens em blogs não são mais informações relevantes nos buscadores – , se ele é identificável no contexto norte-americano, aqui a coisa é exatamente o contrário. Nesse ponto, então, talvez seja bom estar atrasado na revolução da democratização da produção de informação.

Claro que não dá para prever os rumos da web, já que isso depende de uma série de fatores. Mas ‘prever’ o fim dos blogs como meio de produção de conteúdo parece só uma necessidade de falar coisas que vão repercutir. Pelo menos esse objetivo ele atingiu.

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A verdade sobre Barack Obama


Ei, vocês aí embaixo? Otários!

Acompanhar a eleição americana um pouco mais de perto surpreende. Você chega, olha os resultados das pesquisas e não entende como os candidatos podem estar empatados. Afinal, daqui do Brasil a gente só vê Obama. Os jornalistas amam o Obama, e lá nos EUA também, com a imprensa tradicionalmente republicana. Obama é jovem e carismático. Além disso, tem o nome parecido com o de Osama (o Bin Laden) e é negro.

No início, eu já gostava do cara pela ironia da coisa e pelo conceito revolucionário: o primeiro presidente negro dos EUA, país com especial histórico de repressão aos negros, com Klu Klux Klan, os guetos, as guerras entre brancos e negros nas ruas, o assassinato de Martin Luther King. Aqui no Brasil, como os jornais só nos trazem Obama, é Obama quem temos.

Mas Obama não tá nem aí para nós, não. E disso ninguém fala. Obama não quer ter nada a ver com a parte de baixo da América. Obama apóia parcerias comerciais dos EUA com a Europa. Ele nem menciona os países da América Latina na parte de ‘política internacional’ dos debates.

Mas ele tem planos para a América Latina, sim. E eles envolvem não apoiar nossa produção de etanol e consideram a Amazônia um recurso global.

Em maio deste ano, quando ainda era pré-candidato, Obama propôs um plano para o continente que chamou de ‘Nova parceria para as américas’. A proposta é ‘reestabelecer a liderança americana no hemisfério’. O texto tem uma parte dedicada ao Brasil, que foi traduzida pelo jornalista Luiz Carlos Azenha, publicado no Terra Magazine na ocasião, e pode ser encontrado na íntegra aqui (ou aqui em inglês), já que o blog do Azenha não está mais no Terra. Vou reproduzir alguns trechos:

O caso do Brasil: O Brasil é um exemplo do grande potencial das energias renováveis na América Latina, além dos riscos que devem ser evitados. (…) A região da Amazônia, um importante recurso global na batalha contra o aquecimento do planeta, cobre quase 60% do Brasil. Perdeu 20% da floresta – 1,6 milhão de milhas quadradas – para o desenvolvimento, a exploração da madeira e a agricultura. (…) Os produtores domésticos de etanol nos Estados Unidos se preocupam com razão com a competição do Brasil, que é o maior exportador de etanol do mundo. (…) Barack Obama quer expandir a produção de energia renovável por toda a América Latina de forma a que ao mesmo tempo promova a auto-suficiência e a criação de mercados para os fabricantes americanos de energia verde e de biocombustíveis.

Deu para entender a idéia? Barack Obama não quer etanol brasileiro. Ele acredita que estimular a produção de etanol pode estimular a plantação de cana na Amazônia, desmatando florestas que ele considera ‘recurso global’ no combate ao aquecimento. ‘Recurso Global’ é estranho, um pouco megalomaníaco.

Então, se Obama for eleito, esqueçam as promessas de que o Brasil é o paraíso futuro do etanol. Ele quer dar incentivos à produção americana desse combustível e torná-los auto-suficientes.

A moral: Obama é fofo, alegre, sorridente, tem carisma e uma série de outras coisas que fazem ser quase irresístivel não votar nele (no nosso caso, torcer por ele). Parece ser o tipo de cara que vai fazer as coisas mudarem. E ele vai, mas não para nós.

E McCain, apesar de feioso, esquisito, meio velho, de ter braços curtos e de ter uma vice lamentável, tem propostas de política externa muito mais compatíveis com os interesses do Brasil.

Se nada disso te convenceu, no vídeo abaixo Obama mostra quão importante a América Latina é para ele:

(Colaborou indiretamente Gabriel Pinheiro)

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Bombom de colherada: ganhei dois potes de sorvete

A Kibon, por intermédio da Cubo, me mandou na semana passada dois potes de sorvete de dois litros com os dois novos sabores da Kibon, Sonho de Valsa e Ouro Branco. A ação, que foi meio que ‘preparada’ durante a semana que antecedeu a entrega, consistia em cartõezinhos misteriosos com URLs de vídeos que se complementavam, com histórias familiares (e não tão familiares) de uma mulher na faixa dos 35.

Os potes de sorvete vieram numa bolsa térmica bonita, com uma colher bonitinha e boa de comer sorvete.

Mas eu não gostei dos sabores, não.

Para ser honesta, achei o Sonho de Valsa muito enjoativo e com sabor acentuado de amendoim. O Ouro Branco achei mais gostoso, mas tem um gosto forte de castanha de caju que não me agradou.

Gostaria de salientar que depõem contra mim, neste caso, dois fatores:

1. Eu não gosto dos bombons Sonho de Valsa e Ouro Branco.

2. Nunca fui fã de sorvete de massa.

Devo dizer que a opinião minha foi replicada pela minha mãe, que provou o sorvete e também não gostou, mas que o Lucas, meu irmão, achou ótimo que nós não gostamos, assim poderá comer tudo sozinho.

A bolsa térmica é bonita e pode ser usada para outras coisas, tipo levar frango e farofa para a praia, sabe? Pena que o forro rasgou logo no primeiro dia. E a colher é realmente legal.

Mas não gostar faz parte da coisa, né? O legal é poder receber sorvetes, prová-los e dizer se são bons. Sempre fui entusiasta da crítica gastronômica.

O site da campanha, Bombom de Colherada, que tá dando dois notebooks e potes de sorvete de graça.

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Aprenda a dançar de maneira ‘extravagante e controlada’ e tenha as mulheres aos seus pés

Caro leitor do sexo masculino,

Apresento hoje a ferramenta que vai fazer com que você tenha todas as mulheres aos seus pés. Não, não é post patrocinado de lâmina de barbear, de desodorante ou de calça jeans. É informação de interesse público:

Dança controlada e extravagante ‘atrai mais as mulheres’
Uma pesquisa realizada pela universidade de Hertfordshire, no centro-leste da Inglaterra, indica que homens que fazem movimentos mais controlados e um pouco extravagantes na pista de dança agradam mais as mulheres.

Nesse momento, leitor, imagino que você esteja curioso. Provavelmente está se perguntando como executar movimentos que sejam ao mesmo tempo controlados e extravagantes. Por isso, deve estar ansioso para dar uma olhada em fotos que exemplifiquem essa técnica avançada de sedução.

Depois dessa demonstração frame-to-frame, imagino que você já tenha sacado todo o gingado, molejo e sensualidade dessa belíssima dança do acasalamento. Leitoras do sexo feminino hão de concordar comigo o mero vislumbre das imagens já provoca reações, como risos.

E como eu zelo pelos suas habilidades de conquista, meu caro, eu vou mais longe. Clique aqui para assistir a um guia didático, com legendas em português, que mostra quais são os tipos de dança possíveis e qual você deve usar para descolar um par nessas noites de bolero.

Quando descolar uma namorada e se casar, volte aqui para me contar a história.

O Brasil é um país que carece de incentivo para pesquisas. O governo esquece de investir em ciência e tecnologia e as pessoas que escolhem alguma carreira voltada para pesquisa acadêmica se vêem diante de possibilidades tristes, com bolsas de incentivo ridículas.

E é por isso que eu admiro esses países de primeiro mundo. Eles investem tanta grana em ciência que os cientistas podem se dar ao luxo de fazer todas aquelas pesquisas inúteis das quais a gente ouve falar todos os dias. Não é por acaso, sabe? É porque lá o incentivo científico é maciço, e mesmo quem quer estudar coisas que não tem utilidade nenhuma é beneficiado.

Inspirador.

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Praticando a desconfiança: um guia prático

Com que freqüência você duvida das coisas que ouve? Seja dos amigos, dos seus professores, mãe e pai, televisão, jornal, revista e dos blogs que lê – quantas vezes você termina de ouvir ou ler algo e se questiona se tudo aquilo é verdade? Você tem por hábito procurar informações que contradigam as coisas em que você acredita desde sempre? Acha que isso é loucura?

Provavelmente a maioria das pessoas pensa que é confortável – e até acha correto, em certos aspectos – se acomodar em uma opinião. Sempre me disseram que acreditar em algo e defender aquilo é ter personalidade forte, caráter, não ser volúvel e nem influenciável.

Mas de alguns anos para cá, por influência da faculdade de jornalismo e do exercício da profissão, eu adquiri um novo conceito sobre o que é ter ‘personalidade forte’ (se é que isso é importante). Eu sou, com muito orgulho, uma pessoa altamente flutuante nas minhas convicções.

Quero dizer o seguinte: eu desconfio. Eu desconfio de tudo o que ouço, o que vejo, o que leio. Tenho por hábito a desconfiança. E ela é fundamental para que possamos entender que todas as estórias têm faces que que dificilmente serão exibidas se você não se der ao trabalho de ir buscá-las.

Quando eu percebo que há um interesse genuíno de alguém ou algo em me influenciar a acreditar em algo, acendo o duplo alerta da desconfiança. Se eles querem que eu acredite, então existem ainda mais motivos para duvidar.

Eu duvido pelo prazer de questionar aquilo em que eu mesma acredito. E depois duvido da dúvida que eu criei. Eu duvido das pessoas e apresento para elas, com freqüências, argumentos contrários ao que elas acreditam, e perfeitamente plausíveis, pelo prazer de ver a cabeça delas dando um nó. É uma espécie de hobbie cruel e sádico. Eu duvido às vezes sem concordar de fato com a dúvida que surgiu, só porquê acho fundamental que todo mundo se questione todos os dias sobre suas convicções, sempre. Desde muito tempo, às vezes tenho a nítida sensação de que é para isso que estou aqui: fazer com que as pessoas se perguntem sobre o que elas acreditam.

Gostou da idéia, mas não sabe por onde começar? Confira as regras de ouro da desconfiança para uma vida mais crítica e questionadora (e um pouco mais complicada, mas sem dúvida mais divertida):

  • Regra de Ouro da Desconfiança #1: quanto mais presente um assunto estiver nas manchetes e na boca do povo, mais desconfiado dele você deve ficar.

  • Regra de Ouro da Desconfiança #2: se você perceber que estão tentando te convencer de algo sem que isso lhe seja dito diretamente, você tem aí o principal motivo para não se convencer desse algo.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #3: vídeos e aspas não provam nada. Pessoas mentem, erram, são imprecisas e suas declarações podem ganhar teor diferente em diferentes contextos.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #4: o Google é seu melhor amigo.

  • Regra de Ouro da Desconfiança #5: Fique longe da Veja.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #6: Sério. Fique longe da Veja. E nem é discursinho pronto de estudante, ok? Não vou dizer ‘a Carta Capital sim é boa’, aliás nem tenho saco para a Carta Capital. Apenas fique longe da Veja. A revista é nojenta.
  • Regra de Ouro da Desconfiança #7: Espalhe a semente da desconfiança. Conteste as convicções das pessoas ao seu redor por esporte. Mas faça tudo parecer uma grande brincadeira em uma dicussão saudável. Não queremos que você afaste as pessoas, não é?

Apenas fique atento para fugir da armadilha do niilismo. Não é negócio duvidar da própria existência, até porquê um autêntico duvidador tem a certeza de que duvida, e se duvida, logo existe.

Para todas as coisas existem não dois, mas muitos lados. E vai ser muito difícil percebê-los se a gente se acomodar nas coisas que acredita, que a gente lê na Veja, que o jornal nos diz. Duvidar não é algo simples de se fazer, porque dá um trabalhão, claro – é mais fácil engolir as coisas como estão, prontinhas. Mas eu acho que vale a pena.

De qualquer forma, você já pode começar duvidando desse texto.

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Planeta Terra: comercial legal e horários que você já viu

Lembra que eu mencionei que estive na gravação do comercial do Festival Planeta Terra?

Não dava para imaginar que tudo aquilo que a gente viu se tornaria isso:

Essa é a primeira parte. As outras três, que continuam a história (o vídeo é super legal, quase um curta), podem ser encontradas aqui : Parte 2 | Parte 3

O enredo, meio misterioso e filosófico, não tem desfecho: o final vai ser escolhido pelo internauta. Qualquer um pode enviar um vídeo que encerre a parada. É a Web 2.0 mostrando a que veio e deixando os blogueiros felizes com parcerias fantásticas. O Terra TV também disponibilizou um making of do comercial.

Acho importante assistir, especialmente porque Santo André compareceu em peso na figuração da parada (conheço até o casal se beijando no vídeo 2, po). Se consolidando como metrópole indie, muito mais do que terra de seqüestros ou asilo para assassinos de aluguel fugitivos, minha querida cidade levou amigos e conhecidos para atuarem nessa que foi uma longa e gélida seqüência de takes na Villa dos Galpões.

Aliás, dá uma olhada nos horários do Festival:

Main Stage
17h30 às 18h30 – Vanguart
19h às 20h – Mallu Magalhães
20h30 às 21h30 – Jesus and Mary Chain
22h00 às 23h15 – Offspring
23h45 às 01h00 – Bloc Party
1h30 às 02h45 – Kaiser Chiefs

Indie Stage
16h30 às 17h30 – Brothers of Brasil
18h00 às 19h00 – Curumin
19h30 às 20h30 – Animal Collective
21h00 às 22h00 – Foals
22h30 às 23h30 – Spoon
0h às 1h30 – Breeders

DJ Stage
20h30 às 22h00 – Mau Mau
22h às 23h30 – Mylo (dj set)
23h30 às 1h – Calvin Harris (dj set)
1h às 3h – Felix da Housecat

Minha seqüência já foi devidamente anotada num pedaço de papel que se perdeu no limbo que é minha mochila (apesar de ser bonitona, confira aqui), mas como eu sei de cabeça, informo que chego às 17h30 para assistir Vanguart, em seguida vejo Mallu Magalhães, daí terei uma hora de descanso para conferir Foals. Seguirei direto então com Offspring, Bloc Party sem playback e os Kaiser Chiefs fechando a noite, que promete ser agradável.

Eu e outros 25 blogs – veja a lista aqui embaixo – fomos convidados para sermos embaixadores do Festival, o que para mim cai muito bem – eu fui embaixadora sem ser convidada há um ano, e agora a oficialização disso me deixa muito feliz. Para que eu fique mais feliz, só confirmando mais uma atração brasileira de peso para eu conferir naquela uma horinha de descanso. Que tal os Ecos Falsos? Ou os Los Porongas?

Sim Viral | Fonte Rosa | Eu Gosto de uma Coisa Errada | Chiqueiro Chique | Cegos, Surdos e Loucos | Olhômetro | Puro Pop | Casa da Narcisa | Meradoxa | Muito Horrorshow | Rock-o-Matic | Rock de índio | Outros Olhos | Indie-e-Geste | A Festa Nunca Termina | Quem pode, Poda | Move That Jukebox | Penetration Club | Azar o seu, Querida | Bloody Pop | Lalai Loaded | Putzcaramba! | The Putz Factory | Blah Blah Blog | Indie Cent Music

(Copiei a lista do Eric)

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Eu participei de um podcast com nome estranho

O Grande Vaca Bit, podcast dos camaradas Hamilton, Mari e Marcus, todos gaúchos, me acolheu de maneira… hum, acolhedora, na última quarta-feira, 15.

Em uma hora e meia de podcast (sim, longo, eu sei), falamos sobre as bandas que mais gostamos, sobremesas prontas de maracujá e outros assuntos de interesse público. Serve para quem queria saber como era minha voz, que eu acho bem esquisita. Mas acho que não é exclusividade minha: todo mundo acha sua própria voz esquisita. Ao menos, acho que todas as pessoas que me disseram isso até hoje não o fizeram apenas para que eu me sentisse melhor.

Apesar de, no podcast, eu mencionar o show do Pearl Jam em 2006, ele foi no fim de 2005. Eu sempre confundo.

Você pode baixar o podcast aqui, ou ouvir aqui embaixo, através deste fantástico player que eu tive imensa dificuldade para incluir:

Outra opção é assinar o feed e receber os episódios automaticamente pelo iTunes. Mas isso é só se você tiver um iPod – que me desculpem os portadores de China-made MP3 players.

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