23 de outubro de 2008 às 3h41
Praticando a desconfiança: um guia prático
Com que freqüência você duvida das coisas que ouve? Seja dos amigos, dos seus professores, mãe e pai, televisão, jornal, revista e dos blogs que lê – quantas vezes você termina de ouvir ou ler algo e se questiona se tudo aquilo é verdade? Você tem por hábito procurar informações que contradigam as coisas em que você acredita desde sempre? Acha que isso é loucura?
Provavelmente a maioria das pessoas pensa que é confortável – e até acha correto, em certos aspectos – se acomodar em uma opinião. Sempre me disseram que acreditar em algo e defender aquilo é ter personalidade forte, caráter, não ser volúvel e nem influenciável.
Mas de alguns anos para cá, por influência da faculdade de jornalismo e do exercício da profissão, eu adquiri um novo conceito sobre o que é ter ‘personalidade forte’ (se é que isso é importante). Eu sou, com muito orgulho, uma pessoa altamente flutuante nas minhas convicções.
Quero dizer o seguinte: eu desconfio. Eu desconfio de tudo o que ouço, o que vejo, o que leio. Tenho por hábito a desconfiança. E ela é fundamental para que possamos entender que todas as estórias têm faces que que dificilmente serão exibidas se você não se der ao trabalho de ir buscá-las.
Quando eu percebo que há um interesse genuíno de alguém ou algo em me influenciar a acreditar em algo, acendo o duplo alerta da desconfiança. Se eles querem que eu acredite, então existem ainda mais motivos para duvidar.
Eu duvido pelo prazer de questionar aquilo em que eu mesma acredito. E depois duvido da dúvida que eu criei. Eu duvido das pessoas e apresento para elas, com freqüências, argumentos contrários ao que elas acreditam, e perfeitamente plausíveis, pelo prazer de ver a cabeça delas dando um nó. É uma espécie de hobbie cruel e sádico. Eu duvido às vezes sem concordar de fato com a dúvida que surgiu, só porquê acho fundamental que todo mundo se questione todos os dias sobre suas convicções, sempre. Desde muito tempo, às vezes tenho a nítida sensação de que é para isso que estou aqui: fazer com que as pessoas se perguntem sobre o que elas acreditam.
Gostou da idéia, mas não sabe por onde começar? Confira as regras de ouro da desconfiança para uma vida mais crítica e questionadora (e um pouco mais complicada, mas sem dúvida mais divertida):
- Regra de Ouro da Desconfiança #1: quanto mais presente um assunto estiver nas manchetes e na boca do povo, mais desconfiado dele você deve ficar.
- Regra de Ouro da Desconfiança #2: se você perceber que estão tentando te convencer de algo sem que isso lhe seja dito diretamente, você tem aí o principal motivo para não se convencer desse algo.
- Regra de Ouro da Desconfiança #3: vídeos e aspas não provam nada. Pessoas mentem, erram, são imprecisas e suas declarações podem ganhar teor diferente em diferentes contextos.
- Regra de Ouro da Desconfiança #4: o Google é seu melhor amigo.
- Regra de Ouro da Desconfiança #5: Fique longe da Veja.
- Regra de Ouro da Desconfiança #6: Sério. Fique longe da Veja. E nem é discursinho pronto de estudante, ok? Não vou dizer ‘a Carta Capital sim é boa’, aliás nem tenho saco para a Carta Capital. Apenas fique longe da Veja. A revista é nojenta.
- Regra de Ouro da Desconfiança #7: Espalhe a semente da desconfiança. Conteste as convicções das pessoas ao seu redor por esporte. Mas faça tudo parecer uma grande brincadeira em uma dicussão saudável. Não queremos que você afaste as pessoas, não é?
Apenas fique atento para fugir da armadilha do niilismo. Não é negócio duvidar da própria existência, até porquê um autêntico duvidador tem a certeza de que duvida, e se duvida, logo existe.
Para todas as coisas existem não dois, mas muitos lados. E vai ser muito difícil percebê-los se a gente se acomodar nas coisas que acredita, que a gente lê na Veja, que o jornal nos diz. Duvidar não é algo simples de se fazer, porque dá um trabalhão, claro – é mais fácil engolir as coisas como estão, prontinhas. Mas eu acho que vale a pena.
De qualquer forma, você já pode começar duvidando desse texto.



23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 


23 de outubro de 2008 às 7h20
Não acredito em nada do que você escreveu XD.
Eu também sou bem desconfiado do tipo “eu só acredito, vendo” (imagine o Silvio Santos falando a primeira parte e suas colegas de trabalho em uníssono, a segunda) e olhe lá. Sou bem assim “e se isso, mas e se aquilo”, do tipo “‘porque sim’ não é resposta”.
Na minha opinião, esse papo de “cientificamente provado” é o maior indicador de que aquilo deve ser desafiado. Trabalho com ciência e é assim que ela funciona — e muitas vezes se mostra realmente errada. É assim que o conhecimento avança — está cientificamente provado XD. Se alguma coisa me interessa (falando ainda de ciência) eu procuro descobrir a fonte, ler o artigo (vulgo, “paper”), saber se a informação é “confiável”. Nossa, se existe uma coisa que é bem mal (acho engraçado escrever “bem mal”) vista nesse ambiente é a Wikipedia. Se for mito (o que pela própria palavra já indica desconfiança da veracidade), às vezes prefiro até acreditar: a história é tão boa que perderia a graça se fosse mentira. No mundo científico correm muitas histórias sobre a vida de pesquisadores famosos. Mitos que encantam e pouco importam se são reais ou não: em nada contribuem ao seu trabalho. Alguns são casos que os fazem parecer mais humanos do que lendas (outra palavra que implica em origem duvidoda).
Acredito que existem muitas palavras-chave que refletem a dúvida ao se transmitir o conhecimento, muitas dessas usamos no dia-a-dia no meio de alguma conversa pra se mostrar interado num assunto ou como alguma forma de “conhecimento inútil” — termo bem infeliz na minha opinião.. –, coisas do tipo “você sabia que (…)”, “eu ouvi falar que (…)”, “você não vai acreditar no que eu descobri (…)”. É assim que se espalham boatos e falsidades: as pessoas acham tão legal (ou não procuram descobrir a verdade) que assumem como verdade, é o caso do “estória”, que você utilizou em seu texto. Coisas que são tão amplamente divulgadas e sem oposição inicial que quando confrontadas mais pra frente geram uma dúvida cada vez maior sobre sua veracidade. Seria isso o chamado “conhecimento popular”? Histórias de natureza duvidosa, mas que ninguém põe a prova e se alguém o faz, a mentira é tão incorporada às nossas vidas que é difícil desraizá-la.
Responder
23 de outubro de 2008 às 21h12
A maior verdade de todas é que nenhuma afirmação é 100% correta ou 100% certa, tudo o que existe, escrito, falado, feito e etc, tem sua porcentagem de erro e de acerto. O que nós podemos fazer é escolher um lado e fortalecê-lo. Gosto muito de fazer isso. Quanto mais pessoas eu ouvir a respeito de um assunto, mais perto chego da verdade, porque cada um tem sua visão da realidade, mas a realidade é uma só.
Responder
23 de outubro de 2008 às 11h27
Sem dúvida, você é notável.
Responder
23 de outubro de 2008 às 11h47
Muito bom texto! Seria fantástico se todas as pessoas acordassem e parassem de engolir informação sem avaliação, como gordos em pizzaria rodízio.
Gostei principalmente das regras 1, 3 e 5. Só que nessa última eu acrescentaria o Jornal Nacional, o Fantástico e o Estado de São Paulo.
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23 de outubro de 2008 às 13h14
Mallmal, vamos dizer que eu trabalho em um desses 3 lugares, não vou dizer qual, então por bem preferi me referir só à Veja, que eu considero o exemplo mais gritante no impresso. =)
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31 de outubro de 2008 às 1h38
Risos… Tá na cara que é o Estadão. Você não tem perfil pra Fantástico. Jn, talvez… Mas ainda fico com o EdSP.
De qualquer modo, deve ser difícil pra alguém “de esquerda” trabalhar num jornal (muitas aspas) “de direita”!
Graças a Deus saí de São Paulo, há um ano e meio… Tive o desprazer de morar aí durante onze anos por culpa de faculdade, residência e empreguinhos “muito bons”… Finalmente tomei coragem e bailed out! Hoje em dia trabalho a um minuto e meio da minha casa, ganho mais, trabalho menos e aproveito muito mais a minha vida…
Ainda assim, a vááários Km de distância, mantenho o ranço de ódio contra esse jornaleco! (A Folha tem um quê de naive, que é interessante…)
Mas estou sendo biased, claro, já que odeio mídia formalizada como um todo.
Quanto à Veja, ganhei uma assinatura da minha mãe quando mudei pra cá. Ela AMA essa scheisse. Renovei apenas pelo conteúdo humorístico (que não incluí – off course – o Millor, o ÚNICO que escreve a sério por lá). O quê dizer de um veículo de jornalismo que contrata o Diego M.?????
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31 de outubro de 2008 às 12h25
Eu já fiz algumas referências anteriores aqui, então pra alguns leitores antigos não é surpresa que eu trabalhe no Estadão.
Sobre ser ‘de esquerda’ e trabalhar num jornal ‘de direita’, não é difícil não.. no dia a dia não faz diferença. OESP é um lugar super bom de trabalhar. Não sei se trocaria pela Folha. Jornaleco é o Diário do Gd Abc…
Bj
23 de outubro de 2008 às 13h01
Sou total assim.
Me chamam de chata frequentemente.
Responder
23 de outubro de 2008 às 14h16
As pessoas deveriam parar mesmo de acreditar em tudo que lêem, que assistem, que ouvem…
Deveriam investigar a história, saber os vários lados, antes de aceitar a primeira versão e pronto.
E Carlos Marin, concordo com você! Essa parte dos “boatos e falsidades”… é bem isso mesmo, eles pensam: opa, que babado, e começam a espalhar, sem ao menos saber a veracidade da história, aí a coisa ganha uma proporção enorme.
E outra coisa: porque todo mundo que lê Veja faz aquele tipinho de inteligente, de superior? Cara, grande coisa se você leu na Veja! Azar o seu.
Responder
23 de outubro de 2008 às 23h13
xD é verdade!! Todo mundo que lê a Veja acha que está super atualizado e que é o cara mais culto de todos. Mal sabe ele que aquilo não passa de enrolação. Como a Superinteressante, que de revista científica não tem nada.
Mas no fim, é melhor ler a Veja e ficar pelo menos por dentro de parte da verdade do que não ler nada e ser um completo alienado, ne?
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h31
Cara, na boa, Veja é alienação também. Sem exagero. Se é pra ler Veja, melhor não ler nada… ou pelo menos pula as primeiras páginas e correr pro fim. Daí lê só as matérias de cultura, comportamento e aquelas notinhas curtas com foto. Daê corre menos riscos. =)
Responder
23 de outubro de 2008 às 14h32
Oi, Ana!
Minha primeira vez aqui no seu blog. Estou adorando!
E desconfio que voltarei mais vezes.
Beijos e sucesso!!!
Responder
23 de outubro de 2008 às 14h51
eu também tento me questionar sempre, e questionar aos outros, é que parece que hoje em dia as pessoas tem preguiça de pensar. vc faz a pessoa se questionar e ela assume uma posição tipo: mas passou na televisão, obvio que ta certo, e não entende que a tv tbm eh feita por pessoas. é dificil, como vc disse.
Responder
23 de outubro de 2008 às 20h50
Desconfiança como postura ética é mais do que necessária neste tempo que vivemos, se não quisermos viver como fantoches. Desde criança procuro observar o versículo da Bíblia que diz: “maldito o homem que confia no homem”. Mais tarde, depois de ver “Mera coincidência” (Wag the dog) percebi que tudo pode ser forjado. Vejam!
Responder
23 de outubro de 2008 às 20h56
Eu comecei isso agora. Desconfiei desse seu “hobbie”. Procurei no google e na verdade é Hobby. HA! Nó na SUA cabeça!!!!!
Responder
23 de outubro de 2008 às 20h59
AHH
‘Hobbie’ não existe mesmo, é só quando vai pro plural que fica ‘Hobbies’… hahaha.. começou bem!
Responder
23 de outubro de 2008 às 21h10
Regra de Ouro da Desconfiança #8:
Não acredite em tudo que lê nos blogs, principalmente se o único fundamento for a opinião de quem escreveu.
Responder
23 de outubro de 2008 às 21h12
Oi? Acho que a intenção é essa, né? Aqui a gente dá opinião dizendo que dá opinião. Vai ler jornal, daí vc vai ler opinião achando que tá lendo notícia. Talvez vc prefira assim.
Responder
24 de outubro de 2008 às 4h36
Isso foi oq eu sempre pensei!!! A mídia é uma farsa!!! Ridicula!!! Pq é isso que acontece.. jornais não dão noticias.. dão opiniões que eu não perguntei!!! É ridiiiculo a risada e o cinismo dos apresentadores!! A globo é campeã!! revoltaaante!! Nunca quis saber a opinião desse povo!! Jornal bom é aquele q o apresentador tem cara de porta e deixa a interpretação da noticias p/ vc se virar!!! Bandnews é a mais aceitavel!!
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h21
Luciana, a idéia é duvidar para se manter imune a possíveis más-intenções. Mas nem sempre a tal ‘mídia’ é má intencionada, não. Experiência própria. =)
23 de outubro de 2008 às 21h26
Estava indo mais ou menos bem até falar da Veja… Aí f…
Responder
23 de outubro de 2008 às 23h50
A mídia é mesmo uma manipuladora de informações, o governo então…
É importante termos vários meios de informação.
Responder
24 de outubro de 2008 às 0h02
Todos sabem que o único lugar que presta para ler notícias é CARAS. E para as mentes jovens, Capricho. E tenho dito.
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h30
Tem um caso fatídico da Caras que meu cabeleireiro me mostra toda vez que vou lá. Numa semana, a Caras entrevistou um ator velho e veio, cujo nome me foge, que havia casado com uma bela e jovem moça de 20 anos. Lá, ele dizia que era seu quinto casamento, mas que ele estava apaixonado, que esse sim duraria etc. A Revista também entrevistou a moça, que disse que estava super feliz e gostaria de ter um filho com o cara. Corta.
Na Caras seguinte, o mesmo ator dizendo que se separou. DUAS SEMANAS depois. E por causa da entrevista: por ela, ele descobriu que a moça queria ter filhos, e ele não queria. Genial. hahahahaha
Responder
24 de outubro de 2008 às 22h18
kkkkkkk
Só faltava sair uma Caras depois dizendo que o repórter estava tendo um caso com a garota…
Responder
24 de outubro de 2008 às 0h12
“o Google é seu amigo”
que alienada
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h27
Helder, separei um título pra você, considere adquirí-lo:
http://www.submarino.com.br/produto/1/21391895/interpretacao+de+textos
Beijos!
Responder
24 de outubro de 2008 às 1h03
Eu nunca falo a verdade.
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h26
Nem quando você diz que nunca fala a verdade? Que confuso! hahahahaha
Responder
24 de outubro de 2008 às 1h33
Na boa….isso é papo de maluco..se vc desconfia só pq é uma outra pessoa que está falando..mas vc no fundo sabe que é certo..e desconfia só pq gosta de desconfiar..na boa..nem gasta dinheiro com nenhuma consulta filhinha..se interna num hospício fazendo um favor? É menos um nessa sociedade, que deveria estar bem guardadinho comendo sopa e rezando para mehorar……….eu hein..vai se tratar!!
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h26
=)
Responder
24 de outubro de 2008 às 16h44
Sim, acho que ela devia se tratar na mesma instituição que ficaram Aristóteles, Platão, Newton, Galileu, Einstein e muitos outros inquiridores. Graças a esse tipo de pessoa é que saímos da Idade da Pedra…
Responder
24 de outubro de 2008 às 2h30
Minha desconfiança beira a paranóia, hehehe. Parabéns pelo blog, Ana Paula, desde que li a postagem sobre a australiana que previu os ovnis (inclusive está reproduzida e creditada lá no meu blog) virei teu fã, mina.
Visite o meu depois.
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h26
Renato, já tinha visto o link no seu blog pelo trackback das estatísticas. Muito obrigada. =)
Responder
24 de outubro de 2008 às 2h40
Cético, é isso que pessoas como você e eu somos. O ceticismo pode ser de vários tipos, mas em geral requer apenas um espírito crítico (principalmente consigo mesmo).
A verdade absoluta sobre qualquer coisa é impossível de ser alcançada. Mas o cético sabe disso e se contenta apenas com a busca a ela. É o caminho que percorre nessa busca que provoca um estado espiritual chamado ataraxia.
Mas o cético tem que saber: nem todas as pessoas lidam muito bem com pessoas que tem por hábito questionar preceitos tidos como universais e absolutos…
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h25
O meu problema é que eu tenho um lado de ‘crente’, algumas convicções espirituais que eu adquiri ao longo dos tempos, e que variam um pouco à medida em que eu me informo mais, mas que se mantém na essência por causa de um feeling que eu tenho. Meio que uma intuição. Nesse lado, dá pra dizer que eu acredito nas coisas – geralmente, são assuntos que as pessoas chamariam de Teoria da Conspiração.
Mas de resto sou cética. Mais do que seria saudável. Hhahahaha
Responder
24 de outubro de 2008 às 4h35
Concordo com Marcos Paulo e Fotocarioca.
Nao existe verdade absoluta, mas sim versoes de um fato.
Desconfiar ‘e necessario. Desconfiar no sentido de buscar, conscientemente, se aproximar de um fato, e se distanciar de versoes ou ficcoes.
Questionar ‘e essencial nos dias hoje. Nossa etica pessoal, profissional ‘e posta em prova diarimente. Ter conhecimento dos fatos e capacidade de julgamento ‘e requisito para uma decisao consciente. Decisao de como agir, em que acreditar e em que lado se posicionar.
” Ha somente um bem, o conhecimento, e um mal, a ignorancia” Socrates 470-399a.C.
P.s: Desculpem-me pela falta de acentos graficos. Meu teclado nao ‘e em portugues.
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h21
Booa, gostei da definição… a gente sabe que não existe verdade absoluta, mas não se cansa de buscá-la. É dessa desconfiança que eu falo.
Responder
24 de outubro de 2008 às 10h20
O problema da desconfiança, é que no final, vc não acredita em mais nada.
o problema do conhecimento, é que o quanto mais vc aprende, lê, descobre, mais percebe q o mundo n tem jeito. a injustiça nunca se tornará justiça, os princípios de igualdade, fraternidade, e toda essa balela, n passam de anestésicos. A política? bah.. é de fazer Aristóteles parecer papai noel.. e marx morrer de depressão..
questionar é um exercício excelente, porém, perigoso se n estiver consciente das consequências..
Responder
24 de outubro de 2008 às 10h37
A frase: “Eu duvido pelo prazer de questionar aquilo em que eu mesma acredito. E depois duvido da dúvida que eu criei. Eu duvido das pessoas e apresento para elas, com freqüências, argumentos contrários ao que elas acreditam, e perfeitamente plausíveis, pelo prazer de ver a cabeça delas dando um nó.” Diz muito sobre minha personalidade, sou exatamente este perfil, ufa ainda bem que não sou louca! Mas agora a questão que você diz para deixar de ler a veja, deveria deixar mais claro os motivos e não deixar no ar a questão que todos comentam: “ela é pura manipulação.”
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h18
Ah, eu não sou ninguém pra falar de veículo de comunicação especificamente. Mas a Veja é suja. A coisa é escancarada demais, a Veja faz editorial e finge que é box informativo. Bizarro.
Responder
24 de outubro de 2008 às 11h34
Ana,
Este texto foi a melhor leitura da semana! Thank Y!Posts. Bem que eu queria ter escrito isso.
Ótimo o comentário do ‘hobbie’! heheeh
E o ‘Wag the Dog’ me fez lembrar de outro filme do gênio Costa-Gavras: ‘Mad City’ (que no Brasil tem o título ‘O Quarto Poder’). Vale a pena. Principalmente para duvidar da cobertura midiática dos eventos da última semana.
Responder
24 de outubro de 2008 às 14h19
Obrigada, Daniel! Já ouvi falar do filme, vou ver qualé qualquer dia desses.
Beijo!
Responder
24 de outubro de 2008 às 11h35
Realmente o fato de aceitar tudo que se fala pra mim é alienação, aquela história de “quanto mais burra a massa for melhor pro governo.” Eu sou um desses que precisa pesquisar a fundo pra saber a verdade… Belo post se me permite copiei no meu humilde blog com referências ao seu claro.
Responder
24 de outubro de 2008 às 13h58
eu acho q ser uma pessoa questionadora nao é uma decisao tao pessoal
assim. eu nao posso simplesmente começar a duvidar das coisas, tem gente q
acredita em tudo o q vê, no q é de conhecimento geral, no q lhe foi dito
durante uma vida inteira e pronto. é o q eu chamo de “cabeça fechada”,
e, por mais q a pessoa tente ela nao vai querer saber de duvidar e procurar
saber a verdade, é o comodismo (mal q afeta a maioria dos brasileiros por
sinal). eu convivo com muitas pessoas assim e tb convivo com pessoas q
defendem uma opniao q nao é a delas. todos nós precisamos ter as nossas
opinioes, e para isso é preciso pensar muito em cima do maior numero
possível de informações e opinioes.
eu sou muito curioso e a resposta para todas as perguntas feitas no
primeiro parágrafo do seu texto é SEMPRE. às vezes eu penso q devia fazer
um monólogo sobre qualquer coisa pq quando me proponho a pensar sobre algo
, consigo me colocar em vários pontos de vista diferentes e travo uma
discussao mental muito doida e, ao final, talvez eu chegue perto de alguma
conclusao, q certamente mudará na posterior continuação do pensamento.
muitas vezes tb ao conversar com uma pessoa, eu msm desdigo o q acabei de
dizer ou vejo aquilo sob outro ponto de vista abrindo uma nova possibilidade
de interpretação, refletindo e antecipando o q a pessoa poderia dizer, ou
nao. pq eu msm teria dito. muitas vezes eu acabo é falando sozinho por
causa disso. mas nao importa, quanto mais eu penso mais autêntico sou.
Responder
24 de outubro de 2008 às 17h45
Veja:
-Capa (geralmente com uma pergunta, que se espera que você pare, pense e compre buscando a resposta que eles fazem parecer que tem);
-Propaganda x5;
-Editorial;
-Propaganda x3;
-Sessão de cartas;
-Propaganda x4;
-Opiniões;
-Propaganda x10;
-Entrevista;
-Propaganda x3;
-Matérias intercaladas com propaganda xN, n=1,2,3,…
-Matéria da capa;
-Matérias intercaladas com propaganda xN, n=1,2,3,…
-Recomendações;
-Propaganda x7;
-Crônica;
-Propaganda;
-Contra-capa (propaganda).
Ao menos é o que eu lembro: não preciso dizer que não leio, né? E sim, eu sei que toda revista tem dezenas de anúncios, mas na “Veja” é abusivo. Nunca parei pra contar, mas deve dar uns 30-35% do número de páginas.
Responder
24 de outubro de 2008 às 19h06
Sou assim também
Duvido de absolutamente tudo que o Lula fala.
Inclusive divulgo essa minha desconfiança.
Responder
26 de outubro de 2008 às 2h52
Bom, já que tu é do meio jornalistico pode me explicar isso: porque a Veja é ruim ? Tipo, eu só ouço a explicação rasa que diz “pq a Veja é de direita”. Isso não me convence, eu queria um fato. É pq sei la, sempre leio a Veja e não vejo essa parcialidade toda que dizem que ela tem. Tudo bem, deve ser justamente pq eu nao leio a parte de politica : P, mas igual, queria que alguem mais entendido me explicasse.
Responder
28 de outubro de 2008 às 20h04
boa, gostei dessa da mariane…
A matéria é legal, mas gostaria de ver a Ana fazendo as vezes dos convencedores…
Só se você não se incimodar tá Ana…
Responder
28 de outubro de 2008 às 20h05
Como assim, fabo?
Escrever um texto que defende o contrário, ou seja, Obama?
Mas qual a graça disso? Não é o que todo mundo faz? hahahahahah
Responder
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9 de maio de 2009 às 0h24
Também concordo que é fundamental questionar, duvidar das coisas que vc ouve por aí, principalmente na mídia, q muitas vezes dá uma notícia pela metade ou simplesmente a ignora…
Desconfiar e ir atrás faz parte de uma busca incessante por conhecimento que deve permear a vida de todos que não desejam se alienar.
O conhecimento é o bem mais precioso e que ninguém te tira (nunca!) por isso deve ser estimulado.
Se a maioria desse povo fizesse o exercicion do desconfiometro, os nossos “queridos” deputados, vereadores, senadores, etc…enfim, o poder legislativo em geral não iria ter tantos privilégios absurdos..o que eles mais oferecem para o povo é “pão e circo”, ou seja Bolsa família e futebol.
Eu entendo perfeitamente o que vc quis dizer sobre a Revista Veja..estou a anos em uma comunidade do Orkut “Leu na Veja? Azar o seu!”..é só ver e pesquisar quem são os opinadores e editores dela.
bjosss Ana, continue sempre assim surpreendendo a gente com posts mto bacanas!
Responder
28 de maio de 2009 às 21h58
Deixa meus amigos verem isso… Terei de enviar!!!
Eu não estou sozinho!!!
o/
Responder
4 de junho de 2009 às 14h58
E a informação mais importante em qualquer pesquisa sempre será: “quem foi que financiou?”
Responder
23 de junho de 2009 às 4h08
Saudações terráqueos!
Putz, de fato faz muitos anos que me divirto discordando e questionando opiniões alheias ou próprias pelo simples prazer de faze-lo. Realmente, perceber o nó se formando na mente do interlocutor é das sensações mais formidáveis que se pode vivenciar.
Claro, nada como o nó na própria idéia, a famosa cambalhota da mente, mas esse é um prazer um pouco mais egoísta. Não que todas as pessoas apreciem ter suas mentes enoveladas, algumas costumam ficar bem irritadas, o que é de certa forma ainda mais divertido, mas não muito saudável no campo das relações humanas (seja lá como esse termo possa ser aplicado a esse campo, enfim…)
Ah, e parabéns pelo blog, Ana, tá jóia!
Responder
4 de julho de 2010 às 17h16
Comentário bem atrasado, mas é a primeira vez que vejo seu blog e não pude resistir a comentar esse texto =)
Acredito que essa propaganda distorcida da “auto-estima a qualquer custo” não deixa de contribuir para essa cultura de pessoas cabeças-duras que não aceitam opiniões contrárias. Como você mencionou no início do texto, assumir uma postura cética e manter suas convicções sempre abertas a discussões muitas vezes acaba sendo visto como falta de personalidade – como se houvesse uma obrigação de defender suas idéias a qualquer custo, mesmo que elas estejam potencialmente erradas. =
Responder
Pingback por O vídeo sobre “política” do Felipe Neto | Olhômetro
27 de agosto de 2010 às 18h31
[...] 100% o que outra pessoa diz, é algo com o que ele também não concorda. Lembre-se SEMPRE do MANUAL DA DESCONFIANÇA PRÁTICA. Ele vem a calhar nessas horas. Desconfie de tudo. E sim, isso inclui esse [...]
Trackback por Alexandre
28 de agosto de 2010 às 1h53
"Praticando a desconfiança: um guia prático – Regra de Ouro da Desconfiança #5: Fique longe da Veja." http://tinyurl.com/6p7okr aieuhaiuehai
Trackback por Natalia Tinoco
28 de agosto de 2010 às 2h24
Desconfie de tudo. Sempre. http://oesquema.com.br/olhometro/2008/10/23/praticando-a-desconfianca-um-guia-pratico/ -> por @ana_freitas
Trackback por Fabio Malini
28 de agosto de 2010 às 14h49
Otimo para qualquer um. RT @ana_freitas: Praticando a desconfiança: um guia prático http://bit.ly/9Bt9o3
Trackback por rmader
30 de agosto de 2010 às 12h07
RT @fabiomalini: Otimo para qualquer um. RT @ana_freitas: Praticando a desconfiança: um guia prático http://bit.ly/9Bt9o3
Trackback por Guilherme Belotti
31 de agosto de 2010 às 18h11
Importante em tempos de eleição, hein? Guia Prático para o Exercício da Dúvida: http://is.gd/eNM0R
Trackback por Anita Fernandes
31 de agosto de 2010 às 18h29
RT @gbelotti: Importante em tempos de eleição, hein? Guia Prático para o Exercício da Dúvida: http://is.gd/eNM0R
Trackback por Carol J.
31 de agosto de 2010 às 18h30
RT @gbelotti: Importante em tempos de eleição, hein? Guia Prático para o Exercício da Dúvida: http://is.gd/eNM0R
Trackback por Fabiana Faiallo
31 de agosto de 2010 às 18h41
RT @gbelotti: Importante em tempos de eleição, hein? Guia Prático para o Exercício da Dúvida: http://is.gd/eNM0R
31 de agosto de 2010 às 18h50
Isso me lembrou desta palestra do TED:
Chimamanda Adichie: O perigo da história única
http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/chimamanda_adichie_the_danger_of_a_single_story.html
Responder
31 de agosto de 2010 às 19h56
Você começa bem e tem uma construção interessante. Mas esse discurso (anhmm…) Plínio, VEJA, conspiração. Pô, cansa sabe? Seu repertório é um filme já visto no debate capitalismo-comunismo. Desconfio.
Responder
Trackback por Felipe Krupelis
1 de setembro de 2010 às 4h17
Desconfiem… http://oesquema.com.br/olhometro/2008/10/23/praticando-a-desconfianca-um-guia-pratico/
Trackback por Anne Fonseca
1 de setembro de 2010 às 15h30
Curti mesmo. esse manual dod esconfiômetro pra galere. http://oesquema.com.br/olhometro/2008/10/23/praticando-a-desconfianca-um-guia-pratico/
Trackback por Anne Fonseca
1 de setembro de 2010 às 15h31
Curti mesmo esse manual do desconfiômetro pra galere. http://oesquema.com.br/olhometro/2008/10/23/praticando-a-desconfianca-um-guia-pratico/
Trackback por Lívia Ferreira
1 de setembro de 2010 às 15h42
Regra de Ouro da Desconfiança #5: Fique longe da Veja. RT @annefonseca: Curti mesmo esse manual do desconfiômetro. http://bit.ly/aYQMED
Trackback por Carol
4 de setembro de 2010 às 23h39
RT @ana_freitas: Praticando a desconfiança http://is.gd/eNM0R
Trackback por Jéssica Cristine
9 de setembro de 2010 às 15h39
Curti muito esse post: http://oesquema.com.br/olhometro/2008/10/23/praticando-a-desconfianca-um-guia-pratico/
Trackback por Nara Delgado
9 de setembro de 2010 às 16h05
RT @Noobitta: Curti muito esse post: http://oesquema.com.br/olhometro/2008/10/23/praticando-a-desconfianca-um-guia-pratico/
Trackback por Caio Uribbe
9 de setembro de 2010 às 16h49
http://bit.ly/cVy9th – coisas pra onde uma navegação aleatória te leva… #desconfie
Trackback por Frederico Sosnowski
15 de setembro de 2010 às 2h46
RT @ana_freitas: Praticando a desconfiança: um guia prático http://is.gd/eNM0R
Pingback por Hora de crer e hora de duvidar Textos Reflexão Mensagens Frases Pensamentos Achismos… - RONAUD.com -
5 de dezembro de 2010 às 5h15
[...] Mas você deve saber também, que há momentos para duvidar de tudo, principalmente do que se propõe ser verdade absoluta. Para isso, temos as “regras de ouro da desconfiança” ( ™ Ana Freitas ): [...]