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9 de outubro de 2008 às 5h46
Algumas coisas dão mais certo de cabeça para baixo
Essa é uma história meio ‘Malhação’. Mas todos nós temos momentos ‘Malhação’, não é?
Eu já tive 17 anos. Não faz nem muito tempo (embora pareça uma eternidade). E com 17 anos eu tive de decidir meu futuro pelos próximos, digamos, 53.
Aos 17, no fim do terceiro colegial, eu, uma criatura por essência ansiosa, planejei minha vidinha pelos próximos anos de maneira minuciosa. Eu escolhi que queria estudar na faculdade que chamaremos de A, mas acabei fazendo vestibular na B. O resultado da B saiu bem antes da A, e eu passei. Mas eu estava muito confiante das minhas habilidades como vestibulanda e nem sequer cogitei me matricular, no prazo, na faculdade B, como garantia. Era óbvio que eu passaria na A.
Já dezembro, logo depois do fim do ensino médio, comecei a trabalhar – e era na minha área, comunicação. Eu tinha 17 anos, trabalhava na área em que cursaria faculdade e era um gênio do vestibular moderno, que com louvor passaria no teste da faculdade em que queria estudar. Tudo daria certo.
Acho que eu esqueci de fazer um plano B. Ou, se fiz, provavelmente não cogitei que seria realmente preciso recorrer a ele.
De repente, o emprego se mostrou bem diferente do que eu achava que fosse. O lugar impunha algumas restrições às quais eu jamais conseguiria me adaptar, como a proibição a uso de internet, telefones e celulares, fora o teor do trabalho, que eu acabei achando tedioso. E era.
Mas eu suportaria. Precisava do emprego para pagar a super faculdade A, em que eu passaria. Com louvor. A essa altura, óbvio que eu nem cogitei um plano C.
Porque quando saíram os resultados da faculdade A meu nome não estava entre os 80 selecionados. E eu me desesperei. De repente, tudo que eu planejava para o ano – para a VIDA – não existia mais. Cursinho? Eu não tinha cogitado fazer cursinho. Esperar um ano? VOCÊ ACHA QUE EU IA PERDER UM ANO DA MINHA VIDA?
Nessa hora você vai dizer que eu fui uma drama-queen. Que não era para tanto. Claro, não era. Mas lembre-se que eu sou ansiosa e que eu tinha apenas 17 anos. Para mim, o mundo tinha ruído. Eu não tinha saída.
Minha primeira atitude foi tentar recuperar a vaga a que eu tinha direito na faculdade B, a desprezada. Mas foi difícil. Digo isso porque é impossível resolver um problema de outro lugar a partir do seu trabalho se você não puder usar o telefone nem e-mails. Eles não mencionaram nada sobre sinais de fumaça, mas desconfio que era isso que constava nas letrinhas miúdas de rodapé do contrato.
Foi na época do post sobre o dia mais perdedor que eu já tive. Até esse dia, inclusive, as coisas pareciam que não iam dar certo de jeito nenhum. Mesmo eu tendo passado em 15º lugar na faculdade B, eles não queriam me ‘devolver’ a vaga e me deixar fazer a matrícula, apesar dos esforços dos meus pais para resolver o problema. É, eles podiam usar o telefone no trabalho.
Parece que tomar um banho de água suja no meio da rua me deu alguma sorte. No dia seguinte, a vaga para a faculdade saiu. Uma coisa a menos para se preocupar.
Mas ainda tinha o meu emprego, que se tornava cada dia mais insustentável. Eu acabei sendo demitida.
Daí eu tinha um problema, de novo. Eu precisava trabalhar para pagar a mensalidade. Mas na primeira semana de aula a luz me atingiu. Em sala, um professor anunciou vaga na agência de jornalismo da faculdade. Bastava conhecer HTML, Photoshop e essas coisas. Eu era noob, mas a maioria das pessoas da minha sala era infinitamente mais noob, e então eu consegui.
O resultado: três semanas na faculdade de jornalismo e eu já estava estagiando – na faculdade, o que me pouparia transporte e ainda ajudaria na hora de fazer os trabalhos. Eu fui a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa.
Se eu tivesse conseguido passar na faculdade A, não conseguiria emprego na primeira semana. Talvez eu acabasse demitida do mesmo jeito do outro trabalho incomunicável, e daí teria muito mais dificuldade de arrumar emprego, porque estava no primeiro ano. E as duas coisas ruiriam. Ou não. Nunca saberei.
O que eu sei é que minha vida virou de ponta cabeça e, depois, ela mostrou que o ‘ponta-cabeça’ na verdade era mais certo que o plano original.
Na verdade, a minha vida começou com um episódio de vida de ponta-cabeça que depois deu mais certo, já que minha mãe engravidou inesperadamente com 18 anos. E como essas coisas, que ficam melhores de cabeça para baixo, alguém (a Rexona) teve uma idéia que é simples, mas que alguém já deveria ter tido antes: virar o desodorante roll-on. Sim, porque é um saco ter que ficar chacoalhando o frasquinho para poder usar.
No site do novo roll-on, dá para publicar a sua história, de como a sua vida ficou melhor de cabeça para baixo. As CEM melhores histórias ganham kits Rexona, com desodorante para ficar cheirosinho, camiseta e CD da Gabriela Cillmi, uma espécie de KT Tunstall mais ‘sijoga’, que eu descobri por causa da trilha sonora do comercial do novo roll-on da Rexona. Ouça Don’t wanna go to bed now e você verá porque quer ganhar o CD dela.
8 de outubro de 2008 às 4h07
Você sabe o que vai acontecer no próximo dia 14 de outubro?
O Olhômetro completa um ano nessa data. Mas mais importante que isso é o que esse vídeo explica o que vai acontecer no dia 14 de outubro de 2008. Segundo uma mulher que se diz médium canalizadora de mensagens do cosmos, conhecida por Blossom Goodchild (e cujo site pode ser visto aqui), nesse dia, uma terça-feira – daqui uma semana – uma nave extraterrestre se fixará no nosso céu. Lá ela ficará por três dias, despertando todo o tipo de reação das autoridades.
Ainda de acordo com a mensagem, as forças armadas de determinados países farão de tudo para tentar penetrar no campo ocupado pela nave, mas não terão sucesso. Como eu disse, o OVNI ficará por cerca de três dias no mesmo lugar, nos permitindo registrar vídeo e foto da aparição, mas não fará contato ainda. Se trata de uma missão de reconhecimento, para mostrar que eles vêm em paz.
Essa mensagem está rodando na internet em várias línguas já há três semanas. E se tem uma coisa que eu quero acreditar é que eles estão chegando para me levar de volta. Mas o meu ceticismo fundamental me impede de acreditar 100% em algo assim.
Ou seja: no dia 14, vou sim olhar para o céu, esperançosa. E vou acompanhar o noticiário com afinco. Mas não tenho muita certeza se vou ver algo, não.
Para os mais céticos, eu dou um conselho: eu nunca estive lá fora. Mas alguns de nós já estiveram. Os astronautas. E se tantos deles disseram que a parada existe, ou esse negócio de falta de gravidade endoidece ou definitivamente não estamos sozinhos…
Para mim, está óbvio que eles estão vindo aqui comemorar o aniversário do blog.
7 de outubro de 2008 às 4h09
Olhômetro entrevista Mulher Moranguinho
Foto por Phelipe, do papelpop.com

A Mulher Moranguinho (à direita, na foto) é apenas mais uma nessa quitanda louca repleta de mulheres frutas? Não, não é. Mulher Moranguinho é simpática e gosta de fazer amigos. Mulher moranguinho é honesta. Mulher Moranguinho é fruta gente como a gente. Ellen Cardoso, a responsável pela Mulher moranguinho, além de tudo isso, é mulher culta e letrada. Ela contou para mim, no VMB, quais livros e bandas fazem sua cabeça. Confira: [modo fuxico off]
Eu: Oi! Posso falar com você?
Mulher Moranguinho: Claro! (com sorriso largo)
Eu: Qual é o seu nome?
MM: Ellen Cardoso. Com dois ‘eles’.
Eu: Ellen, você tem um apelido, não? Qual é?
MM: Mulher Moranguinho.
Eu: Legal. Ellen, me conta: o que você tem ouvido?
MM: Ah, eu ouço muito Djavan. Ana Carolina, também gosto bastante… e porque agora estou sofrendo de amor (risos compartilhados com Mulher Melão) estou ouvindo também D’Black.
Eu: D’Black? Não conheço.
MM: É, é um pagode romântico.
[Nota da repórter: confira aqui o clipe de 'Sem Ar', do D'Black, uma mistura de Robinson Anjo com Alexandre Pires]
Eu: Ah, legal, tem tudo a ver. Agora me diz: qual o último livro que você leu?
MM: Hum, deixa eu ver se eu lembro, tô lendo um agora… (pensa por uns 10 segundos, impaciente) é Carnegiê [sic], não lembro um nome, mas é um livro para aprender como influenciar as pessoas a fazer o que você quer. [sic]
[Nota da repórter: Ellen se referia ao livro 'Como fazer amigos e influenciar pessoas', best-seller de Dale Carnegie lançado em 1937. Ah, os livros de auto-ajuda]
Eu: Ah sim! Tem tudo a ver. Obrigada, Ellen!
MM: (Sorri simpática e se despede)
Como uma boa repórter inexperiente de verdade (aliás, falei com o Danilo Gentili na ocasião, também), esqueci de perguntar o óbvio – o motivo do apelido. Pensando bem, talvez tenha sido bom. Acho que eu tenho medo da possível resposta.
Na onda das entrevistas com mulheres-frutas, Ronald Rios fez uma imperdível com a Mulher Acerola. O quê? Ainda não conhece a Mulher Acerola? Putz… você tá por fora:
6 de outubro de 2008 às 6h08
Oito coisas que eu observei sobre as eleições de 2008
Acho muito cínico chamar a eleição de ‘Festa da Democracia’. Eu não vejo ninguém se divertindo. E não há democracia nenhuma em uma festa em que você é obrigado a entrar e não pode beber. Definitivamente, a democracia não sabe dar uma festa.
Nossa sorte é que, no Brasil, os candidatos (e alguns eleitores) sabem. Como trabalhei o suficiente nesta eleição para ter lido as histórias mais bizarras possíveis e ter visto coisas que me fizeram pensar e estou cada vez mais viciada em listas, selecionei oito coisas das eleições de 2008 que me fizeram parar para pensar. Ou para rir. Ou os dois.
Ops (ou Rickrolleada)
Cinara Salles Mioso, candidata a vereadora pelo PT em Pejuçara, no RS, cometeu um errinho bobo durante sua candidatura. Nada demais. Ela só passou a campanha inteira usando o número errado. Acontece. Parece que o descuido foi descoberto pela candidata quando as pessoas avisaram que o número dela não retornava nada na urna.
Ainda assim, Cinara recebeu seis votos. Não deixa de ser um mérito já que, em tese, ninguém sabia o número verdadeiro dela. Parabéns, Cinara.
Filas, correria e invasão de colégio eleitoral
Em Itaquera e em Sergipe, o povo demonstrou um paradoxo de civilidade. Na ânsia de exercer o dever cívico, fizeram filas na porta de colégios na madrugada e houve tumulto e até invasão. Mas até a incivilidade é válida na hora de exercer a civilidade, não é mesmo? Um exemplo de… civilidade incivilizada.
Carros de som não são eficazes às sete da manhã do domingo
Não sei por aí, mas aqui onde eu moro, os carros de som são usados em profusão pelos candidatos para demonstrarem a capacidade deles de contratar uma boa empresa de jingles governar de maneira satisfatória. Até posso compreender a necessidade do marketing, de produzir uma cançãozinha grudenta que envolva um slogan cafona e um número. Mas não adianta colocar seu carro para gritar isso no domingo de manhã, meu amigo. Porque aí sim, eu vou me esforçar para ouvir qual é o se número para me certificar que nem eu nem nenhum conhecido vote em você. Aqui em Santo André os candidatos a prefeito parecem concordar que isso é boa técnica eleitoral. Não é. Não acorde as pessoas com seus carros de som. Não funciona.
Abasteço por votos
Em Recife e em Goiás, os candidatos acharam de bom tom presentear os eleitores com gasolina. Houve acusações de candidatos enchendo o tanque de eleitores e dando vale-abastecimento em troca de votos. Achei criativo. E não deixa de ser um serviço de utilidade pública.
Kassab ganhando da Marta
Kassab tem aqueles olhinhos e parece um bonequinho esquisito que fala como o Pato Donald. Só olhando, ninguém dá nada. Mas o malandro foi lá e ganhou da Marta – nada contra a Marta, particularmente, mas acho o Kassab mais engraçadinho. E vai levar fácil o segundo turno. Dá-lhe Kassab, o homem dos olhinhos engraçados.
Gabeira batendo o Crivella
O Gabeira passou de um cara que usava tanga de crochê para um político super respeitado. Ele começou a campanha, no início de agosto, com apenas 4% das eleições de voto e hoje, no RJ, venceu o principal candidato da oposição com 25,6% da votação, garantindo o segundo turno contra Eduardo Paes. Uma façanha, ainda mais para um cara que usou uma tanga de crochê. Vai ser difícil transferir os eleitores de Crivella para Gabeira, já que é de se imaginar que eles sejam opostos. Mas não duvide do homem. Tem que ser muito bom para quintuplicar votos em dois meses. Ou usar uma tanga de crochê.
Essa história de vender votos não faz sentido
Nunca entendi isso muito bem. E o motivo é bem simples: se você vende seu voto, nada garante que você precise entregá-lo. Nunca entendi porque alguém com um mínimo de instrução recebe para votar num candidato sacana e ainda assim vota nele. Seria possível subverter a subversão, votando no candidato que você realmente tem vontade e recebendo dinheiro de um candidato sacana para isso. Mas as pessoas parecem querer ser honestas dentro da desonestidade. Vender o voto pode, mas depois de vender, não dá para deixar de entregar que isso é sacanagem. Não faz sentido.
Urnas eletrônicas têm semelhança perturbadora com um Pense Bem
Sim. A urna eletrônica não tem aquele visual anos 90 por acaso. Além do fato de ela, hum, ter sido criada nos anos 90, o design do aparelho tem o objetivo de resgatar nossas memórias infantis mais profundas, trazer à tona a nostalgia de nosso primeiro pseudo-computador e fazer com que, dessa forma, nossa mente associe o ‘votar’ com uma situação prazerosa. Ou simplesmente serve para que olhemos para a urna e sejamos arrebatados, imediatamente antes de votar, pelas palavras PENSE BEM, gerando assim uma corrente involuntária de voto consciente e ponderado. Não sei se funciona. Mas que deu uma saudade do meu Pense Bem hoje, quando eu apertei aqueles números, ah… isso deu.
5 de outubro de 2008 às 4h52
10 motivos pelos quais o VMB 2008 foi um fiasco
Estive no VMB esse ano. De certa forma. Eu quase não assisti à premiação, porque acompanhei da sala de imprensa e estava empenhada na ingrata tarefa de tentar falar com os inúmeros ‘artistas’ que por lá davam o ar da graça (aguardem exclusiva com a Mulher Moranguinho). Mas mezzo-acompanhei de lá – e assisti à reprise depois. E saí fora do VMB antes do fim, porque tava achando tudo bem chato.
Nunca achei que um VMB podia ser tão chato.
Os motivos pelos quais a premiação foi um fiasco estão bem claros, mas eu acho que se faz necessário enumerá-los aqui. Só para organizar as coisas na cabeça.
Na festa pós-VMB, eles estavam servindo macarrão

photo credit: giovanniscanavino
Legal a preocupação do buffet em alimentar geral, louvável e tal. Mas numa festa cheia de gente muito bonita, azaração, bebida de graça, alpinistas sociais… quem ia mandar um pratão de penne com molho de tomate?
A piada não tem graça pela segunda vez
O Mion é um cara engraçado, mas ele já deu o que tinha que dar. Acho que é hora de outra pessoa apresentar o VMB, talvez o Marcelo Adnet. O Mion apresenta dois programas na MTV e tudo que é engraçado nele já é largamente explorado todos os dias. Repetir isso no VMB é roubada. Apesar de algumas sacadas serem boas, a maioria só dá vergonha alheia. Inclua aí a piada sobre ele ficar pelado de novo.
A piada não tem graça pela segunda vez [2]
O Adnet é um cara realmente engraçado. Mas não dá para achar que ele vai ser engraçado se repetir a mesma piada várias vezes. No final do VMB, ninguém achava mais graça naquelas improvisações dele. Não que não fosse algo legal – só não era legal pela décima vez.
O Bonde do Rolê é bem sem graça
Eu gostava do lado piada do Bonde do Rolê, de não se levar a sério e continuar sendo muito ruim. Mas se torna constrangedor o constante esforço do Pedro e daquelas moças novas de ser muito engraçado. ‘Mais uma vez’, a versão bizarra de ‘One More Time’ do Daft Punk, até que foi engraçadinho. O resto da apresentação deles foi extremamente tosco. A cereja da vergonha alheia se deu quando a Ana Bernardino quis ser engraçada e subiu no palco quando o NX Zero foi escolhido a banda do ano, para reivindicar o prêmio para a banda dela. Patético.
Mallu Magalhães não ganhou nada
A MTV e todo mundo fez todo esse hype em cima da menina e ela acabou não levando nenhuma das três indicações. Não que isso queira dizer alguma coisa, mas ela é sem dúvida muito mais uma revelação do que o tal Strike, só para começar.
As mulheres frutas apresentaram uma atração
Eu tive alguns momentos para contemplar as mulheres frutas sendo clicadas pelos fotógrafos na sala de imprensa. E, sem nenhum exagero, poucas vezes vi pessoas tão eufóricas. Satisfeitas. Quase dava gosto de ver.
Na boca das mulheres frutas, José Wilker virou Zezé Wilker, e Bonde do Rolê foi Bonde do Rolééééééé. Com língua de fora no ‘ééééé’.
Mas eu não fiquei na superfície. Conversei com a Mulher Moranguinho e descobri qual livro ela está lendo, além do que gosta de ouvir. Na segunda, só aqui.
Não é uma premiação que você possa levar a sério
Strike ganhou como revelação? Que revelação? Não discuto os prêmios do NX Zero, porque eles são realmente populares. Eu não ouço rádio e dificilmente assisto TV, por falta de tempo. Quando uma música chega em mim sem ser porque eu a busquei, sei que ela ficou famosa, e eu até sei cantar algumas do NX Zero. Mas eu nem nunca tinha ouvido FALAR desse tal de Strike.
O melhor show da premiação foi Fresno + Chitãozinho & Chororó
Não que isso seja um demérito, mas…
O Bloc Party fez playback!
O Bloc Party fez playback. Descaradamente. Nem se deram ao trabalho de fingir que não faziam. Não dá para entender porque uma banda viaja, vem se apresentar numa premiação e se presta a colocar um CD. Também não sei qual foi a da MTV em colocá-los no palco com playback. O blog do VMB diz que assim eles quiseram. Mas jamais vamos nos esquecer da vergonha alheia.
Definitivamente, não é mais sobre música
Não tem sido, por muito tempo. Mas os esforços da MTV em tirar os clipes de boa parte da programação, que começaram com a reestruturação da grade da emissora, ficaram escancarados nesse VMB. A música é coadjuvante; personagens principais são quem dá as caras no VMB, se essas pessoas fazem algo que possa ser comentado depois, o que acontece na festa depois da premiação.
Editado: o Mion escreveu no blog dele um post que eu considerei muito sensato e justo a respeito do VMB. Concordo com boa parte do que ele disse, apesar de não ter gostado da premiação. Além do que, também achei absurdo o Thiago Ney dizer que o o Bloc Party é super cool porque zuou no VMB. Se é que eles fizeram isso para tirar uma com a nossa cara, então é pior ainda. E o Thiago ainda acha isso legal.
5 de outubro de 2008 às 1h00
Censo da Blogosfera: 16
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E eu acordada…
Pegue seu número!
2 de outubro de 2008 às 4h38
O início do fim do capitalismo
Eu sou ‘de esquerda’ desde antes de saber o que isso queria dizer. Sempre fui a favor dos direitos das minorias, bem antes de eu saber que isso significaria uma posição política.
Não acho que existe contradição entre ser socialista e, sei lá, comer no McDonalds de vez em quando. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. Eu não concordo com as condições do sistema estabelecido, mas ele é o sistema estabelecido e eu vivo sob essas condições. E também não enxergo contradição nenhuma entre querer ganhar dinheiro e ser a favor de um regime de esquerda. Eu gosto de conforto. E para adquirir conforto, preciso de dinheiro. É bem simples. Se eu precisasse de palitinhos, ficaria empenhada em ganhar palitinhos.
Não existe nada de errado com o capitalismo, exceto o fato de que tem muita gente ganhando muito pouco dinheiro, o que não lhes permite ter condições básicas de vida, e pouca gente ganhando mais do que o necessário para ter uma vida confortável. Para mim, isso é o suficiente para dizer que é um sistema que não funciona.
Depois que entrei na faculdade, estudei (muito pouco) sobre os sistemas econômicos, seu início, meio, fim e substituição. E dois professores nos fizeram entender que todo sistema econômico já implantado teve contradições, e ruiu sob suas próprias contradições, dando lugar a outro sistema – esse, que corrigiria as contradições do anterior, mas apresentaria novas contradições, eventualmente, e seria substituído por outro… e assim sucessivamente.
A primeira contradição do capitalismo se apresenta de maneira bem simples. Como é um sistema baseado na acumulação de capital e no lucro, ele gera a redução do poder de compra da população, que vê seu salário reduzido para aumentar os lucros dos donos das empresas. Com salário baixo, não há consumo; se não há consumo, não há lucro.
A outra contradição do capitalismo reside no consumo desenfreado de recursos. A matéria prima para a maioria das coisas é esgotável. E se não há mais petróleo, não se produz plástico; se não há mais ferro, não se fazem mais latinhas. E quanto maior o consumo, maior a produção e maior o consumo etc.
E as coisas estão ficando complicadas para o capitalismo.
A verdade é que o capitalismo é tão frágil quanto qualquer outro sistema. ‘Livre-mercado’ é papo furado – só é defendido quando a intervenção do Estado acaba prejudicando os investidores. Agora, que eles precisam de ajuda financeira do povo – o pacote americano custa 700 bilhões de dólares, o suficiente para comprar, tipo, duas Dinamarcas – a intervenção do Estado não é só bem vinda. É fundamental.
Não me lembro dos investidores de Wall Street recorrendo ao Estado interessados em dividir com a população os lucros astrônomicos conquistados em épocas de vacas gordas. Ironicamente, há sim algo que os capitalistas ficam felizes em socializar – o prejuízo.
Não costumo falar dessas coisas aqui, mas para começar, é um assunto simples – embora pareça complicado – e que diz respeito a todo mundo. Em segundo, eu esperei muito tempo por esse momento para deixar que ele passe em branco.
Os especialistas dizem que esse é só o primeiro dominó caindo. As conseqüências podem ser gritantes. Mas é a grande chance de tentarmos alguma outra coisa. E aqui não falo de um sistema Marxista propriamente, mas alguma outra coisa, se é que existe um sistema 100% justo.
Enquanto isso, estoure a pipoca, acomode-se em sua poltrona e assista ao espetáculo da queda do capitalismo. Vai ser memorável.
1 de outubro de 2008 às 5h14
Como você se comportaria em um ataque de zumbis?
Filme de zumbi é um tipo de terror que realmente me deixa apavorada. Eu já disse que filme de zumbi é o gênero de terror que eu mais gosto de ver, e é verdade, porque é o monstro cinematográfico (depois d’A COISA) mais improvável de existir, mas ainda assim é apavorante. Eu nunca consegui passar da primeira fase de Resident Evil por causa deles. E em Zelda: Ocarina of Time, no N64, eu tinha muito medo de passar pelo mercado de Hyrule depois que o Link crescia.
O motivo principal de filmes de zumbi meterem medo é que qualquer pessoa pode se tornar um zumbi, sua mãe inclusa, e então perder totalmente a capacidade intelectual e te devorar em seguida. E deve ser triste ter que matar alguém da sua família só porque essa pessoa se tornou um zumbi.
O engraçado do zumbi é que ele só parece burro. Ele anda como alguém muito burro, e grunhe como alguém muito burro, mas surge de trás das portas e dos becos como alguém realmente inteligente, fora que na hora de perseguir pessoas em carros a velocidade dele triplica de maneira inexplicável. Parece que o zumbi emburrece no quesito comunicação e locomoção, mas mantém necessidades instintivas, tipo ‘se alimentar’. E isso inclui ‘correr’ e ‘ser inteligente’, caso um dos dois seja necessário para o item ‘se alimentar’.
Nunca achei que se tornar zumbi seria um grande problema, já que eu espero que um zumbi fique ‘emburrecido’ e esqueça que um dia foi humano. Dessa maneira, não há porque se preocupar. Ignorância é felicidade. Se eu for zumbi e não souber que um dia fui humana e não comia carne dos meus semelhantes, acho que posso viver com isso.
Sou o tipo de pessoa que assiste filme e depois fica se perguntando o que faria naquela situação. Tipo, se o mundo começasse a acabar, eu faria como o Mel Gibson em Sinais e não sairia da minha casa? Caso o bairro fosse invadidos por zumbis sedentos por sangue, e supondo que eles tivessem inteligência o suficiente para entrar no elevador e apertar o botão do meu andar, como eu defenderia minha casa dessas aberrações? Seria eu mais esperta que aquela coadjuvante, que morreu no terceiro bloco porque resolveu sair para buscar ajuda?
Finalmente, eu pude testar minhas habilidades de fugir de zumbis. O site Survive the outbreak, em inglês, é uma espécie de filme interativo de zumbis. É mais ou menos como aqueles livrinhos RPGQuest, aventuras-solo de RPG que eram vendidos nas bancas. Você assiste a uma cena, decide por qual caminho seguir e da sua escolha depende a ação que ocorre em seguida.
O formato é muito legal, e dá margem para outros filmes interativos do mesmo tipo, talvez mais elaborados, com mais possibilidades condicionadas pelas escolhas de quem assiste.
Só tem um problema: a ação é toda baseada no que aconteceria se, digamos, você estivesse mesmo dentro de um filme. Eu comecei pensando de maneira realista e só me ferrei. Depois que mudei minha mente para o modo ‘previsibilidade-holywoodiana-de-comportamento’, e comecei a considerar que egoístas nunca se dão bem em filmes, cheguei um pouco mais longe na simulação. Ainda assim, morri todas as vezes.
Claro que, no fundo, eu e você sabemos que quando alguém é ferido por um zumbi, não há o que fazer senão matar o pobre infeliz antes da transformação. Mesmo quando não lidamos com a realidade é preciso ser realista.











23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 

