OEsquema

Como estragar um post divertido de maneira rápida e efetiva

Na sexta, no Goma de Mascar, um inocente post sobre fantasias nerds de Halloween levou a uma discussão acalorada sobre a dominação cultural dos EUA sobre o Brasil.

As pessoas começaram a repetir que ‘brasileiro fica imitando americano, que a festa nunca teve a ver com as nossas raízes culturais e por isso somos idiotas em reproduzí-la’.

Nesse raciocínio muito estúpido, teríamos que crucificar Mallu Magalhães porque ela toca folk, um estilo musical tradicionalmente americano e que nunca teve nada a ver com as nossas raízes culturais.

Esse discurso, junto com o ‘não coma no McDonalds, capitalismo grrrrrr’ e o ‘nada que não seja rock’n'roll é bom’ é muito, muito chato.

Como qualquer pessoa menos idiota sabe, o estilo de vida americano – música, moda, comemorações e todo o resto – é incorporado de maneira imperceptível, não só por nós, mas pelo mundo inteiro desde que a TV e o cinema começaram a mostrar essas coisas. E todo mundo é e está influenciado por isso, não há meio de escapar.

É bem engraçada essa mania que a gente, brasileiro, tem de nos referirmos a nós mesmos na terceira pessoa. Sempre que a gente tem uma crítica ao nosso país, diz ‘o brasileiro’, e em nenhum momento pensa que isso provavelmente inclui a gente. É um distanciamento que não funciona.

As festas de Halloween se ‘popularizaram’ aqui só por causa das escolas de inglês. Mas não passam de uma festa à fantasia com nome diferente e temas supostamente sombrios.

Não faz parte das nossas ‘raízes culturais’, seja lá o que isso signifique, mas o sentido original, mesmo nos EUA, já se perdeu. Para quem não sabe, a comemoração faz parte da cultura bretã, e sua origem se mistura com rituais druidas de comemoração da chegada do verão e comemorações cristãs para festejar o dia de ‘todos os santos’.

Ou seja, tanto faz aqui como lá, já que passou de um ritual religioso para um motivo para encher a cara e usar roupas engraçadas. E no fim das contas a gente sabe que é só isso mesmo: só mais um motivo para festejar, já que se brasileiro pudesse, festejava o ano inteiro.

Me chamem de, sei lá, ‘colonizada pelo imperialismo cultural americano’, mas eu sou muito mais festejar na festa de Halloween do que no show do Chiclete. Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.

Mas o mais importante: era só um post sobre fantasias de Halloween nerds. As fantasias nem eram de brasileiros, aliás. Por que existem pessoas chatas a ponto de questionar a discussão nesse sentido? Por quê as pessoas levam um post que era para ser divertido tão a sério? Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?

Talvez essas pessoas estejam precisando de mais festas de Halloween.

19 Comentários
por: olhometro postado em: Brasil, Cinema, Crônicas, Entretenimento, Há mais entre o céu..., Moda, Pop, TV tags: , , , , , , , ,

19 Comentários

Comentário por Carlos Marin
3 de novembro de 2008 às 10h01

Não acho que comemoremos o Halloween; nunca vi crianças fantasiadas pedindo doces por aí ou casas decoradas e com morangas entalhadas. É como você disse: só mais um motivo pra festa (como se realmente precisasse…).

Quanto às tais “raízes culturais”, isso é papo furado. Com o perdão do trocadilho, mas acho algo que está tão presente no nosso cotidiano já formou suas próprias raízes, por exemplo, o hábito de assistir novelas.

Ah, antes de alguém comentar, pense bem, afinal, não creio que blogs sejam uma invenção “do brasileiro”. Cuidado para não cair na hipocrisia…

Responder

Comentário por Carlos Marin
3 de novembro de 2008 às 10h09

Outra coisa: o fato de alguém dizer que eles valorizam a sua origem e que deveríamos fazer o mesmo não é também uma tentativa de cópia?

Responder

Comentário por T. Vanderbilt
3 de novembro de 2008 às 10h51

O Brasil nada mais é do que um conjunto de culturas estrangeiras com a indígena, então não sei pq tem gente que fica dando piti.

Responder

Comentário por Dedé
3 de novembro de 2008 às 11h53

Acho essa discussão toda sem propósito. O que importa é a gente se divertir, ser feliz. Sem reserva cultural.

Responder

Comentário por Ana Freitas
3 de novembro de 2008 às 19h07

Precisamente.

Responder

Comentário por Daniel R
3 de novembro de 2008 às 13h56

Concordo com o post. Pra começar, a pessoa que critica coisas como o Halloween com estes motivos devia começar a pensar em parar de beber Coca-Cola, ir ao cinema ou parar de comprar em supermercado, começar a plantar a própria comida, fabricar a própria roupa e virar ermitão – porque do contrário, é impossível fugir do capitalismo e modo de vida globalizado barra norte-americano.

Responder

Comentário por Ana Freitas
3 de novembro de 2008 às 19h10

Bem por aí… até o All-Star surrado vai ter que sair do pé…

Responder

Comentário por Ana Freitas
3 de novembro de 2008 às 19h11

E nossa, seu blog é muito legal!

Responder

Comentário por alina
3 de novembro de 2008 às 16h39

“Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.”
mas a idéia é essa. de tanta coisa desvirtuada, o halloween no brasil, é mais uma delas. o halloween, o mc donald’s, os blogs, os tênis, bonés, séries de tv, o próprio windows… 8-) sabe aquelas pessoas que querem falar, de forma inflamada e não tem muito o que falar? pois bem… aposto que quem começou a discussão no tal blog, é alguém desse tipo… ¬¬

e como a dedé falou…. “Acho essa discussão toda sem propósito. O que importa é a gente se divertir, ser feliz. Sem reserva cultural.”
pô meu. vai falar que não é legal se fantasiar? ¬¬

Responder

Comentário por Cler Oliveira
3 de novembro de 2008 às 17h28

Só um detalhe: Mallu Magalhães quando decide ‘valorizar suas raízes culturais’ cantando em português é um desastre.

Ou seja: o que importa é a diversão. Não importa de onde elas venham.

Responder

Comentário por Eric Prieto
3 de novembro de 2008 às 17h56

Conheci seu blog hoje, pelo artigo o Obama, achei muito interessante as questões levantadas lá. Li alguns outros artigos também, e cada um é mais interessante que o outro!

E todas suas opniões se parecem com as minhas, acho que to apaixonado *—-*

Heuaheuhae Brincadeira, mas parabéns pelo blog, viu!

Tá nos meus feeds já ;D

Responder

Comentário por Enrique
3 de novembro de 2008 às 19h02

“Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?” A Teoria Geral dos Idiotas na Internet responde à essa pergunta: http://www.penny-arcade.com/docs/internetdickwad.jpg

Responder

Comentário por Ana Freitas
3 de novembro de 2008 às 19h07

AE! A resposta não poderia ser mais precisa. Alguem podia escrever um mestrado sobre isso.

Responder

Comentário por Paulo Figueiredo
3 de novembro de 2008 às 20h34

HUAuhahuahuha
Mais certo impossível!

E o pior é eles achando que estão se achando os “dragões do universo” com esses comentários pseudo construtivos.

Tem que saber se divertir, selecionando o que vc achar legal, independente de onde vem.
Agora se vc não gosta de determinada diversão, deixe para quem gosta oras!

Responder

Comentário por Suzana
4 de novembro de 2008 às 3h54

Concordo, Ana!
Coisa chata de tudo por a culpa no capitalismo, de querer boicote e revolução armada… Bla bla bla bla bla

Engraçado que não tem um ser desses que tanto apregoa o anti-capitalismo, que consiga viver completamente imune a cultuta dos EUA e de todo o resto do mundo.
Vivemos em sociedade, pow!
Aceitar as diferenças e gostos das pessoas é o mínimo que se espera de gente civilizada.

PS: Não fala mal do Chiclete não vai…hahahaha

Bjs

Responder

Comentário por Nathália
4 de novembro de 2008 às 12h33

O que eu não entendo é como ‘o brasileiro’ (rs) gosta de proteger suas raízes culturais ao mesmo tempo que fala mal delas. Não sei o que funciona nessa arte do bate-e-assopra. Pra mim, ou gosta, ou não, mas tem gente que fica com ressalva só porque tem coisa de americano no meio. Como você disse, os próprios ianques já não comemoram o verdadeiro Halloween. Eu, sinceramente, acho um feriado bobo, mas trabalho em um curso de inglês e comemoro como todo mundo – de que adiantaria cruzar os braços e emburrar? A cultura americana (ou até mesmo a falta dela) está aí pra ficar, e falar mal dela não vai fazê-la desaparecer. E viva a Coca-Cola!

Responder

Comentário por mariane
4 de novembro de 2008 às 15h42

eu só acho meio nada a ver ficar ensinando esse tipo de festa pra criança de primeira série, mandar elas desenharem abóboras, etc.

Responder

Pingback por Essa turma é confusão na certa! - Halloween | Olhômetro
7 de novembro de 2008 às 21h45

[...] que recebo a observação mais mágica sobre um post da minha vida, provavelmente enviada pela filha do redator das chamadas da seção da [...]

Comentário por pirlo
26 de outubro de 2009 às 16h31

maior boco

Responder

Deixe um comentário