3 de novembro de 2008 às 8h24
Como estragar um post divertido de maneira rápida e efetiva
Na sexta, no Goma de Mascar, um inocente post sobre fantasias nerds de Halloween levou a uma discussão acalorada sobre a dominação cultural dos EUA sobre o Brasil.
As pessoas começaram a repetir que ‘brasileiro fica imitando americano, que a festa nunca teve a ver com as nossas raízes culturais e por isso somos idiotas em reproduzí-la’.
Nesse raciocínio muito estúpido, teríamos que crucificar Mallu Magalhães porque ela toca folk, um estilo musical tradicionalmente americano e que nunca teve nada a ver com as nossas raízes culturais.
Esse discurso, junto com o ‘não coma no McDonalds, capitalismo grrrrrr’ e o ‘nada que não seja rock’n'roll é bom’ é muito, muito chato.
Como qualquer pessoa menos idiota sabe, o estilo de vida americano – música, moda, comemorações e todo o resto – é incorporado de maneira imperceptível, não só por nós, mas pelo mundo inteiro desde que a TV e o cinema começaram a mostrar essas coisas. E todo mundo é e está influenciado por isso, não há meio de escapar.
É bem engraçada essa mania que a gente, brasileiro, tem de nos referirmos a nós mesmos na terceira pessoa. Sempre que a gente tem uma crítica ao nosso país, diz ‘o brasileiro’, e em nenhum momento pensa que isso provavelmente inclui a gente. É um distanciamento que não funciona.
As festas de Halloween se ‘popularizaram’ aqui só por causa das escolas de inglês. Mas não passam de uma festa à fantasia com nome diferente e temas supostamente sombrios.
Não faz parte das nossas ‘raízes culturais’, seja lá o que isso signifique, mas o sentido original, mesmo nos EUA, já se perdeu. Para quem não sabe, a comemoração faz parte da cultura bretã, e sua origem se mistura com rituais druidas de comemoração da chegada do verão e comemorações cristãs para festejar o dia de ‘todos os santos’.
Ou seja, tanto faz aqui como lá, já que passou de um ritual religioso para um motivo para encher a cara e usar roupas engraçadas. E no fim das contas a gente sabe que é só isso mesmo: só mais um motivo para festejar, já que se brasileiro pudesse, festejava o ano inteiro.
Me chamem de, sei lá, ‘colonizada pelo imperialismo cultural americano’, mas eu sou muito mais festejar na festa de Halloween do que no show do Chiclete. Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.
Mas o mais importante: era só um post sobre fantasias de Halloween nerds. As fantasias nem eram de brasileiros, aliás. Por que existem pessoas chatas a ponto de questionar a discussão nesse sentido? Por quê as pessoas levam um post que era para ser divertido tão a sério? Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?
Talvez essas pessoas estejam precisando de mais festas de Halloween.



23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 


3 de novembro de 2008 às 10h01
Não acho que comemoremos o Halloween; nunca vi crianças fantasiadas pedindo doces por aí ou casas decoradas e com morangas entalhadas. É como você disse: só mais um motivo pra festa (como se realmente precisasse…).
Quanto às tais “raízes culturais”, isso é papo furado. Com o perdão do trocadilho, mas acho algo que está tão presente no nosso cotidiano já formou suas próprias raízes, por exemplo, o hábito de assistir novelas.
Ah, antes de alguém comentar, pense bem, afinal, não creio que blogs sejam uma invenção “do brasileiro”. Cuidado para não cair na hipocrisia…
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3 de novembro de 2008 às 10h09
Outra coisa: o fato de alguém dizer que eles valorizam a sua origem e que deveríamos fazer o mesmo não é também uma tentativa de cópia?
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3 de novembro de 2008 às 10h51
O Brasil nada mais é do que um conjunto de culturas estrangeiras com a indígena, então não sei pq tem gente que fica dando piti.
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3 de novembro de 2008 às 11h53
Acho essa discussão toda sem propósito. O que importa é a gente se divertir, ser feliz. Sem reserva cultural.
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3 de novembro de 2008 às 19h07
Precisamente.
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3 de novembro de 2008 às 13h56
Concordo com o post. Pra começar, a pessoa que critica coisas como o Halloween com estes motivos devia começar a pensar em parar de beber Coca-Cola, ir ao cinema ou parar de comprar em supermercado, começar a plantar a própria comida, fabricar a própria roupa e virar ermitão – porque do contrário, é impossível fugir do capitalismo e modo de vida globalizado barra norte-americano.
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3 de novembro de 2008 às 19h10
Bem por aí… até o All-Star surrado vai ter que sair do pé…
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3 de novembro de 2008 às 19h11
E nossa, seu blog é muito legal!
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3 de novembro de 2008 às 16h39
“Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.”
sabe aquelas pessoas que querem falar, de forma inflamada e não tem muito o que falar? pois bem… aposto que quem começou a discussão no tal blog, é alguém desse tipo… ¬¬
mas a idéia é essa. de tanta coisa desvirtuada, o halloween no brasil, é mais uma delas. o halloween, o mc donald’s, os blogs, os tênis, bonés, séries de tv, o próprio windows…
e como a dedé falou…. “Acho essa discussão toda sem propósito. O que importa é a gente se divertir, ser feliz. Sem reserva cultural.”
pô meu. vai falar que não é legal se fantasiar? ¬¬
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3 de novembro de 2008 às 17h28
Só um detalhe: Mallu Magalhães quando decide ‘valorizar suas raízes culturais’ cantando em português é um desastre.
Ou seja: o que importa é a diversão. Não importa de onde elas venham.
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3 de novembro de 2008 às 17h56
Conheci seu blog hoje, pelo artigo o Obama, achei muito interessante as questões levantadas lá. Li alguns outros artigos também, e cada um é mais interessante que o outro!
E todas suas opniões se parecem com as minhas, acho que to apaixonado *—-*
Heuaheuhae Brincadeira, mas parabéns pelo blog, viu!
Tá nos meus feeds já ;D
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3 de novembro de 2008 às 19h02
“Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?” A Teoria Geral dos Idiotas na Internet responde à essa pergunta: http://www.penny-arcade.com/docs/internetdickwad.jpg
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3 de novembro de 2008 às 19h07
AE! A resposta não poderia ser mais precisa. Alguem podia escrever um mestrado sobre isso.
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3 de novembro de 2008 às 20h34
HUAuhahuahuha
Mais certo impossível!
E o pior é eles achando que estão se achando os “dragões do universo” com esses comentários pseudo construtivos.
Tem que saber se divertir, selecionando o que vc achar legal, independente de onde vem.
Agora se vc não gosta de determinada diversão, deixe para quem gosta oras!
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4 de novembro de 2008 às 3h54
Concordo, Ana!
Coisa chata de tudo por a culpa no capitalismo, de querer boicote e revolução armada… Bla bla bla bla bla
Engraçado que não tem um ser desses que tanto apregoa o anti-capitalismo, que consiga viver completamente imune a cultuta dos EUA e de todo o resto do mundo.
Vivemos em sociedade, pow!
Aceitar as diferenças e gostos das pessoas é o mínimo que se espera de gente civilizada.
PS: Não fala mal do Chiclete não vai…hahahaha
Bjs
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4 de novembro de 2008 às 12h33
O que eu não entendo é como ‘o brasileiro’ (rs) gosta de proteger suas raízes culturais ao mesmo tempo que fala mal delas. Não sei o que funciona nessa arte do bate-e-assopra. Pra mim, ou gosta, ou não, mas tem gente que fica com ressalva só porque tem coisa de americano no meio. Como você disse, os próprios ianques já não comemoram o verdadeiro Halloween. Eu, sinceramente, acho um feriado bobo, mas trabalho em um curso de inglês e comemoro como todo mundo – de que adiantaria cruzar os braços e emburrar? A cultura americana (ou até mesmo a falta dela) está aí pra ficar, e falar mal dela não vai fazê-la desaparecer. E viva a Coca-Cola!
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4 de novembro de 2008 às 15h42
eu só acho meio nada a ver ficar ensinando esse tipo de festa pra criança de primeira série, mandar elas desenharem abóboras, etc.
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Pingback por Essa turma é confusão na certa! - Halloween | Olhômetro
7 de novembro de 2008 às 21h45
[...] que recebo a observação mais mágica sobre um post da minha vida, provavelmente enviada pela filha do redator das chamadas da seção da [...]
26 de outubro de 2009 às 16h31
maior boco
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