OEsquema

Arquivo: novembro de 2008

Quem vai na faixa no Planeta Terra?

E os ganhadores são…


Elisa de Oliveira Mafra


Jorge Anderson de Souza Gomes

Obrigada aos que participaram e até lá. Na sexta entrarei em contato com os felizardos.

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O que faz um jornal custar 150 dólares?

Quanto você pagaria por um jornal de ontem?

Eu faço jornalismo e sei que não dá para ganhar dinheiro com a minha profissão. Mas Barack Obama é tão magnânimo e messiânico que ele é capaz até de fazer com que o trabalho de profissionais do meu ramo se valorize de maneira incalculável.

Na quarta, 5, quando ele foi declarado oficialmente o presidente eleito, os jornais com sua foto na capa sumiram das bancas. As maiores publicações tiveram dificuldade em acompanhar a demanda. E os sortudos que conseguiram comprar um exemplar não dormiram no ponto: no e-bay já tem mais de 800 exemplares de jornais do dia da eleição de Obama.

Um lote de 400 exemplares do Chicago Tribune sai pela bagatela de 1100 dólares. O jornal manchetou uma capa-pôster do novo presidente dos EUA. E um único exemplar do New York Times do dia da eleição de Obama não sai por menos que 150 DÓLARES! O Chicago Sun Times, com outra foto-pôster na capa, até que tá barato: 50 dólares.

Isso parece encerrar a discussão que os professores insistem em levantar na faculdade, sobre o fim do jornal impresso. E se não encerra, joga uma nova luz sobre o tema – afinal, duvido que as pessoas estão correndo para comprar as prints das capas dos sites de jornais que noticiaram a vitória do Obama.

No mais, ele nem tomou posse ainda e já começou aquecendo a economia. Bonito pensar que as pessoas devem realmente comprar esse tipo de coisa, enquadrar, guardar de recordação para mostrar para os filhos daqui a 30 anos. Mas o mais curioso é que boa parte dos jornais que noticiaram, digamos, a eleição do presidente Lula, no dia seguinte já estava embrulhando milhões de peixes por esse Brasil afora.

Obama mal foi eleito e já fez jornaleito ficar rico.

(Fonte:Jornais com Obama na capa esgotam nos EUA)

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Especial Planeta Terra – um guia para você que caiu de pára-queda

Ter um selo de escrito ‘Planeta Terra – Embaixador Oficial’ implica em algumas coisas. Implica em ser convidado para ir ao festival, leia-se ir na faixa. Implica também em estar escalado para fazer uma cobertura ampla do evento. Implica em receber contatos alienígenas que, ávidos por conhecer nossos costumes, digitam ‘embaixador do planeta Terra’ no Google e chegam no blog.

Implica, inclusive, em ajudar incautos pára-quedistas do Festival. Você achou um ingresso no chão e vai conferir mas não conhece nenhuma banda? Seu/sua namorado/a vai e portanto você é obrigado a acompanhá-lo/a, mas você preferia que a escalação incluísse Ivete e Babado Elétrico? Você sabe que os ingressos esgotaram, todo mundo vai para lá no sábado e portanto você também vai?

Esse guia é para você. Aqui tem tudo o que você precisa saber sobre algumas bandas do Festival (as que eu pretendo assistir), mais uma música para você decorar em três dias e não precisar cantar o fim de todas e fingir que sabe, além de dicas de visual e de como se portar. Manda ver e boa sorte!

Brothers of Brazil

Quem? eles podiam se chamar também Sons of Marta. Supla e João Suplicy se unem numa produtiva parceria, cujos frutos ressoam a bossa nova e rock’n'roll. Cazuza ficaria orgulhoso. Um som feito claramente para ser consumido por gringos ávidos por música brasileira. Inteligente.

Não pode faltar: sei lá, conheci há pouco. Mas achei divertidinha essa aqui embaixo, sem nome, com atenção para os carões do João Suplicy.

Vanguart

vanguart @ sesc bauru
Creative Commons License photo credit: cássio abreu

Quem? Vanguart é minha banda brasileira preferida, disputando o primeiro lugar com os Ecos Falsos. São de Cuiabá, tocam folk em inglês, português e espanhol, com letras meio surreais e um vocalista que tem dado algumas demonstrações de arrogância (e de pedofilia). Mas isso não é suficiente para que eu deixe de gostar da banda. Se fosse, eu não ouviria Oasis.

Não pode faltar: Os hits semáforo e Hey Yo Silver, o último representado abaixo:

Mallu Magalhães

Mallu Magalhães
Creative Commons License photo credit: tatu43

Quem? a garota propaganda prodígio precoce da Vivo tem 16 anos, é fofa e pega o cara do Vanguart faz umas coisas interessantes. Num é que vou morrer se não assistir, mas acho que vale a pena. Tá no pacote.

Não pode faltar: o juizado. E aquela do parapapapapaaaa, olha ela aí (nem consegue segurar o violão, tadinha…):

Foals

foals_002
Creative Commons License photo credit: tacvbo

Quem? poxa, sobre eles só sei que são ingleses e que gosto muito dos singles e do disco, Antidotes, que está na minha playlist desde muito tempo. É um rockzinho marcado pelas guitarras e bateria, chamado de math-rock, mas acho esse nome besta. Tem algo de Bloc Party do primeiro disco e promove vontade de dançar.

Não pode faltar: CASSIUS! (nunca tive visto o clipe e é bem gay, olha aí embaixo) e balloons.

Offspring

The Offspring Concert
Creative Commons License photo credit: briant87

Quem? COMO ASSIM, QUEM?
Não pode faltar: putiz. A música que me fez gostar deles, aos 10, foi Pretty Fly for a White Guy. Mas Kids Aren’t Allright é genial. Mas alguém pode ir a um show do Offspring e não querer ouvir Self Steem? (posso até ouvir o coro de Uooohhh yeaaahhh yeaahhh, ouve aê)

Bloc Party

Bloc Party en Barcelona
Creative Commons License photo credit: alterna2

Quem? uns maluquinhos que fizeram um disco muito bom em 2004 de rock inglês que pode ser tocado na pista sem chocar entusiastas de música eletrônica. Daí fizeram um segundo disco mediano que decepcionou todo mundo, e um terceiro idem. Daí vieram ao Brasil, fizeram playback no VÊ EME BÊ e aí a credibilidade esgotou-se.

Não pode faltar: o vocalista cantando ao vivo.
Extra – pode faltar: todas as músicas dos segundos e terceiros discos.

Kaiser Chiefs


Creative Commons License photo credit: Nelisha

Quem? cinco ingleses engraçados e bons de música pop compõem o Kaiser Chiefs. O som é pop rock com influência do rock inglês, ou seja, no Brasil seria rock’n'roll mesmo, porque nosso pop rock aqui é farofa né? Têm um primeiro disco grudento chamado Employment (e um DVD engraçado), além de mais dois discos, o segundo médio e o último melhor que o anterior mas não tão bom quanto o primeiro. Ufa! E, dizem, sabem fazer um bom show.

Não pode faltar: Everyday I love you less and less e Na Na Na Na Na (não é a das Lipstick), mais a nova, Never Miss a Beat, um dos melhores singles que ouvi em 2008. Escutaí:

Tem mais gente?

Tem, sim. Não vou falar dos DJs porque deles pouco entendo. Mas, representando o BRASIL!!! temos também Curumin, um multinstrumentista paulista que toca uma espécie de samba-chorinho-rock-funkeado (?).

As outras atrações gringas são os veteranos do Jesus and the Mary Chain (minha mãe gostava deles, mas eu dormi), o Animal Collective (com o clipe mais tóxico que eu já vi, no sentido), o Spoon (não sei, me lembrou Counting Crows) e os Breeders (uma espécie de Pixies).

O que mais eu preciso saber?

Essa foto é muito engraçada, já usei ela outras vezes e não me canso

Bom, vista-se adequadamente para um festival cheio de gente alternativa – ou seja, perca um pouco o senso do ridículo! Calças justas, all-stars e nike dunks, óculos de lentes grossas, rayban wayfarers coloridos ou de armação colorida, faixas na cabeça – tudo isso vai te camuflar como um membro da tribo. Pode ir de fã do Offspring também, visual hardcore é mais fácil né? Use a capa do CD do Blink 182 de inspiração e sijoga.

Leia a Bravo! e repita as análises nos grupinhos como o pseudo-intelectual que você é. É bom saber algo sobre o CSS, também. Todo mundo fala sobre o CSS nesses festivais. CSS não é Cascading Style Sheets nem Contribuição Social da Saúde, ok? É o Cansei de Ser Sexy.

No geral, você está preparado! Boa sorte e me conte se deu tudo certo.

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Barack Hussein Obama, o presidente eleito dos EUA

Eu tinha um post engatilhado para hoje. Mas diante das circunstâncias, vou mudar o que estava pré-programado.

Estamos presenciando um momento histórico. E não sabemos a que ponto isso pode mudar nossas vidas – e agora não falo mais como brasileira, mas como cidadã do mundo, que é como eu me sinto de verdade.

Engraçado pensar que a repercussão daquele post do Obama fez com que todo mundo pensasse que eu sou pró-McCain, o que seria virtualmente impossível considerando tudo em que acredito e sempre acreditei. Os EUA elegeram um presidente negro, liberal, que apóia a escolha pelo aborto, a pesquisa com células tronco, restrições a possibilidade de portar armas, é contra guerra. O que mais você pode esperar de um presidente da maior economia do mundo?

Como naturalmente alguns perceberam, o post do Obama foi só um questionamento. Daqueles para mexer com as convicções das pessoas e com a minha. Funcionou.

Aqui do meu lado, eu torço para que ele seja capaz de resistir a todas as investidas dos conservadores, dos fanáticos e de sei lá mais o quê. Lembre-se que todos os grandes liberais da histórias dos EUA foram assassinados. E Obama é um fenômeno. Guarda-costas da Casa Branca, uni-vos!

Enfim, senhores. Vivemos um momento histórico.

(Roubei o mosaico da arte do estadão.com. Foi mal, gente, mas tava lindão, não resisti)

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Não conseguiu comprar ingresso para o Festival Planeta Terra? A gente te leva

Eu sei como esse pedaço de papel, que dá acesso a assistir às fantásticas atrações do Festival Planeta Terra, no sábado, vale ouro. Eu tinha comprado uma meia entrada sobrando e recebi mais de 15 contatos de gente interessada em comprá-la. Quem chegou primeiro levou, e pro preço de custo.

Mas como sou camarada demais, vou dar a oportunidade para duas pessoas sem ingresso conferirem Foals, Kaiser Chiefs, Offspring, The Jesus and Mary Chain e tantos mais que vão tocar no sábado. O Planeta Terra e a Dudinka me deram uns ingressos pra distribuir entre vocês

O concurso cultural Cantoria Maluca, sugerido pela minha amiga off-line Gabi, vai premiar dois leitores (cantores) com dois ingressos cortesia para o Festival Planeta Terra (um para cada um).

Como participar:
Basta gravar em vídeo sua versão de um (ou vários, num belo pout-pourri) sucessos que você gostaria de ver no Planeta Terra – vale qualquer música de qualquer uma das bandas que vai tocar no sábado, e nem precisa ser a música inteira, nem a versão original (gosto de paródias), vale o que você pensar. Pode ser você mesmo interpretando, ou seu irmãozinho, namorada ou avó. Até aceito até playback do Bloc Party, se o resto da performance for boa.

E daí?
Depois de gravar o vídeo usando qualquer câmera que você tiver à mão – digital, celular, webcam ou tekpix -, é só subir o vídeo para o youtube, dailymotion ou seu site de vídeos preferidos e me mandar o link do vídeo no e-mail contato@olhometro.com até as 23h59 da quinta-feira, 6 de novembro, com seu nome completo, endereço, idade e telefone (celular e fixo, de preferência). Qualquer e-mail sem essas informações ou depois do prazo não será aceito.

Os melhores vídeos serão publicados aqui no blog.

Quem pode participar?
Qualquer leitor do blog, maior de 18 anos, desde que não seja meu familiar ou agregado de familiar, e seja residente em São Paulo ou região, porque terá que retirar os ingressos no dia comigo, em mãos, em horário a combinar no começo do show (entre 15h e 16h).

Quem vai escolher o melhor vídeo e como?
A princípio eu, mas se alguém lá de casa quiser ajudar…
Não vou considerar qualidade da gravação, só precisa ser minimamente audível e enxergável. Claro que é questão de gosto, mas tenha em mente que tudo influencia, desde a criatividade na interpretação até sua seleção musical.

Quando sai o resultado?
Na sexta, até o meio-dia.

Por quê você não sorteia?
Sorteios devem ser registrados no Ministério Público Federal.

Por que você não faz o simples ‘melhor frase’, ou dá os ingressos pras primeiras pessoas a comentar?
Por que é um jeito de selecionar quem realmente está a fim de ir de quem vê um ingresso sendo sorteado e participa porque não tá fazendo nada.

E mãos à obra. Dá um pouco de trabalho, ainda mais em tipo 60 horas, mas não sou eu que tô sem ingresso…

Ah, e fica esperto, porque alguns blogs da lista aqui embaixo também vão dar ingressos entre hoje e sexta. A Lalai, por exemplo, tá com uma promoção parecida com a minha (não vale usar o mesmo vídeo nas duas!)

Sim Viral | Fonte Rosa | Eu Gosto de uma Coisa Errada | Chiqueiro Chique | Cegos, Surdos e Loucos | Olhômetro | Puro Pop | Casa da Narcisa | Meradoxa | Muito Horrorshow | Rock-o-Matic | Rock de índio | Outros Olhos | Indie-e-Geste | A Festa Nunca Termina | Quem pode, Poda | Move That Jukebox | Penetration Club | Azar o seu, Querida | Bloody Pop | Lalai Loaded | Putzcaramba! | The Putz Factory | Blah Blah Blog | Indie Cent Music

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Terrorismo poético, Pixobomb e o pelado na Bienal

A partir desta terça, durante 13 dias um cara chamado Maurício Ianês se encarregará de uma inusitada performance na Bienal de São Paulo. Ianês ficará vagando nu pelo saguão do segundo andar e só fará uso de coisas que o público lhe der – incluindo comida, roupas, móveis e qualquer coisa que lhe entregarem, pelo que eu entendi.

Ou seja: se derem roupas para ele, ele veste. Se derem cama, ele dorme. Se derem comida, ele come. O trabalho se chama A Bondade de Estranhos e vai contar, hum, com a bondade de estranhos. Ianês é um artística plástico e sua performance, certamente, será considerada genial por muitos entusiastas da Bienal.

David Sedaris, humorista americano autor de Eu Falar Bonito um Dia, fez artes mas não poupa piadas direcionadas a esse tipo de artista plástico performático mala. Nesse livro, ele explica como toda a sorte de idéia idiota acaba sendo considerada revolucionária e de uma sensibilidade artística inigualável se sua carteira e seu nome permitirem.

Mas David, na época que era artista plástico e fazia essas performances esquisitas, também era duro. E não sei como ele não pensou nesse número, que além de alçá-lo à condição de gênio performático, ainda seria capaz de angariar umas boas dúzias de peças de roupas, teto e rango grátis por 13 dias.

Existe uma característica importante que o ser humano, especialmente o artista, deve cuidar para nunca perder -  e ela se chama senso do ridículo. É perigoso quando você nem percebe mais que todo mundo está rindo de você enquanto você atua de maneira inteiramente séria. Claro que o meio termo é necessário, e ninguém precisa deixar de fazer nada preocupado com o que os outros vão pensar. Mas nenhum extremo é válido.

Não sei se isso é arte. Mas supondo que seja, por que a ‘manifestação’ do Rafael Pixobomb e do grupo de pichadores que invadiu primeiro a Belas Artes e depois a própria Bienal, aqui em cima, não é?

O que separa esse tipo de ação da ação dos outros caras? No caso do Pixobomb, ele diz que as invasões são um manifesto contra a capitalização do grafitti, que foi concebido como uma arte ilegal. Ianês, segundo o UOL, pretende com sua instalação “questionar a comunicação entre artista e público, e a responsabilidade do trabalho nesta comunicação.” Oi? É triste, mas a justificativa dos pichadores é muito mais coerente e bem menos hermética.

E a pichações, ou a maneira como elas aconteceram, ainda têm origem num um cara chamado Hakim Bey, que prega o terrorismo poético, cujo conceito é difícil de definir, mas tem seu maior expoente hoje em dia num cara que tá super famoso: o Banksy. Terrorismo poético envolve intervenções urbanas, arte de guerrilha, e é uma maneira ligeiramente invasiva de inserir arte e protesto no contexto urbano, no dia-a-dia, em situações em que não se espera que haja arte e contestação.

Crianças jurando bandeira à rede de lojas Tesco, por Banksy

E aí? Qual dos dois é mais arte, qual dos dois é mais questionador? O pelado que quer contestar a relação entre arte e o público (ou seja, até existe uma relação com o terrorismo poético, que também questiona e subverte essa relação) e é aclamado por isso ou o bando de pichadores, que invade uma galeria de artistas engomadinhos para pichar uma parede vazia e com isso contestar o que é estabelecido como arte?

*Colaborou Nina Ramos (com a discussão)

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Como estragar um post divertido de maneira rápida e efetiva

Na sexta, no Goma de Mascar, um inocente post sobre fantasias nerds de Halloween levou a uma discussão acalorada sobre a dominação cultural dos EUA sobre o Brasil.

As pessoas começaram a repetir que ‘brasileiro fica imitando americano, que a festa nunca teve a ver com as nossas raízes culturais e por isso somos idiotas em reproduzí-la’.

Nesse raciocínio muito estúpido, teríamos que crucificar Mallu Magalhães porque ela toca folk, um estilo musical tradicionalmente americano e que nunca teve nada a ver com as nossas raízes culturais.

Esse discurso, junto com o ‘não coma no McDonalds, capitalismo grrrrrr’ e o ‘nada que não seja rock’n'roll é bom’ é muito, muito chato.

Como qualquer pessoa menos idiota sabe, o estilo de vida americano – música, moda, comemorações e todo o resto – é incorporado de maneira imperceptível, não só por nós, mas pelo mundo inteiro desde que a TV e o cinema começaram a mostrar essas coisas. E todo mundo é e está influenciado por isso, não há meio de escapar.

É bem engraçada essa mania que a gente, brasileiro, tem de nos referirmos a nós mesmos na terceira pessoa. Sempre que a gente tem uma crítica ao nosso país, diz ‘o brasileiro’, e em nenhum momento pensa que isso provavelmente inclui a gente. É um distanciamento que não funciona.

As festas de Halloween se ‘popularizaram’ aqui só por causa das escolas de inglês. Mas não passam de uma festa à fantasia com nome diferente e temas supostamente sombrios.

Não faz parte das nossas ‘raízes culturais’, seja lá o que isso signifique, mas o sentido original, mesmo nos EUA, já se perdeu. Para quem não sabe, a comemoração faz parte da cultura bretã, e sua origem se mistura com rituais druidas de comemoração da chegada do verão e comemorações cristãs para festejar o dia de ‘todos os santos’.

Ou seja, tanto faz aqui como lá, já que passou de um ritual religioso para um motivo para encher a cara e usar roupas engraçadas. E no fim das contas a gente sabe que é só isso mesmo: só mais um motivo para festejar, já que se brasileiro pudesse, festejava o ano inteiro.

Me chamem de, sei lá, ‘colonizada pelo imperialismo cultural americano’, mas eu sou muito mais festejar na festa de Halloween do que no show do Chiclete. Embora a coisa tenha ficado tão desvirtuada que não deve ser incomum tocar Chiclete na festa de Halloween.

Mas o mais importante: era só um post sobre fantasias de Halloween nerds. As fantasias nem eram de brasileiros, aliás. Por que existem pessoas chatas a ponto de questionar a discussão nesse sentido? Por quê as pessoas levam um post que era para ser divertido tão a sério? Quem é e de onde surgiu esse grupo chato de pessoas, que às vezes passa aqui também, e que tem como mote transformar todas as discussões descompromissadas e/ou leves em debates supostamente relevantes?

Talvez essas pessoas estejam precisando de mais festas de Halloween.

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