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Arquivo: dezembro de 2008

‘Capitu’ estréia na Globo com trilha sonora muito, muito boa

Acabo de assistir ao primeiro capítulo de Capitu, a nova minissérie brasileira da Globo. ‘Minissérie brasileira’ porque é assim que a Globo anuncia suas minisséries, com um adjetivo de ‘brasileira’, como se não fosse óbvio.

Deixando de lado os textos bizarros de chamadas da Rede Globo, o que tenho a dizer sobre a estréia é que a série parece muito legal. A fotografia, os figurinos e as maquiagens são meio circenses, e oníricos, pra quem gosta dessas coisas à là Circo du Soleil (mas eu não gosto e achei foda mesmo assim). A narração do Bentinho é fantástica, e a adaptação manteve boa parte dos diálogos literais, tudo muito teatral. E dizendo assim pode parecer que ficou forçado, piegas, mas não ficou não.

Acho que o maior trunfo da série é mostrar todos esses elementos pretensiosos (circo, teatro, música, surrealismo, tudo meio lúdico) mas corresponder a essa pretensão. Não gosto dessas babaquices artísticas que falam os críticos musicais, mas acho que o texto do Machado encontrou interpretação à altura na Rede Globo. Não me lembro de ter gostado tanto de uma minissérie da Globo já no primeiro capítulo – se bem que, devemos lembrar, Dom Casmurro por si só é uma história muito boa, o que já ajuda um bocado.

Uma pena que só vá ter 5 capítulos. Pelos meus cálculos, vai até sábado.

A atmosfera de Capitu não estaria completa sem música à altura. A trilha sonora pode ser considerada heterodoxa, porque tem até Sex Pistols, mas colocar o Beirut como música tema foi uma idéia muito boa. O diretor, Luiz Fernando Carvalho, disse nessa matéria do G1 que a escolha de música pop foi proposital, para aproximar a linguagem da série dos jovens. Ele também fala da estética plástica da fotografia e das outras coisas legais que eu mencionei na mesma entrevista.

E eu achei a idéia muito legal. Parece que funcionou, porque 1. eu sou jovem, 2. eu gostei, e também porque 3. meu irmão é jovem, 4. ele gostou. Mas é muito bom que alguém faça uma montagem de qualidade de uma obra tão importante direcionada aos jovens, porque na escola as coisas ficam muito mais ásperas. Imagina que legal se, depois de Capitu, todo mundo que não leu Dom Casmurro quisesse tirar o atraso da obra de Machado?

A música é tão importante na série que a Capitu não largou o iPod nem na hora do casamento. Não entendeu? Amplia.

Mas voltando a falar de música, peço ao leitor que não pule essa parte só porque ela vai falar de música (sei que alguns pulam). Ao menos hoje, leia essa parada inteira, porque o Beirut é diferente dessas bandinhas efêmeras e apenas divertidas das quais eu falo aqui sempre.

O responsável pelo projeto se chama Zach Condon, mas infelizmente eu não saberia descrever o estilo musical do grupo. ‘Música mediterrânea’ seria uma boa, porque tem influência forte de música árabe, mas tem ukulele, uns batuques, acordeão, uma voz meio bêbada e músicas muito, muito lindas.

Dá uma chance para Elephant Gun, a música-tema de Capitu:

Não sei se foi impressão, mas acho que a minissérie tá usando outras músicas deles na trilha. A propósito, a que eu mais gosto se chama The Penalty e é assim:

Pra quem não viu, no site oficial tem vídeo, umas fotos e o link para o projeto Mil Casmurros, o site da maior leitura coletiva do país.

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Fique longe da SPTrans enquanto puder

Na segunda passada, 2, passou a valer a nova lei do telemarketing. Para quem tá por fora, basicamente o novo estatuto proíbe que babacas cometam com a gente boa parte dos abusos aos quais já estamos acostumados – inclua aí espera infinita na linha, milhões de transferências antes de conseguir falar com a pessoa certa, dificuldade ilimitada para cancelar e outras coisas – leia todos os detalhes aqui.

Devo confessar que eu acreditei. Sim, acreditei que era tudo verdade e que as empresas cumpririam a lei no primeiro dia. Sou partidária da segunda chance. Devemos dar a todas as pessoas (ou instituições) a oportunidade de mostrar que são capazes de se redimir de erros cometidos anteriormente.

Como sempre acontece comigo quando concedo o direito à segunda chance, fui decepcionada. As empresas de telemarketing não cumpriram as regras. E não estamos falando só das clássicas Telefônica e Tim, amigos: nem a Anatel se adequou.

É por isso que não deveria ter me surpreendido com a saga que enfrentei para conseguir tirar a segunda via do meu Bilhete em SP, na semana passada. O cartão paulistano, maneira usada pela empresa para me pagar o vale-transporte e que permite pegar até 3 ônibus em até 3 horas por apenas uma passagem (e mais um metrô ou trem por 1,20 cada), parou de funcionar na terça passada e a partir de então eu comecei a gastar 10 mangos por dia para ir e voltar do trabalho.

Na quinta retrasada, levei meu cartão ao guichê da SPTrans na Santa Cecília e uma mulher que claramente não havia sido treinada para a função me atendeu muito rapidamente, quase sem fila. Pena que ela não seguia procedimento nenhum e foi muito difícil estabelece rum diálogo com ela e tirar algumas dúvidas básicas. No meio da conversa, ela achou uma rachadura de meio centímetro na parte de baixo do meu cartão (que de tão mínina eu não tinha reparado), alegou que era esse o motivo do problema e que se o cartão quebra o usuário deve pagar uma taxa humilde de – por favor, segure-se na cadeira – DEZESSEIS REAIS E DEZ CENTAVOS, que para o meu alívio e praticidade, já eram descontados diretamente do saldo do cartão.

Nessa, ela já tinha me acusado de ter mentido que o cartão estava quebrado para não pagar a taxa. De cara feia e insinuando minha desonestidade, rabiscou um número num papel e disse que eu podia retirar meu Bilhete em qualquer ‘terminal’, ainda que não soubesse dizer onde estavam os terminais, só onde não estavam.

Na segunda, 2, sai de Santo André e antes de ir trabalhar fui até o Terminal Lapa tentar retirar meu cartão. FAIL. Um papel sulfite pendurado porcamente no vidrinho, por trás do qual não havia nenhuma atendente, informava SEM SISTEMA. Tinha gastado condução a mais para ir até lá (é MUITO longe da minha casa) e voltei de mãos abanando.

No dia seguinte, liguei para a SPTrans antes de sair de casa e confirmei que o sistema havia voltado e eu poderia ir sem medo. Cheguei na Lapa às 12h30, atrás de uma fila de umas 8 pessoas.

Meia hora de fila e a coisa não andou. Um passo sequer. E cara, se esperar sem pagar por isso já é horrível, imagine esperar pagando DEZESSEIS E DEZ $$$$.

Acabou que a atendente era muito lerda e não dava a mínima se a fila estava dobrando a esquina. E eu, que entro (entraria) no trabalho às 14h e estava sem celular para avisar do atraso (estava decidida a resolver aquilo, já que cada dia adiado eram menos 10 pilas no bolso), tive que pedir para que um tiozinho guardasse meu lugar e fui comprar cartão telefônico para ligar pro trabalho e dizer que atrasaria.

Só consegui ser atendida às 14h30. DUAS HORAS DEPOIS, NUMA FILA DE APENAS OITO PESSOAS. É o cúmulo, deveria ser proibido que um serviço público fosse tão moroso e imprestável.

E é por isso que eu não me surpreendo que a Anatel, uma instituição do Estado, não cumpra as regras estabelecidas pelo próprio Estado. É porque aqui nesse país as coisas de fato não funcionam na ordem que deveriam. Não há qualquer sinal de respeito com quem é cidadão (ou consumidor, como bem observa o Doni nesse post). E eu nem tenho esperanças de que seja diferente…

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10 coisas que eu odeio sobre futebol (e uma que eu adoro)

São Paulo é hexacampeão.

E eu não tô nem aí.

Nem se o Palmeiras, que aliás, é meu time, tivesse sido campeão, eu não ia estar nem aí. Porque não entendo uma série de coisas sobre futebol – e não tô falando de regras, porque sei identificar impedimento – e uma delas inclui tentar se matar por um time, ou sair xingando os torcedores das outras camisas quando meu próprio times é campeão.

Além dessas, tem mais uma centena de coisas que eu odeio sobre futebol. Pra não ficar cansativo, só escolhi 10:

10) Torcidas de futebol estão associadas com escolas de samba

E no fim vira tudo samba, suor, cerveja, mulatas, carnaval, alegria, Brasil. Argh, visão do inferno.

[/rabugenta]

9) Futebol é grana

Hoje em dia, a coisa é feita de patrocinadores, contratos publicitários, imagem e trambiques dos quais a gente não faz idéia. Muita da devoção ao esporte acaba ficando sem sentido no panorama atual.

8 ) Homem que é homem precisa saber conversar de futebol

Observo alguns dos homens com quem convivo que não gostam de futebol e todos, sem exceção, relataram manter algum conhecimento base para poderem, ao menos, discutir com os amigos quando o assunto vem na roda. Aparentemente, existe uma pressão no meio masculino para que os caras gostem de futebol.

7) Discutir futebol nunca leva a nada

E eu sei porque já fui, hum, torcedora fanática. Nessa época, inclusive, foi a fase boa do Palmeiras, com Luxemburgo e aquele time maravilhoso (cuja escalação eu esqueci, mas sei que era animal). E eu até tentava a discussão com meus 30 amigos corinthianos, mas como mulher, eu sempre joguei limpa e racionalmente. Logo, sempre perdia os embates intelectuais futebolísticos. Não adianta: as pessoas sempre vão divergir quando torcem para times diferentes.

6) Frentistas de posto eliminam a necessidade de saber os nomes das pessoas por causa do futebol

Ninguém tem nome pra esses caras. Todo mundo se converte em rostos genéricos dotados de um grande brasão. Daí vira ‘ô corinthiano’, ‘ô palmeirense’, ‘ô são paulino!’, e todo mundo perde sua identidade. Frentistas descaracterizam as pessoas por causa do futebol. Assustador.

5) Futebol é o monoassunto preferido em alguns círculos

Na faculdade de jornalismo, todos os homens estão lá para fazer jornalismo esportivo – quer dizer, jornalismo futebolístico. Lá na sala, e depois, na redação, eles só falam disso. As piadas são todas acerca do jogo de domingo. Todas as referências, gritos, tudo é relacionado ao fucking futebol. Nem ligo, até acho legal. Mas não dá pra variar?

4) Para as massas, futebol é ópio

Pão e circo, né? É preciso dar diversão ao povo. Tem jeito melhor de deixar as pessoas felizes e satisfeitas?

3) Fogos de artifício e idiotas buzinando na rua nos dias de decisão

Poxa, que coisa babaca. Legal, vamos expressar nossa alegria, mas por que com rojões que despertam a atenção, inclusive, de todas as pessoas que não tão nem aí para a taça? Por que vamos sair por aí, dirigindo como malucos, com as bandeiras dos times estendidas no vidro de trás, pra fora do vidro? Por quê, meu deus?

2) As pessoas brigam, matam e morrem pelo futebol (ah, elas também rezam)

Não dá pra entender, possivelmente, como um ser humano consegue considerar o outro ser humano inimigo porque ele é entusiasta de um outro grupo de seres humanos que veste uma cor de camiseta diferente da cor que veste o grupo de humanos do qual o outro é entusiasta. (?)

Mas isso é algo primata, não é? Outro fulano quis se jogar da arquibancada ontem, no jogo do Vasco, quando o rebaixamento virou realidade. Como assim?

Outra coisa babaca é rezar pra futebol. Acho que é óbvio que provavelmente existe alguém do outro time rezando pela vitória. Como deus escolhe quem vai ganhar?

Aliás, pra que time deus torce?

1) Eu nunca vou entender

Todos os motivos aqui em cima escancaram a minha incompreensão diante de uma paixão humana que já mereceu estudos antropológicos. É racionalmente incompreensível o amor que as pessoas depositam num grupo de onze pessoas chutando uma bola, muitas vezes por obrigação. São negócios, afinal.

O problema é que nunca vou entender gente brigando, se matando, comprando briga, chorando e ficando feliz por causa de algo que, pra mim, é puro entretenimento pras massas.

Nunca vou entender (nem vocês) coisas como isso aqui:

E agora falo da minha falta de sensibilidade para entender algo assim, porque posso ver que as pessoas realmente se importam. Isso é a vida de algumas delas. Certo ou errado, eu deveria, no mínimo, ter conhecimento e sensibilidade humana suficiente para entender essa paixão inexplicável. E eu não tenho. E a gente não gosta do que não entende, né?

-1) Bônus: adoro os cantos das torcidas!

A bateria e as vozes, combinadas, formam um conjunto difícil de desprezar. Um dos meus preferidos, daqueles que arrepia, é o do grego Panathinaikos:


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On the road again: como capoeirista, Rafael Ziggy é um ótimo blogueiro

Em mais um episódio na saga de colocar câmeras nos lugares mais improváveis e filmar ângulos que nenhum outro homem foi capaz de capturar, Rafael Ziggy esteve na paradisiaca praia de Taipú de Fora, em Maraú, a 90 km de Itacaré, e por lá resolveu bigbrothear uma roda de capoeira.

Ziggy colocou câmeras na cabeça, pés e peito dos capoeiristas. E a da cabeça ficou sensacional, porque coloca o espectador numa visão tipo jogo de capoeira em primeira pessoa.

Assistam até o fim e confiram a surpreendente performance do próprio Ziggy como capoeirista. Eu já lutei capoeira, mas não me arriscaria numa roda contra ele.

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Nossa vocação oficial é o trambique

Um cidadão com um cargo de tanto prestígio num orgão tão importante para a democracia não deveria subestimar a capacidade do brasileiro de dar um jeito nas coisas.

É absurdo que um orgão oficial não cogite a possibilidade de erro, nem sequer admita a investigação ou trabalhe com a hipótese de fraude. É preciso lembrar que estamos no Brasil, e se existe algo de que brasileiro entende é trambique.

Por causa da educação ruim, não temos tantas mentes brilhantes como os países de primeiro mundo. Exportamos pouca tecnologia e poucos talentos da ciência. É por isso que a gente devia assumir de vez nossa vocação oficial, de fazer as coisas funcionarem do jeito mais rápido, e tentar até investir nisso. Ganhar dinheiro, sabe? Exportar tecnologias de trambique.

A lógica é simples: como há muita demanda por bons fraudadores no país, a concorrência se torna alta entre os praticantes da atividade, o que os obriga a aperfeiçoar as técnicas de trambique. Somos um dos países mais corruptos do mundo; logo, nossos corruptores são os melhores do mundo. E nós deveríamos tirar proveito disso.

O cara que frauda uma urna, por exemplo. Se o secretário de TI do TSE tá dizendo que é inviolável, temos duas hipóteses, a saber: 1) ele está mentindo e sabe disso, 2) ele está enganado e não sabe disso.

Vamos sempre esperar o melhor do ser humano, e por isso escolhemos a opção 2. No caso da fraude ser verdadeira, significa que o fraudador é um cara que sabe mais de TI do que o responsável pelo TI do TSE. Sem dúvida é um talento a ser valorizado e utilizado em prol do bem. (Desconsideremos prontamente a possibilidade do secretário de TI não manjar nada, ok? Por um momento, vamos fingir que acreditamos na incorruptibilidade dos concursos públicos)

Várias técnicas de trambique que poderiam ser utilizados para fins mais honrados e aproveitados pelo país como símbolo da alta qualidade da nossa educação – aqui e, porque não, como embaixadores do nosso país no resto do mundo.

Falsificação de assinaturas, por exemplo: de falsário, o cara pode passar para restaurador das grandes peças nos museus europeus, por seus talentos em mimetização de obras autorais.

Os subornadores, muito numerosos por aqui, são mágicos com a arte dos números: devem pegar uma quantia, subornar todo mundo no caminho e ainda fazer sobrar um lucro enorme para ele e pros interessados no suborno. São, claramente, mestres da negociação e da contabilidade, e poderiam ser usados nesse momento de crise mundial, pelas grandes corporações, para engendrar maneiras práticas de reduzir as perdas.

E até para a técnica da bolinha mais pesada, usada para fraudar aquelas loterias federais, deve haver alguma aplicação prática industrial.

O caminho é esse! Vamos parar de ficar dando murro em prego, tentando educar nossos jovens em ciências para os quais eles claramente não têm vocação. Enquanto a Índia e Cuba exportam médicos talentosíssimos e o Japão exporta gênios em eletrônica e em ciências, já é chegada a hora de assumirmos nosso verdadeiro papel no mundo e dar condições oficiais para que nossos jovens aperfeiçoem aquilo que eles cresceram aprendendo a fazer: dar um jeito.

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Dance bem, dance mal, dance sem parar…

Mas nem sempre é legal, Mallu. Ao contrário de Malluca Magalhães, que deu a misteriosa declaração em uma entrevista recente à revista Época (e de onde saiu esse absurdo tem muito mais, olha lá), em 1518 cerca de 400 pessoas resolveram sair pra dançar. E nunca mais voltaram. Mwhahahahaha

Achei que foi providencial me deparar com essa história bem na semana dessa declaração da Mallu. Tudaver. A epidemia da dança de 1518, como ficou conhecida, é um desses fenômenos pra contar pros amigos no bar, porque é daquelas histórias difíceis de acreditar.

Foi assim: em julho daquele ano, uma mulher chamada Frau Troffea entrou numa rua em Estrasburgo, na França, e começou a dançar. Não dentro dela, mas fora. A doida dançou e dançou e, em 6 dias, outras 34 pessoas se juntaram a ela. Ao fim de um mês, já eram 400 os malucos dançando loucamente, e continuaram por dias – sem razão e sem música, diga-se. Tipo uma rave de época, mas hoje em dia os amadores só agüentam pouco mais de 24 horas e ainda precisam de drogas pra isso. Tsc.

Don’t stop the music…?

De acordo com os relatos da época, não há dúvidas sobre os caras estarem de fato dançando. Não eram convulsões ou espasmos. Mas ninguém parecia feliz – era uma dança do mal, porque os dançarinos pareciam desesperados.

E daí as pessoas começaram a morrer de dançar. Derrame cerebral, ataque cardíaco, fadiga. Eles dançavam até a morte, cara.

Nesse artigo do Discovery, um estudioso explica que o negócio foi provavelmente provocado por uma doenças chamada de Histeria Coletiva, que gera esse tipo de manifestação bizarra em multidões que sofrem altos níveis de stress. A mesma doença gerou outras crises coletivas de dança na Europa nessa época, e a última reportada foi em 1840.

O engraçado (sério) é que essa síndrome de histeria coletiva se manifesta de outras maneiras também, todas muito assustadoras. Em 1962, um grupo de garotas ouviu uma piada quase morreu de rir – literalmente. As meninas foram atacadas por crises de risos que duraram 7 meses, e tinham falta de ar e dores abdominais. Os pais e professores das garotas também foram atacados pela crise.

Já dá pra saber de onde os Monty Python tiraram isso:

Esses cenários bizarros, com gente rindo e dançando até a morte, e inclusive ‘transmitindo’ a doença para outras pessoas, são daqueles mistérios que desafiam a compreeensão que temos do cérebro. Além disso, pela bizarrice das cenas, seriam enredo fácil pra um filme de terror daqueles japoneses. Tipo, todo mundo que brincar na máquina de dança assombrada nunca mais conseguirá parar de mexer os pés.

Not.

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De volta às origens, mas nem tanto

Você já escreveu uma carta?

Para ser sincera, escrever qualquer coisa à mão pra mim tem se tornado cada vez mais difícil. Acostumei a velocidade do meu pensamento (que já era ligeiro) à rapidez que a digitação permite. Quando escrevo à mão, tento acompanhar, e o resultado é o pulso doendo já antes da terceira linha.

Mas antes do computador eu escrevi à mão sim, e escrevia cartas. Fiz amigos por correspondência naquelas seções que as revistas e suplementos de jornais costumavam ter, com os interesses de cada um e o endereço para trocar escritos. Mas eu nem lembro como é escrever uma, e digo isso porque sei que a etiqueta da correspondência é super diferente da usada no e-mail.

Se você é dos nostálgicos que sentem falta do papel, pode usar a meia (e criativa) solução do Bureau of Communication. Ele não vai te entregar o papel (resigne-se, afinal, papel significa árvores derrubadas, então melhor assim), mas oferece sugestões fantásticas para o envios de e-mails pré-escritos e com aspecto de cartas antigas.

Também serve para você que não tem habilidade com as palavras e quer economizar tempo e criatividade.

São formulários pré-redigidos, com campos personalizáveis e aspecto de memorando antigo e papel timbrado. Tudo muito vintage, como deve ser para alguém extremamente descolado como VOCÊ.

Os temas são variados: desculpas formais, convite oficial e o mais legal deles, retorno não solicitado, que serve para você se você for do tipo que aprecia dar palpites sem que seus palpites tenham sido solicitados.

Pena que não pode ser anônimo.

Ao terminar, basta enviar por e-mail ao destinatário. O serviço é gratuito, mas só está disponível em inglês.

Vi no twitter da Bia Granja

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On The Road Again – arte de sucata e um FAIL aerodinâmico

Como eu expliquei na semana passada, vou divulgar aqui até fevereiro a On The Road Again, ação da Chrevolet+NatGeo que leva alguns blogueiros da América Latina para viajar por lugares legais e paga outros para falar das viagens.

Feliz de nós, que estamos no segundo grupo, já que a ação produz todo o tipo de conteúdo pra gente poder divulgar – falando em multimídia, tem vídeo, foto e relato dos sortudos que viajaram. Assim, dá pra fugir do convencional e publicar umas coisas um pouco diferentes.

A bola da vez é Rafael Ziggy, uma das mentes por trás do Sim, Viral. Ziggy está desbravando o Litoral Sul da Bahia e, entre outras coisas que podem ser vistas nessa playlist do YouTube, foi até um vila hippie e pediu a um desses tiozões malucos hippongos que ele transformasse uma pilha de lixo eletrônico (tranqueiras tecnológicas tipos teclados, mouses, hds velhos e tal) em arte. O resultado? Veja você mesmo:

É, eu também não entendi, mas aí a gente entra naquela discussão do que é arte, né?

Em outra demonstração fantástica de noções de física, Ziggy tenta pendurar uma câmera numa pipa e tem o maior FAIL aerodinâmico desde Adelir, o Padre dos Balões:

Na playlist, tem o Ziggy jogando bola na praia e até visitando pai-de-santo – tudo devidamente documentado. E sob muitos ângulos.

E falando em ângulos, nunca fui à Bahia, mas acho que nem precisa ser fotógrafo profissional pra clicar paisagens lindas por lá:

Para ler mais informações sobre o projeto e saber sobre os outros blogueiros convidados, leia o primeiro post sobre o On The Road Again.

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Universiotários!

O mundo tá tão de ponta cabeça que a sociedade foi capaz de subverter inclusive a semântica inclusa no termo ‘universitário’.

‘Universitário’ era pra ser um termo que denotava juventude, educação, inteligência, construção e luta por ideais e tudo que a gente deveria associar a um ambiente como uma universidade – o ‘academicismo’ incluso aí.

Mas como a faculdade não passa de uma desculpa para tomar cerveja e jogar truco, ‘universitário’ foi adquirindo um significado todo novo, muito adequado às novas condições do universitário babaca padrão do país.

Primeiro que a palavra ‘universitário’ é acrescentada a qualquer estilo musical babaca que atingir os jovens babacas de classe média. Se for babaca, se tiver mulher e cerveja, bah, é universitário. Tem o forró universitário, o pagode universitário (ou NEOPAGODE, hahaha), o sertanejo universitário e dizem que até a new rave universitária.

Acompanhadas dos gêneros, vêm as festas babacas – micaretas e raves heterodoxas acompanhada do fabuloso adjetivo. A vantagem disso é a rápida identificação de um lugar indesejável – se tiver ‘universitário’ no nome, pelo menos já dá pra saber que é um lugar que você não gostaria de ir.

Para coroar, lembra do Show do Milhão? Dava até vergonha quando o Silvio chamava os tais ‘universitários’ para ajudar. Os caras não sabiam nada, demoravam um puta tempo para decidir e a maioria seguia o palpite do primeiro a opinar.

Tem as ‘contas universitárias’ no banco, ilusões que prometem alto crédito e menores taxas mas não passam de uma doutrinação precoce para o mundo das taxas bancárias. E as propagandas mostram jovens – hum, babacas, mas que depositam seu dinheiro no Banco ****.

Deve ser por isso que aquela propaganda que diz ‘não é melhor escolher uma faculdade pelo conteúdo que ela oferece?’ existe. Porque OI, isso não deveria ser óbvio? E agora tem uma propaganda pra dar a dica e tudo.

Tudo que vem acompanhado do termo ‘universitário’ hoje é dispensável. Ok, talvez o cursinho universitário seja a excessão.

E eu não tô dizendo que universitários não possam ser babacas se divertir, só acho que o equilibrio é a chave para o sucesso. Os 100% de babaquice festeira, pela qual os universitários são caracterizados, são tão ruins quanto uma possível 100% nerdice. Mas na faculdade não existem nerds, então…

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O tiro que saiu pela culatra

Aquelas armas misteriosas escondidas no celular, na caneta ou no grampo de cabelo de James Bond não são tão fantasia assim, meus amigos. A diferenças é que eles estão nas mãos dos bandidos. E que, bem…  os filmes tornam a coisa um pouco mais sofisticada.

Por enquanto, parece empolgante. Vanguardista. Afinal, sabemos que os celulares já fazem de tudo – caso você não seja entusiasta de tecnologia, saiba que no Japão, além das funções às quais já estamos acostumados, celular serve também como cartão de débito e bilhete de metrô -, e só faltava um que atirasse mesmo. Justo.

Mas daí vem a imagem da coisa.

É um brinquedo inútil, porque ninguém pode possivelmente confundir isso com um celular de verdade. Se alguém tira do bolso um aparelho moderno, desses com que a gente tá acostumado, daí sim é um disfarce perfeito. Passa batido.

Um negócio desse chamaria atenção demais, exatamente o contrário do esperado, provavelmente – ninguém enfia uma arma dentro de um suposto celular se não quer ser discreto. E a real é que esse trambolho talvez até seja mais vistoso que uma arma.

A figura imponente e sofisticada de um mafioso destoa completamente de um um celular de RS$1,99 escrito NOKITEL. NOKITEL nem quer dizer nada, pelo amor de deus. Um italiano vestido de terno Armani de risca de giz JAMAIS tiraria algo assim do bolso. Os dois símbolos combinados provocariam imediatamente uma confusão mental no observador atento.

Ou seja: elemento surpresa FAIL, porque assim que o cara sacasse essa parada qualquer um notaria que existe algo errado. Se você fosse um pouco mais esperto, seria o tempo suficiente para reagir. No fim, tendo a pensar que um mafioso com uma arma é um conjunto bem mais discreto do que um mafioso com um celular de brinquedo parcamente parecido com modelos dos anos 90.

O negócio seria um iPhone com pente para oito balas. Ai sim…

Para finalizar, gostaria de pedir atenção para o fantástico trocadilho alcançado por mim no título do texto. Veja bem, faço um paralelo entre a tentativa vã dessa coisa de se parecer com um celular de verdade e o fato de ser uma arma, por isso o termo ‘tiro’. Formidável, não?

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