19 de janeiro de 2009 às 13h01
On the road again: bizarrices na rodoviária e ETs em Gran Sabana

Rodoviárias podem ser apenas um detalhe numa viagem, mas elas guardam mais segredos do que parecem. Eu passo todos os dias por uma grande rodoviária para ir trabalhar e por isso posso dizer que um terminal rodoviário tem a maior concentração de pessoas bizarras por metro quadrado. Fora isso, a rodoviária também é palco de situações curiosas e imprevisíveis todos os dias. É um lugar, por definição, de encontros e despedidas, e a vida – no geral – é feita disso, como disse o poetinha.
Mas depois de muitos anos sem tal experiência, viajei de ônibus no último fim de semana. O destino era inicialmente a cidade de Socorro, no interior de SP. Quando desci para a plataforma, percebi uma movimentação anormal e logo vi que algo muito errado tava acontecendo. Levou uns segundos até me dar conta do panorama total, mas era o seguinte: tinha um tio pançudo caído no corredor e uma equipe de paramédicos estava tentando reanimar o véio, fazendo massagem cardíaca e respiração boca-a-boca, usando também um desfibrilador. Sério, eu só tinha visto em filme, mas a cena é angustiante.
A família tava toda ao lado – mulher, possíveis filhos e netos, genros e genras. Tenso. O problema era olhar praquele senhor no chão, já morto, e ver três médicos tentando trazer o cara de volta (ou mantê-lo vivo mecanicamente, whatever) e pensar no que tudo aquilo implicava, até espiritualmente – ‘puta merda, o cara acabou de morrer. Por quê? Será que ele vai voltar? Será que eu também não posso cair morta aqui agora?’. Foi pelo menos uns 15 minutos de CPR e nada do tio voltar. A família estava aos prantos, e o médico no comando ordenou que os paramédicos continuassem tentando. 10, 20, 30 minutos e nada… a ambulância chegou, tirou o cara de lá e eu fiquei olhando, agora mais de longe, que as tentativas de reanimá-lo continuaram dentro do veículo.
Queria muito saber se aquele cara ia sobreviver. Meu vô ficou um tempão tecnicamente ‘morto’, há 6 anos, e está vivo e serelepe hoje. O tio ainda tinha chances. Mas não dava mais para ver nada dentro da ambulância, e eu resolvi continuar caminhando, ainda que a trilha sonora no iPod desse uma dramaticidade muito maior à cena: era Let There Be Love, do Oasis.
Sob a benção da mesma música, caminhei mais uns passos e a cena seguinte tocou, novamente, meu coração: um casal incomum se despedia tristemente. Era um travesti beeem, digamos, inverossímil, quase com barba e várias tattoos de cadeia (mas tinha silicone, o que trazia um aspecto meio confuso pra cena) e um cara gigante, tipo segurança-de-boate-de-quinta. E sério, a cena era bonita. Eles tavam muito tristes, e se amavam muito. Não sei qual dos dois ia embora. Mas eu já tava abalada pelo episódio do velhinho, e somou-se isso à música que tocava de fundo, a situação toda virou quase um clipe da MTV.
Acabou que eu fui olhar qual era minha plataforma pra ir direitinho e tal: 23. Po! 23 é meu número da zorte/azar. Eu nunca vi aquele filme, mas nasci às 8h23 e passei uns 5 meses com o 23 me perseguindo em todo lugar que eu olhasse. Isso somado ao fato de que minha mãe tinha sonhado que eu morria, mais tudo que tinha acontecido com o tiozinho e minha epifania de ‘o amor existe’… fiquei em pânico. Eu precisava conversar com o motorista para descer duas cidades depois de Socorro, em Águas de Lindóia, mas nem ferrando eu tive coragem. Achei que tudo aquilo era um sinal pra que eu ficasse o menor tempo possível dentro daquele ônibus.
Mas deu tudo certo e eu cheguei bem e tal. No fim do festival de bizarrices, só não vi o que queria ter visto desde o começo – ETS! O lugar pra onde eu fui, próximo de MG, é conhecido por causa dos avistamentos de extraterrestres. Não tanto, contudo, quanto a Gran Sabana, na Venezuela. O último blogueiro do On The Road Again, Inti, foi para lá e conversou com o tio que falou não só dos extraterrestres, mas dos INTRATERRESTRES e dos ULTRATERRESTRES. Dá uma olhada (são dois vídeos):
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23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 


19 de janeiro de 2009 às 13h12
Essa história dos extraterrestres me lembrou uma musiquinha que eu vi na Tv:
E A MULHERADA GRITAVA:
VAMO ET
VAMO ET
VAMO ET
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