22 de janeiro de 2009 às 2h09
Estilistas gostam de pregar peças
Eu gosto desse negócio de moda. Sério, adoro. Pode ser um mundo meio cruel, ligeiramente fútil, mas eu sou mulher e gosto de comprar roupas e de me vestir bem, ainda que não compulsivamente. E nos últimos tempos percebi que também achava legal ver desfiles.
O legal é perceber que, embora aquelas roupas do desfile sejam conceitos (a maioria das peças não é utilizável no dia-a-dia, mas apresenta, idéias que serão empregadas em coleções e tal), mesmo assim alguns desfiles me agradam e outros não. Não sei explicar o motivo. Não sei dizer porque gostei mais daquela roupa bufante da modelo com cadeados no pescoço do que do outro desfile, em que as pessoas vestiam trapos brancos e salto alto. Mas percebi que podia gostar de moda quando comecei a trabalhar com essas coisas e, ao olhar a foto de um desfile, eu gostava (ou não) daquelas coisas. Não era como se fosse tudo igual, e nada fazia sentido – algumas coisas faziam, e outras não. Ou seja, existe um gosto (se bom ou ruim, eu não sei).
Ainda assim, dá pra rir de algumas coisas na moda. Essa idéia de que é tudo um ‘conceito’ acaba gerando resultados divertidos (e, às vezes, roupas bem ridículas).
Foto: JF Diório/Agência Estado

Esse é um modelo muito bonito, e isso é indiscutível. Mas a roupa dele não é exatamente algo que Agostinho Carrara dispensaria para mais um dia de trabalho como taxista.
A questão é que eu, que acredito na inteligência das pessoas, começo a desconfiar que algumas peças dos estilistas nos desfiles são pegadinhas. Provocações. O cara é genial, um artista, e tá com o ego ultra-inflado por todo mundo que vive ao redor dele. Daí entra numa crise de identidade – algo como “será que tenho amigos? As pessoas gostam de verdade do meu trabalho ou só o elogiam para puxar o saco”?
Como resolver uma dúvida dessas? Saber se as pessoas ao seu redor realmente são críticas ao seu respeito ou só querem uma casquinha fazendo elogios infinitos? Simples. O cara cria uma camisa dessas, ainda que seja um conceito. Para distrair, a coloca num modelo lindo, um cara tão bonito que quase chega a tornar a camisa bonita (e que torna a coisa ainda mais desafiante). Essa medida é fundamental no processo, porque se a camisa for colocada em qualquer pessoa com cara de pobre, a coisa já fica gritante. É preciso despistar o observador.
E agora, o estilista responsável espera profundamente que alguém sincero e verdadeiro, que goste dele de verdade e não seja um bajulador, lhe diga que o resto do trabalho dele é legal, mas que aquela peça em si é uma merda e que ele deveria doá-la para o figurino d’A Grande Família.
Hoje, eu sou essa pessoa.




23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 


22 de janeiro de 2009 às 12h37
Acho que as pessoas são bajuladoras e que os estilistas dão risadas das pessoas que elogiam as peças que são ridículas. A mesma camisa poderia fazer parte do guarda-roupas do Silveirinha….
Responder
23 de janeiro de 2009 às 18h53
Gênia!! Tenho certeza de que muitas cagadas, em todas as áreas, foram causadas pelos bajuladores/infladores de ego !!
Responder
22 de maio de 2009 às 0h59
Eu acho que você podia desconfiar dessa possibilidade (aquela que acabou de ler o guia prático do desconfiômetro) e pensar que eles acham aquilo realmente legal. Afinal, não é porque o cara é estilista que ele não possa ter uma queda por coisas mais bregas, em outras palavras, não é porque gostamos de uma bolsa da Louis Vitton que deixaremos de ter um moletom velho pra dormir naquelas noites mais frias. Ou então (agora vou desconfiar da desconfiança, aprendi direito, né?) ele como estilista é arrogante o suficiente pra pensar que pessoas com poder e/ou beleza podem usar uma coisa horrível dessas sem parecerem horríveis. E isso eu digo no pensamento deles pra eles. O ego dessas pessoas às vezes é tão grande que talvez já nem se preocupe mais se os outros vão puxar-saco ou não. (talvez por que seja automático o puxa-saquismo? ai chega…)
Responder
8 de fevereiro de 2010 às 14h18
eu achei orovel
Responder