OEsquema

Arquivo: fevereiro de 2009

Post it #04

Post it no Olhômetro - logo#Não vá perder esta incrível oportunidade

Promoção Olhômetro

E não se trata de tapetes persas, anéis de brilhantes ou lindos quadros. É a 1ª e badalada promoção cujos prêmios não fazem sentido, aqui mesmo, neste blog. Dá pra ganhar camisetas, vale-compras no Submarino de até 100 pilas e um chocolate. Corre e participa.

#Interação ferroviária
Tava no trem, com uma gripe do cacete. Nariz escorrendo à beça e tal, muitos lencinhos nos bolsos. Aí tava de pé de frente pra um moço que tava sentado; fui tirar um lencinho do bolso, já usado, mas saíram dois e um caiu na mão do moço.

Não sei o que me deu, mas como ele não reagiu – tipo balançou a mão pra jogar o negócio longe ou mexeu a cabeça em direção à mão pra ver que porra era aquela – supus que ou ele estivesse dormindo ou estivesse morto. Peguei o papel de cima da mão dele e eu, ele e todo mundo ao redor fingiu que nada tinha acontecido. Tudo isso numa fração de segundo, claro.

#Laiá-laiááá
Pagode sempre me atrapalhou, mas acho que ninguém nunca pensou que pagode poderia atrapalhar tanto tanta gente. O ônibus do Exaltasamba tombou nesta terça na Régis Bittencourt, bem na volta do feriado, e bloqueou o trânsito por duas horas e meia.

Mas fique tranquilo. Não houve nenhum ferimento grave. Aliás, sabia que o Exaltasamba, assim como Danilo Gentili, Dani Calabresa, Lucélia Santos e eu, é de Santo André? Só orgulho.

#Vida bandida
Chorei de rir, e fazia tempo que um vídeo não fazia isso.

Queria ter as manhas de fazer essas legendas. Meu ouvido não funciona assim, foneticamente. Nunca consegui, nem aqueles vídeos literais nem nada assim.

#Maconha na cultura escandinava
Thor era adepto do uso da droga. (Esqueci de dizer – CLICA na imagem pra ver o que há de engraçado nela, por favor)

2ch9cid

#Jornalismo moleque
Tudo a Ver, da Record, soltou essa pérola terça na hora do almoço (não sei o nome da âncora, mas vamos lá):
“Agora, essa dica é pra quem ainda acha que dá tempo de aprender a tocar tamborim neste carnaval”.

O comentário do meu irmão (que nem é da área, mas deve ter ficado crica de tanto conviver comigo) foi absolutamente pertinente – algo como “puta merda, isso que é matéria direcionada a público de nicho”.

#Como fazer um lago desaparecer em menos de uma hora
Nem Harry Potter conseguiria, na boa. Só em São Paulo, mesmo

#Acharam a Atlântida no Google Ocean

Atlântida no Google Earth
Sério, olha aqui. E o Google já desmentiu, dizendo que a foto é real mas que isso não é Atlântida, não. Mas pensa comigo – isso é óbvio, né? O Google não poderia confirmar e passar como doido. Pra mim, acharam Atlântida mesmo. Mas se mantiveram a coisa escondida por tanto tempo, não ia ser agora que iam revelar, não é? Você vai ver – daqui a algum tempo, o assunto vai morrer e essas coordenadas no Google Ocean vão surpreendentemente virar uma tela azul, sem textura nenhuma.

#Você vai conhecer agora a história de um menininho muito guerreiro

Charlinho só queria estudar – embora ele também quisesse um pouco de batata. Mas ele queria estudar, e queria batata.

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Pátria amada, Brasil: o nacionalismo não faz nenhum sentido

A primeira reação que a pessoa padrão teve quando ouviu pela primeira vez a história da brasileira mentirosa na Suíça que se auto-riscou com estilete provavelmente foi “esses neonazistas são uns animais sem coração”. E mesmo com a história toda sendo uma grande mentira depois, pelo menos provocou em mim uma reflexão sobre esse conceito tão pervertido e causador de tanta intolerância, o nacionalismo.

A primeira vez em que percebi que existia algo errado com esse negócio de sentir orgulho em pertencer a uma “nação” foi no colégio, quando um professor não cantou o hino nacional durante alguma dessas ocasiões especiais. A coisa toda acabou causando alguma polêmica, e quando fui conversar com ele a respeito, veio o tapa na cara – metafórico, claro: “Nação? Pátria? Para pra pensar e tenta descobrir o que essas coisas significam, qual o sentido e o conceito delas”, ele disse.

Daí eu fui subvertida. Porque nem precisou de muita reflexão pra perceber que o conceito de pátria e nação é todo calcado em cima da idéia de que todos os seres humanos nascidos na parte de dentro de uma linha geográfica imaginária (esta definida por outros seres humanos iguais a ele) se sentem parte de um mesmo grupo e, principalmente, sentem orgulho disso.

Esse orgulho, quando alimentado adequadamente, é o que faz um soldado matar outras pessoas por seu país em uma guerra, e num nível mais avançado, é o que gera o sentimento de superioridade em relação a outras pessoas, iguaisinhas, mas que por desígnios fora de nossa compreensão vieram a nascer do lado de lá da tal linha que nem existe de verdade. A intolerância surge daí.

Digamos que isso até faça sentido num país culturalmente bem homogêneo (embora não faça, mas é uma hipótese). O que você me diz sobre a homogeneidade cultural, social ou econômica do Brasil?

Você não me diz nada, porque no Brasil é no mínimo ingenuidade e no máximo ignorância falar de ‘homogeneidade’. São centenas de milhares de costumes, de níveis sociais, até de línguas – ou você me diz que o português falado em São Paulo é igual àquele lá do interior do Pernambuco?

Ok. Então digamos que o conceito de nação seja baseado em etnias. É absurdo, Hitlerístico, mas novamente apenas uma hipótese. No Brasil seria um fracasso ainda maior. A gente é tão misturado que boa parte de nós não é identificável exatamente como latino, ou como caucasiano, ou como negro, ou como oriental.

Mas era tudo hipótese – a gente sabe que eles baseiam a idéia de pátria nesse negócio de linha imaginária, mesmo. E eu nunca vou conseguir me sentir colocando a mão no coração e cantando uma música que fala um monte de mentiras junto com um monte de gente muito diferente, só porque nós todos nascemos do lado de dentro da mesma linha imaginária.

Eu não compartilho quase nada com aquelas pessoas, e não sinto que todos aqueles filhos não fugirão à luta se a clava forte da justiça for erguida. Eles – a gente – fogem todos os dias, quando não faz nada pra mudar nada do que vê.

Não se trata, entretanto, de anti-nacionalismo. Eu não me sinto orgulhosa de ser brasileira; mas também não tenho vergonha disso. Eu só não me sinto classificável como pertencente a um grupo que compartilha dos mesmos anseios, necessidades, cultura e espírito, porque esse grupo não existe e porque aqui no Brasil, ali do lado na Guiana Francesa, em Fiji ou no Timbuktu, é tudo igual. Se há um espírito para incorporar, ele engloba todas essas pessoas, e não só aquelas que quando vieram ao mundo estavam localizadas dentro de uma área demarcada em um papel.

Auto-flagelação é algo que choca, porque é claramente uma irracionalidade. Mas você nunca parou pra pensar que esse conceito, o de nação, de unidade, de PÁTRIA, é tão irracional quanto? Se sentir melhor que outras pessoas que não nasceram dentro de uma linha inventada é na realidade um grande absurdo se você colocar os termos de maneira 100% racional, especialmente num país como o nosso.

No Brasil, você sabe quando a gente se sente parte de uma coisa só, não sabe?

Regina Casé e Marcos Pontes
Que orgulho heim

Não é quando a Regina Casé faz matéria em Angola ou quando a gente manda um astronauta pra fora do planeta.

É quando tem Copa do Mundo. E isso não é uma crítica nem um elogio – é só uma constatação.

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Marisa Monte lê o Olhômetro!

É sério. Nesse vídeo ela explica tudo:

Todo mundo tá falando que o cara que pensou nessa ação claramente não manja nada de mídia social, que é um viral FAIL, que a idéia é uma merda.

Mas se você também pensou isso, não sacou a estratégia. É uma idéia tão ruim, mas tão ruim, que tá todo mundo postando, até porque a piada com o título é muito boa. Já vi em pelo menos dois blogs grandes, e tenho certeza que vai se espalhar muito rápido. Ou seja: objetivo A, se tornar um viral: atingido.

Nego já tá até fazendo campanha pra entrar no blog da Marisa Monte (cujo link eu não vou dar) e bombardeá-la com pedido de parcerias, troca de links e posts patrocinados. Daê - objetivo B, gerar cliques pro site dela: atingido.

Viu? Não é tão difícil assim. Psicologia reversa.

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10 coisas que eu adoro sobre o Carnaval


1. Folga no feriado

Funciona assim: tem uns 3 dias, parece, em que você pode comer carne e fazer todo tipo de excesso porque depois vai passar 40 dias como padre sem poder fazer nada. Isso se você for católico. Praticante. Muito. Daí, esse feriado religioso foi incorporado de forma generalizada pela sociedade num estado laico, e todo mundo tira folga nesses três dias pra poder cometer os excessos à vontade. Mas depois, na quarentena, ninguém entra em abstinência de nada (como a gente bem sabe), então nada faz sentido aqui, só o fato de não ter que ir pro trabalho.

Só que eu trabalho no Carnaval, então não acho que esse item se aplica a mim. Ignore essa informação quase insignificante.

 

2. Sorvetes de graça

sorvete apetitosíssimo
Aparência convidativa, mas foi o mais próximo do original que consegui achar

Quando tinha uns 10 anos, passando o Carnaval numa colônia de férias, teve uma gincana relâmpago em que qualquer criança que subisse no palco naquela hora pra cantar uma marchinha de Carnaval (seja lá qual fosse) ganharia um sorvete. Eu não sabia nenhum, mas a então namorada do meu pai – hoje mulher dele - me ensinou um trechinho: “‘Ó jardineira, por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu?’ ‘Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros, e depois, morreu’”.

Decorei esse trecho, subi lá e, enfrentando a vergonha e os olhares reprovadores dos coleguinhas – afinal, era só UM sorvete, e quem subisse primeiro e cantasse qualquer marchinha ganhava - e cantei esse negócio. Daí ganhei um vale sorvetinho.

Parece que na hora eu fiquei meio confusa: primeiro, porque era uma música trágica pra cacete pra ser cantada alegremente pelas pessoas, com dedinhos levantados, ainda por cima, como se fazia no carnaval. Depois, acho que nem sabia que a camélia era uma flor – provavelmente pensei que era o nome de uma mulher, tipo Amélia (só que com C antes), o que provavelmente também causou alguma confusão, já que fiquei me perguntando o que ela fazia em cima daquele galho.

O problema é que nunca aprendi o resto da marchinha, e até hoje me pergunto que fim levou a camélia e a moça, jardineira, que por ela chorava. E fico pensando, também, se na época em que a marchinha foi escrita as pessoas tinham mesmo tempo de chorar por camélias que caem de galhos.

 

3. Enfrentar reprovação de grupos socialmente opressores

Na mesma colônia de férias, mas num carnaval anterior, houve uma oficina de fantasias. Eu, sempre muito precoce e à frente do meu tempo, resolvi também confeccionar a minha, ainda que todas as outras meninas que participassem do grupo tivessem 13 anos e eu tivesse uns 7, talvez menos.

Era de se esperar que menininhas nessa idade, já com instinto maternal possivelmente aflorado, me acolhessem como a mascote da turma que confecciona fantasias de fadinha. Mas não foi o que aconteceu, como você observa com exclusividade nesse clique certeiro da minha avó (clique na foto para ampliar):

 Fadas mais velhas me desprezando

Mesmo assim, enfrentei os preconceitos e desfilei na avenida (acho que era só na área aberta da colônia, mas eu tenho imaginação, ok?) ao lado de todas as garotas grandes e invejosas da minha astúcia e sagacidade precoces.

 (Nesse item, agradecimentos ao meu irmão que passou na Unesp direto sem cursinho e nem é nerds PARABÉNS VC É FODA PQPQPQPQPQP, pelo trabalho imenso executado ao ter de me enviar a foto por e-mail)

 

4. Camisinhas de graça

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Aparentemente, o Ministério da Saúde está bem mais otimista em relação ao meu Carnaval do que eu. Na porta da estação de trem, ganhei duas camisinhas meio vagabundas e um livretinho ensinando que coisas transmitem AIDS e que coisas não transmitem AIDS (mas ali não tinha todas as coisas que NÃO TRANSMITEM, nem todas que TRANSMITEM, só as mais populares e relacionadas ao carnaval, acho. Não tava escrito que soltar pipa não transmite AIDS, por exemplo, mas acho que é porque as pessoas não soltam muita pipa no Carnaval. De qualquer forma, você entendeu o espírito), além de ensinar também a colocar a camisinha e de ter a Negra Li na capa perguntando “Qual é sua atitude na luta contra a AIDS”?

Resolvi deixar as camisinhas na gaveta.

Do trabalho. Porque vou trabalhar no Carnaval. E se eu me f*der no plantão, ao menos estarei protegida.

(A piada completa foi construída num diálogo descompromissado pelo Twitter com o Dieguito. Créditos também pra ele, portanto)

 

5. Hum…

Não achei mais nada que adoro no Carnaval. Desculpe. Os itens 6 a 10 ficarão vazios, mas pra página não ficar feia, vou colocar uns personagens irados pra você se inspirar na hora confeccionar sua fantasia (e não cair no ridículo de participar de uma oficina onde todas as meninas façam a mesma fantasia de fada. Vou te dar opções).

 

 

6. Sonic: the Hedgehog

Sonic: the hedgehog

7. Bob Esponja

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8. Mickey Mouse

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9. Bidu

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10. O Homem-Aranha

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As coisas sempre podem estar piores

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Eu lembro da primeira vez que ouvi esse negócio de “tudo é relativo”. Óbvio que eu devia ter menos idade do que a necessária pra compreender que se tratava de um conceito relacionado à física, e não de um criado pras coisas do cotidiano. Acontece que é um conceito físico tão foda que ele é aplicável a tudo. Tudo mesmo.

A coisa mais fantástica da maneira como a gente enxerga todas as coisas da vida é que todas essas impressões, sem exceção, são baseadas em experiências anteriores e em expectativas que você cria em em cima das coisas.

Isso significa, a grosso modo, que se você tomar sorvete e depois tomar água gelada, a água não vai parecer tão gelada. Ou que, se você for atropelado e sobreviver, provavelmente não vai ficar tão triste quando tomar um tombo de bicicleta. Ou seja – diminuir as expectativas é o caminho mais curto para a felicidade.

Apesar disso, por outro lado, não acho que aquele discurso que diz pra que a gente não reclame, pois as coisas poderiam estar piores, é válido. As coisas SEMPRE podem estar piores. Sempre vai existir alguém numa situação pior que você, mas a vivência dos problemas é individual, e ninguém pode julgar pra você o quão importante ou dolorido algo é, porque só você está vivendo aquilo.

Embora algumas pessoas claramente exagerem.

Infelizmente, a maioria das pessoas parece incapaz de aprender com a dor alheia. Dessa forma, a gente baseia nossas expectativas naquilo que a gente vivenciou. Não dá pra ser de outro jeito, ainda mais se você for meio cético e quiser comprovar as coisas por si mesmo. Deve ser mais dolorido desse jeito, mas garanto que é mais efetivo.

Ainda assim, se você estiver muito fudido e quiser se sentir melhor, visite o F*** My Life.com

Lá, as pessoas relatam situações extremamente tristes e constrangedoras pelas quais passaram, e dá pra gente se sentir um pouquinho melhor quando acha que a vida tá uma merda. Mesmo se não se sentir – pelo menos vai ficar de bom humor dando risada.

É mais um daqueles ‘juízes sociais web 2.0′ que servem pra diminuir sua produtividade no PC. Daí você coloca lá sua história de fracasso e as pessoas podem votar – tipo, se elas concordam com você que a sua vida é uma merda ou que não, você se ferrou e mereceu aquela. Bom pra um dia ruim e pra você ter certeza que a máxima “podia ser pior” é sempre verdadeira.

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1ª Promoção cujos prêmios não fazem sentido do Olhômetro

Promoção Olhômetro

Passei um tempão pensando em que tipos de prêmios poderia dar numa promoção dessas. E passei mais outro tempo pensando numa maneira de pelo menos favorecer a participação de quem já é leitor do blog há um bom tempo.

Peguei parte do dinheiro que ganhei nos posts patrocinados sobre o On The Road Again e comprei vales-compras no Submarino, pedi patrocínio pra Mädels Camisetas (que nos concedeu prontamente três camisetas pra dar pros leitores e tem estampas fantásticas de séries de TV, bandas legais e essas coisas descoladas) e tive a sorte, nesse meio tempo, de uma editora também ter oferecido um livro pra engrossar.

Ok, vou explicar como é que faz pra ganhar um monte de coisa tão legal. É super-ultra simples.

REGRAS:

1. Já conhece a comunidade do Olhômetro no Orkut? Não? Entra aqui e join.

2. Entra no tópico Promoção cujos prêmios não fazem sentido.

3. Lá, você precisa postar o seguinte: o post que você mais gosta do blog até esta data, 18/02/2009, e porquê; e o post que você menos gosta no blog até esta data, 18/02/2009, e porquê. Não esqueça de publicar os links para os dois posts mencionados. Cada perfil só tem direito a uma postagem no tópico. (A busca pode ser útil aqui, e tem uma ali em cima, do lado direito. Acessa também o índice, com todos os posts já publicados). Só serão aceitos mensagens publicadas no tópico até o dia 4 de março 6 de março de 2009, às 23h59. O resultado deve sair até o domingo seguinte, 8 de março de 2009.

4. As três melhores respostas com justificativas, selecionadas por mim com base em critérios como criatividade, bom gosto e meu humor na ocasião da escolha dos ganhadores, vão ganhar o seguinte:

1º lugar: Vale-compras Submarino de R$100 + camiseta Mädels + Livro Antologia Casseta Popular

2º lugar: Vale-compras Submarino de R$50 + camiseta Mädels

3º lugar: Vale-compras Submarino de R$50 + camiseta Mädels

Sim, você não leu errado. A premiação do segundo lugar é precisamente igual à do terceiro. Isso ocorreu porque fiquei com dó de dar um vale-compras de 25 reais pro terceiro lugar, e quando vi tava tudo igual mesmo. Por isso a promoção se chama “Promoção cujos prêmios não fazem sentido”. Ainda assim, podemos acertar um bônus pro segundo lugar, no valor máximo de 5 reais. Dois tridents, um sorvete, uma barra de chocolate – sei lá.

5. Os ganhadores poderão escolher qualquer camiseta da Mädels, mas a escolha está condicionada à disponibilidade do modelo em estoque. O frete das camisetas será responsabilidade minha.

6. Não pode participar dessa promoção ninguém que é da minha família ou agregados/cônjuges de familiares.

7. Caso algum dos ganhadores não apresente forma de contato direto (e-mail ou telefone) no Orkut, eles devem entrar em contato comigo através do meu perfil e informar um desses dados em no máximo 5 (cinco) dias, contando a partir da data de publicação dos resultados. Caso o e-mail seja informado, também deve ser respondido em até 5 (cinco) dias, a contar da data de envio. No caso de eu não obter resposta e não conseguir entrar em contato com a pessoa em até 7 (sete) dias da divulgação dos resultados, ela estará desclassificada e outro participante entrará no pódio.

POSSÍVEIS DÚVIDAS:

- Não tenho Orkut. Como faço?
Desculpa, não participa. Criar interação e movimentar a comunidade é um dos objetivos da promoção – o menor deles, de fato, mas é.

- Por que perguntar sobre o melhor e pior post?
Pra eu ter um feedback preciso de que tipo de texto agrada aos meus leitores mais assíduos e, principalmente, para beneficiar esses leitores. Esse tipo de promoção não vai impedir completamente a participação de gente perdida que não lê o blog, mas certamente vai dar uma vantagem àqueles que já lêem.

- Mas não adianta nada – alguém que não lê o blog pode entrar no tópico, ler um apanhado de respostas e escrever a dele copiando uma ou várias delas.
Sim, pode. Mas você também pode tropeçar nesse tapete velho, bater com a cara na quina da cama amanhã e morrer. E eu também. E o que a gente pode fazer pra isso não acontecer? Virtualmente nada, exceto tomar cuidado. Não dá pra estar completamente livre dos espertinhos, mas a gente tenta.

No caso de qualquer dúvida, qualquer coisa que tenha ficado de fora ou qualquer sugestão, por favor, entre em contato através desse link.

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Sinais gráficos que as pessoas não sabem usar

O fato é que as pessoas não sabem usar aspas. Eu já discuti isso com algumas pessoas porque é um assunto que passa batido pela maioria delas e, quando você encontra alguém que “também” fica “indignado” com quem usa “aspas” pra “enfatizar”, bate um sentimento forte de “identificação” com o “outro” e de “não-estou-sozinho-nesse-mundo”.

Até porque a utilização inadequada de aspas em lugares desnecessários é capaz de gerar estranhos efeitos cômicos. Aspas serve pra duas coisas – destacar um conteúdo que está sendo reproduzido literalmente da boca de outro indivíduo que não o autor do texto ou denotar que a palavra que você está usando, no contexto, não apresenta significado literal.

Cuidado: cão bravo

Isso significa que essas placas que a gente vê direto por aí, nas quais a gente vê aspas como se fosse vírgula, acabam não significando nada. Se o “Cão Bravo” está entre aspas, você parece um idiota escrevendo isso numa placa, porque parece estar reproduzindo algo que alguém disse. E se você colocar aspas só no “Bravo”, vai parecer que 1. ou você foi irônico e seu cão é dócil ou 2. ou “bravo” é seu eufemismo para dizer que seu cachorro é absolutamente sanguinário.

Conclusão: aspas não se aplicam em nenhum dos dois casos.

Ok. Daí alguém – alguém foda, alguém muito esperto – teve a idéia de fazer um blog só sobre placas que usam aspas de maneira indevida. Vi lá no blog do Matias, e fiquei pensando que o Unnecessary Quotes é uma daquelas idéias que eu gostaria de ter tido, como o Coma com os olhos.

Felizmente, essa idéia que eu não tive antes me inspirou a colocar em prática outra que eu já tenho há tempos – um blog com prints e fotos de uso indevido de outro sinal gráfico profundamente injustiçado no uso cotidiano da língua portuguesa, o apóstrofo (cujo endereço ainda não sei qual será, porque “apostrofosdesnecessarios.com” seria o maior FAIL da história das URLs que queriam ser fáceis e diretas*)

O apóstrofo, por definição, já é um sinal gráfico um pouco incompleto. Ele é praticamente uma vírgula de cabeça pra baixo ou, se você preferir, um acento agudo sem letra embaixo, o que é bem triste, se você considerar que ele já é um acento, que é uma função secundária no idioma (pelo menos alguns níveis abaixo das letras na hierarquia alfabética, até onde eu sei)

Mas depois que dar nome de bar com apóstrofo no final virou moda, a coisa degringolou de uma maneira assustadora e o apóstrofo, outrora apenas um sinal gráfico solitário, incompleto e que servia – veja você, que ironia – para substituir qualquer letra faltante em uma palavra (tipo Rock and Roll, que vira Rock’n'roll), como o coringa de um baralho, se alastrou como peste nos nomes de lugares por esse Brasilzão. Ele teve seus momentos de glória, mas durou pouco.

Apesar de muito usado, o apóstrofo sempre foi mal compreendido. Agora estamos rodeados por Bar do Johnny’s e Bar do Zé’s, o que nem é tão condenável, afinal nem João e nem José têm obrigação de usar corretamente o possessivo num idioma estrangeiro. Assustador MESMO é ver professor escrevendo “CD’s” e “DVD’s” na lousa da faculdade, e isso eu já vi várias vezes.

Repita comigo, amigo. Plural em inglês é igual a plural em português – você coloca o “s” e pronto, pode ficar feliz pois terá multiplicado seu substantivo por vários sem nenhuma dificuldade. É quase mágica. O apóstrofo não entra no plural, ele tem outra função. Você NUNCA vai comprar CD’s, nem DVD’s, nem digitar URL’s, muito menos baixar MP3′s, sendo todos eles uma sigla ou não. Você pode até ter AID’s, que com essas coisas não se brinca. Mas tira o apóstrofo. Vai ser muito mais digno.

Eu sei que fica mais bonito, parece estiloso, algo meio “dos EUA”. Mas tá errado. Te garanto’s.

(Se alguém tiver uma idéia “legal” para o nome do blog, por favor, me avise nos “comentário’s”)


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Uma ou duas coisas sobre a descriminalização da maconha

Eu estudei em uma escola católica que, como toda boa escola católica, fazia seminários e palestras sobre drogas, explicando como era horrível e decadente chegar perto de um baseado.

A primeira vez que me ofereceram um desses, eu devia ter uns 13 anos. Olhei horrorizada para aquele traficante safado, um cara que tinha uns 23 e era irmão de uma amiga. Fiquei petrificada.

Por algum motivo inexplicável, a gente acaba crescendo e vendo que o mundo é ligeiramente maior do que as palestras e seminários da escola das freiras. E para o meu espanto, quando comecei a crescer, vi amigos – pessoas legais, e não aquele idiota irmão da minha amiga – começarem a fumar maconha.

Eu poderia escrever aqui “e vi que era bom”, porque seria uma metáfora com aquela coisa do Gênese da Bíblia e pareceria legal. Mas isso traria alguns problemas. O primeiro é que daria a entender que eu fumei maconha e vi que era bom, e considerando que minha família lê meu blog, eu realmente não gostaria de dar a entender algo assim (se eu não postar amanhã, fui internada na rehab).

O segundo é que misturar na mesma piada Deus e maconha costuma gerar reações agressivas, especialmente dos adeptos do primeiro. Tem aquela dos caras que arrancaram uma página da Bíblia pra enrolar porque tavam sem seda, sabe? Então. Essa costuma gerar muito ódio dos adeptos do primeiro.

E o terceiro é que seria uma mentira, porque eu não vi que era exatamente bom – na verdade, o que eu vi é que não era tão ruim pros meus amigos quanto a sociedade inteira me fez acreditar por tanto tempo.

Ok – de fato, pra alguns amigos era bem ruim. Alguns deles passaram a querer fumar maconha o tempo todo, e nada mais tinha graça pra eles se um baseado não acompanhasse. E eles passaram a viver em função daquilo, e me pareceu realmente ruim. Desses, a maioria acabou seguindo pra drogas mais fortes – como cocaína e ecstasy. Outra parte parou com tudo antes de chegar nesse nível, e em todos os casos isso envolveu epifanias religiosas.

Mas…  tinha um outro grupo de amigos que fumava maconha. E esses seguiram a vida e fumavam aqui, tomavam um chá de vez em quando. E era saudável (até onde é possível), me parecia. Eles viviam bem – e vivem, até hoje. Trabalham, estudam, têm namorada, são bem sucedidos. Tem boa relação com a família. Tudo ok.

Daí eu percebi que tinha algo errado com tudo que eu já tinha entendido sobre maconha. E comecei a estudar sobre o tema. Li livros, vi documentários. Descobri que as razões da proibição e da perseguição aos usuários, nos anos 1930, foram socio-econômicas; descobri também que a maneira como a gente vê a droga é relativista e cultural, porque os adeptos da religião Rastafari justificam o fumo da erva com passagens Bíblicas (não que isso queira dizer algo, só estou mostrando como existem mil jeitos de interpretar a mesma informação); e percebi que tinha algo errado com o fato da nossa sociedade tolerar álcool e tabaco, ainda na adolescência, e abominar o uso de maconha.

Por isso, fiquei surpresa com a matéria de capa da Época dessa semana.

Capa da Época - Maconha

Achei o design foda. Essas faixinhas amarelas que parecem que tão girando… mó brisa.

Não, tô brincando. Achei surpreendente que um veículo das organizações Globo publicasse uma matéria tão lúcida e eloquente sobre o tema, fugindo do lugar-comum desse tipo de reportagem, que costuma apresentar falso moralismo e algumas inverdades. O texto pode ser lido na íntegra aqui.

Perguição ao Phelps? Acho absurdo que encham tanto o saco do cara. Se por um lado ele é uma figura pública e deve dar exemplo, porque provavelmente serve de modelo pra crianças, por outro, ele só comprova a tese de que existem pessoas normais e bem-sucedidas fumando maconha por aí. Apesar de concordar que ele não precisa sair por aí fumando maconha em festas universitárias – essa exposição é desnecessária.

A Época, defendendo a discussão sobre a descriminalização? Isso é fantástico. Se eu sou a favor de descriminalizar? Não sei (o FHC é). Mas sou a favor de rediscutir as políticas de combate ao tráfico, isso sem dúvida. E sou a favor de rever a posição da maconha na escala das drogas perigosas, até porque ela é comprovadamente menos ‘viciante’ que nicotina e álcool, sem contar que alguém sob efeito de maconha parece ter muito mais controle do que faz do que alguém sob efeito de álcool. E, definitivamente, sou a favor de que a sociedade remova esse tema do status de ‘tabu intocável’ pra ‘tema que deve ser discutido urgentemente’, porque as mortes geradas pelo combate inútil ao tráfico são questão séria de segurança pública.

Além disso… você já ouviu falar de briga e morte em show de reggae? Nem eu.

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Post it #03

Post it no Olhômetro - logo#Agora um tenho um Tumblr
Um Tumblr é parecido com um blog. Mas também lembra o Twitter. Digamos que fica entre os dois – não chega a ser um blog, mas também não chega a ser o Twitter. Lá, publicarei todas as coisas que passam na minha cabeça durante a semana (são centenas), além dos links, vídeos e fotos legais que vejo na internet. Algumas acabarão virando posts longos e reflexões por aqui. A seleção do que vai entrar no post it na segunda-feira também virá de lá, então você não vai perder nada se não quiser acessar, porque o que tiver de melhor por lá vai acabar vindo pra cá. Serve apenas pra mim, como organizador de pensamentos e ‘roteador’ de tudo aquilo pelo quê eu me interesso na semana. Mas eu tô viciada em Tumblar. Olha: http://anafreitas.tumblr.com

#Fringe
Acabou a 1ª temporada do seriado cujo piloto eu comentei aqui, há um tempão. Fringe é do mesmo produtor de Lost, J.J. Abrams, e retrata o dia-a-dia de um setor do FBI que cuida de casos envolvendo ciência de borda – que é quando a ciência e as ‘pseudo-ciências’ se encontram. É recheado de teorias da conspiração das mais incríveis, e prato cheio pra quem é fã de Lost. Essa fase terminou de um jeito muito legal, até pra uma série que tinha dado uma decaída entre os episódios 8 e 11, mais ou menos. Numa boa – se você não viu ainda, aproveita a pausa entre Season 1 e 2 (a série volta em abril) e começa a assistir.

#Repórter Bêbado
O mais genial e inovador programa de jornalismo bem humorado da internet brasileira, Repórter Bêbado, teve uma de suas edições gravadas na madrugada deste sábado e eu tive a honra de participar, ao lado dos mestres Nigel Goodman e Ronald Rios. Aguardem o áudio, espero que ainda essa semana, no próprio blog do Nigel. A única ressalva: me confundiram de novo com a Mallu Magalhães. E PELA VOZ. Isso me atormenta.

#Culinária ligeiramente heterodoxa

#Jogo dos 326 erros
Observe bem essa foto.

alfie

Este menino do lado esquerdo é Alfie. Ele tem 13 anos.
Este bebê no meio é o filho de Alfie.
Do lado direito, temos a mãe, Chantelle, que tem 15 anos.

Não quero comentar. Mais informações no The Sun, mas em inglês.

#Comparação que não ajuda
Tomar ecstasy é tão perigoso quanto andar à cavalo, segundo um pesquisador. Isso significaria que frequentar raves e festas country apresenta exatamente o mesmo risco? De qualquer forma, essa é a comparação mais inútil que alguém já fez, já que uma coisa é tão distinta da outra que se torna incompreensível – é como dizer que nadar em mar aberto é tão perigoso quanto brincar com um bambolê.

#Falando em bambolê…
“É na pegada do bambo, do bambo bambo, do bambo, do bambolê – ô lalá, o lelê, vai!”

#Como viver sem a ciência?
Finalmente, um estudo que comprova uma relação que eu sempre suspeitei existir.

graficocel1

A pesquisa que gerou esse gráfico foi conduzida pelo prof. Eric Franco, e mais detalhes podem ser encontrados neste artigo científico.


#Vamos mudar um pouquinho – para melhor, espero
Lembra que eu disse que ia pegar parte do dinheiro que ganhei esse tempo com posts patrocinados pra investir por aqui? Pois é. Você não cansou desse verde? Porque eu cansei. Vamos dar uma reformada, com a benção do homem-ato-ou-efeito, Théo. Dentro de algumas semanas, espero, estaremos mais moderninhos. Mas falta uma coisa:

#Finalmente, A PROMOÇÃO
Tudo certo com os prêmios. Essa semana, lanço a promoção mais irada da história da internet brasileira do Olhômetro. Quem viver, verá. Ok, não espere tanto, mas são prêmios legais, e eu pensei em algo que vai beneficiar quem é leitor, e não gente perdida e pára-quedista. Fiz pra você, porque você merece. É um agradecimento por tudo o que você me proporcionou nesses 14 meses de existência através desse blog.

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Crônica sobre chutar a bengala de um velhinho

Eu nunca atrapalho ninguém. Esse é meu mote na convivência social urbana. Apesar da cidade ter me transformado num monstro apressado, que sai pela estação desviando das pessoas com habilidade, dificilmente eu trombo nas pessoas, deixo de pedir licença ou as atrapalho. Sou educada, simpática e até converso com pessoas que puxam assunto na rua, sejam as loucas ou as normais. Mas hoje aconteceu. Digo, hoje atrapalhei uma pessoa. Não que nunca tivesse atrapalhado antes – provavelmente já aconteceu, mas sem querer. E não que dessa vez tenha sido proposital… ok, explico:


Eu vinha pegar o ônibus para o trabalho e comecei a descer as escadas que levavam à plataforma. De lá de cima, vi que o ônibus já estava estacionado, o que significava que poderia partir a qualquer momento. Comecei a técnica que consiste em tentar descer as escadas rapidamente desviando das pessoas. Tinha na minha frente um carinha descendo devagar, que não dava espaço pra que eu fosse pela esquerda. Logo paramos – um grupo de surdos-mudos conversava no meio da escada. Daí desviei deles e continuei. Outro cara veio, subindo, na minha frente. Desviei; mais outra pessoa descendo com calma e tranquilidade, já no pé da escada, e um cara que foi subir pelo lado errado (o direito meu, esquerdo dele) bruscamente e do qual eu consegui desviar. Ufa.


Mas no desvio desse último, acabei sendo jogada pra cima de um senhor que vinha caminhado pela plataforma, de bengala. Ele tinha uma loooonga barba branca, à lá papai-noel, e caminhava lentamente. Eu o vi – e, embora tenha feito isso muito rapidamente, não parei, porque provavelmente meu cérebro calculou que se eu levantasse um pouco a perna, conseguiria passar o pé por cima da bengala e continuar correndo em direção ao ônibus.


Não sei se calculei mal. Não sei se ele me viu e assumiu que, como era deficiente físico, eu pararia e o deixaria passar. Só sei que eu acabei, sem querer, esbarrando o pé na bengala do velhinho.


Não cheguei a chutar, nem nada. Ele também não chegou a se desequilibrar, bambear as pernas ou coisa assim. Foi um esbarrão – mas ele ganhou um contorno de crueldade terrível, porque era um senhor de bengala. E porque eu nunca vou me esquecer da maneira como ele me olhou.


Foi mais do que indignação. Foi algo como “cansei de ser humilhado por esses jovens”. Ele ficou boquiaberto, de verdade. Parou, abriu um pouco a boca e me olhou como o monstro horrível que eu fui ao esbarrar na bengalinha dele.


Envergonhada, e percebendo que ele só estava indignado mesmo (e que eu não o havia machucado ou algo do gênero), pedi desculpas de maneira audível e com as mãos levantadas e continuei correndo em direção ao ônibus, que consegui pegar (e demorou mais uns 5 minutos pra sair).


Nesses 5 minutos, o velhinho passou ao lado da janela. Não tive coragem de olhar. Percebi que ele voltou, pra direção contrária de onde tinha vindo – isso despertou na minha cabeça uma espécie de “também, o véio fica passeando de bengala na plataforma de ônibus”, pensamento que foi logo podado pela culpa que ainda toma conta do meu ser.


Tava um puta trânsito no caminho, o que me fez sentir mais culpada – afinal, atropelei o velhinho pra nada. Mas fiquei pensando, e pensando, e pensando. E pelo menos a situação toda me fez ver muita coisa de um jeito diferente.


Por natureza, sou uma pessoa meio ansiosa. Vocês precisam me ver falando – eu sou muito esquisita. Falo super rápido. Eu tenho uns níveis de rapidez da fala, e eu regulo de acordo com o interlocutor: por exemplo, com familiares próximos eu falo numa velocidade abismal, porque sei que eles vão compreender; com gente desconhecida, quase sempre me lembro de falar devagarinho. Mas às vezes, se deixo a emoção tomar conta, o filtro que mede a velocidade de compreensão do interlocutor acaba falhando e eu falo rápido demais e ninguém entende.


Isso acontece porque a minha cabeça funciona a mil. Se eu não falar logo, meu pensamento ultrapassa a velocidade da fala, e aí eu acabo me perdendo no raciocínio. Pra escrever, sou igualzinha. Todo mundo fica dizendo “OH MEU DEUS COMO VOCÊ DIGITA RÁPIDO”. Mas não é exatamente porque eu quero. É porque se eu não fizer assim, me perco no meio da coisa.


Da mesma maneira, minha paciência é ultra-limitada. Não sei se foi o ‘morar na cidade’, mas eu sou um pouco… impaciente ao andar na rua. Tenho um objetivo, chegar até o lugar X – logo, vou fazer isso da maneira mais rápida possível, especialmente se tenho um compromisso com hora marcada. Portanto, me irritam muito pessoas que param no meio de escada pra amarrar o sapato, gente que para no meio do corredor da estação pra olhar pra qual dos lados ir… parar é permitido, ok, mas pare num lugar apropriado. Ou sinalize que vai parar, sei lá. Sempre que eu vou parar no meio de uma calçada, eu dou uma olhadinha pra ver se tem gente andando atrás. Se tiver, em vez de parar bruscamente, eu faço uma curva rápida na direção daquilo que eu vou observar. Assim, paro e saio do caminho do fulano atrás de mim. Não atrapalho ninguém.


Quando eu ando pela rua e vejo (o tempo todo) gente mal-educada, que esbarra nas pessoas e não pede desculpas, empurra velhinhos, não dá lugar pra aleijados… eu julgo essas pessoas. Eu as acho animais incivilizados e sem educação, que não pensam no próximo, que atrapalham as outras pessoas.


Mas naquele momento em que sem querer chutei a bengala do velhinho eu percebi que existem animais incivilizados sem educação e existem pessoas que estão num dia ruim, com pressa, ou que às vezes fazem uma merda tão grande que têm vergonha de pedir desculpas, mas que não são gente ruim e mal-educada. São pessoas normais num momento ruim, com um movimento mal-calculado.


O problema é que tem tanta, mas tanta gente no mundo, que mesmo se considerarmos que todo mundo é educado por definição, e tiver um dia ruim, digamos, por mês, será muito fácil que encontremos várias pessoas sendo mal-educadas por dia.


É estatística, é injusto, e se o velhinho entendesse isso ele provavelmente não me fulminaria com aquele olhar que eu jamais esquecerei.


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