OEsquema

Uma ou duas coisas sobre a descriminalização da maconha

Eu estudei em uma escola católica que, como toda boa escola católica, fazia seminários e palestras sobre drogas, explicando como era horrível e decadente chegar perto de um baseado.

A primeira vez que me ofereceram um desses, eu devia ter uns 13 anos. Olhei horrorizada para aquele traficante safado, um cara que tinha uns 23 e era irmão de uma amiga. Fiquei petrificada.

Por algum motivo inexplicável, a gente acaba crescendo e vendo que o mundo é ligeiramente maior do que as palestras e seminários da escola das freiras. E para o meu espanto, quando comecei a crescer, vi amigos – pessoas legais, e não aquele idiota irmão da minha amiga – começarem a fumar maconha.

Eu poderia escrever aqui “e vi que era bom”, porque seria uma metáfora com aquela coisa do Gênese da Bíblia e pareceria legal. Mas isso traria alguns problemas. O primeiro é que daria a entender que eu fumei maconha e vi que era bom, e considerando que minha família lê meu blog, eu realmente não gostaria de dar a entender algo assim (se eu não postar amanhã, fui internada na rehab).

O segundo é que misturar na mesma piada Deus e maconha costuma gerar reações agressivas, especialmente dos adeptos do primeiro. Tem aquela dos caras que arrancaram uma página da Bíblia pra enrolar porque tavam sem seda, sabe? Então. Essa costuma gerar muito ódio dos adeptos do primeiro.

E o terceiro é que seria uma mentira, porque eu não vi que era exatamente bom – na verdade, o que eu vi é que não era tão ruim pros meus amigos quanto a sociedade inteira me fez acreditar por tanto tempo.

Ok – de fato, pra alguns amigos era bem ruim. Alguns deles passaram a querer fumar maconha o tempo todo, e nada mais tinha graça pra eles se um baseado não acompanhasse. E eles passaram a viver em função daquilo, e me pareceu realmente ruim. Desses, a maioria acabou seguindo pra drogas mais fortes – como cocaína e ecstasy. Outra parte parou com tudo antes de chegar nesse nível, e em todos os casos isso envolveu epifanias religiosas.

Mas…  tinha um outro grupo de amigos que fumava maconha. E esses seguiram a vida e fumavam aqui, tomavam um chá de vez em quando. E era saudável (até onde é possível), me parecia. Eles viviam bem – e vivem, até hoje. Trabalham, estudam, têm namorada, são bem sucedidos. Tem boa relação com a família. Tudo ok.

Daí eu percebi que tinha algo errado com tudo que eu já tinha entendido sobre maconha. E comecei a estudar sobre o tema. Li livros, vi documentários. Descobri que as razões da proibição e da perseguição aos usuários, nos anos 1930, foram socio-econômicas; descobri também que a maneira como a gente vê a droga é relativista e cultural, porque os adeptos da religião Rastafari justificam o fumo da erva com passagens Bíblicas (não que isso queira dizer algo, só estou mostrando como existem mil jeitos de interpretar a mesma informação); e percebi que tinha algo errado com o fato da nossa sociedade tolerar álcool e tabaco, ainda na adolescência, e abominar o uso de maconha.

Por isso, fiquei surpresa com a matéria de capa da Época dessa semana.

Capa da Época - Maconha

Achei o design foda. Essas faixinhas amarelas que parecem que tão girando… mó brisa.

Não, tô brincando. Achei surpreendente que um veículo das organizações Globo publicasse uma matéria tão lúcida e eloquente sobre o tema, fugindo do lugar-comum desse tipo de reportagem, que costuma apresentar falso moralismo e algumas inverdades. O texto pode ser lido na íntegra aqui.

Perguição ao Phelps? Acho absurdo que encham tanto o saco do cara. Se por um lado ele é uma figura pública e deve dar exemplo, porque provavelmente serve de modelo pra crianças, por outro, ele só comprova a tese de que existem pessoas normais e bem-sucedidas fumando maconha por aí. Apesar de concordar que ele não precisa sair por aí fumando maconha em festas universitárias – essa exposição é desnecessária.

A Época, defendendo a discussão sobre a descriminalização? Isso é fantástico. Se eu sou a favor de descriminalizar? Não sei (o FHC é). Mas sou a favor de rediscutir as políticas de combate ao tráfico, isso sem dúvida. E sou a favor de rever a posição da maconha na escala das drogas perigosas, até porque ela é comprovadamente menos ‘viciante’ que nicotina e álcool, sem contar que alguém sob efeito de maconha parece ter muito mais controle do que faz do que alguém sob efeito de álcool. E, definitivamente, sou a favor de que a sociedade remova esse tema do status de ‘tabu intocável’ pra ‘tema que deve ser discutido urgentemente’, porque as mortes geradas pelo combate inútil ao tráfico são questão séria de segurança pública.

Além disso… você já ouviu falar de briga e morte em show de reggae? Nem eu.

51 Comentários
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51 Comentários

Comentário por Blog Mallmal
17 de fevereiro de 2009 às 4h32

Tem várias coisas interessantes nesse seu post.

A primeira são os malefícios da droga. Maconha é MUITO MENOS nociva que álcool ou tabaco (nicotina), como pode ser visto aqui:
http://mallmal.blogspot.com/2009/02/por-isso-que-eu-fumo.html#links
Deixo claro desde já que não fumo maconha. Tive péssimas experiências na pós-adolescência (taquicardia, sensação de morte iminente). Sou, contudo, usuário de nicotina, uma droga muito pior. Vide o gráfico no link acima.

A segunda é sobre a coerência do texto. Falar que mamãe e papai lêem o Blog e oferecer duas posições simultâneas é triste. Deixe o blog no anonimato, como eu faço (por motivos profissionais e não papai-e-mamãe [trocadilho inevitável]), ou assuma apenas uma posição. Fale: Fumei, não é pra mim, tenho amigos que fumam, Ok.
Mais bonito, editorialmente falando. ;)

Terceira, respeito sua opinião, mas o design da capa é uma bela merda. Qual a relação da mensagem transmitida com o tema discutido? A revista está tomando posição? (não li.) Se for, COMO está tomando essa posição? Tipo: Nóia é legal, mano? Vão fazer reportagens encadeadas sobre LSD, cogumelos e santo daime? É só repetir a capa e trocar o ícone central, nesse caso…

Abraço!

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Comentário por Nelson Góes
2 de novembro de 2009 às 14h33

Ana, desculpe, não gostaria de entupir o seu blog de mensagens, mas tive que replicar aqui e depois.

A mensagem está dada da melhor maneira possível. Não existem fórmulas para nada (provo isso na cozinha) e se existe alguma, ela diz: Faça dar certo.

Você sabe dar o recado muito bem e acho que os seus textos são claros, concisos e com argumentações sólidas (tem até o link para a reportagem se “alguém” tiver mesmo interesse em saber como o tema foi abordado) , além é claro de agradabilíssimos de ler, humor da mais alta qualidade.

Entrar em detalhes, não é pré-requisito (vixe! Lembrei da faculdade, agora) para passar bem o recado. Esse é o tipo de subterfúgio que um cara como eu não pode prescindir. Já você tem um bocado de texto aqui mostrando que pode abrir mão de detalhes e que sabe fazer isso com maestria, sem deixar o texto perder nem um pouco o sentido. Perdi, preciso aceitar isso.

Para mim tá ótimo!

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Comentário por Ninguém
15 de junho de 2011 às 5h58

http://anticannabis.blogspot.com/2011/04/maleficios-da-maconha.html

Responder

Trackback por aoeblogs
17 de fevereiro de 2009 às 4h32

Se liga: Uma ou duas coisas sobre a descriminalização da maconha http://tinyurl.com/cc5br9

Comentário por Daniela
17 de fevereiro de 2009 às 6h24

Olha, acho que com a maconha o negócio é mais ou menos o mesmo com o aborto: não é porque é proibido que as pessoas deixam de consumir. Acho que uma pessoa alcoolizada pode causar muito mais danos aos outros do que uma pessoa emaconhada.
Não posso deixar de admitir, já experimentei depois que entrei na faculdade, e a maconha com própolis fez meu nariz parar de escorrer. ;)

Responder

Comentário por Rubens
17 de fevereiro de 2009 às 12h10

As tais drogas lícitas fazem muito mais mal aos seus usuários do que a maconha, que é uma droga ilícita.
Nunca vi um sujeito emaconhado atropelar alguém. Um cachaceiro???
Se não vai liberar a erva do capeta, que proiba as outras.

Mas a tal Bancada da Souza-Cruz e da AmBev é mais poderosa que a bancada da Marijuana (só o Gabeira).

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Comentário por Ninguém
15 de junho de 2011 às 6h02

Tá aí o que vc queria.

http://anticannabis.blogspot.com/2011/04/criminalidades-por-ai.html

Responder

Comentário por alx hoera
17 de fevereiro de 2009 às 12h17

parabéns pelo seu post! é difícil encontrar não usuários com essa posição. você fez uma análise não radical, porque existe muita gente que quer levar para o lado que você colocou, das pessoas que só querem fazer isso da vida, mas outras ainda sabem que isso pode ser algo social. concordo que o álcool prejudica e altera o mental e o físico e é bem aceito! existem campanhas não beber quando for dirigir, mas qual seria o motivo do combate da maconha senão o tráfego e a violência gerada por isso? a maconha aparece em todas as classes sociais e é muita hipocrisia criar tanta polêmica por causa disso! se em tantos países é uma questão cultural, religiosa ou mesmo social, o brasil poderia começar a pensar um pouco mais a frente…

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Comentário por Fã nº 1
17 de fevereiro de 2009 às 12h31

Notável….

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Comentário por Rics
17 de fevereiro de 2009 às 12h40

Pois é, tá aí. Você tem uma visão idêntica à minha sobre esse assunto. Eu acho que esse pessoal fica bitolado, fumando direto e vai parar na cocaína teria esse tipo de problema com qualquer outra coisa.

Álcool? Iria da cervejinha à pinga e viraria um alcóolatra foda!

Cigarro? Passaria de um cigarro eventualmente para 4 massos (ou maços?) ao dia e detonaria o pulmão…

Enfim…

Excelente post! Depois vou ler a matéria, mas com certeza é um assunto que merece nossa atenção urgentemente.

Responder

Comentário por Eduardo M.
17 de fevereiro de 2009 às 12h41

Acho o debate válido, concordo que o tabu deve ser quebrado e que a questão deve ser discutida.
Mas sou contra a legalização em si. A comparação com alcool e cigarro não parece justa porque o grupo de amostragem é mal definido.Na minha balança, seus amigos que ficaram viciados e seguiram para drogas mais pesadas pesam muito mais que seus amigos bem sucedidos que fumam, não parece bom arriscar algumas ovelhas para o rebanho poder se divertir.
Mas meu principal medo é a saúde pública. Legalizar a maconha levaria imediatamente ao aumento do consumo (concorda?) e portanto a um aumento no gasto com saúde pública, que ja vai bem mal.

ps: Gosto dos seus textos, mas acho que você se perdeu um tiquinho escrevendo esse. Só um tiquinho :}

Responder

Comentário por Fã nº 1
17 de fevereiro de 2009 às 12h51

Acho que você deveria sair de casa para não ter de prestar contas a pai e mãe reacionários como devem ser os seus…. não se esconda no anonimato nem por questões familiares, nem por profissionais… faça o que tem de ser feito….

Responder

Comentário por Ana Freitas
17 de fevereiro de 2009 às 13h41

Pai, isso é pra mim? Vc achou notável mas achou isso tbm? Não entendi

Responder

Comentário por Fã nº 1
17 de fevereiro de 2009 às 14h05

Sim, foi para você….a argumentação e o textos são notáveis…. a forma com que você coloca os assuntos e como trata também é…. quanto é 5 + 3?

Responder

Comentário por Rubens
17 de fevereiro de 2009 às 15h03

5+3=8

Comentário por Nelson Góes
2 de novembro de 2009 às 14h53

Ô seu Freitas, hoje sou pai e a gente tem que aceitar a nossa natureza reacionária, por mais esforço que a gente faça para deixar as crias preparadas para o mundo, a verdade é que a experiência da paternidade e o avanço do tempo, nos trás um desprendimento do mundo material (tá bom, não é bem assim com todo mundo) e uma afinidade maior com o que poderíamos chamar de espírito/alma. Fim das contas logos eles estão sabendo bastante sobre o mundo e agente bastante sobre a vida. O vice-versa aqui nesse caso acaba resultando num corôa que se complica com os objetos que o cerca e num jovem que não sabe lidar direito com os sentimentos. Nós somos reaciomários.

Por outro lado a pessoa que faz os textos, pelo modo como fala dos familiares e pelo modo como fala dos demais assuntos, demonstra ter recebido bastante amor, carinho, atenção, educação e todo o tipo de qualidades e defeitos que se espera de um pai e de uma mãe que qualquer pessoa no mundo teria a felicidade de ter.

Se tá querendo botar a menina pra correr de casa ou se tá carente, não fica arrumando desculpa esfarrapada não, dá logo o recado.

O senhor está é de parabéns!

P.S. – Fã nº1, por gentileza, entrega este recado ao pai da Ana.

Responder

Comentário por Eric Prieto
17 de fevereiro de 2009 às 13h38

Pode ser uma opinião precipitada a minha, mas sou a favor da legalização sim, o tráfico dessa droga específica seria imediatamente um problema a menos, mas ia ter um número absurdo de gente correndo para experimentar e consequentemente se viciando… Anyway… Quando descobri de grandes amigos meus fumavam ou já haviam fumado, entrei em paraafuso… Mas depois de refletir… Bom cheguei as mesmas conclusões que você, e mesmo assim, nunca tive vontade de experimentar…

Beijos!

Responder

Comentário por Rui
17 de fevereiro de 2009 às 16h52

“Acheu o design foda”. Aqui é o antro da baixaria mesmo né…
Aliás, se informe, o FHC é a favor do debate, que algo mais complexo.

Responder

Comentário por Bruno Rodrigues
9 de março de 2009 às 1h56

Moralismo… #mimimi

Ah…cara isso é um blog saca?Se você lesse isso na revista até poderia reclamar com alguma razão, embora continuasse sendo um falso moralismo.

Essa baboseira esta morrendo junto com a mídia impressa e é uma forma muito mais pessoal de demonstrar o que se está pensando.

Responder

Comentário por Fábio
2 de abril de 2009 às 1h44

Vi a entrevista com FHC no Roda Viva. Ele é a favor da legalização. Se bem que isso não importa. Ninguém influente pode me fazer mudar de opinião sem argumentos convincentes.

Responder

Comentário por alina
17 de fevereiro de 2009 às 17h55

comentário gigante. u.u’

eu sou a favor da legalização.
não de uma forma radical.
mas acredito, como a daniela falou, que é mais ou menos como a questão do aborto, em alguns sentidos: se você é contra, não precisa consumir maconha, ou fazer aborto, mas também não tem necessidade de impedir pessoas com uma idéia diferente da sua de fazê-lo.

sem contar que com a legalização não haverá tanto tabu para que pesquisas/estudos sejam feitos e informações sejam veiculadas. aliás, acho que informação seria a chave caso o brasil optasse pela legalização, uma vez que aqui não haveria tanta infra estrutura para pessoas que quisessem parar. como disse “beatriz” em um comentário onde está a matéria da época: “O estado não irá investir um centavo em tratamento para pessoas que queiram parar.”

mas ainda creio que a legalização tenha mais “vantagens” do que desvantagens. principalmente de cunho econômico e, por parte de muitos, hipócrita.

Responder

Comentário por Renato Luiz
17 de fevereiro de 2009 às 20h21

Se pararmos pra pensar a legalização é uma oportunidade da América Latina, que tem a maior parte da produção mundial de maconha, ganhar dinheiro e montar grandes “empresas”. E se falarem que ganhar dinheiro causando males a saude dos outros teremos que julgar os grandes produtores de cigarros.

Não custa nada fazermos o que os EUA fizeram a algum tempo atrás com o cigarro com a maconha.

Usa quem quer na quantidade que quer..

Responder

Comentário por Someone
18 de fevereiro de 2009 às 0h19

Hoje mesmo tive que escrever uma redação sobre esse tema no colégio =D. pessoalmente, sou a favor, nao adianta punir os maconheiros, tem q punir os traficantes, senão o problema nao se resolve. Sobre a capa, o ‘design foda’ não se refere à criatividade, mas ao efeito de giro que dá, insinuando as alunações. estou certo? pq muita gente nao entendeu

Responder

Comentário por Ana Freitas
18 de fevereiro de 2009 às 0h23

Hhahahahaha quaaase isso.
Na verdade era uma brincadeira, simulação da fala de alguém drogado, né: “Nooosssa, bem loco o design. Girando, mó brisa”.

Mas enfim. hehehe

Responder

Comentário por Assan
18 de fevereiro de 2009 às 14h22

Não é bom, não é ruim, não é nada, não é tudo.

O ser humano é um fraco. Estatisticamente falando. Há as exceções, mas é isso que essas pessoas são: exceções. Os vencedores, os heróis, os mártires, os avant-garde, os loucos, os párias.

Dou aulas, e sempre é a culpa do professor. Apenas – como disse o professor de M. Gehringer – 5% dos estudantes vai prestar para alguma coisa de suas próprias vidas.

Deixo isso bem claro: não é para satisfazer a sociedade, falo dos indivíduos que superaram as expectativas da sociedade normal. Eles nem ao menos ficam satisfeitos com suas próprias vidas, apenas que a vida deles foi algo mais que o resto.

Os outros 95% fazem de tudo para tornar a vida do próximo um inferno. Desde comentar sobre como o vizinho não se comporta, até que carreira devia seguir para ser uma “pessoa de sucesso”. E não raro: culpar o mundo – outras pessoas – pelo fracasso que é de nunca tentar nada.

Então… tabaco, alcool, maconha são mais uma ferramenta muito útil para esses 95% do mundo “terem razão” em continuar se afundando na própria lama. A culpa é do “outro”, do sistema, do chefe, do professor que o reprovou. Como se o resto do mundo pudesse ter tanto tempo assim para perder moldando a vida dos outros (comenta, mas não faz nada, deixemos isso claro. assim como não fez nada com a própria vida!)

Então sobre esses “alteradores de realidade”, a benesse que traria para os 5% que são alguma coisa no mundo não justifica dar esse revolver para os outros 95% que vão fazer mal uso. Claro que pessoalmente, acho que seria bom que esses 95% acabassem consigo mesmos, mas o fato é que no processo eles tem muito mais chances de acabar com os 5%, já que são maioria… Como motorista bêbado que mata família inteiras, mas sai incólume.

Esse tipo de coisa – como liberdade – é algo a ser conquistado e suportado. Conquistado porque quem conquista sabe como é difícil tê-la, mantê-la e pior: viver com ela. Ser livre significa ser responsável por si mesmo, ninguém vai te salvar o rabo quando algo der errado na sua escolha.

Ou seja, apenas 5% aguentam o tranco. O resto de nós, somos uns covardes, mesquinhos que não tem o direito de pedir, quanto mais de exigir. Ainda mais que quando a coisa degringola, não assume as consequencias de seus atos.

Responder

Comentário por diego
18 de fevereiro de 2009 às 16h16

maconheira,

a época só tá falando bem da maconha pq o FHC resolveu apoiar a causa numa conferência com ex-presidentes sul-americanos… ainda bem ::)

acho que a condição de ex-presi dá mais liberdade pra opinar sem demagogia

Responder

Comentário por Thiago
19 de fevereiro de 2009 às 14h07

Sou usuário a 3 anos,fumo um baseado antes de dormir por dia.Diria que dos meus amigos que fumam:10% foram pro caminho errado das drogas mais pesadas,20% pararam de fumar ou fumam muito raramente,70% fumam e tem uma vida normal:namorada,amigos,relacionameto familias bom,emprego,faculdade,etc.
Nunca vi:
-Briga por causa de maconha.
-Acidente de carro por causa de maconha;
-Algum tipo de doença por causa de maconha.
E pra quem quiser,ligue a tv todos os dias e veja quantas mortes ocorrem por causa de nicotina e alcool.

Não é coisa de nóia,mas se maconha eh proibido,pela logica,nicotina e alcool deve ser tambem.Legalize ja!

Responder

Comentário por Carla
27 de fevereiro de 2009 às 3h52

Thiago,

não é porque você nunca viu briga por causa de maconha que elas não acontecem (eu já briga em show de reggae), mas isso não é motivo para proibir ou legalizar qualquer coisa.

Sobre doenças: a maconha está relacionada com a perda de memória, com o aparecimento de esquizofrenia e causa danos ao feto quando fumada na gravidez. (http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/021122_cannabisebc.shtml)

Essa história de “uma erva natural não vai te fazer mal” não é bem assim.

A minha dúvida é: desde quando alguma coisa é proibida/permitida pelo bem ou mal que faz?

Responder

Comentário por Flavia
19 de fevereiro de 2009 às 21h18

Nossa Ana, show!!! Parabéns!!! Li a matéria na Época, achei o máximo, e gostaria de ter a sua categoria pra falar do assunto…

Como sou da ala das balzacas, posso falar: tenho amigos na casa dos 45 anos, com filhos, profissão boa, patrimônio que até hoje fumam “um” em festas.

Também tenho aqueles que se arrebentaram – mas acho que álcool é tão “porta de entrada” quanto a maconha, então não compro essa história de “porta de entrada”.

Gostei do texto também pelo fato de, como vc, não ter uma idéia de como seria essa descriminalização – mas acho formidável pessoas de “peso” começarem uma discussão séria sobre o tema, sem maniqueísmos.

Beijos e parabéns!

Responder

Pingback por Maconha: é hora de legalizar? – Conversa de Psicólogo
27 de fevereiro de 2009 às 3h44

[...] Leia também o excelente post da Ana Freitas sobre a legalização. Dica da Lady [...]

Comentário por Luiz andré
6 de março de 2009 às 7h31

legalize-it!

Responder

Comentário por Mariana
10 de março de 2009 às 1h20

Eu sou contra a legalização da maconha, porque nao vai diminuir o crime e nem os gastos do governo em relação a saúde.
O usuário é tão culpado quanto, se não,até mais do que o traficante, posto que sem usuários não haveria traficantes.
Muitas pessoas são mortas para que seja possivel o consumo desses “usuários com vida normal”.
Com certeza há muitas mortes decorrentes do consumo de alcool, mas há muitas geradas pela maconha também. Tudo bem, essas mortes não sao gerada pelo consumo propriamente dito da maconha, mas sim pelo trafico da mesma. Porem legalizar não é o caminho, pois há drogas muito mais nocivas que continuarão sendo parte do crime organizado e isso nao prejudicará em nada o sistema deste.
Sinceramente, ainda nao encontrei uma solução eficaz para o problema, acho que é algo que tem que ser discutido abertamente e o mais urgente possivel para que possamos ter uma conclusão satisfatória.

Responder

Comentário por Zé
13 de agosto de 2009 às 12h59

Olha vc deve ser louca, mais que qualquer fumeiro, nunca fumou e vive em cima do muro, vá catar coquinho, fume e seja feliz, até parece que este mundo cheio de guerras, armas de destruição em massa, policiais assassinos, politicos corruptos, empresas suspeitas, igrejas super suspeitas e etc…podem proibir algo ou qualquer coisa a não ser em beneficio proprio, vc é criança e pelo jeito não sabe o que fala, não é questão de legalizar o que jamais poderia ter sido proibido, eta planetinha safado…

Responder

Comentário por Silvana
23 de março de 2009 às 19h06

Gostaria de pedir a autora livros que ela leu sobre a maconha, pois estou fazendo minha monofragia sobre o tema e gostaria de mais bibliografias, se puder me ajudar, agradeço!

Responder

Comentário por joao
23 de janeiro de 2010 às 10h31

li a sua mensagem , tb to fazendo minha monografia sobre a descriminalizaçao da maconha , vamo se comunicar para nos ajudar a fazer a monografia

joao nunes
ponta grossa parana

Responder

Comentário por arthur bighead
2 de maio de 2009 às 19h42

saudações Mana!

belo texto, sóbrio e honesto em seu conteúdo, de fato, a Maconha é apenas uma planta, só precisa de terra, água, esterco, luz do sol, humos, atenção e carinho, como qualquer outra planta!

poderíamos plantar nos quintais ou varandas, cultivando na planta, enquanto ser vivo, intuições da Natureza, apenas bons sentimentos!

evitaríamos a força indesejável da policia ou fortalecer a rede do tráfico e do crime organizado, que se voltaria para drogas sintéticas, narcotizantes, destrutivas, ai sim seria preciso inteligência policial para deter esse tipo de lucro desumano.

tudo tão simples! e você percebeu isso, parabéns!

Responder

Comentário por Neuro Junior
23 de junho de 2009 às 0h19

NÃO QUERO SABER DE MAIS NADA….SÓ QUERO SABER…QUEM TEM SEDA?

Responder

Comentário por vF
21 de julho de 2009 às 14h18

A questão não é o que a droga faz com o físico de uma pessoa, mas com o emocional.Elas não devem ser usadas porque são proibidas e nem somente porque trazem prejuízos físicos, mas porque encerram a emoção numa cadeia, esfacelando o sentido da vida e destroem o mais nobre dos direitos humanos: a liberdade!E me referindo ao emocional a maconha prejudica muito mais do que a nicotina do cigarro.O usuário sob o jugo do desejo compulsivo de usar drogas, perdem completamente a liberdade de pensar e decidir, se torna um escravo de sua dependencia!As experiencias psiquicas resultantes são mutio intensas usurpando áreas nobres no cérebro, que deveriam ser ocupadas por sonhos, projetos, metas, relações sociais. Os dependentes se tornam velhos em corpos jovens,o inconsciente deles fica saturado de experiencias angustiantes e turbulentas. Perdem o interesse por coisas normais e singelas. Só procuram prazer naquilo que foge o padrão de normalidade, buscam um tranquilizante na droga. Procurando grandes estimulos para sentir um pouco de prazer.

Responder

Comentário por Felipe
24 de março de 2010 às 2h59

Gostei do que você escreveu. Respeito muito a opinião de cada um mas no presente momento eu sou contra a legalização, porque pensem na seguinte situação:

Se o governo brasileiro legalizasse a maconha hoje, em 2010. Daqui uns 20, 30 anos, os jovens estarão querendo que legalizem a cocaína ou o crack, por exemplo. Foi assim na década de 60 e 70.

Sem contar o número de crianças que entram para o tráfico todos os dias pra playboy ficar bolando baseado.

Então, sejamos justos: se é ilegal, que proibam também o cigarro ou o álcool.

Fica aí um segundo lado da moeda.

Responder

Trackback por Yáci Ara
23 de junho de 2010 às 17h33

Um dos textos mais legais que já li sobre usar maconha (e que não faz apologia nenhuma) >> http://bit.ly/bhj7rP

Comentário por vivaavida
2 de outubro de 2010 às 2h58

http://rastareggaerootsdownload.blogspot.com/

Responder

Trackback por Igor Canova
8 de novembro de 2010 às 2h01

RT @jessicateixeira: Post no Blog do @grupoalcateia sobre o Campeonato de Impro. Com foto e tudo, bonitas palavras!! http://migre.me/23T

Comentário por Caio Braga
12 de fevereiro de 2011 às 4h17

Ps: Para a Mariana e quem é contra a legalização.

Pra começar, foi dito que não seria diminuído gastos com a saúde por parte do governo em uma eventual legalização. Agora lhe pergunto. Quem afirmou isso ?

Dizer que os culpados são os supostos “playboys”, por financiarem o tráfico, é completamente ignorante por parte de quem afirma. Afinal, os culpados são as autoridades, que por PURA INCOMPETÊNCIA, deixaram chegar ao ponto de onde chegou, com favelas em massa, grupos armados e derivados.

Foi por causa do próprio governo, que vivemos uma “mini” guerra-civil no país (já que quando o exército vai para as ruas, como aconteceu no RJ, pode ser considerado uma guerra-civil existente).

Por conta da tal incompetência, a população sofre as consequências, e PRINCIPALMENTE os usuários, seja em casa, na rua, nas escolas e derivados. Não tem nada pior do que ser discriminado como vagabundo, bandido e drogado dentro de sua própria casa (falo por própria experiência), ou vc ser abordado por policiais CORRUPTOS como TODA A SOCIEDADE, tomar tapa na cara, ser obrigado a dar o seu celular, dinheiro, entre outros pertecentes para que isso não tome outra dimensão.

Portanto, PESQUISEM, e “ignorem a IGNORÂNCIA” de vcs, ao afirmar, julgar, maltratar, desmerecer, entre outros atos cometidos por hipocrisia.

Responder

Comentário por José Fonte de Santa Ana
27 de fevereiro de 2011 às 19h02

Maconha faz bem e o bem, também (III). Quebra dentes vitais da engrenagem milionária do tráfico.
Acreditam alguns cientistas renomados embasados por pesquisas, que é preciso descriminalizar a maconha. O que livra milhões de jovens brasileiros (já trabalhadores, universitários) e suas famílias, das armadilhas da engrenagem milionária das drogas ilícitas. Usando de suas ingenuidades em momentos de fraqueza para aliciá-los como mulas e ou só aparentá-los, para entregá-los à justiça em seus lugares e os exibirem como troféus da guerra contra o tráfico.
Mais uma resposta ilusória para a sociedade, com repreensões e criminalizações que de nada adiantaram, porque os males que supostamente combatem só aumentaram. Somados á criminalização com aparentemente só deméritos até o dia de hoje, pois os problemas que supunha eliminar se agravaram. Acumulando prejuízos, sofrimentos e dores à milhões de homens e mulheres de bem. Submetendo-os ao constrangimento, humilhação, problemas com a justiça e as vezes até cadeia. Só por portarem ou usarem uma substância que conforme muitos pesquisadores, usada com moderação não faz mal à saúde do homem.
Proibição entendida em muitos países que a liberaram para uso medicinal, recreativo e religioso, como mais deletéria para a sociedade do que o consumo da maconha em si, à qual, repito, muitos cientistas embasados em pesquisas recomendam descriminalizar. Quebrando aí, dentes vitais da engrenagem milionária do tráfico de drogas.
Sou a favor do homem livre do uso de bebida alcoólica, cigarro e qualquer substância que não seja por questão divina como inclusive medicinal, ainda que o seu uso moderado não traga danos à sua saúde.
Sendo assim, por que defendo a descriminalização da maconha? – Para auxiliar milhões de homens e mulheres de bem, no mínimo a saírem da ainda sujeição que lhes é imposta aos muitos males que cercam algumas substâncias, por ainda serem proibidas por lei ao invés de controladas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), como o cigarro, a bebida alcoólica e remédios inclusive psicotrópicos, barbitúricos, tarjas preta.
Em meu Blog, leia (clique) “Maconha como está não é legal. Tem que legalizar.” “Maconha faz bem e o bem, também (II). Abriu expectativas para o tratamento da obesidade… e, Maconha faz bem e o bem, também. I.”
Caso careça de orientação também jurídica sobre o tema, clique em BrasilNorml.
José Fonte de Santa Ana.

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Comentário por Ninguém
15 de junho de 2011 às 6h07

Legalizar não acaba com o tráfico, meu amigo.

http://anticannabis.blogspot.com/2011/04/legalizar-acaba-com-o-trafico.html

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Trackback por Luciana Sobreira
25 de agosto de 2011 às 14h04

RT @ana_freitas: Uma ou duas coisas sobre a descriminalização da maconha http://t.co/7Uh7Ijz

Comentário por Pavoni & busnello
14 de novembro de 2011 às 8h28

É boa sim para quem sabe usar. Uma coisa é certa,não é necessário fumar vários em um único dia,às vezes um ou dois é o suficiente,mas principalmente antes de uma relação sexual é muito bom. Se ela realmente faz mal ou não,na verdade não sabemos prq hora em hora mudam as opiniões e estudos sobre a Maconha,então o quê devemos fazer é fumar sim mas moderadamente. É muito bom sabemos,mas as chancse de fumar maconha em excesso fazer mal, é muito grande sim,mas eu fumo e não uso nenhum outro tipo de droga em geral,mas nenhuma outra mesmo. Viva o Rock n Roll, viva a Maconha………..

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Comentário por TANIA APARECIDA DE CAMARGO
11 de janeiro de 2012 às 13h56

É MUITO DIFICIL DAR OPINÃO QUE NEM MESMO OS ESPECIALISTAS NA AREA NÃO ENTENDEM, POIS DE PRIMEIRA SABIA QUE QUEM TINHA TRAZIDO A MACONHA ÉRA OS INDIOS PRA FORMA DE MEDICAÇÃO, POIS ESSAS MERDAS DE DROGAS SÓ APARECERAM POR CAUSA DOS FILHOS DE PAPAI VÃO PARA FORA DO PAÍS CONHECEM E TRAZEM PARA A SOCIEDADE, POIS OS MAUS INFORMADOS NÃO SABEM USAR SE DROGAM E ACABAM COM ASSOCIEDADE ACHANDO QUE SÃO OS BANDIDÕES, ROUBAM ASSALTAM, SEQUESTRAM E VICIAM OS NOSSOS PEQUENOS FILHOS, (OBS: CADEIA, DROGA É PPRSA QUEM DINHEIRO QUEM NÃO TEM NÃO SE ENVOLVE POIS SÓ TRAZ DESGRAÇA PARA A FAMILIA )OBRIGADO TANIA

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Comentário por v1p3r
12 de janeiro de 2012 às 19h38

Adorei o post muito bem escrito com uma narrativa simples e eficaz de facil coopreensao muito bom mesmo, sou usuario de canabis sativa meus e meus irmaos tambem sao e nenhum deles jamais roubou traficou ou matou alguem para consegui-la tenhu 24 anos fumo a uns 4 anos +ou- meu pai tem 50 e fuma desde os 15 tem trabalho sempre foi um pai amoroso nunca chegou em casa e sai quebrando as coisas , jah o meu tio eh alcoolatra ja vi varias veses ele entrando em casa quebrando coisas espancando meus primos e minha tia, eu sou a favor dsa legalizacao da maconha e favaor da proibicao da bebida alcoolica que causa tanta disgrassa e tanatas mortes no transito, eu vi em muitos comentarios que a liberaçao da maconha traria varios custos ao governo mas eu nao vejo onde jah q ela eh uma droga q nao causa depedencia quem quer parar simplesmente para concheço varias pessoas muito + velhas q eu q fizeram o uso dessas substancia durante + de 20 anos e simplesmente pararam sem ajuda de ninguem e principalmente sem nem sequer ter uma crise de abstinencia. Agora eu pergunto o que eh pior fumar maconha fikar lezadao e rir de tudo ou encher a cara de cachaca vomitar e quebrar tudo em casa?

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