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Univerxadrez

E daí que cheguei na faculdade esse ano e encontrei os batentes das portas ornados por uma caixinha preta com um led que, dependendo da situação, era verde ou vermelho.

A única vez em que tinha me deparado com algo parecido foi quando me aventurava na Rússia soviética como agente secreta da coroa britânica. No Nintendo 64, jogando 007 Goldeneye – as caixinhas nas quais você deveria encostar as credenciais que abriam as portas eram iguaizinhas.

007

Normalmente a gente não precisa alvejar os soldados antes, mas acho que é uma das próximas medidas

Um pouco de conversa com os amiguinhos foi o suficiente para sacar que, muito embora eu não fosse mais agente secreta na Rússia soviética, aquelas caixinhas eram mesmo autenticadores de credenciais. As portas da universidade não usam mais o defasado sistema de chave na fechadura. As portas só se abrem com o professor passando o crachá.

Moderno, arrojado, primeiro mundo. Economiza tempo, porque o professor não precisa ir até a sala dos professores buscar a chave quando chega. E aumenta a segurança. Lindo.

Só tem uma coisa. Junto com as caixinhas pretas, veio uma nova política gatekeeper na faculdade – uma vez fechada pelo professor que entrou na sala, a porta não abre mais pelo lado de fora. Lá, encontra-se apenas uma maçaneta falsa, travada, pura ilusão para constranger o aluno que pegou recorde de trânsito em SP ou que só quis mesmo passar no bar antes de entrar – só pra ver se tinha alguém lá, sabe como é – ou seja lá o que for que fez o cidadão atrasar.

A política nova obriga ao aluno bater na porta e esperar que o professor abra. Toda vez em uma aula que um aluno chegar atrasado o professor será obrigado a parar a aula, desviar a atenção de toda a sala para o aluno em questão e abrir a porta pra ele. Para cada aluno atrasado. Todas as vezes que um aluno chegar atrasado, o professor terá oportunidade de olhar bem para a cara dele, pois terá sido ele mesmo quem abriu a porta. E como eu sei que tem uns professores bem loucos, tenho certeza que algum deles será capaz de negar ao aluno a abertura da porta.

Eu não consigo expressar minha indignação diante de tamanha… sei lá, catracalização. Porque quero usar palavra de redação da FUVEST. Porra, será que teve mamãezinha ligando e reclamando que o filho tava indopro bar? Estamos numa faculdade, não na oitava série. Daqui a pouco, a gente vai ter que pedir pra sair da sala se quiser ir no banheiro.

Fico imaginando sob qual pretexto um grupo de pessoas resolve tomar uma atitude dessa numa universidade. Tem lá a mesa diretora, com o reitor, o conselho educacional e sei lá. E alguém sugere inutilizar as maçanetas do lado de fora – como um grupo de pessoas concorda com isso? Que explicação eles pretendem dar aos alunos para justificar uma decisão dessas?

O mais frustrante é o contraste diante de uma situação recente – meu irmão, que passou na Unesp, veio com seu ‘Manual do Bixo’ para casa. O livro, que explica toda a dinâmica dos cursos, todas as atividades possíveis disponíveis aos alunos na faculdade, tudo mesmo, é escrito pelos próprios. Eles até falam mal da reitoria. E o livro é impresso na gráfica da Unesp. A diferença entre a minha e a dele podia ser só o ‘n’, mesmo. Pena que é mais que isso.

A única coisa que aluno imprime na minha faculdade é resumo de livro que não leu, 10 minutos antes da prova. Gráfica? A faculdade deve ter, mas alunos não usam, óbvio. O contato mais próximo que os alunos têm com organização espontânea de coisas dentro do ambiente acadêmico é a organização de festas, atividade desempenhada, aliás, com muita maestria.

Não bastavam as catracas na entrada e a obrigatoriedade de carteirinha pra uma delas, agora você precisa da permissão e da ação do professor pra entrar na aula. Aguardem o próximo capítulo, em que minha mãe terá que assinar com um visto de ‘ciente’ um bilhete escrito por um dos meus professores dizendo que eu não me comporto na aula. Pff.

23 Comentários
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Trackback por aoeblogs
2 de março de 2009 às 4h29

Se liga: Univerxadrez http://tinyurl.com/c87huo

Comentário por Alberto
2 de março de 2009 às 4h32

É. Metodista cada dia mais superando a questão aluno=$=idiota_empregado_pagante_mudo

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Comentário por Rodrigo
2 de março de 2009 às 10h57

Ana, eu ainda não tentei, mas a minha irmã disse que as nossas carteirinhas abrem a porta qdo o professor está lá dentro. Mito ou verdade?

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Comentário por Ana Freitas
2 de março de 2009 às 12h44

Será?
Se fosse assim, o professor tinha avisado, acho. Porque todo mundo entrando e saindo e ele tinha que ir lá abrir e tal.
Vou tentar. Mas e se a bagaça apitar enormemente e travar a porta definitivamente? hahahahahahaha

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Comentário por Eu
7 de março de 2009 às 2h06

kkkkkkkkkk
Aí você não esquece de postar aki!
Afinal, nós amamos sua infelicidade!
Bom fim de semana!

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Comentário por Rubens
2 de março de 2009 às 11h06

Podia ser pior.
Essas catracas poderiam ter sido colocadas na porta do banheiro.

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Comentário por raquel
2 de março de 2009 às 11h58

e quando a pessoa for fazer xixi? vai ter que interromper o professor na volta?

ps: lembrei de duke nukem!

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Comentário por Heloisa
2 de março de 2009 às 13h06

Pois é, me formei na Metodista em 2007 e até então não tinha essa palhaçada. Mas alguns dias atrás minha irmã (que também estuda lá) veio me falar sobre a “novidade” e eu achei simplesmente lamentável. Porra, é faculdade, presume-se que quem tá nela já tem mais de 18 anos, decidiu o que quer fazer da vida e se o sujeito quer ficar no bar em vez de ir pra aula, o problema é dele! Quando era época de Projeto Integrado, eu entrava e saia da sala toda hora pelo tanto de coisa que tinha que resolver e correr atrás, e me pergunto como seria hoje se estivesse “encarcerada” na sala de aula e dependendo da autorização do professor para ir e vir.

Sinceramente… é triste ver instituições tratando gente que tem idade pra beber, trepar, dirigir e ser legalmente responsável pelos seus atos como crianças. Isso só ajuda a tirar a responsabilidade dos alunos pelos seus próprios atos e escolhas.

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Comentário por Aminaw
2 de março de 2009 às 18h50

Na minha faculdade aconteceu o seguinte, uma das professoras (que só de olhar vc já vê que não é das mais sociáveis) começou a reclamar das pessoas que chegavam atrasadas! a mulher simplesmente parou a aula antes do tempo por que “não dava mais”. isso foi na única aula que tivemos esse ano com ela, quarta feira tem mais…

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Comentário por Renato Luiz
2 de março de 2009 às 19h23

Não estudo na metodista mas acho que todas as pessoas que cursam universidades sabem o que querem. Sou contra os professores não te darem presença se vc chegou atrasado ou chegou só pra pega-la mesmo (sim, no mackenzie nós temos de responder chamada não sei as outras como é) é ridiculo. Cada um sabe o que faz da sua própria vida. Se você não gosta dos seus alunos simplesmente faça uma prova pra ninguém passar! Não nos aobrigue a assistir as suas aulas chatas que não agregam nada a ninguém.

A maioria dos professores agem assim: se você assiste aula e entrega exercícios pra ele você ganha nota!!!! UAU!!! Quem assiste aula não precisa saber a mesma coisa que os que não assistem!!! Po.. dá o exercícios quem quiser fazer faz! E todos tem que tirar nota nas provas independente so que fez ou não. Só assim teremos profissionais que pelo menos sabem o que estão fazendo!

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Comentário por Yuri
2 de março de 2009 às 21h05

Realmente, me lembrou também Duke Nukem.

Acho que ninguém vai reclamar se você entrar lá, tomar uma dose de “steroids” e dar um tiro de bazuca gritando “MORRAM MALDITOS ALIENÍGENAS!!!”.

Não custa tentar. Ou custa. Mas vale a pena. xD

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Comentário por Rubens
2 de março de 2009 às 23h06

Se eu fosse você, não ficava botando pilha. Vai que ela faz isso? XO

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Comentário por Pedro Proniewicz
2 de março de 2009 às 23h27

sashsuasahuashas
adorei o texto …. mas fiquei abismado com algums coisas …. tipo aqui no Paraná, dai, naum tem esse sistema de catraca nas portas, mas tem nos portões de entrada dos colégios ;)
e tem mais algumas coisas, tipo aqui a GENTE TEM SIM que pedir autorização pra ir ao banheiro na sala de aula, não podemos sair pra frequentar o patio a não ser no recreio, muito menos pra sair da escola. Pff

e os bilhetinhos que vc disse acontece aqui tbm, ;) (eolhaqueeutono2ºcolégial)

Bjooos
e continuo adorando o blog

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Comentário por Carlos Marin
3 de março de 2009 às 3h01

Peraí: você tá falando em escola ou faculdade? Aqui em São Paulo (pelo menos nas escolas que estudei) você tem que pedir autorização pra ir ao banheiro sim e não pode ficar vadiando por causa dos inspetores. Mas sempre ouvi a história de que, na faculdade, você pode sair a hora que quiser, sem dar satisfação e nem precisa voltar também. Ao menos no meu caso eu vi que é verdade…

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Pingback por POST DE HOJE
3 de março de 2009 às 0h02

[...] http://oesquema.com.br/olhometro/2009/03/02/univerxa drez/ [...]

Comentário por Luciano
3 de março de 2009 às 1h26

ISSO NA METÔ????

Não vi em ação, se for verdade FUDEU FUDEU FUDEU….

Que coisa ridícula……………………

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Comentário por Fox
3 de março de 2009 às 18h08

O problema de muita coisa nesse país deve-se à falta de disciplina. Eu acho que pedir licença pra ir ao banheiro não vai gerar nenhum desconforto pra ninguém, e só demonstrará respeito pelos professores.

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Comentário por Marcio Hasegava
3 de março de 2009 às 19h00

http://novo-mundo.org/log/geral/post-de-hoje.html

O post da Ana foi comentado em outro blog cujo link coloquei acima.

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Comentário por Marcos
6 de março de 2009 às 2h48

Hmmmm. Você tem sérios problemas com figuras de autoridade, disciplina, regras.

Agora entendi tua posição no post do nacionalismo…

Você é bem menos tolerante do que tenta deixar transparecer.

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Comentário por Ana Freitas
6 de março de 2009 às 2h51

E você foi capaz de ver além do que deixo transparecer, Marcos? Através do meu blog?
É, isso é raro. Você é mais sensível do que deixa transparecer.

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Comentário por Bruno Rodrigues
9 de março de 2009 às 2h58

Sério mesmo…de onde vem tano leitor idiota?

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Comentário por Bruno Rodrigues
9 de março de 2009 às 3h01

*tanto.

Fail.Fui criticar os idiotas e acabei soando analfabeto.Faz parte.

Comentário por Anderson Sanches
26 de junho de 2009 às 18h48

Por que você não procura uma universidade melhor?

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