OEsquema

A Hora do Planeta e a esmola energética

Esse é um exercício conduzido de auto-crítica. Se você não gosta da idéia de achar coisas ruins em você mesmo, feche o navegador.

Ok, comecemos.

Você dá esmola? Por que? Você se sente bem dando esmola?

E eu tô pedindo pra você analisar isso lá no fundo do sentimento que te acomete quando você, tomado pela generosidade e magnanimidade, enfia a mão no bolso, tira 50 centavos e entrega praquele moleque malabarista no farol.

Ou mesmo quando você, que não dá esmola nem ferrando, se dispõe muito prontamente a pagar um lanche pro menino que te pediu dinheiro pra comer na rua. O quão satisfeito você se sente consigo mesmo por tão nobre ato?

Se você analisar, verá que sente um prazer. Um leve prazer. Há uma satisfação consigo mesmo. Um orgulho de ser tão bom, tão generoso. Esse orgulho, no caso de algumas pessoas, as isenta de algumas outras responsabilidades para com o mundo. Explico: quando vem um menino pedir dinheir no vidro e você diz “Ah, já dei dinheiro hoje” – sério, tem gente que usa esse argumento – o que você quer dizer com isso? Porque não faz nenhum sentido. Você deu dinheiro, mas não praquele menino. Aquele menino vai continuar sem dinheiro, não importa o quanto você já tenha dado em moedas no mesmo dia. Logo, você doa pra se sentir bem, pra satisfazer sua necessidade básica diária de filantropia e se sentir um cidadão bom, homem de bem, e depois ainda falar pros amigos nas rodas, todo feliz: “eu não dôo dinheiro, de jeito nenhum. Se me pedir um lanche, pago com maior prazer. Outro dia, um menino me pediu um lanche, daí eu fui lá…”

Eu dou esmola, e sempre me sinto ligeiramente angustiada com isso, e analiso que é por uma série de motivos. O primeiro é que não vou resolver o problema do pedinte em questão e nem o problema em si; o segundo é que normalmente eu dou moedas, sendo que sei que é bem pouco, mas não tenho coragem de dar mais, porque sou mesquinha; o terceiro é que me sinto mal por ser mesquinha, mesmo tendo tão mais que aquele cara e gastando tanto com coisas supérfluas; o quarto é que junto com tudo isso já percebo minha satisfação comigo mesma por ter dado esmola vindo à tona, daí sinto raiva de mim mesma por ser tão escrota. Ok.

Eu falei tudo isso pra dizer como é que vou me sentir se resolver apagar as luzes por uma hora no próximo sábado, das 20h30 às 21h30. Organizado pela WWF, o ato sugere que todas as pessoas apaguem as luzes de suas salas por uma hora.

Naturalmente, com a repercussão que o movimento está ganhando, a WWF depois demonstrará que na Hora do Planeta a energia economizada daria pra abastecer sei lá quantas Nova Yorks, e espera que isso conscientize as pessoas sobre o quanto pequenos gestos podem fazer a diferença. É louvável, teoricamente.

Pena que na prática é mais ou menos uma esmola energética. Não vai resolver o problema, não comove as pessoas porque elas já são bombardeadas minuto-a-minuto com informações sobre o quanto o planeta está fudido e continuam não ligando pra isso, é muito pouco diante do que a gente realmente precisa contribuir e todo mundo tem condições de contribuir muito mais, e no fundo, todo mundo vai se sentir muuuuuuuito bem de ter ajudado a salvar o planeta, ganhando uma dose extra de antídoto contra culpa, que dá a ela mais auto-créditos pra jogar lixo no chão pelo resto da semana e deixando TV ligada e luz acesa à toa.

É, eu sei que nesse momento eu deveria sugerir a outra opção. Mas eu não sei o que sugerir. Sei que do ponto de vista de conceito, a WWF teve uma idéia formidável. Mas as pessoas são mesquinhas, e mesmo que muita gente entre na onda da Hora do Planeta, a maioria esmagadora dela vai fazer isso pra aplacar um pouco da culpa por nunca ter feito nada e depois vai voltar pra vida normal.

É por isso que eu peço a todo mundo que está considerando seriamente aderir à “causa”: se odeie se, quando você apagar a luz, começar a se sentir bem. Quando a descarga de serotonina começar a invadir seu cérebro e a satisfação tomar conta, lute contra ela. Você não está fazendo nada, NADA, diante do que realmente poderia fazer, pra impedir que o planeta cuspa nossa espécie daqui. Sinta isso no fundo do seu coração, e veja como você é mesquinho, hipócrita e egoísta, e como faz as coisas só para se sentir bem, porque essa frieza deve te ajudar a entender. Feliz ou infelizmente, a Hora do Planeta só será eficaz se as pessoas perceberem que ela é um ato insignificante diante do que a gente pode e realmente precisa fazer.

58 Comentários
por: Ana Freitas postado em: Brasil, Crônicas tags: , , , , , , , , , ,

58 Comentários

Comentário por Diogo
27 de março de 2009 às 4h18

Eu já comentei isso numa lista de emails… a Hora do Planeta não resolve, e nem se presta a isso. A questão não é uma esmola energética, e sim um ato simbólico. A idéia não é salvar o planeta com uma hora de energia a menos, e sim mostrar que se as pessoas fizerem um esforço, é possível fazer algo. Ou ainda, que é possível fazer um esforço, já que a maior parte das pessoas tem preguiça de fazer qualquer coisa, adiantando ou não.

Descobri o seu blog ontem, e não consegui parar de ler… parabéns, e bom TCC!

Responder

Comentário por Ana Freitas
27 de março de 2009 às 13h33

É, pois é. Bem por aí. Pena que acaba servindo de muleta pra alguns, como eu disse =/

Responder

Comentário por Dan[SM]
27 de março de 2009 às 5h05

Eu acho isso tudo uma grande besteira, nos não vamos mudar de atitude do nada, todo dia mostra na tv e até na nossa frente que as coisas estão mudando. A maioria das pessoas vã desligar suas luzes e no dia seguinte vão usar seu carros e jogaram lixo na rua do mesmos jeito.
Eu não digo que é errado participar desse ato, mas se eu entrar nessa só vou ser mais um hipócrita. Mas talvez eu me sinta feliz por ter feito minha parte por pelo menos por uma hora.

Responder

Trackback por Doni
27 de março de 2009 às 8h10

Rt. @ana_freitas: @doni, publiquei o texto sobre a Hora do Planeta, aquele. http://tinyurl.com/cxmmrr

Comentário por Rubens
27 de março de 2009 às 11h17

Legal essa atitude. Ferramos o planeta por séculos e vamos salva-lo em uma hora de luzes apagadas.
E eu não dou esmolas mesmo. Faço doação e pego recibo pra ganhar restituição no IR.

Responder

Comentário por Fábio
27 de março de 2009 às 11h35

Eu penso da mesma forma, Ana.
Certamente não vou entrar nessa onda… Na verdade não acredito que os problemas do mundo tenham solução.
Também não dou esmolas porque acho um ato tremendamente egoísta; nem pra caixinha de Natal eu doo dinheiro!
A idéia da restituição do IR de Rubens é mais interessante.

Responder

Comentário por Fernando Garcia
27 de março de 2009 às 11h46

Essa historia toda eh muito complicada… provavelmente muita gente vai acabar se sensibilizando sim, mas logo esquece e volta a vida normal. Eu mesmo quero muito ajudar o planeta e tudo mais, tento fazer de tudo pra economizar agua, energia, etc… mas vira e mexe eskeco a luz acesa, a porta da geladeira aberta, nao fecho a torneira direito… nao pq eu queira, mas pq eskeco mesmo.
Se com coisas pequenas eu ja sou meio desleixado, imagina com coisas maiores pra ajudar? =

Responder

Trackback por . débora gregório
27 de março de 2009 às 12h00

RT. @ana_freitas: @doni, publiquei o texto sobre a Hora do Planeta, aquele. http://tinyurl.com/cxmmrr

Comentário por Blog Mallmal
27 de março de 2009 às 12h33

Esmola é hipocrisia e, para piorar, é nociva. Só fomenta a indústria da esmola…

Quanto ao protesto, eu quero que os ecochatos se lasquem. Vou acender todas as luzes da casa nesse horário.

O planeta tem sobrevivido há milhões de anos. Acho mais fácil nós sermos erradicados do que conseguirmos ferrar com ele.

Talvez já esteja na hora.

Responder

Comentário por Mauro
27 de março de 2009 às 18h36

Nossa, eu entendo tanto essa opinição, mas ao mesmo tempo discordo tanto dela!

Mas você é a segunda pessoa que eu vejo que pensa assim!
Na primeira vez achei muito estranho ter encontrado alguém “a favor” do aquecimento global (no sentido de “já está na hora”)

Responder

Comentário por Blog Mallmal
27 de março de 2009 às 19h24

O que me irrita é que essas ONGs servem apenas para lavar dinheiro e enriquecer seus líderes.

Animais sempre foram extintos… Que se exploda o mico-leão e a ararinha-azul. Aliás, alguém já viu um?

Quero que os filhotes de foca virem casaco mesmo, pelo menos serão úteis pra alguma coisa. Aliás, alguém já viu um?

Carros elétricos são lindos, mas a energia deles é produzida onde? Em termelétricas que queimam? Carvão mineral! Ou de hidrelétricas que inundam enormes trechos de solo, liberando o carbono das plantas na atmosfera, em forma de CO2.

Isso é tudo hipocrisia. Esses ecopanacas deviam se preocupar com a sua própria espécie…

Responder

Comentário por Mauro
28 de março de 2009 às 9h49

é… Os ecologistas são muito hipócritas, na maioria (pelo menos os que aparecem falando em qualquer lugar), mas pra mim isso não quer dizer que nós temos que transformar focas em casaco de pele!
Por mais que eu nunca tenha visto uma, elas são uma das espécies do mundo! Na minha opinião não é só porque o ser humano está dominando que ele pode simplesmente sair por aí matando todos os outros, por mais que eles não “sirvam pra grande coisa”!

Comentário por Blog Mallmal
30 de março de 2009 às 18h03

Ué! Qual é a diferença conceitual de fazer um casaco com couro de foca e couro de vaca?

Comentário por Mauro
30 de março de 2009 às 18h23

ó quei, eu poderia até dizer “quem disse que eu como carne?”, mas… de fato, como carne, e muita!
Assim… Eu diria que o ser humano é a espécie dominante, e que a espécie dominante é carnívora, logo nós comemos carne… COMEMOS. Vestir carne, na minha opinião é uma futilidade sem igual e impensável! Se as focas acabassem porque nós comemos muitas, tudo bem, é para nós sobrevivermos. Se as focas morrem porque nós as vestimos, não é tudo bem, porque não era necessário!

Comentário por Blog Mallmal
31 de março de 2009 às 12h49

” Vestir carne, na minha opinião é uma futilidade sem igual e impensável!”

Mauro, você não está sendo muito coerente. Você quer que milhões de vacas sejam mortas diariamente para você encher a barriga de churrasco e ao mesmo tempo quer que joguem o couro delas fora pq vc acha erradinho usar roupas feitas com ele?

Outra coisa, se as focas desaparecerem, isso não vai fazer NENHUMA diferença na sua vida. Todos os dias milhares de espécies são extintas. Fica essa frescura com a foquinha, a baleinha, o miquinho leão pq eles são bichinhos guti-guti. Mas, apesar de cuti-cuti, são completamente inúteis. Muito mais importantes são os insetos e bactérias extintos diariamente.

Só acrescentando um dado à discussão, a abelha está correndo muito mais risco de extinção que essas porcarias de bichos. E sem abelhas não tem agricultura…
Só que NINGUÉM faz uma ONG para salvar abelhas…

Comentário por christian
27 de março de 2009 às 12h35

Mas olha só, esse movimento todo não tem como ojetivo a economia de energia, mas sim unir as pessoas em torno de uma reflexão em comum. E todas ao mesmo tempo. Então, talvez quem sabe, quando isso estiver acontecendo e as pessoas não suportarem ficar em casa no escuro durante uma hora, irão sair e encontrar nas ruas outras pessoas que também não suportaram. E estará tudo mais escuro e silencioso do que o de costume e as pessoas não terão outra alternativa senão voltarem a fazer o que os humanos faziam nos primórdios da década de 20 e conversarão umas com as outras, por exemplo, sobre o aquecimento global.

Essa pode ser uma visão muito romântica da situação, mas espero sim que muitas pessoas adiram ao apagão voluntário. Você já tentou conduzir várias pessoas para fazerem alguma coisa em que VOCE acredita? Se sim, sabe como isso é complicado e como as pessoas são individualistas e mesquinhas (em geral).

Então, se esse movimento conseguir fazer com que as pessoas parem um tempinho ao menos de se preocupar com suas pequenas coisas do dia a dia e comecem a cair na real de como é grave o problema da natureza, todo esse esforço já terá valido a pena.

Responder

Comentário por Ana Freitas
27 de março de 2009 às 13h37

Pode até ser, Christian. Tua idéia, em si, é bonita, muito desejável. Parece até campanha do governo contra apagão energético.

Mas você realmente acha que isso vai acontecer? As pessoas estão cada vez mais fechadas dentro dos condomínios, das casas. Não é porque não tem nada pra fazer dentro de casa (em tese) que elas vão sair. Infelizmente.

Talvez no interior… mas nas metrópoles, não vai gerar esse tipo de comoção.

E não acho que gere reflexão, entende? Quer dizer, não pra massa. Gera pra gente, o que é ótimo, mas pra maioria é algo como ‘olha, que legal, to contribuindo. Amanhã preciso ir no banco pagar a conta de luz, inclusive. Falando nisso, aquele gerente do banco que sempre dá em cima de mim é um gato’ e por aí vai.

Enfim.

Responder

Comentário por Fã nº 1
27 de março de 2009 às 13h16

você é notável….não dou esmolas, pago o lanchinho, não peço restituição do imposto de renda, vou apagar as luzes na Hora do Planeta (se já não estiverem apagadas – na chácara a luz acaba com uma facilidade enorme) sobre cuspir a humanidade, ou acabar o planeta, ainda acredito que os que ficarão serão os mais adaptáveis… as baratas, os ratos… e os seres humanos mais adaptáveis serão os últimos a serem cuspidos…. se forem….

Responder

Comentário por Daniel R
27 de março de 2009 às 14h41

Eu já disse hoje que eu sou teu fã? =P

Então, eu tenho esse mesmo pensamento. Se for pra fazer valer mesmo, não apague a luz por 60 minutos, pare logo de usar energia elétrica e vá plantar sua própria comida. Ou se faz uma reforma global real (algo impossível nos dias de hoje) ou seguimos nos arrastando com os pseudópodes de nossas barrigas cheias de Coca-cola. -_-

Responder

Comentário por Guilherme Goulart
27 de março de 2009 às 16h55

Cara, realmente acho que tem muito fundamento seu texto, mas também acho que o ato em si é mais importante do que quantas Nova Yorques poderia energizar. O negócio da parada é propor a fazer sua parte. Porque, você tem toda razão, o ato não vai mudar nada, mas nenhuma mudança nunca será possível sem que cada um participe e faça uma parte.

Grande abraço

Responder

Comentário por Diniz
27 de março de 2009 às 18h08

Por isso que não dou esmolas…

Responder

Comentário por Mauro
27 de março de 2009 às 18h41

Eu dou esmolas, mas não é nem porque eu me sinto bem por dar, é porque eu me sinto mal por não dar.
Claro, é muito egoísmo! Eu só dou esmola pra não me sentir mal, mas convenhamos que é melhor se sentir bem fazendo um bem a outra pessoa (ou pelo menos tentando fazer um bem a outra pessoa) do que se sentir bem por, não sei, ter comido uma barra de chocolate que você roubou do seu amiguinho!

Responder

Comentário por Blog Mallmal
27 de março de 2009 às 19h29

Faça terapia e páre de se sentir mal. Ou pense que dando esmolas, você está comprando crack pros pais da criança.

Responder

Comentário por Ana Freitas
27 de março de 2009 às 19h38

Prefiro continuar me sentindo mal, assim tenho de que reclamar aqui no blog. E eu não me importo que os pais da criança comprem crack. Se eu quiser comprar crack, posso comprar. Tenho dinheiro pra isso. Porque eles não poderiam? Eu não gostaria que eles comprassem. Mas não compete a mim decidir o que eles vão fazer com um dinheiro que eu decido doar de livre e espontânea vontade.

Responder

Comentário por Mauro
28 de março de 2009 às 9h56

Eu prefiro ser otimista, e pensar que talvez alguém vá usar a esmola de algum jeito mais nobre do que comprando crack (pra mim o mundo é rosa e borboletas azuis estão por toda parte, unicórnios existem e têm arco-íris por toda a parte o tempo todo).
Porque, temos que pensar que talvez esse tal pai da criança até pode ser um drogado, mas até o drogado mais drogado ainda precisa se alimentar, se ele não usar o dinheiro para isso, ele que está sendo burro, e eu não posso fazer nada. Mas com certeza algum do dinheiro que ele ganha serve pra alimentação. Por que não acreditar que o dinheiro que eu dei servirá pra isso? (Não que tenha muita diferença entre o dinheiro que eu dei e o dinheiro que alguém ganhou trabalhando, e no fim das contas, se ele comer e comprar crack, por mais que ele tenha usado o dinheiro do trabalho pro crack e o dinheiro que eu dei pra comida, seria como se o dinheiro que eu dei tivesse ido pro crack, porque se eu não tivesse dado, ele provavelmente teria optado por comprar comida com o dinheiro do trabalho, mas mesmo assim, é sempre bom pensar que o dinheiro com o qual eu poderia ter comprado uma bala que eu nem quero tanto assim, na realidade contribuiu para comprar um sanduíche para alguém que realmente precisava.)

Comentário por Dedé
27 de março de 2009 às 20h38

Vou apagar as luzes, acender velas e meditar …. e aproveitar pra pedir pra minha vizinha desistir de lavar a calçada todas as manhãs com a mangueira generosamente aberta durante quase uma hora. Quanto a dar esmolas, copio minha mãe, que paga lanchinho pra muita gente que encontra pela rua. Não podemos mudar o mundo, mas se todo mundo fechasse a torneira, apagasse as luzes, fizesse a coleta seletiva e cuidasse melhor do seu entorno, talvez um planeta Terra fosse suficiente para a humanidade. Do jeito que as coisas seguem, três planetas não serão suficientes. E como você disse (adorei!), seremos cuspidos daqui em breve. Esse é um assunto que me exaspera profundamente! Espero que sobre planeta pra minha descendência.

Responder

Comentário por Oscar's
27 de março de 2009 às 23h04

é, o mundo tá fud***

o certo é comprar um lanche pro pivete, pq alguns nem compram comida, gastam com alguma outra coisa, na maioria das vezes drogas. aqui em belém tem um cheira-cola em toda esquina, fazendo malabarismo no final, fazendo cara de tadinho pra pedir esmola, e quando dão , nem dizem obrigado.

é, o mundo tá fud***

Responder

Comentário por Eric Franco
28 de março de 2009 às 1h48

E escolher Luciano Huck e Lulu Santos como garoto propaganda não ajudou em NADA.

Responder

Trackback por Weinne Santos
28 de março de 2009 às 3h58

Feeds do dia: A Hora do Planeta e a esmola energética http://tinyurl.com/cxmmrr

Trackback por Cleber
28 de março de 2009 às 4h22

A Hora do Planeta e a esmola energética: http://migre.me/fE4 via @weinnewillan

Comentário por Joaquim Basso
28 de março de 2009 às 4h31

Mais um excelente post!

Não dou esmolas. E não dou com mta convicção de que estou certo. Namorei uma jornalista que fez um documentário sobre moradores de rua. Tive a oportunidade de conhecer bem mais de perto a vida desse povo (ajudei no documentário, inclusive filmando). E é incrível como a maioria está lá porque acha que a vida é fácil, porque não lhes falta nada, porque todo mundo dá esmola. Se ninguém desse esmola, não existiriam moradores de ruas, vivendo em condições subumanas, fazendo de tudo pra usar drogas (quase nenhum não é viciado). Por isso qd eu quero fazer um bem a essas pessoas, não dou esmola. Simples.
Já a respeito do apagão, é um ato simbólico. Tenho um receio extremado para qualquer tipo de ato simbólico. Geralmente, eles só simbolizam algo e nada resolvem, não atingem o centro do que querem atingir. São paliativos. No entanto, ao mesmo tempo imagino o mundo sem atos simbólicos. Seria terrível. Não sei se haveria ânimo pra realizar os atos não simbólicos, que realmente resolvem. Por isso, na medida do possível, não me precipito a considerar todos atos simbólicos como inúteis. O problema ocorre, como vc mesma colocou, quando o ato simboliza exatamente o contrário do que era pra simbolizar. Mas aí é a cabeça de cada um que vai dizer.
Se eu estiver em casa no horário do apagão, apagarei as luzes. Felizmente, tenho consciência do que meu ato deverá significar. A maioria, não.

Responder

Comentário por Mauro
28 de março de 2009 às 10h01

Nossa, eu nunca tinha pensado no efeito em cadeia que tem a esmola, de fazer as pessoas continuarem morando em rua. Eu acho que eu entendi mais ou menos o porquê disso, mas não muito bem.

Responder

Comentário por Joaquim Basso
28 de março de 2009 às 16h55

Então eu explico melhor.
Imagine se ninguém desse esmola alguma (e às vezes dar uma blusa ou qq roupa, por exemplo, também se enquadra nisso, porque eles usam pra trocar por droga). Viver na rua seria impossível. Os moradores de rua não teriam dinheiro pra comprar drogas, comer, dormir nem nada… Resultado: ou eles morreriam de fome ou iam ter de arranjar algo digno pra fazer da vida.
É triste ver como muitos moradores de rua preferem morar nas ruas, mesmo quando há assistência social de sobra, dando abrigos, comida, trabalho… Eles acham mais fácil. Gostam da vida sem responsabilidades. Lógico q eu tou falando da maioria. Há exceções, os que estão lá pq são obrigados (apesar de que no fundo, acho q sempre eles têm escolha).
Enfim, se ninguém desse esmolas, seria como uma crise para o “sistema dos moradores de rua”. Eles seriam obrigados a criar alternativas. O problema é que tb sempre tem o lado do crime.. eles podem passar a roubar, traficar. Mas isso existe mesmo com as esmolas. Quem parte para o lado do crime, o faz de qq jeito… com ou sem esmolas…
Bom, acho q não expliquei muito bem… a teoria está um pouco falha, já que é um tanto quanto complexa. Acho q escreverei mais num post do meu blog…

Responder

Comentário por Mauro
28 de março de 2009 às 19h02

Nossa, parabéns! Entre tudo o que falaram por aqui, esse foi o argumento que me convenceu a não dar mais esmolas pros pobres sem peso na conciência!
Vou começar a considerar seriamente parar!

Comentário por Ligia
29 de março de 2009 às 6h00

Agora to me sentindo um verme, pq outro dia o cara me pediu 1 pão no pto de ônibus, vê bem, nem o dinheiro era.. era o pão mesmo (q eu não tinha. Eu só tinha a grana pra voltar pra casa de moto táxi a noite, mas se eu tivesse comprado um saco de pão pro cara com a grana, meu pai me emprestaria pra eu voltar. Mas o q era pior? o cara passar fome o dia todo, ou a princesa ter q pedir grana pro pai ou pro patrão pra voltar pra casa?- Fiquei num dilema, mas disse q num tinha nada. E a imagem do mendingo não sai da minha cabeça. Não apaguei as luzes pq não estava em casa. A tv ta ligada e ninguém ta assistindo.Mas se eu desligar meu pai acorda e briga comigo… Egoísta, egoísta, egoísta!

Comentário por Leka Marcondes
28 de março de 2009 às 18h52

Minha nossa, vamos com calma! Tá ok que existe muita gente com atitude discrepante, defendendo o uso de bicicletas ao invés de carros, mas tacando copo de plástico no chão. Mas se o conceito não fosse internalizado na sociedade através de campanhas como esta e atitudes simbólicas, o material do isopor não teria sido substituído por um que não agrida a camada de ozônio, a punição para seringueiros na amazônia nem existiria, e as fábricas não seriam obrigadas a investir em pesquisa para métodos menos agressivos ao meio ambiente.
Tá, apagar as luzes durante uma hora não vai mudar muito. Mas grandes transformações nunca foram do dia para a noite, fazem parte de um processo lento e histórico que acaba surtindo resultados, assim como o preconceito contra negros, mulheres e homossexuais vem diminuindo a cada dia por exemplo.

Mais egoísta do que dar esmola para se sentir menos culpado é não abrir mão do próprio dinheiro ou conforto de forma alguma, alegando que nada adiantaria, com a desculpa perfeita para tirar a responsabilidade das próprias costas.

Responder

Comentário por Adriano Santos
30 de março de 2009 às 15h17

Concordo plenamente e discordo plenamente.

Também me sinto meio satisfeito e meio frustrado quando alguém me pede esmola, talvez pelos memsos motivos do post. Porém acho uma excelente iniciativa a Hora do Planeta e aconselho enfaticamente as pessoas ficarem satisfeitas e terem orgasmos múltiplos de prazer moral quando aderirem a causa.

Motivos:

* como já foi dito acima, as mudanças nunca ocorrem do dia pra noite.

* se você já topou iniciar uma revolução, nem que seja com soldados de chumbo já é um grande avanço pois existem até aqueles que nem vão se dar ao trabalho de apagar por acharem que não vai resolver.

* acho que a melhor forma de se implantar uma mudança é conseguir o maior número de aliados e se a proposta fosse a Semana do Planeta, uma vez por mês, dificilmente funcionaria. Mas as pessoas observando que conseguem uma hora, vão se perguntar: – Será possível 2? E pronto, tudo acaba acontecendo.

Penso em nunca perder a fé nas pessoas. Todas as mudanças que envolve um número grande pessoas e atitudes leva tempo mesmo e precisamos mudar nosso planeta nem que for uma hora de cada vez.

Sucesso!

Responder

Comentário por Diogo
30 de março de 2009 às 16h32

E então, Ana? Tu apagaste ou não as luzes?

Eu apaguei…

Responder

Comentário por Renato M
31 de março de 2009 às 3h06

O maior inimigo da mudança é a falta de confiança na mudança. Dessa vez, discordo do texto. Infelizmente, a consciência ambiental é algo muito recente. A cada geração, surgem pessoas mais preocupadas e mais educadas pra isso. Qualquer mobilização é bem-vinda.

Penso que este argumento “isso não vai adiantar, isso não vai mudar” é fácil demais.

Responder

Comentário por Raissa
31 de março de 2009 às 12h43

Concordo com você e com algumas das opiniões acima…
Só que, da mesma forma que a sua esmola dada mesquinhamente para satisfazer seu ego ajudou e/ ou ajuda um morador de rua, esse apagão também contribuiu e vai contribuir para a situação do mundo.
Pode ser que de 100 pessoas, 25 de a real importância, e pode ser que apenas UMA realmente se conscientize e comece a agir em prol dessa causa… mas essa uma pessoa já é um resultado.
Na minha opinião, o mundo se desenvolve em marcha lenta. Por mais que observemos mudanças, desenvolvimentos e avanços todos os dias, a consciência mundial ainda continua lenta. E porque?
Pense em você como exemplo… pra formar uma opinião, você leva um tempo até coletar as informações necessárias, organizá-las com as informações passadas e formar uma nova “consciência” a respeito do assunto.
Agora pense em um grupo, é ainda mais complicado organizar as idéias e formar uma opinião consensual… e assim por diante. Quanto maior o grupo, maior a dificuldade de entendimento… salve as exceções.
Mas no geral, pessoas mal esclarecidas, ignorantes, deixam o caminho mais difícil.
E é isso, o mundo é um enorme grupo de pessoas que além de terem que conviver com suas próprias diferenças, enfrentam também a diferença de línguas, etnias, culturas, classes sociais, posições geográficas… tudo contribui para que o ser humano entre em conflito com ele mesmo.
Por isso que a consciência mundial é lerda, porque é um número muito grande de pessoas que tendem a se deferir cada vez mais.
Essa Hora do Planeta é algo universal (ou quase?). Todas as pessoas estão se unindo para uma só coisa.
No Brasil, pouquíssimas pessoas aderiram a campanha… mas temos que começar de algum lugar.
Imagina daqui a 10, 15 anos? Quando essa campanha já for mundialmente conhecida e REconhecida? Quando você tiver sua família (ou não) e apagar as luzes e ensiná-los que isso é o certo?
Pode nos chamar de hipócritas, mesquinhos, egoístas… mas isso é o ser humano, isso faz parte dele não importa a situação.

Responder

Comentário por Lannes
1 de abril de 2009 às 21h08

Era sabado passado? Mas assim, era soh da sala? E dos quartos e da cozinha, continuavam acesos?

Responder

Comentário por Eduardo Wagner
2 de abril de 2009 às 16h42

Concordo plenamente com a teoria da esmola. Para mim não há diferença como o dia da terra ou dia do meio ambiente. Tudo é orquestrado pelos donos do poder para darem uma válvula de escape para seu rebanho.
Afinal dando um mote para as pessoas participarem e protestarem para depois sentirem satisfeitas e esquecer do meio ambiente nos outros 365 dias é um bom modo de desviar a atenção dos verdadeiros problemas.

Responder

Comentário por Eduardo Wagner
2 de abril de 2009 às 16h43

Uai sô, acho que esqueci um bocado de vírgulas no comentário acima.

Responder

Comentário por Ju
3 de abril de 2009 às 17h31

Mais uma vez, vou escrever o q sempre escrevo. O objetivo da Hora do Planeta ja foi alcancado. Sim, e muito bem alcancado. Esse ATO SIMBOLICO (pq ninguem e besta de achar que uma hora com luz apagada resolve alguma coisa) esta conseguindo mobilizar todo mundo em discussoes sobre sua utilidade e sobre a reflexao dos nossos padroes absurdos de consumo. Por isso, acho sim que o evento valeu a pena.

P.S.: Quer uma sugestao para economizar energia? Mude a cor da pagina de seu blog de branca para preta. http://www.administradores.com.br/noticias/computadores_cor_preta_nas_telas_gasta_menos_energia_e_ajuda_na_economia/10549/

Responder

Comentário por Mauro
14 de abril de 2009 às 2h38

Olá! Eu estou querendo, novamente, usar uns trechos de um post seu para colocar no meu blog ( http://sohdaheu.skyrock.com ), nesse caso eu gostaria até de colocar uns comentários seus. Eu gostaria de aproveitar e saber se é melhor eu perguntar sempre se eu posso, ou a partir dessa vez eu começo a usar os trechos que eu quiser, só tomando os cuidados que você já me disse da última vez? (colocar seu nome e um link pro blog, de preferência antes do texto).
Eu vou conversar com o Joaquim Basso e com o Blog Mallmal para ver se posso usar os comentários deles também.
Para responder, é só deixar comentário no meu blog, ou me mandar um e-mail ( mauromanda@hotmail.com ).
Obrigado.
ps: provavelmente não vou colocar o texto todo, se você quiser saber antes qual(is) será(ão) o(s) trecho(s) que eu vou colocar, pode perguntar, acho que vou decidir ainda essa noite. =D

Responder

Comentário por Ana Freitas
14 de abril de 2009 às 9h22

Mauro, pode usar sempre que quiser, seguindo as orientações que eu já te passei da outra vez =)
Quanto ao trecho, sem problema – fique à vontade. Eu tenho como ver aqui quais são e de onde vêm os links pro meu blog.

Beijo,

Responder

Comentário por Mauro
16 de abril de 2009 às 2h48

Ah tá… Muito obrigado! =D

Responder

Comentário por Aline Oliveira
18 de junho de 2009 às 14h33

Minha festa de aniversáiro aconteceu bem na Hora do Planeta.
Bom, eu tento (t-e-n-t-o) fazer tudo direitinho, apesar de que sempre me deparo com a frustração de perceber que ainda faço coisas erradas – quase enfartei quando percebi a quantidade de óleo que meu marido usa na fritura e vai para o ralo e também o quanto a espuma do meu detergente é poluente!
Ser ambientalmente responsável é uma tarefa dura, requer mudança cultural e um certo esforço para fazer com que a nova postura se naturalize e ainda enfrentar a gozação de todo mundo que te chama de eco-chata. Mas, enfim, eu faço o que vou aprendendo que posso – e sempre procuro um jeito novo de fazer as coisas da maneira correta.
E acho que se todo mundo deixar de ser preguiçoso e parar de pensar que “não adianta nada”, talvez as coisas comecem a melhorar – ou pelo menos parem de piorar, o que já estaria de bom tamanho.

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Pingback por “Estou só fazendo a minha parte”: o problema dos atos simbólicos « O nome é Basso. Joaquim Basso.
26 de junho de 2009 às 21h59

[...] boicotes a certo produto/marca/obrigação; esmola para mendigos (leia esse post e procure por meu comentário); apagar todas as luzes pela consicência ambiental do mundo; não [...]

Comentário por Elizângela Mendes
9 de março de 2010 às 13h14

Tudo tem os dois lados. O positivo e o negativo. Assim, a resposta será a que nós dermos para cada situação. A Hora do Planeta no meu ponto de vista, é um ato, uma ação simbólica no sentido de sensibizar ” pelo menos tentar” as pessoas para um planeta sustentável. É difícil por que de fato nós na maioria das vezes somos mesquinhos… Mas pra quem acha isso uma esmola, besteira, sei lá…É provável que tenham idéias magnificas e estejam colocando-as em prática. Por que quem crítica , com certeza é por que faz melhor.! VAMOS TER ATITUDES ECOLOGICAMENTE CORRETAS , VAMOS ADOTAR UM APOSTURA DIFERENTE… SALVEMOS O PLANETA.
BJUSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS

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Trackback por Alerta Global
24 de março de 2010 às 20h47

A Hora do Planeta e a esmola energética: É preciso muito mais!!! Faça mais!!! http://bit.ly/9KvZuV #HoraDoPlaneta #AlertaMundo

Trackback por Alerta Mundo
24 de março de 2010 às 20h47

A Hora do Planeta e a esmola energética: É preciso muito mais!!! Faça mais!!! http://bit.ly/9KvZuV #HoraDoPlaneta #AlertaMundo

Trackback por Alerta Global
24 de março de 2010 às 23h28

A Hora do Planeta e a esmola energética: É preciso muito mais!!! Faça mais!!! http://bit.ly/9KvZuV #HoraDoPlaneta #AlertaMundo

Trackback por Alerta Mundo
24 de março de 2010 às 23h28

A Hora do Planeta e a esmola energética: É preciso muito mais!!! Faça mais!!! http://bit.ly/9KvZuV #HoraDoPlaneta #AlertaMundo

Trackback por Kamila de Freitas
25 de março de 2010 às 14h26

RT @AlertaMundo: A Hora do Planeta e a esmola energética: É preciso muito mais!!! Faça mais!!! http://bit.ly/9KvZuV #HoraDoPlaneta #Aler …

Trackback por Alex de Siqueira
25 de março de 2010 às 15h18

RT @AlertaMundo: A Hora do Planeta e a esmola energética: É preciso muito mais!!! Faça mais!!! http://bit.ly/9KvZuV #HoraDoPlaneta #Aler …

Trackback por Ana Paula Müller
27 de março de 2010 às 12h44

RT @AlertaMundo: A Hora do Planeta e a esmola energética: É preciso muito mais!!! Faça mais!!! http://bit.ly/9KvZuV #HoraDoPlaneta #AlertaMundo

Trackback por Ramiro Catelan
27 de março de 2010 às 17h00

Aqui pra esse pessoal que apoia a tal #horadoplaneta: http://bit.ly/9KvZuV

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