OEsquema

Arquivo: abril de 2009

Gripe suína, a moda e as lendas urbanas

É, a gripe suína se consolidou mesmo como a mais nova febre (há!) do verão outono. Mais contagiosa que música do Latino (que bela piada heim? Mas tem um paralelismo, juro), ela esta nós fazendo regredir um pouco na outrora fabulosa medicina moderna e serve como uma overdose de humildade pros que realmente acreditavam na supremacia da raça humana.

Topo da cadeia alimentar? Não sei não. Afinal, é tão século 12 as pessoas morrerem por causa de gripe. Eu já disse: o planeta tem meios de espirrar nossa espécie pra fora quando ele quiser, se julgar necessário. A possibilidade de uma pandemia no séc. XXI é só a prova.

Mas a vida continua, ainda que com máscaras cirúrgicas ridículas sendo usadas por 90% da população mundial. E eu fico imaginando se um acessório tão sóbrio pode, daqui algumas décadas, se tornar um adorno de vaidade. Porque assim que as pessoas começaram a usar colares e correntes com pingentes – acreditava-se que esses ‘patuás’ protegiam contra doenças e maldições dos deuses malignos da antiguidade.

Em décadas, quando as mutações dovirus da gripe forem tão letais, diversas e frequentes que não vai ser possível sair de casa sem máscara, a coisa vai passar a fazer parte da cultura humana. E ainda que a medicina futura encontre uma vacina contra todas as mutações, o uso da máscara perdurará. E como pra toda tendência moderna, já temos os vanguardistas. Já consigo até prever os editoriais de moda:

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Esse mexicano abusou do bom humor e dos estereótipos de seu país pra tornar o acessório único

FLU/
Uma borboleta, o símbolo da feminilidade, foi o tema escolhido por essa funcionária de um aeroporto mexicano

MÉXICO-GRIPE PORCINA
Rebeldia, criatividade e improvisação: três palavras que têm tudo a ver com juventude e com máscaras cirúrgicas

Daí vão te ensinar como combinar sua máscara com os outros acessórios, variações divertidas (máscara de bandido do faroeste; fantasia de médico). Pelo menos ainda não caímos no ridículo de colocar máscaras nos porquinhos. Aliás, uma máscara com um nariz de porquinho seria de uma criatividade e ironia formidáveis.

Mas a realidade é: eu tô morrendo de medo dessa gripe. Só consigo fazer um paralelo com a Peste Bubônica (sem exagero), com o fim do mundo, o apocalipse bíblico, Nostradamus, Inri Cristo (?) e todas essas figuras de fim do milênio. Mas sabe que essas coisas são necessárias de vez em quando, né? Pra dar uma segurada no crescimento populacional. A gente sabe que as pessoas morrem mais nos países mais pobres, que não contam com condições sanitárias adequadas pra suportar uma epidemia desse tipo. E é nos países mais pobres que as taxas de natalidade bombam. A natureza sabe das coisas.

E enquanto o governo brasileiro diz que reforça medidas contra a chegada da gripe por aqui, apesar de termos 12 casos de suspeita (impossível conter; não adianta mascarar os viajantes nos aeroportos, já que já tem gente contaminada nos países que fazem fronteira com a gente), hackers usam a história pra vender remédios falsos sobre a doença, eu fico pensando numa coisa só.

Me chame de maluca paranóica por teorias da conspiração. Mas se é sabido que as empresas que desenvolvem softwares de antivírus precisam investir na criação de novas tecnologias de vírus, porque isso não seria uma verdade no mundo real? Só dois laboratórios fabricam remédios que podem combater a gripe do porco.

E no mais, sábias mesmo são as palavras de @RonaldRios:

ronald

Eu também nunca conheci ninguém. Aliás, nem discuto mais esse negócio do Acre não existir. Pra mim, até Dengue é lenda.

artigoironico

PS.: Escrevi esse depois de assistir Charlie: the Unicorn 3. Acho que daí vem a psicodelia e a ausência de sentido.

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Eu não sei como me comportar quando cantam ‘Parabéns’ pra mim

A vida pode assumir uma série de definições, mas uma bem precisa é que é uma sucessão de acontecimentos constrangedores separados por intervalos em que acontecem o resto das coisas, sendo esse resto das coisas o dia-a-dia e os momentos em que você passa pelas coisas não memoráveis.

É, porque por mais triste que soe, a gente costuma se lembrar das coisas muito boas e das muito ruins, e normalmente as constrangedoras se enquadram nos momentos muito ruins e muito bons de tão engraçados – depois.

E o mais fantástico sobre a vida é que ainda que você seja uma dessas pessoas ultra sortudas, que nunca passam por situações em que podem se sentir muito envergonhadas, provavelmente não está livre de uma vez por ano estar num papel que é quase absolutamente constrangedor pra todo ser-humano padrão: o de  ser o alvo de um Parabéns a você numa festa de aniversário.

A sua, digo. Ou minha, no caso do domingo.

A sociedade é tão sacana que ela instituiu um mecanismo no qual uma convenção social profundamente arraigada é a causadora de um dos constrangimentos mais intensos que qualquer pessoa pode passar. Porque é um constrangimento diferente de qualquer outro: ele não é daqueles instantâneos, efêmeros.

Explico. Se alguém te pegar com o pinto dentro de um tubo de aspirador de pó vai ser chato. Certamente, é algo que vai gerar um certo constrangimento. Mas são segundos até que você tire a parada de lá, desligue o aparelho e se explique. Frações de tempo. É um constrangimento com início, meio e fim (ainda que bem intenso) e depois você ainda pode pensar numa desculpa pra ele, falar qualquer coisa, argumentar.

Parabéns é uma canção de uns 45 segundos durante a qual todo mundo olha pra você e você não sabe absolutamente o que fazer com as mãos, não sabe o que fazer com a boca – se canta, se fica quieto, se grita -, não sabe se bate palmas junto, se sorri, se fica sério, pra qual das 20 pessoas olha. E quando acaba não tem explicação pra dar, não tem nada pra consertar. Fora o perigo de cantarem Com quem será e entoarem O fulano faz anos…

O mais curioso é que exatamente a situação chata mais inevitável e mais difundida do mundo vai estar na tua vida pelo menos uma vez por ano. Não há como fugir – é como se a vida quisesse que toda pessoa passasse vergonha sem escapatória pelo menos uma vez por ano, só pra ficar esperto.

E você nunca pode pedir pra que as pessoas não te cantem Parabéns. É impressionante como você pode pedir praticamente tudo pras pessoas hoje em dia e ser capaz de encontrar um grupo que vá atender ao seu pedido. Mas isso nunca funciona pro Parabéns, porque ninguém entende como é possível fazer aniversário sem um e você não imagina as caras de horror ao sugerir que não se cante a música maldita. Não existe, é inadmissível, nem sequer se cogita.

Um dia desses, quando eu completar uns anos aí e tiver numa festa sem familiares que precisem da tradição do Parabéns e tal, vou sugerir que todo mundo me cante outra música. Pode ser Festa, da Ivete Sangalo. Ou o Créu. Pelo menos essas músicas têm coreografia e os aniversariantes vão saber o que fazer com as mãos.

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A mulher que nunca esquece (e não sou eu)

Por um momento, achei que seria bom ser como Jill Price, a mulher que nunca esquece.

A pobre diaba (putz, sempre quis falar isso) não esquece nenhum detalhes de todos os dias dela desde os 14 anos, sendo bem sucinta. Literalmente isso. Como se fosse uma habilidade do Sylar ou coisa assim.

A verdade é que eu nunca estive tão feliz com a minha capacidade de esquecer depois de descobrir essa mulher. Me dei conta do valor da memória fraca, valor que o esquecimento tem pra nossa sanidade psicológica. E não falo de esquecer situações, porque essas, quando são marcantes ficam na memória – é principalmente esquecer os sentimentos associados a essas situações. Esquecer a sensação ruim de errar e ficar só com a parte boa, que ensinou; esquecer a sensação ruim que os erros dos outros podem causar e conseguir perdoá-los.

Imagina como deve ser difícil pra essa Jill Price, digamos, perdoar alguém. A gente diz que o tempo é o remédio pra tudo, e não percebemos que essa ‘diluição’ da memória, causada pelo tempo, é que é o verdadeiro remédio. Pra tal da Jill, não há remédio. E tipo – brega ou não, é uma dádiva que tenhamos a habilidade de esquecer.

Acontece o seguinte: se eu fizesse uma comparação simples entre quem eu era há um ano, quando fiz 20, e quem eu sou agora, daria pra enumerar algumas diferenças expressivas. Há um ano, eu tinha mais ou menos 25 quilos além do que eu tenho hoje; não tinha um óculos de sol nem roupas tão legais, meu blog não meu dava tantas alegrias, eu não me dava tão bem com meus amigos e nem tinha um encontro marcado pra semana seguinte. Há um ano eu não poderia estar escrevendo esse post do trem num iPod Touch, ouvindo Oasis, porque eu não tinha iPod Touch nem gostava de Oasis.

Por outro lado, um ano atrás eu não sonharia que O Pior Dia Da Minha Vida aconteceria do jeito que aconteceu, e quase um ano depois. Ah – e há um ano, eu tinha uma memória. Das boas, dessas de se orgulhar. E eu sinto falta dela.

Achava que esse era um dos meus principais problemas, estar tão estressada e cheia de informação que a minha memória foi para o saco. Naquela época, a quantidade ínfima de stress que me atormentava não era suficiente pra me transformar na Dóri.

dori
Em quem?

E hoje, to pior do que a Drew Barrymore em Como se fosse a primeira vez (se preferir, Minha namorada tem amnésia, no incrivelmente franco título da versão lusitana.

(Quando meu lembro disso), eu lamento. Preciso anotar tarefas, pedir pros amigos me lembrarem do que eu estava falando no meio das frases, anotar idéias, nomes, números, cores, funções, tarefas – tudo. Nada fica na cabeça, e isso me preocupa. Eu só tenho 20. Quando tiver 40? Alzheimer?

O problema é se dar conta, em tratamento de choque, que único presente de aniversário que eu realmente preciso esse ano é de uma memória ainda mais diluída, que me permita esquecer tudo o que ´necessário pra poder continuar vivendo bem.

eternalsunshine

Uhum.

Completo 21 no dia 26 – mais feliz, mais completa, melhor, mas com a certeza de que não ligo se minha memória tá um caco – talvez, seja melhor desse jeito. Talvez seja o primeiro passo pra conseguir esquecer de verdade de coisas que não podem ficar na cabeça, porque senão vão enlouquecer a gente.

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O que está acontecendo com as pombas?

thebirds

Pombas são bichos escrotos por natureza. Elas foram claramente criadas por deus para infestar as grandes cidades, e casam perfeitamente com o visual caótico e cinza das metrópoles.

Digo isso pelo seguinte: você consegue imaginar uma pomba selvagem, em habitat natural? Pombas voando livremente por entre as árvores, convivendo amigavelmente com tucanos, capivaras, onças-pintadas e animais tipicamente brasileiros?

Impossível. Pomba é um bicho branco. No mato, verde, seria presa fácil. Além do mais, em que elas cagariam? Quem lhes daria milho? Não haveria sacada ou beira de prédio pra pousar. Fato: pombas só foram criadas por deus depois da revolução industrial.

Pois bem, mas pombas costumavam ter pudores. Ainda que convivessem conosco nas grandes cidades de forma um pouco invasiva, costumavam saber onde era seu lugar. Você conseguia espantar uma pomba com facilidade, elas não chegavam a menos de um metro e meio de nenhum ser humano. Não entravam debaixo de rodas de carros. Não voavam pra cima de você.

Eu coloquei os verbos no passado porque estou observando um fenômeno muito estranho tomando conta da personalidade das pombas,  fenômeno esse que foi observado também por amigos e pessoas no Twitter: as pombas estão mais ousadas. Agressivas. Destemidas, até.

Tenho notado uma mudança no comportamento delas. Como se as pombas estivessem afetadas pelo vírus bizarro do último filme do M. Night Shyamalan, elas perderam o medo da morte. Se colocam na frente dos carros de maneira arriscada, voam pra cima das pessoas sem pudores, não fogem desesperadas se você bate o pé ao lado delas.

“Minha irmã adora assustar pombas. Estávamos na praia, e ela pulou de maneira exagerada para espantar uma delas, mas surpreendentemente a pomba avançou em direção à minha irmã!”, relatou com temor uma colega de trabalho que preferiu não se identificar, com medo de represálias por parte dos pássaros.

“Em Florença, as pombas são bobas. Não são como as daqui”, relatou a mesma pessoa não-identificada, o que comprova minha tese de que o fenômeno está de fato acontecendo e é isolado, característico das pombas da Grande São Paulo.

E do ponto de vista evolutivo, isso não faz sentido nenhum. Pombas mais burras, mais ousadas, e que têm mais chances de morrer, não deveriam estar se multiplicando. Por morrerem com mais facilidade, transmitem menos o gene burro delas. Mas não é isso que está acontecendo – eu só vejo o fenômeno aumentar.

Olha aqui as pessoas concordando comigo:

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Seria uma temível versão de Os Pássaros acontecendo na vida real? Estariam os sentidos das pombas confusos e distorcidos por causa da poluição, das redes wi-fi, dos celulares, dos telefones sem-fio ou dos microondas? Comida não lhes falta, pois segundo fui informada durante a extensa pesquisa que fiz pra esse post, pombas comem absolutamente de tudo.

Estariam elas arredias pela chegada da crise econômica (a tese é do amigo Gabriel Pinheiro e do @leocoelho)? Com a escassez de comida, elas precisam se arriscar mais pra conseguir alimento e por isso estariam se aproximando dos humanos?

A teoria do meu irmão é um pouco mais simples. Embora ele também acredite que a crise econômica seja o motor dessa refilmagem de Hitchcock na vida real, a explicação é outra: “você atribui essa falta de medo delas a uma possível mudança biológica. Eu digo simplesmente que elas estão menos assustadas. Logo, mais calmas. Menos estressadas. Uma reação contrária natural às exigências da grande metrópole, uma tendência natural ao bucolismo, que inclusive já está sendo adotada por alguns indivíduos”. Ou seja – segundo meu irmão, o próximo passo dessas pombas-monstro é se mudar para o campo. E elas estão até arranjando bicos por fora pra atingirem esse objetivo.

Àquele que acha que isso é uma viagem, peço que antes de dizer qualquer coisa tente observar por um ou dois dias as pombas da sua região. Olhe, veja, perceba e traga seu relato. Se possível, filme. Eu tentei, mas não consegui – apesar de as pombas estarem mais exibicionistas, constatei, quando se trata de câmeras elas voltam ao estado normal e voam longe. Correm dela como dos paparazzi correm as celebridades – ou seja, não querem que as pessoas saibam que elas estão mudando.

Fique atento. Uma delas pode estar te observando agora.

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Quando a vida imita a arte e se transforma nela

Quando eu assisti Show de Truman, eu ainda tava naquela fase em que a gente achava que o Jim Carrey só servia pra fazer personagem babaca. Não que eu tenha saído dessa fase, mas depois ele fez Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, caiu no gosto dos descolados e agora todo mundo gosta dele. Mas naquela época não havia perspectiva de que ele fizesse algo legal, então você já ia pro filme com algum preconceito, esperando caretas e piadas escatológicas.

E o filme – que todo mundo já viu na Tela Quente, acredito – acaba por ser bom. Tem uma crítica maluca à era dos reality shows, uma maluquice de Mito da Caverna (tudo tem mito da caverna nesse mundo de deus), um pouco de humor ácido, a previsão de um futuro absurdo e voyeurístico com uma pitada de Orwell, um final que muitos acham muito bom e outros acham insatisfatório… e deixa aquele gosto de paranóia na boca, algo como ‘mas… será que isso não poderia de fato acontecer?’

A pergunta está finalmente respondida.

Nadya Suleman

Mãe americana de óctuplos diz que fará série documental

Ela tinha seis filhos. Engravidou de mais 8. Não satisfeita em contribuir com 20% da explosão demográfica registrada no planeta nos últimos 8 meses, a mãe doida com barriga horrível de 20 mil crianças vai, aparentemente, negociar a filmagem de um reality show com seus 8 filhinhos. As câmeras vão acompanhar o crescimento dos seis meninos e duas meninas até eles completarem 18 anos.

[pausa] (Breve reflexão: só eu acho que Mãe de Óctuplos parece Mãe de Octóplus, em que Octóplus é como se fosse o vilão do Homem-Aranha? Ou do 007?)

octopus

[/pausa]

Eu não quero nem imaginar o que vai acontecer com essas crianças. Se elas ficarem iguais à Maísa, estamos todos no lucro, porque as possibilidades de tragédias maiores são inúmeras se o negócio acontecer mesmo. Simpsons já previu a situação e não foi nada agradável para Apu e Manjula.

A questão é que… não deveríamos estar chocados com esta “superexposição”, esta “absurda e já profetizada orwellização da sociedade”, essa “irresponsável exploração monetizada de crianças sem capacidade de decidirem por si mesmas”. Não, não podemos nos chocar.

Afinal, caso vocês não tenha notado, estamos na era do Show de Truman. Apesar dos reality shows não serem mais exatamente uma novidade, a ferramenta de mídia social que é alardeada como o divisor de águas da disseminação da informação pela rede consiste nada mais nada menos do que um reality show bizarro de centenas de pessoas, ao mesmo tempo, ao vivo.

Bem vindo ao Twitter.

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Trailer definitivo de Harry Potter e o Enigma do Princípe é absolutamente estonteante

Mortais, temei. Eis aqui o Trailer Final de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto episódio da epopéia do menino-cicatriz. Saiu na quinta, 16 de abril, à noite. Coisa fresquinha.

Negócio é o seguinte. Nunca tinha acontecido comigo, achei que era mentira de gente que se emociona fácil. FIQUEI SEM FÔLEGO ASSISTINDO À PARADA.

Se você não for leitor da série e só viu os filmes meio ‘por cima’, pula porque não tem graça, você não vai entender nada. Mas se for fã, se segura na cadeira, amigo. Sei que trailer é daquelas coisas que eles fazem e parece que o filme vai ser incrível, quando na verdade ele não é, mas se o longa for 20% do que for esse trailer, eu vejo ele no cinema 5 vezes.

O anterior, vi 3. No cinema. Na TV, perdi a conta. Nunca tinha feito isso com um filme na vida.

E não me encham o saco. É Harry Potter. É sagrado. Vocês não entenderiam – não cresceram junto com o moleque, como eu cresci. Não esperaram a carta de Hogwarts quando completaram onze anos. Não têm um Jonas.

Jonas, a coruja
Jonas, a coruja de pelúcia, é uma influência clara do universo Potteriano na minha vida

Sem mencionar a varinha de plástico (uma réplica fidelíssima) com imã na ponta (dá pra fazer Wingardium Leviosa com umas moedas, ok), o kit de xadrez bruxo e meu chaveiro atual, que é nada mais, nada menos do que esse:

chaves

Harry Potter é um daqueles vícios que só adormece. A série terminou, os filmes demoram anos pra serem lançados. Mas basta sair um trailer desse pra que eu sinta de novo como era legal quando eu acreditava que tudo aquilo podia ser verdade.

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Susan Boyle e o segredo para a felicidade

Vou fingir que ninguém passou a tarde inteira falando da Susan Boyle na terça e postar o vídeo aqui.

Basicamente é o seguinte: chegou uma tiazinha lá no programa (tipo um American Idol do UK), bem esquisitinha, dizendo que queria ser cantora profissional e famosa igual a Elaine Paige. Contou que ela costumava ser humilhada na escola porque tinha problemas de aprendizado, mas que sempre quis cantar e que a mãe encorajava. Depois que a mãe morreu, resolveu ir atrás do sonho.

Daí, um corpo de jurados profissional e uma platéia composta por centenas de pessoas não teve pudores e riu dessas ambições na cara dela.

Acontece, a gente faz isso o tempo todo – às vezes com um pouco mais de discrição, de educação, enfim – mas fazemos. E aí a tia abre a boca e destrói a todos com um mega master boga ultra PWNED. Para os não nerds, isso significa que ela acabou com eles.

Não tem nada dessa de ‘Oh, que emocionante, preciso conter as lágrimas’ (coisa que o Ivan criticou aqui). Quer dizer, eu me arrepiei quando ouvi, mais pela cena incrível da mulher quebrando as pernas de centenas de babacas, e por outro motivo. Devo confessar uma coisa: eu me identifiquei com a Susan.

Primeiro, porque mesmo sabendo que olhando pra ela ninguém dá nada, ela subiu lá e se expôs. E ainda riu junto com quem ria dela. Ok. Em segundo, porque em nenhum momento ela se mostrou arrogante ou propotente – havia uma segurança na maneira como dizia que iria cantar, alguma firmeza. Mas nada além disso. Porque ela sabia que quando abrisse a boca não precisaria ser arrogante ou prepotente.

Susan aprendeu a ser low-profile sobre si mesma porque assim a vida a ensinou. Embora existam livros que versem sobre a importância do marketing pessoal, eu aprendi com as crueldades de menininhas desde a pré-escola (Na sexta série, no dia do meu aniversário, minhas amiguinhas me deram um vidrinho escrito ‘semancol’. Juro, elas escreveram) que o melhor jeito de sair por cima quando ninguém acredita que você pode fazer algo é fingir que está tudo bem e que de fato você é tão idiota quanto aquelas pessoas acham que você é.

O único jeito que encontrei de sair de situações opressoras de bullying na escola foi fingir que meus opressores eram realmente espertos como eles achavam que eram e que eu era a burra da situação. Se era isso que os fazia feliz, não me importava. Fingia que não entendia as piadas comigo, e assim fui aperfeiçoando minha empatia e capacidade de reconhecer o caráter da pessoa só pela maneira dela de te olhar ou se dirigir a você.

Além de ser útil para fazer uma triagem das pessoas que se aproximam (quem se acha melhor não chega perto, o que é bom; quem se aproxima vê além daquilo, o que já é bom), abaixa as expectativas das pessoas em relação às suas qualidades. E quando você vai lá e mostra que sabe do que está falando, bem, elas ficam bem mais surpresas do que ficariam se você tivesse vendido o peixe.

Ok que isso não funciona em 100% das ocasiões na vida. Não dá pra chegar numa entrevista de emprego e ser um peixe-morto e tal. Precisa ter um equilíbrio, uma segurança de si sem ser show-off.

Mas essa técnica de fazer com que as pessoas abaixem as expectativas delas em relação a você pode ser aplicada a todas as coisas – no sentido de que se você diminuir suas expectativas em relação às coisas, tem muita mais chances de estar sempre satisfeito com elas.

Não tô dizendo que todo mundo precisa ser horrivelmente pessimista. Mas empolgação demais pode ser um problema. Além disso, quando se trata de esperar demais de pessoas, as chances de decepção são sempre altas.

É meio trágico, mas vivo com a seguinte máxima: se alguém te decepciona, a culpa é sua, que esperou demais daquela pessoa. Simples assim. Reduzir as expectativas (suas em relação às coisas, e dos outros em relação a você) é basicamente o segredo para a felicidade e para o saudável e bom convívio social.

Susan com certeza aprendeu isso a duras penas. Mas acho que não pôde haver recompensa maior do que a cara de ‘Eu estava muito errado, bem feito para mim’ daquelas centenas de pessoas.

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Inquisição virtual: quando vão começar a mandar os piratas pra fogueira?

Ok, teve o julgamento contra o Pirate Bay. Mas no geral, na gringa, parece que o pessoal tá desistindo:

Gravadoras americanas jogam a toalha contra pirataria

Parlamento francês rejeita lei para bloquear internet por download ilegal

Mas como é de praxe, as coisas por aqui sempre chegam com um pouco do atraso natural que é característico do 3º mundo. Se blog e Twitter são agora a sensação tupiniquim, então dá pra estranhar que o governo comece a fechar o cerco para os usuários de internet em tentativas esdrúxulas de conter o incontrolável – com ações-formiguinha como prender moleques que baixam música, ameaçar comunidades que compartilham links de downloads e tirar sites de legendas do ar, que têm o claro objetivo de intimidar grupos de pessoas que em grande parte só compartilham conteúdo sem fins lucrativos.

Quanto mais leio sobre iniciativas de grandes corporações para inibir o acesso do grande público à democracia e liberdade cultural que a pirataria proporciona, mais eu penso que não pode ser verdade que alguém que conheça a dinâmica da internet acredite que ainda é possível reeducar toda uma geração no sentido de ensinar que baixar música é errado.

Em vez de concentrar os esforços em alternativas economicamente viáveis e interessantes pro consumidor e pro artista, os babacas continuam perdendo tempo, prendendo meninos com HD cheio de CDs e usando-os como bode-expiatório de uma situação que é claramente incontrolável.

O projeto de lei francês mencionado no topo foi o que mais me chocou nos últimos tempos. Ele prevê punição os piratas com o banimento do uso da internet por uma quantidade determinada de tempo (dias a meses). E por um breve momento eu tive medo de que a inquisição virtual começasse, de que houvesse de fato o início de uma ditadura maluca na internet – que deveria ser a coisa mais livre do mundo.

Felizmente, foi rejeitado, ao menos em primeira instância, pelo que entendi. Mas aqui no Brasil o projeto do Azeredo continua a pleno vapor.

E eu desconfio que o bicho vai começar a pegar. Sabe por que? Porque as grandes corporações estão começando a perder muito, muito dinheiro por causa da internet no Brasil. Não que já não perdessem, mas a coisa está se espalhando por outros segmentos, coisa que não rolava aqui antes. Olha:

Internet faz receita com ligações internacionais despencarem, diz IBGE

A inclusão digital, a popularização da internet por banda larga, o computador do Milhão e as lan-houses até no inferno conectaram nosso país e estão gerando um fenômeno massivo de gente conectada, coisa que a gente não conhecia antes. O Brasil usa a internet, hoje. Não é mais só a classe média.

Só que o jovem vem pra rede com a mentalidade do nativo digital. E o nativo digital não pensa como o dono da corporações, e nunca vai pensar. Nesse post, Felipe Tofani menciona algumas das características desse grupo. Mas a mais marcante, e que mais contrasta com a vida real – sim, porque a vida na internet é só um reflexo da vida real – é essa aqui:

O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

No mundo real, o de carne-e-osso, a mentalidade é a da escassez, a da usura, porque é com a usura que a sociedade capitalista lucra, e time is money – você não perde seu tempo ensinando ou doando nada pra ninguém. Os não-nativos não entendem o poder do compartilhamento, nem compreendem a vontade de compartilhar por compartilhar. No mundo de verdade, há pouco ou nenhum status em compartilhar. Na internet, por um motivo divino e bonito, vale o contrário. Vale a generosidade.

Enquanto os profanos virtuais, os não-nativos, não puderem compreender essa dinâmica, cada dia será um a menos na contagem até a inquisição virtual, em que laranjas serão punidos para ‘dar o exemplo’ à grande comunidade que comete ‘crimes horrendos’, com downloads de música tendo punições comparáveis a homicídio em alguns casos.

Seria fácil se eles aprendessem com os erros dos gringos e observassem que se lá não deu pra proibir, aqui não vai dar. Mas esses caras parecem ser daqueles tipos teimosos, que não aceitam perder milhões. Nós já vimos esse filme. Mas dono de gravadora não pode pedir ajuda pro governo quando perde grana. Sacanagem.

Some isso ao lobby que as grandes e velhas corporações farão contra a cultura do conteúdo livre na web e voilà – no Brasil, nós – usuários de internet – ainda teremos um longo caminho antes que os engravatados percebam que não podem lutar contra o inevitável.

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Sinal de vida

Triste e gripada demais pra atualizar. Quando tudo melhorar, volto.

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O admirador secreto das barras de cereais

barra_cereal

Eu emagreci mais ou menos 14 quilos nos últimos três meses. Entre outras coisas, isso significa que eu adquiri o hábito de consumir barrinhas de cereais à tarde, nos momentos de perrengue. Em vez de recorrer ao salgado da cantina ou à batata frita da máquina da redação, saco da gaveta uma das barrinhas de cereal – minha mãe compra duas caixinhas com 3 delas por semana – e saboreio aquela deliciosa mistura prensada de alpiste, serragem e flavorizante artificial (que varia entre o sabor coco e o o morango, no meu caso).

A verdade, que sinto admitir, é que eu acabei me afeiçoando por esses pequenos pedaços embutidos de frutas com cereais. Eu gosto de barra de cereal. Não é exatamente algo que eu escolheria pra comer se fosse minha última refeição, mas não chega a me incomodar, nem é um esforço muito grande. Vou lá, como uma mexerica, uma barrinha de cereal e voilà, quem é que precisa de jantar?

Ainda assim, reconheço que barras de cereal, do ponto de vista gastronômico, não são preferência nacional. E é por esse motivo que fiquei absolutamente chocada quando roubaram da minha gaveta uma caixa fechada com três barrinhas Neston sabor morango essa semana.

Eu deixo as comidinhas na gaveta, sempre deixei desde muito tempo, e nunca tinha sumido nada, embora os companheiros de baia sempre tivessem reclamado que as coisas deles eventualmente desapareciam. Um dia desses abri a gaveta pro lanchinho das 17h e CADÊ A CAIXINHA NOVINHA QUE EU TINHA GUARDADO NO DIA ANTERIOR?

Junto com ela, se foi também um dos dois pacotinhos de Club Social recheado (ganhei uns 5 no Skol Sensation e guardei pros lanchinhos da tarde).

Eu nunca tinha passado por situação semelhante no trabalho. Achei que pessoas que roubam comida dos outros fossem lenda – especialmente em ambientes onde, supostamente, não tem ninguém literalmente passando fome. Nunca achei que aconteceria comigo e, quando lia aquelas crônicas engraçadas sobre gente que deixava o lanche no frigobar coletivo e era extorquido, ria gostosamente da ficção impensável.

marmita

Fica aqui o apelo: embora eu não estimule e nem concorde com tal ato, eu posso entender quando o peão rouba a mistura da marmita do outro peão. É uma atitude que tem uma certa utilidade do ponto de vista da necessidade de diversidade alimentícia. Vai lá, abre a marmita, troca o ovo frito pela carne de panela, tudo certo. Expande as possibilidades de maneiras inimagináveis pra uma simples marmita. Se a obra for grande e tiver muitos operários, po, dá pra fazer um esquema de self-service.

Da mesma maneira, embora também não seja a favor, posso compreender o que leva um filho da puta a roubar comida dos outros na geladeira coletiva no trabalho, por exemplo. Normalmente são coisas gostosas – sei lá, um suquinho, uma fruta, quase sempre um sanduíche preparado com esmero. Existe uma motivação. Bate aquela fominha, você é um filho da puta, o que fazem filhos da puta quando estão com fome? Fodem com gente de bem. Mas ok, é um lanchinho gostoso geralmente.

Mas que tipo de pessoa rouba uma caixa fechada de barra de cereais? Quem, no mundo, cobiça de verdade um alimento desse?

Eu entenderia se a caixa aparecesse aberta com menos uma barrinha. Sei lá, o fulano quis experimentar. Mas porra – levar a caixa inteira? Excetuando-se as situações onde há cleptomania (e pra ser sincera, acho que no caso de barra de cereais mesmo a possibilidade de cleptomania é anulada), eu imagino que alguém roube algo porque deseja realmente aquilo. No caso de comida, a não ser que esteja morrendo de fome, rouba coisas gostosas de comer. Aquele clube social recheado, de tomate seco com queijo, é realmente gostoso. Justifica o assalto. Mas uma porra de uma barra de cereal? Tem gente que prefere não comer nada a comer isso. As pessoas se manifestaram contra vôos que ofereciam barras de cereal, todo mundo odeia esta merda. Menos eu. E existe uma outra pessoa, que trabalha comigo, que também não odeia. Ou só quer me sacanear.

O jeito vai ser deixar um bilhete na gaveta (algo como “Pense bem antes de fazer isso. É apenas uma barra de cereal, amigo”), prensar uma mosca junto da barra (tipo, quem já comeu a de morango sabe que aqueles pedaços de frutas podem passar facilmente por mosquitos esmagados) ou trancar a gaveta. A última solução é boa, mas acho um pouco complicada, porque as chances de que eu perca a chave são altas.

lanche

O ideal mesmo seria que inventassem uma versão disso aqui para barras de cereais.

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