OEsquema

Arquivo: junho de 2009

#ForaSarney e a revolução com a bunda no sofá

Olha só, que alegria. O Irã entra pra história depois de usar o Twitter como principal ferramenta pra cobrir as manifestações contra a reeleição de Ahmadinejad. Coisa linda, a gente vivendo história, capa de todas as revistas.

Daê no Brasil a gente acha que tem poder porque emplaca um #chupa como Trending Topic (para leigos: palavras mais faladas) no Twitter. E porque recebeu uma resposta do Ahston Kutcher.

Como se não tivessem aprendido o suficiente depois da palhaçada que foi aquele MOVIMENTO CANSEI, algumas celebridades brasileiras que usam o Twitter acharam que a vida é fácil assim, e que poderiam usar O PODER DA INTERNET pra tirar o Sarney do Senado. Se você tá desinformado, resumo:

Gente famosa que tem Twitter, tipo o Christian Pior, o Marcos Mion e o Junior Lima supostamente se reuniram em um movimento pra fazer com que as pessoas no Brasil twitassem a palavra #forasarney e essa palavra entrasse também nos Trending Topics, como aconteceu com o #chupa.

Ok, então é o seguinte – eles perceberam no domingo, na partida contra os EUA, que os twitteiros brasileiros tinham força suficiente pra emplacar um trending topic e serem notados pelo Ashton Kutcher, a.k.a marido da Demi Moore, a.k.a Kelso, a.k.a @aplusk.

Até que pediram para que o Ashton Kutcher AJUDASSE, twittando o termo #forasarney e pedindo pra que os seguidores dele fizessem o mesmo. Ok, vamos fingir que isso não é patético. Estamos fingindo. Fingindo. Ainda bem que o próprio Ashton Kutcher não finge. Ele respondeu:

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“Só VOCÊS tem o poder de tirar seu senador. É SEU país. Vocês têm que lutar pelo que VOCÊS acreditam. Eu não tenho voto”

O óbvio, que qualquer pessoa de bom-senso responderia na face da terra, mas que meia-dúzia de celebridades descabeçadas não enxergaram de primeira e precisaram que o Ashton Kutcher as lembrasse. FAIL. O Lucas fala de maneira majestosa sobre o showzinho das celebridades brasileiras neste post.

Acho que eles pensaram que esse negócio de internet é realmente revolucionário, que você pode fazer a revolução sem levantar sua bunda do sofá. Até eu que sou mais boba sei que não funciona assim, amiguinhos. Não é porque você coloca uma tag lá no topo de um site gringo que os governantes olham aquilo e dizem: “Oh! O povo brasileiro está realmente indignado e furioso. É melhor convencermos o Sarney a deixar o cargo.”

A cobertura e a revolução que o Irã provocou não foi fabulosa simplesmente porque aconteceu no Twitter, senhores famosos. Foi fabulosa porque o Twitter serviu como TRANSMISSOR de algo que estava NAS RUAS. Foi feita por pessoas, gente comum, e não VJs da MTV, cantores infanto-juvenis de moicano e apresentadores de programas dominicais. Aliás – foi feita também pelos VJs, pelos cantores, e apresentadores, mas os holofotes, eu garanto, estavam sobre o povo que se manifestava nas ruas pela recontagem nos votos. O Twitter revolucionou apenas a maneira de MOSTRAR isso pros outros.

Esse ‘movimento’ que eles chamaram de #forasarney entra no meu TOP 5 VERGONHA ALHEIA 2009.

Não esqueça: Sarney e a família dele estão em cargos públicos desde antes da gente, que usa o Twitter, NASCER. E desde aquele tempo eles são também donos de uma porção de veículos midiáticos. Isso não nos impede de derrubá-lo da presidência do senado, mas eu posso garantir que isso não será feito caso consigamos fazer um número muito grande pessoas escrever uma palavra em uma rede social.

Não sei vocês, mas eu gostaria muito que mudar o mundo fosse fácil assim. Emplacou um Trending Topic no Twitter, voilà. Já pensou? Teríamos evitado uma série de tragédias, ainda mais considerando a possibilidade de o Twitter existir antes, como cogitou o Huffington Post esses dias. Teriam possíveis #InquisiçãoNão, #ForaLuísXIV ou #DiretasJá evitado guerras ou contribuído para o triunfo de movimentos sociais?

Ou mesmo se houvesse a possibilidade de coberturas colaborativas em outras épocas, veríamos coisas como “#Auschwitz eu e minha família fomos encontrados no sotão por esses fdps da SS. Por favor, RT!” ou “#RevoluçãoFrancesa acabamos de derrubar a Bastilha!”?

Ok, teria sido engraçado. De qualquer forma, nesses casos – em todos eles, aliás – o Twitter teria eficácia. Porque ele estaria apenas reportando algo que estaria de fato acontecendo nas ruas. Mas se fosse algo do tipo “#CaiBastilha vamos acabar com essa palhaçada pessoal, RETWITTEM!“, well, os livros de história como conhecemos TALVEZ estivessem um pouco diferente hoje.

A revolução não será criada na internet – a internet só tem o poder de espalhá-la mais.

Infelizmente, leva um pouco mais do que Trending Topics pra fazer as coisas mudarem.

Baseada na lógica da simplicidade de mudar o mundo dos amigos famosos aí, o Danilo Gentili, andreense e pertinente como sempre </rimas>, soltou:

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E eu aderi à causa, claro. Sou entusiasta da #PazMundial e não vejo jeito melhor de fazer essa benção ser instuída do que escrever essa tag no meu Twitter. Criei inclusive a #PazMundial DOS BROTHER. Obtive bastantes retweets com essa brincadeira – ou seja, usei o humor e fiz a minha parte para chegar mais perto da #PazMundial. AH! E também pedi para o Ashton Kutcher nos ajudar nessa, ou seja, segui todo o protocolo de revolução via Twitter. Quando alcançarmos a #PazMundial, poderei dizer – fiz a minha parte rumo à #PazMundial! Ainda não somos Trending Topic, mas eu sou brasileira e não desisto nunca da #PazMundial.

Editado: a pedidos, esclareço uma posição que temo que não tenha ficado clara no post pra algumas pessoas. Não sou contra o ‘movimento’ #ForaSarney no Twitter nem em lugar nenhum. Ser ‘contra’ não é a palavra correta aqui. Só acho que algumas celebridades engajadas nisso o estão fazendo de maneira oportunista e irresponsável, já que na minha opinião o objetivo real deles não é tirar o Sarney da presidência do Senado, e sim se promover. Acho legal quando a manifestação parte dos usuários do Twitter em si e endosso mais ainda o uso da tag como agregador de notícias sobre a causa em si, como fizeram Rafinha Bastos e Marcelo Tas

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Michael Jackson está morto

O hours-concour para o prêmio Troféu Pedobear se foi na noite desta quinta.

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O toque do meu celular  será Billie Jean, como forma de luto. Tudo que eu tenho a dizer é – lembremo-nos dele como ele gostaria de ser lembrado pra sempre:

Dando uma de Jucelino Nóbrega da Luz: vão embalsamar Michael, e o corpo eternamente conservado dele será exposto numa redoma de cristal na entrada de Neverland, que se tornará um grande parque temático em homenagem ao maior astro pop reptiliano que já pisou neste planeta.

E tudo isso será feito por vontade expressa do cantor, via seu testamento. Ah – o parque só será acessível via Moonwalk. Aproveita e aprende (com o vídeo abaixo ou na matéria-tutorial que eu fiz pro estadao.com.br, que provavelmente vai concorrer ao Pullitzer):

Só um palpite.

Brincadeiras à parte, que Michael Jackson descanse em paz, como deve. Ele merecia descanso depois de tudo.

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Promoção: escreva o melhor post e ganhe um livro legal

Seguinte. Tô meio esquisita essa semana. O médico diria que é stress, fadiga, que preciso de férias. A verdade é que vou escrever e os textos não saem. Assim, as ideias estão com começo meio e fim, mas existe algo me impedindo de colocá-las no papel. Acho que é encosto.

Enquanto não vou pedir a exorcisão, vamos à política do pão e circo. Vai rolar brinde essa semana, gentilmente cedido pelo Victor, da Frog: o Brasil – Almanaque de Cultura Popular Brasileira. Clique para ler sobre o livro, que é lindamente diagramado, tem um monte de curiosidade boa sobre o país, tem aquele cheirinho bom de livro novo e vai adornar de maneira incrível sua estante, tenho certeza.

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A promoção é a seguinte (e foi sugerida pela galera nos comentários, nem lembro quem foi, mas obrigada): você precisa escrever um texto pra publicar aqui, que de alguma forma envolva o tema “A pessoa mais idiota que já conheci”. Não tem limite de caracteres – nem pra mais, nem pra menos. O autor do texto mais legal leva o livro e terá suas singelas palavras publicadas neste humilde bloguxo. O segundo e terceiro lugar também receberão ‘menções honrosas’ aos seus textos (vou publicá-los também, mas não como post, e sim com um link pro texto).

Como participar:

1) escreve a bagaça, do tamanho que quiser;

2) me envia até o dia 6 de julho de 2009, à meia-noite.

3) pode me enviar do jeito que quiser – link pro texto postado no seu blog, enviar o texto por e-mail, até colar nos comentários (desse post por favor) pode. Clique para ver todas as formas de entrar em contato comigo.

4) identifique-se adequadamente. Isso significa: nome completo, endereço válido de e-mail, telefone válido com DDD.

5) se alguma das regras acima for descumprida, você será desclassificado, não importa o quão próximo do estilo Saramago você esteja.

Boa sorte, VALENDÔOOOOOO!

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Ria da vida, porque ela está rindo de você

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Oi?

Não existem momentos inapropriados pra piadas, e eu vou explicar porquê. Se você olhar em volta com um pouco mais de atenção, vai ver que todas as coisas do mundo, até mesmo as mais trágicas, têm um viés cômico se olhadas com leveza. É desse conceito que tiro boa parte das ideias que uso aqui e no blog. É desse conceito que escrevo a maioria das ironias e dos sarcasmos contidos em 99,9% dos posts aqui, que só são entendidos por 70% das pessoas que chegam aqui. As piadas são aquelas coisas universais, que não precisam de tradução. São capazes de ‘amaciar’ qualquer situação, se os envolvidos estiverem dispostos. Linguisticamente, as piadas são as locuções diplomáticas. Elas são capazes de amenizar tensão entre dois elementos e até formular acordos de paz.

Alguns chamam a piada a todo custo de ‘maldade’. ‘Humor negro’. Eu chamo de ‘rir da vida enquanto ela também está rindo de você’.

Eu cheguei a essa conclusão depois de receber um exteeeenso e-mail de um cara que descobriu meu blog e por algum motivo resolveu contar pra mim um monte de coisas sobre a vida dele. Acontece bastante, na verdade. Eu sempre leio e respondo, adoro histórias de pessoas, por isso fiz jornalismo.

Esse cara contou sobre a infância sofrida, a discriminação que sofreu quando assumiu a homossexualidade, problemas com família, a barra que enfrentou quando descobriu que seu exame de HIV tinha dado soropositivo… um desconhecido, que por algum motivo desses que a gente não vai entender nunca se identificou comigo via blog e descarregou uma história dessas que te tornam a Polyanna (já que depois dela, nada na sua vida pode ser tão ruim)

Pois bem. Eu respondi pro cara com toda a minha franqueza. Não dá pra ter pena dele, porque minha mãe ensinou que pena a gente não pode ter, é arrogante. Sinto compaixão por ele, gostaria que tivesse sido diferente. Foi isso que eu disse no e-mail. Eu disse: “Puxa vida, cara. Você se fudeu muito”.

No final, perguntei se podia fazer uma piada dessas sobre AIDS que qualquer um diria que é de mau-gosto. Não fiz sem perguntar, porque não queria ofender o moço – vai saber se ele tinha bom-humor. Era uma piadinha besta, perguntar sobre ela já tirava a graça, mas eu achei que deveria.

No e-mail seguinte, após a confirmação de que – óbvio, ele não ligava pras piadas, às vezes até era autor delas -, mandei. Era uma observação boba, um sarcasmo leve, que ele naturalmente levou numa boa.

É por isso que eu teorizei: as pessoas que não riem dos outros são aquelas que são incapazes de rir de si mesmas. Quando você se leva a sério demais, leva os outros a sério demais. Leva a vida a sério demais. Entra em blogs como o meu e não vê que obviamente uma foto do Zé Bob num texto sobre o fim do diploma de jornalismo só pode ser uma piada. Como as pessoas são capazes de bradarem um falso moralismo, hipócrita, pra dizer que piadas sobre AIDS são de mau-gosto quando um portador da doença as aceita numa boa, sem sequer perguntar pra essas pessoas se as piada as ofende? Todo mundo até hoje que vetou esse tipo de piada, tinha certeza, não tinha AIDS.

Minha mãe, de novo, costuma dizer que bom humor é sinal de inteligência. Eu não sei. Só sei que não entender humor é sim sinal de burrice. É não enxergar a vida do jeito que ela se mostra, bizarramente bizarra – com meninas tatuando 56 estrelas na cara, bebês que nascem com pênis nas costas, participantes realmente malucos de reality shows (“FAZER O QUÊ SE EU NÃO SENTI UMA ENERGIA BOA VINDO DE TI, VELHO?”), nadadores paraolímpicos com nomes sugestivos. Fechar os olhos pra comicidade inerente a essas situações é fechar os olhos pra essa realidade em si.

Quem não se permite rir do que é naturalmente engraçado deve ter uma vida difícil de viver. Porque cada uma dessas demonstrações de bom humor que a vida dá são só a prova de que ela é muito bem humorada. Sarcástica, até. E mesmo se você não souber rir dela, ela rirá de você. E aí será tudo muito mais difícil. Porque quem ri por último…

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Seu tatuador é ladrão?

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Não? Porquê ele roubou todas as estrelas do céu e colocou na sua cara.

HÁ.

Com 56 estrelas no rosto, garota denuncia tatuador

Não sei, POSSO ESTAR SENDO MALDOSA. Mas quem tem tatuagem sabe que, assim, né? Tem alguém cortando você e pintando esse corte. Se você pede 3 estrelas e fazem 56 em você, eu diria que você seria capaz de notar que há algo errado PELO MENOS lá pela décima estrela, se você for ruim de percepção.

Tem aquela música do Offspring, Pretty Fly (for a white guy), que tem um trecho que diz algo como: “Now he’s getting a tattoo, yeah/He’s getting ink done/He asked for a 13/But they drew a 31″.

Foi uma das primeiras músicas que eu aprendi a cantar em inglês, e aprendi o significado. Tinha uns 11 anos e pensei “HÁÁÁÁ, que loser. Queria um 13, desenharam um 31. Cara otário”. A situação dele tá ok perto da dessa menina.

Quando a gente ouve falar dessas pessoas, celebridades ou não, que tatuam o nome do namorado/a, acho que todo mundo faz um facepalm. Tipo, bate a mão na testa e pensa “puta merda, que burro”. Mas po. Não é tão ruim – todo mundo que faz isso faz escondido, tipo atrás da orelha, no tornozelo, na parte de trás do ombro. E geralmente é pequena. Terminou, cobre com outra coisa e bola pra frente.

Essa menina vai cobrir com o que, meu deus? Vai complementar com galáxias? Dizer que a tattoo é uma supernova? Vai desenhar a bandeira do Brasil em volta? Ahh, ops, não dá. O Brasil não tem 56 estados.

Acho que tem alguém aí que se arrependeu e quer tirar uma grana de um tatuador esquisito.

Mas é um palpite leviano. Quem sou eu pra julgar.

Editado: no Blog do Link, o Rafael postou uma dica imperdível – o Kimberlizer. Trata-se de um site que te dá a oportunidade de ver como você ficaria se quisesse tatuar 1, 2 ou 3 estrelas estrelas na cara, IGUAL À KIMBERLEY! UHU! Clica aqui pra ler sobre a idéia genial. É por isso que eu adoro a internet. Eu escolhi 3 ESTRELAS. VEJA COMO FIQUEI INCRÍVEL!

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*Esse seria o típico post pro Piada Pronta, meu outro blog, o da MTV. Mas tenho tanta ideia separada pra lá e essa história era tão boa que deixei pra cá. Ou seja, vou continuar tocando os dois paralelamente que tá tudo certo. Peace out.

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Blá blá blá diploma blá blá blá jornalismo blá blá blá absurdo

Ai que saco. Odeio ter que falar sobre alguma coisa, sabe? Quando você precisa escrever sobre algo, mesmo que não considere aquilo algo com que se perder tempo com. Mas todo mundo fica me perguntando o que eu acho disso, então vou escrever aqui – daí, quando perguntarem só mando o link.

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Jornais estão morrendo, jornalistas também. Nada mais apropriado!

Na quarta-feira o STF votou, por 8 a 1 (uhú!), o fim da obrigatoriedade de diploma de jornalismo para exercer a profissão. Eu trabalho numa redação, uma das maiores do país, e sinceramente não vi ninguém chorando por lá. Mas no Twitter eu vi. Ah, como vi gente se lamentando. “Ai, porque é um absurdo”. “Ai, porque isso é desvalorização da educação no país”. “Ai, porque agora qualquer um pode ser jornalista…”

Aaaahh, a tradicional arrogância da classe. A maior prova dela é uma porção de gente ter se ofendido com a comparação do ministro de jornalista com cozinheiro. Gente escrota. Desde quando ser jornalista é melhor do que ser cozinheiro? Quem devia se ofender é o cozinheiro, po.

Amigo que não é jornalista, tem algumas coisas que você precisa saber. A primeira delas é que o mercado de jornalistas está repleto de gente que exerce a profissão de maneira formidável e não é formado, desde muito tempo. A segunda é que a faculdade de jornalismo no Brasil forma pequenos especialistas em grandes generalidades com vagas noções de técnicas de redação. A terceira é que… sei lá, não tem terceira. Sou jornalista, não sei contar.

Pra ser jornalista, e eu sempre achei isso, não adianta ter faculdade. Jornalismo é espírito. Envolve gostar de estar bem informado, ser curioso, em alguns casos gostar ou saber escrever, gostar de ler, ter visão global de fatos, saber editar, uma série de coisas. Faculdade pode ensinar algumas técnicas, mas se algumas características já não estiverem lá, incubadas, faculdade não faz milagre. E essas técnicas você só aprende de fato exercendo, no mercado – ou seja, não precisa exatamente cursar jornalismo pra aprendê-las, precisa é trabalhar com jornalismo. Idem pras questões éticas que envolvem a profissão: elas estão em pauta o tempo todo no dia-a-dia, e você não precisa de sala de aula pra discutí-las, porque pode fazer isso com seus amigos no bar, já que necessariamente precisará tomar decisões que envolvem ética no cotidiano, e se não fizer isso de maneira adequada não vai durar muito tempo no mercado.

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O Tintin, por exemplo – não precisa de diploma, é claramente
jornalista por vocação. Simples assim

Além disso, você acha que por causa da queda da obrigatoriedade do diploma alguma empresa vai mudar os critérios de contratação? De maneira alguma. Vão continuar exigindo os mesmos conhecimentos gerais (talvez até mais!), as mesmas habilidades em texto, as mesmas capacidades multimídia. A faculdade, talvez, se torne um diferencial desejável. O mercado vai ficar sim mais concorrido, e isso é ótimo pra sociedade!

A Folha de S. Paulo nunca exigiu formação jornalística pra contratar repórteres. É o maior jornal do país. E quem você considera mais qualificado para falar sobre economia – um economista que domine as técnicas jornalísticas ou um jornalista que entende um pouco de economia?

Pois é. A Folha prefere o primeiro cara. E eu acho justo.

Não reclamo da não obrigatoriedade do diploma porque acho que os profissionais qualificados continuarão tendo espaço no mercado, por motivos mais que óbvios. A qualidade da informação vai aumentar, porque a concorrência vai ser maior e aquele carinha que só tinha formação em jornalismo vai precisar de uma pós em história pra competir com o historiador que tem bom texto no mercado.

É hipócrita o jornalista que chegar aqui e me disser que a faculdade o ensinou a ser jornalista. Ensinou-o a beber bem, a fazer bons contatos profissionais, a ir no Juca. Se na minha faculdade (e nas de todos os meus amigos) os próprios professores fazem vista grossa pras nossas faltas já a partir da metade do curso, por compreenderem que nessa altura do campeonato a maioria das pessoas já está no mercado e a faculdade se torna supérflua, como alguém tem coragem de dizer que 4 anos de faculdade de jornalismo são realmente necessários?

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Zé Bob, por outro lado, tenho certeza que tinha diploma,
mas nunca conheci um jornalista que trabalhasse tão pouco

Sou defensora de um curso técnico de dois anos de jornalismo, em formato de pós graduação. Os profissionais de outras áreas cursariam suas faculdades – direito, geografia, medicina – e com mais dois aninhos de técnicas jornalísticas e discussões sobre ética profissional e estariam habilitados plenamente a falar em veículos sobre o assunto. Felizmente, me parece que com essa mudança legislativa, essa possibilidade se torna mais atraente para as faculdades por aí. Espero ansiosamente uma posição por parte do MEC. Seria bem legal.

Conclusão: com a mudança se ferram os profissionais medíocres. Os bons, ganham, porque continuam no mercado seja como for; a sociedade, que consome notícias, também, porque a concorrência aumenta e logo qualificação dos profissionais também.

A única coisa que eu lamento nessa lei é que ela poderia ter saído há uns 5 anos, coisa assim. Eu poderia ter feito relações internacionais, e hoje estaria tinindo em Jornalismo Internacional. Mas é a vida.

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E o Clark, que tinha diploma, era jornalista,
mas que na verdade tinha por vocação o super-heroísmo?

A propósito: já que exerço a profissão há 4 anos, e não preciso mais do diploma pra me considerar profissional, já posso dizer que sou, sim, jornalista. Não é pelo título, glamour, nada disso. Não acredito nessas bobagens. É só porque isso diminui drasticamente as chances de ter o telefone desligado na cara ao ligar pras fontes dizendo “Oi, eu sou estudante de jornalismo….”

*Tenho prova até o fim dessa semana. Tava afim de faltar, ligar pro professor que orienta o TCC e rir da cara dele. Ele é legal, mas só pela graça que isso teria. Mas.. só faltam seis meses, né? Melhor eu terminar. E só faltam dois dias de provas.

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Entenda o papel da internet, das redes sociais e do Twitter no cenário no Irã – e não vai ser chato, eu juro

A história de luta no Irã é complexa e data de vários séculos - acredite ou não, começou com a invasão do território pelo Império Otomano, em 1500 e alguma coisa. Sei muito pouco sobre o Irã, antigo império Persa, mas aprendi bastante desse pouco depois que li, há um mês, o fabuloso Persépolis, de uma moça chamada Marjane Satrapi.

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Esse é o livro – clica aqui pra comprar

Nós, ocidentais, sabemos muito-pouco-quase-nada sobre o Oriente. Achamos que é tudo deserto, camelos, Alah e burcas. Felizmente, assim como nós no Brasil somos um pouco mais do que criadores de macacos selvagens, o Irã tem uma longa, loooonga história de oposição política à ditadura islâmica, marcada por muito sangue misturado a, adivinhem, petróleo. Não vou dar aula de história aqui – leia o livro, vale a pena, é uma graphic novel: ou seja, quadrinhos, as edições encadernadas num livrão. A questão é que a polêmica da fraude da reeleição de Ahmadinejad está se tornando um case fantástico para mostrar o poder das novas mídias e isso me deixa estranhamente feliz.

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Os defensores da democracia lutam por ela naquele país há quarenta anos, sem esmorecer. Eles passaram por torturas, desaparecimentos, opressões semelhantes ou piores às que a gente passou aqui nos anos de ferro. A censura lá é brava, não há absolutamente liberdade de expressão, algo que pra gente do ocidente e que nasceu no fim dos anos 80 é inconcebível. E boa parte dos que continuam lutando e morrendo pela democracia (alguns, inclusive, pelo direito de não ter dogmas religiosos instituídos) são estudantes. A Universidade de Teerã, por exemplo, ficou cercada pelas forças nacionais na última semana.

Até aí, nada de novo. Jovens curtem essas paradas subversivas, essa é a história. Aqui a gente assiste Malhação, lá eles confrontam as forças nacionais, acontece. A coisa é – eles estão se organizando pelo Twitter. E de maneira brilhante, sem precedentes.

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O Twitter já foi usado de forma igualmente brilhante em coberturas de desastres, em outros casos de acusações de fraudes eleitorais e já mostrou que é uma ferramenta de valor incontestável nesse sentido. O governo iraniano, inclusive, tentou bloquear as conexões ao site, mas os usuários contornaram e usaram proxies. Depois, o governo bloqueou a busca pela tag que estava sendo usada pelos iranianos para cobrir os massacres e as repressões, #iranelection, e eles se organizaram e trocaram de tag (para #Teeran); e por último, mas não menos importante – os iranianos mobilizaram usuários do Twitter ao redor do mundo inteiro para que troquem a nacionalidade de seus perfis, todos, para Teeran, fuso horário +3:30 GMT.

Isso é para confundir os censores iranianos, que podem buscar os perfis de quem tem twittado com as tags em questão, e perseguir aqueles que se dizem de nacionalidade iraniana. MAS se todo mundo no mundo viver em Teeran, bem, talvez eles tenham dificuldade em identificar quem tá falando a verdade e quem não tá.

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Pela internet, os iranianos fizeram toda a cobertura que o governo impediu que a imprensa fizesse. Está tudo no Twitter, no Flickr, no YouTube. Só não vê quem não quer. E a partir do momento que os usuários fazem o tema se tornar relevante na internet, a mídia de todo o mundo passa a considerar o assunto pauta. Mesmo se não fosse. E começam a noticiar o conflito a partir das poucas, únicas fontes disponíveis – os twitteiros e flickeiros que estão nas ruas de Teerã relatando os fatos.

Tem censura de internet em outros lugares, também. A China é um exemplo. Mas na China não há conflitos tão longos, que envolvem questões econômicas, políticas e religiosas, não há o cenário de instabilidade política que o Irã tem agora, e há um crescimento econômico vertiginoso – tudo isso ‘amansa’ as pessoas. Quem me explicou essa parada foi o Pedro Dória, há duas semanas, numa entrevista que gravei com ele, por telefone, para o site do Link (mas que acabou não indo pro ar, infelizmente).

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A conclusão que eu chego, ajudada pela análise que ouvi do Dória na outra semana e por tudo que tenho lido sobre a questão iraniana: você não consegue bloquear a internet e impedir que os usuários se manifestem de forma satisfatória se o povo estiver economicamente insatisfeito e se você não tiver apoio das grandes empresas de internet. O Google, o Yahoo – todos se submeteram às regras da China. No Irã isso não aconteceu, os bloqueios foram governamentais, deliberados. Facilmente dribláveis, especialmentepor uma comunidade intelectual.

E o mais impressionante: através de uma ferramenta de uso extremamente simples, um grupo de oprimidos em um país lá no canto do planeta consegue mobilizar uma comunidade online local e, em segundo lugar, no mundo inteiro, em direção a uma causa. Unir ocidente e oriente, de certa forma – não totalmente, mas é uma união. E consegue mostrar para o mundo o que está acontecendo, não importa o quanto o governo daquele país tente esconder isso. Ver isso acontecendo, meu amigo, é revolucionário. Fazer parte disso, de alguma forma, é viver história. Espero que você esteja se dando conta disso nesse momento.

*Se eu escrevi alguma bobagem histórica, qualquer um de vocês é bem-vindo para me corrigir nos comentários.

**O blog do Pedro Dória tá cobrindo a treta no Irã com bem mais propriedade do que eu (observação óbvia). E o texto é leve também, exceto pelos nomes dos Aiatolás. Cola lá.

***O post tá ilustrado com trechos de Persépolis, o filme. Isso, aleatório mesmo. Também tem no Submarino.

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Sua imagem, eternamente, congelada num bloco de cristal

Tem essa lenda de que as pessoas costumavam ter medo de fotografia quando esse fantástico recurso que captura o momento foi descoberto. Ou inventado. Enfim. Os antigos achavam que a câmera fotográfica era capaz de aprisionar a
alma das pessoas.

Tinha uma parada semelhante com espelhos. Acreditava-se que eles eram também capazes de capturar a alma das pessoas. Por isso, inclusive, que vampiros (os tradicionais, não os de Crepúsculo, parece) não têm reflexo em espelho – eles não têm alma.

Claro que a pessoa que chegou a essa brilhante conclusão lá na idade média não parou pra pensar que se o espelho só refletisse coisas com alma, tudo o que veríamos diante de um deles seria… nós. Ou a cama, a parede e o resto das coisas têm alma? Ok, divago.

De qualquer forma, se tem alguma invenção do ser humano que é capaz de aprisionar a alma de forma medonha, eu descobri ela neste sábado. Se chama Cristal Image.

slogan

Será que em nenhum momento, da criação do slogan até a aprovação dele, ninguém reparou que o que ele oferece não é exatamente algo, digamos, a se desejar? “Você, eternamente dentro de um cristal” pra mim soa como plot vagabundo pra episódio de Goosebumps. Eu não quero ficar eternamente aprisionada num cristal. Isso dá medo.

De qualquer forma, a Cristal Image vende blocos de cristal (que parecem acrílico) com uma imagem do que você quiser. Eles esculpem lá dentro, em 3D, uma reprodução de algo – pode ser o brasão de um time, um objeto, ou mais comumente…

Dramatic Chipmunk animated gift

…uma pessoa.

robertobizarro

É isso mesmo. Você dá uma chegada no quiosque do shopping (eu tirei a foto do Roberto na vitrine), eles fazem um scan louco 3D de você e colocam esse scan dentro de um bloquinho transparente. Esse do Roberto tinha uns 15 centímetros de altura. Aí você captura essa imagem bisonha, transforma sua pessoa (ou quem você quiser, sei lá) numa reprodução assustadora daqueles efeitos especiais de filme de terror em que a expressão dos indivíduos é congelada para a eternidade e, a cereja do bolo – DÁ ISSO DE PRESENTE PARA ALGUÉM.

Sim. A idéia é registrar as cabeças e presentear entes queridos. É um esquema moderno e um pouco menos cruel daquelas tribos que encolhem as cabeças dos inimigos e as colecionam como recordação.

Na primeira vez que vi, fiquei em volta do quiosque, chorando de medo, e me assustando com as pessoas que chegavam, olhavam a vitrine e diziam “olha, que legal!” Não vou nem comentar a pertinência decorativa do acessório (ok, eu vou – puta negócio feio pra pôr na estante, de um mau-gosto fenomenal), mas não é só isso, é pelo aspecto assustador que tem um bloco de vidro com a expressão de alguém congelada. E alguém deve fazer dinheiro com isso – não é pouco, vide o preço do Roberto.

AH. E falando no preço do Roberto, aí vem a parte esquisita – eles vendem blocos prontos lá na vitrine. É como se eu chegasse no quiosquezinho e dissesse:

- Opa. Quero um bloco de cristal com a imagem de alguém aprisionada eternamente.
- Pois não, senhora. De quem é a imagem?

- Hum, deixa eu dar uma olhada… tem alguma sugestão?
- A Tatiane e o Morelli têm saído bastante, senhora.

tatianeemorelli

- É mesmo? É, eles parecem bem felizes. Acho que vou levá-los, vão ficar lindos no aparador da sala de estar.

I mean, QUEM PAGA R$129,00 por um bloco de vidro com um cidadão desconhecido chamado Roberto, sua expressão de insanidade congelada para o resto da eternidade congelada sobre a mesinha de canto? Por quê?

Parece que a resposta é difícil mesmo, porque segundo o site da Cristal Image, que é uma marca no estilo franquia, só existem duas lojas – uma no Shopping ABC (uhú!) e outra no Mauá. Sucesso.

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As pessoas estão aspirando vodca pelo nariz por aí

Algumas coisas não precisam ser provadas cientificamente pra serem verdade. Eu, como jornalista, e os amigos acadêmicos que acá frequentam, sei que estamos acostumados e buscar as fontes e a credibilidades delas todas as vezes que lemos uma generalização ou algo assim.

Mas tem uma verdade inegável sobre o ser humano, essa incapaz de ser comprovada assim, ipsis literis, por qualquer pesquisa científica – a gente é estúpido pra caramba.

Não que eu esteja reclamando. Se você reparar, boa parte dos textos desse blog só existe por causa dessas pessoas estúpidas. Mas poucas delas chegaram a esse nível de babaquice, ao nível de tomar vodca pelo nariz.

Vodca pelo nariz: mania nas baladas européias chega ao Brasil

Eu não gosto de beber por dois motivos – não aprecio o gosto da bebida e meu estômago embrulha muito rápido quando em contato com o álcool. Mas gosto de ficar bêbada eventualmente. Logo, a solução é apelar para drinks fortes, cujo efeito é sentido em poucas doses. Assim, eu me torturo menos. Tequila é a opção que eu mais aprecio.

Mas CHEIRAR VODCA? É o cúmulo da malandragem hipster descolada unida a sei lá o quê. Não sei o que é, é muita decadência. Eu entendo perfeitamente porque essas bandas tipo o Jonas Brothers, que pregam os valores da família, fazem sucesso. É que a nossa geração virou escrava da própria liberdade. De tanto poder fazer tudo, a gente chegou num ponto em que nada mais surpreende, nada mais é tabu, mais nenhuma sensação é suficiente, o vazio tá sempre lá. E como a geração seguinte vem pra quebrar o que a anterior fez, algum marketeiro percebeu isso e lançou três meninos que, indo contra a corrente, defendem a virgindade até o casamento. Esperto.

Já vi nego fumando fósforo, orégano, casca de banana só pra ver se dava barato (é sério). Devia ter suspeitado que iam chegar a cheirar vodca. Eu sou a favor da alegria baiana de viver, sabe? Quer fumar, fuma. Quer beber, bebe. Quer cheirar, cheira. Mas veja bem, até o ditado separa as coisas direitinho – “quer beber, bebe”, e não “quer beber, cheira”.

Cheirar vodca deve ser horrível. Imagino que é algo como se afogar em álcool. Se você, quanto arrota Coca-Cola, já fica com o nariz ardendo, imagina sentir VODCA passando pelas vias respiratórias e descendo pelo pulmão? E tudo isso porque você fica bêbado mais rápido? Não tem nenhum outro benefício. Basta começar a beber antes e pronto, você tem o mesmo efeito do jeito convencional.

É como se você tivesse com dor de cabeça, eu te desse uma aspirina e você enfiasse na bunda dizendo que a absorção pela membrana anal é mais rápida. Ok, MAS SERÁ QUE COMPENSA?

Pense nisso.

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Saladas e fast-food: sutilezas de uma vida em dieta das quais ninguém fala

Existem algumas sutilezas da vida de uma pessoa em dieta que não são mencionadas pelo médico, pela nutricionista ou por essas revistas que prometem 6 quilos a menos em uma semana com o chá milagroso da Síria.

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Você dorme enquanto nós amputamos seus membros inferiores – acorde 9 quilos mais magra!

Dietas, infelizmente, podem gerar mal-estares sociais absolutamente imprevistos, já que a maioria dos lugares usados para reunir os amigos incluem comida, e normalmente essa comida não se encaixa na dieta.

É pior se você realmente sai pra comer, e não tipo, pra bater papo e a comida é coadjuvante. Vamos supôr que você está lá, faceiro e contente com seus camaradas, voltando de uma noitada divertida. Todos estão com fome e resolvem passar, digamos, no McDonalds.

O McDonalds (em itálico) é um exemplo genérico. Representa aqui o ‘restaurante fast food gostoso sem opções minimamente razoáveis pra quem não quer ingerir um mês de sódio em uma refeição’. É como chamaremos esse gênero de restaurantes, mas não representa exclusivamente a rede mencionada. Pode ser qualquer outra que se encaixe no padrão.

A verdade é que optar pelo menu light em lugares que vendem por princípio e tradição junkie food gera um mal-estar coletivo (comumente) feminino. A única pessoa no lugar que não se assusta durante o pedido é a atendente. O indivíduo que pede salada sente o tempo parando e todas as mulheres do restaurante lançando um olhar de canto de olho, um misto de culpa, ódio e admiração. E é aí que o suicídio social começa. Quando você pede salada nesses lugares, lembra as pessoas ao redor que elas poderiam estar comendo algo um pouco mais saudável mas não o fizeram por opção, e isso as faz sentirem-se mal. Terrivelmente mal.

Além dos olhares desconhecidos de desconforto, a prática da salada também gera constrangimento na propria mesa da pessoa em regime, em alguns casos. Se você estiver acompanhado/a de mulheres e se elas não forem muito próximas de você, vai reparar que algumas frases de ressalva começarão a surgir. São os argumentos de auto-comiseração, que num contexto social funcionam para a moça que de sobremesa pede o Sundae e não a maçã (blergh!) como amenizadoras da culpa enorme que você e sua outrora inofensiva dieta despertaram nela. São coisas faladas entre dentes e como se fossem uma piada, e variam entre coisas como “veja como sou gorda, enquanto como um Big Mac nojento você se delicia com um talinho de agrião”.

agriao
Uma sinfonia de sabores e texturas infinitas, o agrião contém

E você quer saber de uma coisa? Desculpe, mas ir ao McDonalds e pedir salada é como pedir um Big Mac e um refrigerante diet. É completamente inócuo e só vai fazer você parecer idiota. Se você tá na chuva, guarda-chuva não serve pra nada.

Primeiro que não adianta sair com os amigos e fazer eles se sentirem mal todas as vezes porque você não compartilha das coisas gostosas que, convenhamos, fazem parte da confraternização. O bolinho de queijo, o chopp, as fritas – tudo isso faz parte do happy-hour, você está no happy-hour, então coma e por favor não peça uma porçãozinha de queijo minas grelhado porque isso vai ser chato. E se acontecer sempre, as pessoas vão começar a te achar a/o mala que nunca bebe a cerveja ou come o provolone à milanesa. De que adianta ficar mais magro e saudável se você ficar chato?

Sair pra ficar se preocupando com calorias? Na boa, prefiro ficar em casa. E se o seu regime é tão rigoroso que na sexta você não possa sair de casa e desviar um pouco dele, provavelmente quando vocêm tiver uma recaída vai comer tanta coisa proibida que vai desistir da dieta. Ou seja – a não ser que você vá a happy hours todos os dias, petiscos de bar uma vez por semana não vão acabar com você.

É por isso que eu, como defensora constante da verdade (pfff) e combatedora da hipocrisia social, clamo: ainda que você esteja de regime, nunca vá ao McDonalds e peça a salada. McDonalds é lugar de comer coisas gostosas, cheias de óleo, que bloqueiam as artérias e te fazem sentir entupida de comida altamente não saudável. Salada não faz isso. Salada a gente come em casa, mais gostosa, com molho preparado em casa, com os ingredientes que a gente quiser.

Se você realmente for dar-se ao trabalho de sair de casa para ir ao McDonalds, mas não quiser mesmo enfiar (tanto) o pé na jaca, é só trocar o refrigerante por um suco e pedir um lanchinho daqueles com frango grelhado. E mesmo assim, ainda defendo que se você for ao McDonalds, coma o lanche que mais gosta, não importa o quão vilão ele for.

Ainda assim, se você optar pelo lanchinho nhé com franguinho grelhadinho e saladinha bléh, mais o suquinho esquisito, vai surgir a inevitável questão: ‘E quanto à batata frita?’. E eu respondo – coma. Senão, não faz sentido ir ao McDonalds. Não faz sentido viver se privando das coisas legais – isso inclui comidas gostosas e momentos legais com os amigos -, não importa o motivo.

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