OEsquema

Arquivo: julho de 2009

Sobre tatuagens bluetooth, Tarso e um futuro apocalíptico

Às vezes minha cabeça pára de funcionar. E não é quando eu durmo. É como se, atrapalhada pelo excesso de informação e principalmente preocupada pela quantidade enorme de coisas na lista de tarefas e obrigações praquele dia, a parte que se comunica do meu cérebro ficasse momentaneamente incapacitada de produzir.

Eu tô experimentando essa situação nesse momento, já que faz algumas linhas que venho tentando começar um texto sobre uma tatuagem bizarra sobre a qual li esses dias. É uma mistura de tatuagem de Harry Potter (elas se mexem) com chip futurista à là Tarso (clique para ampliar):

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É uma tattoo de interface digital, implantada na pele via microcirurgia, que interage com Bluetooth e usa como energia pra funcionar o nosso próprio sangue, por um processo explicado bem por cima no link original. Sério. Ela tem interface touchscreen, mas não é touchscreen porque NÉ, não tem uma tela. Mas poderia ser touchskin, daria certinho e ainda rolaria um trocadilho maroto.

Não sei se essa parada funciona em seres humanos, se não é uma pegadinha de primeiro de abril, se dá câncer ou interfere no sinal do telefone-sem-fio. Na verdade, ainda estou meio chocada. Sei que depois que você tiver uma pode atender seu celular pela tatuagem. Ela pode exibir vídeos e fotos. Puxa, eu não me surpreenderia se ela tocasse música, tivesse 8GB de memória interna. Ela tem bluetooth! Daria até pra usar fone sem fio. Eu assistiria LOST no meu antebraço, e cara, o quão legal isso seria?

A gente fica discutindo aí a revolução do mobile, da música digital, como a internet vai mudar a maneira de fazer jornalismo… mas daqui a pouco a parada está debaixo da nossa pele e a gente nem vai precisar ser abduzido pra isso. A gente vai QUERER por essa parada debaixo da pele. Especialmente se for um modelo Apple.

É mesmo tão assustador e futurista e Jetsons-like quanto parece, e os Testemunhas de Jeová vão dizer que isso é a prova de que o Messias está chegando, e os evangélicos dirão que essa é a marca da Besta que será implantada em todos os pulsos das pessoas… tanto faz, é sempre a mesma coisa, mesmo. A questão é que está chegando uma era em que os profetas mendigos de rua vão começar a anunciar o apocalipse, e eu vou acreditar neles. Um era em que nos confudiremos com as máquinas. Em que nanorobôs viajarão pela nossa corrente sanguínea curando doenças e aquelas capas aparentemente fictícias da SuperInteressante farão sentido.

Pra mim, só interessa que inventem um dispositivo bluetooth que seja semelhante à penseira do Harry Potter – através de um botão na minha têmpora, eu transmitiria todo o excesso de dados para um cartão microSD localizado, digamos, na unha do meu polegar. Assim, talvez, eu conseguisse organizar meus pensamentos e ideias em pastas e minha mente não fosse essa bagunça. Com ou sem anúncio de apocalipse, aguardo por esse dia.

Por enquanto, fico com minha tatuagem analógica de Dr. Manhattan.

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Você pagaria para quebrar coisas?

Taí algumas coisas que me irritam:

- As gíria mára, peguete e fodástico;

- Quem faz aqueles ‘quizzes’ do Twitter e manda os resultados via Twitter;

- Sites com musiquinhas de fundo, sejam elas quais forem;

- Gente ouvindo música no alto-falante do celular no trem/ônibus/metrô, não importa que música for;

- Insetos;

- Filas;

- Pegar gripe.

Hoje eu só tive que aturar um mára, alguns quizzes do Twitter e uma desgraça de uma gripe fortíssima, pior do que qualquer uma que eu já tive, e isso sem dúvida foi o suficiente pra me irritar.

Liga aqueles rolos-compressores de sucata, que transformam um carro num cubinho de metais? Eu me sinto como se tivesse passado por um deles. Cada centímetro de cada articulação minha dói. Minha cabeça dói. Respirar muito fundo também dói.

sucata

Enquanto vou passando os dias à base de Resfenol, Cimegripe, sopinha e cama, resolvi compartilhar com você, amigo que não está infectado, minha descoberta mais divertida da semana.

Voltando à parada da irritação. Tem gente histérica no mundo. Gente barraqueira, sem limites, que deixa a raiva tomar o controle e nesses estados acaba cometendo atos violentos. Existe também aquela pessoa que se controla, mas guarda tudo e dias depois acaba virando o tiozinho do Dia de Fúria.

Infelizmente, no Brasil nenhum empresário visionário teve capacidade de explorar o mercado das pessoas surtadas. Mas no berço do capitalismo ocidental moderno, alguém teve essa ideia. Em vez de clubes de tiro e casas de massagem para aliviar o stress, vem aí uma nova categoria de negócio, encabeçada nos EUA pelo Sarah’s Smash Shack (numa tradução imprecisa e duvidoda, galpão de esmagamento (ou de destruição) da Sarah.)

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Tá rolando promoção de aniversário no site!

Não se engane: o cubinho de sucata a que eu mencionei me sentir semelhante não tem nada a ver com o ‘esmagamento’ aqui prometido. Na casa de alivio de stress da Sarah, você pode alugar cômodos privativos para destruir coisas. Essas coisas são cedidas pelo próprio estabelecimento, e pelo que eu entendi, podem variar de pratos a celulares.

Fala a verdade – todo mundo sempre quis jogar o telefone no chão quando o medidor de sinal não passava de dois indicadores. Ou tacar um prato de porcelana na parede durante uma discussão. A gente só é civilizado demais para fazer isso.

A Sarah atua no centro de São Diego e promete muita diversão em seus cômodos privativos. Ela aluga o lugar para despedidas de solteiro, festas corporativas, aniversários ou mesmo reuniões com os amigos. E você pode plugar seu MP3 Player ou iPod na sala para ter sua própria trilha sonora de som ambiente – embora, vamos concordar, não há prazer em quebrar um prato se você não puder ouví-lo se despedaçando.

Pra garantir sua satisfação, a Sarah disponibiliza no site do empreendimento fotos e testemunhos de gente que frequenta o lugar e se sente muito bem, obrigada, em pagar para quebrar coisas. Todos relatam uma sensação inexplicável de bem-estar depois das sessões e muitos classificam-na como ‘terapia que realmente funciona’.

Os preços variam de acordo com o tipo e quantidade de objetos que você quer quebrar. 10 pratos saem por US$35; se quiser um refil com mais 10 deles, paga só U$20. Estão disóníveis também vasos, copos, cinzeiros e porta-retratos pra você colocar a foto que quiser e destruí-la também. Levar seus próprios objetos também é permitido, por preços que variam de acordo com a quantidade. Ainda assim, acho que o kit mais legal é a Mystery Box, que por US$29 entrega 10 itens surpresa para que você destrua sem arrependimentos.

O mais legal é que depois de quebrar tudo, por US$10 você pode levar os cacos pra casa dentro de um belíssimo aquário de vidro.

Agora fala pra mim – vale ou não vale a pena?

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A verdade sobre as cerejas em calda

Eu não sei como contar isso pra você sem provocar reações imprevisíveis, por isso, vou começar devagar. Não leia se você for gestante, cardíaco e essas coisas.

(Imagine uma musiquinha relaxante bem cafona tocando de fundo. OU MELHOR: DÁ O PLAY! HEH)

Num tempo bem longínquo, quando Deus criou todas as coisas, ele resolveu colocar na natureza uma frutinha simpática e muito saborosa chamada cereja.

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De textura macia e sabor ácido e adocicado, além de um único carocinho em seu miolo, a cereja alimentou viajantes incautos e camponeses famintos por milhões de anos. Deus achou interessante também colocar um cabinho na cereja. Assim, ficaria fácil comer a frutinha e se livrar do carocinho incoveniente.

Milhões de anos depois, o ser humano dominou as ténicas de cultivo da cereja e de sua árvore, a cerejeira. Mesmo assim, como se trata de uma fruta de origem asiática, e nosso país tem um clima muuuuito diferente do da Ásia, é meio caro comprar cereja por aqui.

O homem, com o passar dos anos e a revolução industrial, encontrou maneiras mais fáceis de se alimentar. Maneiras que não exigiam que ele plantasse uma cerejeira ou caçasse um boi. Ele podia ter todas essas coisas mesmo sem cultivá-las ou matá-las. Ele podia pagar para que fizessem isso pra ele. Além disso, o homem inventou as frutas em calda e desidratadas, o que trouxe a natureza para dentro do nosso lar de maneira inexplicável.

Doces sabor cereja são muito comuns no nosso país. As docerias estão repletas deles. Mas você, que num ou em outro Natal já provou cerejas in natura, sabe que o sabor delas difere diametralmente do sabor artificial dos doces sabor cereja que provamos todos os dias. Difere inclusive do sabor da famosa cereja em calda, que é facilmente encontrada em bolos e guloseimas nas padarias do país.

A química avançou de modo incrível, e os bons flavorizantes artificiais simulam com perfeição o aroma e o sabor de alimentos naturais. Mas a cereja… a cereja continua diferente.

É quase… é quase outra coisa.

(AGORA VOLTA LÁ NO COMEÇO E PARA A MÚSICA)

É outra coisa. Cereja em calda, meu amigo… CEREJA EM CALDA É CHUCHU!

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Dramatic Chipmunk animated gift

Isso mesmo. A maioria das cerejas em calda encontradas em supermercados é feita de chuchu, um legume que supostamente absorve a cor e o sabor de qualquer coisa. Sei que é difícil de acreditar, mas basta uma olhada mais atenta nas letras miúdas da embalagem para comprovar. O Google tem informações imprecisas a respeito, mas você encontra rumores aqui, aqui e aqui. E esse post esclarece toda a verdade.

Eu clamo pela sua compreensão. Isso não é teoria da conspiração. Não é um boicote à indústria de chuchus. Ou à indústria de cerejas em calda. Minha única função aqui é propagar a verdade.

Eu sei que é difícil, mas chega uma hora da vida que você precisa saber que o logo do Carrefour não é um etzinho e que a Mama Bruschetta não é exatamente uma senhora. E com essa hora, chegam outras revelações – uma delas é que cereja em calda é chuchu.

Isso só prova o quanto vivemos num mundo de aparências, o quanto somos apegados a paradigmas. Se a cereja em calda é feita de chuchu, do que será feito o frango que comemos todos os dias? O bife? O leite?

Fique atento. Não leve especialidade láctea por requeijão. A vida tem desses truques, mas agora você estará preparado.

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Da série ‘eu preciso de um emprego com urgência’


Alemão faz 12 navios de papel de 5,5 milímetros e bate recorde

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Na boa, eu tenho uma vida até que bem atribulada pra uma menina de 21 anos. Trabalho, tenho uns outros 4 ou 5 projetos paralelos dos quais nem dou conta porque quero abraçar o mundo etc. E respeito o trabalho dos artesãos espalhados ao redor do mundo. É bonito, nesses dias de máquinas e robotização de mão-de-obra, ver gente que emprega a força de trabalho de maneira única e especial em algo.

Exceto se esse algo forem barquinhos de papel de 5,5 milímetros.

Repare que até a reportagem reconheceu a irrelevância da notícia e chamou os barquinhos de NAVIOS DE PAPEL, que é pra dar uma glamour maior.

Acho interessante, mas até aí eu rasgo um pedacinho minúsculo de papel e digo que lá tem um Tsuru de 2,1 milímetros e quero ver provar que não tem. Na boa, tô no rolê da humildade mas faço o meu melhor pelo mundo. Eu juro. Posso não criar nanorigamis, mas faço um miojo ao queijo supimpa. Cada um contribui como pode.

Esse tio virou notícia por causa de algo que eu nem tô VENDO? Qual a utilidade disso? Como estão as taxas de desemprego na Alemanha? Este senhor precisa de um trabalho.

E digo mais – o mundo anda tão, mas tão sem graça, que essa tosquice foi a coisa mais interessante sbre a qual eu encontrei pra escrever. Tenho ideias de textos sobre meu cotidiano, mas acho legal intercalar com comentários factuais. E como não tinha nada na manga, fui fazer a leitura diária… pô, não tinha nada de interessante. Nenhum vídeo polêmico. Nenhuma celebridade fazendo besteira. Nenhuma decisão judicial polêmica, ninguém fazendo merda por aí, nada.

Fique atento, meu amigo. Se a notícia mais interessante do mundo é que um cara fez um barquinho de papel de 5,5 milímetros, está na hora de estocar mantimentos.

*Se tiver alguma ideia boa, comenta aí.

**Os resultados/entrega de prêmios das últimas duas promoções vão sair, eu só preciso ter tempo pra isso. Desculpe o transtorno.

***Tô postando no blog da Closeup diariamente desde o início do mês. São textos curtos, bem pessoais, que falam da minha rotina – algumas coisas mencionadas lá você com certeza já leu por aqui se for leitor das antigas. Passa lá e dá um oi se tiver afim.

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Uma invenção que pode significar o fim dos paparazzi – ou não

Pessoalmente, não tenho nada contra os paparazzi. Uma vez assisti um filme que chegava a ser engraçado de tão forçado – o nome era Paparazzi mesmo e contava a história de três fotógrafos que eram os vilões e arruinavam a vida de uma celebridade que só queria ser feliz com sua mulher e filhinha. Um deles, se não me engano, era um Baldwin. Um dos 20.

Tenho amigos fotógrafos e sei que eles não são tão maus assim. Não causariam um acidente grave pra conseguir uma foto. Um acidente leve, talvez, mas isso é justificável né? A pessoa precisa trabalhar e tudo.

Eu sei que quando se trata de alguém muito cobiçado, a coisa é realmente feia de se ver. Um bando de fotógrafos ao redor de um fulano super famoso é chocante, parecem urubus atrás de carniça mesmo, se atropelando por um clique. Falo ‘urubu’ aqui e não é no sentido pejorativo, é porque é a referência mais próxima e a cena é bem semelhante.

Acontece que, por outro lado, dá pra entender a vida desses caras, especialmente os freelancers. Eles moram em Hollywood e precisam conseguir as fotos pra vender, não têm salário fixo. E a gente sabe que a indústria das celebridades, em boa parte do tempo, se beneficia dessa superexposição. Muitos wannabe famous são loucos para terem os flashes na cara – já vi mulheres frutas vibrantes por seu momento ter finalmente chegado. Ou existiria outro motivo pra mulherada famosa sair de vestido curto sem calcinha, fazer sexo no mar e aparecer de roupa esquisita?

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É por isso que eu acho que nem toda celebridade moderna vai ficar tão satisfeita com a invenção mostrada nessa foto.

Um cara chamado Adam Harvey desenvolveu um dispostivo supersimples capaz de acabar com a profissão dos paparazzi. É um flash extra, com um LED superbrilhante e acionado por sensibilidade à luz. Assim que ele percebe o flash da câmera, dispara e ofusca a foto. O cara tá tentando inclusive patentear a invenção, porque parece algo simples de fazer até em casa.

E se a moda pegar mesmo, esse é o tipo de invenção que muda o mundo. Não completamente – aqueles flagras de topless no iate no meio do mar que os caras fazem de dia, com teleobjetiva, ainda não poderão ser evitados. Mas se esse dispositivo se tornar comum entre as celebridades, a gente vai saber quem realmente não quer ser fotografado e quem, no fundo, tá precisando muito chamar a atenção. Porque o segundo grupo não vai poder portar a invenção supracitada.

E isso vai criar uma nova lei de mercado maluca. Quem andar com o aparelhinho vai ser ainda mais cobiçado pelos fotógrafos, que vão ter que encontrar outros meios de burlar as barreiras pra fotografar esses caras. E quem não andar com o flash na bolsa vai ser considerado ‘facinho’. Daí nenhuma revista vai querer foto daquela mulher sem calcinha porque, né, é óbvio que ela tirou a calcinha pra ser fotografada, e se não tava com o flash ofuscador master plus…

Óbvio que as revistas vão continuar querendo as fotos. São mulheres sem calcinha, isso vende muito. Elas só vão valer menos.

De qualquer forma, não acho que a invenção chega a acabar com a profissão de paparazzi, como vem sendo anunciada. No máximo, vai criar um novo padrão nos preços que as publicações pagam pelas fotos-flagras. Pelo menos agora não tem mais desculpa pra sair dando chilique e porrada em fotógrafo por aí – nesse  caso sim a gente vai ter como saber se o famoso tava puto mesmo ou se só queria aparecer mais ainda ao quebrar a câmera de seu perseguidor.

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Ai, não gostei dessa invenção

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Quem tem medo da Gripe Suína?

Agora todo mundo tem medo desse negócio. Me dá coisas quando ando na rua e vejo gente de máscara. Acho que dá um certo glamour pro país, sabe? Porque a gente é atrasado até na chegada das epidemias. Tava o mundo desenvolvido inteiro já na vibe das máscaras antigripe. Europa, EUA, todo mundo. Por aqui só chegou agora, como sempre.

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Não basta estar protegido, você tem que fazer isso com estilo

Quando vejo pessoas de máscara na rua alguns pensamentos intrigantes me acometem. A saber:

1) Será que ele sabe que a máscara não previne que o indivíduo contraia o vírus, só diminui a chance de transmití-lo caso ele esteja com sintomas da doença?

1.1) Se sabe, então há suspeitas de que ele esteja infectado? Devo correr?

1.2) Se não sabe, eu deveria avisá-lo para poupá-lo do constrangimento que essa postura patética está causando ao redor?

A questão é que eu não consigo entender tanto alarde por causa da doença. Quer dizer, consigo – é que os jornais tratam como se fôssemos todos morrer de dor de garganta e febre alta. As manchetes da semana passada diziam “Morrem mais dois infectados pela gripe suína. Vírus já está a solta no país”. Oi? “A solta”? É tipo “Prendam este vírus!”

A Gripe Suína é só uma variação um pouco mais letal da gripe comum. Pode afetar gravemente gente com problemas respiratórios, idosos e crianças. Mas é só isso. Tem tratamento, o índice de mortalidade é menor de 10% e é capaz que alguns de nós já tenhamos pego a gripe nos curado dela achando que era a comum.

Se pegar, pegou. O tratamento é IDÊNTICO ao da outra gripe, àquela que todo mundo já teve. Repouso, remédio que alivia os sintomas e só. Ou seja, não tem nenhum motivo pra sofrer por antecipação. Se tiver que pegar, vai pegar. Daí vai no médico e trata. Máscara não vai te proteger. Não há nada que possamos fazer pra evitar o contágio.

AAAHH, sim. Há sim, segundo infectologistas. Primeiros, as mãos. Você precisa lavá-las muito, sempre, evitar contato com as mucosas. Até aí ok. Mas gosto mais da segunda principal recomendação – evite multidões. Gente aglomerada. Lugares fechados.

Como é que você evita multidões no esse mundo onde tem gente saindo pela culatra? E como é, EM NOME DE DEUS, que você evita lugares fechados? Só sendo morador de rua pra ficar livre da Gripe A, portanto?

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Já consigo ver os hipocondríacos se mudando pra Cracolândia

Po, segundo essa lógica todo mundo se isola em casa. Pra evitar multidões eu não posso sair do meu quarto, porque na minha casa moram cinco, e se a gente se enfiar, digamos, no quarto do meu irmão, já vira uma multidão relativa. Não posso ir trabalhar, porque o trem pode se caracterizar como multidão confinada em lugar fechado. Não posso ficar dentro da empresa, é tudo fechado lá e tem um monte de gente.

Ou seja, é aquilo que eu disse: você não pode correr. Esse negócio passa pelo ar, máscaras não o intimidam, as dicas pra não pegar são impraticáveis e se você tiver que pegar, vai pegar. Depois disso, você se descabela. Não dê ouvidos às manchetes que dizem que o vírus já corre solto do Oiapoque ao Chuí. 70.000 pessoas morreram de gripe comum no Brasil no ano passado e eu não vi ninguém usando máscara e mandando prender vírus.

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Sobre pessoas que dão satisfações sem serem solicitadas

Daí você tá todo sossegado lá na fila do quilinho.

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Quilinho é o bandejão restaurante self-service de sua preferência

Pegou o pratinho, seus talheres e está preparado para a fase inicial da maratona, que consiste geralmente em selecionar as saladas que mais lhe apetecem e começar o preenchimento do seu prato.

Só que tem pessoas no mundo, e elas não são raras viu – podem ser eu ou você – que são indecisas naturalmente. E essa natureza que manifesta confusão diante de tantas opções dá as casas também na fila do self-service.

Você já entendeu de quem eu tô falando. São aquelas pessoas que vão pegar, digamos, uma porção média de arroz, mas que por algum motivo não fazem isso com uma ou duas investidas contra aquele bagulho de alumínio. São aqueles sujeitos que, para construir a porção almejada de arroz no prato, enchem a escumadeira 6 vezes com pequenos montinhos, até que estejam satisfeitas com a quantidade avançada.

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Acho que eu gostaria de mais oito grãos. (…) Não. Talvez 12. É, 12 vão me satisfazer, com toda certeza.

Se pudesse dizer algo pra essas pessoas, diria pra que elas enchessem a escumadeira com o alimento-alvo, observassem na própria escumadeira se a quantidade está de seu agrado e então colocassem a comidinha no prato. Caso a estimativa de quantidade parecesse menor do que o objetivo inicial, daí bastaria pegar o que faltava e colocar no prato.

Mas eu não posso e nem quero dizer, porque como destaquei no começo, ‘você tá lá sossegado na fila do quilinho’. Então não há motivo para se preocupar com essas pessoas. Basta esperar e pegar sua comida, porque na maioria das vezes vai sobrar pra você.

CONTUDO, os próprios indivíduos indecisos se sentem incomodados socialmente por estarem fazendo a fila do self-service dobrar a esquina, sendo que ele tá parado no arroz, que é um negócio que todo mundo vai pegar, então não pode passar na frente. Por mais que ninguém fale nada, ou bufe, ou olhe torto, o cara vai se sentir mal quando enfiar a colher lá no arroz pela quarta vez. Então ele se justifica – sem que alguém tenha solicitado.

Elas vão te olhar com um sorrisinho simpático e vão exclamar, amistosas – “ai, é tanta coisa que a gente não sabe o que escolher, né?” ou “nossa, essa escumadeira não é prática, fica caindo tudo da colher, aí a gente precisa pegar de novo, que inconveniente!”

(Existe outra técnica, que consiste em enrolar perguntando pra pessoa de trás se ela sabe o que é aquele empanado que parece peixe mas que, até onde a gente bem entende sobre carnes, pode ser frango. Ou porco. Mesmo quando tem uma plaquinha verde limão na frente da comida indicando do que se trata. Mas daí a pessoa é de outro tipo, não entra na categoria – embora a estratégia funcione e seja até socialmente mais aceita)

A fila do self-service é um dos lugares mais fáceis de encontrar um gênero social que eu chamo de pessoas que dão satisfação sem que você tenha pedido que elas fizessem isso. Elas estão por aí: na sua casa, no seu trabalho, na fila do banco, na chuva, na casinha de sapê. E quando você menos esperar, elas vão te dar satisfação sobre algo que você realmente não deseja saber.

Essa característica, como no caso dos enroladores de fila de self-service, muitas vezes advém da consciência pesada. O cara se sente culpado por estar causando um problema e então desanda a falar pra ver se justifica. Mas a situação toda piora. Porque:

1. se você está realmente puto com o sujeito, vai dar um sorriso amarelo e continuar puto com a desculpinha;

2. se você tá sossegado esperando ele, vai dar um sorriso amarelo e de repente vai se tocar que ele tava enrolando, daí vai ficar puto com a desculpinha.

Ou seja, dar satisfação sem que alguém te peça satisfações nunca é bom, de um jeito ou de outro. Não funciona quando você sai da fila do banco pra ir perguntar um negócio pro caixa, volta e sem que te perguntem nada explica pras pessoas de trás que já estava ali desde as 10h e que o senhor de bigode atrás de você viu você saindo e tudo. Não funciona quando você chega em casa depois do horário e sua mulher nem te pergunta nada mas você já desanda a tagarelar sobre reuniões do trabalho e um chefe chato e careca. Não tente.

AINDA ASSIM é um comportamente interessantíssimo, até divertido de observar. Comece a reparar nas pessoas que têm necessidade de se explicar sem que alguém tenha pedido explicações – sua linguagem corporal, o tom de voz, os recursos amistosos (como uma risadinha, um papinho casual) e você verá que o mundo e o comportamente humano se tornará muito mais divertido.

Mal posso esperar por um programa no Discovery Channel que, com uma câmera escondida de alta-precisão instalada no ventilador do restaurante, capte com minúcia o modus-operandi e o comportamento peculiar desse gênero tão comum na nossa espécie. Eu assistiria.

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Igreja Internacional e o tênue limite entre a piada e a coisa séria

Não é só aqui no blog que as pessoas não sabem exatamente quando eu estou falando sério e quando estou brincando. Isso sempre aconteceu, na minha vida inteira. Eu aperfeiçoei meu sarcasmo e cinismo de tal maneira que em algumas ocasiões nem minha mãe ou meu irmão têm certeza se estou brincando ou não.

Não sei se isso é legal, mas às vezes irrita quando brinco e às pessoas acham que falo sério. O inverso é engraçado, dá pra fazer piada sobre, então tá tudo bem. Mas é muito chato se você faz uma piada e ela tá tão tênue no limiar entre o que pode ser sério e o que não pode que algumas pessoas, mais obtusas, não a entendem.

Claro que não dá pra culpar sempre o receptor da piada. O emissor também pode ter exagerado. Se bem que na minha opinião modesta, a piada fica mais engraçada ainda se alguém considera que aquilo podia ser verdade.

Você já leu alguma coisa no site da Igreja Internacional?

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Aparentemente, a Igreja Internacional não é tão abrangente quanto a Universal, dado que a Igreja Universal abrange todo o universo, e a internacional fica só no que tange as fronteiras no planeta Terra. Ainda assim, vale dar uma conferida.

O site conta as aventuras iradas de uma turma que apronta altas confusões convertendo fiéis indecisos e cobrando dízimos pelo mundo afora via PagSeguro. Não, sério – o blog tem histórias bizarríssimas, chamadas ‘Testemunhos de Fé’ e supostamente enviadas por fiéis, que relatam conversões à religião, arrependimentos, curas e a coisa toda.

Por um detalhe ou outro, eventualmente, você saca que é uma brincadeira. Mas é tão sutil, tão sutil, que eu mesma nunca tive 100% de certeza. E isso me assusta.

Meu nome é Wando, moro em Bauru, tenho 13 anos. Ano passado me envolvi com revistas em quadrinhos e desenhos animados. Era um fã aficcionado de Conan. Ia ao sebo do baú comprar as revistas antigas da Marvel, que na minha opinião, era as melhores.

Depois que chegava do colégio eu ia direto pro meu quarto e ficava lendo aquelas histórias fantasiosas, de um jovem bárbaro que na era Hiboriana saqueava, matava e roubava. Um beberrão que gostava de espada, sangue, vinho e mulheres.

(…)

Bem, nesta época que eu lia Conan eu não frequentava à Igreja, e passei a cultuar os deuses pagãos dos quadrinhos. Sempre antes de uma prova eu rogava à Crom que eu pudesse tirar uma nota boa.

Ok, a história continua com o Wando usando uma cueca invisível comprada de um cigano. Em teoria, absolutamente ridículo. Mas você acharia esse relato deslocado se ele tivesse, por exemplo, associado a um site de fanatismo religioso como o Cutting Edge?

Nesse filme, a cicatriz produzida por feitiço de Harry está localizada acima do olho direito. É interessante que essa é a localização exata em que o sistema Mondex Visa das Filipinas retratou o microcircuito eletrônico implantado na fronte de uma pessoa em sua página inicial na Internet. [Veja http://www.mondexphil.com/default.htm] Talvez a localização exata da Marca da Besta será logo acima do olho direito; em caso afirmativo, o filme Harry Potter é um condicionamento perfeito que está sendo direcionado às crianças e adolescentes. Para aqueles de vocês que não conhecem a profecia bíblica acerca da Marca da Besta, permita-me explicar:

Igualmente risível, de tão absurdo. Mas esse é de verdade. Como o cartaz que li dia desses em frente a uma igreja evangélica, dessas pequenininhas, que são só um galpão. De tão absurdo, parece piada e o fato de não ser torna a coisa mais engraçada. Dizia: “Culto para crianças: terças e quintas, 10h. Culto para japoneses: quartas, às 19h”.

A tristeza é que algumas entidades religiosas fanáticas se tornaram tão absurdas em seus pragmatismos que tem gente em blogs de humor contando histórias em tese absurdas, usando os mesmos termos e padrões, e mesmo assim a gente não consegue identificar totalmente se é piada ou não. Se eu falo sério e acham que é piada, ou vice-versa, só sou boba. Mas quando uma religião tem dogmas que podem ser confundidos com piadas, sabemos que o mundo está tomando um rumo errado. Tipo isso:

O site da Igreja Internacional é uma piada das boas, inclusive o Pastor Silas, fundador da Igreja (falecido essa semana, segundo informa o site). O legal é que eles provavelmente se aproveitam de quem busca termos relacionados a religião via Google pra ganhar grana, porque colocam Adsense no site.

E tem até um botão no canto inferior direito pra doar dízimo via PagSeguro, ou seja, transação online 100% confiável do UOL. É o jeito mais genial de ganhar dinheiro fácil na internet fazendo humor – com um sarcasmo tão sutil que pode ser confundido por fanáticos com relatos reais. Sim, porque você duvida que existe gente que lê o site da Igreja achando que é tudo sério e até doa a grana? Eu tenho certeza que acontece o tempo todo.

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Apenas o Fim, o metafilme nerd brasileiro bonitinho

Eu não tive feriado, trabalhei normalmente na quinta e na sexta. Mas mesmo na redação o ritmo diminui nesses dias em que tá todo mundo em casa menos você. Então foi mais sossegado, feito um plantão em que nada acontece. Na sexta, fim dela, dei meu primeiro furo, o que fez com que eu me sentisse jornalista segundo a definição do cara que escreveu meu livro preferido:

“Jornalismo de verdade consiste no que alguém não quer ver publicado; o resto é relações públicas.”
George Orwell, escritor inglês

Daí ficou mais agitadinho, mas foi isso. Passei o final de semana em casa, com os amigos, tocando bongô às 2h da manhã, assistindo a 1ª temporada de Os Normais e tomando vinho frisante rosè. Foi demais, no geral.

No fim da tarde do meu feriado encurtado – ou seja, às 16h do domingo – resolvi assistir a Apenas o Fim, o filme bonitinho de baixo orçamento com referências nerds feito por um estudante de cinema da PUC-RJ sobre o qual todo mundo tá falando. Ganhei um par de ingressos pro filme, mais pôster e uns adesivos. Só que os ingressos só valem de segunda à quinta, então eu assisti a uma gravação suspeita aqui na sala mesmo, copiada pelo camarada Lucas. Deu pro gasto. O par de ingressos que a Tayra me mandou, muito gentilmente, vou dar pro primeiro leitor que comentar aqui (de maneira coerente) dizendo qual era seu Power Ranger preferido e porquê.

Apenas o Fim é um filme bonitinho. De tão real, fica constrangedoramente irreal. Explico – parece que o roteirista começou a anotar todos os insights engraçados sobre cultura pop que ele tinha no dia-a-dia durante meses, e depois compilou isso num filme. É um retrato tão fiel de uma vida como a minha, cheia de referências idiotas (que eu acho divertidas) aos jogos que eu joguei na infância, aos filmes que eu vi, aos livros que eu li, que incomoda. Porque a gente se acha tão original e descolado vivendo a vida real citando filmes, livros, sites, seriados. E quando o próprio filme começa a mimetizar essas situações pra poder imitar a vida, como eu me sinto? Parece que tô assistindo algo que é irreal. Clichê.

Na verdade não é, é só alguém vivendo uma vida parecidíssima com a minha. É só o constrangimento de perceber que você não é tão original quanto era, que tem alguém lá no Rio que botou toda essa bobagem de viver assim em um filme. E depois, como você vai citar um filme que é só citação?

Tem também um constrangimento pela atuação da Erika Mader, que eu acho que deixa a desejar. O Gregorio Duvivier parece interpretar ele mesmo, mas não dá pra saber porque não conheço o cara – ou ele é muito bom ator ou é daquele jeito mesmo.

O filme tem umas sacadas boas, esse texto que deixa a gente irritado por não se sentir mais tão original, e faz milagres com um espaço tão pequeno pras filmagens. Parece ligeiramente autobiográfico. Também tem umas metareferências muito boas – o retrato de estudante de cinema pseudo-intelectual padrão é muito verdadeiro, o casal em si, o caráter da produção, Los Hermanos, até o plot principal tornam a história toda uma grande piada sobre essa vida que a gente leva e a vida que o diretor deve levar. Puxa, os sites preferidos do Ton, o protagonista, são o Judão, o Omelete e o Jovem Nerd. Dá pra ser mais legal que isso?

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Esse óculos é um exagero, mas meninas como ela usariam

Se vale a pena gastar o ingresso? Muito. Mesmo. É um metafilme, que fala de filmes que falam da vida, e por isso fala da vida. Estranhamente. Vale pra provar que os filmes sobre o nada, sobre o dia-a-dia fielmente retratado, podem ser tão bons quanto aqueles que mostram coisas impossivelmente reais e que satisfazem aqueles nossos sonhos irrealizáveis. Tipo Harry Potter e Transformers.

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Resultado da promoção do livro: acho que no próximo fim de semana. Mas sem pressa, porque a vida é essa coisa bonita de viver. Aguarde.

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Na Suécia, pais se recusam a revelar o gênero do/a filho/a

Acho interessante que alguns pais optem por não saber o sexo da criança antes do nascimento. A gente vive numa era de ansiedades. Não conheço nenhum casal que tenha feito isso nos últimos tempos e essa expectativa, que era bem comum antes da evolução da medicina, ninguém mais sabe direito como é. Quando a criança nasce, ela já tem nome, quarto da cor certa, enxoval e um monte de planos – se for menina vai fazer balé, tocar piano e usar aquele vestido amarelinho. Se for menino será São Paulino, vai gostar de Motorhead e ser advogado como o pai. Bleh.

Mas tudo que é demais é exagero. Tipos que tem um casal na Suécia (eta país maluco, sempre eles) que não revela o sexo do filho/a de dois anos e meio, nem pra ninguém, nem pra criança. E não a/o caracteriza de forma nenhuma, nem com pronome, nem com roupa e nem com o nome.

Eles chamam a criança de Pop.

pop

Isso é Pop.

Pop. Pop. Pop.

Quando POP começar a ir pra escola, eu não consigo entender se POP será zuado por se chamar POP ou por não ser, aos olhos dos outros coleguinhas, nem menininho nem menininha.

Além da grande sacanagem de fazer isso com uma criança sem pensar nas possíveis consequências (mal posso esperar pra descobrir se POP será assexuado, homossexual, transgênero ou vai só mudar de nome mesmo – PRA PUNK, HAHAHAHAHAH), os pais escolheram um nome altamente infeliz pra dar pra essa criança. POP não é nada. Parece a onomatopéia de alguém abrindo uma garrafa de champanhe. É sonoro, divertido, mas ninguém pode se chamar POP.

Entendo a necessidade de dar um nome de duplo gênero, né. Não dá pra esconder o sexo da criança se você chamá-la de Camila. Mas tem outras opções de nomes que servem tanto pra homem quanto pra mulher. Tipo… Allison. Yumi. Nadir. Há quem juraria que Nadir é nome de mulher, mas esse é controverso, então entra na lista. Outro controverso: Lucimar. Ainda assim, o mais adequado seria algo como José Maria / Maria José, contanto que os pais alternassem o uso do primeiro e do segundo nome pra chamar a criança.

Os pais dizem que estão fazendo isso para que POP (pfff) cresça com liberdade, sem ser forçado a nenhum gênero. Bonito. Pra mim, soa mais como uma experiência antropológica cruel, uma mistura de Mengele com Mogli, o menino lobo, e tudo isso com seu próprio filho. Repito – não dá pra prever as consequências de algo assim pra uma criança. Mas a certa altura, quando ela começa a identificar que é diferente, de alguma forma, de outras crianças, deve sim se tornar perturbador.

Na matéria que eu linkei, uma pediatra sueca diz que não sabe como isso afetará a criança, mas que certamente ela será ‘diferente’. Os pais querem que ela seja diferente? Se eles estão forçando essa diferença, então pra mim não há a ‘liberdade’ de que eles falam. Não é natural.

É como um Bonsai – parece natural e bonitinho, e a gente fica maravilhado com a magia da natureza. Mas na boa, você colocou uma semente de árvore dentro de um potinho. A natureza não é idiota – o mínimo que ela pode fazer é perceber isso e crescer pouquinho. Mas se ele pudesse, cresceria muito mais. Aliás, é isso que ela faria em condições normais.

bonsai
Meu próximo Bonsai se chamará POP.

Os pais dizem que só vão revelar o sexo de POP quando ele ou ela quiser. O que vai acontecer, hum, digamos, amanhã. Quero dizer, assim que POP perceber que não tá de rosa nem de azul, e as outras crianças tão, ela vai perguntar isso pros pais. Mistério FAIL.

E esse papo de dar liberdade à criança não faz sentido. O único jeito de fazer isso sem ser forçado ou prejudicá-la seria se mudar pro meio do mato e se isolar do contato com o resto da sociedade.

Eu não chamaria de ‘liberdade’ vesti-la com roupas unissex, chamá-la por um nome que, além de ser um palíndromo, é onomatopéico e tão emblemático (imagina como ele/ela se sentiu quando o Michael Jackson morreu semana passada) e subverter totalmente tudo aquilo que ele/a inevitavelmente terá contato. Isso só pode transformá-lo/a numa criança perturbada. Aliás, falando em Michael Jackson, até dá pra supôr o resultado da criação hetedoroxa de POP.

(dica do Brunão)

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