OEsquema

Arquivo: agosto de 2009

Jornalismo vergonha-alheia “nas festa Rave”

Aprendi na faculdade um monte de tipo de jornalismo. Não editoria do tipo ‘jornalismo cultural’ e ‘jornalismo esportivo’, mas formas de fazer jornalismo mesmo. Existe a cobertura conhecida como ‘hard news’, que é a notícia do dia-a-dia, sem análise; tem o jornalismo de web e suas peculiaridades. Tem o jornalismo literário, o gonzo jornalismo, essas paradas todas. Você sabe, é esperto, é ligeiro.

Esse maluco aí embaixo inventou o, sei lá, jornalismo… ilustrado. Jornalismo patético. Jornalismo vergonha alheia. Sei lá. Mas ficou engraçadão.

Por gentileza, assista até o final.

Foda pensar que 50 pessoas tiveram que dividir só isso de drogas, rapá. Puta recessão.

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Saboreando as ilusões do mundo moderno

Vai ver eu tô meio velha.

É que eu sou de uma época, desculpa a caretice, em que se você tá com vontade de comer, digamos, um frango assado, vai à padaria de domingo e pede um frango assado. Se tá com vontade de comer peito de peru, vai lá, manda fatiar 300 gramas, embrulha, chega em casam bota no pão e come. Tradicional mesmo, sabe? Culinária moleque. Uma época em que, se você quisesse tomar Coca-Cola com limão, você espremia o limão no copo, colocava a Coca e tomava. Lembra aquele barulho da Coca caindo no copo? Você bebendo? O “aaaaaaaaaahhh”?

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Sim, essa batata frita é sabor champanhe. Não, não quero falar sobre isso. Grata.

Sou dessa época aí. É que hoje em dia tá tudo meio esquisito. Você chega pra comprar refrigerante, já tem a opção que vem com limão. Vai pegar a batata frita, e encontra as versões frango assado, presunto e queijo, azeitonas… peraí, bicho. Se eu quiser frango assado, vou comprar um. Eu quero batata frita, pô. É tão mais barato comprar azeitona. Se eu quisesse azeitona, comprava um potinho de azeitona. E eu tenho capacidade mental de espremer o limão num copo antes de tomar o refri.

Daí, vai comprar Miojo. Miojo tem de tudo né – galinha (e é caipira, não é de granja. É sabor ‘galinha caipira’), bacon, carne, churrasco, caldo de feijão, creme de brócolis, pizza, quatro queijos… porra, tu quer me fazer acreditar que eu vou simular, com 10 gramas de pó amarelo, um molho quatro queijos?

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Desconfio que o sabor picanha é um meio termo entre o sabor churrasco e o sabor carne. Mas é só suposição

Pior é aquelas coisas sabor ‘churrasco’. Veja bem, ‘churrasco’ não é nada. Pode ser qualquer coisa que vai na brasa. O mais curioso é que esses quitutes têm de fato o poder de ter gosto de qualquer coisa que vai na brasa! Não sei o que é, talvez uma mistura de fumaça com curry. É tipo o ‘sabor pizza’. É uma puta invenção sacana o tal sabor pizza, porque não existe ser nesse mundo que ligue na pizzaria e peça uma pizza sem especificar um outro elemento, que geralmente é o sabor dela. Ou seja, pizza necessariamente tem sabor da outra coisa que tá em cima dela. Mas ninguém vai fazer um salgado sabor ‘pizza de quatro queijos’.

Outra parada que virou moda, sério, é doce de limão. Tipo, não torta e bolo de limão, que são bons – tipo WAFER DE LIMÃO e TRAKINAS DE LIMÃO, de cor verde, com o corante gritando desesperado EU NÃO PERTENÇO A ESTE LUGAR, POR FAVOR, ME TIRE DAQUI. Quem gosta de limão (e na boa, eu posso falar de limão) sabe que limão é tipo das melhores coisas do mundo, e justamente por isso sabor artifical de limão é uma merda, porque qualquer pessoa que tentar copiar um dos melhores sabores do mundo falhará miseravelmente. Não é bom. Por favor, não façam mais bolachas de limão.

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A cor dá uma aparência bem natural pras bolachinhas

E há, também nesse campo dos sabores, o grande mistério do tutti-frutti. Outro dia li assim numa embalagem: ‘sabor artificial idêntico ao natural de tutti-frutti’. Alguém já comeu um tutti-frutti? Não existe sabor natural de tutti-frutti, a não ser que alguém tenha sido capaz de misturar todas as frutas numa grande… argh. Mesmo assim, tenho uma certa quantidade de certeza que o gosto dessa gororoba não seria parecido com o dessas coisas tutti-frutti.

É a concretização daquelas previsões de filmes de ficção científica antigos, que mostravam astronautas consumindo comida em forma de pílulas. Nessa toada, isso não tá muito distante. Pílula sabor pizza. Pílula sabor Miojo de galinha caipira. Pílula sabor Miojo sabor pizza sabor frango com catupiry. É a beleza da metalinguagem da flavorização.

Pois bem. Voltando ao que rolava na minha época, lá quando você queria ter um cachorro, comprava um cachorro. Queria um lhama, comprava um lhama. Um caracol? Comprava um. Uma fada? Comprava uma fada.

Nos nossos tempos, um filho da puta vai lá e transforma o pobre poodle dele nesses bichos.

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Conheça assuste-se com o garboso Poodle-Camelo. E fica mais cruel que isso, porque não chegamos ainda ao Poodle-Panda (imagens fortes):

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Clica no link lá em cima, por favor. Tem Poodle-Cavalo, Poodle-Jack Sparrow, Poodle-Galinha e até, deus me perdoe, Poodle-Buffalo. O ser humano dá passos longos em direção ao inferno quando bola essas aberrações.

Tudo o que consigo pensar ao olhar para a cara desses cãezinhos é: ainda bem que você são cãezinhos. Porque têm mães que fazem coisas parecidas com os filhos, vestindo eles com fantasias e achando tudo muito bonitinho.

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Tô de folga

Me dou folga daqui essa semana, até segunda ordem (ou seja, a não ser que eu psicografe algum texto, o que ocorre eventualmente). Semana cheia de frilas pra cumprir, TCC, muita tosse e cansaço (os dois últimos sendo os principais motivos da fadiga de produção). Lembre-se que estou todo dia no Eles3 e no Twitter.

Voltamos ou segunda ou quando eu psicografar o texto, o que vier antes, à programação normal.

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10 links de coisas que você devia conhecer

Voltei, ainda que brevemente, à vibe das listas. Na vontade de fazer um post simples mas com dicas de coisas legais, bolei isso. Seguem abaixo várias coisas – entre sites, lugares, objetos e pessoas – que, se você ainda não conhece, deveria conhecer. Confia em mim e vai.

Link ambidestro

Blog do Link

Não é esse Link. O Link é o caderno de cultura digital do Estadão. Não é um caderno de tecnologia, veja bem. Cultura digital é mais que tecnologia – é analisar como a tecnologia muda o mundo a nossa volta. Eu trabalho lá, posto nesse blog e posso dizer: é muito bom. Porque nós somos os únicos no Brasil que cobrimos cultura digital, e não tecnologia. E isso faz uma diferença animal.

Nigel Goodman

Nigel Goodman

Pega um carioca com sotaque bem arrastado, coloca um óculos e um cabelo engraçado nele e você tem Nigel Goodman, o menino prodígio do standup carioca. Indico o Nigel não só por causa dos textos excelentes de standup dele (as sacadas são das melhores que eu já li), mas porque o cara é gente fina demais.

Mulher de bigode

Women With Mustaches

Um blog com fotos de mulheres de bigode. Alguns bigodes são maiores que o do meu avô. Nem o diabo pode.

Provos

Provos

Os inventores da contracultura. Antes dos hippies, antes dos mods, dos Beatles, do maio de 68 na França, foram eles que mudaram a sociedade holandesa e transformaram a Holanda no país mais liberal e democrático do mundo, com manifestações baseadas em zombaria contra as autoridades e resistência pacífica. Gênios desconhecidos por causa da barreira linguística, inspiração pra mudar o mundo e pra fazer ação de guerrilha com blog (mesmo que isso seja muito paradoxal).

HOW I MET YOUR MOTHER

How I Met Your Mother

O melhor sitcom que eu já vi PONTO. Eu considerava Friends a série de comédia mais bem feita da história, com o melhor equilíbrio de humor, romance e simulação de identificação com o público. Até eu assistir How I Met Your Mother. São cinco amigos desses que você acha correspondente entre os seus: a solteira convicta, o galinha, o casal bonitinho e o rapazinho romântico. Os bordões são tão geniais que você vai acabar falando pros amigos. Altamente viciante.

This is why you are fat

This is why you’re fat

Um blog que dá fome. Mostra toda a sorte de guloseimas nojentas, com altíssimo índice de gorduras trans. Divertido, mas perigoso na hora do almoço. E tem muito bacon.

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Um smartphone

Eu sempre fui do time que dizia que celular precisava fazer ligação e só, até ter um. Ter à sua disposição câmera decente, aplicativo, tocador de música, teclado QWERTY e internet 3G muda a vida da pessoa. Não precisa ficar bitolado e checar e-mail toda hora não, que isso é idiotice. Mas garanto que vale a pena ter tudo num aparelho só. E garanto, eu uso tudo.

Paço de Santo André

Santo André

Os paulistanos que me perdoem, até porque sou amante distante da paulicéia (paulicéia perdeu o acento?), mas não há nada como Santo André. O paço com seu teatro em forma de pudim, os calçadões, o caminho até a estação de trem, as travessas arborizadas da Portugal, a Figueiras e seus idiotas de costume, o Black Label com seus motoqueiros, o bar secreto, a padaria… você, paulistano, visite Santo André. Será inesquecível.

Chineses

Deal Extreme

O melhor lugar do mundo pra comprar eletrônicos chineses. O preço é de banana, o frete é gratuito e você pode solicitar que os chineses safados enviem o pacote como ‘gift’, para evitar que ele seja taxado na alfândega. Geralmente, chega em 20 dias.

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Gogol Bordello

Punk-cigano é um gênero musical que não faz sentido pra ninguém até que você ouça Gogol Bordello. Minha mãe gosta, minha vó gosta, meu amigo baterista de banda punk gosta, minha melhor amiga gosta. O Nigel gosta. Não tem ninguém que consiga ficar impassivo diante do que eles fazem.

Posterous

O novo jeito legal de compartilhar as coisas. É só mandar o que você quiser por e-mail para post@posterous.com e o sistema vai lá e atualiza seu blog com o que você mandou. E ele replica automaticamente o conteúdo que você postou onde você quiser – no seu WordPress, Twitter,  YouTube, o que for. Cuidado, é viciante.

P.S.: Obrigada por se compadecerem do meu estado de miséria e comprarem no Submarino. Faltam só 3 reais para eu atingir o valor mínimo para receber, que é de R$50. Vocês são demais.

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Um cartão virtual que você não quer receber nunca. Mesmo

Você tem uma Doença Sexualmente Transmíssivel? Você fez sexo com alguém sem preservativo e omitiu essa informação do seu parceiro? Você agora está arrependido, mas não quer passar pelo constrangimento de revelar sua gonorreia para uma pessoa conhecida?

Se você respondeu sim para as três perguntas, você é muito escroto o governo federal tem a solução para você!

Através do site www.aids.gov.br/muitoprazer, você, portador de DSTs diversas e transmisssor dessas doenças pra todo mundo, poderá enviar postais virtuais ANÔNIMOS para as pessoas a quem você contaminou.

Olha só, que alegria receber um cartão virtual desse (clique na imagem para ampliar):

SURPRESA!

“Não sei se essa é a melhor forma de dizer…” é uma bela frase para começar um cartão assim. Há uma melhor forma de dizer que você transmitiu uma doença pra alguém? Se há, com certeza é esse cartão. Porque o governo federal não está disponibilizando, sei lá, agentes de telemarketing ativos para avisar às pessoas. Nem animadores de festa, nem pintores de faixas de rua. Então acho que essa é sim a melhor maneira, por enquanto.

E o cartão diz “Agora eu digo NÃO às Doenças Sexualmente Transmíssiveis”. Eu acho bem apropriado o uso do “agora” aqui, já que se a pessoa tá mandando o cartão ela realmente só diz não agora, porque antes não dizia. Na hora que precisava dizer “não”, não disse. Fora que não adianta nada dizer não agora, que já pegou. E se você recebe um cartão desse, quer saber se o fulaninho disse não? Pô, você quer saber de nada, você sabe que já tá todo fudido. Pode repetir “não” 30 vezes, a doença não vai se curar sozinha.

Gosto também que o postal não específica a DST. Vai na surpresa né? É bom, um pouco de suspense é sempre legal. Vai lá fazer o exame e descobre né. O que vai ser dessa vez? Herpes? HPV? AIDS? Roooooda a roleta!

E se tiver várias DSTs? O cartão diz “…, mas tenho uma DST”. Daí manda vários cartões? Tô confusa.

Benza Deus, que ideia mirabolante. Parece RickRoll. Será que eles não pensaram que vai virar tipo história do Pedro (aquele do ‘Olha o Looooooooooobo’), porque nego vai usar isso adoiado pra sacanear os amigos, e quando alguém receber e for de verdade não vai levar a sério?

Ah, como eu adoro o Brasil.

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Estamos na era do óbvio. E isso é péssimo

O País de Gales lançou um vídeo muito, muito trash, para desencorajar as pessoas a dirigirem enquanto mandam mensagem de texto. Não assista se for viadinho tiver estômago fraco:

Forte, né? Alguns diriam que é exagerado. Eu não acho – concordo que precisa ser chocante mesmo. Porque né, a pessoa que não perceber SOZINHA que é extremamente perigoso escrever mensagem de texto no celular enquanto dirige realmente só pode ser atingida por algo extremamente gráfico, como é esse vídeo. É óbvio que você não pode dirigir enquanto manda SMS, do mesmo jeito que é perigoso dirigir com os olhos fechados. Aí me sai uma pesquisa assim:

SMS é pior que álcool para motoristas

OH REALLY?

Estamos na era do óbvio, meu caro. É a era em que você precisa deixar tudo ali, na cara, mastigado, pra não ser mal-entendido, interpretado como politicamente incorreto e/ou processado. A era em que as pessoas só entendem as coisas se elas forem literais. E elas nem sabem o que ‘literal’ significa, tanto que usam ‘literalmente’ o tempo todo mesmo que o termo não se encaixe na frase.

No nosso tempo, os desodorantes precisam escrever na embalagem que o uso em outras regiões do corpo que não as axilas é desencorajado. Os eletrônicos precisam vir com uma mensagem dizendo que engolir peças pode ser perigoso. Os materiais de limpeza precisam alertar o consumidor para, por favor, não ingerir água de lavadeira, obrigada. E ai se não tiver escrito e alguém fizer e morrer, porque aí a conta bancária empresa em questão vai ser escalpelada pela família do estúpido morto.

Olha essa parada que eu encontrei no elevador. É uma peça institucional feita pela própria empresa de elevadores:

No elevador...

O documento todo é bem chocante, mas veja bem: precisamos de um papel no elevador para dizer às pessoas que elas falem baixo dentro de uma caixa de alumínio de 4 metros de altura, não comam nem gargalhem lá dentro. Um papel no elevador tentando fazer o que os pais de uma pessoa não conseguiram. Daí fico pensando que se a pessoa não sabe disso, na boa, ela certamente não é o tipo de pessoa que lê papel na parede do elevador. Então pode esquecer. Não funciona.

Logo, o papel serve pra quê? “Só pra não dizer que não avisei”? Pra você não reclamar com algum mal-educado no elevador e ele dizer “onde tá escrito que eu não possso gritar aqui dentro hein?!”, e você apontar o papel?

A era do óbvio é prejudicial em várias instâncias pra nossa sociedade. Primeiro, todo mundo começa a achar que pode alegar que não sabia algo se esse algo não tiver sido explicitamente dito a ela. Entrelinha não vale, subentendimento também não. Precisa ser claro. Nessa, perdem-se um monte de piadas, um monte de não-ditos, um monte de sutilezas.

Mas é o preço que se paga pela burrice. Idiocracy, here we go.

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Só peço uma ajuda pra comprá comida pos meus fio

Parafraseando a galera do trem, é tudo que peço. Podia tá roubando ou matando, mas tô aqui escrevendo e pedindo uma colaboraçãozinha dos amigos.

Não sei se todo mundo sabe, mas se você comprar algo do Submarino clicando no banner que fica na barra lateral direita do Olhômetro, eu ganho comissão, que varia de 2% a 8%. Não é muita coisa, mas ajuda a pagar a hospedagem do blog, que está por volta de R$180 por mês.

Esse mês parece que a galera desanimou das compras e eu não consegui ainda nem completar o mínimo pra poder receber do Submarino, que é de 50 reais. Na verdade, não cheguei nem na metade disso.

Portanto, caso você esteja pensando em adquirir qualquer item do Submarino, e não for custar nada pra você, peço que compre clicando pela barra lateral ou pelo botão abaixo:

Já que tô por aqui, vou indicar algumas coisas supimpas que estão com uns preços bem bons. Se liga:

Se tiver empolgadão, aproveita que acima de R$99,00 o frete tá gratuito e que deus lhe dê em dobro, viu.

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Aaaaaahhhh, a medicina moderna

Tem uma coisa bonita em ser médico. Altruísta. Assim eu prefiro acreditar, já que até onde eu sei essa história de que médico ganha muito dinheiro, em parte, não é verdade. Sei que eles precisam estudar muito tempo, depois trabalhar como residente de graça por mais outro tempão, e aí ter oito empregos diferentes para então, sim, ganhar dinheiro.

Ou seja: tecnicamente, ninguém hoje mais escolhe cursar medicina se não estiver compromissado não só com a grana, mas com uma vida que exigirá trabalhar duro, enfrentar situações extenuantes mental e fisicamente e ganhar algum dinheiro, provavelmente sem ficar muito rico.

Mas não conheço nenhum médico pobre, então deve existir alguma falha aí na teoria. De qualquer forma, eu tenho reparado nos hábitos dos médicos que frequento e esses hábitos me dão coisas.

Dr. Chapatin jamais permitira algo assim

Vou explicar. Quando você precisa de um médico, geralmente liga no consultório e agenda um horário. Em alguns casos, só consegue agendar esse horário pra dali a um, dois meses. Ok, você tem paciência. Quando chega no consultório atrasado, liga pra avisar. E se não ligar, quando chega lá perde a vez, muitas vezes precisa remarcar a consulta.

Então porque diabos um senhor com um jaleco branco, assessorado por uma moça da recepção, acha que tem direito de te fazer esperar 2 horas sentado em uma cadeira, tendo à disposição para seu lazer somente revistas Caras velhas e catálogos de medicina? É porque ele estudou por dez anos? Porque se for, isso não me parece um bom motivo. Não existe motivo que justifique desrespeito com ninguém, ainda mais com alguém que está pagando por um serviço.

Outra parada que me corrói por dentro é ligar pra marcar horário e no fim a mulher soltar um ‘É por ordem de chegada, viu?’. OI? EU MARQUEI HORÁRIO. É pegadinha? Se ele vai atender primeiro quem chegar primeiro, porque eu preciso marcar?

Daí você tá lá, marcou horário às 11h da manhã, são dez pras uma e você ve o senhor doutor que iria lhe atender se preparando para sair para almoçar. E você lá. Só que antes de sair o cara ainda resolve atender uma merda de um promotor de vendas de indústria farmacêutica, que vai dar a ele várias amostras grátis e vai coagí-lo a receitar a você os remédios da marca daquele laboratório. Ele tem tempo pra atender este senhor antes do almoço dele, mas não tem tempo pra você.

Você, é claro, deve se recolher à sua insignificância de pessoa que não fez 20 anos entre faculdade e residência. Sim, porque parece que todas as outras pessoas do mundo que não são colegas de trabalho do senhor médico não têm absolutamente mais nada pra fazer, a não ser esperá-lo após ler dois anos de Caras, que é semanal.

E sabe o que dói? Se você for embora, DANE-SE, porque o prejudicado vai ser você. Sempre você. Você vai ter que faltar outro dia no trabalho, porque precisa passar no médico de qualquer forma. Você vai ter perdido aquele tempo em nada, pra nada. E você vai ter que aguentar a cara da recepcionista de OK SENHOR PODE IR PORQUE TEM OUTRAS 30 PESSOAS AQUI MESMO E TODO DIA TEM ESSAS 30 PESSOAS E UMA A MENOS NÃO VAI DEIXAR O DOUTOR MENOS POBRE OBRIGADA. Porque as outras 30 pessoas já estão com o cérebro anestesiado, se submetem ao dotô e esperam, esperam, esperam. Nunca vão embora. Pode ser que elas não possam ir, também, por terem algo grave, sei lá. Só sei que se você sair, ninguém vai dar a mínima.

Mas supondo que você aguarde as 3 horas e seja atendido. E vamos considerar que ele te atenda bem, que não é o que acontece sempre. Bom, você sai dali e passa na farmácia, pra comprar os remédios que o doutor passou. Pede um, dois, três. O balconista fala os preços deles e confere, um por um, os descontos dos remédios. E te fala. E você fica WTF. Todo remédio tem desconto, todos eles. E se todos eles têm desconto então nenhum tem. Sacaram? É só jogar o preço pra cima e dizer que existe um desconto que não existe. E no caixa a mulher ainda te diz – ‘você economizou 8,76, senhora’. Vá pra merda. Economizei nada. Você inventam essas coisas, farmacêuticos safados.

Não vou nem mencionar as festas de medicina, japonês no fundo de piscina, uso excessivo de estimulantes para se manter acordado durante plantões e coisas assim, porque tudo que ouvi sobre isso é boato. Mas não se esqueçam, nunca, daquele episódio em que uns estudantes de medicina malucos invadiram um hospital, soltaram fogos de artifício e ofenderam pacientes quando a residência deles acabou. Tipo uma ‘despedida de residente’. Não viu isso?

Embora me pareça óbvio e eu odeio falar o óbvio, vou fazer isso para me blindar dos xingamentos óbvios – é claro que existem pessoas escrotas em todos os segmentos da sociedade. Eu sei que existem médicos bons e médicos ruins, porque médicos são pessoas e existem pessoas boas e pessoas ruins.

Mas que ser médico e fazer essas coisas é mais escroto que a média, aaah, isso é. Parece que o autoritarismo da sociedade sobe a cabeça, né? Todo mundo é tão subserviente a um título de médico que algumas pessoas começam a achar que elas realmente são melhores que os outros.

O curioso é que, dado que o cara é um médico, provavelmente um dos profissionais que mais lida com a morte, é ele quem deveria melhor reconhecer que, no fim, é todo mundo igual.

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Como medir a felicidade do mundo através da internet

Ontem, me apresentaram um jeito de medir a felicidade do mundo através da internet. O WeFeelFine.org, que parece ser uma novidade antiga mas da qual eu nunca tinha ouvido falar, tem como objetivo agregar todas as manifestações em blogs que contém o trecho ‘I feel’. A partir daí, o sistema tem como mostrar gráficos de como as pessoas estão se sentindo agora.

É uma pena que ele só monitore os textos em inglês. Ou seja, é um resultado um pouco distorcido da felicidade no mundo: é a felicidade só daqueles que falam inglês. E quem fala inglês deve ser um pouco mais feliz do que o resto do mundo. Ou não. Mas enfim.

WeFeelFine.org

Mas o mais legal é a interface da parada. O WeFeelFine disponibiliza 6 jeitos de navegar pelas mensagens das pessoas. O primeiro deles, chamado Madness, mostra um monte de bolinhas e quadradinhos malucos flutuantes (igual ai em cima. Cada um deles representa um post, uma foto, uma twittada – daí você clica e lê. E se você clicar em um lugar vazio da tela, as bolinhas todas começam a se aglomerar ali. Sério, dá pra brincar a tarde inteira. Tem também outros jeitos de visualizar, menos divertidos, mas tão bonitos quanto.

Mas falemos agora de como o mundo está. Na maioria das vezes, me parece que o mundo se sente BETTER, ou seja, a coisa tá ficando melhor. Pena que em segundo vem o BAD, mas é normal – normalmente, se a gente se sente bem não fala sobre isso na internet. Só vai reclamar se tá com problema. Ok, depois vem o GOOD e o RIGHT, que também denotam bons auspícios. Mas dá pra filtrar por todas as palavras possíveis. Eu encontrei várias pessoas que se sentiram ou se sentem ABDUZIDAS, ACELERADAS, RADIOATIVAS e até LÂNGUIDAS, que em inglês tem uma palavra muito mais legal: lackadaisical.

O legal é poder checar as mudanças nos gráficos diante de grandes tragédias. Daí a gente vai poder confirmar se o WeFeelFine é um retrato da felicidade do mundo ou um buscador que mais parece um joguinho.

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Manual Mercado Livre de Redação e Estilo

Você soube do #mercadolivreday no Twitter? Se não soube, tudo bem. Dá uma lida aqui que eu explico. Preciso que você esteja familiarizado com a ideia para filosofar a respeito dessa que foi uma das datas mais emblemática na história da interwebs brasileira, por ajudar a consolidar um fenômeno social bizarro que acomete todos aqueles que passam a fazer parte ativamente da comunidade de vendedores e/ou compradores no Mercado Livre.

Já assistiu o esquete de Monty Python chamado ‘My brain hurts’? Olha aí:

Quando o doutor coloca os apetrechos para operar cérebros, ele fica repentinamente estúpido. Muito burro. E é algo parecido ao que acontece com todo mundo que faz login no Mercado Livre: a pessoa emburrece. Conheci um cara formado em duas faculdades, plenamente articulado, muito inteligente… mas nada disso adiantava quando ele entrava no Mercado Livre. Uma vez lá, seus textos eram todos assim, adequados ao Manual Mercado Livre de Redação e Estilo. Confira alguns exemplos dessa que pode ser considerada uma nova escola literária (clique para ampliar):

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As características dessa nova corrente cultural são diversas, e refletem o comportamento e o perfil do brasileiro na internet. Observe: simpático e conciliador, o usuário do Mercado Livre sempre se dirige a qualquer outra pessoa usando o substantivo AMIGO, que acaba se tornando pronome de tratamento e transformando o ML numa rede social, tamanha a quantidade de amigos que a gente tem mesmo sem querer. Repare que você chama de AMIGO até o cara que tá xingando, de tão instituída que tá a coisa.

O estilo também reflete o entusiasmo e alegria do brasileiro. Escrever em caixa alta, sem vírgulas, conota uma gritaria sem fim e sem pausas, como a gente ouve por aí em todo bom cortiço nas capitais. Bonito.

Não dá pra esquecer dos erros ortográficos. Mas isso só confirma nossas altas taxas de analfabetismo, mesmo. Por fim, observe o OBRIGADO e o ABS sempre presentes no fim das frases. Eles também mostram o quando a gente é boa praça.

(ABS significa ABRAÇOS. Eu nunca entendi exatamente porque, já que ABRAÇOS deveria ser algo como ABÇS, no mínimo. ABS parece que você tá desejando ABRASSOS. Fora que ninguém dá abraços quando se despede, geralmente é um só, já que vários seriam interpretados de uma maneira socialmente mal-vista. Enfim)

O bagulho é instantâneo, eu fiz o teste. Uma vez lá dentro, fica impossível redigir qualquer coisa fazendo uso de vírgula. Eu não entendo porque, acho que tem a ver com a gente mimetizar o comportamente de terceiros. Ou o ML deve penalizar quem não escreve assim.

A única coisa que posso dizer a respeito é que esse não é o único lugar da internet em que as pessoas se comportam linguisticamente de forma bizarra. Inclusive, existe um site que supera o ML. Quem sabe um dia o site de leilões não supere o Yahoo!Respostas?

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Aliás, demorou pra rolar o #Yahoo!RespostasDay.

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