OEsquema

Arquivo: fevereiro de 2010

Pra quem não gosta de Lost. E pra quem gosta, também

Há quem diga que odeia Lost sem ter visto. É que uma série cujo enredo parece, a princípio, se tratar de “náufragos em uma ilha” realmente não atrai atenção, já que esse é um tema que já foi revisitado centenas de vezes na literatura, no cinema, nos quadrinhos e nas proteções de tela do Windows.

Mas Lost, como há de se perceber já no episódio piloto, é diferente de qualquer outra obra tratando de náufragos. Lost tem referências à física moderna, tem elementos de transmídia e é acima de tudo uma história sobre a possibilidade de redenção dos indivíduos.

Há também os que dizem que Lost ficou ruim lá pela 4ª temporada. A série tem algumas passagens bem erradas lá pro meio. Confusos pelo sucesso, os roteiristas incluíram na série alguns episódios (acho que chega a uma dezena) que poderiam ter ficado de fora. Ou, sei lá, podiam ser incluídos como complementos, tipo aqueles trechos complementares para celulares. Mas a essência da série estava lá; acho que sempre ficou bem claro que o Rodrigo Santoro e sua história esdrúxula nunca iam se tornar o plot principal.

Alguns podem ter desistido por causa dos elementos sobrenaturais colocados na história. O que é curioso – ninguém desiste de Stephen King ou de Arquivo X por causa dos elementos sobrenaturais colocados na história. Quero dizer, a história é boa justamente por conter esses elementos. E eles argumentam: “no começo Lost era foda, mas aí veio com essas explicações sobrenaturais…”

Quer dizer, no PRIMEIRO episódio você vê o pai de um cara, que deveria estar morto, de pé olhando pra ele. E o corpo dele sumiu do caixão. E VOCÊ ESPERAVA UMA EXPLICAÇÃO RACIONAL PRA ISSO.

Você está sendo incoerente.

Tem outros, os que reclamam das viagens do tempo. “Muito viagem”, dizem. Não é viagem, mano. Quer dizer, é, mas é perfeitamente ‘racional’ uma vez que você considera a lógica dos universos paralelos, ponto. Ainda assim é teoricamente impossível, até onde conhecemos a física – mas a gente só conhece a física até um ponto tão ridículo… quer dizer, gravidade. O que é gravidade. Existem teorias, deformação no espaço causada pela densidade da massa de um corpo… mas assim, é tão doido quanto isso:

Ou seja: a teoria mais aceita sobre a gravidade pede que você imagine o espaço deformado como uma grande cama elástica com uma bola pesada em cima… entendeu? Enfiado lá no meio da malha que é a realidade, tem uma espécie de superfície deformada.

Então o que a gente sabe sobre física?

Enfim. Daí vem um episódio que mostra, em parte, a explicação dos Bad Numbers (um dos maiores mistérios da série, que não seria explicado segundo os roteiristas, e ganhou uma justificativa criativa e plausível), confirma que todos foram levados ali por um motivo e pelo Jacob (todos nós já sabíamos disso, mas é bom confirmar), mostra as relações dos personagens fora da ilha seguindo o mesmo curso que seguiriam dentro da ilha (destino) e você diz: “episódio fraco…”

Que explicação para os Bad Numbers você queria? Que eles fossem coincidência? Por que não são, nós sabemos disso.

Ou então, diz que é inaceitável colocar um cara que claramente é algo além de um ser-humano dentro do corpo de um outro cara, morto. Na boa, você aceita a existência de aparições inexplicáveis, um monstro de fumaça que viaja pela ilha e mata as pessoas, você aceita que a ilha MUDE DE LUGAR, VOCÊ ACEITA VIAGEM NO TEMPO. Mas você diz que é muito viagem esse negócio de espíritos no corpo dos outros.

É permitido não gostar da série sim, viu. Pode acontecer com todo mundo. Mas GENTE, vamos ser consistentes nos nossos ceticismos? Porque né: “duende existe. Perfeitamente plausível. Mas esse negócio de papai-noel, aí, não faz nenhum sentido…”

É basicamente isso que você me diz quando aceita tranquilamente a existência de um monstro voador de fumaça, viagens no tempo, ressurreições, sincronicidades que não são coincidências, homens que vivem 400 anos sem envelhecer, curas aceleradas… mas fica puto se a explicação dessas coisas na série não é científica.

NÃO É, amigo, e acho que dá pra perceber isso desde sempre. Há referências na ciência, e isso provavelmente é o que torna a série tão legal, mas ressureição, cura acelerada, ilhas que se movem no tempo e mudam de lugar, gente que não envelhece… desculpa, geralmente essas coisas são sobrenaturais mesmo. Ainda não há explicação científica pra nada disso.

Talvez um dia.

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Só um motivo para odiar Carnaval. Um só

Nada contra, heim. Não curto essa vibe ESCOLAS DE SAMBA DO GRUPO ESPECIAL, SPTV fazendo matéria sobre samba-enredo… mas não chega, digamos, a me fazer odiar o Carnaval. É um feriado, acima de tudo. Não há como odiar feriados.

Talvez Finados. É triste gostar de Finados. Enfim.

Mas o Neguinho da Beija-Flor conseguiu a proeza de compôr a pior “”"”música”"”" de Carnaval de toda a história de todos os Carnavais. E você só precisa dessa música pra ficar puto com o Carnaval. Sério.

Cante comigo enquanto assiste o clipe dessa ABERRAÇÃO SONORA.


MULHER

Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher

A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher, a mulher
A mulher, a mulher!

Melhor que uma mulher
Só dez mulher
Só dez mulher
Melhor que dez mulher
Só mil mulher
Só mil mulher

Uma mulher, duas mulher,
Três mulher, quatro mulher
Cinco mulher, seis mulher
Sete mulher, oito mulher
Nove mulher, dez mulher

[refrão]
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher

A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher é a mulher
A mulher, a mulher
A mulher, a mulher!

Melhor que uma mulher
Só dez mulher
Só dez mulher
Melhor que dez mulher
Só mil mulher
Só mil mulher

Uma mulher, duas mulher,
Três mulher, quatro mulher
Cinco mulher, seis mulher
Sete mulher, oito mulher
Nove mulher, dez mulher

[refrão]
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher
Mulher, mulher, mulher

Eu eu consigo ver o Faustão perguntando pra ele no que ele se inspirou pra compôr esse samba.
Que bela homenagem. Ao menos o Martinho da Vila, quando fez a sua, não ficou repetindo a mesma palavra.

(Via MTV)

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O cara que tem mais hits no YouTube de Curitiba

A essa altura, pode ser que você já tenha ouvido falar de Rodrigo Ferraz. Além de ter virado piada em um monte de site por aí, e ser a sensação da internet há umas três semanas, as frases dele já viraram bordão entre a minha galera e o YouTube tem dezenas de paródias do vídeo do cara. A cereja no topo é que o Rodrigo foi no programa Domingo Legal nesse fim de semana (apresentado pelo Celso Portioli, agora). O homem virou um fenômeno. Quem é ele?

Ninguém sabe se o mais engraçado é o fato de ele ter peitos maiores que os meus e achar isso interessante, se são as rimas absolutamente retardadas sem nenhuma métrica ou rima, o cameraman (MITO) ou a ironia de um cara se achar muito homem enquanto tem outro cara atrás da câmera elogiando seu CORPO.

Ah. O sotaque também agrega aos elementos cômicos.

Nosso herói Rodrigo Ferraz é compulsivo por esses vídeos. Tem um em que ele rima bêbado, outro em que rima sem camisa sobre sua filha, que está para nascer. Tem um novo praticamente toda semana, com as mesmas rimas que ele julga serem provocantes, sob o mesmo mote de que todos tem inveja dele.

E quer saber? Todos têm mesmo. Eu explico.

Uma coisa é a gente achar esse cara risível. Ele é, realmente, muito engraçado. Rir dele, imitar, fazer piada. Até a paródia é algo muito divertido. Mas aparentemente tem gente em um monte de lugar que odeia o cara. Odeia muito – xinga ele no YouTube, faz questão que ele saiba o quanto ele é desprezível, cria vídeos-resposta editando os originais e colocando coisas sem graça na boca dele.

Isso é despeito, de certa forma. E a palavra “despeito” deixa tudo mais engraçado no contexto, mas é sim. É uma indignação do fulano pela fama daquele cara ter sido provocada por algo que ele considera tão indigno. Ele chegou ao Domingo Legal por que implantou silicone nos peitos e no trapézio! Que absurdo.

Quer dizer, essa frase é a fala de alguém. Eu não acho isso. Sabe por quê? Neguinho tem que ser MUITO HOMEM pra colocar silicone no peito e no trapézio, sendo homem. Se transformar numa aberração. Ser zoado pela internets inteirinha assim, receber vídeo resposta zuando. Tem que ter a auto-estima lá em cima pra aguentar tanta porrada.

E ser muito forte, também. Mas ele é. Horrivelmente forte.

E as mesmas pessoas que reclamam da fama dele são as que continuam falando dele por aí, reclamando do quão horrível é um país que dá IBOPE pra um cara que claramente usa anabolizantes, botando a culpa na sociedade, enquanto ele é o cara que mais vê os vídeos do Rodrigo, assinou o canal do cara e assiste rapidinho toda vez que ele coloca algo novo.

Rodrigo Ferraz é mito. O Chico Barney aposta que ele sabe o quanto é engraçado fazendo todas essas coisas; eu não tenho certeza. Sei que os méritos dessa fama virtual, que passa rapidinho e atinge tão pouca gente, são todos dele. E dos babacas que ofendem o cara em vez de se divertir com o cara que é, atualmente, o gaúcho mais engraçado de Curitiba.

Observem a singeleza de Rodrigo no Domingo Legal. A insegurança em sua voz. Sua doçura. Ele é um ursinho preso no corpo de um monstro esquisito. A mulherada na plateia vibra. Celso Portioli fica desconcertado.


“Disseram que você morreu! Não é verdade?”

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