OEsquema

Arquivo: março de 2010

Qual sua desculpa pra ver Big Brother?

(Clique para ampliar)

Geralmente, minha desculpa é a primeira. A sua, qual é?

A verdade é que eu realmente acredito nessa desculpa – na realidade, aprendi umas coisas sobre Big Brother acompanhando Big Brother.

A primeira é que o programa só é uma merda se você pegar do meio. Ligar a TV um dia e tentar ver é constrangedor. Mas ele faz muito sentido se você pegar as nuances do começo, a maneira como as pessoas começam a se relacionar, as cartas que elas jogam… essas coisas. Daí, obviamente, vicia. Quer acompanhar até o final.

A segunda é que Big Brother é mais ou menos como novela: você não precisa assistir todo dia pra sacar o que está acontecendo. Até porque o pessoal do Twitter se encarrega de te manter informado. Eu mesma só assisto alguns trechos pelo YouTube, porque na hora em que o programa passa eu ainda não cheguei do trabalho. E tipo, estou aqui defendendo meu direito de acompanhar BBB, mas se um dia eu vier defender o meu direito de ASSINAR UM PAYPERVIEW 24 HORAS DE ALGO ASSIM, favor checar se sou eu mesma. Grata.

Enfim. A terceira coisa que eu descobriu é que o Bial é quase motivo suficiente pra pessoa desligar a TV de vergonha alheia. Se parte do constrangimento é causado pela galera UHU-I’VE-GOT-A-FEELING, o Bial com seus poemas bisonhos, os comentários esquisitos e ocasionais chiliques constrange ainda mais.

A quarta coisa que aprendi é que… que eu não estou aqui para fazer amigos. Isso é um jogo. Estou aqui pelo 1 milhão e meio de reais.

A quinta: é engraçado. É engraçado ver como gente supostamente madura se reduz a discussões de gente de 12 anos (tipo “SEU BOBO” “BOBO É VOCÊ” sendo repetido durante minutos, aos berros), como uma menina briga com a outra para manter em segredo o fato de que ela PEIDA, ou como uma pessoa sai e diz que AQUILO ALI É VIDA, BIG BROTHER É COMO A VIDA REAL.

Por fim, nossa maior angústia é quando o telefone toca.

Claro. Porque eu e você passamos o dia inteiro na piscina, malhando, contando estalecas. E a noite nos produzimos pra nossa festa temática.

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O Grunge está de volta

Antes de ir pra Barcelona, mês passado, fui na C&A comprar umas roupas. Achei lá uma jaqueta de couro sintético que era muito, muito bonita. Tipo.. aquelas que exalam rebeldia e rock’n'roll. E comprei.

E você achava que não dava pra ficar mais legal do que com skate, óculos de sol e narinas infladas? WRONG

Aconteceu um problema: desde então, eu abro meu guarda-roupa e só tenho olhos pra ela. Tá calor? Não interessa. Tenho outros blusas? Não consigo prestar atenção nelas. Fui zuada pelo pessoal do trabalho (“Você voltou com frio da Espanha, heim?”) e pelos meus amigos, que perceberam que eu não saia com outra roupa. Tô até triste que no Panamá faz calor…

A jaqueta se tornou a minha mais nova roupa preferida. Perdeu o posto para uma calça jeans preta que vai com tudo. E deve ser triste, pra uma roupa, perder o status de roupa preferida. Mas é assim que é: a gente vai comprando as coisas novas e elas vão ganhando um espaço no nosso coração.

Também lá na Espanha reparei que tava super IN xadrez pras meninas. Sério, até comprei uma camisa bonita (e barata) que achei lá numa loja de magazine. Eu já tinha uma, antiga, que usava quando curtia esse negócio de GRUNGE, mas não me serve mais (muito grande), então foi bom achar uma nova feminina.

E lembrei de uma conversa premonitória que eu tive com o @RAFAONCOFFEE e mais alguém (acho que o @andr_oid) há umas três semanas: como a moda e a música são cíclicas, o timing tá certinho pra volta do grunge. E nós curtimos a ideia da volta de power trios que se apoiam só na energia do palco e tocam locões, sem preocupação com imagem e com MTV. Bingo: recebi semana passada um e-mail falando dessa coleção nova aí, que já está em pré-venda (até dia 31, aliás) aqui, inspirada em peças grunges (jeans rasgado, camisa xadrez, tachinhas) e chamada As You Are, numa homenagem ao Nirvana e à única música que todos os não-tocadores de violão do mundo sabem tocar no violão.

Eles também sugeriram que eu fizesse uma playlist que tivesse a ver com a coleção, e eu achei ótimo. Se tem algo que eu ouvi muito, muito (tanto que até enjoei um pouco) nessa vida foram as bandas saídas de Seattle nos anos 90. Selecionei umas pérolas do interior de Washington pra vocês reviverem essa época de lenhadores e calças jeans rasgadas. Confere.

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O horror, o horror

Entre as muitas desgraças que a gente vê por aí, essa é uma das únicas que me faz ter vergonha de tudo em mim. Me faz ter vergonha do Brasil, do mundo e da raça humana. Me faz ter vontade de sumir do planeta.

E eu não estou falando do assassinato da menina. Eu tô falando das reações das pessoas; dos que vão na frente do fórum para exigir ‘justiça’, mas que agridem quem pede por equilíbrio no julgamento ou perdão dos acusados. Dos estudantes de direito que ‘querem ver o caso mais de perto’. Dos que agridem os advogados de defesa do casal. Dos curiosos, dos que dormem na fila pra ver o julgamento, dos que vem de outros estados.

Como alguém disse no Twitter, tem criança VIVA precisando de toda essa dedicação. Que tal ocupar esse tempo livre dedicando algumas horas de trabalho voluntário a uma creche na periferia?

Todo mundo sabe que quando esse julgamento começou, os dois já estavam julgados. Acontece que o povo confunde justiça com vingança, sei lá. E toma pra si uma dor que não existe, toma pra si o direito de julgar o outro como se nunca tivesse feito merda nenhuma. Fulano vai lá, xinga o outro no carro, atropela e foge, empurra os outros no trem, burla sistema de impostos, chuta um mendigo na rua, ignora quando vê uma criança carente, não vota em gente que preste, não respeita os outros nem a si mesmo. Mas vai lá e se acha no direito de julgar alguém.

Tem até, porra, tem até mulheres se dizendo APAIXONADAS pelo promotor Cembranelli.

Olha, em bom português, do fundo do meu coração, para todas as pessoas que se encaixam nas categorias listadas alguns parágrafos acima: VÃO ARRUMAR ALGO PRA FAZER. PELO AMOR DE DEUS. Vão trabalhar, vão ler pra ver se entra algo nesses espaços ocos que vocês chamam de cabeça, vão cuidar dos filhos de vocês para que eles não caiam da janela, vão cozinhar, vão votar no BBB. Vocês são a CABEÇA VAZIA do CORPO que é a SOCIEDADE.

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Pra aquecer

Semana que vem vou visitar meu pai lá no Panamá. Prometo histórias cabulosas direto da América Central. Vai vendo esse videozinho pra pegar a vibe do local.

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Duvido você conseguir ouvir só uma vez

Pira na letra:

Look at my horse,
my horse is amazing
Give it a lick
Hmm, It tastes just like raisins

I have a stroke of it’s mane
It turns into a plane
And then it turns back again
When you tug on it’s winky
Ohh that’s dirty

Do you think think so?
Well I’d better not show you
where the lemonade is made
Sweet lemonade
Mmm sweet lemonade
Sweet lemonade
Yeah sweet lemonade

Get on my horse
I’ll take you round the universe
And all the other places too

I think you’ll find that the universe
pretty much covers everything
Shut up woman get on my horse!

E a música ainda é boa. Puta merda. Tem outras – essa aqui embaixo não é tão boa, mas também é interessante:


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Um negócio que você não poderia morrer sem saber

Falando em Jesus, olha esse vídeo que o @grandeabobora postou. É bem bom:


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Porco-pizza é um estado de espírito

No sábado a noite, depois do rolê, eu passei na padaria aqui perto de casa pra comer uma pizza. Sentei no balcão e pedi um pedaço de uma lá que tinha um monte de coisa nada a ver misturada – calabreza, palmito, catupiry, mussarela – mas parecia boa. E era.

Do meu lado direito, sentou um cara meio esquisito. Ele sentou meio perto demais, tinham mais bancos vazios pra esquerda. Beleza, o rapazinho esquisito pediu uma pizza igual a minha. Pra beber, um chocolate quente.

Com pizza de calabreza, catupiry, mussarela e palmito. Delícia. Aí a mocinha ultrasimpática disse:

- Olha, chocolate quente a gente não vai tá tendo.

Eu torcendo pra ela completar: “Não pra quem pede pizza.” De qualquer forma, ela pegou um lá dá máquina, que esse tinha.

Daí chega outro cara na esquerda… mesmo sabor de pizza. “Vai beber algo, senhor?” “Um chocolate quente.”

Sério. Tava calor, pôxa vida. E mesmo que não tivesse – quando que virou moda comer pizza de calabreza e tomar chocolate quente junto?

Falando em chocolate quente, lá na Espanha tomei um que era chocolate mesmo. Derretido. Não sei se tem aqui porque como não tomo leite nunca me interesso pelo conceito ‘chocolate quente’, deve ter, né? Mas é bom pra cacete, vem com um churros fininhos pra comer junto.

Mas sem pizza.

Eu não sei como não engordei uma grama na semana na Espanha. Bem que dizem que comida mediterrânea é saudável…

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Fuck, o furacão amiguinho

Como a pobre e ingênua Suzy, quando criança eu também criei um personagem de nome Fuck. Fuck era um furacão. Estava mais para um tornado, pensando bem – a gente não desenha um furacão, né. Mas eu achava que aquilo era um furacão então assim vou chamá-lo. Fuck era um furacão simpático, serelepe e bem espevitado.

Fuck foi concebido por mim para ser um personagem de games. Eu ia enviar a sugestão para a revistinha da SEGA, mas antes mostrei para minha mãe, que riu e me alertou para o fato que Fuck era um palavrão em inglês. Desanimada, desconsiderei trocar o nome do bichinho e enviar a sugestão, e o desenho se perdeu no limbo da minha infância.

Mas foi por bem. Fuck, o furacão personificado, era bonzinho, o que provavelmente causaria alguns problemas para pensar o roteiro do game. Seria Fuck um furacão que destruiria casas de gangster malvados? Ou ele causaria tempestades marítimas que, como mágica, limpariam o lixo do mar? Pior – Fuck seria um furacão tradicional, que destruiria tudo pelo caminho, mas sua condição de bonzinho causaria então uma eterna depressão pós-destruição, que faria com que Fuck lutasse contra sua própria natureza de furacão para seguir a verdade em seu coração?

Espero que a SEGA esteja aí, vendo minha sugestão, e possa colocá-la em prática mesmo tanto tempo depois. Essa última ideia ai que eu dei de roteiro dá pra ganhar prêmio, heim.

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Para de ler esse post e vai ler um livro

Sabe essas pessoas que dizem que você ou sei lá quem deveriam parar de fazer alguma coisa e ir ler um livro? Geralmente esse ‘alguma coisa’ é algo considerado fútil pela massa pseudo-intelectual, tipo assistir televisão, ouvir Rebolation, sei lá.

Eu acho que essas pessoas deveriam parar de mandar as pessoas irem ler livros e aproveitar esse tempo para lerem livros elas mesmas. Livros não resolvem todas as coisas – eles são ótimos, adoro livros, não me entenda mal. Mas em vez de ficarem mostrando como são intelectuais e maduras, essas pessoas poderiam ler os livros elas mesmas, se elas gostam tanto de livros quanto parece. E assim, qual o problema de você conciliar a leitura de livros com outros afazeres? Eu não preciso não ver Big Brother pra ler um livro, essas coisas não são excludentes.

O mundo não é tão simples, as pessoas não são tão óbvias. Boa parte é muito igualzinha e faz a mesma coisa, mas você está sendo tão igual quanto as que criticam as pessoas iguais quando as critica – e portanto torna-se igual a elas (as últimas, quero dizer). Acho que compreender que as pessoas têm nuances maiores e que o fato de alguém assistir Big Brother não significa que ele não lê livros faz de você alguém que você mesmo admiraria, porque acho que é preciso ler muitos livros para concluir isso.

É claro que, como eu tô mandando as pessoas lerem livros, e criticando as que criticam, eu tô me encaixando exatamente dentro do grupo das pessoas de quem eu tô falando mal. Mas isso só prova meu ponto, não?

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Sua cara no hamburguer

A campanha é no Brasil, presta atenção nas reações das pessoas em português. Ideia legal, né? Mas assustadora.

O problema é que, mesmo com campanhas de marketing boas assim, o BK ainda não está no imaginário popular como o McDonalds está – maior prova é alguém ter se dado ao trabalho de fazer algo assim por livre e espontânea vontade:

(Via @tayra, daqui)

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