12 de março de 2010 às 12h00
Tecnologia a serviço do ridículo na sua vida
Ridículo I: a câmera digital
Não sei como você é pra comprar tranqueira tecnológia. Eu sou aquela pessoa que faz as tais mídias sociais terem tanto valor: leio uns cinco reviews, impressão de usuários em fórum, em Orkut, essas coisas.
Mas às vezes eu compro no impulso, mesmo. Foi o caso dessa câmera digital, que eu tinha resenhado pro jornal então sabia que era legal, mas acabei nem lendo mais nada a respeito. Quando ela chegou, há mais ou menos um mês, tinha um monte de funções interessantes que eu não fazia ideia de como usar.
Uma delas continua sendo um mistério e é dessas coisas que hoje eu vou chamar de Evolução Tecnológica Para Inglês Ver. É o seguinte – a minha câmera tem um acelerômetro, um dispositivo dentro dela que detecta movimentos e tal. Parece fantástico, e é em alguns aspectos. Se você tira a foto com a câmera em pé, ele vira a foto pra você já na posição certa, por exemplo. Na hora de visualizar, ele adequa a imagem à posição dela. E por último, você pode trocar de foto na visualização só com um movimento da câmera.
Em tese.
É o tipo do feature que não funciona quando você quer, só quando você tá vendo uma foto e vai mostrar pros amigos. Aí quando estica a mão, pá, a foto é outra e as risadas acompanham sim, por gentileza. O barulho que a câmera faz quando ela troca de foto é tipo o que faz o monstro de fumaça de Lost.E quando a pessoa percebe que a câmera faz isso, exclama ‘Que legaaal!’ e começa a chacoalhar a câmera pra ver como a parada funciona, mas aí como não funciona, eu sempre fico diante de pessoas que começam a chacoalhar os braços loucamente, depois o corpo. Isso quando não começam a pular. Sem perceber, elas já são protagonistas de uma cena altamente bizarra. E nada dessa porra funcionar. Na prática, é um feature que faz as pessoas dançarem, basicamente.
Ridículo II: o banco do século XXI
Daí ontem eu fui no banco pra oficializar uma operação bancária de quatro dígitos (eufemismo FTW). Tive que acordar cedo depois de ter ido dormir às 4h30 da manhã, porque há um mês a gerente tinha me dito que se eu fosse lá conseguiria vantagens nessa operação bancária, o que não aconteceria se oficializasse via internet ou telefone.
Tipos que cheguei lá e o atendente ficou vendo aquelas telas dele com aqueles códigos – duas coisas que não se adequam mais ao mundo em que vivemos são sistemas de banco e telas de e-mails nos filmes – por um tempinho e daí brilhantemente me disse: “Olha Ana, você é uma cliente SUPREME, então você tem pré-aprovada aí a oportunidade de fazer essa transação TOOODA por telefone, lá um gerente exclusivo vai fazer cálculos para você, oferecer possibilidades…”
Então eu vou até o banco pra você me dizer que eu tenho pré-aprovada a possibilidade de FALAR AO TELEFONE? Amigo, se eu tô no banco, faça o favor de me atender você mesmo. Acho que se eu fui até lá e não liguei é porque não quero ligar agora. Então você liga e a opção que você quer poder ser a do botão 2, e você guarda ela, mas aí vem a do botão 4 e você já se perdeu, e aperta o 4. Daí não é. Volta pro menu anterior, ouve tudo, grava o 2 e o 4, vai no 2. Ouve tudo até a opção 9, acha que a 6 tem potencial, mas quando chega na 9 esquece qual a que tem potencial. Aperta 0 pra ouvir de novo as opções, pressiona a 6, não é. Se perde nos menus. Chega no menu principal, descobre que a 9 é ‘falar com nossos atendentes’, e você fala seu problema.
E a pessoa resolve tudo. Do aparelho de telefone do banco.
Ridículo III: o fone de ouvido Bluetooth
Meu vô não se acostuma às minhas agora 3 tatuagens, às roupas que a gente usa, aos programas que assiste. Não sei quando o mundo começou a ficar esquisito demais pra ele, mas tenho certeza que não foi aos 21. E ele então é mais tolerante que eu, porque aos meus 21 eu já não consigo me acostumar à gente que está andando na rua assim e fala com um ser invisível que, pelo olhar, não se localiza exatamente à frente ou em cima. É uma atenção que não tem foco, expressões faciais, risadas, tudo sem direção. Falar no celular usando fone de ouvido e microfone bluetooth são uma dessas coisas que fazem os pregadores crerem que o demônio está chegando à Terra através da tecnologia, e eu concordo com ele.
Ridículo IV: retrovisor que é câmera
Responda rápido – porque colocar uma tela a mais dentro do seu carro para fazer a mesma coisa que um espelhinho faz há uns 100 anos?



23 anos, jornalista, curiosa dos mistérios do mundo, odeia inveja e falsidade. 


12 de março de 2010 às 12h30
Cadê o Twitter nessa lista? É a ferramenta mais poderosa da atualidade para fazer as pessoas serem ridículas.
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12 de março de 2010 às 13h40
Porque a câmera te dá uma visão bem melhor do que tem lá atrás.
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12 de março de 2010 às 14h53
Com a câmera vc vê até onde pode aproximar o parachoque traseiro do seu carro sem encostar em algum obstáculo ou outro veículo.
FIK-DIK
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12 de março de 2010 às 16h31
Ufa, estava com medo de você parasr de escrever. Notável, fantástico. 3 tatuagensa? Imaginava, mas nao tava sabendo. Sobre a câmera, eu te disse né?
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13 de março de 2010 às 3h35
Eu já estou falando isso há um bom tempo: se pegassem toda a grana investida em recursos e talentos para produzir tecnologia inútil, evoluir video games, e descobrir maneiras mais complicadas de fazer suco (sim, estou falando dos juicer do polishop), e colocasse todo esse dinheiro em pesquisa na área médica, já não existiria doença no mundo. Ou teriam inventado um supervírus que ia ter matado todo o mundo. O que no fundo dá na mesma, do ponto de vista da eliminação das doenças…
Mas enfim, é como diz o Idiocracy, as mentes mais brilhantes do mundo estão ocupadas em proporcionar ereções mais duradouras, evitar a queda de cabelo e coisas assim…
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Pingback por Entrelinks 22 – Os melhores posts dos melhores blogs
15 de março de 2010 às 22h50
[...] Olhômetro (um dos melhores nomes de blog que conheço!) escreveu, com sua habitual ironia o post Tecnologia a serviço do ridículo na sua vida, relatando algumas situações bizarras e engraçadas ao lidar com avanços tecnológicos. O [...]
17 de fevereiro de 2011 às 15h34
Acho dígno dar a “devida atenção” à tecnologia… ehhhp
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