OEsquema

Arquivo: junho de 2010

Por uma boa causa

Eu paguei duas faturas de cartão de crédito esse mês. É, foi sem querer. Mas nem por isso o banco pode me dar uma canseira de 15 dias úteis. Dizer que depositou o dinheiro na minha conta no dia 8 e eu entrar lá e continuar vendo os números vermelhinhos. E me dar perdido quando eu falo em correção (de juros), já que com a grana que eles não me devolvem, eu fiquei no cheque especial e devo pagar uns 30 paus por isso não fim do mês.

Daí é assim: se puder doar, qualquer quantia, entra aqui na Vakinha e doa. Vou lá, reponho o valor na minha conta e fico quase feliz. E continuo atrás do Banco Real/Santander pra eles me devolverem a grana. Quando conseguir, doo o dinheiro para a Família Santa Clara, que cuida de crianças sem família lá no Rio (e dá a elas uma família, de verdade).

E é isso. Se não puder doar, então divulgar. Retuíta, manda por email ou sei lá.

Editado: só pra constar, o Banco Santander já me pagou o que devia. E ainda por cima prometeu doar a mesma quantia que me pagou à Família Santa Clara.

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PÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ

Eu acordei hoje as 10h30. No ar, em trinta minutos, estaria a partida de futebol entre Costa do Marfim e Portugal. Mas eu achei que tinha dormido demais e já era tarde, a julgar pelo barulho das cornetas na rua.

Já são 11h30 e elas continuam. Não pararam desde então. São umas quatro, pelo que eu posso calcular saindo na sacada, provenientes de lugares diferentes (mas próximos) no bairro. Uma delas, posso ver da minha janela, é uma angelical garotinha de uns três anos, com um potencial enorme pra ser Isabela se não parar de soprar esta merda.


Parece com ela

Aliás, porque ela não está na escola heim? (acho legal essa frase, que é dita por alguém sempre que a situação envolve uma criança fora da escola. Tipo, a escola não é integral; além disso, às vezes, a criança falta à escola. E tá tudo bem, não é por isso que ela vai ser um adulto detestável. Não só por isso, na maioria dos casos).

Mas voltando ao raciocínio, ela não tá na escola porque a escola dela provavelmente dispensou os alunos em dia de jogo do Brasil. E tipo, não que eu não tenha pleiteado junto à minha chefe uma dispensa no dia do jogo, mas que é um absurdo um país PARAR por causa de um jogo de futebol, ah isso é. Me desculpe você amigo fã do futebol que acha tudo isso muito saudável, mas eu acho uma grande palhaçada. Futebol é legal, o que estraga ele são as pessoas que gostam muito dele. É igual a Bon Jovi.

Elas ficam conversando, as cornetas. Uma faz PÓÓÓÓÓÓÓ daqui, outra manda PÉÉÉÉÉÉ de lá. E se tá assim agora, sério, ainda bem que eu não vou estar aqui na hora do jogo do Brasil (e que o lugar onde eu vou estar é um austero local de trabalho localizado no sexto andar, em uma marginal, longe de gente que possa tocar corneta).

Tem algo que eu aprendi sobre essas pessoas que tocam cornetas o dia inteiro durante a Copa do Mundo. São elas as responsáveis por espalhar a praga da ‘VUVUZELA’ por aí. E tipo, essa constatação pareceu óbvia (pareceu que eu disse que as pessoas que tocam corneta são responsáveis por tocar corneta), mas o que você talvez não tenha notado é que eu estou me referindo unicamente ao uso do termo Vuvuzela.

Nós já tínhamos desde sempre uma palavra para caracterizar cornetas. Essa palavra, veja só, é corneta. Que eu saiba, ela cumpre muito bem o seu papel de identificar cornetas, e não precisava ser trocada. Qual a necessidade? Acontece que Vuvuzela, não dá pra negar, é uma palavra engraçada. Ela lembra alguma coisa meio errada, tipo um apelido carinhoso pro orgão sexual feminino (a piada já foi explorada à exaustão, #STANDUPBR sempre representando).

E por isso pegou. Só que é claramente um termo ridículo. E quem fala “vuvuzela” just for the LOLZ provavelmente acabou contribuindo para o contágio do termo, que já está sendo usado de forma séria pelas pessoas mais idiotas.

É claro que quem fala vuvuzela a sério é a mesma pessoa que toca essa porra o dia inteiro. E são as mesmas pessoas que acham mega descolado usar termos em inglês no trabalho, aqueles que já estão instituídos ao establishment da publicidade, tipo brainstorm, feedback, briefing.

Parem, por favor. De tocar corneta e de se referir a ela como vuvuzela.

Principalmente porque eu estou evitando palavras com V. Olha o estado dele no meu teclado:

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