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Arquivo: outubro de 2010

Publieditorial: Itaú lança portal de sustentabilidade

Aproveitando essa vibe da sustentabilidade que tá correndo solta por aí, pegando geral, o Itaú manda avisar que lançou um portal de sustentabilidade, acessível pelo endereço http://www.itau.com.br/sustentabilidade.

Sustentabilidade, como você pequeno padawan deve saber a essa altura, é um conceito que geralmente é pensado só do ponto de vista ambiental, mas que para funcionar precisa considerar três pilares – o social, o econômico e o ambiental. A parte mais interessante desse portal do Itaú, a que relaciona dicas práticas, parece abrangir os três. Tem um guia legal de planejamento financeiro.

É legal que tenha se tornado tão importante provar que sua empresa se esforça para causar o menor dano possível no processo de produção de seja lá o que ela faz. Algumas corporações realmente fazem isso; outras só querem mostrar que fazem. Acho fundamental é acompanhar de perto as empresas que anunciam essas iniciativas, tanto pra fiscalizar se não é só ‘greenwashing’ comercial, quanto pra poder se aproximar delas se não for.

Acontece que essa tendência do verde gera toda uma discussão em torno dos rumos do sistema. O filósofo Slavoj Zizek (sério, é esse o nome do cara) acha tudo isso de sustentabilidade – aliás, ele acha a caridade – um grande engodo. Taí o vídeo dele, que vale a pena ser visto ao menos pela reflexão que provoca:

As perguntas que ficam são:
- Você concorda com o Slavoj? Por quê?
- Ok Slavoj, somos todos pessoas horríveis. Mas que solução você me oferece?

Aproveitemos o gancho do lançamento do portal de sustentabilidade do Itaú pra discutir esse tipo de iniciativas de todos os pontos de vista.

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Eu e o SWU


Em ritmo de SWU

Escrevi esse há uma semana, mas resolvi postar só hoje. Antes tarde do que nunca – o timing já passou, mas não ia deixar o texto mofando aqui.

Acho que a lição mais importante que o Eduardo Fischer, empresário responsável pelo SWU, aprendeu nesses três dias, foi que não é prudente batizar um festival com um nome que rime tão facilmente com ‘cu’. Porque na hora que a coisa apertar, as pessoas estiverem putas com a organização e o caos lembrar um Titanic sem o barco e sem a água, vai ser muito fácil entoar um SWU! VAI TOMAR NO CU!. Ninguém vai precisar nem fazer esforço pra xingar o festival, saca?

Foi bem isso que aconteceu. O ‘Titanic sem água nem barco’ rolou na saída do primeiro dias de show. Acrescente nesse clássico de Hollywood uma pitada de zumbis – era como se zumbis náufragos vagassem sem rumo por uma estrada de terra no interior de SP, no escuro. Sem informações (zumbis geralmente não se importam muito com isso, mas a metáfora dos zumbis só se aplica à maneira como as pessoas vagavam). Ninguém sabia informar nada, filas se formavam sem que ninguém soubesse exatamente pra quê. As pessoas se agarravam na janela da minha van pedindo pra que eu, pelo amor de Deus, as tirasse dali. Que elas iriam até no teto, se preciso. Que pagariam o quanto fosse.

A van estava cheia e eu me senti aquela pessoa no bote do navio afundando que precisa dizer “NÃO! O SENHOR NÃO PODE ENTRAR AQUI, SENÃO MORREREMOS TODOS!”, e mal dormi à noite. O problema é que, muitas vezes, problemas de organização acabam superando bons shows. E infelizmente parece ter sido o caso nesse festival, ao menos pra uma boa quantidade de gente. Não pra mim, mas eu preciso contar o que vi e ouvi.

É preciso valorizar a iniciativa dos caras de resolver, já no dia seguinte, os problemas de transporte pra volta. Liberaram a estradinha, colocaram mais ônibus e MUITOS TAXIS, de modo que a saída do domingo e da segunda não podem, de maneira nenhuma, serem comparadas à putaria que rolou lá na sexta. Isso é louvável; louvável também é recolher todo lixo e reciclar, é treinar a segurança pra devolver carteiras e celulares no Achados e Perdidos (conheço várias pessoas que encontraram essas coisas lá depois dos shows).

Mas porra. Deve ter algo de errado em um festival em que é mais fácil entrar com um baseado do que com uma bandeja de mussarela e uma cartela de anticoncepcional (true story).

Não vou reclamar de comida cara, que isso acho que é algo que, embora absurdo, se espera de um festival. O duro é pagar 12 reais em um hambúrguer que demora não menos de uma hora para ser conseguido e vem frio – ou seja, o número de barracas de comida naõ deu conta da demanda. Não vou reclamar que a água e as bebidas eram vendidas em garrafas e copos, porque considero difícil encanar água para colocar bebedouros em uma fazenda, mas vou reclamar que as latas de lixo pra jogar essas coisas eram mais difíceis de encontrar do que, sei lá, alguém me arrume uma comparação engraçada pra colocar aqui.

E, finalmente: não há nada de sustentável em uma área vip. Não é só uma área vip na frente do palco, é toda uma área vip, com restaurante vip, atrações vip. Sério, não dá.

Agora, os shows (aqueles sobre os quais tenho algo a dizer):

Black Drawing Chalks

Foi bem no começo do festival e, ainda assim, lotou. Eu já tinha visto-os tocando em lugares menores e fiquei surpresa de perceber que o som poderia funcionar em um palco grande. Funcionou, e muito. Ficou super pesado, o baixo marcante, mais metal do que nunca. Muita gente assistindo e gostando, especialmente porque eles poderiam ali ganhar uma boa parcela dos fãs que tinham ido pra ver Rage ou Infectious Groove (há fãs do Infectious Groove?). Foi bom.

Mutantes

Ah, vai ser polêmico? Vai. Mas também, quem disse que eu preciso manter aparências sobre gostos musicais, né? Eu nunca gostei de Mutantes. Não gosto. E o show foi chato. Assim, pra dormir mesmo. E aquela vocalista grávida sorri demais, sério, de um jeito doentio e perturbador. Só valeu por ver o mito Sérgio Dias ao vivo.

Los Hermanos

Achei caído. Posso? Desculpe aos amigos que entraram em comunhão com os malas, mas na boa, não sei realmente porque, mas Los Hermanos já era pra mim. Não me tocou – eu cantei todas as músicas, que sei de cor, no automático. E nem sei explicar porque, mas se eles não conseguiram me cativar como costumavam (e como não conseguiram naquele show também meia boca em que abriram pro Radiohead), a culpa não é minha, que continuo achando as músicas do Bloco do Eu Sozinho e do Ventura tão boa quanto sempre foram. Não gostei.

Mars Volta

Achei o show um pouco tezzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz….

Rage Against The Machine

Matador. Arrepiaram os pelos do meu braço (sérião) quanto entraram tocando Testify, e eu nem sou super fã – só conheço meia dúzia de músicas e olhe lá. Sabe quando você ouve um baixo num show e ele é tão marcante que parece que seu coração tá compassado junto? O show foi catártico, a presença de palco deles é absurda. A maior prova é que a banda fez um show em que o áudio foi cortado duas vezes e, ainda assim, foi lembrada pelas músicas que tocou, e não por esse episódio infeliz.

Mas lá vou eu como as minha observações sociais… os caras pregam a revolução pela violência, e eu não vou discutir se isso é certo ou errado. Mas acontece que isso os torna responsáveis pela parcela de fãs deles que é violenta usando essa suposta revolução como desculpa, mas no fim, só quer mesmo é a violência. A galera lá tentando arrebentar a área vip: do caralho, sério. Eu tava na área vip e a perspectiva não me assustou, pelo contrário, eu estava é fascinada com o poder que um mito da cultura pop pode ter sob tanta gente ao mesmo tempo. Aí param o show porque a coisa estava insustentável, as barreiras iam cair… e ele me conta e toca SLEEP NOW IN THE FIRE? Pareceu até sarcasmo, quase um AGORA SE FODE AÍ. Eu achei que as pessoas iam se machucar seriamente. Eu fui xingada por uma galera da área normal (eles cuspiram em mim, inclusive, e me acusaram de vender meu corpo em troca de dinheiro com o uso de alguns termos que designam essa profissão) só porque eu estava olhando pra eles, em vez de olhar pro show. Os caras não sacaram que boa parte do show estava NELES – na fúria meio vazia que eles demonstravam, na possibilidade de uma tragédia iminente e em tudo aquilo ser provocado por uma banda de rock.

O que eu queria ter visto e não vi:

Superguidis
Mallu Magalhães
The Apples In Stereo


:(

No domingo eu não fui, mas sei FOR A FACT que o show do Kings of Leon foi ruim. Me disseram que o highlight do dia foi Otto, apesar de eu não curtir muito o cara.

Incubus

Pô, tem um disco do Incubus do qual eu sou super fã, e chama A Crow Left Of The Murder, eu até comprei ele (sabe, CD físico, assim?). Das outras coisas gosto só dos hits – Drive, Wish You Were Here. Sabe como é, a gente colocava essas coisas em mixtapes na adolescência, a galera tocava nas rodinhas de violão. O show foi assim: eles abriram com a última música deles que ficou muito, muito famosa. Chama Megalomaniac, é daquelas que vão crescendo e explodem no refrão, é boa e é uma música contra o Bush (em 2004 tava na moda fazer música contra o Bush). O que se destacou foi a voz do gatinho lá, o Brandon Boyd. Ele canta muito e isso, ao vivo, fica gritante (no pun intended). Vai pra uns agudos bizarros sem desafinar, a voz dele é um show à parte. De resto, a apresentação foi consistente e só. Misturou hits desse disco que eu gosto com uns clássicos mais pesados deles, tipo Nice To Know You. Bom show, mas não mudou minha vida.

Queens of the Stone Age

Eu e todo mundo que estava ao meu redor, a uns 4 metros da grade da pista vip, ficamos putos com uma série de coisas antes desse show. A saber:

- Um atraso de 50 minutos que já estava nos fazendo considerar a possibilidade de cancelamento;
- As pessoas em volta, que eram todas fãs de Linkin Park, e em dado momento começaram a gritar Linkin Park;
- E a coisa mais engraçada do festival, um grupo de três garotas que poderiam facilmente serem transportadas para a tenda do Tiësto (elas tavam vestidas pra rave), mas que aparentemente tinham ido para ver Linkin Park, e criaram uma barricada à nossa direita. O lema delas era DAQUI NINGUÉM PASSA, e funcionava assim: qualquer pessoa que tentasse passar por elas, seja para ficar entre as garotas ou cruzar para o outro lado, não poderia fazer isso. Elas ficavam assim, estáticas, rígidas, e evitavam a passagem. E diziam “se quiser, dá a volta”, o que era impossível porque tava muito cheio tanto na frente quanto atrás.
Apesar de me indignar e iniciar um leve bate-boca com as garotas, como afinal meu lema é espalhar o amor, no final ficou tudo bem.

Mas vamos à parte que interessa. Queens of the Stone Age tem, em todas as músicas, esse ar hipnotizante, um pouco ébrio. É isso, somado ao peso das músicas, aos riffs de guitarra que se entrelaçam e à voz meio bêbada do Josh Homme, que provavelmente atrai a maioria dos fãs dos caras. Ao vivo, o clima meio nebuloso que é criado por todos esses elementos na música gravada é palpável, real. Ganha um peso indescritível. Felizmente, mesmo com os fãs do Linkin Park ao redor, havia fãs de QOTSA suficiente pra que eu não fosse a única a cantar todas as músicas ou a dançar Sick Sick Sick e Little Sister (aliás, essa música fala sobre incesto?).

Pixies

Não vi. Mas foi um showzão.

Linkin Park

CRAWWWWWLING IN MY SKIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIN. E I CAAAAAN FAAAAAAINT. Só, né.

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