OEsquema

Arquivo: janeiro de 2011

Eu estive no paraíso e voltei para contar

Eu nunca achei que fosse conhecer uma ilha paradisíaca. Também não era nada que tivesse no meu checklist de objetivos de vida – o que é uma pena, e um erro grave. E digo mais: se no seu checklist de objetivos de vida você não tiver ‘conhecer uma praia paradisíaca’, talvez seja legal acrescentar. E eu acho que vou te convencer depois dessas fotos.

Isla Mamey

É tudo de verdade

Isla Mamey

Sério.

Ontem eu fui a uma ilhota no Caribe chamada Ilha de Caras Isla Mamey, na costa de Portobelo, uma cidade na província de Colón, a cerca de uma hora de Cidade do Panamá. Era o principal porto pelo qual a Espanha tirava as riquezas daqui na era colonial, e o lugarzinho é considerado patrimônio mundial pela Unesco. Da estrada, dá pra ver o forte de uns 400 anos de idade, cheio de canhões enferrujados, e a aduana que controlava a saída de ouro e matéria prima que era enviada da colônia até a Espanha. O forte não foi forte o suficiente (HEH) para impedir que o pirata safado Henry Morgan, o mesmo que arruinou toda a Cidade do Panamá no séc. XXI, botasse fogo, saqueasse e matasse todo mundo também em Portobelo, em 1668. Daí depois os ingleses tomaram a região, os espanhóis pegaram de volta e essas coisas que acontecem na história. Era um lugar agitado; quem vê hoje, não diz.

O forte

O forte de Portobelo

O lance é que eu sempre achei que ilhas paradisíacas só fossem acessíveis pra gente rica ou pra quem tivesse acesso a grandes estúdios de cinema, com complexos de cenários artificiais. Mas chegar a Portobelo da Cidade do Panamá só leva uma hora e meia de carro. Dá pra pegar um ônibus de viagem por menos de 50 dólares, ou acertar com um taxista por uns 80 dólares. Chegando na cidade, além das casinhas expurgadas de pobres, que lembram a periferia de GTA: Vice City (Panamá é um pouco o GTA Vice City no geral, mas essa é uma teoria pra um outro dia), dá pra ver placas oferecendo barcos pras principais ilhas da região.

A mais famosa chama Isla Grande, e era onde a gente ia a princípio, mas ouvimos falar que a tal Isla Mamey, uma ilhota particular, de um espanhol que tem mais três ilhas na região (NA HUMILDADE) era mais limpa e mais vazia. Além de muito rico, ele é generoso, porque apesar de ser dono da ilha, permite que a galera chegue lá pra usar a praia numa boa. A ilha é tão pequenininha, tão cheia dos estereótipos de ilhas paradisíacas como aquelas de filmes, que a todo momento eu ficava pensando em coisas que poderiam ter sido filmadas ali, como um reality show louco, A ILHA, A LAGOA AZUL, A PRAIA, O NÁUFRAGO e, é claro…

WE HAVE TO GO BACK

Chegamos no estacionamento do portinho e já avistamos uns três moleques, entre 10 e 13 anos, discutindo com um cara mais velho que parecia o Seu Boneco da Jamaica, um negão com uma toca feita de meia-calça. Aparentemente, eles estavam disputando o direito de olhar nosso carro. Não acompanhei a discussão até o fim, mas acho que eles acabaram dividindo entre si os carros a responsabilidade dos quatro veículos – cujo estacionamento, aliás, nos custou 3 dólares por carro.

Panamá e seu ecleticismo musical

Essa era a van dos flanelinhas, exibindo todo um ecleticismo característico da Am. Central

O próximo passo era acertar com um barqueiro o transporte até a Isla Mamey. Por 5 dólares por cabeça, um mulato gente fina chamado Manuel topou fazer a ida e a volta. Além de operar o motor da parada, ele garantiu que todos nós estivéssemos vestindo os lindíssimos coletes salva-vidas e fez as vezes de guia turístico, explicando o nome e um pouquinho de cada ilha pela qual passávamos. Ofereceu inclusive a versão COM EMOÇÃO do rolê, um caminho que passa por dentro de um túnel feito com vegetação de um mangue (El Tunel Del Amor, e eu juro que esse é o nome), um lugar lindo, que me lembrou a Amazônia se eu já tivesse ido a Amazônia, e que na saída pega uma correnteza e ondas dos diabos, o que quase upgradeou nosso passeio de traslado até a ilha para rafting em alto mar pelo mesmo valor. VALEU A PENA!

Doca em Portobelo

Docas em que pegamos o barquinho pras ilhas

A caminho da ilha

Manuel, barqueiro brother

A caminho da ilha

EL TÚNEL DEL AMOR (não fui eu que dei o nome. E sim, eu sei que isso parece nome de outra coisa)

Pro Manuel, adiantamos 20 dólares da gasolina e combinamos de pagar o resto quando ele voltasse. E quando eu cheguei, demorou um tempão pra que eu acreditasse que um lugar tão foda fosse tão simples e barato de chegar. E vazio. E desconhecido. Como a Isla Mamey não está nos guias de viagem? Porque os panamenhos não alardeiam esse tipo de turismo pra todo mundo?

Isla Mamey

CHEGAMOS PASSA A FAROFA

Isla Mamey

TÔ NA LOCAÇÃO DE LAGOA AZUL

Ok que o esquema da Isla Mamey é BEM roots. A parte utilizável da ilha e da praia é minúscula, o resto é mato – lindo e bem aparado, até, mas mato. Não tem resort, barraca, o banheiro é improvisado dentro de uma construção do lado direito do terreno. Mesmo assim, dá pra acampar numa boa, levando comida pra assar e água engarrafada. Mas o lugar é lindo e limpo, e o dono espanhol generoso até mandou construir umas tendas pras pessoas poderem passar o dia, ou a noite, e uns plateaus de cimento ocasionais, pra montar barracas e tal. Ou seja: não explica porque ali só tinha, em maioria, turistas europeus. No dia inteiro que passamos, convivemos com uns 8 ou 9 grupos, entre casais e famílias cheias de crianças, em maioria – pelo que escutei – da Espanha, da Itália, da Grécia e de algum lugar do Leste Europeu. Onde estavam os panamenhos? Por que eles não vão a essas praias?

Saiu panorâmica

No fim da tarde, com a maré baixa

Colón e Portobelo são regiões extremamente pobres. Lembram, aliás, cidades rurais de baixa renda do interior de São Paulo – Itapecerica da Serra seria um bom exemplo pra comparar, só que com menos ou zero encostas. Acontece que, pros panamenhos, parece que esses lugares lindos não são frequentáveis porque, para ir até eles, é necessário passar por regiões mais feias. E aí, o Guarujá deles não fica na lagoa azul, fica nas praias do pacífico, na costa oposta. Não há nada de errado com isso, é claro, exceto que eles estão desperdiçando uma das coisas mais fantásticas que o país tem e inclusive esquecendo de contar pro mundo que essas coisas estão ali.

Portobelo

As casinhas pobrinhas em Colón

Mas tudo bem, PORQUE EU ESTOU AQUI PRA ISSO! Alô MINISTÉRIO DO TURISMO DO PANAMÁ, ME CONTRATE.

Daí a ilha tinha um ZELADOR. Ainda acho que o cara era só um aproveitador, alguém que vai pra lá de manhã e inventa um papo pra cobrar dos turistas desavisados. De todo modo, ele veio com uma história de uns 20 minutos sobre como ele entendia que ninguém tinha avisado mas que se cobrava sim e que o dono espanhol pedia pra ele cuidar e que não era de graça não blá blá blá… resultado: 3 dólares por cabeça. A gente achando que o cara fosse falar COBRO 20 POR PESSOA, LIBERA A GRANA OU VAZA NADANDO, ele pediu 3 dólares por pessoa, só. Achamos justo: ele ainda cedeu o banheirinho – ok, não era grande coisa, mas… – e descolou umas porções de frango frito. Além disso, aparentemente ele também organizava as latas de lixo e no fim do dia recolhia tudo.

Isla Mamey

Tendas de sapé na ilha

Nota: importante avisar aqui que ele ‘descolou’ porque a parada funciona de um jeito um pouco heterodoxo. Você chega pro tio e pede uma porção de frango frito e ele cobra, sei lá, cinco dólares. Aí ele pega o CELULAR – o celular funciona! – e dali a uns 20 minutos CHEGA UM BARCO COM UMA PORÇÃO DE FRANGO FRITO. O tio não fica fazendo nada o dia inteiro na parada; tá ele, a mulher e umas três crianças lá, na ilha, o dia inteiro coçando, e nem pra temperar e fritar um frango, ELE MANDA TRAZER.

Isla Mamey

O BARCO DO FRANGO CHEGOOOU (baseado no clássico O CARRO DA MELANCIA CHEGOOOU)

Nadei bastante na água cristalina e até fiz mergulho – com snorkel, gente, que sou simples – mas tinha peixe pra cacete, de todos os tamanhos e cores, além dos sirizinhos e dos caramujos. E eles são meio ousados, meio que vão indo pra cima. Não são tipo pombas do mar, sabe, que se assustam com presenças estranhas. Você chega e ele começa a nadar perto de você, parece que vai tentar ver se sua pele tem comidinhas.

Isla Mamey

<3

De verdade, em alguns momentos não acreditei que estava em um lugar com paisagens tão incríveis, dessas que servem de catálogo em agência de turismo e se publicam em guias de viagem, e por tão pouco. A câmera trabalhou pra caramba, tirei umas 500 fotos, todas já no Flickr. Até entrei com a câmera dentro da água pra poder tirar foto das pessoas lá – quer dizer, eu entrei na água com a câmera em mãos, não coloquei a câmera na água porque isso seria estúpido.

Dá pra ver meu pé

Dá pra ver meu pé na água do mar

Depois de um dia de sol ardido, muito estímulo visual e um cansaço mortal, no fim da tarde, pouco antes do horário combinado com o Manuel, estendi na grama um saco de dormir e tirei um cochilo embaixo do coqueiro. Uma meia hora depois, arrumando as coisas pra ir embora, vejo os filhos do ZELADOR DA ILHA atrás da nossa tenda pegando uns cocos e aí, de repente, eles começam a arremessar umas pedras no tronco do coqueiro. O motivo:

Uma intrusa

SAAAAAAAAAAAAAAAAAI MANO

Meu pai, membro do PETApreocupado com a sustentabilidade do ecossistema da ilha, pediu e eles acabaram deixando o bicho vivo.

Na volta, paramos em um restaurante em Portobelo chamado Los Cañones e comemos comida típica da região, que é claro são aranhas caranguejeiras fritas frutos do mar com várias outras coisas, tipo arroz com coco, que eu comi e é bom pra cacete, além do melhor ceviche de polvo da minha vida. E como se não bastassem as paisagens lá da ilha e todos esses lugares maravilhosos – sério, se vocês vissem as fotos que eu apaguei hoje, me achariam louca, mas é que eu tirei tantas e todas são tão lindas que algumas ficaram até ruins, o que seria impossível – o meu dia de Lost terminou com outra vista fantástica, da varanda do restaurante:


É MUITA LINDEZA

Ah, não esquece de entrar no Facebook e curtir a página do Olhômetro – dá pra ser avisado das atualizações e ler direto lá. E eu também quero saber o que você, leitor amigo, está achando desses últimos posts na vibe LONELY PLANET. Tá legal? Tá uma merda? Conversa comigo, pelos comentários ou pelo Facebook do blog. <3

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Cidade do Panamá for dummies

Como vocês notaram, o design mudou, mas por enquanto só funciona no Chrome. Peço paciência: meu programador prometeu que arruma até hoje (sexta, 28) e eu tô confiante.

O Panamá é um lugar legal e quente pra caramba, quente demais. É tipo uma sauna a céu aberto: todo lugar tem um ar condicionado muito, muito frio, e quando você sai parece que entrou em um carro que ficou 8 horas no sol, sabe? Aí, você tem choque térmico e fica doente. Eu fiquei quando cheguei, mas agora já tô boa. Parei de suar, também. Você chega e fica suando que nem um porco, o tempo todo. Depois de uns 3 dias passa, acho que o corpo se acostuma ao calor. O lado bom: tô bebendo litros de água todo dia.

Tô aqui na casa do meu pai, um apartamento de três quartos no 18º andar de um bairro que é tipo uma Vila Mariana, por assim dizer. Se chama El Cangrejo. É um bairro bom, e dá pra fazer bastante coisa a pé, que é o que eu tenho feito.

A vista da sacada do apartamento

Aqui na Cidade do Panamá nao tem misééééria, assim. Não tem gente que mora na rua. Rolam alguns poucos pedintes, que geralmente se focam nos turistas, e tem uns cortiços. Mas também não tem classe média: é tipo classe AAA, classe A e classe C, uma classe C que aliás tem acesso a bens de consumo porque aqui tudo é muito barato – roupas, comida, eletrônicos. Então não tem mendigos maltrapilhos, porque uma calça jeans em um oulet custa entre 5 e 10 dolares, e uma camiseta, 1,50 dolar. Ah, sim: a moeda oficial se chama Balboa, mas eu só vi Balboas de um centavo. A moeda que circula é o dólar. Mas digresso: dá pra comprar camisa da Lacoste com pequenos defeitos – sabe, uma costura rasgada, uma manchinha – por 8, 6 dolares. Entao fica todo mundo NA ESTICA. Não tem gente passando fome, não tem analfabetismo, a educação é barata e todo mundo que quiser fazer faculdade de graça faz, porque tem vaga pra todo mundo.

TODO A DOLLAR

O TODO A DOLLAR é uma loja que vende tudo por um dólar. E quando eu digo tudo, realmente quero dizer tudo

Geralmente, nos dias de semana, eu saio pra dar rolê em algum dos lugares interessantes na cidade – um parque, um ponto turístico, uma avenida com lojas baratas – ou vou ao shopping garimpar roupas em promoção. Já fiz compras suficientes pro meu dinheiro acabar, o que provavelmente significa que não vou conhecer as ilhas paradisíacas na costa do Panamá, mas isso não me incomoda muito a essa altura. Há muito para se ver na Cidade do Panamá e nos arredores, e por pouco dinheiro.

Ruínas

Uma parte das ruínas de Panamá La Vieja, vista de cima de uma catedral que tem uns 500 anos

Já fui a Panamá La Vieja, que é o local onde a primeira cidade do Panamá foi construída – quer dizer, uma vila medieval, em 1530, e a região ainda tem um monte de ruínas. E só são ruínas porque um pirata-bucaneiro sacana chamado Henry Morgan (que não é pouca merda, tem até verbete na Wikipedia) passou aqui em 1650 e qualquer coisa e botou fogo na porra toda. Só sobraram umas pedras, mas são pedras bonitas, de todo modo. Também fui a um lugar chamado Causeway, uma via tipo avenida-da-praia, mas com mar dos dois lados. Liga a costa a uma ilha próxima e foi construída com areia que tiraram do Canal. É um lugar lindo, com ciclovia e coqueiros margeando o espaço todo, um porto com barcos, lojas e coisas pra turista ver na ilha e uma paisagem estonteante.

Causeway

A Causeway

Conheci poucos panamenhos – só o sócio do meu pai, o Ernesto, um baixinho atarracado gente fina, a faxineira aqui de casa e umas amigas da mulher do meu pai. Da minha idade, ninguém. Para os padrões de beleza brasileiros, o panamenho ou panamenha média podem ser considerados feios, o que nos torna – a mim e ao meu irmão – muito lindos ou muito exóticos. E eu presumo isso porque todo mundo fica olhando pra gente quando passamos em um lugar muito panamenho.

Barcos

E aí, tamo gato?

Aqui tem uma cultura à estética forte, maior do que no Brasil. Tem um salão de beleza a cada esquina, e as mulheres agendam horários pela manhã pra fazer escova todo dia antes de ir pro trabalho. Na rua, os homens mexem com qualquer ser do sexo feminino que esteja de shorts, de taxistas a funcionários da prefeitura em carros oficiais. A altura média de um homem panamenho é a minha, meio que 1,65, o que tira um pouco do impacto das cantadas.

Na média, nos estabelecimentos comerciais, os panamenhos atendem mal, porque ganham mal e porque não têm simplesmente uma cultura de ‘gentileza’ com o próximo. Mas há exceções, especialmente nas regiões com muitos estrangeiros. E muita gente é bem simpática, atenciosa e receptiva com turistas. Reparam que você precisa de informação e se oferecem pra ajudar, dão toques sobre onde e como ir e onde e como não ir, perguntam de onde você é e se está sendo bem tratados e até arranham umas palavras em português. São um povo muito HOSPITALAR, como diria o Zanata.

Aqui come-se muito, muito bem e por muito pouco. Os fast foods, que têm de monte, e os supermercados têm todos padrão americano, das porções exageradas às marcas. Mas há restaurantes de todos os tipos a preços ridículos – o próprio preço do McDonalds, que vende um número de Big Tasty, que aliás é maior do que no Brasil, com batata grande e refrigerante grande pro 4 dólares, já é um bom termômetro. E todo lugar tem brownies – alguns melhores, outros piores, mas eles estão por todo lugar.

O trânsito daqui é maluco, só tem SUVs, aqueles carros americanos grandes, tipo TUCSON, porque eles são ultra baratos: custam tipo 7 ou 8 mil dólares. E todo mundo dirige que nem retardado, como naqueles vídeos de trânsito na Índia, onde não há regras. Nego fecha cruzamento, buzina pra tudo, costura no trânsito, passa a 15 centímetros de você quando você atravessa a rua e tudo isso é muito comum. Atravessar a rua aqui exige, inclusive, uma inteligência que não é nata pra nós, acostumados a outro tipo de lógica de trânsito. É kamikase: bote o pé na rua, mesmo que o carro esteja vindo, calcule se será possível correr e corra. Ele não vai diminuir a velocidade e é possível que acelere. Mas se você for esperar ‘dar tempo’, vai ficar 10 minutos parado na calçada. E é permitido passar no farol vermelho se, por exemplo, você estiver na pista da direita e for entrar a direita em uma via cujo fluxo corre nessa direção.

Trânsito panamenho

Desse ângulo dá pra ter noção que não é possível aceitar a maneira como os carros estão dispostos na via

Ah. Tem uma avenida chamada VIA PORRAS, e uma cidade próxima chamada BOQUETE.

Não tem poluição, nem violência, e a cidade é pequena – o país inteiro tem 3 milhões de habitantes, e a Cidade do Panamá tem 1,5 milhão. Vive-se com muito, muito mais qualidade de vida do que em SP. O pôr do sol é lindo, todos os dias. E apesar de ser uma grande metrópole e ter muitos prédios, não é o suficiente para impedir uma vista foda do pôr-do-sol todos os dias.

Pôr do sol

Pôr-do-sol em um dia mais feio, assim

Os panamenhos são como portugueses perdidos na América Latina – digamos que eles entendem as coisas um pouco ao pé da letra demais. Tem um bandejão servindo frango com batatas, e você quer só batatas: não pode, leve o frango junto e joga fora se quiser. No meu primeiro dia, eu precisava de um benjamim (gente, que nome estranho que isso tem em português. É um nome próprio. É tipo chegar na Rússia e descobrir que CABO USB chama, sei lá, Roberto. E aí?), e fui arranhar meu portuñol numa loja cheia de trecos elétricos.

- Yo queria algo así como un… adaptador. Si, un adaptador – diante da cara de confuso do tio, eu completei – para plugs…?
- Hum… no, no tenemos. Lo que tenemos és solo esto – disse o tiozinho de óculos, me mostrando um benjamim.
- Por supuesto, era isto que yo buscava. Todavía, como se llama esto?
- Adaptador.

TRUE STORY.

Eu batizei de Panamense o espanhol falado no Panamá, que é um pouco fanho, suprime consoantes e principalmente os S das palavras, além de misturar inglês com sotaque latino no meio: bonito é PRITI, com aquele T da Moóca, se o mar tá sem onda ele tá FLÁT, um gato feliz é um RÁPICAT. E eu sofro pra entender a YAMI (pronuncia-se JAMIL, mais ou menos), a diarista aqui de casa. Outro dia ela chegou e começou:

- Ana DIATUPAPA QUESEABOELSUAITEL – é, foi assim mesmo.
- AHN – essa fui eu, chocada. Ela repetiu, ficou igual. Pedi – Habla mas de espacio, por favor. No te entiendo.
- DIRRATU PAPA QUE SE AGABO EL SUABITEL.
- Humm… que és SUAVITEL?, perguntei. Pelo menos tinha entendido a lógica da frase.
- NOSABE QUE ÉS SUAITEL?, continuou YAMI, um pouco esnobe.
- No.
- EPA ENAUÁLAROPA.

Outro desafio. Respirei fundo.

- QUÊ? (por incrível que pareça, eles entendem um ‘QUÊ?’)
- ENAUÁ.
- AHHHNNN???
- E-NA-UÁ!

E num golpe de sagacidade extrema, consegui deduzir que ela estava dizendo ENJUAGAR, panamense para o nosso bom e velho ENXAGUAR. Ah, Suavitel é amaciante.

ENAUÁÁÁÁ

Esse texto, ou quase ele, é o que escrevi aos meus amigos mais próximos ontem a noite sobre o lugar onde estarei pelo próximo mês e onde passei as últimas duas semanas. Todo mundo gostou tanto que resolvi editar e publicar aqui – e pensando bem, é um bom guia da Cidade do Panamá pra quem não faz ideia de como é esse lugar, ou seja, todo mundo que não mora na Colômbia ou na Costa Rica ou no máximo no Peru.

Volto ao Brasil no dia 28 de fevereiro e no dia 15 de março embarco para a Holanda, onde fico por um ano, e onde terei (suponho) outras impressões como essas pra dividir. Não que eu não vá publicar mais nada sobre o Panamá, já tenho mais posts no gatilho. Um deles é sobre compras: aqui é tão legal pra fazer compras que eu comprei até uma lâmpada do gênio.

A lâmpada do gênio

Eu sei que é inútil DEPOIS DO ÚLTIMO DESEJO, mas foi só 7 dólares

Ah, se você gostou da amostra grátis no post, dá pra ver todas as fotos que eu tirei no meu Flickr.

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De El Cangrejo a Punta Pacífica

Esse texto foi postado originalmente no 3meia5.

Fim de tarde em El Cangrejo

A minha sina é esse negócio de viver em lugares que as pessoas consideram de menor importância. Como Santo André, ninguém sabe nada sobre o Panamá – bem como Santo André, onde eu morava antes de vir pra cá, as pessoas têm ideias completamente equivocadas do que esse lugar pode ser.

Palavras-chave sobre o Panama na cabeça do brasileiro de classe média minimamente bem informado:

  • Canal do Panamá
  • ET do Panamá
  • América Central

A maioria nem sequer tem certeza de que a língua falada aqui é o Espanhol, não faz ideia que a moeda corrente é o dólar norte-americano e que aqui se vive de maneira muito parecida com o Brasil, com diferenças peculiares, algumas que nem sequer caberão aqui. De todo modo, nos isenta de reclamar que os americanos não saibam que falamos português, ou que nossa capital é Brasília, quando nada sabemos sobre um país tão próximo da gente, geograficamente e em outros aspectos.

O meu dia no Panamá começou como todos os dias no Panamá começam: quente e com barulho de construção civil. Aqui em El Cangrejo, o bairro em que eu moro, a especulação imobiliária está a toda. Tem um prédio residencial grande sendo construído a uns 50 metros do meu, os operários botam a mão na massa a partir das 6h30 da manhã e, com eles e com o sol quente, eu pulo da cama. Acontece que o Panamá não foi tão legal comigo desde que cheguei e eu venho me sentindo meio doente. Tive que tomar a chata e dispendiosa decisão de ir, pela segunda vez, a um hospital panamenho.

O Punta Pacífica Hospital cobra até pela medição de sinais vitais que, eu juro, foi feita por uma máquina e, também juro, estavam bem evidentes, já que eu cheguei lá andando e falando. Cobram as seringas, o oxigênio usado nas três inalações, as agulhas, o lençol que eu usei pra me cobrir naquele ar condicionado de 14 graus… tudo. Na verdade, essa observação é isenta de julgamento, porque dá pra entender que se cobre por tudo, mesmo – o hospital é realmente excelente, de atendimento excepcional. E afinal, três inalações depois, o médico hispanofalante de dicção exemplar para um panamenho (sei lá se ele era panamenho – nesse lugar, tem gente do mundo inteiro) explicou que segundo o exame de sangue e a chapa eu não tinha infecção nenhuma, e as profundas dores para respirar, que cessaram depois das EBULICIONES (inalações, em espanhol), eram provenientes de broncoespasmos resultantes de processos alérgicos.

Ah, o Panamá e os processos alérgicos decorrentes dele. Imagine andar pela rua com um sol de 40 graus na cabeça e o quanto você vai transpirar com isso. Agora, imagine você, com as roupas úmidas de suor e da umidade da Cidade do Panamá, entrando em QUALQUER LUGAR e sendo atingido por uma temperatura repentinamente 20 graus mais baixa, proveniente de um aparelho de ar condicionado. Nem a vovó aconselharia, nem a resistência do corpo do brasileiro aprecia Essa semana eu conheci outro brasileiro na mesma situação, com febre alta e dor de garganta, além da tosse – como eu, durante a semana – , e do meu lado no atendimento do hospital Punta Pacífica havia também um grupo de brasileiros de Salvador acompanhando uma moça com, adivinhe, problemas respiratórios. O lance aqui é que, ao contrário de nós, eles não sacaram que havia brasileiros ao lado, e ficaram falando várias coisas engraçadas, tipo que sei lá quem tinha diarreia, e que não sei quem apanhava do marido (isso não é realmente engraçado, mas na hora foi inusitado).

Ok, processos médicos resolvidos e muito mais calma (não sou hipondríaca, só prevenida – quase morri de pneumonia há um ano), saí do Punta Pacífica com o xale nas costas pra evitar o choque térmico da sauna que estava lá fora e fui, com meu pai e irmão, comer umas empanadas argentinas no Caminito (é o nome do restaurante). No caminho, entre amostras do trânsito panamenho, que é como o paulista, mas com carros com o dobro do tamanho – os SUVs – e uma inteligência de tráfego portuguesa, conhecemos o flanelinha que salvou o dia.

Como aqueles que nós paulistanos conhecemos bem, chegou quase jogando a garrafa de detergente e água – ou seja lá o que realmente haja naquela mistura – no vidro, sem nem perguntar, rodinho na outra mão. Logo ouviu um ‘NÃO’ sonoro do meu pai, em português mesmo. Insistiu no gesto mas se deteve na lavagem: mesmo sob os NÃOs, o que ele fez foi desenhar um coração no vidro com o rodinho. Tipo ‘VIM EM MISSÃO DE PAZ’. Amolecido, meu pai ouviu o que ele tinha a dizer – “DÁ-ME UNA OPORTUNIDAD” -, disse a ele ‘és muy bueno’, deu-lhe uns dois dólares (amigo, aqui com dois dólares você compra umas três latas de coca-cola) e saímos, revigorados pelo amor gratuito e pela criatividade do tiozinho flanelinha panamenho.

Mais uma horinha de trânsito LOCO e, em casa, resolvi registrar o momento aqui no El Cangrejo, um bairro parecidinho com a Vila Mariana, mas cheio de estrangeiros. Sabe, porque eu sabia que teria que escrever o post e precisaria ilustrar, e sem a câmera durante o dia, precisava de uma boa imagem panamenha. Esse por do sol eu vejo todos os dias. Aquele era como eu acharia que ele seria no fim do dia, quando acordei puta da vida por estar mais um dia doente, sem aproveitar a viagem. E esse aqui embaixo é como ele terminou de fato.

Fim de tarde em El Cangrejo

(Sei que a primeira, lá em cima, não é feia, nem triste. Mas é melancólica, como eu estava quando acordei. A segunda expressa um pouco mais de esperança, e é por isso que ela está no fim do texto. Foram tiradas, as duas, umas 18h30 da tarde, da sacada do 18D, com uma Lumix FZ35, e não viram sinal de Photoshop).

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Os taxistas do Panamá

Amarelinhos, como os do Rio (com a diferença que são meio velhos, as vezes batidos, sem placa etc)

Não é fácil ser taxista no Panamá. É que, pra começar, aqui não existe taxímetro. Eles usam uma tabela de preço (cuja lógica eu não entendo e, como turista, somente acato) que determina o valor de acordo com a região em que você está e a região aonde você vai. Até aí, ok, só que o que eu ainda não mencionei e estarei mencionando no próximo período é que esse valor raramente passa dos 2,50 dólares.

É isso: a corrida mais cara que um taxista padrão no Panamá faz custa 3 dólares, e só. Se você for sair de destinos turísticos, como o Canal ou o aeroporto, o valor pode aumentar muito, mas no dia-a-dia você pode usar só táxi. Mas não vai dando sinal pro táxi e entrando assim, na moral, pra depois dizer pra onde você vai – precisa dizer o destino antes de entrar, porque pode ser que o taxista não esteja indo pra lá, sabe como é (é sério, e fica pior).

O lance é que, de taxi, além de gastar pouco pra se locomover bastante (se ficar esperto, porque a Lei de Gerson é bem pior aqui do que no Brasil), você pode fazer amigos. E não é pela simpatia dos taxistas – até porque, ainda que simpáticos, esse espanhol panamenho é bem difícil de pegar. É porque, no meio do caminho, o taxista pode parar pra pegar outros passageiros. Quantos ele quiser.

Tá vendo essas pessoas dentro do taxi? PODE TER CERTEZA QUE ELAS NÃO SE CONHECEM

E assim, a regra diz que o primeiro passageiro deve ser deixado primeiro, e que a rota do segundo ou do terceiro ou do quarto passageiro deve fazer sentido dentro da rota do primeiro… mas na prática, se você estiver dentro de um taxi e alguém der sinal, o taxi vai parar ONDE ESTIVER (MARGINAL TIETÊ? Esquece, ele para. Nem liga o pisca alerta), e se a outra corrida for mais vantajosa e a sua corrida for atrapalhar a rota da nova corrida, bom, ele vai pedir pra você descer.

Normal, a vida é feita de desencontros E de rejeições, e no Panamá você pode sim tomar um fora de um taxista. Por que eles podem ganhar pouquinho, mas têm direito de escolher COMO e SE vão fazer a corrida. Em tempo: eles também vão parar pra abastecer, vão te dar troco errado de propósito, vão parar no McDonalds pra tentar trocar a nota de 20 do camarada que está sentado no banco da frente porque estão sem troco, e também pode acontecer de você entrar num carro MUITO VELHO, com o vidro da frente quebrado, sem cinto de segurança, que faz uns barulhos estranhos. E aí você vai pensar ‘cara, só faltava essa taxi quebrar’, e obviamente o taxi vai quebrar no meio de uma via expressa, o motorista vai falar várias coisas que você não compreende enquanto empurra o carro, e você vai dar um dólar pra ele, desejar SUERTE e dar sinal pro próximo táxi, que não demora nem 30 segundos, porque a cidade é apinhada deles. TRUE STORY

Meu brother de corrida, todo pimpão depois de conseguir trocar a grana no Mc pra pagar a corrida



Pra não dizer que eu tava mentindo, tá aí o valor da corrida: 1,50 dolar

Uma das coisas que não dá pra entender é porque esses caras cobram tão barato (ok, depois dessa incrível história dá, mas siga meu raciocínio). Quer dizer, isso foi um recurso retórico: primeiro que o custo de vida aqui é baixo porque os salários são baixos, segundo que essa maneira de cobrar é determinação do governo. Mas quero dizer que eles poderiam tranquilamente cobrar mais porque não dá pra considerar pegar ônibus aqui. Nem sequer cogitar.

Os ônibus aqui, pasme, são de condutores privados. Isso acarreta coisas curiosas:

  • Os motoristas donos dos ônibus pintam eles de maneiras teoricamente atrativas, pra que você possa então optar pelo ônibus dele;

"MEU ÔNIBUS É UMA LINDA OBRA DE ARTE E VAI COM CERTEZA ATRAIR MAIS PASSAGEIROS"


Olha a variedade de cores e decorações e - REPAROU NA QUANTIDADE DE TAXIS?

  • Ele enfia quantas pessoas ele quiser dentro do ônibus dele;
  • Se em SP, onde o transporte é público, os motoristas de ônibus são conhecidos pelas várias atrocidades que cometem, imagina se o ônibus for SEU e você não dever NADA PRA NINGUÉM? Negócio é o seguinte, nego dirigindo que nem um maluco, gente expurgando pelas janelas, quatro pessoas sentadas em um banco pra duas em um calor de 30 graus com sensação térmica de 40 por causa da umidade. AGRADÁVEL.

Esse post faz parte de uma série que vai rolar no blog a partir de agora. Cheguei no Panamá há dois dias, e fico aqui até o fim de fevereiro, reportando as bizarrices de um país minúsculo esquecido logo na entrada da América Central. O Panamá, como você vai ver, não é o Paraná, nem, o Amapá, como algumas pessoas já insistiram para mim, e tem pouco de Brasil e muito de EUA, de México, de América Latina, somado a um calor bizarro, gente com cara índio, trânsito terrível e uma população multicultural.

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Mi Buenos Aires queridos

Eu estive em Buenos Aires nos últimos dez dias pela primeira vez. E minha principal impressão é que a a cidade é tudo o que São Paulo poderia ser e não foi, e isso tem muito mais vantagens do que desvantagens.


Buenos Aires, sua linda

O sotaque porteño é uma versão mooquense do castellano. Também descendentes de italianos e de espanhóis, os porteños falam alto, com as mãos, com aquela entonação que os espectadores de Passione conhecem tão bem. São bonitos, os argentinos: vi lixeiros bonitos, motoristas de caminhão bonitos, taxistas bonitos, carregadores de verduras bonitos. E educados, também, o que joga no lixo mesmo aquele papo que diz que são arrogantes. Os argentinos são simpáticos e amáveis com estrangeiros: gostam de garantir que a gente se sinta muito, muito bem na cidade deles. Dos porteños, recebi desde dicas de restaurantes baratos até companhia voluntária para um lugar difícil de encontrar – uma senhora me acompanhou até meu destino, na direção oposta da casa dela, se despediu e foi-se.

Mesmo o jeito terrivelmente estúpido não prático de darem informações – algo do tipo “vire ali, depois três quadras lá, e mais três quadras para cima” – não é um hábito cultivado por mal ou à toa. É que as ruas da capital argentina são todas planas, a maioria de mão única. Daí, especificar direita ou esquerda acaba sendo substituído por gestos e ‘para lá’ e ‘para cá’.

Eu fiquei em San Telmo, o único bairro que eu visitei na vida que realmente merece o adjetivo ‘charmoso’, ainda que muitos bairros sejam assim classificados por corretores de imóveis. Nas ruas de paralelepípedos, ficam casinhas de estilo colonial super conservadas, que abrigam desde senhorinhas respeitáveis até dezenas de imigrantes no estilo cortiço. Não importa, na verdade. As lojas de antiguidade, as livrarias, os mercadinhos e açougues – tudo contribui para a atmosfera de ‘meu tempo já passou’ de San Telmo.


Tiozinho anda de bike em uma rua de San Telmo

A Argentina passa por uma crise de inflação curiosa. Não há moeda. Sacar dinheiro é impossível – de banco em banco, todos os caixas eletrônicos nos informam que não há ‘billetas disponibles’. O lado bom (para nós) é que, nesse cenário, o preço do real dispara. O lado ruim é que o preço das coisas lá também sobe. Ainda assim, elas custam metade do que custam aqui – de comida em restaurantes a mantimentos, de presentes a roupas.

Disseram que o ano novo Argentino é caído. Quem disse isso não foi pra mesma Buenos Aires que eu fui. Meus amigos brasileiros transformaram Puerto Madero em um caos. E eu, que fiquei em San Telmo, primeiro dançando salsa e cumbia no hostel, e depois vendo um grupo de cumbia ao vivo na Plaza Dorrego, tive um dos anos-novos mais surpreendentes da minha vida. Imagine 200 pessoas de nacionalidades diversas dançando ao som de um batuque maluco, uma espécie de maracatu com baião, enquanto três ou quatro argentinos no centro da roda dançavam uma coreografia que lembrava frevo com capoeira. Por uma hora e meia, sem parar.

O tal Puerto Madero, ao que parece, costumava ser uma região portuária perigosíssima. Aí o governo revitalizou a parada e agora é um lugar lindo, lindo, cheio de turistas babacas e restaurantes caros.

Puerto Madero

A Plaza Dorrego abriga todos os dias e noites grupos de estrangeiros e de locais afim de tomar Quilmes, ver apresentações de Tango e conhecer gente. De domingo, rola a feira de antiguidades, que tem de relógios antigos a discos de vinil e obras de artistas independentes.

Hipster porteño na Plaza Dorrego

Andar de skate ou de bike em Buenos Aires é moleza. As ruas são bem asfaltadas e, apesar do trânsito maluco, todos os lugares com exceção do centro e do microcentro têm calçadas e ruas largas. Mas a pé e de taxi também se faz muito – com a cidade plana e os taxis baratos, dá pra visitar muito por muito pouco. Atravessando a cidade, gasta-se no máximo 30 pesos.

Alugando bikes na rua da Universidad del Cine, uma travessa da Calle Defensa, em San Telmo

Come-se de tudo por pouco, e bebe-se de tudo, também por pouco. Mas também come-se uma torrada com queijo por 20 pesos e cobram pelos seus talheres, se você não ficar esperto. Conheci um mineiro gente fina que tem um monte de TOCs curiosos, um hippie peruano que vende pulseiras e viaja, um grupo de atores cariocas, um turco que mora há dois anos em um hostel e cuja história de verdade ninguém sabe, mesmo. Aprendi a falar um portuñol ainda mais elaborado. Cozinhei risotto para uma sueca, uma inglesa e dois brasileiros (eles aprovaram). Fui ao zoológico, mas também vi animais ao ar livre, perto da Reserva Ecológica Costanera, em Puerto Madero.

Buenos Aires é uma cidade para casar – e no dicionário das cidades, isso significa que ela é apaixonante, completa e do tipo em que se pensa em morar. Subiu ao topo da minha lista de ‘cidades para viver um dia’, tomando o lugar de Barcelona, que é demais, mas mais cara e menos acessível para mim. Não vá a Buenos Aires se você não quer ter vontade de viver lá.

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