OEsquema

Arquivo: fevereiro de 2011

Panamá: um guia de compras

Vou tentar passar pra vocês a sensação única que é a de consumir no Panamá. Manja quando você compra algo na promoção, consegue um preço legal, e sai da loja com aquela sensação boa de negócio bem feito?

Agora imagina sentir isso o tempo todo. Quer dizer, virtualmente a gente consome o tempo todo – de pedágio à vendinha na esquina. Então imagina que, o tempo todo, você anda por aí com aquela sensação gostosa de EU FIZ UM BOM NEGÓCIO.

Em alguns momentos especiais, em que você encontra preços realmente assustadores (de baixos), bate uma espécie de DORMÊNCIA MENTAL. É que vem, então, uma grande revolta por comparar o quanto você sempre pagou por tudo no Brasil e o quanto as coisas realmente valem. E aí a gente fica, um pouco, que nem o Chaves quando dá aquela travada. Eu fiquei assim em uma loja em que comprei shorts jeans por 5 dólares. Tipo, não literalmente, mas fiquei um pouco chocada. Durante um tempo, não conseguia pensar direito – e não é que sai fazendo compras, nem nada, mas fiquei por alguns minutos contemplando por quanto tempo fui feita de idiota e acho que a MINDNUMBNESS foi uma maneira do meu cérebro de evitar o trauma.

PIRIPAQUE

As sensações são conflitantes e constantes, mas bem ou mal, eu aprendi a fazer compras no Panamá, sei onde ir, e garanto que isso por si só é uma das várias atrações turísticas daqui. Inspirada por esse sentimento libertador chamado livre consumismo, escrevi um guia para quem, como eu, deseja fazer compras no Panamá e em seus arredores. AH: se você não quer saber de nada disso porque não pretende vir pro Panamá tão cedo, pule direto pro bônus do final.

Pra começar, dicas fundamentais para se aventurar por aqui:

  • Pechinche SEMPRE. Aqui é comum e na maioria das vezes dá pra conseguir um descontinho, ainda mais se você estiver levando mais de uma peça de qualquer coisa. Se falar espanhol, melhor ainda.
  • Os produtos aqui não tem imposto embutido. O imposto, de 7%, é acrescido no caixa. Ou seja: pense em todo preço de etiqueta com 7% a mais.
  • Sempre que entrar em uma loja, pergunte se há peças em REBAJAS, ou seja, com desconto. A maioria das lojas tem sempre uma ou mais araras com peças em promoção, que costumam ser muito, muito mais em conta. Se não tiver seu número para uma roupa que gostou, peça à vendedora. Não é como no Brasil, onde as promoções rolam com as últimas peças: aqui, eles têm peças de estoque ‘rebajadas’, e geralmente colocam as coisas ON SALE quando vão receber coleções novas.
  • No meio da semana, tipo na quarta-feira, eu fui até a Zara pra ver se conseguia um bom preço em casacos de frio, daqueles bem pesados, porque vou precisar na Europa. A Zara tem coleções parecidas com a da Renner e, por aqui, preços também. Achei um excelente por 79 dólares, já que a Zara está em rebajas, um bom preço comparado ao quanto pagaria na Europa e definitivamente uma pechincha se comparasse ao Brasil. Voltei hoje, último dia das rebajas, e o mesmo casaco estava custando 59 dólares. E tinha um monte deles. Moral: quanto mais próximo do fim da promoção você puder ir a uma loja, melhor. Mas pense também que, quando mais tarde você for, menos peças legais vai encontrar. Eu dei sorte porque, assim, quem compra casaco pra enfrentar neve no Panamá?

Los Pueblos

Bom para: roupas, sapatos, artigos de decoração, celulares, brinquedos.

Preços: são ótimos, ainda mais com disposição para garimpar peças boas em lojas como a SAKS, Steven’s, REBAJAMODAS (essa só com roupas para homens)

Compras

Eeeerr, então, encontrei isso no provador... melhor não deixar suas coisas no chão se for a uma loja chamada SAK'S. É o preço que se paga por camisetas a 2 USD

Se você perguntar a um panamenho bem de vida, ele vai fazer uma cara de fresco quando você disser que vai a Los Pueblos pra fazer compras. Eles não vão pra lá pelo mesmo motivo que não frequentam as praias na costa de Colón: não gostam do aspecto pobre da região. E de fato, Los Pueblos é bem pobrinho, mas não é nenhuma periferia a qual um brasileiro não esteja acostumado. Quer dizer, eu imagino: ao menos você deveria estar acostumado a uma periferiazinha ou outra, mesmo que seja um empresário rico ou uma madame que vive indo pra Miami. Desculpa falar.

Los Pueblos é um bairro com um centro de compras que é como um graaaande shopping a céu aberto. Tem lojas de tudo quando é tranqueira que você possa imaginar: roupas, eletrônicos, celulares, artigos para decoração, material de construção, calçados, brinquedos… o lance é que lá tem uns outlets em que rolam promoções muito boas. A maioria delas, contudo, precisa de um fino trabalho de GARIMPO pra que seja possível arrancar algo utilizável. Pra homens é mais fácil encontrar coisas usáveis, tipo camisas da Lacoste a 10 dólares com pequenos defeitos de costura. Pras mulheres é mais difícil, mas foi lá que eu encontrei meu short de 5 dólares e as camisetas de 2 US$, então um pouco de paciência vai bem.

Prepare-se para andar MUITO. Sério, MUITO. O lugar é gigante, então leve seu chapéu (PANAMÁ DE PREFERÊNCIA NÉ RSRSRS) e filtro solar. Ah: lá não pode provar roupa.

Shoppings

Importante saber que nos shopping aqui, tem um trenzinho que fica passando com uma musiquinha, levando crianças dentro. E como os carros panamenhos, ele são bem barbeiros e desgovernados. TOME CUIDADO. Vou descrever os dois principais shoppings da região central, os que conheço bem. Ao chegar, procure o guichê para fazer o cartão de descontos para turistas. Basta ter passaporte para poder fazer: é de graça e em algumas lojas o desconto chega a ser de 20%.

Allbrook

Bom para: crianças. Não comprar crianças, seu pervertido, para levá-las. É que o shopping é muito colorido e as entradas têm nomes de bichos, com as estátuas respectivas, além de um carrossel colorido e musical no meio da praça de alimentação, com unicórnios de chifres peludos com as cores do arco-íris. O shopping é tipo uma viagem de ácido, como você pode ver.

LSDDDDDDDDDD

Mas enfim: no geral, é legal para comprar brinquedos, eletrônicos e roupas, além de cosméticos na Riviera. Para roupas femininas, uma loja chamada Estampa tem preços excelentes e peças interessantes.

Preços: são bons, os melhores para um shopping panamenho. Comparados com o Brasil, dá pra ver bastante vantagem. Se encontram bons preços e muitas opções de eletrônicos.

O Allbrook é um shopping gigante perto do principal terminal de ônibus da Cidade do Panamá, o Terminal Allbrook. Ele é o shopping mais feio que eu já vi na vida, e shoppings por definição não são bonitos. É frequentados por panamenhos da classe C, no geral, e alguns poucos turistas de naipe mais mochileiro. A arquitetura lembra um pouco uma caixa de sapato feita de concreto e pintada com todas as cores existentes na paleta da Suvinil. É cafona pra cacete, mas nada disso importa, porque ele é gigante e tem de tudo, e dos shoppings panamenhos próximos ao centro, é o mais barato.

Dificilmente você vai conseguir andar o shopping inteiro em um dia, mas dá pra encontrar lojas de todas as categorias imagináveis, de souvenirs de cinema a artigos para amantes da cultura oriental. O shopping tem uma porção de lojas de videogames e de eletrônicos com várias opções e preços razoáveis, como a Multimaz e a Panafoto, além de uma loja da Apple e um lugar maravilhoso chamado Premier, que vende todo tipo de eletrônico chinês por preços ridículos. A saber: compramos uma sanduicheira elétrica por 8 dólares, e ela é uma maravilha.

A praça de alimentação é super completa, deve ter entre 20 a 30 opções de restaurantes.

Multiplaza

Bom para: roupas de gente rica, tipo Dolce & Gabana, Armani, Louis Vuitton, jóias, relógios.

Preços: melhores do que no Brasil, mas caros em comparação com o Allbrook ou a outros lugares no Panamá.

O Multiplaza é um shopping de playboy. Frequentado por turistas e panamenhos que não têm cara de panamenhos, ou seja, da classe AAA, ele fica numa região de alta concentração de prédios de alto padrão, a Punta Pacífica. Ao contrário do Allbrook, ele é bem bonitinho (pra um shopping – sabe né, o básico, aquelas coisas envidraçadas, terrações e tal), mas os preços acompanham os frequentadores e é um shopping ligeiramente mais caro do que o Allbrook. As rebajas são menores, as promoções duram menos e tem menos peças em promoção, no geral.

Tem, contudo, uma pista de patinação no gelo em dezembro, janeiro e julho, um quiosque da Haagen-Dasz bem legal (sorvetes são legais!) e várias opções diferentes de alimentação, um pouquinho mais sofisticadas e um pouquinho mais caras.

Via España

Bom para: cosméticos, roupas, eletrônicos, souvenir e artesanato. E pra ver o povo panamenho e o trânsito maluco.

Preços: interessantes. Chegam a ser melhores do que no Allbrook Mall para eletrônicos, e semelhantes em cosméticos, roupas e perfumes.

A Via España é uma das principais avenidas do Panamá. Ela é gigantesca, mas tem um trecho de alguns quarteirões cheio de lojas e pequenas galerias, na altura do McDonalds. O mesmo trecho é cheio de casinos e hotéis, então é cheio de turistas, então as lojas estão acostumadas com visitantes estrangeiros. Há muitas lojas de sapatos, óticas com bons preços, roupas para homens e magazines com acessórios e roupas femininas, além de algumas lojas de esportes, que vendem Nike, Reebok, Puma e Adidas a preços legais. Procure pela Galeria Lafayette para comprar malas de viagem, câmeras digitais e analógicas, profissionais ou não. Lá também tem artigos de decoração e eletrônicos, tudo a preços impressionantes. O dono, parece, compra lotes antigos de coisas então vende-as a preços fora do comum.

Na esquina do McDonalds, tem uma travessa cheia de hotéis, casinos, puteiros e lojas pra turistas, com lembranças do Panamá e os chapeús Panamá que você tanto queria comprar. PECHINCHE, em espanhol, e você conseguira preços razoáveis. Depois, volte à Via España e peça orientação para caminhar sentido El Cangrejo. Tem lojas dos dois lados da rua, mas por favor, cuidado para atravessar. Tente encontrar um farol, use a passarela de uma galeria que tem no meio da avenida ou procure um grupo de panamenhos, porque é muito difícil atravessar na Via Espanha, quase impossível.

Zona Libre de Colón

Zona Libre de Colón

Nós também estamos confusos com a quantidade de opções, tio

Bom para: eletrônicos, roupas de marcas como Abercrombie, Reebok, Vans, Nike, Billabong, Hurley, tênis e sapatos, bolsas, perfumes e cosméticos em geral, brinquedos. Tem mais coisas, como motos e bicicletas, mas se você vai tentar sair sem que percebam que você comprou, talvez seja difícil esconder uma bicicleta.

Preços: os mais baratos que você já viu na sua vida. Sem dúvida. Como referência, um Playstation 3 de 320GB custa 370 dólares, e dá pra pechinchar. Um tênis da Vans que no Brasil sai por cerca de 300 reais custa 20 dólares.

A Zona Libre de Colón é como uma cidade dentro da cidade. É um bairro emparedado, onde só estrangeiros, comprovando com passaporte, podem comprar, apesar de os panamenhos terem a entrada liberada. Fica a uma hora e meia da Cidade do Panamá; um taxi te cobraria um 100 dólares para fazer o passeio, ida e volta, saindo da capital, e também na Cidade do Panamá saem ônibus regulares do terminal de Allbrook para lá. A graça da parada está no fato que a Zona Libre é um lugar onde você pode comprar produtos sem nenhum imposto, e daí fica bem claro que aquela bolsa que no Brasil te custaria 200 reais pode ser vendida por 16 dólares com margem de luro pelo vendedor, porque são lojas intermediárias, não de fabricantes.

A lógica é que a Zona Libre seja um lugar em que comerciantes negociem mercadorias em atacado, paguem e enviem, via containers, direto para o porto ou para o aeroporto, para exportar. Na teoria, o que se vende em Colón não pode entrar no Panamá – porque senão, teria que pagar impostos. Então você não pode sair de lá com o que compra, e nem comprar coisas em pequenas quantidades. E aí você me pergunta: então, qual a graça de ir a um lugar desses?

É que na prática essas regras não funcionam. As lojas dentro de Colón pertencem a comerciantes independentes, que vendem sim a granel. Sair é uma loteria: os guardas param carro por carro e, por padrão, pedem para abrir o porta-malas. Só que, como você sabe, há outros lugares onde guardar as coisas, tipo embaixo do banco ou dentro da sua bolsa. Roupas e sapatos, por exemplo, podem ser VESTIDOS, as etiquetas retiradas. E assim as pessoas levam pra casa roupas, perfumes e eletrônicos por menos da metade do preço que pagariam no Brasil, e algo como 20% mais barato do que na própria Cidade do Panamá, em que as coisas já são bem interessantes no quesito PREÇOS.

E se pegarem os produtos na saída? Bom, vão apreender sua mercadoria e você vai pagar imposto sobre ela. Isso é o que deveria acontecer; na prática, a maioria das pessoas negocia algo que no Brasil a gente conhece muito bem: se chama propina e, como tudo aqui, até a propina é muito mais barata do que aí. NÃO ESTOU FAZENDO APOLOGIA A DAR PROPINA, só estou dizendo como as coisas funcionam por lá.

Bônus: Todo a Dollar

Bom para: todas as tranqueiras que possivelmente cruzarem sua mente fértil.

Preços: UM DÓLAR! É o mesmo conceito das lojas de R$ 1,99.

Então você descobre que o Panamá tem uma rede de lojas de preço único, a Todo a Dollar. Entra lá esperando encontrar o que encontraria em lojas de R$ 1,99 no Brasil. E encontra não só isso, mas toda a sorte de bizarrices. Esse bônus é mais uma espécie de galeria de fotos com a bizarrices. Algumas dessas coisas estavam até no mesmo corredor, pra você entender a VARIEDADE da loja. Todas as fotos estão no Flickr, mas selecionei alguns dos produtos mais incríveis que encontrei por um dólar:

Religião

Para os religiosos

Copos

Lindos copo de requeijão (2 por 1, heim)

Copos de shot

Esse não é um dólar, mas é um kit de copos de SHOT de tequila temáticos, com um DVD, e por 2,50 USD

Refrigerante desconhecido

Refrigerante de marca desconhecida, equivalente ao Dolly e com sabores bizarros tipo Tutti-Frutti

ATUM

É como eu sempre digo: atum é fundamental. E aqui é 2 por 1

Anatomia

Estudando anatomia por 1 dólar

Vamos nadar!

Nadar, na Todo a Dollar, é seguro. E colorido

Jonas Bros.

Adesivo de parede do Jonas Brothers, utilíssimo

Uma cueca

O Léo encontrou uma cueca por um dólar. Comprou

APROVECHE

Legumes e frutas, imprescindíveis (PLÁSTICOS - os de verdade costumam ser ainda mais baratos)


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E a música panamenha?

O Panamá não é, como você já percebeu a essa altura da sua vida, o que se pode chamar de POTÊNCIA EXPORTADORA DE TALENTOS MUSICAIS. E apesar de a maioria do que toca aqui ser importado da Colômbia e do México, o Panamá tem sim sua produção musical própria. Por assim dizer.

Só que o que eu devo mencionar é que boa parte é reggaeton e música típíca. O reggaeton é, bem, reggaeton. O que mais tem tocado é de um cara chamado Mr. Saik e chama “Que Xopá?” Dá uma olhada e tente, em seguida, tirar da sua cabeça o trecho “Quiero una sapatilla, papi!”

Agora imagine viver em um lugar em que isso é tocado à exaustão, cantarolado pelas pessoas na rua, trilha sonora ambiente de lojas no shopping. É ‘sapatilla’ o dia inteiro. “Que xopá?” – pronuncia-se ‘sopá’ -, como informa minha madrasta boa, versada em cultura popular panamenha, é tipo uma maneira malandra de dizer “QUE PASÓ”. É que eles invertem as sílabas. É como uma gíria pra “QUE QUE TÁ PEGANO”, aparentemente. A música fala, como 75% de toda a música popular produzida ao redor do globo, de uma mulher que fica pedindo pra que o namorado lhe compre tudo.

Vamos, agora, à música típica. Pra nós, brasileiros, ela não é nada surpreendente. Parece muito com o nosso brega, com a música Paraense, tem elementos do baião, do forró. Ó:

É possível prever que uma versão em castellano daquela “Quero não, posso não, minha mulher não deixa não” venderia milhões aqui. Milhões é modo de dizer, mas enfim. Algo como “No voy, quiero no, puedo no, mi mujer no me deja no”. Aqui estou eu, mais uma vez, provando porque sou pobre: quando tenho boas ideias, dou-as de lambuja a gente desconhecida.

Tem outro tipo de música típica que envolve, basicamente, crianças cantando de maneira completamente desafinada tentando se aproximar de música flamenca e acordeons. Tem até um programa que é tipo um Panamanian Idol infantil, onde essas crianças competem pra ver quem canta melhor. Só que todos são horríveis, então não entendo os critérios… ah, o chapéu é uma coisa típica do interior panamenho. Não é o chapéu Panamá que eles usam na roça, é esse aí do vídeo:

CONTUDO, há também coisas bem legais sendo feitas aqui. A minha preferida se chama Cienfue, e faz algo entre rock e folcore típico, mas não tem nada a ver com, sei lá, Cordel do Fogo Encantado. Ou Teatro Mágico, graças a deus. “La Dércima Tercera”, uma das mais legais, foi gravada em Panamá La Vieja, um lugar que eu visitei e cujas fotos até postei no Flickr:

No site do Cienfue tem os discos deles pra baixar na faixa. Nem todas as músicas são boas, mas tem umas bem legais, inclusive instrumentais. Outra boa, chamada “Isla Del Diablo”:

Aparentemente, a única coisa que o reggaeton, a música típica e o rock panamenho têm em comum são o baixo orçamento na produção de videoclipes.

E falando nessa coisa de fazer música misturando elementos latinos, no Brasil a gente não faz isso tanto quanto poderia, né? Digo, misturar elementos próprios da cultura brasileira – tipo o samba, o baião, o funk carioca – com música pop ou rock. Quando é feito, se não é MUITO DILUÍDO não entra nas PARADAS DE SUCESSO. E isso não acontece no resto da América Latina. Na Colômbia tem um cara chamado Juanes, que aliás já ganhou mais de um Grammy (ele é famosão lá. É tipo a Shakira homem) que toca pop rock com uma guitarrinha latina. Se liga:

E não é ruim, manja? Eu seria feliz em um país com música pop assim. Ok que o tal do Juanes também tem outras coisas meio ruins no repertório, mas não dá pra esperar perfeição, de todo modo. Melhor que Jota Quest e Luan Santana.

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Sequestro em Ribeirão Preto


Tem várias possibilidades. A primeira é o ladrão ter tomado um ácido ou comido uns cogumelos – isso explicaria a necessidade dele de resgatar o gnomo e seus companheiros de jardim, que há anos estão oprimidos pela grade (do jardim). A segunda é alguém ter assistido Amelie Poulain demais, e ai já viu, tem esse negócio de viajar com o gnomo de jardim, tirar foto com o gnomo de jardim…

Pode rolar do cara ser um louco que está lutando pela libertação de todos os gnomos de jardim. Nesse caso, nos resta aguardar e observar o noticiário ribeiro-pretano, em busca das próximas estátuas de cerâmica sortudas a ganharem o mundo. A propósito, eu mesma sou totalmente a favor da libertação dos gnomos de jardim, bem como dos cones de estacionamento. Acho inclusive absurdo chamar o responsável de ‘ladrão’; ele é um revolucionário, um libertário. Mas isso não vem ao caso.

Outra possibilidade é o cara querer sacanear alguém que claramente se importa muito com seus enfeites de jardim, porque só isso explica alguém ir até a delegacia para dar queixa de uma centopéia, um sapo e um gnomo de cerâmica. Não sou insensível, só realista.

Qualquer que sejam as motivações, fica claro que ele não é tão experiente quanto um profissional, e provavelmente não faz parte da Frente de Libertação dos Gnomos de Jardim, entidade francesa responsável pela libertação de muitos gnomos encarcerados. Nem tampouco é um justiceiro independente, como esse, que conseguiu dar liberdade a 170 gnomos na França.

Eu ia dizer que também é possível que os bonecos tenham criado vida e fugido por conta própria, mas isso claramente não aconteceu, e a própria polícia, pra não dar margem pra essa interpretação, deixa claro à reportagem que há marcas de pés sujos nas paredes. Agora, faro mesmo tem essa repórter aí, a Luiza Pellicani. Ter a presença de espírito de sacar que uma matéria de três parágrafos sobre um roubo de gnomos de jardim em Ribeirão Preto poderia ser comprada pela Folha de São Paulo (eu sei que ela foi comprada porque não é matéria da sucursal, é colaboração) exige muita perspicácia (e eu não tô zuando). Fosse eu a Luiza, no máximo riria da história e publicaria ela aqui. Por isso que eu tô pobre :/

VAZEI

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Muito bem bolado esse Canal do Panamá

Eu finalmente visitei a única coisa que realmente importa sobre o Panamá pra maioria das pessoas: o Canal. Agora, elas vão parar de me encher o saco quando eu disser que estive no Panamá, porque elas sempre perguntavam se eu tinha ido ao Canal e eu dizia que não. Não aguentava mais o ‘coooooomo assim você não foi no Canal?’, perguntado sempre com tom de indignação e voz estridente.

Canal do Panamá

É por aí que os navios passam - não essas portinhas, esse vão paralelo

O negócio é que assim, puxa, que obra fantástica de engenharia, eu reconheço… mas sério, grandes navios passando? Não via e não vejo grande atração nisso. ME CRUCIFIQUEM, mas é isso. Vale a visita se você tiver tempo, mas não é nada que se diga OH MEU DEUS.

Sem querer desanimar ninguém, claro. É interessante.

De todo modo, na última sexta-feira eu e um amigo norueguês, que conheci no Couchsurfing, resolvemos que iríamos nos aventurar pelo transporte público panamenho, ou seja, que iríamos tomar os Diablos Rojos – assim se chamam os ônibus – para ir ao Canal. Foi mais tranquilo do que imaginamos, apesar de eles dirigirem muito, muito mal. Só que isso não é nada que assusta ou surpreende depois de um mês observando o trânsito panamenho, então você deve ficar bem se optar, como nós, pela EXPERIÊNCIA ANTROPOLÓGICA.

Indo para o Canal

Olha o SACA aí!

Assim, antropológica mesmo não foi, até porque, não é como se eu precisasse ver mais panamenhos, eu os vejo todos os dias por todos os lados. Mas foi legal quando entrou um tipo caipira, que aliás, é igual aos tipos caipiras do Brasil: chapéu de palha com aba virada pra cima (à moda sertão-Panamá), mascando um galhinho, calça jeans, bota, mochilinha. Coisa fina. E quando um vendedor ofereceu duas escovas de dentes por 1 dólar (eram daquelas boas, com mil cerdas e borrachas!), e quando uma senhorinha foi à frente do ônibus e disse:

“Algum cavalheiro poderia ceder o lugar a essa velha senhora?”

E um tiozinho lá atrás, uma espécie de Hector Bonilha depois dos 50, fez a gentileza. É que os ônibus panamenhos não têm assentos preferenciais, obviamente. Outra coisa legal (“legal”) é que aqui os bancos dos ônibus são, como quase todos os bancos de ônibus do mundo, projetados para comportar duas pessoas, ainda que meio desconfortáveis. Até aí, nada de mais – o lance é que eles fazem do limão limonada, e é comum ocupar um banco com três pessoas. E elas simplesmente vão chegar e sentar-se, apertando você e seu brother de banco. Se um dia você vier e isso lhe acontecer, não estranhe (ou estranhe, mas de todo modo, você já foi avisado, então apenas dê uma risadinha e lembre-se desse blog).

E aí, bem, o Canal.

Olho no mapa!

A história é assim: desde que descobriram essas terras, já sacaram que a distância entre o Atlântico e o Pacífico por terra era tipo supercurta. Há registros de cartas dos exploradores para o rei da Espanha mencionando que seria legal ter um canal aqui pra não precisar dar tooooda a volta. Eu fico me perguntando como é que o cara saiu andando, chegou em outro pedaço de água e soube que não era o mesmo. Porque ele certamente não contornou a costa do continente inteira a pé pra ter certeza, e a terra podia muito bem acabar ali na frente, mais adiante. Podia já existir um vão no meio, aliás. Não sei como eles sabiam, MISTÉRIOS DA FÉ.

De todo modo, primeiro os franceses tentaram construir o Canal e fracassaram – esquema MAD MARIA, nego morrendo por causa de Malária e Febre Amarela. Foram 20 mil trabalhadores franceses pra vala. Daí anos depois vieram os americanos fazer o negócio direito. Aproveitaram escavações começadas pelos franceses, mandaram bala e, com mais grana, investiram em pesquisas pra tentar achar uma solução pra Febre Amarela. Erradicaram o mosquito, o que diminuiu as epidemias, e no fim, os surtos acabaram imunizando a população do Panamá contra Malária – hoje, tem Malária na América Central e Latina inteira, praticamente, menos aqui.

A construção do Canal era um acordo dos EUA com o governo daqui e era super justo: os EUA pagavam 10 milhoes de dólares, construiam o Canal e praticamente toda a arrecadação do Canal depois de pronto iria para os EUA, e a área se tornaria território americano. PERPETUAMENTE. FOR GOOD.

E aí você diz: ‘mano, como eles toparam?’

Naquela época, no começo do séc. XX, o Panamá ainda fazia parte da Colômbia (ololco, dessa você não sabia). Os EUA tentaram negociar a construção do Canal com a Colômbia, que ficou enrolando. Daí, DIZEM QUE eles apoiaram os rebeldes panamenhos que queriam a independência, colocando inclusive barcos na costa da Colômbia sob o pretexto de ‘treinamento’, só pra por aquela pressão, né? O Panamá conseguiu a independência e devolveu o favor. É, o mundo é sujo.

Aí, milhares de trabalhadores do muuuuundo inteiro, dezenas de milhares mesmo, vieram ajudar a cavar um riozinho entre o lado A e o lado B do mar, igual a gente faz quando quer ligar aqueles dois pocinhos de água que fez na areia da praia. E já tinha um lago no meio, o que só ajudou.

Dez anos depois, em 1913, estava pronto o Canal do Panamá. Ficou lindão, os EUA começaram a cobrar uma bica dos barcos que passavam, obviamente porque qualquer valor cobrado provavelmente seria menor do que dar a volta lá por baixo no continente, e começaram a fazer grana. Nos anos 70, rolaram uns protestos dos panamenhos, coisa EGÍPCIA ASSIM, PANCADARIA, e o Panamá conseguiu um acordo com os EUA para retomar aos poucos o controle do Canal, chegando a 100%  em 1999.

Canal do Panamá

Eu estava lá e posso afirmar, REALMENTE FUNCIONA. 'Bem bolado', diria Silvio Santos

E assim foi. Exceto que quando os EUA saíram, em 1999, eles deixaram um monte de gente sem emprego, HEH. E geral achou que o Panamá, então com desemprego recorde, não ia saber gerir o Canal sozinho nem realocar essas pessoas apropriadamente no mercado de trabalho. Mas ó, tá rolando. Eles reformaram as estruturas, aumentaram o tráfego de barcos e a arrecadação, estão construindo novas eclusas e é por causa da grana que tiram de lá que as coisas aqui melhoraram – tipo a segurança, ou a modernização da cidade, por exemplo.

Moral da história: o vilão é sempre os EUA. Exceto quando ele é o terceiro país que mais lê o blog, depois de Brasil e Portugal. Aí ele é mocinho.

O Canal tem um prédio turístico, com um museu bem legal que conta a história da construção e vááárias espécies de insetos e peixes que vivem ali na região biodiversidade essa que foi toda prejudicada com a construção do Canal, provavelmente, mesmo que isso não seja mencionado em nenhuma plaquinha explicativa do museu. Acho que foi a parte em que mais diverti, gosto de insetos.

E tem uma varanda grande, de onde é possível ver – tchanam! – as eclusas funcionando e os grandes barcos passando! É interessante, mas um pouco monótono porque demora uma meia hora ou até demais dependendo do tamanho do barco. Basicamente, o sistema tem várias comportas que se abrem e fecham para encher os compartimentos de água, igualar os níveis e transportar a embarcação… é, eu sei que não fez sentido. Mas é meio difícil de explicar, mesmo, então olha aí como funciona:

Ah: tem uma loja de souvenirs, óbvio, mas concluí que é, sem dúvida, o estabelecimento comercial com preços mais desproporcionalmente caros do país.

Quero ir ao Canal!

A parte que inclui vir ao Panamá eu não preciso explicar, né? Bem, considerando que você já está aqui, o melhor horário em dias de semana é chegar lá até umas 13h30, no máximo. Mais tarde do que isso, começa a encher.

Você é rico e quer contratar um guia? Ótimo, mas é meio desnecessário. O museu é cheio de plaquinhas bem explicativas e, além disso, se você comprar a entrada completa, de 8 dólares, tem direito a um filme de 15 minutos com toda história do Canal e muita propaganda governista e a conhecer o museu. A entrada que dá acesso somente à varanda pra ver as eclusas custa 5 dólares.

Há dois jeitos de ir até o Canal, que fica cerca de 30 minutos do centro da cidade (sem trânsito, e se você conseguir isso no Panamá, você não está no Panamá). É possível negociar com um taxista por uns 40 dólares, se você falar um ótimo espanhol, que ele te leve ao Canal e depois de volta ao hotel. Se negociar em inglês, o preço pode passar dos 60 dólares. Essa é a opção COXINHA.

O outro jeito é se aventurar nos fantásticos ônibus panamenhos, que aqui custam no máximo 35 centavos de dólar. O roteiro é o seguinte:

1. da cidade, tome um ônibus até a estação de Allbrook. Há vários, basta se informar na recepção do hotel em qual ponto você deve pegá-lo. Outra opção é ir de táxi até a estação – das regiões centrais e hoteleiras, não deve sair por mais do que 2 dólares.

2. quando chegar na estação de Allbrook, siga até a praça de alimentação, ache o Burger King escondido lááá no fundo e vire à direita ali. Você vai sair no pequeno terminal de onde saem os ônibus para o Canal – o nome do ônibus é Saca. É um Diablo Rojo igual aos outros, aliás. Dali, pegue o busão. Até agora, você deve ter gastado no máximo 3 dólares e no mínimo 75 centavos com transporte. AH: no Panamá, você paga o ônibus na saída.

3. para descer, peça ao motorista para avisar ou então desça no ponto em que saírem as únicas pessoas loiras ou caucasianas que estiverem no ônibus, ou seja, os gringos.

4. na volta, você pode esperar pelo mesmo ônibus no ponto do lado oposto da estrada, e ele demora meia hora, dar a sorte de avistar um taxi e fazer sinal (e gastar uma bica) ou então aproveitar os ‘taxis clandestinos’. Espere no ponto e cedo ou tarde um carro vai parar e perguntar ‘Donde te quedas?’. Diga a onde vai e ele dirá um preço, geralmente muito mais baixo do que um taxista cobraria de um turista – algo como entre 2 e 3 dólares. Se são seguros? Eu usei um e foi. O cara dirigia feito um maluco, mas no Panamá, quem não dirige? Peguei muito taxista pior que ele. E ainda rolava um reggaeton de trilha sonora.

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E o Qwiki, você conhece?

Que Google e Wikipedia, que nada. O jeito mais legal de descobrir coisas hoje se chama Qwiki.

Quik

O que faz do leite uma alegria?

Não é desse Quik que eu to falando, muito embora esse tenha um significado muito maior pra mim. Só o cheiro já me lembra a minha mais tenra infância. De todo modo falo do Qwiki, que como o Murilo, violeiro de mão cheia, bem explicou nesse post lá no Link, é aposta até do Eduardo Saverin, o brasileiro que é sócio do Facebook.

Felismente, O Qwiki não é mais uma rede social, não é mais uma ferramenta de geolocalização ou um microblog. Trata-se de um sistema de busca que exibe os resultados de uma maneira muito mais amigável e multimídia, usando para isso conteúdo aberto, um gerador de vídeos e uma tecnologia de simulação de voz humana que deixaria o mais simpática PABX de SAC ao telefone completamente desconcertado, se sentindo um robô sem emoção. Microsoft Sam chora ao ouvir a moça do Qwiki contando histórias.

O Qwiki, aliás, é bem isso: um buscador que conta histórias. Olha aí um exemplo legal:

E bastou digitar NETHERLANDS no campo de busca para que o Qwiki retornasse com esse vídeo, que aliás é perfeitamente embedável. Aí você diz – mas Bial, eu não falo inglês, não entendo porra nenhuma do que essa mulher fala! E eu respondo: amigo, se a essa altura do campeonato você não fala inglês, corre atrás do prejuízo. E respondo também: mas tudo bem, você entendeu a lógica do negócio e entendeu que isso seria muito, muito legal se tivesse uma versão em português.

Os verbetes são bem variados, mas por enquanto as buscas funcionam melhor para nomes de pessoas e de lugares, acontecimentos importantes, instituições de grande prestígio, além de coisas importantes, tipo… cerveja. Eu já migrei pro Qwiki quando preciso de uma definição rápida de um lugar. O importante é ter em mente que toda e qualquer coisa cuja Wikipedia apresentar uma boa definição a respeito estará em um vídeo detalhado no Qwiki.

Enquanto você pensa em como a aquisição de conhecimento pode se tornar uma coisa mais simples e divertida se iniciativas como o Qwiki se tornarem padrão na internet, e faz apostas de quanto tempo vai demorar para que o Google compre e implemente a tecnologia do Qwiki em suas buscas, conheça um pouco mais sobre o bacon, um oferecimento Qwiki. Escolhi o bacon por ser algo que quase todo mundo gosta.


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