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O dia em que a Holanda pira

Eu sei que estou em falta com este ESPAÇO VIRTUAL. Mas você deve imaginar que três crianças, um curso de holandês e um freela fixo tomam bastante do tempo de uma pessoa. O que interessa é que finalmente descolei um tempinho (5h40 da manhã no aeroporto de Madrid, esperando um voo de volta pra Holanda) pra contar aqui minha última grande aventura na Holanda, quase um mês depois dela acontecer, é verdade: o Queensday.

Tipo que uma vez por ano os holandeses piram. Eles comemoram, no dia 30 de abril, a festa da rainha. É um feriado itinerante, porque o Queensday é teoricamente comemorado no dia do aniversário da rainha, e bem, eventualmente o país troca de rainha, então eles teriam que trocar de data da festa a cada, sei lá, muitos anos – porque, geralmente, a probabilidade que duas rainhas façam aniversário em dias diferentes é alta.

Só que a atual rainha não trocou a data do feriado quando ganhou a coroa. Sua mãe, a dona do aniversário do dia 30 de abril, faz anos numa época de temperatura muito mais agradável do que ela, que comemora no inverno, e como ninguém quer ter que comprar casaco de frio, gorro, luva e cachecol laranja, manteve-se o dia 30.

E bem, como você já notou pelas fotos, parece a Metodista no JUCA. Eles usam laranja, a cor oficial da família real holandesa. A festa dá pra resumir assim: imagina que as empresas que recolhem lixo em SP resolveram fazer uma festa de fim de ano pros funcionários e todos eles vão direto do expediente sem ter tempo de se trocar. Vai ter show do Zezé di Camargo e Luciano, do Exaltasamba e do Restart.

Queensday 2011

Não enche, eu tenho direito à babaquice, sou estrangeira!

Pegue a ideia geral e transporte pra Holanda, adaptando as bandas e o que elas representam em cada cultura: Queensday é um monte de gente bêbada que nem gambá, vestida de laranja, nas ruas, ouvindo música alta ruim, apertadas em um espaço pequeno demais pra elas.

Amsterdam fica uma loucura um inferno, com os canais virando o Anhembi e os barcos sendo os trios elétricos deles.

Queensday 2011

Congestionamento no canal

Tem algo de FESTA DE RODEIO ou de BAILE FUNK, porque muita gente produz fantasias personalizadas pro grupo, com camisetas escrito coisas tipo BONDE DOS VAN DER MEER ou COMISSÃO AQUI PODE TUDO, SOMOS HOLANDESES.

 

Dãr. Mentira que essas coisas tavam escritas, né, mas eles fazem sim umas camisetas personalizadas laranjas pra identificar um grupo de amigos e tal.

Ah, esqueci de dizer que, da micareta e da festa de rodeio, pra equação ficar certinha você precisa subtrair o clima de paquera. Você até vê uns babacas loiros de olhos azuis puxando o cabelo das meninas e tal, eventualmente, mas elas nem dão bola e eles não passam disso.

Queensday 2011

Vuvuz... O QUÊ? NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOO

O lance com o Queensday é que ele é simbólico pros holandeses justamente porque é um dia em que tudo pode entre outros 364 em que você precisa estar atento pra tudo o que faz porque pode levar uma multa. Tem lixo no chão (em camadas, coisa nojenta), maconha na rua, bebida barata, mercados de rua liberados (é, no Queensday qualquer um pode montar uma barraquinha e colocar coisas à venda e tal), azaração (até onde isso é possível para holandeses)… É uma redenção. Imagino que se não existisse o Queensday a taxa de loucos homicidas na Holanda subiria, dada a quantidade de regras e o metodismo que você é obrigado a se submeter nesse país no resto do ano.

Se você ficou curioso e resolveu ajeitar sua viagem pra passar na Holanda no dia 30 de abril de 2012, puxa, que ideia infeliz. Tipo, imagino que você já não fique confortável em micaretas e aglomerações urbanas no teu país, ai você vai pegar um AVIÃO pra passar por isso? Não faça isso, amigo. Mesmo. Quer micareta de laranja, descola um convite pra festa de fim de ano da Conlurb que o Rio de Janeiro é muito mais lindo – e a gente, sim, sabe fazer festa.

Queensday 2011

Algumas fotos não precisam de legenda.

 

Gosta de ler sobre viagens? Visite o http://www.drumbun.com.br - lá eu escrevo só sobre os lugares que visito. :)

14 Comentários
por: olhometro postado em: Crônicas, Holanda, Viagens tags: , , , ,

14 Comentários

Trackback por Ana Freitas
24 de maio de 2011 às 19h35

Atualizei o Olhômetro, é um lindo post sobre a micareta holandesa http://oesquema.com.br/olhometro/2011/05/24/o-dia-em-que-a-holanda-pira/

Comentário por Vinicius
24 de maio de 2011 às 19h42

Sempre ótimas, suas histórias pelo mundo…

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Comentário por Helo
24 de maio de 2011 às 19h42

AMEY o visual raver-laranjão. Tá demaish!

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Comentário por Ana Freitas
27 de maio de 2011 às 13h53

=)
pena que aposentei o oculos logo depois da festa

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Comentário por Marcelinda
24 de maio de 2011 às 19h49

Isso tudo porque eles nunca tiveram a alegria de comemorar uma Copa do Mundo aeaeaeaeaeaeaeaeae

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Comentário por Milton Leal
24 de maio de 2011 às 20h08

O St. Patricks Day, na Irlanda, é uma micareta verde. Na NZ rola uma micareta preta. Na AUS tem uma amarela. No Brasil, tem de tudo quanto é cor.

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Comentário por Ana Celia
25 de maio de 2011 às 8h05

Você podia ter fotografado aquela mina de calcinha na rua, pra dizer que aqui também tem pirighuétchy…

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Comentário por Ana K.
25 de maio de 2011 às 13h05

Ai Ana vc é tão linda

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Comentário por Onaicram
31 de maio de 2011 às 21h43

ana, tudo bem? já tinha visto em algum lugar o seu post sobre o panamá, e depois vi o seu link num post do matias. queria, se possível, q vc me auxiliasse. vou para o panamá e costa rica no início de julho. vc tem algumas dicas sobre a região, além das q estão naquele post. agradeço desde já. um abs.

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Comentário por Ciadopecado
18 de junho de 2011 às 1h55

adorei seu post

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Comentário por Milena
22 de junho de 2011 às 23h20

Hahaha! Adorei! Saudade de você, coisa feia!

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Comentário por research paper
17 de julho de 2011 às 9h08

Todas estas laranja – Revolução Laranja)

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Pingback por O lado escuro de Amsterdam (ou quase isso) | Olhômetro
11 de setembro de 2011 às 22h35

[...] visita a cidade por três ou quatro dias. Ir pra Amsterdam de onde eu moro, como eu já contei no post sobre o Queen’s Day, leva mais ou menos uma hora, entre ônibus e trem – o que é quase o mesmo esforço que eu [...]

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10 de dezembro de 2011 às 21h42

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