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Arquivo: agosto de 2011

Ah, Budapeste

Quem leu o livro do Chico Buarque já sabe, mas Budapeste tem esse nome porque é formada por duas cidades: Buda, do lado esquerdo do Danúbio (que os húngaros chamam de Duna) e Peste, do lado direito. Na verdade, há um terceiro distrito, Obuda, a parte velha de Buda, que se une aos outros dois pra formar o que é a moderna Budapeste.

Os húngaros, coitados, sofrem de crise de identidade. A primeira coisa que deveria chamar sua atenção quando você pisa na Hungria é que o nome do país, aquele pelo qual os húngaros mesmo o chamam, não é Hungria. É Magyarország. Por razões óbvias, vamos ficar com Hungria mesmo – a verdade é que os Magyar (a tribo que deu origem ao povo húngaro) foi confundida com os Hunos (do Átila), e aí fora do país deram o nome de Hungria. E assim ficou.

Ruas e prédios

Também foi de Chico Buarque a frase ‘O húngaro é a única língua que o diabo respeita’. E dá pra entender, também quando você pisa no país. Foi a única vez em todas as minhas viagens em que não era possível entender nada, nem inferir, por associação, nenhuma palavra que eu lia nas placas, nos banners em lojas, nas bancas de jornal. Mesmo na Grécia e em Praga deu pra se virar com leitura de placas; na primeira, porque se você se esforça pra aprender aquele alfabeto, não é tão difícil, e uma vez que consegue ler o que tá escrito algumas palavras são identificáveis. E a segunda porque o Tcheco, por algum motivo, tem algumas palavras com a mesma origem do inglês ou do latim, e muita coisa nos bares e nas ruas é escrito em inglês.

Estação de trem

Não em Budapeste.

A língua é uma barreira porque é impossível pronunciar o nome dos lugares onde você quer ir, por exemplo. E na capital a maioria dos húngaros não parece falar inglês. Só que eles não fazem disso um problema ou uma desculpa pra maltratar turista. Todos os húngaros pra quem eu pedi informação, falantes de inglês ou não, se desdobraram pra me ajudar – desenharam mapa, apontaram, o diabo a quatro.

Budapeste, como também disse o Chico, é amarela. O Danúbio, que de cara inspira bem mais respeito do que o Sena ou o Tâmisa, é amarelinho. É ele quem separa a cidade medieval, com suas ruelas emaranhadas de paralelepípedos, ladeiras, árvores e castelos, da cidade moderna, com avenidas paralelas, prédios de arquitetura neoclássica e comunista, transporte público bom e barato, o segundo metrô mais antigo do mundo, McDonalds e Burger King.

Vista de Budapeste

Centro

Budapest, pelos húngaros, é pronunciada assim com o “s” chiado, igual ao de um carioca, e o “t” mudo. E eles fazem questão de ressaltar essa pronúncia, mesmo se estiverem conversando em inglês com você, o que é raro. Quer dizer, quando você fala pra um gringo “I’m from Brazil”, você pronuncia “Brazil” do jeito deles, não do seu.

Os húngaros foram oprimidos pelos turcos, pelos otomanos (minha tribo primitiva preferida. Certamente era um monte de maluco da periferia e tal), pelos alemães, pelos russos. Eles perderam praticamente todas as guerras em que estiveram envolvidos. Hoje, são a parte pobre da cisão do que era o império Austro-Húngaro. A desigualdade social, especialmente fora da capital, é grande. E não deve ser legal passar por isso especialmente se a gente considerar a situação da Áustria, que tá numa boa com seus bons drink.

Mas nem tudo podia ser ruim pra eles, sabe. A cidade não foi só abençoada com o Danúbio, as colinas hipnotizantes, o castelo, a arquitetura incrível ou o povo gentil. TEM MAIS: Budapeste fica sobre uma das maiores fontes termais da Europa. E quando os Turcos chegaram lá, há mais de 500 anos, eles acharam que fazia sentido instalar em um lugar desses suas famosas cadas de banho. Hoje, os banhos são parte da cultura de Budapeste, e sinceramente, é o tipo de coisa que você precisa fazer se for pra lá. Eu NUNCA ACHEI que podia ficar seis horas dentro de uma piscina quente com cheiro de enxofre e ainda me sentir muito, muito bem depois disso. Sem contar a arquitetura do lugar, fantástica – as piscinas e o prédio foram construídos por turcos em 1500 e qualquer coisa.

Rudas Bath, o banho termal que eu visitei

E Budapeste, ao contrário de muitas capitais europeias, não dorme. A qualquer dia da semana, a qualquer hora do dia e da noite, dá pra encontrar gente na rua, um mercadinho aberto, um bar tocando música. E acho que isso conclui, junto com a cerveja de um euro e o vinho de 80 centavos, os motivos pelos quais Budapeste foi minha cidade preferida. Entre todas.

Ficou com vontade de ir?

Eu apoio. E ainda dou umas dicas…

Budapest card
Um cartão que dá direito a transporte público de graça, descontos em atrações turísticas e restaurantes, em museus e nos banhos termais. Tem versões pra um, dois e três dias e realmente vale a pena se você for ficar lá pouco tempo e quiser fazer bastante coisa. Você pode comprar direto no site.

Hostel Casa de La Musica
Casa de la música

Foi aí que eu fiquei a maioria dos dias e foi o melhor custo-benefício da minha viagem. É uma escola de música, centro cultural e tem um bar e um bar-restaurante. É barato – algumas noites saíram por 6 euros! -, bonito e muito limpo, fica no centro, de fácil acesso ao metrô. Tem café da manhã quente e frio, por 4 e 3 euros, respectivamente, cozinha, chá e café a vontade e Wi-Fi na sala comum. E uma piscina inflável, que eu suponho, só deve ficar lá no verão.

Maria Hostel
Caído, sujo e aparentemente serve como residência estudantil, além de hostel. Parece bastante uma escola. Mas tem quartos exclusivos, single, por 17 euros.

Metrô
É o segundo mais antigo do mundo (só perde pro de Londres), e funciona bem, apesar dos trens antigos. O bilhete custa 1 euro. Os metrôs não tem catracas, mas o que eu mais vi foi fiscal multando turista, inclusive aqueles desavisados, que tinham bilhete mas não os validaram na máquina antes da escada rolante. Sério, acho que rola uma indústria da multa de pobres turistas que não podem ler húngaro, porque se a pessoa tem o bilhete e é turista, compreende-se se ela não soube validar, até porque não tem aviso nenhum em inglês.

Táxi
Baratos – uma corrida do centro de Peste a Buda não passou de 1200 forints – mas pelo que eu entendi, vão te sacanear. Se possível, peça direto do hotel/hostel, ou ligue para uma companhia. A maioria dos taxistas não fala nada de inglês.

Free tour
Como toda cidade europeia, Budapeste tem um free tour, isso é, um tour guiado que não funciona com valor fixo, só com gorjetas no final. Achei o de Budapeste historicamente meio raso, mas é ótimo pra quem quer ir mais fundo na cidade – as guias são húngaras e, se você perguntar pra elas no final, consegue dicas excelentes de lugares pra sair e pra comer. Pra saber os horários e de onde os tours saem, visite o site oficial. A mesma companhia também faz um tours (esse pago) do castelo, mas eu não fiz, então não saberia dizer se é bom ou ruim.

Banhos termais
A maioria dos banhos termais turísticos está ao longo do Danúbio, do lado de Buda. Eles custam, em média, 3 mil forints (ou uns 12 euros), mas saem mais barato com o Budapest Card. Uma coisa importante é checar a modalidade de banho que vai rolar no dia em que você pretende ir, pras coisas não ficarem esquisitas. Tem dia de banho misto, dia de banho só de homem ou só de mulher, dia de banho com ou sem roupa. Ah, leve uma toalha.

Outras coisas que você deve saber

  • Utca., que você vai ver bastante, é ‘rua’. E se pronuncia ‘útça’.
  • Um monte de húngaros se chama Gábor ou Lazlo, e na Hungria, meu nome seria Freitas Ana Paula – eles escrevem o sobrenome primeiro.
  • Palinka é a bebida oficial húngara. É feita de ameixas, principalmente, mas eu tomei uma de maçã. Possui modestos 40% a 70% de álcool na composição, por isso É BOM FICAR LIGADINHO nas consequências do consumo excessivo.
  • Os húngaros comem bastante sopa, batata e schnitzel, tipo um filé de carne de porco empanado.
  • Eles tem um calendário – não me pergunte como ele funciona – que diz que cada nome, dependendo da letra com a qual começa, tem uma semana de aniversário.
  • Cortar o cabelo é barato (pros padrões europeus) e tem um salão a cada esquina no centro.
  • O Mercado Municipal, apesar de ser listado como uma das atrações a se conferir, não é nada além de um… mercado municipal. O prédio é bonito, mas se você já viu o mercadão de SP, nada ali vai te surpreender. Vale se você quiser comprar linguiça tradicional húngara, ou mostarda, que são boas e baratas. Ah, também vende Foie Gras a preços atraentes.

Gosta de ler sobre viagens? Visite o http://www.drumbun.com.br - lá eu escrevo só sobre os lugares que visito. :)

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O novo do Emicida

No fim de 2009, eu entrevistei o Emicida pro Link (não consegui encontrar a entrevista :/). A essa altura, você já deve ter ouvido falar dele – e se não ouviu, corre pra ouvir qualquer coisa.

Aliás, se quiser qualquer dia dessas ter aquelas sessões de YouTube que começam inocentes, as 23h, e que te fazem ir dormir só quatro horas e trinta vídeos depois, comece buscando gravações de batalhas de rimas do Emicida.

Enfim. Eu comecei a ouvir bastante rap de uns dois anos pra cá, mas tenho que dizer que minha trilha sonora aqui na Holanda foi por 50% do tempo a penúltima mixtape dele, Emícidio, do ano passado. Fazia um tempão que música não me fazia refletir, rir e chorar. Mal a pieguice, mas sério, rolou uma identificação – quer dizer, não sou acusada de ser vendida, não sei o que é sair do underground pro mainstream e ser a queridinha da mídia, nem faço ideia do que é ver vidro subir e alguém correr quando me avista. Mas as letras dele conversam comigo de um jeito que eu curto.


‘Então Toma’ tem um pianinho bem legal no sample

Quando conversei com o Leandro, acho que foi uma das minhas primeiras entrevistas de verdade. Explico: na correria do fechamento, a gente escolhe a fonte, pesquisa, elabora uma dúzia de perguntas e acaba focando nelas. É raro quando a fonte e o repórter têm, de fato, tempo pra conversar sem se prender ao roteiro. Naquele dia, eu tinha, porque era o Emicida, poxa. E ele, o Leandro, também tinha, porque não tava o mundo inteiro em cima dele.

Quando ele veio subindo a escada rolante do metrô, tava fuçando no celular. Ele explicou que seu outro aparelho tava quebrado e agora ele usava esse, que era aqueles telefones de 30 contos, pra checar os tweets via SMS. E que tava viciado nessa parada de Twitter.

Embora o áudio tenha se perdido, eu lembro até que bem das duas ou três horas trocando ideia, começando com as perguntas que ele respondia em toda entrevista: vendeu 10 mil cópias do disquinho que fez em casa, a razão de chamar Emicida e as coisas de sempre. Daí falamos sobre a cena do rap, da dona Jacira, da cobertura jornalística da periferia e das expressões culturais da periferia, sobre ele quase ter se tornado cartunista – porque o Leandro também desenha, e é dele a capa da primeira mixtape, a tal que vendeu 10 mil cópias – e sobre as batalhas da Santa Cruz, sobre ele ser um nerd colecionador de quadrinhos e muito mais que eu não me lembro.

(Acho que vou começar a transcrever minhas entrevistas na íntegra, em vez de decupar só o material que vou usar na ocasião)

Lembro que em dado momento eu perguntei com o que ele trabalhava hoje em dia. Quer dizer, eu já sabia que a mixtape tava indo relativamente bem, e que ele tinha shows aqui e acolá, mas achei que de repente ele ainda levasse dois trampos ao mesmo tempo. Ele riu, meio CE TÁ ZOANDO, assim, mas respondeu, ainda gentil: “Só com a música, mesmo.”

Ele é quase tudo o que deixa transparecer nas letras: pensa rápido, tem sempre uma referência de cultura pop na ponta da língua (“Chimbinha e Joelma é o mais próximos que temos de Jay-Z e Beyónce, pra mim”, ele me disse). É um moleque engraçado, simpático. A diferença é que ele não se vangloria tanto quanto faz nas letras dos raps, que herdam o estilo das batalhas de improviso, em que os dois MCs precisam cantar o quanto são fodas e o quanto o adversário é um lixo. Tipo, ele é mais modesto.

E eu me diverti naquelas quase três horas, porque embora poucos de nós admitam, a gente vira jornalista pra poder trocar ideia com quem a gente admira (não só pra isso, mas sim, tem muito disso). E quando isso acontece, puxa, é dessas vezes que a gente lembra porque passou anos (ou ainda passa) fazendo notinha sobre celebridade ou dando tapa em texto de agência de notícia.

Vim falar disso porque o Emicida lançou um EP novo, Doozicabraba e a revolução silenciosa, com as mesmas letras espertas, menos samples e mais instrumentos ao vivo e uma produção bem amarradinha. Fiquei sabendo hoje, baixei e gostei muito. E o mais legal: baixar o disco não é de graça.

E porque isso seria legal? Porque você paga com uma moeda que tá SUPER USANDO – você paga com um twitt. O link pro download tá aqui.

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Viajando de graça (e comendo comida do lixo)

Nesse tempo na Europa, percebi que dá pra viajar baratinho por aqui – e em qualquer lugar – se planejando com alguma antecedência e sendo uma pessoa, hum, simples. Com as companhias aéreas low cost e as passagens de ônibus, dá pra cruzar distâncias longas com 30, 50 euros. As passagens noturnas de trem te economizam na hospedagem. Tem os hostels, que no leste oferecem uma cama honesta e, às vezes, café da manhã tipo hotel, por uns 15 euros. E se você não for comer naqueles lugares que são claramente pra turistas e procurar os restaurantes e cantinas em que os locais fazem as refeições, bom, dá pra passar o dia com 25, 20 euros numa boa em alguns países.

Claro que você vai passar por coisas tipo ninguém falar inglês no restaurante e não ter um menu em inglês, ou você chegar de noite e ter alguém na sua cama no dormitório, ou dormir em um cubículo chacoalhante de 6 metros quadrados num trem de 15 horas onde se acomodam 6 pessoas em bancos que viram leitos. Mas foi por isso que eu mencionei o termo ‘pessoa simples’ lá em cima: é que precisa estar disposto a algum nível de aventura. Quem não tá, e pode pagar a mais pelo conforto, contrata uma agência de viagem. Mas também viaja sem surpresa.

Esse só tem três leitos, mas coloque mais três do lado direito pra ter uma ideia

E bem, é duplamente divertido viajar sozinha e em baixo custo. As coisas são bem mais espontâneas, apesar de um planejamento inicial ser necessário pra manter o budget baixo. Você conhece bem mais gente sozinho, e não precisa entrar em uma discussão só porque metade do grupo quer ir ver o museu e a outra metade quer ir ver a estátua. Não corre o risco de brigar com seu melhor amigo, o que é frequente, já que os melhores amigos na terra natal podem se tornar as piores companhias do mundo pra viajar se os dois não estiverem no mesmo ritmo. E com menos bagagem e menos roupa, você viaja mais confortável, carregando menos peso e fica mais livre. Principalmente, se questiona sobre o que é realmente essencial pra viver bem.

Mas esses clichês existencialistas não são a questão aqui. A questão é que eu fiquei sabendo, durante meu último mochilão, que tem gente que viaja o mundo de graça. Eu passei pela Grécia, pela Romênia, pela Hungria e terminei na República Tcheca. Também a propósito, Budapeste foi minha preferida, de longe, mas isso fica em outro post.

Não se trata daquela história BE A TRAVEL WRITER AND TRAVEL THE WORLD FOR FREE, que né, isso aí não funciona exatamente assim. As técnicas pra quem viaja de graça não são nada sofisticadas, e embora não sejam o créu, exigem disposição e habilidade.

Desculpe. Meu humor piorou muito aqui na Holanda.

De todo modo, na Romênia surfamos no mesmo couch eu e um espanhol chamado Guillermo, um professor de matemática barbudo e de cabelo comprido, com uns dentinhos bem brancos, que não devia ter 30 anos. No fim, passamos só uma noite no mesmo apartamento: cheguei e ele se foi na manhã seguinte. Mas conversamos bastante. Os papos de couchsurfers são sempre os mesmos, na verdade – idiomas, costumes, comida, viagens. Geralmente é isso, ao menos no começo. E eu não tô reclamando.

Daí que os hosts tão querendo fazer uma viagem de volta ao mundo daqui um ano ou dois, e perguntaram ao Guillermo, que já tá na estrada há um tempo, quanto ele gasta por mês viajando. Guillermo disse que geralmente gasta de 150 a 200 euros por mês, o que já é bem pouco. Mas que poderia chegar a 50 euros. E que conhece gente que viaja a zero.

Não duvidei, porque ele não é o tipo de pessoa de quem a gente duvida. Mas perguntei como, claro, porque qualquer um perguntaria.

Ele explicou.

“Eu acampo, faço couchsurfing, pego carona. Se vejo uma árvore cheia de frutas, encho os bolsos e a mochila. Acabo gastando só com comida, e no supermercado.”

É, mais isso não explica quem viaja de graça. Ele terminou. “E quem chega a zero, faz tudo isso, e também procura o que comer no lixo.”

"Você se surpreenderia com o que encontraria no lixo"

Ele explicou que fez isso uma vez e que a gente se surpreenderia se visse o que as pessoas jogam fora. E que os melhores lixos são os de supermercado, porque eles dispensam embalagens fechadas que passaram da validade recentemente, mas que segundo o bom senso, ainda podem ser consumidas.

Ah, além disso, quem opta por esse ESTILO DE VIDA também fica rondando turistas marotos em restaurantes e se apossa dos restos que nego deixa no prato. Justo.

Procurar coisa no lixo tem um nome em inglês, e chama Dumpster Diving, ou Skipping, na Inglaterra. O NYT tem uma matéria legal sobre o assunto. Eu tenho muitos amigos que moraram nos EUA, na Inglaterra e na Austrália, e lembro que todos eles vasculhavam o lixo em busca de eletrônicos e móveis: encontravam de bicicleta a sofá e iMac funcionando. Tinha gente que mobiliava a casa nessa onda aí.

Mas nunca tinha ouvido falar de quem faz isso pra procurar comida, quer dizer, por opção. Porque Dumpster Diving pra viajantes é uma opção, afinal, você sempre pode pegar uma carona de volta pra casa se não tiver mais dinheiro pra comprar comida. O mais perto que eu cheguei disso foi aos 13 anos, quando alguém no prédio jogou fora uma raquete de tênis bem pesada, e quando eu fui lá jogar o lixo vi a raquete. E peguei pra mim, só porque achei legal. Nunca joguei tênis.

Sei de gente (muita, muita) que passa a vida inteira reclamando que não tem dinheiro pra viajar e tal, mas depois dessa temporada eu descobri que dá pra fazer muita coisa com pouco dinheiro. Não necessariamente precisa ir pra longe de casa, né, que o Brasil tá cheio de coisa pra ver. Eu mesma nunca fui pra Paranapiacaba, por exemplo, que fica perto de casa. Esse post da Helô é um exemplo legal de que dá pra sair por aí sem gastar muito, e veja você, ela nem pegou comida no lixo.

Sim, essa refeição é composta apenas de itens que foram encontrados exatamente como você está pensando que foram

Percebi que Dumpster Diving é mesmo um estilo de vida porque tem todo um conceito acoplado. Primeiro o nome chique – magina que aqueles mendigos que pegam coisa do lixo aí no Brasil sabem que tem um nome tão legal pro que eles provavelmente consideram bem ruim de fazer? Depois, tem um conceito de sustentabilidade, reaproveitar e tal. A gente sabe que normalmente se desperdiça muito, e essas pessoas estão só se aproveitando disso. Todos os outros pilares da ideia de viajar de graça se baseiam em conceitos que envolvem reciclar, dividir, reaproveitar – Couchsurfing, caronas, acampar. No fim, você vai precisar de uma mochila com umas trocas de roupas e uma toalha leve, um computador, uma barraca e só pra sair no mundo.

A pessoa que eu sou hoje não comeria comida do lixo por opção. Mas não tenho nada contra, até porque sou contra pouca coisa nessa vida. A pergunta que eu te faço, caro leitor leite com pêra, é: você faria? E antes de responder, analise o blog desses caras e as fotos das refeições que eles fizeram durante uma viagem em que só comeram coisas que acharam do lixo. A foto aqui em cima é de um dos banquetes deles.

E se você curtir a ideia, o WikiHOW tem até um guia pra você são sair catando coisa errada nos lixos por aí. Vai lá

Gosta de ler sobre viagens? Visite o http://www.drumbun.com.br - lá eu escrevo só sobre os lugares que visito. :)

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