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Arquivo: dezembro de 2011

Um relacionamento de várias pessoas

Conheci um cara que era adepto da ‘prática’. Ele já tinha estado em um relacionamento de 5 pessoas, daí foi contando o desenrolar – saia um, entrava outro, ai entrava mais outra, saia uma…

Eu conheço muita gente da minha faixa etária e especialmente das gerações posteriores que engata namoro atrás de namoro. É um de 3 meses, outro de 5, outro de duas semanas, sem pausa entre eles. Não é pegação, é uma parada de gostar fácil das pessoas, mesmo. É engraçado como eu consigo ver que isso, em vez de ser um facilitador pro Poliamor, é um impedimento. Acho que se você gosta muito de todo mundo, muito fácil, você não gosta é de ninguém. E aí como poderia diferenciar as pessoas pelas quais realmente se apaixona? (é algo fundamental, parece, nesse negócio aí, saber identificar de quem você realmente gosta).

Todo mundo com quem eu comentei sobre meu amigo Poliamor, na época em que eu o conheci, achava esse arranjo um absurdo. As caras de WTF se comparavam às reações que as pessoas têm aos grandes tabus, tipo incesto. Importante lembrar que monogamia, o ‘os dois viveram felizes para sempre’, é parâmetro inteiramente cultural. Não tem nada de instintivo, não é uma organização social natural.

Mas quer saber? Engraçada uma sociedade que aceita traição como algo que ‘acontece’ – e é verdade, acontece – e não aceita a possibilidade de um relacionamento múltiplo.

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Cowbird, uma plataforma pra contar histórias

Você lembra daquele projeto chamado We Feel Fine?

Eu escrevi uma matéria sobre ele no Link em abril de 2010. O We Feel Fine, em poucas palavras, é uma interface gráfica para o sentimento do mundo. Ele agrega palavras chaves em gráficos que dão uma ideia de como o mundo está se sentindo em determinado momento. O resultado é fantástico, graficamente e conceitualmente. Você pode filtrar por gênero, nacionalidade, idade, datas – e pode saber, por exemplo, como os EUA se sentiu no dia 2 de maio de 2011, no dia segunte ao anúncio da morte de Bin Laden: nessa data, as pessoas os EUA se sentiram 6 vezes mais sortudas do que o normal.

Um dos criadores do We Feel Fine, Jonathan Harris, aparentemente guardou meu e-mail e me incluiu hoje nos destinatários pros quais ele enviou o endereço do seu novo projeto, o Cowbird.

O Cowbird é um contador de histórias coletivo, que a plataforma chama de sagas. É pra organizar histórias e fazer jornalismo com crowdsourcing parecer lindo, bem editado. Dá pra incluir personagens, áudio, fotos, diálogos. Você cria uma saga e observa ela se desenvolver, à medida em que as pessoas acrescentam suas impressões, seus diálogos, as fotos que tiraram. Eu sei: “e no que isso se difere de um blog?”

Olha, de cara, em algumas coisas. Mas eu acho de verdade que é preciso entender uma coisa sobre a internet – talvez você não tenha percebido ainda, mas as ideias inovadoras da última década são consideradas grandes porque mudam a maneira como a informação é organizada pra gente e como a gente mostra essa informação pros outros. O que as pessoas compartilham não é o que importa – o que importa é como. Em que dispositivos, com que roupagem, com qual interface. É esse tipo de coisa que muda paradigmas.

Imagina usar o Cowbird pra uma cobertura coletiva nas revoluções no oriente médio? Durante uma tragédia natural? Durante uma eleição?

No Cowbird, você pode olhar a história do ponto de vista dos personagens que ela tem, dos lugares em que ela aconteceu ou das histórias que ela gerou, entre outras muitas coisas muito legais. Serve até pra fazer um diário muito foda da história da sua (da minha, da nossa) vida. No site, uma das descrições diz que o projeto é a primeira biblioteca pública sobre experiências humanas.

O Cowbird por enquanto está em beta e só funciona com convite. Eu já pedi o meu, já que adoro contar umas histórias e tal. A saga-teste que está sendo contada no Cowbird se chama Occupy e é sobre, obviamente, o movimento Occupy nos EUA.

É tipo o próximo passo pro que fez o The Guardian recentemente. O jornal anunciou que ia ‘abrir’ sua reunião de pauta pros leitores, isso é, publicar no início do dia as sugestões de pauta e esperar que o parecer do público agregasse informações relevantes pro encaminhamento dos temas. O que o Cowbird faz é justamente trazer uma edição profissional, visualmente interessante e enriquecedora, pro que já vem acontecendo no mundo há um tempo: as coberturas espontâneas, descentralizadas, ricas, feitas por gente normal, do que acontece no mundo. Como deveria ser, é uma maneira de mostrar cada vez mais lados de uma história em um lugar só.

Enquanto isso, em uma vibe que vem direto dos anos 1900, tem gente que acha a discussão sobre a obrigatoriedade do diploma super relevante. Tsc.

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O que você faria com 2,5 milhões de reais?

O empresário Mauro Mendes, que foi candidato ao governo do Mato Grosso pelo PSB, fez o seguinte:

2,5 milhões de reais em uma festa de 15 anos pra filha. Não nego o direito da menina de ter uma festa inesquecível, blá blá blá (e a parte engraçada é que mesmo se eu negasse, e daí, né), mas são dois. milhões. e meio. de. reais. Não há nada que justifique gastar isso em uma festa de 15 anos. Porque chegou num nível ridículo – uma coisa é pagar um ator da Globo pra ir dançar com você, outra coisa é escalar um representante pra cada fase de Malhação desde 98 pra desfilar com uma camisa com suas iniciais e a idade que você está fazendo em números romanos.

O engraçado é que eu sou muito a favor de cada um fazer o que lhe der na telha desde que não atrapalhe a vida de ninguém, e mesmo uma festa de 15 anos milionária parece ser o caso, mas eu ainda acho que uma pessoa deveria ter vergonha de gastar tanto dinheiro com algo assim. Dá pra igualar os pais dessa garota aos babacas que rasgaram as notas de cinquenta reais no programa da MTV.

Eu percebi que esse trecho soa como a pessoa mais rabugenta do mundo reclamando… eu reclamo bastante e tal, mas gostaria de dizer que o motivo primordial pelo qual esse vídeo me chamou a atenção é que, de tão trash, ele é bem engraçado. De tão triste, ele é engraçado.

Desde antes dos 15 anos eu nunca entendi a lógica de contratar um bonitão da Globo pra dançar contigo na sua festa, porque é notório o hábito de pagar esses caras pra ir dançar com moças em festas de 15 anos. Não é como se suas amigas e amigos fossem olhar pro cara e pensar MEU, NÃO ACREDITO, O KAIKY BRITTO É TÃO AMIGO DELA QUE VEIO NA FESTA! MUITO TOP, MEU. Eu diria também ser um pouco remota a possibilidade de o convidado reconhecer, naquela bela e virgem debutante, o amor da sua vida, assim que seus olhares se cruzarem.

Portanto, sempre acreditei que festas de 15 anos eram uma maneira complicada de dizer OLHA, GENTE, EU TENHO MUITO DINHEIRO. O lance é que quanto dinheiro alguém tinha ficava bem claro no dia-a-dia na escola, então não que fosse necessário.

O problema é que, depois dessa aí, é impossível vencer.

A propósito: lembro você que pai da menina é do PSB, que como você bem sabe, é o Partido Socialista Brasileiro.


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