OEsquema

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E a música panamenha?

O Panamá não é, como você já percebeu a essa altura da sua vida, o que se pode chamar de POTÊNCIA EXPORTADORA DE TALENTOS MUSICAIS. E apesar de a maioria do que toca aqui ser importado da Colômbia e do México, o Panamá tem sim sua produção musical própria. Por assim dizer.

Só que o que eu devo mencionar é que boa parte é reggaeton e música típíca. O reggaeton é, bem, reggaeton. O que mais tem tocado é de um cara chamado Mr. Saik e chama “Que Xopá?” Dá uma olhada e tente, em seguida, tirar da sua cabeça o trecho “Quiero una sapatilla, papi!”

Agora imagine viver em um lugar em que isso é tocado à exaustão, cantarolado pelas pessoas na rua, trilha sonora ambiente de lojas no shopping. É ‘sapatilla’ o dia inteiro. “Que xopá?” – pronuncia-se ‘sopá’ -, como informa minha madrasta boa, versada em cultura popular panamenha, é tipo uma maneira malandra de dizer “QUE PASÓ”. É que eles invertem as sílabas. É como uma gíria pra “QUE QUE TÁ PEGANO”, aparentemente. A música fala, como 75% de toda a música popular produzida ao redor do globo, de uma mulher que fica pedindo pra que o namorado lhe compre tudo.

Vamos, agora, à música típica. Pra nós, brasileiros, ela não é nada surpreendente. Parece muito com o nosso brega, com a música Paraense, tem elementos do baião, do forró. Ó:

É possível prever que uma versão em castellano daquela “Quero não, posso não, minha mulher não deixa não” venderia milhões aqui. Milhões é modo de dizer, mas enfim. Algo como “No voy, quiero no, puedo no, mi mujer no me deja no”. Aqui estou eu, mais uma vez, provando porque sou pobre: quando tenho boas ideias, dou-as de lambuja a gente desconhecida.

Tem outro tipo de música típica que envolve, basicamente, crianças cantando de maneira completamente desafinada tentando se aproximar de música flamenca e acordeons. Tem até um programa que é tipo um Panamanian Idol infantil, onde essas crianças competem pra ver quem canta melhor. Só que todos são horríveis, então não entendo os critérios… ah, o chapéu é uma coisa típica do interior panamenho. Não é o chapéu Panamá que eles usam na roça, é esse aí do vídeo:

CONTUDO, há também coisas bem legais sendo feitas aqui. A minha preferida se chama Cienfue, e faz algo entre rock e folcore típico, mas não tem nada a ver com, sei lá, Cordel do Fogo Encantado. Ou Teatro Mágico, graças a deus. “La Dércima Tercera”, uma das mais legais, foi gravada em Panamá La Vieja, um lugar que eu visitei e cujas fotos até postei no Flickr:

No site do Cienfue tem os discos deles pra baixar na faixa. Nem todas as músicas são boas, mas tem umas bem legais, inclusive instrumentais. Outra boa, chamada “Isla Del Diablo”:

Aparentemente, a única coisa que o reggaeton, a música típica e o rock panamenho têm em comum são o baixo orçamento na produção de videoclipes.

E falando nessa coisa de fazer música misturando elementos latinos, no Brasil a gente não faz isso tanto quanto poderia, né? Digo, misturar elementos próprios da cultura brasileira – tipo o samba, o baião, o funk carioca – com música pop ou rock. Quando é feito, se não é MUITO DILUÍDO não entra nas PARADAS DE SUCESSO. E isso não acontece no resto da América Latina. Na Colômbia tem um cara chamado Juanes, que aliás já ganhou mais de um Grammy (ele é famosão lá. É tipo a Shakira homem) que toca pop rock com uma guitarrinha latina. Se liga:

E não é ruim, manja? Eu seria feliz em um país com música pop assim. Ok que o tal do Juanes também tem outras coisas meio ruins no repertório, mas não dá pra esperar perfeição, de todo modo. Melhor que Jota Quest e Luan Santana.

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A doença do verão não é a dengue, não

Então vamos aproveitar que eu me inspirei. Como eu me inspirei? Eu não sei. Talvez seja o botão GET INSPIRED aqui do lado (do lado da caixa de texto, tem um botão GET INSPIRED laranjão, chamativo, por causa de um plugin pra Firefox que eu uso).

Botão laranja me inspirou a ir lá e ser feliz

Ou então é porque tô lendo umas paradas engraçadas: hoje li bastante o blog do Larica Total, o blog de BAIXA, MUITO BAIXA gastronomia mais genial que já encontrei.

Falando em baixa gastronomia, agora eu tô gastando minha cota diária da letrinhas (a minha chefe acredita na existência de uma cota diária de letras, e eu também) lá no Interbarney, mas em outro blog, não o Bombril na Antena: o Humor Tandela, que é sobre comida. Porque eu cozinho, vocês sabem, e também como. Provavelmente como melhor do que cozinho, mas só os que comem o que eu cozinho (opa) podem dizer. De qualquer forma, colem lá pra conferir minhas elocubrações culinárias, que devem salvar você daquele perrengue da madrugada. Esperem 500 receitas diferentes de miojo.

Outra parte das letrinhas tão no meu novo blog no Link, o LOL. No LOL eu posto toda sorte de atrocidades internéticas. Recomendo, e não é porque sou eu escrevendo (claro que é, mas ainda assim, eu recomendaria ainda que não fosse. Estou fazendo um bom trabalho)

Mas divago. Cá estou para falar desta, que é a canção do verão 2009/2010, e que lhe prometo, entrará na sua cabeça e não sairá por três dias. Não adianta não dar play no vídeo. Se você já escutou esta praga alguma vez, estou certa que apenas o nome da canção reavivará sua memória.

Sacanagem? Pode ser. Prepare-se para cantar uma música baixinho o dia inteiro.

I’VE GOTTA FEELING.

=D

Primeiro, tenha compaixão. Lembre-se que para escrever esse post eu fiquei lendo a letras e escutando essa merda por tempo suficiente para que ela permaneça em minha mente por 6 meses. E FIZ ISSO POR VOCÊ, leitor. Para esmiuçar as características tão marcantes desta canção, características essas que despertam em mim e em todas as pessoas de bem um extinto instinto assassino, e nas pessoas DE MAL o chamado ESPÍRITO BIG BROTHER, ou VIBE BIG BROTHER.

VIBE BIG BROTHER

A VIBE BIG BROTHER é um estado de espírito que acomete 90% das pessoas que escutam I’VE GOTTA FEELING. Apenas 10% da população é imune ao efeito da canção, que atinge a maioria das pessoas por volta do vigésimo segundo e já no segundo refrão alcança seu auge.

Como saber se você foi atingido pela VIBE BIG BROTHER de I’ve Gotta Feeling?

SINTOMAS

- Quando você escuta as primeiras notas da música, grita “Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!!!!!” ou “ESSA É MINHA MÚSICA!!!!!!”?

- No mesmo momento, seu cérebro manda sinais para que você se prepare para pular naquela hora em que o WILL.I.AM fica dizendo TONIGHTS THE NIGHT/LETS LIVE IT UP, enquanto seus olhos se fecham em êxtase?

- Quando o WILL.I.AM começa a cantar TONIGHTS THE NIGHT/LETS LIVE IT UP, você começa a cantar isso alto, pulando com os braços para o alto, batendo os pés no ritmo da música, apontando de maneira significativa para os seus amigos?

- Quando a FERGIE começa a cantar a parte dela, você novamente fecha os olhos em êxtase?

Se você respondeu SIM a mais de uma dessas opções, sinto muito. Você está infectado. Não há antídoto conhecido.

E SE EU FOR IMUNE?

Sorte sua, caubói. Mas nesse caso, as consequencias podem ser até piores, dependendo do ponto de vista. Você evitou o mais constrangedor, mas no caso de ser imune, geralmente a superexposição à música causa irritação e esquizofrenia (no caso, essa esquizofrenia em particular se caracteriza por você repetindo esta merda por três dias. Eu sei que isso não é esquizofrenia, mas no meu blog é). Se você entrar em contato com a canção e for imune, tente escutar algo esquisito em seguida para LIMPAR A CABEÇA. Pode ser ruído rosa, que não passa de um monte de chiados, tipo aqueles da TV. Taí ó, ruído rosa:

Ou sei lá, pode ser alguma coisa tocada ao contrário. Qualquer coisa que melodicamente não faça sentido.

A LETRA

É uma merda. Vamos analisá-la a luz do humorismo pelo qual esse espaço virtual se caracteriza:

I gotta feeling that tonights gonna be a good night
that tonights gonna be a good night
that tonights gonna be a good good night

(Não quero ofender os retardados, mas eu só consigo imaginar um retardado repetindo tanto algo assim. Se você tirar a letra e colocar na boca de alguém, vai parecer uma pessoa muito enfática, porque né)

Tonights the night night
Lets live it up
I got my money
Lets spend it up

(Primeiro que rimou UP com UP. Uma boa saída pra quando você não sabe o que fazer em uma música é a. não rimar b. rimar uma palavra com a mesma palavra. De qualquer forma, esse verso diz que essa noite vai ser demais, que é pra gastar o dinheiro todo que a pessoa tem. A essa altura nego já tá bêbado, e bêbado é rico, então vai lá e gasta tudo mesmo)

Go out and smash it
like Oh My God
Jump off that sofa
Lets kick it up

(UP de novo, bela saída. “Vai lá, quebra tudo, tipo OH MEU DEUS”, gosto quando a religião vem dar aquele amparo. “Pule fora DAQUELE sofa, e vamos chutar o pau da barraca”. Ainda papo de bêbado: disse, disse e não fez nada. E ainda se referiu a um sofá imaginário, que é aquele, e não esse. Não faz sentido)

I know that well have a ball
if we get down
and go out
and just loose it all

(É ball de baile ou de bola? Porque não tem nada a ver jogar futebol no meio da parada. Mas ela quer saber de perder o controle mesmo. The same old shit.)

I feel stressed out
I wanna let it go
Lets go way out spaced out
and loosing all control

(Desculpa de piriguete pra poder sair por aí dando pra todo mundo. “Tô estressada, quero me soltar”, daí toda um porre e fica toda se querendo pra cima de todo mundo. Daí é óbvio que vai ter um sentimento que a noite vai ser boa. Quer dar SEJA MACHO E DÊ, não fica numas de AI TO ESTRESSADA PRECISO ENCHER A CARA. BTW, essas duas foram as estrofes da Fergie)

Fill up my cup
Mazal tov
Look at her dancing
just take it off

(Mazel Tov* é qualquer coisa de festa de judeu, e eu acredito – quero acreditar – que em uma festa judaica voce não pode pedir pra uma mina que esteja dançando sensualmente tirar a roupa. Por isso essa estrofe é incoerente)

*Mazel Tov é ‘boa sorte’ em hebraico, como me explica a Wikipedia. A piada não fez mais sentido (médio), mas mantive porque na vida a gente tem que arcar com o que faz. Até porque ninguém deseja boa sorte depois de encher um copo, a não ser que você esteja tomando o famigerado drinque VENENO DE RATO

Lets paint the town
Well shut it down
Lets burn the roof
and then well do it again

(Vandalismo, tópico polêmico. Eu curto, você curte, mas é cafona. Vai incentivar a molecada a pixar parede e queimar telhado, E DEPOIS FAZER ISSO DE NOVO? Porque aí é looping, né. Não tem fim. Não tem fim, não é bom: você cresce, arruma um emprego, tem família. Não pode continuar queimando telhado e pixando muro)

Here we come
here we go
we gotta rock

(“A gente vai, a gente volta, temos que arrasar” denota indecisão e necessidade de auto-afirmação no grupo)

Tem mais alguns trechos em que eles ficam repetindo coisas de retardados, tipo:

- os dias da semana em inglês (acho que é só pra mostrar que sabem);
- o quanto eles querem arrasar e destruir e dançar e curtir;
- que eles são demais, muito demais, e querem arrasar e curtir 24 horas por dia;

SOBRE OS BLACK EYED PEAS

The Black Eyed Peas.
Image by brina_head via Flickr

Pra começar que um Black Eyed Pea é uma ervilha de olho preto. No literal. DEVE significar alguma coisa, tipo ERVILHA ESTRAGADA, ou é a expressão em inglês equivalente a OVELHA NEGRA. Isso já seria suficiente, mas vou continuar. É uma banda de quatro pessoas que não tocam nada e gritam todas juntas, berrando. Não se ouve a voz de ninguém separadamente, nunca. A função de uma das pessoas é ser uma gostosa com carreira solo. De outra é fazer participações especiais em álbuns de outros artistas e produzir álbuns de outros artistas.

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O Porco Pizza do rock’n'roll

Essa foi a melhor definição que eu encontrei para essa banda, o Attack Attack. Rogo para que você tenha paciência e veja o clipe/escute a música até o final, você terá uma surpresa. Vamos fazer uma lista sobre os principais problemas do Attack Attack, em ordem de importância (do menos importante para o mais importante):

3.

Em uma música, tem metal daqueles horríveis com voz gutural, um refrão emo e um encerramento de eletrônico escroto-farofa. Veja bem, eu não sou contra o experimentalismo musical, a mistura de estilos. Curto muito essa vibe, juro. Mas ir de Krisiun a Panic! at the Disco em três minutos denota ou múltiplas personalidades ou profunda indecisão. Procure um terapeuta imediatamente nesses casos.

2.

A dança que eles fazem é muito esquisita, e os pulinhos, que lembram o movimento de algum bichinho, mudam de acordo com o estilo musical dentro da mesma música, são constantes e uniformes. Veja bem: é como a coreografia da banda. Todos executam os pulinhos de maneira sincronizada. Uma banda de rock com coreoografia não pode ser uma banda de rock.

1.

Eles estão claramente sem nenhuma pista de que são absolutamente ridículos e, portanto, muito engraçados. Logo, ficam mais engraçados ainda se levando a sério. Uma das coisas mais divertidas do mundo é gente que se leva a sério demais.

Daí é o seguinte. Acho que a existência de uma banda dessa caracteriza completamente o ecleticismo bizarro e a falta de personalidade da geração emo.

Agora, eu falei como meu avô (hipotético, meu avô é bem mais legal que isso).

Como o Porco Pizza, há quem veja nada de errado e há quem perceba que tem coisas demais no meio disso.

O curioso é que o Attack Attack poderia ser facilmente um quadro de humor do Saturday Night Live, com aquelas paródias esquisitas de bandas reais. Ou do Hermes e Renato. Tipo isso:


Quero ver tirar a virilhada da cabeça agora.

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Como medir a felicidade do mundo através da internet

Ontem, me apresentaram um jeito de medir a felicidade do mundo através da internet. O WeFeelFine.org, que parece ser uma novidade antiga mas da qual eu nunca tinha ouvido falar, tem como objetivo agregar todas as manifestações em blogs que contém o trecho ‘I feel’. A partir daí, o sistema tem como mostrar gráficos de como as pessoas estão se sentindo agora.

É uma pena que ele só monitore os textos em inglês. Ou seja, é um resultado um pouco distorcido da felicidade no mundo: é a felicidade só daqueles que falam inglês. E quem fala inglês deve ser um pouco mais feliz do que o resto do mundo. Ou não. Mas enfim.

WeFeelFine.org

Mas o mais legal é a interface da parada. O WeFeelFine disponibiliza 6 jeitos de navegar pelas mensagens das pessoas. O primeiro deles, chamado Madness, mostra um monte de bolinhas e quadradinhos malucos flutuantes (igual ai em cima. Cada um deles representa um post, uma foto, uma twittada – daí você clica e lê. E se você clicar em um lugar vazio da tela, as bolinhas todas começam a se aglomerar ali. Sério, dá pra brincar a tarde inteira. Tem também outros jeitos de visualizar, menos divertidos, mas tão bonitos quanto.

Mas falemos agora de como o mundo está. Na maioria das vezes, me parece que o mundo se sente BETTER, ou seja, a coisa tá ficando melhor. Pena que em segundo vem o BAD, mas é normal – normalmente, se a gente se sente bem não fala sobre isso na internet. Só vai reclamar se tá com problema. Ok, depois vem o GOOD e o RIGHT, que também denotam bons auspícios. Mas dá pra filtrar por todas as palavras possíveis. Eu encontrei várias pessoas que se sentiram ou se sentem ABDUZIDAS, ACELERADAS, RADIOATIVAS e até LÂNGUIDAS, que em inglês tem uma palavra muito mais legal: lackadaisical.

O legal é poder checar as mudanças nos gráficos diante de grandes tragédias. Daí a gente vai poder confirmar se o WeFeelFine é um retrato da felicidade do mundo ou um buscador que mais parece um joguinho.

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CINE, a nova sensação do rock nacional (?) ajuda a explicar o comportamento humano

Você já ouviu/ouviu o clipe de GAROTA RADICAL, o single de estreia do CINE? Tira dois minutos aí:

Acalme-se.

A palavra ‘radical’ pode assumir vários significados, dependendo do contexto em que é inserida. Pode ser adjetivo para designar alguém ou algo considerado extremista. No termo ‘radicais livres’, ‘radical’ é uma marca de expressão da pele. Associado a um esporte, ‘radical’ significa que aquele esporte é muito perigoso.

Nesse clipe, não tem nenhum homem bomba, ninguém fazendo rapel e nenhuma idosa usando creme da Avon. Isso significa que ‘radical’ aí é usado como uma gíria, sinônimo de MUITO IRADO. Você conhece alguém que use a gíria ‘radical’ e não faça parte de um desenho animado ou tenha mais de 4 anos?

Nem eu.

Ok, o Cine é a nova sensação do rock nacional (?). Foram contratados pela Universal recentemente, estão aí com esse clipe maravilhoso que graças a deus a gente tem aí essa conexão maravilhosa pra dar pra gente. Têm seu merito ao ser a primeira banda emo a misturar sintetizador e aproveitar a onda fashion da new rave, tudo junto – quer dizer, não sei se eles têm o mérito disso ou quem tem é algum marketeiro muito esperto, mas enfim.

Mas tem um ou dois problemas com eles, não sei se você notou. Como bem observou o @ibere:

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Esse é um deles, e legal que se aplica tanto ao Cine quanto a qualquer grupo que toca em trio elétrico na Bahia, e mesmo a alguns grupos de pagode. O segundo é que, aparentemente, as meninas ficam malucas por eles. As fãs são 90% mulheres e gays. Elas acham todos lindos e sedutores, mas observe bem a cara desses meninos. O vocalista é MUITO FEIO (pros padrões de beleza clássica ok). E não que ele fique bonito nessas roupas ou com esse cabelo lambido, mas por algum motivo isso parece ofuscar a feiúra dele aos olhos das fãs, porque elas amam o menino. E ele é horrível, tadinho. Apesar dos outros meninos da banda serem mais bonitos.

Por isso, acho que o Cine é a comprovação de algumas teorias que rondam o mundo da música desde sempre, relativas ao comportamento humano, e que Darwin esqueceu de mencionar em seus estudos. São elas:

1. Não importa o quão asqueroso você for. Se a sua música agradar alguém, e você estiver em cima de um palco executando-a, você repentinamente se torna o macho alfa mais apto e recomendado para a reprodução aos olhos daqueles a quem sua música agrada.

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O Eugene que o diga.

1.1. Sendo assim, a maioria das pessoas faz bandas para aumentar suas chances de se reproduzir e passar seus genes adiante.

2. O objetivo de um grupo musical deve ser, sempre, agradar às fêmeas da comunidade. Porque no caso de as fêmeas se interessarem pelo grupo, mesmo que o macho não se interesse, repentinamente ele vai começar a mimetizar o comportamento do macho alfa, que é o cara em cima do palco, e isso inclui ouvir aquela música, gostar dela, se vestir como aquele cara e inclusive tocar músicas parecidas.

2.1. sendo assim, a maioria das bandas do mundo foi feita para agradar mulheres.

Obrigada, Cine, por contribuir na comprovação de duas teorias sociais que eu considerava há anos. Só tem algo sobre vocês que eu não consegui explicar, porque não faz sentido, nem do ponto de vista instintivo – a música de vocês é muito ruim. Por deus. NX Zero é chato, mas vocês superam com esse sintetizador distorcendo a voz do IÔ-Ô. Como é possível que as meninas em idade reprodutiva, dos 13 aos 17, gostem tanto de vocês? A única explicação é que o gosto delas seja péssimo, mas não vou considerar isso porque gosto de fugir do óbvio.

Talvez seja algo tipo perfume de ferormônios.

*Editado: maluquinho do Cine respondeu nos comentários, foi fino e profissional. Check it out. Só lembrando que não gostar do som não significa não respeitar.

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Apenas o Fim, o metafilme nerd brasileiro bonitinho

Eu não tive feriado, trabalhei normalmente na quinta e na sexta. Mas mesmo na redação o ritmo diminui nesses dias em que tá todo mundo em casa menos você. Então foi mais sossegado, feito um plantão em que nada acontece. Na sexta, fim dela, dei meu primeiro furo, o que fez com que eu me sentisse jornalista segundo a definição do cara que escreveu meu livro preferido:

“Jornalismo de verdade consiste no que alguém não quer ver publicado; o resto é relações públicas.”
George Orwell, escritor inglês

Daí ficou mais agitadinho, mas foi isso. Passei o final de semana em casa, com os amigos, tocando bongô às 2h da manhã, assistindo a 1ª temporada de Os Normais e tomando vinho frisante rosè. Foi demais, no geral.

No fim da tarde do meu feriado encurtado – ou seja, às 16h do domingo – resolvi assistir a Apenas o Fim, o filme bonitinho de baixo orçamento com referências nerds feito por um estudante de cinema da PUC-RJ sobre o qual todo mundo tá falando. Ganhei um par de ingressos pro filme, mais pôster e uns adesivos. Só que os ingressos só valem de segunda à quinta, então eu assisti a uma gravação suspeita aqui na sala mesmo, copiada pelo camarada Lucas. Deu pro gasto. O par de ingressos que a Tayra me mandou, muito gentilmente, vou dar pro primeiro leitor que comentar aqui (de maneira coerente) dizendo qual era seu Power Ranger preferido e porquê.

Apenas o Fim é um filme bonitinho. De tão real, fica constrangedoramente irreal. Explico – parece que o roteirista começou a anotar todos os insights engraçados sobre cultura pop que ele tinha no dia-a-dia durante meses, e depois compilou isso num filme. É um retrato tão fiel de uma vida como a minha, cheia de referências idiotas (que eu acho divertidas) aos jogos que eu joguei na infância, aos filmes que eu vi, aos livros que eu li, que incomoda. Porque a gente se acha tão original e descolado vivendo a vida real citando filmes, livros, sites, seriados. E quando o próprio filme começa a mimetizar essas situações pra poder imitar a vida, como eu me sinto? Parece que tô assistindo algo que é irreal. Clichê.

Na verdade não é, é só alguém vivendo uma vida parecidíssima com a minha. É só o constrangimento de perceber que você não é tão original quanto era, que tem alguém lá no Rio que botou toda essa bobagem de viver assim em um filme. E depois, como você vai citar um filme que é só citação?

Tem também um constrangimento pela atuação da Erika Mader, que eu acho que deixa a desejar. O Gregorio Duvivier parece interpretar ele mesmo, mas não dá pra saber porque não conheço o cara – ou ele é muito bom ator ou é daquele jeito mesmo.

O filme tem umas sacadas boas, esse texto que deixa a gente irritado por não se sentir mais tão original, e faz milagres com um espaço tão pequeno pras filmagens. Parece ligeiramente autobiográfico. Também tem umas metareferências muito boas – o retrato de estudante de cinema pseudo-intelectual padrão é muito verdadeiro, o casal em si, o caráter da produção, Los Hermanos, até o plot principal tornam a história toda uma grande piada sobre essa vida que a gente leva e a vida que o diretor deve levar. Puxa, os sites preferidos do Ton, o protagonista, são o Judão, o Omelete e o Jovem Nerd. Dá pra ser mais legal que isso?

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Esse óculos é um exagero, mas meninas como ela usariam

Se vale a pena gastar o ingresso? Muito. Mesmo. É um metafilme, que fala de filmes que falam da vida, e por isso fala da vida. Estranhamente. Vale pra provar que os filmes sobre o nada, sobre o dia-a-dia fielmente retratado, podem ser tão bons quanto aqueles que mostram coisas impossivelmente reais e que satisfazem aqueles nossos sonhos irrealizáveis. Tipo Harry Potter e Transformers.

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Resultado da promoção do livro: acho que no próximo fim de semana. Mas sem pressa, porque a vida é essa coisa bonita de viver. Aguarde.

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Sua imagem, eternamente, congelada num bloco de cristal

Tem essa lenda de que as pessoas costumavam ter medo de fotografia quando esse fantástico recurso que captura o momento foi descoberto. Ou inventado. Enfim. Os antigos achavam que a câmera fotográfica era capaz de aprisionar a
alma das pessoas.

Tinha uma parada semelhante com espelhos. Acreditava-se que eles eram também capazes de capturar a alma das pessoas. Por isso, inclusive, que vampiros (os tradicionais, não os de Crepúsculo, parece) não têm reflexo em espelho – eles não têm alma.

Claro que a pessoa que chegou a essa brilhante conclusão lá na idade média não parou pra pensar que se o espelho só refletisse coisas com alma, tudo o que veríamos diante de um deles seria… nós. Ou a cama, a parede e o resto das coisas têm alma? Ok, divago.

De qualquer forma, se tem alguma invenção do ser humano que é capaz de aprisionar a alma de forma medonha, eu descobri ela neste sábado. Se chama Cristal Image.

slogan

Será que em nenhum momento, da criação do slogan até a aprovação dele, ninguém reparou que o que ele oferece não é exatamente algo, digamos, a se desejar? “Você, eternamente dentro de um cristal” pra mim soa como plot vagabundo pra episódio de Goosebumps. Eu não quero ficar eternamente aprisionada num cristal. Isso dá medo.

De qualquer forma, a Cristal Image vende blocos de cristal (que parecem acrílico) com uma imagem do que você quiser. Eles esculpem lá dentro, em 3D, uma reprodução de algo – pode ser o brasão de um time, um objeto, ou mais comumente…

Dramatic Chipmunk animated gift

…uma pessoa.

robertobizarro

É isso mesmo. Você dá uma chegada no quiosque do shopping (eu tirei a foto do Roberto na vitrine), eles fazem um scan louco 3D de você e colocam esse scan dentro de um bloquinho transparente. Esse do Roberto tinha uns 15 centímetros de altura. Aí você captura essa imagem bisonha, transforma sua pessoa (ou quem você quiser, sei lá) numa reprodução assustadora daqueles efeitos especiais de filme de terror em que a expressão dos indivíduos é congelada para a eternidade e, a cereja do bolo – DÁ ISSO DE PRESENTE PARA ALGUÉM.

Sim. A idéia é registrar as cabeças e presentear entes queridos. É um esquema moderno e um pouco menos cruel daquelas tribos que encolhem as cabeças dos inimigos e as colecionam como recordação.

Na primeira vez que vi, fiquei em volta do quiosque, chorando de medo, e me assustando com as pessoas que chegavam, olhavam a vitrine e diziam “olha, que legal!” Não vou nem comentar a pertinência decorativa do acessório (ok, eu vou – puta negócio feio pra pôr na estante, de um mau-gosto fenomenal), mas não é só isso, é pelo aspecto assustador que tem um bloco de vidro com a expressão de alguém congelada. E alguém deve fazer dinheiro com isso – não é pouco, vide o preço do Roberto.

AH. E falando no preço do Roberto, aí vem a parte esquisita – eles vendem blocos prontos lá na vitrine. É como se eu chegasse no quiosquezinho e dissesse:

- Opa. Quero um bloco de cristal com a imagem de alguém aprisionada eternamente.
- Pois não, senhora. De quem é a imagem?

- Hum, deixa eu dar uma olhada… tem alguma sugestão?
- A Tatiane e o Morelli têm saído bastante, senhora.

tatianeemorelli

- É mesmo? É, eles parecem bem felizes. Acho que vou levá-los, vão ficar lindos no aparador da sala de estar.

I mean, QUEM PAGA R$129,00 por um bloco de vidro com um cidadão desconhecido chamado Roberto, sua expressão de insanidade congelada para o resto da eternidade congelada sobre a mesinha de canto? Por quê?

Parece que a resposta é difícil mesmo, porque segundo o site da Cristal Image, que é uma marca no estilo franquia, só existem duas lojas – uma no Shopping ABC (uhú!) e outra no Mauá. Sucesso.

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Quando a vida imita a arte e se transforma nela

Quando eu assisti Show de Truman, eu ainda tava naquela fase em que a gente achava que o Jim Carrey só servia pra fazer personagem babaca. Não que eu tenha saído dessa fase, mas depois ele fez Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, caiu no gosto dos descolados e agora todo mundo gosta dele. Mas naquela época não havia perspectiva de que ele fizesse algo legal, então você já ia pro filme com algum preconceito, esperando caretas e piadas escatológicas.

E o filme – que todo mundo já viu na Tela Quente, acredito – acaba por ser bom. Tem uma crítica maluca à era dos reality shows, uma maluquice de Mito da Caverna (tudo tem mito da caverna nesse mundo de deus), um pouco de humor ácido, a previsão de um futuro absurdo e voyeurístico com uma pitada de Orwell, um final que muitos acham muito bom e outros acham insatisfatório… e deixa aquele gosto de paranóia na boca, algo como ‘mas… será que isso não poderia de fato acontecer?’

A pergunta está finalmente respondida.

Nadya Suleman

Mãe americana de óctuplos diz que fará série documental

Ela tinha seis filhos. Engravidou de mais 8. Não satisfeita em contribuir com 20% da explosão demográfica registrada no planeta nos últimos 8 meses, a mãe doida com barriga horrível de 20 mil crianças vai, aparentemente, negociar a filmagem de um reality show com seus 8 filhinhos. As câmeras vão acompanhar o crescimento dos seis meninos e duas meninas até eles completarem 18 anos.

[pausa] (Breve reflexão: só eu acho que Mãe de Óctuplos parece Mãe de Octóplus, em que Octóplus é como se fosse o vilão do Homem-Aranha? Ou do 007?)

octopus

[/pausa]

Eu não quero nem imaginar o que vai acontecer com essas crianças. Se elas ficarem iguais à Maísa, estamos todos no lucro, porque as possibilidades de tragédias maiores são inúmeras se o negócio acontecer mesmo. Simpsons já previu a situação e não foi nada agradável para Apu e Manjula.

A questão é que… não deveríamos estar chocados com esta “superexposição”, esta “absurda e já profetizada orwellização da sociedade”, essa “irresponsável exploração monetizada de crianças sem capacidade de decidirem por si mesmas”. Não, não podemos nos chocar.

Afinal, caso vocês não tenha notado, estamos na era do Show de Truman. Apesar dos reality shows não serem mais exatamente uma novidade, a ferramenta de mídia social que é alardeada como o divisor de águas da disseminação da informação pela rede consiste nada mais nada menos do que um reality show bizarro de centenas de pessoas, ao mesmo tempo, ao vivo.

Bem vindo ao Twitter.

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Trailer definitivo de Harry Potter e o Enigma do Princípe é absolutamente estonteante

Mortais, temei. Eis aqui o Trailer Final de Harry Potter e o Enigma do Príncipe, sexto episódio da epopéia do menino-cicatriz. Saiu na quinta, 16 de abril, à noite. Coisa fresquinha.

Negócio é o seguinte. Nunca tinha acontecido comigo, achei que era mentira de gente que se emociona fácil. FIQUEI SEM FÔLEGO ASSISTINDO À PARADA.

Se você não for leitor da série e só viu os filmes meio ‘por cima’, pula porque não tem graça, você não vai entender nada. Mas se for fã, se segura na cadeira, amigo. Sei que trailer é daquelas coisas que eles fazem e parece que o filme vai ser incrível, quando na verdade ele não é, mas se o longa for 20% do que for esse trailer, eu vejo ele no cinema 5 vezes.

O anterior, vi 3. No cinema. Na TV, perdi a conta. Nunca tinha feito isso com um filme na vida.

E não me encham o saco. É Harry Potter. É sagrado. Vocês não entenderiam – não cresceram junto com o moleque, como eu cresci. Não esperaram a carta de Hogwarts quando completaram onze anos. Não têm um Jonas.

Jonas, a coruja
Jonas, a coruja de pelúcia, é uma influência clara do universo Potteriano na minha vida

Sem mencionar a varinha de plástico (uma réplica fidelíssima) com imã na ponta (dá pra fazer Wingardium Leviosa com umas moedas, ok), o kit de xadrez bruxo e meu chaveiro atual, que é nada mais, nada menos do que esse:

chaves

Harry Potter é um daqueles vícios que só adormece. A série terminou, os filmes demoram anos pra serem lançados. Mas basta sair um trailer desse pra que eu sinta de novo como era legal quando eu acreditava que tudo aquilo podia ser verdade.

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Inquisição virtual: quando vão começar a mandar os piratas pra fogueira?

Ok, teve o julgamento contra o Pirate Bay. Mas no geral, na gringa, parece que o pessoal tá desistindo:

Gravadoras americanas jogam a toalha contra pirataria

Parlamento francês rejeita lei para bloquear internet por download ilegal

Mas como é de praxe, as coisas por aqui sempre chegam com um pouco do atraso natural que é característico do 3º mundo. Se blog e Twitter são agora a sensação tupiniquim, então dá pra estranhar que o governo comece a fechar o cerco para os usuários de internet em tentativas esdrúxulas de conter o incontrolável – com ações-formiguinha como prender moleques que baixam música, ameaçar comunidades que compartilham links de downloads e tirar sites de legendas do ar, que têm o claro objetivo de intimidar grupos de pessoas que em grande parte só compartilham conteúdo sem fins lucrativos.

Quanto mais leio sobre iniciativas de grandes corporações para inibir o acesso do grande público à democracia e liberdade cultural que a pirataria proporciona, mais eu penso que não pode ser verdade que alguém que conheça a dinâmica da internet acredite que ainda é possível reeducar toda uma geração no sentido de ensinar que baixar música é errado.

Em vez de concentrar os esforços em alternativas economicamente viáveis e interessantes pro consumidor e pro artista, os babacas continuam perdendo tempo, prendendo meninos com HD cheio de CDs e usando-os como bode-expiatório de uma situação que é claramente incontrolável.

O projeto de lei francês mencionado no topo foi o que mais me chocou nos últimos tempos. Ele prevê punição os piratas com o banimento do uso da internet por uma quantidade determinada de tempo (dias a meses). E por um breve momento eu tive medo de que a inquisição virtual começasse, de que houvesse de fato o início de uma ditadura maluca na internet – que deveria ser a coisa mais livre do mundo.

Felizmente, foi rejeitado, ao menos em primeira instância, pelo que entendi. Mas aqui no Brasil o projeto do Azeredo continua a pleno vapor.

E eu desconfio que o bicho vai começar a pegar. Sabe por que? Porque as grandes corporações estão começando a perder muito, muito dinheiro por causa da internet no Brasil. Não que já não perdessem, mas a coisa está se espalhando por outros segmentos, coisa que não rolava aqui antes. Olha:

Internet faz receita com ligações internacionais despencarem, diz IBGE

A inclusão digital, a popularização da internet por banda larga, o computador do Milhão e as lan-houses até no inferno conectaram nosso país e estão gerando um fenômeno massivo de gente conectada, coisa que a gente não conhecia antes. O Brasil usa a internet, hoje. Não é mais só a classe média.

Só que o jovem vem pra rede com a mentalidade do nativo digital. E o nativo digital não pensa como o dono da corporações, e nunca vai pensar. Nesse post, Felipe Tofani menciona algumas das características desse grupo. Mas a mais marcante, e que mais contrasta com a vida real – sim, porque a vida na internet é só um reflexo da vida real – é essa aqui:

O poder vem através do compartilhamento de informação, não da mentalidade de escassez. Para ganhar influência e status online, você precisará doar seu conteúdo e conhecimento.

No mundo real, o de carne-e-osso, a mentalidade é a da escassez, a da usura, porque é com a usura que a sociedade capitalista lucra, e time is money – você não perde seu tempo ensinando ou doando nada pra ninguém. Os não-nativos não entendem o poder do compartilhamento, nem compreendem a vontade de compartilhar por compartilhar. No mundo de verdade, há pouco ou nenhum status em compartilhar. Na internet, por um motivo divino e bonito, vale o contrário. Vale a generosidade.

Enquanto os profanos virtuais, os não-nativos, não puderem compreender essa dinâmica, cada dia será um a menos na contagem até a inquisição virtual, em que laranjas serão punidos para ‘dar o exemplo’ à grande comunidade que comete ‘crimes horrendos’, com downloads de música tendo punições comparáveis a homicídio em alguns casos.

Seria fácil se eles aprendessem com os erros dos gringos e observassem que se lá não deu pra proibir, aqui não vai dar. Mas esses caras parecem ser daqueles tipos teimosos, que não aceitam perder milhões. Nós já vimos esse filme. Mas dono de gravadora não pode pedir ajuda pro governo quando perde grana. Sacanagem.

Some isso ao lobby que as grandes e velhas corporações farão contra a cultura do conteúdo livre na web e voilà – no Brasil, nós – usuários de internet – ainda teremos um longo caminho antes que os engravatados percebam que não podem lutar contra o inevitável.

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