OEsquema

Arquivo: Brasil

A maior competição de gostosice do Brasil

Imagina se você chegasse em uma festa e a primeira frase que você ouvisse, de dois caras atrás de você, fosse essa aqui embaixo.

“Nóis vai tranzá* lá dentro, heim!”

Você imaginaria que eu estou falando de um baile funk (por estereótipo, né. Todo mundo diz que em baile funk acontece essas coisas promíscuas) ou da Pirigóticas, mas não: eu tô falando do Skol Sensation, o infeliz substituto do Skol Beats que acontece desde o ano passado em São Paulo.

Foram 40 mil pessoas vestidas de branco escutando música eletrônica do tipo que eu não gosto (não sei os nomes) no Anhembi. O que é bom, porque se você se veste de branco com 40 mil pessoas, parece ridículo de forma coletiva, e não individual. Parecer ridículo se branco não se aplica se você for médico ou enfermeira, ou pai-de-santo.

Peguei a mesma roupa branca que usei ano passado (a mesmíssima, um vestido da minha mãe) e rumei com três amigos para a zona oeste de São Paulo (acho que é Oeste; alguém esclareça, por favor, porque eu trabalho lá e gostaria também de saber em que Zona eu trabalho. A piada não foi proposital). Ao chegar, tivemos aí o prazer de escutar a conversa entre esses dois brothers, o que já nos deixou animados pra noite que estaria por vir.

NOT.

O Skol Sensation é um dos eventos mais bem organizados e estruturados que eu já vi. É decorado de maneira hipnotizante. E tem muita gente bonita (leia-se RICA) e que provavelmente está colecionando as figurinhas da Copa (isso já é indicador social, heim). Por isso, se você se interessa por esse universo, recomendo muito que vá ao evento no próximo ano. E há quem se interesse, e eu não tenho nada contra essas pessoas, porque né, tenho amigos que curtem essa vibe (ALÔ FELÍCIA), e eu gosto deles e tal. Na boa, só que meu dever civil é observar as paradas e relatá-las aqui.

Só que precisamos ser honestos. Não é um evento de música, ao menos não pra maioria das pessoas lá. Ninguém sai de lá comentando uma virada que o DJ fez, ou uma hora em que o público foi ao delírio, como a gente faz quando sai de show. Muita gente sequer dança, só desfila com o drink na mão, roupa branca igual todo mundo. É que tem um status em estar nessa festa, um status social. Não tem a ver com música. Tem a ver com A GRANDE COMPETIÇÃO DE QUEM É MAIS GOSTOSO(A)!

Sim, amigo! Informalmente, quase como uma tragédia não anunciada, os frequentadores do Skol Sensation estão lá para serem vistos e competirem com outros frequentadores pelo posto de pessoa mais atraente com menos roupa. (Com exceção das muçulmanas que vi por lá, de branco e de véu na cabeça.) Nessa biosfera, Geisy Arruda seria considerada iniciante. Os vestidos não eram curtos, porque eles não eram como vestidos – eram tipo camisas. E os homens sempre tiravam a camisa, e não estava tão calor. E eu vi um cara que caminhava com desenvoltura pela festa de shortinho, daqueles dois palmos acima do joelho, e-

-e só. O shortinho era branco, antes que perguntem.

Se eu me diverti? Pra caramba. Tenho senso de humor.

*Nós votamos (eu e o pessoal que estava comigo) e constatamos que aquele “transar” que ouvimos dele foi com Z, com certeza.

7 Comentários

Por que alguém usa Crocs voluntariamente?

Supondo que você viva em outro planeta, antes de começar vou explicar o que são Crocs.

CORRÃO!11!!ONE

Crocs são essas sandálias horrendas de borracha. AGORA TÁ USANDO MUITO, especialmente por gente que tem grana, e posteriormente por qualquer um, já que as imitações estão infestando o mercado.

Um crossover entre chinelo, sapato de gente com problema mental, tamanco holandês e sapato da Turma da Mônica, os Crocs já inspiraram um post anterior aqui – um que nunca foi publicado. Ele estava programado pro dia 1 de abril, mas se perdeu no limbo do WordPress. Não faço ideia pra onde tenha ido, e só percebi hoje que ele estava ausente; logo, resolvi gastar mais umas palavras falando mal dessa coisa horrenda, prova cabal de mau-gosto de um indivíduo.

Partamos da constatação óbvia: o negócio é horrível. Até minha vó, que digamos assim não está muito a par do que rola nas passarelas de Paris e Milão, acha os Crocs horríveis. Qual, então, será o motivo de alguém usar essa atrocidade?

Clica para ampliar. A armadilha reside nessa promessa de conforto. Os Crocs se vendem como algo extremamente confortável. E aí as pessoas justificam o uso disso baseadas nesse argumento, o da ergonomia podológica.

Não estou dizendo que não é confortável; deve ser. O duro é se enganar desse jeito. A GENTE NUNCA ESTEVE NEM AÍ PRA CONFORTO. Se déssemos a mínima, calça skinny não tinha virado moda suprema. Se estivéssemos preocupados com conforto, todo mundo ia trabalhar de Havaianas e pijama. E mulher nenhuma usaria salto alto. E homem nenhum usaria gravata. E ninguém faria tatuagens. Entre outras coisas absolutamente desconfortáveis, mas que as pessoas fazem o tempo todo.

E veja bem: eu sou a maior partidária de que a pessoa se sinta confortável, bem, antes de se importar com moda ou o que seja. Mas Crocs estão fora da discussão, simplesmente porque eles fazem você parecer alguém que tá de brincadeira. Acho que é essa a melhor definição do Croc: ele é um sapato que faz qualquer pessoa parecer um dinossauro gigante de borracha disfarçado de humano (um que esqueceu de cobrir o pé, veja bem).

Voltando à argumentação, se conforto nunca foi motivo pra fazer a gente vestir coisas, deve existir alguma outra razão pra usar Crocs. E a minha teoria relaciona comportamento ao preço dos Crocs. É mais ou menos assim: já que os “sapatos” não são baratos (ao menos não para algo que se presta a ser um chinelo horrível de uso casual), usar Crocs alça o “indivíduo” a um grupo social mais elevado na pirâmide.

Daí você diz – “ok, mas um relógio caro, uma roupa da Lacoste, um boné de marca também fazem isso”. Certo. Mas nada, nenhum deles é tão feio quanto um Croc, e portanto nenhum chama tanta atenção para o fato de que a pessoa é muito rica. Ponto.

Outra explicação se relaciona ao tédio presente no dia-a-dia das pessoas abastadas. Sem ter o que fazer, elas buscam novas experiências, novos experimentos sociais. A ideia: “será que eu sou tão rico a ponto de usar um sapato horrível e mesmo assim ser imitado pelas pessoas, em vez de recriminado”?

E tudo isso pra falar que não bastasse as pessoas carregarem isso no pé, elas também agora vão levar coisas dentro:

Acho legal que pelo menos quem usa isso (é uma BOLSA CROCS) aí não pode dar desculpa de que é confortável. Porque além de ser (provavelmente) horrível de carregar, é cheio de buracos. É tudo que a pessoa precisa: uma bolsa, onde ela leva as coisas importantes do dia dela, cheia de coisas que vão ocasionalmente provocar o extravio dessas coisas importantes.

Pelo menos os assaltantes não vão chegar perto, apavorados.

Disclaimer necessário: pessoas que eu amo usam Crocs, e tá tudo bem. Não vou amá-las menos por isso. Eu só não entendo, e precisei manifestar essa incompreensão.

99 Comentários

Qual sua desculpa pra ver Big Brother?

(Clique para ampliar)

Geralmente, minha desculpa é a primeira. A sua, qual é?

A verdade é que eu realmente acredito nessa desculpa – na realidade, aprendi umas coisas sobre Big Brother acompanhando Big Brother.

A primeira é que o programa só é uma merda se você pegar do meio. Ligar a TV um dia e tentar ver é constrangedor. Mas ele faz muito sentido se você pegar as nuances do começo, a maneira como as pessoas começam a se relacionar, as cartas que elas jogam… essas coisas. Daí, obviamente, vicia. Quer acompanhar até o final.

A segunda é que Big Brother é mais ou menos como novela: você não precisa assistir todo dia pra sacar o que está acontecendo. Até porque o pessoal do Twitter se encarrega de te manter informado. Eu mesma só assisto alguns trechos pelo YouTube, porque na hora em que o programa passa eu ainda não cheguei do trabalho. E tipo, estou aqui defendendo meu direito de acompanhar BBB, mas se um dia eu vier defender o meu direito de ASSINAR UM PAYPERVIEW 24 HORAS DE ALGO ASSIM, favor checar se sou eu mesma. Grata.

Enfim. A terceira coisa que eu descobriu é que o Bial é quase motivo suficiente pra pessoa desligar a TV de vergonha alheia. Se parte do constrangimento é causado pela galera UHU-I’VE-GOT-A-FEELING, o Bial com seus poemas bisonhos, os comentários esquisitos e ocasionais chiliques constrange ainda mais.

A quarta coisa que aprendi é que… que eu não estou aqui para fazer amigos. Isso é um jogo. Estou aqui pelo 1 milhão e meio de reais.

A quinta: é engraçado. É engraçado ver como gente supostamente madura se reduz a discussões de gente de 12 anos (tipo “SEU BOBO” “BOBO É VOCÊ” sendo repetido durante minutos, aos berros), como uma menina briga com a outra para manter em segredo o fato de que ela PEIDA, ou como uma pessoa sai e diz que AQUILO ALI É VIDA, BIG BROTHER É COMO A VIDA REAL.

Por fim, nossa maior angústia é quando o telefone toca.

Claro. Porque eu e você passamos o dia inteiro na piscina, malhando, contando estalecas. E a noite nos produzimos pra nossa festa temática.

13 Comentários

Infinito enquanto durou

Há um mês mais ou menos eu tava em casa de bobeira no sábado a tarde. Geralmente de sábado a tarde eu tô andando de skate, que eu sou muito radical, mas nesse dia se não me engano tava chovendo. E eu assisti àquele fabuloso programa Estrelas, em que a Angélica bate papo com artistas como se eles estivessem tomando café, assim, com a câmera ligada, sabe?

A convidada desse dia foi a Daniele Winits e seu marido, Cássio Reis. Os dois tavam contando pra Angélica como se conheceram e se apaixonaram. Foi tudo muito bonito, declarações de amor pra lá, olho cheio de lágrima pra cá. Até a Angélica ficou sem graça com o quão melosos eles tavam e fez piada disso. ‘Que bonito’, eu pensei. ‘Vai ver tem casamento de celebridade que dá certo, né?’

FAIL. DOUBLE FAIL, na verdade: esse Jonatas Faro era um Chiquitito. Nada contra os Chiquititos, mas o Cássio deve estar meio deprimido de ter sido trocado por um.

1 Comentário

Segura essa singela homenagem, porque vamos bater

Leila Lopes não é da minha época. Não lembro dela fazendo os papéis que a CONSAGRARAM como atriz, em Pantanal ou sei lá que novela. Pra minha geração, Leila Lopes foi uma maluca decadente que fez filme pornô. Mas muito embora ela tivesse um brilho louco no olhar, provavelmente fruto de medicação, dava pra sacar que ela não era malvada. Só louca. De um jeito muito engraçado.

Como homenagem póstuma (sim, visitantes com o IP SS.93.DFG0.1, de Marte. Ela morreu) a uma doida que há um ano disse ter feito pornô para “poder se aposentar”, deixo para quem já viu (e quem ainda não viu, também) os melhores registros sobre Leila que consegui encontrar. Primeiro, o vídeo em que ela relata o acidente que quase a matou, há 10 anos (19 de dezembro de 1999), e o “rodar, rodar, rodar”. Repare como ela fala como se tivesse decorado o texto. É uma atriz da vida real:

Depois, a entrevista no Boteco Sujo em que ela fala que fez filme pornô mas que não é atriz pornô. Olha um trecho:

O seu filme pornô é diferente?

Leila – É um filme inovador, com começo, meio e fim, ambientado nos anos 50. As cenas de sexo são bonitas e têm contexto.

Leia o resto aqui.

Sobre o Lombardi, não digo nada. Perdemos um patrimônio da cidade. Meu vô dizia ser brother dele. A @gabrielahesz sempre o via comprando carne no açougue aqui perto. O pessoal da Metodista que estagiava na rádio ABC sempre reclamava do quanto ele era esnobe. Mas ainda assim, é tipo Lucélia Santos. Tô nem aí, mas quando morrer, vou ficar triste que mais um patrimônio de Santandré se foi.

Pelo menos eles trazem as celebridades aqui pro Paço pra acompanhar o velório.

No mais: alguém já reparou que chega no fim do ano e um monte de coisa acontece de uma vez? Parece que as resoluções do universo ficaram, sei lá, sendo adiadas. Aí chega em dezembro precisa atropelar tudo, porque precisa acontecer antes do ano. Geralmente se trata de mortes e tragédias coletivas.

13 Comentários

O dia em que eu decidi andar de skate

Eu sempre quis aprender a surfar. Fazer mágica. Andar de skate. Há pouco mais de um mês, resolvi eliminar a última da lista de “eu quero” e passar para a lista que “eu já”.

Foi assim: tinha uma memória de ter visto gente andando de skate longboard, e achado isso muito legal. Mais legal ainda seria se eu morasse num lugar com praia, porque andaria pela orla, no calçadão, sentindo a maresia numa noite suave de verão. Mas não moro. Ainda assim, resolvi comprar um longboard. Fui numa loja e pedi pro moço montar um pra mim. Ele montou, mas não ficou exatamente como eu queria. Fui trocando uma coisa, colocando outra e cheguei nisso:

02112009010

O que deu pra notar assim, de início:

1. as pessoas acham muito legal o fato de uma mulher andar de skate;

2. as pessoas acham muito legal o fato de ser uma mulher andando num skate gigante;

3. criancinhas de bicicleta seguem pessoas de skate. Elas ficam orbitando você. O que é péssimo, pois você quer ficar o mais longe possível delas, afinal está aprendendo e não quer machucá-las;

4. cair se torna rotina depois da segunda vez. Pra você. Pras pessoas ao redor continua sendo bem engraçado.

É isso. Fui acometida por uma crise de meia-idade aos 21 anos. Sabe, aquilo que dizem ter os tios que aos 45 resolvem furar a orelha, fazer tatuagem e comprar uma moto? Pois é. Tô sofrendo disso aos 21.

E quem dera sofrer só de crise de meia-idade, porque to sofrendo também com os hematomas que adquiri nessa brincadeira. Tenho caído bem menos do que pensei que cairia, mas é o suficiente pra eu poder me queixar. Aprender a cair, eu notei, é também uma arte. Minha primeira queda foi ridícula: o skate pegou muita velocidade e então eu saltei dele, mas precisava fazê-lo parar. Corri atrás dele, pisei na roda e voei. O moço que tava parado em frente a veterinária, eu notei pela expressão dele, tava tentando juntar as peças daquela cena UM TANTO QUANTO inusitada: uma menina, correndo atrás de um skate gigante, toma um tombo porque pisou na roda.

Não quero entrar no clichê da coisa, mas na primeira vez que conseguir ‘dar uma remada’ (sabe, empurrar a parada com o pé. Seu noob) e de fato andar de skate, sentir o vento na cara, eu soube que seria algo que eu gostaria de poder fazer sempre. Tô pensando até em criar um blog pra contar minha saga. Algo como Aprendendo Longboard ou algo assim. Será que alguém ia ler?

02112009012

@gabrielahesz, companheira de aventuras

Outra coisa curiosa sobre o long: porque ele é um pouco diferente do skate convencional, as pessoas acham que ele é um convite para puxarem papo com você. Acho que é porque um skatista de long parece mais amigável do que os que andam de skatinho. Os do skatinhos sempre são hostilizados por supostamente serem parte de gangues ou serem punks ou vândalos. O que eles são na maioria das vezes, mas enfim.

Logo tô eu aí ouvindo tchárliebráu e escrevendo SK8 NA VEIA DOS IRMÃO no topo do blog. Aguarde.

25 Comentários

Ah, a adolescência…

Lembra quando um cara entrou no cinema durante Clube da Luta e metralhou um monte de gente? E as pessoas ficaram querendo proibir o filme de passar, dizendo que ele incentivava a violência, quando o filme era justamente um chute no saco dessas pessoas chatas e elas nem percebiam?

Pois bem. Dois JOVENS DESBRAVADORES assistiram o genial Na Natureza Selvagem, sobre o qual você pode ler nesse fantástico post feito por mim após assistir o filme, e decidiram sumir no mundo. Sabe, viver assim, uma vida SIMPLONA (deus, como eu odeio essa palavra, deus). Confira nas imagens de Pederneiras:

Leia mais sobre a AVENTURA aqui. Acho bonito isso de fugir pra Boiçucanga. Viver na praia, na beira do mar. É algo que a gente cresce e perde, né? Essa coragem de viver a vida. Manuel Carlos que o diga.

NOT.

Consigo imaginá-los com os cabelos ao vento, caminhando pela areia, pensando ‘puxa, como sou especial. Meus amigos todos aí, querendo saber o que vai rolar em Malhação, e eu só queria saber de viver uma vida mansa com meu amor no litoral’.

Agora, se você fosse se inspirar na filosofia de um protagonista de filme pra aplicar à sua vida, quem esse cara seria? A lógica é escolher alguém tipo o Will Smith em qualquer filme dele, cujos finais são sempre muito felizes e com um toque de humor inesperado. Mas não, as belezas me escolhem um filme em que o protagonista morre no final (favor sublinhar se quiser ler, é SPOILER). Você não repete o mau exemplo de alguém objetivando felicidade e bem-estar.

E como alguém foge com 300 reais no bolso e um cartão de crédito e não quer ser achado? Qualquer um que recebesse de dois pivetes com cara de bem-nascidos um pedido de lugar pra ficar notaria algo errado aí e denunciaria. Sem contar o egoísmo ao fazer algo assim com a família, mas tudo bem que isso é coisa da adolescência.

Quando eu era pequena, minha mãe fez um bolo e eu queria comê-lo quente. Ela não deixou e eu resolvi fugir de casa. Coloquei minhas coisas em cima de um pano, com o qual fiz uma bolinha e amarrei na ponta de um cabo de vassoura. E fui para o quintal. Foi algo parecido com o que ele fez:

E foi exatamente que esses dois fizeram. Minha mãe chama isso de SER MIMADO. Ingênuo, pra dizer o mínimo. Não se espera tanta ingenuidade assim de um casal de 16 e 17 anos, mesmo que o amor torne as pessoas idiotas. Provavelmente a vibe hippie é só uma fase (veja bem, O MENINO COMPROU UMA CARA VARA DE PESCAR. Segundo os policiais, ele é MEIO MÍSTICO).

Se bem que eu queria uma história engraçada assim pra contar pros outros quando crescesse. A única parecida é essa do bolo quente.

96 Comentários

O mundo, dublado. E as consequências disso

Você já viveu um momento mágico?

harry-potter1

Oi

Eu sinceramente espero que não, porque isso é uma coisa muito idiota de se dizer. “O momento foi mágico”. Sabe aquelas frases de filme indizíveis, que são fruto de dublagens ou legendagem engraçadas e que às vezes acabam na boca de gente estranha e/ou ingênua? Como as crianças que assistem muita TV e acabam virando pequenas coisinhas esquisitas, dizendo aos amiguinhos ‘VOU TE DESTRUIR! SEUS PODERES NÃO SÃO PÁREOS PARA A FÚRIA DA MINHA LÂMINA, HUMBERTINHO! AAAAAAAAH’, empunhando uma espada de plástico que pisca.

Pra começar que de onde eu venho a gente brincava com pedaços de madeira fingindo que eram espadas. A gente até pregava outro teco de madeira pra fazer a parte onde segura, super artesanal e criativo. Segundo que ela não piscava, que espada que é espada não pisca. E terceiro que não tinha essa palhaçada de falar frases copiadas do roteiro do Yu-Gi-Oh, que isso é bem esquisito.

Daí rolam os anglicismos. E veja bem, eu sou uma grande vítima deles. Quanto mais contato a gente tem com outras línguas, mais propício fica a usar estruturas que só são familiares naquela língua. Ou vocabulário. Ou você conhece alguém que diz “Volte aqui, seu bastardo! Vou te dar uma lição!”? Não, né? Mas certamente já ouviu um personagem falando isso em um filme. E nem estranha mais.

Equivalente a isso, e infelizmente mais contagiante, são os bordões de novela. Tem uma amiga que diz que repetir bordão de seriado americano é brega igual a repetir bordão de novela E EU CONCORDO. Mas paciência, no fundo continuo reprovando mais quem fala HAREBABBA do que quem repete, sei lá, paida do Seinfeld. É o equivalente a falar ME POUPE, SALGADINHO!. Você consegue imaginar o quão ridículo é dizer isso? Ou então “N’é brinquedo não”? Pois é. O HAREBBABA é igual. Só não parece, porque tem a Juliana Paes lá falando. Vai ver daqui a uns dois anos, como você vai perceber o quão esquisito e deslocado era.

3+O+Clone+O+Melhor+Do+Bar+Da+Dona+Jura

Que bela trilha sonora.

Deslocado. Repetir bordões da TV na vida real é deslocado. E é de um humor zorra-totalístico incrível, assustador. Tem a exceção, de quando é um bordão realmente engraçado, mas eu e você sabemos que algo assim só acontece muito ocasionalmente.

Tem o mesmo efeito que aqueles lugares-comum que professor de jornalismo pede pra gente não usar em texto, porque é ridículo: “A nível de…”, começar texto com “Atualmente…”, colocar título de entrevista como “Sem papas na língua”.

Repetir bordão, frase-feita e lugar comum na vida real é um problemão. Começa a parecer que a gente tá dentro de um filme e que todo mundo é dublado. E nada contra dublagem, existem dubladores ótimos, mas não é exatamente a ideia que eu tenho de um mundo legal. Se bem que torna as coisas bem mais engraçadas.

18 Comentários

Querem rebatizar o Ibirapuera

Ibirapuera é um nome simpático para um parque. Como você deve saber, é tupi-guarani e significa (essa parte você não deve saber) árvore apodrecida – ibira é ‘árvore’, puera é ‘que já foi’. O nome é esse porque o terreno naquela região é muito alagadiço.

Para os amigos de fora do estado, o Ibirapuera é o parque mais popular de São Paulo. Além de árvores e trilhas para correr cobertas de serragem, tem pavilhões em que rolam exposições de arte, shows e eventos. É um lugar bonito, de convergência de classes, onde as pessoas vão para andar de skate, caminhar, jogar pedrinhas na água e tirar fotos.

Nada disso explica porque o vereador Agnaldo Timóteo quer mudar o nome do parque de Ibirapuera para Michael Jackson. Vou refrescar sua mente sobre Agnaldo Timóteo.

agnaldotimoteofotos (1)
PURA SEDUÇAUM

Pois bem. Este senhor, que como todos nós sabemos foi cantor (ou talvez ainda seja, mas hoje sou obrigada a classificá-lo como vereador), quer homenagear o já falecido Rei do Pop trocando o nome do parque mais tradicional de São Paulo, que tem origem nos primórdios da cultura brasileira, pelo nome de um cantor norte-americano. Vamos ignorar a absoluta inutilidade de uma lei como essa e nos focar no absurdo do nome.

Nada contra. Essas coisas municipais só podem ser batizadas com nomes de pessoas que já morreram, então não vai demorar a surgir ruas, alamedas e praças Michael Jackson.

Mas batizar um parque que de domingo lota de criança andando de bike de Michael Jackson é muita sacanagem. Tipo, eu não levaria meu filho em um parque chamado Michael Jackson. E seria mais coerente trocar o nome do parque para Neverland, porque homenagearia Michael sem ficar totalmente nonsense.

E assim, qual é o problema com Ibirapuera? Eu acho um belo nome. Ele que mude o nome dele, puta nome esquisita. Eu tô acostumada com ‘Ibirapuera’ e sinceramente não quero ter que falar “hoje vou ver a decoração de Natal do Michael Jackson”. Ninguém quer. E Ibirapuera já tem um apelidinho maroto, tão tosco quanto SAMPA, mas útil: Ibira. Como você vai abreviar de forma inteligente o nome do parque sele for trocado para Michael Jackson? As pessoas não sabem nem ESCREVER Michael Jackson.

A gente sabe que quando os nomes dos lugares mudam assim do nada, demora pelo menos umas duas gerações pras pessoas chamarem aquela coisa pelo novo nome. Aqui em Santo André existem três exemplos disso:

- O Mappin, que fechou há uns 10 anos dando lugar ao shopping ABC, que todo mundo chama de Mappin até hoje;

- O parque Duque de Caxias, que foi rebatizado de Celso Daniel há pelo menos seis anos e ninguém chama pelo nome do prefeito morto;

- A estação de trem no centro que também foi rebatizada, de ‘Santo André’ para ‘Santo André – prefeito Celso Daniel’ e que ninguém chama pelo nome.

A única coisa que já pegou, ainda que mais ou menos, é a estação de metrô Corinthians-Itaquera. Palmeiras-Barra Funda, nem pensar. Não vou nem falar da Santos-Imigrantes, que ninguém deve saber que existe mas existe.

Não sei qual a do Agnaldo. O MJ deve ter influenciado a carreira dele, sei lá. Mas essa mudança é perturbadora. Sugiro portanto a criação da campanha #IbiraForever, via Twitter. Participe você também.

(Dica do @kadjoman)

312 Comentários

Interrompemos a transmissão para uma notícia urgente…

OK, essa vinheta já arrancou de você o tom solene e temente que eu precisava. Agora relaxe e sorria, porque vamos falar de A Fazenda.

Sim, A Fazenda, o reality show esquisito da Record, com apresentação genial do Brito Júnior e presenças brilhantes de gente como o Théo Becker e… só. Não assisti A Fazenda 1, porque não tenho paciência pra essas coisas que você precisa sentar todo dia diante da TV no mesmo horário. Mas vi uma cenas de barracos engraçadas no YouTube, fora os momentos geniais de Théo Becker. Se você não viu nenhum (possível, meus leitores desprezam reality shows de celebridades toscas – eu assisto de tudo, como você sabe), vai aí uma palhinha:

Não gosto muito da vibe ‘celebridades cuidando de animaizinhos’, mas gosto da vibe ‘celebridades malucas fingindo coisas bizarras’, então OK. Dispenso os momentos estúpidos que a TV passa, pego só as cenas BRILHANTES direto no YouTube e tô no lucro. É por isso que tive que parar isso aqui pra publicar a lista de participantes do A FAZENDA 2, comentada. Por mim. Vamos a ela:

afazenda2_celebridades copy
Peguei a imagem, e inclusive li a notícia, lá no Poltrona.tv

1. Adriana Bombom
Nota no ranking Subcelebridade: 7
Boa escolha. Ex-paquita, mulher de pagodeiro, vive participando de filmes da Xuxa. E é gostosa. Claramente reúne todas as qualidades que uma mulher deve ter para integrar um reality show tosco. Além disso, supre a necessidade imposta pelo sistema de cotas que todo reality show tem (de ter um negão e um oriental).

2. Ana Paula Oliveira
Nota no ranking Subcelebridade: 6
Se não me engano, é aquela bandeirinha que posou nua. Checking…


Eu realmente fiz isso, parei pra ir no Google e informei você. É mesmo a bandeirinha. Acho adequado. Já se envolveu em polêmica boa, gosta de futebol, é gostosa, já posou nua. NEXT!

3. Andressa Oliveira

Nota no ranking Subcelebridade: 5
Desconheço, nunca ouvi falar. OPA. Minuto.
Segundo me informa o Google, ESSA Andressa é a ex-namorada de Théo Becker, da qual ele falou durante toda a primeira edição de A FAZENDA. Isso promete. Não dá pra garantir, porque não conhecemos a moça. Mas que vai dar pra explorar bem o lance dela falando mal do Théo, ah, isso vai.

4. Maytê Piragibe
Nota no ranking Subcelebridade: 3

Quem? Ah. Protagonista de ‘Os Mutantes’. Não vai durar. Vai ficar conhecida como ‘Franciely Freduzesky de A Fazenda 2′. Mas tadinha. Vai acabar com a carreira antes de começar.

5. Sheila Mello
Nota no ranking Subcelebridade: 8

A Sheila Mello tava tão na dela ultimamente que até tava saindo da categoria de subcelebridade. Mas aí caiu na tentação de voltar pros holofotes, taí. Tem potencial INACABÁVEL de se tornar uma subcelebridade nota 10 no ranking, né. Era dançarina do É o Tchan, e bem, depois de ÁGUA não duvido de mais nada. Não conhece ÁGUA? OI?

6. Stefhany
Nota no ranking Subcelebridade: 7

Aqui temos um caso especial. Caso você não saiba, essa é a Stefhany, do CrossFox, cantora piauiense que ficou famosa por causa de um vídeo no YouTube. Ou seja, é provavelmente o primeiro caso de webcelebridade em reality show no Brasil, QUIÇÁ no mundo. Por um lado, vai deslanchar e começar a vender CD também no sudestes, o que é bom pra ela. Mas é uma menina muito nova. Temo pela imagem que ela vai tentar passar pro público etc. Se se mostrar boazinha e ingênua, vira até favorita.

7. Tânia Oliveira
Nota no ranking Subcelebridade: 7

Na boa, o que é que a produção desse programa tem com o nome Oliveira, hein? Enfim. É uma daquelas dançarinas gostosas do Pânico. Acho que ela PODE TER mais potencial que a Samambaia. Me parece com personalidade mais forte. Mas o que eu sei sobre ela, afinal? Só a vi de bíquini, nunca a vi falando nada. Enfim.

8. André Rocha
Nota no ranking Subcelebridade: 9

Não consegui descobrir quem é o cara. Como o nome é muito comum, apareceram várias referências no Google, de jogador de futebol a jornalista. Só sei que ele com certeza não é nenhum dos dois – é esse aqui, que posou pra G Magazine. Óbvio. Mas quem exatamente ele é, o que faz etc, isso não deu pra saber. Pode ser gay, ou seja, vem substituir Miro Moreira como o possível gay que finge que é hétero.

9. Buchecha
Nota no ranking Subcelebridade: 5

O cara tava sumido e deve ter dado graças Deus (e ao Claudinho, ao lado Dele) por essa chance de voltar pras manchetes. O negócio é não desperdiçar, né? Pode acabar como o exemplar ‘Jonathan Haagensen’ desta edição, mas não dá pra julgar. Também supre bem, com folga, a vaga de cota.

10. Max Fivelinha
Nota no ranking Subcelebridad: 6

Sempre tem que ter uma bicha do tipo escandalosa, e a vaga ficou com Max. Devem ter chamado o Christian Pior, mas ele tá bem demais no Pânico. Não acho que o Max tem chance, e não é por causa de homofobia. É porque ele, apesar de ser uma bicha escandalosa, sempre me pareceu um cara pouco barraqueiro e bem inteligente. E gente com essas qualidades OBVIAMENTE não ganha A Fazenda.

11. Sérgio Mallandro
Nota no ranking Subcelebrida: ARREBENTOU O MEDIDOR, CORRÃO

Tenho medo do que pode acontecer se colocarmos Sérgio Mallandro, o cavaleiro do alazão branco (que era uma motoca bem da sem-vergonha), o apresentador da Porta dos Desesperados, o criador da expressão perene ‘pegadinha do mallandro’, dentro de uma casa com outras pessoas que não são nem de perto tão GENIAIS e ESQUISITAS quanto ele. Até porque a gente vai acabar descobrindo a verdade sobre ele – se ele é o tempo todo daquele jeito ou se é normal. As duas possibilidades são assustadoras. Tem MUITAS chances de ganhar. Finalista, no mínimo.

12. Thiago
Nota no ranking Subcelebridade: 4

Fraco, tadinho. Embora pareça importante por causa da ausência de sobrenome, colocaram pra não fazer injustiça, já que o primo dele tava na versão anterior. Parece ser menino bom e simples. Da roça né? Enfim, filho de Leandro e Leonardo e tal. Essas coisas.

13. Vampeta
Nota no ranking Subcelebridade: 8

Tem potencial. Ex-jogador de futebol, envolvido em um ou dois escândalos, posou nu com grande repercussão (não vi, mas ouvi falar né. Todo mundo ouviu. É tipo a Playboy da Cláudia Ohana, a primeira). Vamos ver como se sai no confinamento e que tipo de personalidade apresenta. Se for da vibe Corinthiano Maloqueiro Sofredor, já dá uma boa briga. Não literal, mas enfim.

14. Vinicius Vieira (Glu Glu)
Nota no ranking Subcelebridade: 4

Acho que morre logo. Me parece bobo. Chato. É uma versão menos potente do Mendigo. Reparem que ele sumiu, SUMIU, depois que foi pra Record. Mas também não sei, vai que o cara é um brigão inveterado. Daí ganha destaque. De qualquer forma, não boto fé.

Ta aí a ESCALAÇÃO. Confiramos no que esse caldeirão de emoções vai resultar a partir do dia 8 de novembro, na Record. Ou no YouTube, quando você quiser. Prefiro assim.

39 Comentários
Página 3 de 17123456789...Última »