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Arquivo: Brasil

Jornalismo vergonha-alheia “nas festa Rave”

Aprendi na faculdade um monte de tipo de jornalismo. Não editoria do tipo ‘jornalismo cultural’ e ‘jornalismo esportivo’, mas formas de fazer jornalismo mesmo. Existe a cobertura conhecida como ‘hard news’, que é a notícia do dia-a-dia, sem análise; tem o jornalismo de web e suas peculiaridades. Tem o jornalismo literário, o gonzo jornalismo, essas paradas todas. Você sabe, é esperto, é ligeiro.

Esse maluco aí embaixo inventou o, sei lá, jornalismo… ilustrado. Jornalismo patético. Jornalismo vergonha alheia. Sei lá. Mas ficou engraçadão.

Por gentileza, assista até o final.

Foda pensar que 50 pessoas tiveram que dividir só isso de drogas, rapá. Puta recessão.

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10 links de coisas que você devia conhecer

Voltei, ainda que brevemente, à vibe das listas. Na vontade de fazer um post simples mas com dicas de coisas legais, bolei isso. Seguem abaixo várias coisas – entre sites, lugares, objetos e pessoas – que, se você ainda não conhece, deveria conhecer. Confia em mim e vai.

Link ambidestro

Blog do Link

Não é esse Link. O Link é o caderno de cultura digital do Estadão. Não é um caderno de tecnologia, veja bem. Cultura digital é mais que tecnologia – é analisar como a tecnologia muda o mundo a nossa volta. Eu trabalho lá, posto nesse blog e posso dizer: é muito bom. Porque nós somos os únicos no Brasil que cobrimos cultura digital, e não tecnologia. E isso faz uma diferença animal.

Nigel Goodman

Nigel Goodman

Pega um carioca com sotaque bem arrastado, coloca um óculos e um cabelo engraçado nele e você tem Nigel Goodman, o menino prodígio do standup carioca. Indico o Nigel não só por causa dos textos excelentes de standup dele (as sacadas são das melhores que eu já li), mas porque o cara é gente fina demais.

Mulher de bigode

Women With Mustaches

Um blog com fotos de mulheres de bigode. Alguns bigodes são maiores que o do meu avô. Nem o diabo pode.

Provos

Provos

Os inventores da contracultura. Antes dos hippies, antes dos mods, dos Beatles, do maio de 68 na França, foram eles que mudaram a sociedade holandesa e transformaram a Holanda no país mais liberal e democrático do mundo, com manifestações baseadas em zombaria contra as autoridades e resistência pacífica. Gênios desconhecidos por causa da barreira linguística, inspiração pra mudar o mundo e pra fazer ação de guerrilha com blog (mesmo que isso seja muito paradoxal).

HOW I MET YOUR MOTHER

How I Met Your Mother

O melhor sitcom que eu já vi PONTO. Eu considerava Friends a série de comédia mais bem feita da história, com o melhor equilíbrio de humor, romance e simulação de identificação com o público. Até eu assistir How I Met Your Mother. São cinco amigos desses que você acha correspondente entre os seus: a solteira convicta, o galinha, o casal bonitinho e o rapazinho romântico. Os bordões são tão geniais que você vai acabar falando pros amigos. Altamente viciante.

This is why you are fat

This is why you’re fat

Um blog que dá fome. Mostra toda a sorte de guloseimas nojentas, com altíssimo índice de gorduras trans. Divertido, mas perigoso na hora do almoço. E tem muito bacon.

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Um smartphone

Eu sempre fui do time que dizia que celular precisava fazer ligação e só, até ter um. Ter à sua disposição câmera decente, aplicativo, tocador de música, teclado QWERTY e internet 3G muda a vida da pessoa. Não precisa ficar bitolado e checar e-mail toda hora não, que isso é idiotice. Mas garanto que vale a pena ter tudo num aparelho só. E garanto, eu uso tudo.

Paço de Santo André

Santo André

Os paulistanos que me perdoem, até porque sou amante distante da paulicéia (paulicéia perdeu o acento?), mas não há nada como Santo André. O paço com seu teatro em forma de pudim, os calçadões, o caminho até a estação de trem, as travessas arborizadas da Portugal, a Figueiras e seus idiotas de costume, o Black Label com seus motoqueiros, o bar secreto, a padaria… você, paulistano, visite Santo André. Será inesquecível.

Chineses

Deal Extreme

O melhor lugar do mundo pra comprar eletrônicos chineses. O preço é de banana, o frete é gratuito e você pode solicitar que os chineses safados enviem o pacote como ‘gift’, para evitar que ele seja taxado na alfândega. Geralmente, chega em 20 dias.

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Gogol Bordello

Punk-cigano é um gênero musical que não faz sentido pra ninguém até que você ouça Gogol Bordello. Minha mãe gosta, minha vó gosta, meu amigo baterista de banda punk gosta, minha melhor amiga gosta. O Nigel gosta. Não tem ninguém que consiga ficar impassivo diante do que eles fazem.

Posterous

O novo jeito legal de compartilhar as coisas. É só mandar o que você quiser por e-mail para post@posterous.com e o sistema vai lá e atualiza seu blog com o que você mandou. E ele replica automaticamente o conteúdo que você postou onde você quiser – no seu WordPress, Twitter,  YouTube, o que for. Cuidado, é viciante.

P.S.: Obrigada por se compadecerem do meu estado de miséria e comprarem no Submarino. Faltam só 3 reais para eu atingir o valor mínimo para receber, que é de R$50. Vocês são demais.

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Um cartão virtual que você não quer receber nunca. Mesmo

Você tem uma Doença Sexualmente Transmíssivel? Você fez sexo com alguém sem preservativo e omitiu essa informação do seu parceiro? Você agora está arrependido, mas não quer passar pelo constrangimento de revelar sua gonorreia para uma pessoa conhecida?

Se você respondeu sim para as três perguntas, você é muito escroto o governo federal tem a solução para você!

Através do site www.aids.gov.br/muitoprazer, você, portador de DSTs diversas e transmisssor dessas doenças pra todo mundo, poderá enviar postais virtuais ANÔNIMOS para as pessoas a quem você contaminou.

Olha só, que alegria receber um cartão virtual desse (clique na imagem para ampliar):

SURPRESA!

“Não sei se essa é a melhor forma de dizer…” é uma bela frase para começar um cartão assim. Há uma melhor forma de dizer que você transmitiu uma doença pra alguém? Se há, com certeza é esse cartão. Porque o governo federal não está disponibilizando, sei lá, agentes de telemarketing ativos para avisar às pessoas. Nem animadores de festa, nem pintores de faixas de rua. Então acho que essa é sim a melhor maneira, por enquanto.

E o cartão diz “Agora eu digo NÃO às Doenças Sexualmente Transmíssiveis”. Eu acho bem apropriado o uso do “agora” aqui, já que se a pessoa tá mandando o cartão ela realmente só diz não agora, porque antes não dizia. Na hora que precisava dizer “não”, não disse. Fora que não adianta nada dizer não agora, que já pegou. E se você recebe um cartão desse, quer saber se o fulaninho disse não? Pô, você quer saber de nada, você sabe que já tá todo fudido. Pode repetir “não” 30 vezes, a doença não vai se curar sozinha.

Gosto também que o postal não específica a DST. Vai na surpresa né? É bom, um pouco de suspense é sempre legal. Vai lá fazer o exame e descobre né. O que vai ser dessa vez? Herpes? HPV? AIDS? Roooooda a roleta!

E se tiver várias DSTs? O cartão diz “…, mas tenho uma DST”. Daí manda vários cartões? Tô confusa.

Benza Deus, que ideia mirabolante. Parece RickRoll. Será que eles não pensaram que vai virar tipo história do Pedro (aquele do ‘Olha o Looooooooooobo’), porque nego vai usar isso adoiado pra sacanear os amigos, e quando alguém receber e for de verdade não vai levar a sério?

Ah, como eu adoro o Brasil.

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Estamos na era do óbvio. E isso é péssimo

O País de Gales lançou um vídeo muito, muito trash, para desencorajar as pessoas a dirigirem enquanto mandam mensagem de texto. Não assista se for viadinho tiver estômago fraco:

Forte, né? Alguns diriam que é exagerado. Eu não acho – concordo que precisa ser chocante mesmo. Porque né, a pessoa que não perceber SOZINHA que é extremamente perigoso escrever mensagem de texto no celular enquanto dirige realmente só pode ser atingida por algo extremamente gráfico, como é esse vídeo. É óbvio que você não pode dirigir enquanto manda SMS, do mesmo jeito que é perigoso dirigir com os olhos fechados. Aí me sai uma pesquisa assim:

SMS é pior que álcool para motoristas

OH REALLY?

Estamos na era do óbvio, meu caro. É a era em que você precisa deixar tudo ali, na cara, mastigado, pra não ser mal-entendido, interpretado como politicamente incorreto e/ou processado. A era em que as pessoas só entendem as coisas se elas forem literais. E elas nem sabem o que ‘literal’ significa, tanto que usam ‘literalmente’ o tempo todo mesmo que o termo não se encaixe na frase.

No nosso tempo, os desodorantes precisam escrever na embalagem que o uso em outras regiões do corpo que não as axilas é desencorajado. Os eletrônicos precisam vir com uma mensagem dizendo que engolir peças pode ser perigoso. Os materiais de limpeza precisam alertar o consumidor para, por favor, não ingerir água de lavadeira, obrigada. E ai se não tiver escrito e alguém fizer e morrer, porque aí a conta bancária empresa em questão vai ser escalpelada pela família do estúpido morto.

Olha essa parada que eu encontrei no elevador. É uma peça institucional feita pela própria empresa de elevadores:

No elevador...

O documento todo é bem chocante, mas veja bem: precisamos de um papel no elevador para dizer às pessoas que elas falem baixo dentro de uma caixa de alumínio de 4 metros de altura, não comam nem gargalhem lá dentro. Um papel no elevador tentando fazer o que os pais de uma pessoa não conseguiram. Daí fico pensando que se a pessoa não sabe disso, na boa, ela certamente não é o tipo de pessoa que lê papel na parede do elevador. Então pode esquecer. Não funciona.

Logo, o papel serve pra quê? “Só pra não dizer que não avisei”? Pra você não reclamar com algum mal-educado no elevador e ele dizer “onde tá escrito que eu não possso gritar aqui dentro hein?!”, e você apontar o papel?

A era do óbvio é prejudicial em várias instâncias pra nossa sociedade. Primeiro, todo mundo começa a achar que pode alegar que não sabia algo se esse algo não tiver sido explicitamente dito a ela. Entrelinha não vale, subentendimento também não. Precisa ser claro. Nessa, perdem-se um monte de piadas, um monte de não-ditos, um monte de sutilezas.

Mas é o preço que se paga pela burrice. Idiocracy, here we go.

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Aaaaaahhhh, a medicina moderna

Tem uma coisa bonita em ser médico. Altruísta. Assim eu prefiro acreditar, já que até onde eu sei essa história de que médico ganha muito dinheiro, em parte, não é verdade. Sei que eles precisam estudar muito tempo, depois trabalhar como residente de graça por mais outro tempão, e aí ter oito empregos diferentes para então, sim, ganhar dinheiro.

Ou seja: tecnicamente, ninguém hoje mais escolhe cursar medicina se não estiver compromissado não só com a grana, mas com uma vida que exigirá trabalhar duro, enfrentar situações extenuantes mental e fisicamente e ganhar algum dinheiro, provavelmente sem ficar muito rico.

Mas não conheço nenhum médico pobre, então deve existir alguma falha aí na teoria. De qualquer forma, eu tenho reparado nos hábitos dos médicos que frequento e esses hábitos me dão coisas.

Dr. Chapatin jamais permitira algo assim

Vou explicar. Quando você precisa de um médico, geralmente liga no consultório e agenda um horário. Em alguns casos, só consegue agendar esse horário pra dali a um, dois meses. Ok, você tem paciência. Quando chega no consultório atrasado, liga pra avisar. E se não ligar, quando chega lá perde a vez, muitas vezes precisa remarcar a consulta.

Então porque diabos um senhor com um jaleco branco, assessorado por uma moça da recepção, acha que tem direito de te fazer esperar 2 horas sentado em uma cadeira, tendo à disposição para seu lazer somente revistas Caras velhas e catálogos de medicina? É porque ele estudou por dez anos? Porque se for, isso não me parece um bom motivo. Não existe motivo que justifique desrespeito com ninguém, ainda mais com alguém que está pagando por um serviço.

Outra parada que me corrói por dentro é ligar pra marcar horário e no fim a mulher soltar um ‘É por ordem de chegada, viu?’. OI? EU MARQUEI HORÁRIO. É pegadinha? Se ele vai atender primeiro quem chegar primeiro, porque eu preciso marcar?

Daí você tá lá, marcou horário às 11h da manhã, são dez pras uma e você ve o senhor doutor que iria lhe atender se preparando para sair para almoçar. E você lá. Só que antes de sair o cara ainda resolve atender uma merda de um promotor de vendas de indústria farmacêutica, que vai dar a ele várias amostras grátis e vai coagí-lo a receitar a você os remédios da marca daquele laboratório. Ele tem tempo pra atender este senhor antes do almoço dele, mas não tem tempo pra você.

Você, é claro, deve se recolher à sua insignificância de pessoa que não fez 20 anos entre faculdade e residência. Sim, porque parece que todas as outras pessoas do mundo que não são colegas de trabalho do senhor médico não têm absolutamente mais nada pra fazer, a não ser esperá-lo após ler dois anos de Caras, que é semanal.

E sabe o que dói? Se você for embora, DANE-SE, porque o prejudicado vai ser você. Sempre você. Você vai ter que faltar outro dia no trabalho, porque precisa passar no médico de qualquer forma. Você vai ter perdido aquele tempo em nada, pra nada. E você vai ter que aguentar a cara da recepcionista de OK SENHOR PODE IR PORQUE TEM OUTRAS 30 PESSOAS AQUI MESMO E TODO DIA TEM ESSAS 30 PESSOAS E UMA A MENOS NÃO VAI DEIXAR O DOUTOR MENOS POBRE OBRIGADA. Porque as outras 30 pessoas já estão com o cérebro anestesiado, se submetem ao dotô e esperam, esperam, esperam. Nunca vão embora. Pode ser que elas não possam ir, também, por terem algo grave, sei lá. Só sei que se você sair, ninguém vai dar a mínima.

Mas supondo que você aguarde as 3 horas e seja atendido. E vamos considerar que ele te atenda bem, que não é o que acontece sempre. Bom, você sai dali e passa na farmácia, pra comprar os remédios que o doutor passou. Pede um, dois, três. O balconista fala os preços deles e confere, um por um, os descontos dos remédios. E te fala. E você fica WTF. Todo remédio tem desconto, todos eles. E se todos eles têm desconto então nenhum tem. Sacaram? É só jogar o preço pra cima e dizer que existe um desconto que não existe. E no caixa a mulher ainda te diz – ‘você economizou 8,76, senhora’. Vá pra merda. Economizei nada. Você inventam essas coisas, farmacêuticos safados.

Não vou nem mencionar as festas de medicina, japonês no fundo de piscina, uso excessivo de estimulantes para se manter acordado durante plantões e coisas assim, porque tudo que ouvi sobre isso é boato. Mas não se esqueçam, nunca, daquele episódio em que uns estudantes de medicina malucos invadiram um hospital, soltaram fogos de artifício e ofenderam pacientes quando a residência deles acabou. Tipo uma ‘despedida de residente’. Não viu isso?

Embora me pareça óbvio e eu odeio falar o óbvio, vou fazer isso para me blindar dos xingamentos óbvios – é claro que existem pessoas escrotas em todos os segmentos da sociedade. Eu sei que existem médicos bons e médicos ruins, porque médicos são pessoas e existem pessoas boas e pessoas ruins.

Mas que ser médico e fazer essas coisas é mais escroto que a média, aaah, isso é. Parece que o autoritarismo da sociedade sobe a cabeça, né? Todo mundo é tão subserviente a um título de médico que algumas pessoas começam a achar que elas realmente são melhores que os outros.

O curioso é que, dado que o cara é um médico, provavelmente um dos profissionais que mais lida com a morte, é ele quem deveria melhor reconhecer que, no fim, é todo mundo igual.

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Manual Mercado Livre de Redação e Estilo

Você soube do #mercadolivreday no Twitter? Se não soube, tudo bem. Dá uma lida aqui que eu explico. Preciso que você esteja familiarizado com a ideia para filosofar a respeito dessa que foi uma das datas mais emblemática na história da interwebs brasileira, por ajudar a consolidar um fenômeno social bizarro que acomete todos aqueles que passam a fazer parte ativamente da comunidade de vendedores e/ou compradores no Mercado Livre.

Já assistiu o esquete de Monty Python chamado ‘My brain hurts’? Olha aí:

Quando o doutor coloca os apetrechos para operar cérebros, ele fica repentinamente estúpido. Muito burro. E é algo parecido ao que acontece com todo mundo que faz login no Mercado Livre: a pessoa emburrece. Conheci um cara formado em duas faculdades, plenamente articulado, muito inteligente… mas nada disso adiantava quando ele entrava no Mercado Livre. Uma vez lá, seus textos eram todos assim, adequados ao Manual Mercado Livre de Redação e Estilo. Confira alguns exemplos dessa que pode ser considerada uma nova escola literária (clique para ampliar):

ml
As características dessa nova corrente cultural são diversas, e refletem o comportamento e o perfil do brasileiro na internet. Observe: simpático e conciliador, o usuário do Mercado Livre sempre se dirige a qualquer outra pessoa usando o substantivo AMIGO, que acaba se tornando pronome de tratamento e transformando o ML numa rede social, tamanha a quantidade de amigos que a gente tem mesmo sem querer. Repare que você chama de AMIGO até o cara que tá xingando, de tão instituída que tá a coisa.

O estilo também reflete o entusiasmo e alegria do brasileiro. Escrever em caixa alta, sem vírgulas, conota uma gritaria sem fim e sem pausas, como a gente ouve por aí em todo bom cortiço nas capitais. Bonito.

Não dá pra esquecer dos erros ortográficos. Mas isso só confirma nossas altas taxas de analfabetismo, mesmo. Por fim, observe o OBRIGADO e o ABS sempre presentes no fim das frases. Eles também mostram o quando a gente é boa praça.

(ABS significa ABRAÇOS. Eu nunca entendi exatamente porque, já que ABRAÇOS deveria ser algo como ABÇS, no mínimo. ABS parece que você tá desejando ABRASSOS. Fora que ninguém dá abraços quando se despede, geralmente é um só, já que vários seriam interpretados de uma maneira socialmente mal-vista. Enfim)

O bagulho é instantâneo, eu fiz o teste. Uma vez lá dentro, fica impossível redigir qualquer coisa fazendo uso de vírgula. Eu não entendo porque, acho que tem a ver com a gente mimetizar o comportamente de terceiros. Ou o ML deve penalizar quem não escreve assim.

A única coisa que posso dizer a respeito é que esse não é o único lugar da internet em que as pessoas se comportam linguisticamente de forma bizarra. Inclusive, existe um site que supera o ML. Quem sabe um dia o site de leilões não supere o Yahoo!Respostas?

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Aliás, demorou pra rolar o #Yahoo!RespostasDay.

pergunta

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CINE, a nova sensação do rock nacional (?) ajuda a explicar o comportamento humano

Você já ouviu/ouviu o clipe de GAROTA RADICAL, o single de estreia do CINE? Tira dois minutos aí:

Acalme-se.

A palavra ‘radical’ pode assumir vários significados, dependendo do contexto em que é inserida. Pode ser adjetivo para designar alguém ou algo considerado extremista. No termo ‘radicais livres’, ‘radical’ é uma marca de expressão da pele. Associado a um esporte, ‘radical’ significa que aquele esporte é muito perigoso.

Nesse clipe, não tem nenhum homem bomba, ninguém fazendo rapel e nenhuma idosa usando creme da Avon. Isso significa que ‘radical’ aí é usado como uma gíria, sinônimo de MUITO IRADO. Você conhece alguém que use a gíria ‘radical’ e não faça parte de um desenho animado ou tenha mais de 4 anos?

Nem eu.

Ok, o Cine é a nova sensação do rock nacional (?). Foram contratados pela Universal recentemente, estão aí com esse clipe maravilhoso que graças a deus a gente tem aí essa conexão maravilhosa pra dar pra gente. Têm seu merito ao ser a primeira banda emo a misturar sintetizador e aproveitar a onda fashion da new rave, tudo junto – quer dizer, não sei se eles têm o mérito disso ou quem tem é algum marketeiro muito esperto, mas enfim.

Mas tem um ou dois problemas com eles, não sei se você notou. Como bem observou o @ibere:

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Esse é um deles, e legal que se aplica tanto ao Cine quanto a qualquer grupo que toca em trio elétrico na Bahia, e mesmo a alguns grupos de pagode. O segundo é que, aparentemente, as meninas ficam malucas por eles. As fãs são 90% mulheres e gays. Elas acham todos lindos e sedutores, mas observe bem a cara desses meninos. O vocalista é MUITO FEIO (pros padrões de beleza clássica ok). E não que ele fique bonito nessas roupas ou com esse cabelo lambido, mas por algum motivo isso parece ofuscar a feiúra dele aos olhos das fãs, porque elas amam o menino. E ele é horrível, tadinho. Apesar dos outros meninos da banda serem mais bonitos.

Por isso, acho que o Cine é a comprovação de algumas teorias que rondam o mundo da música desde sempre, relativas ao comportamento humano, e que Darwin esqueceu de mencionar em seus estudos. São elas:

1. Não importa o quão asqueroso você for. Se a sua música agradar alguém, e você estiver em cima de um palco executando-a, você repentinamente se torna o macho alfa mais apto e recomendado para a reprodução aos olhos daqueles a quem sua música agrada.

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O Eugene que o diga.

1.1. Sendo assim, a maioria das pessoas faz bandas para aumentar suas chances de se reproduzir e passar seus genes adiante.

2. O objetivo de um grupo musical deve ser, sempre, agradar às fêmeas da comunidade. Porque no caso de as fêmeas se interessarem pelo grupo, mesmo que o macho não se interesse, repentinamente ele vai começar a mimetizar o comportamento do macho alfa, que é o cara em cima do palco, e isso inclui ouvir aquela música, gostar dela, se vestir como aquele cara e inclusive tocar músicas parecidas.

2.1. sendo assim, a maioria das bandas do mundo foi feita para agradar mulheres.

Obrigada, Cine, por contribuir na comprovação de duas teorias sociais que eu considerava há anos. Só tem algo sobre vocês que eu não consegui explicar, porque não faz sentido, nem do ponto de vista instintivo – a música de vocês é muito ruim. Por deus. NX Zero é chato, mas vocês superam com esse sintetizador distorcendo a voz do IÔ-Ô. Como é possível que as meninas em idade reprodutiva, dos 13 aos 17, gostem tanto de vocês? A única explicação é que o gosto delas seja péssimo, mas não vou considerar isso porque gosto de fugir do óbvio.

Talvez seja algo tipo perfume de ferormônios.

*Editado: maluquinho do Cine respondeu nos comentários, foi fino e profissional. Check it out. Só lembrando que não gostar do som não significa não respeitar.

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Sobre o destino e cocô de pombo

Você acredita em destino? Acredita que o universo arranja as coisas para que você esteja na hora certa, no lugar certo para que as coisas aconteçam (ou não) com você?

Se você assiste Lost, pode ser que seja um believer. Uma pessoa que, como eu, acredita que os planetas podem se alinhar e coisas estranhas podem acontecer, e que nenhuma delas é por acaso.

Vamos ser estatisticamente diretos. Quais as chances de um cocô de pomba cair na sua cabeça? Por sua, entenda a minha. Minha cabeça.

pombo

Elas devem ser altas se você estiver, por exemplo, embaixo de uma marquise em que as pombas costumam pousar. Mas caem se você estiver embaixo de um lugar coberto. Caem mais se você estiver caminhando. Mais ainda, suponho, se estiver a três ou quatro passos da porta do trem que vai pegar.

Embora eu estivesse em condições em que, aparentemente, as chances de que uma pomba cagasse na minha cabeça fossem mínimas, eu demonstrei que sou uma garota de sorte. No breve espaço de tempo (e de plataforma) que me separava da porta aberta do trem, senti algo batendo na cabeça.

Andar na cidade e ter que lidar com o ‘algo batendo na cabeça’, como você que anda na cidade sabe, é um momento crítico. O momento entre sentir o pingo, se dar conta dele e criar coragem para levar a mão até o cabelo e olhar parece uma eternidade, especialmente porque você sabe que elas (as pombas) estão por todos os lugares, cagando sobre você quando podem. Naquele momento, porém, não tive medo. Frações de segundo antes do tiro, minha melhor amiga @gabrielahesz alertou (não a tempo, mas alertou): “Cuidado! Um pingo!”

Pois bem. Era um pingo. Se era um pingo, eu não precisava me preocupar – bastava entrar no trem, encontrar um lugar, sentar-me e então ver se tinha molhado meu cabelo ou coisa assim. Mas quando o fiz, eis que tive uma desagradável e inesperada surpresa.

Fez coco

Não era um pingo comum. Quando olhei minha mão, ela estava – desculpe ser tão descritiva – suja com um negócio verde que claramente não era um pingo, a não ser que água fosse verde, o que eu sei que não é, perspicaz que sou.

Meu caro amigo, é com tristeza que lhe digo que o momento em que você se dá conta que se fudeu é desses únicos. Mas eu sou prática, sou alegre, tenho desenvoltura. Enquanto minha amiga @gabrielahesz chorava de rir da minha situação deprimente, eu sugeri que ela pegasse a toalha na minha bolsa (VIU PORQUE A GENTE SEMPRE PRECISA DE UMA TOALHA NA BOLSA MEU DEUS) e tentasse me ajudar a limpar… a merda.

Não vou nem mencionar a sorte de estar acompanhada, e mais, por alguém que me limpasse sem reclamar, exigindo em troca apenas a chance de rir descontroladamente da minha cara. Terminado o asseio, @gabrielahesz me informou que a situação estava sob controle. Eu havia tomado apenas um tiro de raspão, e a toalha tinha feito um bom trabalho. Naquele momento, meu cabelo parecia apenas ensebado.

Já tendo enfrentado o pior, antes de respirar aliviada, sugeri – até agora não sei se por sorte ou não – que a prestativa @gabrielahesz desse uma olhada no lado esquerdo da minha blusa, já que a toca poderia estar tampando algum respingo maroto ou algo assim. Me inclinei e, certa de que estaria tudo bem, soltei a respiração. Até que ouvi o grito de @gabrielahesz, que disse algo mais ou menos assim, antes de cair em prantos provocados por uma alegria descontrolada – AH MEU DEUS TEM MUITA MERDA

Eu visualizei uma piscina de cocô de pombo dentro da toquinha da minha blusa. @gabrielahesz não se controlava, e a enquanto tentava em vão usar a toalhinha para minimizar o dano, murmurava desesperada AH MEU DEUS NÃO TÁ SAINDO, TEM MUITA MERDA AQUI, enquanto eu procurava me manter calma.

Esqueci de mencionar que o vagão estava cheio.

Mas isso, no fim, não foi algo ruim. Uma senhora na nossa frente se solidarizou e forneceu lencinhos umedecidos, que por hora tiraram ao menos o que era visível da minha cabeça. Outra moça deu um saquinho plástico pra jogar a toalhinha inutilizada.

Eu cheguei em casa e tomei um banho. A @gabrielahesz ficou dizendo que era sorte, mas eu não vi sorte nenhuma – desde então, só tive stress e dor de cabeça. Até já achei a causa – deve ser criptococose, doença causada por um fungo no cocô de pombo e que dá dor de cabeça crônica. O nome é apropriado.

Aprendi várias coisas nesse dia. A primeira delas é que você nunca está a salvo de merda de pombo, mesmo se estiver andando dentro de uma estação de trem coberta. A segunda é que cocô de pombo não fede. A terceira, não menos importante, é que as pessoas podem ser solidárias ainda nesses dias frios e individualistas. A quarta é que quando algo é pra acontecer, acontece – eu estava voltando de uma confraternização com meu grande parceiro de olhos claros, o Alex, do Move That Jukebox!, carioca que passava por São Paulo, e seu truta Marçal Righi. Tinha marcado com eles às 14h, eles chegaram às 17h. Se Alex tivesse chegado no horário, aquela pomba jamais teria cagado na minha cabeça e eu não teria um post pra hoje. EVERYTHING HAPPENS FOR A REASON

mtj
Eu, Alex (@movethatjukebox) me segurando pelo braço numa tentativa vã de me atrasar para o tiro do pombo, Marçal (@marcall), Gabi (@gabrielahesz), Zorzo (sem Twitter) e Kelly, suja única coisa que sei sobre é o nome

Mas o mais importante: aprendi que, quando você resolve tatuar na nuca algo que é muito parecido com um alvo, deve aguentar as consequências.

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A verdade sobre as cerejas em calda

Eu não sei como contar isso pra você sem provocar reações imprevisíveis, por isso, vou começar devagar. Não leia se você for gestante, cardíaco e essas coisas.

(Imagine uma musiquinha relaxante bem cafona tocando de fundo. OU MELHOR: DÁ O PLAY! HEH)

Num tempo bem longínquo, quando Deus criou todas as coisas, ele resolveu colocar na natureza uma frutinha simpática e muito saborosa chamada cereja.

cerejas

De textura macia e sabor ácido e adocicado, além de um único carocinho em seu miolo, a cereja alimentou viajantes incautos e camponeses famintos por milhões de anos. Deus achou interessante também colocar um cabinho na cereja. Assim, ficaria fácil comer a frutinha e se livrar do carocinho incoveniente.

Milhões de anos depois, o ser humano dominou as ténicas de cultivo da cereja e de sua árvore, a cerejeira. Mesmo assim, como se trata de uma fruta de origem asiática, e nosso país tem um clima muuuuito diferente do da Ásia, é meio caro comprar cereja por aqui.

O homem, com o passar dos anos e a revolução industrial, encontrou maneiras mais fáceis de se alimentar. Maneiras que não exigiam que ele plantasse uma cerejeira ou caçasse um boi. Ele podia ter todas essas coisas mesmo sem cultivá-las ou matá-las. Ele podia pagar para que fizessem isso pra ele. Além disso, o homem inventou as frutas em calda e desidratadas, o que trouxe a natureza para dentro do nosso lar de maneira inexplicável.

Doces sabor cereja são muito comuns no nosso país. As docerias estão repletas deles. Mas você, que num ou em outro Natal já provou cerejas in natura, sabe que o sabor delas difere diametralmente do sabor artificial dos doces sabor cereja que provamos todos os dias. Difere inclusive do sabor da famosa cereja em calda, que é facilmente encontrada em bolos e guloseimas nas padarias do país.

A química avançou de modo incrível, e os bons flavorizantes artificiais simulam com perfeição o aroma e o sabor de alimentos naturais. Mas a cereja… a cereja continua diferente.

É quase… é quase outra coisa.

(AGORA VOLTA LÁ NO COMEÇO E PARA A MÚSICA)

É outra coisa. Cereja em calda, meu amigo… CEREJA EM CALDA É CHUCHU!

chuchu

Dramatic Chipmunk animated gift

Isso mesmo. A maioria das cerejas em calda encontradas em supermercados é feita de chuchu, um legume que supostamente absorve a cor e o sabor de qualquer coisa. Sei que é difícil de acreditar, mas basta uma olhada mais atenta nas letras miúdas da embalagem para comprovar. O Google tem informações imprecisas a respeito, mas você encontra rumores aqui, aqui e aqui. E esse post esclarece toda a verdade.

Eu clamo pela sua compreensão. Isso não é teoria da conspiração. Não é um boicote à indústria de chuchus. Ou à indústria de cerejas em calda. Minha única função aqui é propagar a verdade.

Eu sei que é difícil, mas chega uma hora da vida que você precisa saber que o logo do Carrefour não é um etzinho e que a Mama Bruschetta não é exatamente uma senhora. E com essa hora, chegam outras revelações – uma delas é que cereja em calda é chuchu.

Isso só prova o quanto vivemos num mundo de aparências, o quanto somos apegados a paradigmas. Se a cereja em calda é feita de chuchu, do que será feito o frango que comemos todos os dias? O bife? O leite?

Fique atento. Não leve especialidade láctea por requeijão. A vida tem desses truques, mas agora você estará preparado.

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Quem tem medo da Gripe Suína?

Agora todo mundo tem medo desse negócio. Me dá coisas quando ando na rua e vejo gente de máscara. Acho que dá um certo glamour pro país, sabe? Porque a gente é atrasado até na chegada das epidemias. Tava o mundo desenvolvido inteiro já na vibe das máscaras antigripe. Europa, EUA, todo mundo. Por aqui só chegou agora, como sempre.

mascara

Não basta estar protegido, você tem que fazer isso com estilo

Quando vejo pessoas de máscara na rua alguns pensamentos intrigantes me acometem. A saber:

1) Será que ele sabe que a máscara não previne que o indivíduo contraia o vírus, só diminui a chance de transmití-lo caso ele esteja com sintomas da doença?

1.1) Se sabe, então há suspeitas de que ele esteja infectado? Devo correr?

1.2) Se não sabe, eu deveria avisá-lo para poupá-lo do constrangimento que essa postura patética está causando ao redor?

A questão é que eu não consigo entender tanto alarde por causa da doença. Quer dizer, consigo – é que os jornais tratam como se fôssemos todos morrer de dor de garganta e febre alta. As manchetes da semana passada diziam “Morrem mais dois infectados pela gripe suína. Vírus já está a solta no país”. Oi? “A solta”? É tipo “Prendam este vírus!”

A Gripe Suína é só uma variação um pouco mais letal da gripe comum. Pode afetar gravemente gente com problemas respiratórios, idosos e crianças. Mas é só isso. Tem tratamento, o índice de mortalidade é menor de 10% e é capaz que alguns de nós já tenhamos pego a gripe nos curado dela achando que era a comum.

Se pegar, pegou. O tratamento é IDÊNTICO ao da outra gripe, àquela que todo mundo já teve. Repouso, remédio que alivia os sintomas e só. Ou seja, não tem nenhum motivo pra sofrer por antecipação. Se tiver que pegar, vai pegar. Daí vai no médico e trata. Máscara não vai te proteger. Não há nada que possamos fazer pra evitar o contágio.

AAAHH, sim. Há sim, segundo infectologistas. Primeiros, as mãos. Você precisa lavá-las muito, sempre, evitar contato com as mucosas. Até aí ok. Mas gosto mais da segunda principal recomendação – evite multidões. Gente aglomerada. Lugares fechados.

Como é que você evita multidões no esse mundo onde tem gente saindo pela culatra? E como é, EM NOME DE DEUS, que você evita lugares fechados? Só sendo morador de rua pra ficar livre da Gripe A, portanto?

cracolandia

Já consigo ver os hipocondríacos se mudando pra Cracolândia

Po, segundo essa lógica todo mundo se isola em casa. Pra evitar multidões eu não posso sair do meu quarto, porque na minha casa moram cinco, e se a gente se enfiar, digamos, no quarto do meu irmão, já vira uma multidão relativa. Não posso ir trabalhar, porque o trem pode se caracterizar como multidão confinada em lugar fechado. Não posso ficar dentro da empresa, é tudo fechado lá e tem um monte de gente.

Ou seja, é aquilo que eu disse: você não pode correr. Esse negócio passa pelo ar, máscaras não o intimidam, as dicas pra não pegar são impraticáveis e se você tiver que pegar, vai pegar. Depois disso, você se descabela. Não dê ouvidos às manchetes que dizem que o vírus já corre solto do Oiapoque ao Chuí. 70.000 pessoas morreram de gripe comum no Brasil no ano passado e eu não vi ninguém usando máscara e mandando prender vírus.

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