OEsquema

Arquivo: Celebridades

Sexy Dolls, as Pussycat Dolls do hemisfério sul

O grupo é formado por Julia Paes (?), Sabrina Boing-Boing (??) e Carol Miranda (???).

A primeira é ex-namorada da filha da Gretchen. A segunda eu não sei. A terceira é a que fez filme pornô e ainda é virgem. E eu não acho que explicar isso tornou as coisas melhores.

De qualquer forma, não tenho muito a dizer. Em horas como essas, é importante agir rápido. Por isso, seguem abaixo algumas recomendações aos leitores que, como eu, clicaram no play:

1. Construa um abrigo nuclear. O porão de casas antigas serve perfeitamente para esse propósito.

2. Armazene mantimentos. Prefira alimentos não perecíveis e enlatados, para o caso de uma queda repentina de energia elétrica provocada pelos abalos sísmicos.

3. Entre em contato com as pessoas próximas – amigos e parentes – e procure manter todos juntos. Em horas difíceis como essa, o contato e a lembrança de pessoas queridas podem ser um combustível a mais na luta pela sobrevivência.

4. Protetores auriculares e máscaras para dormir – como essas – podem ser de grande valia para parentes e familiares que ainda não viram o videoclipe. Lembre-se: máscara contra Gripe Suína já era. O importante é proteger os ouvidos contra essa nova ameaça.

5. Se tudo falhar, corra o mais rápido que puder por sua vida. Procure a colina mais alta e fique por lá, orando para que a Gripe Suína ou outra epidemia acabem com ameaças como essa.

O Apocalipse se aproxima, mas teremos mais chances de sobreviver se permanecermos unidos.

Que deus nos ajude.

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Menina Maisa e seus medos improváveis

Esse é o famigerado vídeo da Maísa, a menina louca anã do SBT, chorando e berrando de medo no palco do Sílvio, enquando ele gargalha de prazer do espanto da menina.

O que fez Maísa surtar? Não digo, pra te obrigar a assistir. Afinal, é difícil imaginar algo que deixa a menina maluca apavorada. Ela é um adulto de Q.I. 180 aprisionado no corpo de uma criança de 8 anos, como todos sabemos. Daí, por lógica, não dá pra pensar em nada que fizesse a Menina Maísa e toda sua desenvoltura infantil saírem gritando de medo do palco do programa do Sílvio Santos.

Pois bem. O que assustou Maísa foi uma criança mais ou menos da mesma idade dela maquiada como um monstro. Era uma maquiagem bem mal-feita, nada que a astuta menina Maísa pudesse confundir com um monstro de verdade. Ela explica isso no fim do programa, segundo fontes: quando volta, diz que ‘tem medo de maquiagem’.

A menina Maísa é tão bizarramente desenvolta que todo mundo – até o Sílvio – pareceu esquecer que ela não passa de uma criança, que pode sair berrando diante de uma outra criança maquiada como monstro.

Não consigo suportar a imagem mental desta criança surtada numa Noite do Terror do Playcenter. Berrando assim, ela se tornaria ela mesma uma atração. De qualquer forma, esse episódio foi fundamental na vida dos fãs e detratores da menina anã-robô-miniatura, pra lembrar a gente que ela não é nada disso – é só uma menininha de 8 anos, mesmo, que pode ter medo de coisas irracionais como qualquer criança de oito anos.

Maisa faz com classe e elegância coisas que muita gente não conseguiria sem molhar as calças: apresenta programa de TV, segura piada ao vivo, tira com a cara de Sílvio Santos, versa com eloquência sobre as notícias da semana e os fatos marcantes como se falasse do último lançamento da Barbie. Mas caga de medo de gente maquiada.

Ok que ela não era normal de qualquer forma, mas eu já vi criança com medo de palhaço, medo de papai-noel e até medo de gente com barba, mas aos 8 anos ter medo de maquiagem não é exatamente algo dentro dos padrões de normalidade.

E o Sílvio, que parecia só um cara excêntrico, é um vilão horrível sem coração. Se fosse minha filha, eu entrava no palco socando o véio.

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Uma geração de malucos (MALUCOS!)

Em 1969, o mestre Chico Anísio já fazia ’stand-up comedy’ de maneira genial, surpreendentemente atual. É por causa de caras como ele que a gente percebe que humor pode ser atemporal – se o cara é muito bom, ele não precisa fazer piada sazonal, que o humor não é algo ‘de época’. Caras como ele ou como o Monty Python provam que há quase 50 anos atrás faziam humor que não perdeu a graça com o tempo.

Mas beleza, que o vídeo não é pra falar disso. É que no fim dele o Chico faz uma piada sobre crianças neuróticas. Qual a cor do chapéu da mulher que passa atrás dele nessa hora? [/topatudopordinheiro]

Brinks. Continuando com a prosa, ele diz que esse negócio de criança neurótica é um absurdo, isso não existe, que inclusive ele discutiu isso com o filho dele naquele dia depois do menino voltar do psiquiatra. RÁ! E eu tava me perguntando – esse negócio da nossa geração ser toda louca, será que é de agora ou sempre foi assim?

Por ‘nossa geração’, entenda fim dos anos 80 – começo dos anos 90. E por ‘toda louca’, entenda todos os problemas psiquiátricos que a gente enfrenta. É, porque eu por exemplo seu esquisita pra cacete. E só tenho amigo doido. Todos meus amigos tem algum problema bizarro, daqueles que Freud explica ou que são originados por trauma na infância.

É o tipo de coisa que minha vó diria que é falta de apanhar. Acho que a gente foi criado muito a leite com pêra e ovolmaltino, sabe? Hoje criança pode tudo, criança dá palpite, criança manda na casa, criança consome – criança pode ser até o principal vetor de consumo de uma família. A publicidade explora isso, claro, e acho que isso faz mal pra nossa cabeça.

Minhas suspeitas começaram quando minha mãe contou pela primeira vez a história de que, aos 3 anos, eu pedi a ela que me comprasse Tampax. Sim, Tampax, o famoso absorvente interno. Minha mãe, intrigada, perguntou por que motivo eu, uma garotinha de três anos, cobiçava um absorvente higiênico interno. Segundo ela mesma, eu relatei que queria um Tampax porque gostaria de comê-lo.

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Mas eu queria o light

Minha mesma mãe conta outra história curiosa relacionada a maneira como as crianças absorvem (sem trocadilhos) esse tipo de estímulo. Minha mãe tinha uma máquina de lavar, mas não era assim… bem, não era muito boa. Quer dizer, vai ver era; mas na minha cabeça, não era. Porque ela ficava lá lavando roupa e não tinha tempo pra brincar comigo. Daí, eu comecei a trabalhar.

Eu tinha 4 anos, e trabalhar consistia em andar em círculos no quintal com minha bicicletinha, claro, com uma maleta debaixo do braço (meu pai saía pra trabalhar de moto com uma mala). A partir daí, já com o trabalho me tornando mais digna, me senti no direito de me queixar para minha mãe sobre a falta de tempo dela para brincar comigo. Ela me explicou docemente que precisava lavar a roupa. Mas eu tinha uma solução para aquele transtorno, causado claramente pela baixa qualidade da máquina de lavar, e lhe disse: Mãe, vou trabalhar, trabalhar e trabalhar, e comprar uma Brastemp pra você.

Daí eu trabalhei, e ok. Até hoje não sei se fiquei esquisita por causa dos estímulos da publicidade ou por ter sido precocemente envolvida com trabalho infantil. Mas o negócio é que a gente é tudo doido, as crianças de hoje tão todas malucas, e eu queria muito saber porque. Pode ter a ver com a publicidade, com a inversão de valores gerada pelo capitalismo, com o mundo que tá maluco, até com a gripe suína pode ter a ver.

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Ok, não tem a ver com gripe suína. Mas a situação tá complicada, e quando eu analiso os meus problemas e os dos meus amigos, eu encontro só um motivo – nossos pais.

Quer dizer: eu não sei o que os pais fizeram todos de uma vez pra coisa ficar assim. A gente pára pra pensar e todos os pais dos meus amigos doidos, e os meus pais, são ótimos pais (ok que isso depende da comparação que você faz e a gente tem Alexandre Nardoni aí pra manter os padrões lá embaixo). Pisam na bola daqui e dali, mas nada drástico. Mas parece que uma coisinha, um errinho na nossa infância, uma cobrança a mais ou a menos, uma demonstração de desapontamento, essas coisas viram uma bola de neve. E quando você vê, tá escrevendo um blog tá indo no psiquiatra.

E eu não vou cantar Legião Urbana agora, mas descobri também que, além das nossas neuras todas serem plenamente explicáveis por analogias Freudianas relacionadas a maneira como enxergamos nossos progenitores, o único jeito de ficar bem é descomplicar as coisas.

É uma mistura de Carpe Diem com Don’t worry, be happy, Hakuna Matata e A Festa, a última de Ivete Sangalo, tudo com muito suíngue e descontração, mas sem os clichês. Essa deve ser a vida. Ela precisa ser leve, e você precisa rir dela sempre – igual ao Chico Anísio lá no começo -, porque ela ri de você o tempo todo. Precisa ser despretensiosa, porque precisa ser surpreendente sempre. Você precisa olhar pras coisas com mais compaixão, mais magnânimidade, mais bom-humor e um pouquinho mais de paciência. Também ajuda só fazer pros outros o que você gostaria que fizessem com você. Daí, é só esperar as coisas acontecerem, porque parece que a fórmula funciona.

Funciona naquelas. Tipo, descobri que diante das pessoas MUITO NORMAIS – o gado – mesmo depois do deploy da sua maluquice (ou seja, o relaxamento que vai levar a uma maluquice beleza, por assim dizer) você vai continuar parecendo louco. Eu, por exemplo, por mais normal que pareça no geral, reconheço uma pessoa normal demais pelo jeito que ela me olha, como se observasse um animal esquisito. Isso é curioso. Mas só deixa a coisa toda mais engraçada e mais fácil de suportar.

Outra coisa que ajuda é observar as pessoas e entender exatamente o que parece normal pra elas, e replicar isso. Daí você parece normal pra elas, mas só esse seu comportamento te torna mais louco ainda. E se você por acaso ainda achar graça nesse disfarce, puta merda, você é dos meus.

Ah, e uma dica pras gerações vindouras: você, que nasceu no fim dos anos 90 – a profissão do futuro não é engenheiro ambiental, infectologista, ufólogo. É psiquiatra, amigão. O mundo está cada vez mais cheio de gente doida, e elas têm dinheiro. Se for pra ser doido, que seja rico, porque aí te consideram excêntrico.

*Esse post foi perdido devido a um problema no servidor. Os comentários dele se foram (inclusive, pela segunda vez). Peço perdão aos que comentaram – eu tenho os comentários guardados no meu e-mail. Se vocês se sentirem a vontade pra isso, re-comentem (alguns pela terceira vez). O post foi publicado novamente.

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Quando a vida imita a arte e se transforma nela

Quando eu assisti Show de Truman, eu ainda tava naquela fase em que a gente achava que o Jim Carrey só servia pra fazer personagem babaca. Não que eu tenha saído dessa fase, mas depois ele fez Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças, caiu no gosto dos descolados e agora todo mundo gosta dele. Mas naquela época não havia perspectiva de que ele fizesse algo legal, então você já ia pro filme com algum preconceito, esperando caretas e piadas escatológicas.

E o filme – que todo mundo já viu na Tela Quente, acredito – acaba por ser bom. Tem uma crítica maluca à era dos reality shows, uma maluquice de Mito da Caverna (tudo tem mito da caverna nesse mundo de deus), um pouco de humor ácido, a previsão de um futuro absurdo e voyeurístico com uma pitada de Orwell, um final que muitos acham muito bom e outros acham insatisfatório… e deixa aquele gosto de paranóia na boca, algo como ‘mas… será que isso não poderia de fato acontecer?’

A pergunta está finalmente respondida.

Nadya Suleman

Mãe americana de óctuplos diz que fará série documental

Ela tinha seis filhos. Engravidou de mais 8. Não satisfeita em contribuir com 20% da explosão demográfica registrada no planeta nos últimos 8 meses, a mãe doida com barriga horrível de 20 mil crianças vai, aparentemente, negociar a filmagem de um reality show com seus 8 filhinhos. As câmeras vão acompanhar o crescimento dos seis meninos e duas meninas até eles completarem 18 anos.

[pausa] (Breve reflexão: só eu acho que Mãe de Óctuplos parece Mãe de Octóplus, em que Octóplus é como se fosse o vilão do Homem-Aranha? Ou do 007?)

octopus

[/pausa]

Eu não quero nem imaginar o que vai acontecer com essas crianças. Se elas ficarem iguais à Maísa, estamos todos no lucro, porque as possibilidades de tragédias maiores são inúmeras se o negócio acontecer mesmo. Simpsons já previu a situação e não foi nada agradável para Apu e Manjula.

A questão é que… não deveríamos estar chocados com esta “superexposição”, esta “absurda e já profetizada orwellização da sociedade”, essa “irresponsável exploração monetizada de crianças sem capacidade de decidirem por si mesmas”. Não, não podemos nos chocar.

Afinal, caso vocês não tenha notado, estamos na era do Show de Truman. Apesar dos reality shows não serem mais exatamente uma novidade, a ferramenta de mídia social que é alardeada como o divisor de águas da disseminação da informação pela rede consiste nada mais nada menos do que um reality show bizarro de centenas de pessoas, ao mesmo tempo, ao vivo.

Bem vindo ao Twitter.

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Susan Boyle e o segredo para a felicidade

Vou fingir que ninguém passou a tarde inteira falando da Susan Boyle na terça e postar o vídeo aqui.

Basicamente é o seguinte: chegou uma tiazinha lá no programa (tipo um American Idol do UK), bem esquisitinha, dizendo que queria ser cantora profissional e famosa igual a Elaine Paige. Contou que ela costumava ser humilhada na escola porque tinha problemas de aprendizado, mas que sempre quis cantar e que a mãe encorajava. Depois que a mãe morreu, resolveu ir atrás do sonho.

Daí, um corpo de jurados profissional e uma platéia composta por centenas de pessoas não teve pudores e riu dessas ambições na cara dela.

Acontece, a gente faz isso o tempo todo – às vezes com um pouco mais de discrição, de educação, enfim – mas fazemos. E aí a tia abre a boca e destrói a todos com um mega master boga ultra PWNED. Para os não nerds, isso significa que ela acabou com eles.

Não tem nada dessa de ‘Oh, que emocionante, preciso conter as lágrimas’ (coisa que o Ivan criticou aqui). Quer dizer, eu me arrepiei quando ouvi, mais pela cena incrível da mulher quebrando as pernas de centenas de babacas, e por outro motivo. Devo confessar uma coisa: eu me identifiquei com a Susan.

Primeiro, porque mesmo sabendo que olhando pra ela ninguém dá nada, ela subiu lá e se expôs. E ainda riu junto com quem ria dela. Ok. Em segundo, porque em nenhum momento ela se mostrou arrogante ou propotente – havia uma segurança na maneira como dizia que iria cantar, alguma firmeza. Mas nada além disso. Porque ela sabia que quando abrisse a boca não precisaria ser arrogante ou prepotente.

Susan aprendeu a ser low-profile sobre si mesma porque assim a vida a ensinou. Embora existam livros que versem sobre a importância do marketing pessoal, eu aprendi com as crueldades de menininhas desde a pré-escola (Na sexta série, no dia do meu aniversário, minhas amiguinhas me deram um vidrinho escrito ‘semancol’. Juro, elas escreveram) que o melhor jeito de sair por cima quando ninguém acredita que você pode fazer algo é fingir que está tudo bem e que de fato você é tão idiota quanto aquelas pessoas acham que você é.

O único jeito que encontrei de sair de situações opressoras de bullying na escola foi fingir que meus opressores eram realmente espertos como eles achavam que eram e que eu era a burra da situação. Se era isso que os fazia feliz, não me importava. Fingia que não entendia as piadas comigo, e assim fui aperfeiçoando minha empatia e capacidade de reconhecer o caráter da pessoa só pela maneira dela de te olhar ou se dirigir a você.

Além de ser útil para fazer uma triagem das pessoas que se aproximam (quem se acha melhor não chega perto, o que é bom; quem se aproxima vê além daquilo, o que já é bom), abaixa as expectativas das pessoas em relação às suas qualidades. E quando você vai lá e mostra que sabe do que está falando, bem, elas ficam bem mais surpresas do que ficariam se você tivesse vendido o peixe.

Ok que isso não funciona em 100% das ocasiões na vida. Não dá pra chegar numa entrevista de emprego e ser um peixe-morto e tal. Precisa ter um equilíbrio, uma segurança de si sem ser show-off.

Mas essa técnica de fazer com que as pessoas abaixem as expectativas delas em relação a você pode ser aplicada a todas as coisas – no sentido de que se você diminuir suas expectativas em relação às coisas, tem muita mais chances de estar sempre satisfeito com elas.

Não tô dizendo que todo mundo precisa ser horrivelmente pessimista. Mas empolgação demais pode ser um problema. Além disso, quando se trata de esperar demais de pessoas, as chances de decepção são sempre altas.

É meio trágico, mas vivo com a seguinte máxima: se alguém te decepciona, a culpa é sua, que esperou demais daquela pessoa. Simples assim. Reduzir as expectativas (suas em relação às coisas, e dos outros em relação a você) é basicamente o segredo para a felicidade e para o saudável e bom convívio social.

Susan com certeza aprendeu isso a duras penas. Mas acho que não pôde haver recompensa maior do que a cara de ‘Eu estava muito errado, bem feito para mim’ daquelas centenas de pessoas.

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Você gosta mais de assistir show de rock ou de batata*?

Por quê você vai a um show de rock?

roque
Pra ver o Seu Sílvio

A resposta a uma pergunta dessa deveria ser óbvia. Mas não é mais. Não sei exatamente quando deixou de ser. Eu notei da primeira vez num show do The Rakes, em São Paulo; antes disso, era ingênua (ou burra) demais pra perceber que as pessoas vão a esses lugares para se exibir e falar sobre sua temporada em Londres (e a vida imita a arte que imita a vida). Depois, no Tim Festival (o de 2007) percebi uma movimentação semelhante – até comentei aqui.

Mas eu notei de novo, no show do Radiohead nesse domingo. Só que dessa vez – não sei se feliz ou infelizmente – não se trata (só) da galera cool fashionista de São Paulo batendo cartão num show só pra dizer que esteve lá e bater papo com gente influente. No Just a Fest, o que caracterizou mais a dissolução do conceito ‘vim assistir a um show de uma banda de rock’, infeliz e paradoxalmente, foi a popularização da tecnologia.

Nunca vi tanta gente preocupada em contar pros outros o que estava vendo. O legal agora não é ver o show, é mostrar pra todo mundo que você viu o show e que estava lá. Não tem muita coisa errada com isso, se não fosse o fato de que as pessoas ficam tão preocupadas em registrar o show pros outros que não assistem o show em si.

Dessa vez, não foram só aqueles babacas que ficam 2 horas e 20 minutos com a câmera cybershot levantada, mesmo estando a 70 metros de distância do palco, mesmo filmando um imagem ultra-tremida e som muito estourado, e sem assistir nada do show em si, só preocupado em gravar um vídeo que vai ficar MUITO RUIM; houve também uma invasão de twitteiros e enviadores de SMS.

Observei dezenas de pessoas com seus blackberries, N95 e iPhones interrompendo a experiência para escrever – uma, duas, três, quatro vezes – pros outros o quão fantástico aquilo era, o quão legal era estar lá, o quão idiotas eram os que preferiram ficar em casa.

E eu de repente olhava pra elas, preocupadas em tirar boas fotos pro Orkut (que invariavelmente vão sair ruins, muuuito distantes ou tremidas, mas não importa porque aí você já prova que tava lá), filmar trechos legais pro YouTube e em contar pra todos os 500 seguidores do Twitter o setlist num teclado que não é QWERTY e me lembrava de quando eu fazia isso – isso de me preocupar mais em registrar a coisa do que em vivê-la. Eu fiz isso, veja bem, UMA VEZ. Porque naquele dia, quando fui assistir aos vídeos, percebi que não me lembrava de quase nenhum trecho que havia filmado. De tão preocupada em filmar, eu não fiz o principal – assistir ao show. Me dei conta da idiotice e câmera em show nunca mais (a não ser quanto estive ‘trabalhando’, né).

Estamos falando do Radiohead, um espetáculo de estímulos audiovisuais que necessita muito de imersão e concentração, porque lida com quase todos os sentidos de uma vez. Porque você quer filmar? Seu vídeo vai ficar melhor do que a gravação do Multishow? Você vai poder mostrar pros amigos? Isso te dá status?

É muito legal que as pessoas estejam tão interessadas em compartilhar cada mínimo momento da vida delas com tanta gente. É esquisito, e subverte um pouco o egoísmo característico da nossa espécie, mas no mínimo é legal poder dizer que estou no meio disso. Mas você não vai a um show pra depois poder dizer que foi.  Você vai a um show para estar nele naquela hora e viver aquilo, e isso não inclui se preocupar em segurar uma câmera em cima da sua cabeça.

Olha, não sei se você já vivenciou uma experiência real de show de rock. De comunhão entre banda e público. Uma coisa dessa depende de dezenas de fatores, do estado emocional pessoal de cada um que assiste ao show, da presença de palco e do humor da banda no dia, do tipo de lugar, do tipo da banda, do tipo de fã. Mas quando a sintonia acontece, e é perfeita, é algo religioso. A energia se torna palpável, a banda ganha controle sobre 50 mil pessoas, a comunhão é absoluta, não há nada além da banda e do público – não tem gente empurrando, não tem sede, não tem fome nem dor na perna que te tire do foco.

E ninguém vai, verdadeiramente, entrar em “transe musical” (por assim dizer) se estiver preocupado em contar pros outros o quão privilegiado é por estar ali naquele transe musical. É por isso que eu espero que essa ânsia por compartilhamento de informação, algo que de certo ponto é tão legal (e assustador, ok, mas legal) não tire das pessoas, aos poucos, a verdadeira experiência que é viver um show de rock – e a experiência de viver a vida, sem ficar tão preocupado em contar sobre ela a ponto de não vivê-la.

*O título é uma homenagem ao grande guerreiro Charlinho, numa paródia da frase célebre do repórter – “você gosta mais de estudar ou de batata?” Na nossa versão, o mais próximo seria “você gosta mais de assistir o show ou de ficar contando isso pra todo mundo?”

Observação: Esse post, como a maioria aqui, é também uma autocrítica. Estou em ano de TCC, exausta por causa do trabalho e por causa de investimentos na vida pessoal. Portanto, esperem menos atualizações – idéias de posts não faltam, me falta é saúde pra ficar tão compenetrada assim em algo que eu amo fazer, mas que não posso deixar que me impeça de viver a vida em si. Ou seja – em vez de 5 posts por semana, acho que vai cair pra 3, o que eu ainda considero uma média excelente. Mas só um aviso prévio, caso eu suma por uns dias: é só recarga de bateria. Meu hobby é meu blog. Não daria pra lagar.

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Chris Cornell foi contagiado pela Síndrome Paulo Ricardo

Um dia, existiu um deus do rock que era conhecido pelo nome de Chris Cornell.

Chris Cornell

Quase um messias (esteticamente, inclusive), Chris Cornell arrasava corações de moças indefesas e inspirava bravos rapazes alcançando notas inalcançáveis em seus trabalhos com aquela banda que todo mundo descolado adora dizer que conhece, o Temple of the Dog, e posteriormente no seu trabalho mais conhecido e incrível, o Soundgarden. Se você não ouve Soundgarden há um tempão, como eu, relembre comigo:

É importante que você assista para que a diferença, no próximo vídeo, fique bem proeminente.

O homem fez, ao lado dos companheiros do Soundgarden, cinco álbuns de estúdios – alguns épicos, outros bons, mas todos irrepreensíveis. Sozinho, fez um belo disco solo, chamado Euphoria Morning (de 1999), um dos meus TOP5 CDs of all times. Depois, juntou com outros caras mais respeitados ainda e formou uma banda chamada Audioslave, que embora tivesse um claro apelo comercial, também era bem boa.

Chris Cornell tinha tudo – fama, respeito, mulher, uma filhinha bonitinha, tinha dignidade, tudo isso devido à fidelidade, à dedicação e ao talento no rock’n'roll. E por algum motivo, Chris Cornell jogou tudo pelo ralo assim:


Essa é uma das músicas do novo álbum de Chris, Scream, o disco novo produzido por Timbaland que causou uma perda de respeito generalizada por parte dos fãs. A música em si não é ruim – mas isso sendo feito por ele é chocante demais. Seria como ver, sei lá, o Mick Jagger partindo pra carreira solo e lançando um álbum com participação do Julio Iglesias. Não dá, tem coisa que você não pode fazer, porque mesmo que fique ‘bom’ não vai ficar. Tem aquela discussão do ‘ah, mas o cara tem mesmo que se renovar’ – OK, SE RENOVE, MAS VAMOS TENTAR NÃO CHUTAR O PAU DA BARRACA OK? Tava renovado já, todo mundo achou legal o que foi feito no Audioslave. Porque a gente não se contenta com o que tem e termina por foder as coisas?

Lembrando que não estamos falando só do ritmo aqui, cara. A composição dele adaptou-se ao ‘novo estilo’, com direito a ‘pequena garota, adoro o jeito como você fala comigo’ ou ‘não, aquela vadia não faz parte de mim’, gostosas sendo encochadas em bares e homens de regate com óleo pelo corpo dançando de maneira provocativa. Porra, JOHNNY CASH JÁ FEZ UM COVER DESTE HOMEM! E ele resolveu falar na música que gosta do jeito que a menina rebola e achou que todo mundo ia achar normal? Alguém tem uma explicação pra isso?

É uma postura incompreensível. Analizemos: o cara precisa de mais grana? Não, não precisa. Precisa de mais prestígio, precisa provar que ele tem talento? Não, não precisa. Ele já era grande. Ele era do tipo do cara que daqui uns 10 anos ia entrar pro Hall of Fame do Rock, fácil, se tivesse já se aposentado. Agora, se cruzar com Dado Dolabella na rua, até apanha por traição de movimento.

A única possibilidade que resta é ele de fato ter feito isso porque gosta – digo, gosta desse tipo de música a ponto de querer fazê-la. Ficou velho e quis gostar de eletropop e ser amigo do Justin. Acontece. Mas tem um problema – você não pode ser uma referência do que há de melhor no rock’n'roll por 20 anos e de repente achar que vai poder tocar na Mix sem que isso te traga graves consequências.

No fim, eu cheguei à conclusão que o roqueiro consagrado e bonitão que chega à crise de meia-idade tem uma propensão maior a gravar músicas que vão desagradar absolutamente todo o público que ele conquistou nos 20 anos anteriores, normalmente de uma maneira que boa parte desse público considere muito indigna e classificável como brega (claro que existem sempre os fãs malucos que vão amar qualquer merda, mas estamos falando das coisas sensatas).

É um grave distúrbio psiquiátrico, mais forte que eles. É patológico, e a primeira pessoa a diagnosticar esse distúrbio fui eu mesma. Ele pode ser verificado em outros artistas, como Robert Plant (quando gravou música country-romântica). No Brasil, o maior expoente dessa patologia grave é o cantor Paulo Ricardo, que teve uma época aí resolveu gravar música ruim e acabou tendo a honra de ter seu hit na abertura da saudosa A Usurpadora.

É complicado, mas em algum ponto de sua carreira Chris Cornell foi severamente afetado pela Síndrome Paulo Ricardo. O único antídoto, pelo que pude observar, é conseguir emplacar uma dessas músicas ruins como jingle de abertura de um programa muito famoso. Daí, aparentemente o cara se contenta em ganhar tanto dinheiro de royalties (ou se constrange de ligar a TV todo dia às 22h e ter de ouvir aquilo e lembrar da merda que fez só por dinheiro) e para de querer inventar coisa.

Ou qualquer coisa assim. No caso do Cornell, acho que o destino dele é algo como jurado de American Idol – triste, mas talvez a única coisa que o impeça de continuar nos deixando com tanta vergonha alheia – vergonha essa que até outros artistas expressaram publicamente.

Pelo menos o nome do CD – ‘Scream’, suponho que no imperativo – é bem apropriado. Mas não precisa nem pedir, Chris.

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Uma ou duas coisas sobre a descriminalização da maconha

Eu estudei em uma escola católica que, como toda boa escola católica, fazia seminários e palestras sobre drogas, explicando como era horrível e decadente chegar perto de um baseado.

A primeira vez que me ofereceram um desses, eu devia ter uns 13 anos. Olhei horrorizada para aquele traficante safado, um cara que tinha uns 23 e era irmão de uma amiga. Fiquei petrificada.

Por algum motivo inexplicável, a gente acaba crescendo e vendo que o mundo é ligeiramente maior do que as palestras e seminários da escola das freiras. E para o meu espanto, quando comecei a crescer, vi amigos – pessoas legais, e não aquele idiota irmão da minha amiga – começarem a fumar maconha.

Eu poderia escrever aqui “e vi que era bom”, porque seria uma metáfora com aquela coisa do Gênese da Bíblia e pareceria legal. Mas isso traria alguns problemas. O primeiro é que daria a entender que eu fumei maconha e vi que era bom, e considerando que minha família lê meu blog, eu realmente não gostaria de dar a entender algo assim (se eu não postar amanhã, fui internada na rehab).

O segundo é que misturar na mesma piada Deus e maconha costuma gerar reações agressivas, especialmente dos adeptos do primeiro. Tem aquela dos caras que arrancaram uma página da Bíblia pra enrolar porque tavam sem seda, sabe? Então. Essa costuma gerar muito ódio dos adeptos do primeiro.

E o terceiro é que seria uma mentira, porque eu não vi que era exatamente bom – na verdade, o que eu vi é que não era tão ruim pros meus amigos quanto a sociedade inteira me fez acreditar por tanto tempo.

Ok – de fato, pra alguns amigos era bem ruim. Alguns deles passaram a querer fumar maconha o tempo todo, e nada mais tinha graça pra eles se um baseado não acompanhasse. E eles passaram a viver em função daquilo, e me pareceu realmente ruim. Desses, a maioria acabou seguindo pra drogas mais fortes – como cocaína e ecstasy. Outra parte parou com tudo antes de chegar nesse nível, e em todos os casos isso envolveu epifanias religiosas.

Mas…  tinha um outro grupo de amigos que fumava maconha. E esses seguiram a vida e fumavam aqui, tomavam um chá de vez em quando. E era saudável (até onde é possível), me parecia. Eles viviam bem – e vivem, até hoje. Trabalham, estudam, têm namorada, são bem sucedidos. Tem boa relação com a família. Tudo ok.

Daí eu percebi que tinha algo errado com tudo que eu já tinha entendido sobre maconha. E comecei a estudar sobre o tema. Li livros, vi documentários. Descobri que as razões da proibição e da perseguição aos usuários, nos anos 1930, foram socio-econômicas; descobri também que a maneira como a gente vê a droga é relativista e cultural, porque os adeptos da religião Rastafari justificam o fumo da erva com passagens Bíblicas (não que isso queira dizer algo, só estou mostrando como existem mil jeitos de interpretar a mesma informação); e percebi que tinha algo errado com o fato da nossa sociedade tolerar álcool e tabaco, ainda na adolescência, e abominar o uso de maconha.

Por isso, fiquei surpresa com a matéria de capa da Época dessa semana.

Capa da Época - Maconha

Achei o design foda. Essas faixinhas amarelas que parecem que tão girando… mó brisa.

Não, tô brincando. Achei surpreendente que um veículo das organizações Globo publicasse uma matéria tão lúcida e eloquente sobre o tema, fugindo do lugar-comum desse tipo de reportagem, que costuma apresentar falso moralismo e algumas inverdades. O texto pode ser lido na íntegra aqui.

Perguição ao Phelps? Acho absurdo que encham tanto o saco do cara. Se por um lado ele é uma figura pública e deve dar exemplo, porque provavelmente serve de modelo pra crianças, por outro, ele só comprova a tese de que existem pessoas normais e bem-sucedidas fumando maconha por aí. Apesar de concordar que ele não precisa sair por aí fumando maconha em festas universitárias – essa exposição é desnecessária.

A Época, defendendo a discussão sobre a descriminalização? Isso é fantástico. Se eu sou a favor de descriminalizar? Não sei (o FHC é). Mas sou a favor de rediscutir as políticas de combate ao tráfico, isso sem dúvida. E sou a favor de rever a posição da maconha na escala das drogas perigosas, até porque ela é comprovadamente menos ‘viciante’ que nicotina e álcool, sem contar que alguém sob efeito de maconha parece ter muito mais controle do que faz do que alguém sob efeito de álcool. E, definitivamente, sou a favor de que a sociedade remova esse tema do status de ‘tabu intocável’ pra ‘tema que deve ser discutido urgentemente’, porque as mortes geradas pelo combate inútil ao tráfico são questão séria de segurança pública.

Além disso… você já ouviu falar de briga e morte em show de reggae? Nem eu.

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Uma revelação sobre a Mamma Bruschetta que vai explodir seu cérebro

O título é bizarro, mas confie em mim e continue.

Na noite dessa quarta, muita gente tava assistindo à estreia (agora sem acento) da 5ª temporada de Lost ao vivo e comentando pelo Twitter. As pessoas estavam relatando surpresa e nós mentais, bem característico de episódios do seriado. Mas nada poderia ter chocado mais a comunidade twitterística da madrugada do que a revelação a seguir, feita pela @flaviadurante:

Mamma Bruschetta é o Zero do Rá-Tim-Bum

Como assim?

Mamma Bruschetta, a maioria de vocês deve saber, é um personagem bizarro que comenta novelas e fofocas em algum desses programas que passam à tarde, e que é um homem parecido com um mulher ou vice-versa. Muita gente tem dúvida sobre isso, e eu já me envolvi em discussões calorosas afirmando que ela era ele. Se ainda não sabe, talvez você seja capaz de reconhecer pela foto (ou por esse vídeo do aniversário dela, imperdível):

mamma_bruschetta

Agora, a segunda parte.Você assistia Rá-Tim-Bum, mas não lembra quem é Zero? Acho que a solução mais adequada é deixar que o YouTube refresque sua memória (a sensação familiar de ‘aaaahh, lembreeeei’ precede a explosão da sua cabeça em seguida):

SIM, é ela. O ZERO É A MAMMA BRUSCHETTA. Nesse momento sua mente está em negação, mas daqui a alguns segundos tudo ficará muito claro e fará muito sentido. Sim, sim, eu também passei pela negação. E sei que agora não adianta falar, mas eu JURO que lembrava da Mamma Bruschetta de algum lugar, com alguma referência anterior…

Foi quase como quando eu descobri que o logo do Carrefour era um ‘C’. Porque eu via um ETzinho ali, desde sempre. E não fui só eu: essa ilustração, tirada de um post do Irmãos Brain que desvenda o mistério, prova que outras pessoas também viam um ETzinho (consciência coletiva e tal):

carrefour3

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Conheça Marli, a Björk do agreste

Eu ponderei um pouco antes de veicular isso aqui. Pesquisei e descobri que é bem velho; ou seja, não estou falando de nada super novo e legal na internet. Além disso, é completamente trash e muito, muito perturbador.

Mas na possibilidade de alguns de vocês ainda desconhecerem a Marli, gostaria de fazer as honras.

Marli é doméstica de Ipirá, na Bahia, e seu talento para uma emulação trash com estética da fome da Björk foi descoberta pelo filho de seu patrão, que explica tudo detalhadamente aqui no FAQ do site da Marli.

Lembre-se: quando eu publico esse tipo de conteúdo, é só para garantir que você não se esqueça de que não é prudente duvidar das capacidades do ser humano. Reflita.

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