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Something wicked this way comes: trailer de Harry Potter e o Enigma do Príncipe

Eu sou uma das maiores fãs de Harry Potter de que você já teve notícia. E é por isso que eu não consigo conter a empolgação ao assistir coisas como essa. Esse é o trailer do próximo filme da série, Harry Potter e o Enigma do Príncipe, e como nos últimos dois anos eu estarei lá, na sessão da meia-noite da estréia, fazendo cosplay de Minerva McGonagall.

Mentira né, gente. O cosplay é de Hermione.
Não, tô brincando, eu não sou tão nerd assim. Só assisto o filme na estréia, mesmo; nada de fantasias.

Assiste aí.

(Peguei no Goma de Mascar)

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Quais são os limites do humor?

Eu sempre fui a favor da piada acima de tudo. Defensora do humor incondicional, sempre achei que a piada nunca poderia ser perdida em momento algum, e que a diversão (e os risos e a alegria) provocada por ela sempre justificaria um possível ‘mau-gosto’.

Para algumas pessoas, é claro, falta humor. A elas parece, por exemplo, um pouco rude rir do vídeo da menina pastora. É, afinal, uma manifestação religiosa que deve ser respeitada.

Mas não sei quem foi que inventou que achar engraçada uma situação que apresenta uma comicidade, embora tenha sentido profundo para outras pessoas, é desrespeito.

Nesses casos, de coisas claramente muito engraçadas, acho inadequado esperar que as pessoas se contenham e não ‘façam piada’ a respeito do comportamento da menina. Parece cruel, e eu já ouvi que meu humor é cruel de muita gente, mas basta me conhecer um pouco para saber que não há, absolutamente, crueldade – há apenas uma capacidade de ver as coisas de um ângulo um pouco menos sério. Nesse caso, essa sensibilidade nem é necessária, já que a graça é bem explícita.

Recentemente, um blog brasileiro de origem árabe publicou algumas charges que faziam piadas desnecessárias com os atletas participantes das paraolímpiadas, e foi duramente criticado por um monte de gente.

Eu fiz coro à crítica, porque achei que as referências foram pesadas e forçadas, e as piadas, sem graça. Acho que em casos de humor politicamente muito incorreto, só vale quando a piada já vem pronta. Por exemplo: um nadador paraolímpico, que não tem dois braços e uma das pernas, se chama Christopher Tronco.

Veja bem – aí não há crueldade. A fina ironia da vida acaba tornando essa casualidade algo digno de nota. E se ele for um cara sossegado, provavelmente até reconhece que tem algo muito engraçado no fato de… bem, você entendeu.

Um exemplo recente é o vídeo aqui em cima. Eu não achei graça, mas posso reconhecer que ele possui elementos cômicos. O problema é que essa dificuldade de fala pode muito bem ter sido causada por um derrame, até onde eu sei – já que mudo é mudo, e não fica resmungando assim – e se esse for o caso, apesar de os elementos cômicos ainda serem proeminentes, a risada traz um pouco mais de culpa.

Outro que promete se tornar hit é esse. Vale rir de uma criança batendo na outra? E se fosse um adulto batendo numa criança, como nesse vídeo aqui?

Sou defensora do bom-humor acima de tudo porque acho fundamental a capacidade de não se levar a sério. Eu consigo apontar de longe as pessoas que se levam muito a sério e quase sempre elas são bem chatas.

Mas é realmente complicado ficar aquém do limite das piadas que podem causar constrangimento ou ofender, até porquê as pessoas são muito diferentes – algo que não ofende a mim pode ofender a você – e a maioria delas tem um senso de humor péssimo.

A própria sociedade desconhece esse limite, aliás. É permitido fazer piada do episódio Padre Baloeiro, que apesar da situação inusitada, teve uma morte supostamente sofrida e aflitiva, já que ou morreu afogado no mar ou congelado nas alturas, desesperado por não saber mexer num GPS.

E claro que não é algo passível de medidas, mas considero a morte do Padre dos Balões tão aflitiva ou mais até do que a fatalidade ocorrida com a menina Isabella, episódio esse que não admite nem a piada ‘o que entra pela porta e sai pela janela?’, sob o risco de olhares tortos dos presentes.

De qualquer maneira, ainda acho que o bom humor é o escudo mais eficaz contra a loucura nos dias de hoje. É fundamental que façamos piada até daquilo que não se faz, das tragédias e das tristezas. É a maneira mais rápida de se desprender disso e continuar vivendo. Não chega a ser bonito, nem louvável, encontrar meia dúzia de jovens esclarecidos fazendo piada com o caso Eloá num boteco na sexta à noite. Mas depois de um tempo eu percebi que mais do que alienação ou falta de sensibilidade, se trata apenas de um mecanismo de defesa. Porque nesses dias doidos, se eu me entristecesse e deprimisse com todos os episódios chocantes que acontecessem, e não conseguisse por um minuto que fosse transformar a tragédia em comédia, eu já teria pirado.

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Os ETs não estão vindo. Mas como seria se eles viessem?

É hoje. É agora. Olhe para o céu para ver: a essa altura, você já deve estar enxergando o disco voador. O quê? Não tem nada? Vai ver você não está preparado para enxergar.

Mesmo se os ETs não aparecerem nessa terça, como a Blossom Goodchild disse, eu já descobri: eles realmente existem. É que segundo os ufólogos da Associação Projeto Portal, essa previsão da Blossom Goodchild se trata de mais uma manipulação da ufologia casuística, ou seja, a criação de um boato que tem como objetivo gerar espectativa em cima de algo que não acontecerá. Assim, as pessoas ficam desiludidas e acabam deixando de acreditar neles. Os ETs.

Mas meu raciocínio é bem óbvio: se tem alguém que se preocupou em fingir uma mensagem de luz com o objetivo final de fazer todo mundo acreditar que ETs não existem, então os ETs existem. Senão ninguém ia ficar desesperado para provar o contrário.

No vídeo abaixo, um ufólogo da associação Projeto Portal explica porque nenhum ET vai aparecer no hemisfério sul:

Não sei o que são extraterrestres dimensionais, mas ele parece saber do que está falando, até porque tem parceria com grupos extraterrestres. Assistam até o final e não percam o vídeo institucional do Projeto Portal, que lembra os vídeos de um outro Projeto…

Infelizmente, não é hoje que as coisas vão ficar mais divertidas por aqui (e que eu vou trabalhar 20 horas seguidas). Mas num exercício de futurologia, vamos imaginar que coisas aconteceriam caso no dia 14 o céu fosse realmente povoado por uma nave extraterrestre:

  • Com a nave alienígena no céu, a crise se agravaria. Num surto de crise existencial, diante da revelação universal e certeira de que não estamos sós, as pessoas reconheceriam que dinheiro não tem valor nenhum.
  • Os grandes sites de tráfego de informações na internet não agüentariam o tranco. Seria um dia sem site de notícias, sem Twitter e até sem Orkut.
  • Os governos divulgariam todos os casos de UFOs ocultados todos esses anos. Área 51? ETs. Triângulo das Bermudas? ETs. Pé Grande? Um ET. Iggy Pop? ET. Steve Jobs? ET. Canetas BIC? Ets.
  • Todos os ufólogos e abduzidos, classes desacreditadas todos esses anos, que lutaram por reconhecimento e credibilidade, seriam imediatamente alçados à condição de visionários e incompreendidos. Uma vitória das minorias.
  • ‘A notícia’ se espalharia no boca-a-boca. E como no dia em que o PCC tomou São Paulo, muitas mentiras se tornariam verdades. Em poucos minutos, todo mundo já estaria trancado em casa, sob ameaça do boato de que os ETs já tinham descido da nave e estavam levando geral para o espaço.
  • O número de suicídios cresceria um bocado. Muita gente não ia suportar esse tapa na cara da burguesia raça humana.
  • Os controladores de vôo de todo o país entrariam em greve. ‘Já é difícil só com os aviões’, protestariam. E com razão.
  • O Guia do Mochileiro das Galáxias iria vender como banana.
  • Na televisão, todos os canais ficariam povoados com análises de ufólogos e temas extraterréstricos. À tarde, no programa da Márcia Goldschidmt, a pauta seria algo como ‘Ela me trocou por um ser de outro planeta!’ E no Superpop, mais à noite, assistiríamos empolgados à seguinte atração: ‘Exclusivo: o homem que foi camareiro na nave conta TUDO!’

E para terminar, na semana seguinte, na banca mais perto da sua casa:

Posso pensar em mais centenas de conseqüências que a chegada de uma nave extraterrestre traria a sociedade. Você pensou em alguma?

*Obrigada, Thiago

**Esse post foi publicado às 2h da manhã do dia 14. Ainda não havia nada no céu. Se esse cenário mudar em algumas horas, peço desculpas pela precipitação. Nunca desejei tanto estar errada.

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Olhômetro entrevista Mulher Moranguinho


Foto por Phelipe, do papelpop.com

A Mulher Moranguinho (à direita, na foto) é apenas mais uma nessa quitanda louca repleta de mulheres frutas? Não, não é. Mulher Moranguinho é simpática e gosta de fazer amigos. Mulher moranguinho é honesta. Mulher Moranguinho é fruta gente como a gente. Ellen Cardoso, a responsável pela Mulher moranguinho, além de tudo isso, é mulher culta e letrada. Ela contou para mim, no VMB, quais livros e bandas fazem sua cabeça. Confira: [modo fuxico off]

Eu: Oi! Posso falar com você?
Mulher Moranguinho: Claro! (com sorriso largo)

Eu: Qual é o seu nome?
MM: Ellen Cardoso. Com dois ‘eles’.

Eu: Ellen, você tem um apelido, não? Qual é?
MM: Mulher Moranguinho.

Eu: Legal. Ellen, me conta: o que você tem ouvido?
MM: Ah, eu ouço muito Djavan. Ana Carolina, também gosto bastante… e porque agora estou sofrendo de amor (risos compartilhados com Mulher Melão) estou ouvindo também D’Black.

Eu: D’Black? Não conheço.
MM: É, é um pagode romântico.

[Nota da repórter: confira aqui o clipe de 'Sem Ar', do D'Black, uma mistura de Robinson Anjo com Alexandre Pires]

Eu: Ah, legal, tem tudo a ver. Agora me diz: qual o último livro que você leu?
MM: Hum, deixa eu ver se eu lembro, tô lendo um agora… (pensa por uns 10 segundos, impaciente) é Carnegiê [sic], não lembro um nome, mas é um livro para aprender como influenciar as pessoas a fazer o que você quer. [sic]

[Nota da repórter: Ellen se referia ao livro 'Como fazer amigos e influenciar pessoas', best-seller de Dale Carnegie lançado em 1937. Ah, os livros de auto-ajuda]

Eu: Ah sim! Tem tudo a ver. Obrigada, Ellen!
MM: (Sorri simpática e se despede)

Como uma boa repórter inexperiente de verdade (aliás, falei com o Danilo Gentili na ocasião, também), esqueci de perguntar o óbvio – o motivo do apelido. Pensando bem, talvez tenha sido bom. Acho que eu tenho medo da possível resposta.

Na onda das entrevistas com mulheres-frutas, Ronald Rios fez uma imperdível com a Mulher Acerola. O quê? Ainda não conhece a Mulher Acerola? Putz… você tá por fora:

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10 motivos pelos quais o VMB 2008 foi um fiasco

Estive no VMB esse ano. De certa forma. Eu quase não assisti à premiação, porque acompanhei da sala de imprensa e estava empenhada na ingrata tarefa de tentar falar com os inúmeros ‘artistas’ que por lá davam o ar da graça (aguardem exclusiva com a Mulher Moranguinho). Mas mezzo-acompanhei de lá – e assisti à reprise depois. E saí fora do VMB antes do fim, porque tava achando tudo bem chato.

Nunca achei que um VMB podia ser tão chato.

Os motivos pelos quais a premiação foi um fiasco estão bem claros, mas eu acho que se faz necessário enumerá-los aqui. Só para organizar as coisas na cabeça.


Na festa pós-VMB, eles estavam servindo macarrão

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Creative Commons License photo credit: giovanniscanavino

Legal a preocupação do buffet em alimentar geral, louvável e tal. Mas numa festa cheia de gente muito bonita, azaração, bebida de graça, alpinistas sociais… quem ia mandar um pratão de penne com molho de tomate?

A piada não tem graça pela segunda vez

O Mion é um cara engraçado, mas ele já deu o que tinha que dar. Acho que é hora de outra pessoa apresentar o VMB, talvez o Marcelo Adnet. O Mion apresenta dois programas na MTV e tudo que é engraçado nele já é largamente explorado todos os dias. Repetir isso no VMB é roubada. Apesar de algumas sacadas serem boas, a maioria só dá vergonha alheia. Inclua aí a piada sobre ele ficar pelado de novo.

A piada não tem graça pela segunda vez [2]

O Adnet é um cara realmente engraçado. Mas não dá para achar que ele vai ser engraçado se repetir a mesma piada várias vezes. No final do VMB, ninguém achava mais graça naquelas improvisações dele. Não que não fosse algo legal – só não era legal pela décima vez.

O Bonde do Rolê é bem sem graça

Eu gostava do lado piada do Bonde do Rolê, de não se levar a sério e continuar sendo muito ruim. Mas se torna constrangedor o constante esforço do Pedro e daquelas moças novas de ser muito engraçado. ‘Mais uma vez’, a versão bizarra de ‘One More Time’ do Daft Punk, até que foi engraçadinho. O resto da apresentação deles foi extremamente tosco. A cereja da vergonha alheia se deu quando a Ana Bernardino quis ser engraçada e subiu no palco quando o NX Zero foi escolhido a banda do ano, para reivindicar o prêmio para a banda dela. Patético.

Mallu Magalhães não ganhou nada

A MTV e todo mundo fez todo esse hype em cima da menina e ela acabou não levando nenhuma das três indicações. Não que isso queira dizer alguma coisa, mas ela é sem dúvida muito mais uma revelação do que o tal Strike, só para começar.

As mulheres frutas apresentaram uma atração

Eu tive alguns momentos para contemplar as mulheres frutas sendo clicadas pelos fotógrafos na sala de imprensa. E, sem nenhum exagero, poucas vezes vi pessoas tão eufóricas. Satisfeitas. Quase dava gosto de ver.

Na boca das mulheres frutas, José Wilker virou Zezé Wilker, e Bonde do Rolê foi Bonde do Rolééééééé. Com língua de fora no ‘ééééé’.

Mas eu não fiquei na superfície. Conversei com a Mulher Moranguinho e descobri qual livro ela está lendo, além do que gosta de ouvir. Na segunda, só aqui.

Não é uma premiação que você possa levar a sério

Strike ganhou como revelação? Que revelação? Não discuto os prêmios do NX Zero, porque eles são realmente populares. Eu não ouço rádio e dificilmente assisto TV, por falta de tempo. Quando uma música chega em mim sem ser porque eu a busquei, sei que ela ficou famosa, e eu até sei cantar algumas do NX Zero. Mas eu nem nunca tinha ouvido FALAR desse tal de Strike.

O melhor show da premiação foi Fresno + Chitãozinho & Chororó

Não que isso seja um demérito, mas…

O Bloc Party fez playback!

O Bloc Party fez playback. Descaradamente. Nem se deram ao trabalho de fingir que não faziam. Não dá para entender porque uma banda viaja, vem se apresentar numa premiação e se presta a colocar um CD. Também não sei qual foi a da MTV em colocá-los no palco com playback. O blog do VMB diz que assim eles quiseram. Mas jamais vamos nos esquecer da vergonha alheia.

Definitivamente, não é mais sobre música

Foto: Blog do VMB

Não tem sido, por muito tempo. Mas os esforços da MTV em tirar os clipes de boa parte da programação, que começaram com a reestruturação da grade da emissora, ficaram escancarados nesse VMB. A música é coadjuvante; personagens principais são quem dá as caras no VMB, se essas pessoas fazem algo que possa ser comentado depois, o que acontece na festa depois da premiação.

Editado: o Mion escreveu no blog dele um post que eu considerei muito sensato e justo a respeito do VMB. Concordo com boa parte do que ele disse, apesar de não ter gostado da premiação. Além do que, também achei absurdo o Thiago Ney dizer que o o Bloc Party é super cool porque zuou no VMB. Se é que eles fizeram isso para tirar uma com a nossa cara, então é pior ainda. E o Thiago ainda acha isso legal.

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10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem

Esse texto do Holy Taco, muito espirituoso, compilou 10 itens de vários gêneros que são usados por pessoas que pensam que isso as faz parecer descoladas quando, na verdade, não as faz.

Como também sou muito espiritualizada espirituosa e estou em sintonia com as maiores tendências do wannabe-descoladismo, compilei eu mesma (com co-autoria do meu pai) minha lista de 10 coisas que você acha que te fazem parecer descolado, mas não fazem – versão Brasil 2008. Acompanhe e concorde:

10) Ir ao restaurante de comida japonesa e não comer comida japonesa

Yuki's - Dinner
Creative Commons License photo credit: VirtualErn

Olha, eu nem ligo que os restaurantes estejam se popularizando. Acho ótimo, na verdade – cria concorrência e os preços caem. Eu gosto bastante de comida japonesa e acho que a ‘moda’, sem sentido pejorativo, veio justamente por essa concorrência, que tornou os preços mais acessíveis. Mas assim, OU VOCÊ GOSTA OU VOCÊ NÃO GOSTA. Não tem essa de ‘eu gosto, só não gosto do peixe-cru’. Amigo, você não pode ir a um restaurante japonês, pagar 35 reais e comer manga enrolada no arroz e um Yakissoba, ok? Então, se você não gosta, não precisa ir só porquê você acha que te faz parecer descolado. Porque ir ao restaurante japonês e não comer comida japonesa, olha só, provoca justamente o contrário.

9) Ouvir música alta no celular

Cara, essa é sintomática. Porque é visível no olhar desafiador da pessoa que faz isso que ela realmente se acha muito descolada por ter alto-falantes em seu Sony w300i. Pois eu tenho uma novidade pra você, amigo: não é legal. Não importa o gênero que você ouve, não importa quantas músicas ou o motivo pelo qual você está fazendo isso: todas as outras pessoas ao teu redor, dentro do ônibus, no metrô ou na rua, nesse momento, te acham um babaca. Inclua a  variação ‘ouvir música muito alta no seu carro’, e a outra variação, ‘acelerar sua moto e fazer aqueles barulhos de tiros’. Ambas NÃO te fazem parecer descolado, embora você aparente estar se sentindo muito descolado, e ambas acabam interseccionadas com o próximo item, que é…

8 ) Tunar o carro

Olha, eu não quero ser polêmica. Mas tunar o carro é meio como fazer cirurgia plástica: as pessoas começaram fazendo pequenos retoques, porque era bonito ou porque era preciso. Mas depois a coisa descambou, perdeu-se a referência e hoje em dia todo mundo faz 30 mil modificações e isso acaba resultando em aberrações. Fica ridículo, mas ninguém tem coragem de falar, porque deu um trabalhão para fazer. E não é descolado.

7) Usar buttons

Olha, esse item é controverso. Eu mesma tenho alguns buttons de bandas descoladinhas que gosto de ouvir. Mas cheguei a conclusão que buttons não te fazem parecer descolado, por mais que dêem essa ilusão. É uma pena, pois seria uma maneira relativamente fácil de parecer descolado. Só que não funciona. Embora o design moderno e as cores dos buttons possam enganar alguns incautos, não se iluda: na maioria das vezes você só vai parecer alguém tentando parecer descolado e usando buttons para isso.

6) Tatuar o nome da sua banda preferida aos 15 anos

Olha, eu tenho uma coisa para te falar, se você tem 15 anos. Eu sei (e eu realmente sei do que estou falando) que o mundo parece ser pequeno, mas olha, ele é muito maior. E eu posso te garantir que em menos de, digamos, 5 anos, você não vai mais ouvir as mesmas músicas que ouvia. Além disso, sabe aquela cara de ‘…ah.’ que as pessoas fazem quando você explica para elas o que significa sua tatuagem escrito ‘NX S2′? Então, aquela cara significa que você falhou profundamente na sua intenção de parecer descolado.

5) Ler Paulo Coelho

Gente, que fique claro que eu não tenho nada contra ler Paulo Coelho, nem acho que é literatura pobre ou coisa assim. A questão aqui é que ler os livros dele, sinto informar, não faz ninguém parecer mais descolado. Eu sei que esse é um item perigoso. Você pode pensar que chegar numa roda de descoladinhos com ‘O Alquimista’ debaixo do braço fará milagres, mas não. Falar sobre os livros dele que você leu também não ajuda. Alguém precisa te avisar.

4) Usar o penteado da Amy Winehouse

Gente, ELA pode. Ela é louca. Mas ninguém que não fuma crack pode, de livre e espontânea vontade, fazer aquilo no cabelo. Ninguém vai te olhar e dizer ‘uau, que pessoa legal’. A reação vai ser algo mais como ‘olha, ela quis parecer legal imitando a Amy Winehouse mas não deu muito certo’. Confie em mim.

3) Ficar com um cabinho de pirulito na boca

Calma que eu vou explicar. A moda das raves trouxe junto alguns hábitos curiosos, que rapidamente se espalharam entre os jovens. Um deles foi o uso compulsório de pirulitos. É porque o ecstasy gera alguma brisa maluca que a pessoa fica mordendo (eu acho bem horrível, mas ok, sem lição de moral) então precisa ter algo na boca para morder. Aí, nas festas, a galera fica com cabinhos de pirulitos na boca. Só que a moda se espalhou para os outros ambientes, e as pessoas (talvez querendo dar a entender que estão sob efeito do ecstasy sem estarem) ficam com esse negócio na boca. Isso não faz você parecer descolado, ok? Só em caso de você não saber. E só aqui tem 439 que não fazem idéia…

2) Usar um chapéu que quer ser parecido com o do Justin (Timberlake)

Eu preciso explicar porque isso não é descolado?

1) Ter um blog

Ok, eu sei como é. Você tá de bobeira em casa e sua mãe lê sua redação do colégio. Aí ela te diz que você escreve bem e isso vira sua cabeça. A idéia soa legal. Você vai poder dizer para as pessoas ‘olha, entra no meu blog’. Vai poder mostrar ao mundo o que você pensa dele. Mas enquanto você pensa que todo mundo deve estar te achando muito legal por isso, a maioria das pessoas só te vê como um… nerd. Sim, talvez um nerd antenado, mas nada além de um nerd. E nerds, na visão tradicional (que não inclui vida pós-tecnologica), não são descolados.

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A eterna fórmula das comédias românticas

(Esse texto é uma sátira. Por favor, ligue seu sensor de inteligência bem-humorada para lê-lo. Obrigada.)

Olá, pessoal.

Hoje vamos falar de comédias românticas.

Comédias românticas são filmes de médio orçamento que fazem uso de histórias divertidas e inverossímeis para reverter bilheteria em altas quantias de dinheiro de forma simples.

Os autores de comédias românticas certamente encomendam pesquisas sobre a época do ano em que as pessoas mais ficam solteiras (talvez carnaval, não sei) e lançam os filmes especialmente nesses períodos.

Comédias românticas são histórias mentirosas feitas para que você acredite que pode ser muito feliz e que isso é muito fácil.

Para começar, homens que protagonizam comédias românticas são irreais. Eles são bonitos (ok, com exceções… tipo o Adam Sandler ou o Rob Schneider), sensíveis, gentis, inteligentes e engraçados, além de esportistas, e estão dispostos a dispensar o grupo popular e escroto do qual ele fazia parte para ficar com você. Eles também estão sempre prontos para cantar na frente de toda a escola seu amor por você, ou invadir uma peça de teatro no meio para dizer o quanto te ama. Mesmo que ele arruíne a apresentação, todos o aplaudirão e dirão para que você suba lá e o beije.

Ninguém pensa nas pessoas que ensaiaram aquela peça por meses. O pobre coadjuvante esperou muito tempo por sua ponta no filme. O personagem dele, então, ensaiou por meses para ser Shakeaspeare na peça da escola. Será que ele realmente fica satisfeito quando um engraçadinho popular tipo Heath Ledger ou Ashton Kutcher sobe no palco no momento mais importante do espetáculo, tira o microfone das mãos dele e se declara para a mocinha, desviando totalmente o foco? O protagonista já tem tudo e, não contente, quer tirar até o papel daquele figurante esquecido.

Outra coisa importante que deve ser notada nas comédias românticas é que a mocinha é sempre bonita, mas ou é a nerd atrapalhada da escola (e portanto, a beleza dela fica escondida atrás daqueles óculos) ou é extremamente difícil, ou os dois, características essas que farão com que o mocinho popular queira muito conquistar o coração da garota, já que desafio é com ele mesmo. Em alguns casos, a mocinha é tão difícil que o melhor amigo escroto do mocinho aposta com ele que ele não vai conquistar a garota.

A parte mais angustiante da comédia romântica fica entre a metade e os 3/4 do filme. É quando o mocinho e a mocinha, após finalmente terem se acertado, passam por um conflito. É aí que ela descobre que o cara apostou para ficar com ela, ou que ele saiu com a amiga, ou que ele na verdade é a melhor amiga dela transformada em homem, mas não contou nada. Na maioria das vezes, é um mal-entendido.

É normalmente nessa hora que o parceiro/a arrependido invade o palco alheio para pedir desculpas e jurar amor eterno em frente a toda escola/cidade/em rede nacional.

Clássica cena de resolução de conflito de um clássico das comédias românticas. Ledger, R.I.P

Com variações médias (‘Do que as mulheres gostam’, por exemplo, tem uma fórmula mais original, mas no final é a mesma coisa), todas as comédias românticas servem para um só propósito: te deixar acreditando no amor durante os três dias seguintes à sessão de cinema. Se você emendar uns três filmes por semana, veja só, poderá crer no amor pela vida inteira.

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Turma da Mônica ‘adolescente’ de uma outra perspectiva

A essa altura, todo mundo já deve ter visto os novos quadrinhos ‘adolescentes’ da Turma da Mônica. Pra quem não tá sabendo de nada, o resumo: a Turma da Mônica, cujas aventuras eu costumava acompanhar mensalmente quando tinha 8, está ganhando uma versão teen:

Na nova revistinha, os personagens têm entre algo como 13 anos e foram destituídos de suas características mais legais: a Mônica se cansou de brigar com o Cebolinha e agora eles são amigos, a Magali não é mais comilona,  Cebolinha fez sessões com uma fonoaudióloga e não fala mais elado e, por último, mas não menos decepcionante, o Cascão toma banho de vez em quando.

Todo muito reclamou da política correta e parece que a internet alguém com um bocado de tempo livre, em sua imensa sabedoria e onipresença, atendeu às preces de quem clamou por uma adaptação mais novela-das-9ish (adoro as palavras que eu invento) da Turminha:

(Vi lá no Cardoso)

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RBD anuncia fim (mas não é tão bom quanto parece)

Eu tenho um sonho. Nesse sonho, o mundo se vê livre de todas as consequências cruéis do capitalismo e as pessoas só tocam música se gostam de música. Nesse mundo, bandas anunciariam seu fim e terminariam em seguida do anúncio.

Infelizmente, num cenário desse, a gente teria menos motivos pra rir de coisas ridículas. O RBD seguiu a tendência das bandas-que-anunciam-o-fim-mas-nunca-terminam. Também estão na lista Los Hermanos e Sandy&Junior, mas os mexicanos bateram o recorde: eles vão fazer uma turnê de despedida de UM ANO antes do tão esperado fim definitivo.

Los Hermanos anunciou o fim e fez alguns shows – ok, compreensível, ‘vamos terminar mas a gente aproveita e faz um pé de meia’. Sandy&Junior fizeram a mesma coisa, vários shows ‘de despedida’, mas a eles eu dou o direito. Sandy&jUnior são parte do imaginário popular brasileiro. Eles estão aí, indo no Faustão, desde que eu me lembro. Eles podem fazer uma meia dúzia de shows antes de terminarem.

Mas o RBD ultrapassou todos os limites do bom-senso. O grupo anunciou que vai terminar. Mas antecedência no c* dos outros é refresco, então eles resolveram fazer isso um ano antes do fim. Ah, um detalhe besta: eles vão fazer 25 shows de despedida (vão passar pelo Brasil, inclusive) e vão gravar UM CD DE DESPEDIDA.

Divulgação

Em 2007, durante entrevista exclusiva, Christian confessou: ‘daqui um ano, vou assumir minha homossexualidade e que dizer que fumei maconha uma vez’

Provavelmente devam incluir no pacote um DVD de despedida (‘É que o 14o. show de encerramento foi muito emocionante e queríamos transmitir um pouco dessa energia aos fãs que não puderam comparecer’, Anahí dirá, lágrimas nos olhos) e uma turnê extra de despedida (‘Já que todos os ingressos dos últimos 10 shows se esgotaram em 8 minutos’).

Na minha época, golpes de marketing envolviam comer morcegos e salvar criancinhas da África. As pessoas hoje são mais sofisticadas.

Você avisa ao seu namorado que vai terminar com ele um ano antes de fazer isso? Não, você não avisa. Você demite um funcionário mas avisa que ele só deve ir embora um ano depois? Não, você não faz isso, cara. Quando você diz que vai acabar algo, você acaba em seguida. É o que as pessoas fazem desde o início da humanidade. Você não agenda términos.

Divulgação


Hum, esse figurino de noiva-noite-do-terror me lembra algo…

A parte mais engraçada é que os fãs do RBD estão se organizando em manifestos, abaixo-assinados e passeatas para evitar o fim do grupo, sem contar a revolta manifestada em sites de relacionamento.

PÉRAE.

Vamos supôr que você seja, sei lá, um estagiário em uma empresa. Seu contrato tem duração de dois anos. Aí você cumpre um ano. Sabendo que daqui a um ano você será mandado embora, você começar a enxer encher o saco do seu chefe para que ele te mantenha na empresa?

Claro que não. Senão o cara vai te demitir AGORA, porque vai achar que você é doido. E ansioso.

Infelizmente essa analogia não foi tão feliz, porque se as duas situações fossem realmente análogas, então o excesso de manifestações pró-continuação do RBD aceleraria o fim da banda. Uma pena.

A parte que realmente me intriga é se esses pequenos fãs, em nenhum momento, desconfiam do genial tino para negócios que esse grupo tem. Se não há uma desconfiança, ainda que mínima, de que isso tudo está sendo feito para manipulá-los a comprar a maior quantidade possível e jamais vista em todo o universo de ingressos para shows e CDs do RBD.

Mas só estou divagando. No fundo eu sei que isso não passa pela cabeça deles nem por um segundo.

Atualizado: parece que não fui a única que percebeu o golpe. Confira aqui a verdade sobre a história: eles não vão terminar.

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Silvio Santos entrevista Maísa, a criança-prodígio do Sábado Animado

Existe um marco na história das crianças hiperativas-superdotadas. Podemos definir esse marco como A.M. e P.M., ou Antes de Maísa e Depois de Maísa. Sim, porque existem dois tipos de crianças prodígio:

No primeiro tipo, se encaixam Sandy & Junior (quando eram crianças, óbvio), Jordy, Menina Pastora Doida, Danny Boy (o sósia mirim do Gugu, lembram?), Mallu Magalhães e essas figuras.

No segundo tipo, eu só encaixaria a Maísa e o Halley Joel Osment (porque ele vê gente morta, e só por isso).

A Maísa é um fenômeno de crítica e de público. Há quem ame e há quem odeie. Ela é uma criança de 5 anos que emite opiniões abalizadas sobre moda, comportamento, alcoolismo, finanças e religião. Há quem defenda que a menina é um pequeno gênio, uma graça, toda fofa. E há quem ache que um adulto preso no corpo de uma criança de cinco anos não é algo fora do domínio do bizarro.

As duas correntes se digladiam nos comentários dos vídeos sobre a Maísa, mas os grupos hão de concordar em uma coisa:

A menina é engraçada pra cacete. Ela provavelmente é treinada pra isso, o que é assustador. Mas engraçado.

No último domingo, Maísa foi entrevistada pelo Sílvio em um daqueles programas de fim de noite dele. Na entrevista, ela contou como se sente em relação ao seu pai e o álcool (‘Eu fiz um trato com ele: ele não pode beber pinga. Nem cachaça’), conta o quanto almeja ganhar no SBT (‘Queria uns 200 paus’) e tira uma onda com a cara do Sílvio quando ele pronuncia ‘Óvo’, e não ‘Ôvo’. Vou reforçar: é imperdível. Abaixo, as duas partes da entrevista:

Nesses vídeos, Maísa expressa toda sua religiosidade. Observem a expressão de êxtase na qual a face da garota se contrai quando Sílvio pergunta o que ela pediria a Deus se encontrasse O Homem andando pela rua:

‘Deus, me dá sua paciência, me dá sua calma…’

Foi isso que ela pediu. E não pode demonstrar mais sabedoria – ela já tem consciência que precisa ficar um pouco mais calma depois de ter engolido um vidro de anfetaminas.

Destaque também para os trajes de Maísa, que reforçam ainda mais sua espiritualidade: esse vestido foi inspirado na coleção verão de Assinoê e Alibera. Divino, se me permitem o trocadilho. (E a piada é do C.A. Monteiro, o cara que continua rodando)

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