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Arquivo: Crônicas

O que o caso Mayara Petruso nos ensina sobre o ódio

Você soube da Mayara?
Tô um pouco atrasada na pauta. Nesses tempos de Twitter, tudo o que rolou há mais de 20 horas é old, né? Mas o tópico Mayara entra na categoria ‘old, but gold’.

A Mayara Petruso é uma estudante de Direito paulista que, depois da eleição da presidenta Dilma, há duas semanas, mandou no Twitter umas pérolas acerca de todo mundo que nasce pra cima de, digamos, Minas Gerais (a.k.a. nordestinos). A saber:

Daí toda a INTERNETZ não perdeu tempo em, obviamente, fazer da vida da menina um inferno. Ela apagou os perfis em redes sociais, foi demitida do trabalho, nem o pai (pobre pai) sabe onde a garota tá. Ela sumiu. Foi recomeçar a vida em, sei lá, em Corguinho, junto com a galera super tolerante do Projeto Portal.

O que eu ainda estou tentando entender é como tanta gente perdeu tanto tempo e energia dando atenção a declarações de estupidez óbvia de uma menina que é… uma estudante de Direito. Só isso. Ela não é ganhadora de um Nobel, ela não é atriz da novela, gente. Não é, sei lá, Ministra da Inclusão Social. E nada contra os estudantes de Direito, heim. Amo todos S2

As pessoas, no geral, são estúpidas, tacanhas. Se você ainda não entendeu isso, sugiro que abra a página de comentários de qualquer site – pode ser até um post polêmico desse blog – e leia os comentários. Você não se assustará mais com a existência de gente como a Mayara, que não percebe ou não admite, mas odeia o presidente porque ele é pobre e nordestino. Se teve até quem, depois da eleição de Dilma, desejasse a volta do linfoma dela, que tipo de fé a gente pode ter na humanidade?

Eu li algumas das reações contra e a favor da Mayara, coisas tão ou mais horríveis do que ela escreveu. O episódio serve pra que a gente possa ver quem de nós é capaz de barrar a corrente de ódio. Porque uma pessoa fala uma merda dessa, então você passa a odiá-la por isso. E aí pronto – ela ganhou. É tipo com os trolls. Não os alimente.

É, eu sei, teve um homem que disse a mesma coisa há dois mil anos. Mas onde quero chegar é que, infelizmente, todo mundo que crucifica a menina está ao lado dela na capacidade de odiar, de espalhar o ódio. E isso é muito ruim.


“E Jesus disse: ‘não darás do pão e do vinho aos trolls, pois feito isso, a eles darás a vitória’”.

Recebi uns e-mails essa semana de alguns leitores me pedindo pra denunciar um site horrível, provavelmente uma das maiores coleções de merda que já li na vida. É uma espécie de manifesto neonacionalista com uns conceitos meio bizarros – super conservador, mas ateu, a favor de esteróides e do culto à aparência, a favor da segregação étnica e de gênero. Claramente foi escrito por uns 2 ou 3 moleques babacas, de uns 20 e poucos anos, bem instruídos pelo nível do texto, mas muito, muito burros. Era tão absurdo que parecia a maior trollagem do século.

Mas aí me pediram pra denunciar e eu pensei: “puta merda. Eu não vou fazer um post sobre isso, não vou alimentá-los.” A parada ia espalhar feito pólvora, eu ia ganhar um monte de views, e com certeza o site seria tirado do ar rapidamente, porque tá cheio de crime ali. Inclusive tá fora do ar agora, denúncias ao MP não devem ter faltado.

Eu não fiz o post porque tinha tanto lixo ali, tanto lixo, que aquilo era capaz de deixar pessoas normais – eu – cheias de ódio contra tanta imbecilidade. Chegou a passar pela minha cabeça que pessoas como aquelas que escreveram e tentam espalhar conceitos como aqueles não merecem o direito de viver. Denunciar os autores causaria uma cruzada contra eles (cuja identidade seria, cedo ou tarde, revelada por alguns desses detetives virtuais ociosos), uma corrente de ódio muito maior do que aquela que eles estavam tentando causar.

Uma vez que aqueles textos transformam uma pessoa em alguém cheia de ódio, seja lá qual tipo de ódio for, eles atingiram o objetivo. É MUITO FÁCIL odiar a Mayara, os babacas do Movimento República por São Paulo, os responsáveis por esse site que eu mencionei.

Difícil é não odiar. E é só não odiando que é possível contra-atacar efetivamente esse tipo de coisa.

Em homenagem a essa minha vibe tão Família Restart S2, fiquem com essa pérola do rock colorido, a grande manifestação musical jovem cheia de mensagens de paz e amor e esperança. Ah, agora em español.

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9 coisas sobre mim

A Gabi foi quem jogou a bola pra mim, então vou aproveitar pra falar 9 coisas sobre mim. Acho que eu sou tão simples que não tem 9 coisas interessantes sobre mim, mas eu vou tentar:

NOSA QTOS NENEN, TO CONFUZA

1. A da troca
Eu fui trocada no nascimento. É sério! Nasci, e quando me levaram para minha mãe ver, horas depois, eu não era eu. Minha mãe reconheceu porque eu nasci careca, e aquele bebê tinha cabelo (ou o contrário). A enfermeira foi demitida e eu, até hoje, procuro nas comunidades ‘Nascidos no dia 26 de abril’ e ‘Maternidade Neomater’ quem é essa menina que eu poderia ter sido, pra poder saber como minha vida seria diferente.

fiquei esperta

2. A dos florais da ingenuidade
Quando eu era pequenininha, minha mãe conta que eu era meio bobinha demais. Ingênua. Sim, eu sei que é o que se espera de uma criança de três anos, mas vou explicar. Parece que todos os meus amiguinhos me faziam de idiota (AMIGO QUE É AMIGO NÃO FAZ A GENTE DE IDIOTA, ENTÃO RETIRO O TERMO ‘AMIGUINHO’), e eu era do tipo que era enganada e topava trocas de coisas que não compensavam (tipo ‘Amiguinho, me dá essa balinha que eu te dou meu Lego?’). Minha mãe não sabia o que fazer, daí comprou um floral (é, de Bach) e, segundo ela, só isso me curou. Eu me considero meio bobinha até hoje.

Foi mais ou menos assim, eu lembro

3. A do ferro de passar
Um dia, também lá pelos três, eu queria muito colocar o dedo no ferro de passar. É, na parte quente. Minha mãe, por razões óbvias, não permitiu e eu comecei a chorar, muito, muito. Como eu não parava, ela pegou me dedinho e colocou na chapa quente do ferro, já que era tanto o que eu queria e ela está presa desde então por infringir o estatuto da criança e do adolescente.

TÔ COM VERGONHA, ESSA NÃO TEM FOTO.

4. A da VERGONHA
Meu primeiro site nunca chegou a ir pro ar, foi um teste na aula de HTML. Cada página tinha uma cor de fundo e fonte diferente. Mas o primeiro que foi pro ar é uma pérola da vergonha alheia elevado à milésima potência, então sinta-se realmente privilegiado que eu vá compartilhar esse link com você agora. Sim, eu fiz o layout, os textos, tudo. Sim, esse era meu nick. Porra, você nunca teve 12 anos e gostou de RPG?

5. A da astrologia
Eu acredito em astrologia. Não em horóscopo diário (Ok, o Quiroga é muito bom, e ler a Susan Miller é engraçado), mas em Astrologia Hermética. Tanto que não gosto nem do termo ‘acreditar’, porque não acho a que o termo ‘acreditar’ se aplique…

6. A das tatuagens
Tenho três tatuagens: essa, essa e uma terceira, da qual não tenho foto. É uma frase no braço direito, um pouco acima do cotovelo.

7. A do longboard
Eu ando de skate. Longboard, pra ser mais precisa. Não sou boa, mas acabei me viciando e não consigo passar uma semana sem andar que já sinto falta.

8. A das decepções populares
Eu não gosto de dadinho, nem de milk-shake e nem de pipoca. Me desculpe por decepcioná-lo (essas são as minhas três características que mais decepcionam as pessoas, geralmente).

9. A da larva
Eu já comi uma larva tailandesa frita. E até que não achei, assim, RUUUUIM…

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Bacon de cenoura is the new tofupiry

Eu não como bacon com frequência, apesar de adorar bacon. Que me perdoem os leitores vegetarianos (eu devo ter alguns), mas bacon é demais mesmo – e tudo de bacon geralmente é bom, de torresmo a Baconzitos. Acontece que ultimamente eu só tenho sentido o gosto do toucinho (como eu gosto de falar essa palavra, ‘toucinho’, é como ‘cousa’) no feijão. Porque a Gláucia, que trabalha aqui em casa, coloca bacon no feijão, daí eu só pego o caldo e já posso degustar essa maravilha que os porquinhos nos oferecem. O motivo: eu tô de regime. Ou reeducando minha alimentação, como a nutricionista diz. Eu sempre estive na minha vida, em tese, então isso não é nenhuma novidade. Mas eu evito bacon puro, aquele gostoso, torradinho, que a gente põe em cima das fritas, da pizza e do hamburguer.

Tem a coisa do colesterol, também, isso é importante. Mas BOM, como sobreviver à abstinência de bacon é esse desafio que eu venho enfrentando nos últimos, tipo, dois meses. A primeira dica é:

1. Peça para a Gláucia colocar bacon no feijão e coma o feijão sem bacon, com o gosto do bacon.

Essa é uma dica importante e plenamente realizável, mesmo se você não tiver uma Gláucia. Adapte-a às suas necessidades. Mas é aquilo – igual a comer Trakinas sabor limão e Ruffles sabor frango assado. Não é bacon, não tem textura de bacon, não tem cor de bacon…

A outra dica é essa que eu descobri no Google Reader pelo Boing Boing: como fazer bacon frito com cenoura! É não é fritar bacon e comer com cenoura. É transformar cenoura em algo muito próximo de bacon frito!

Eu sei que, não importa o que alguém faça com uma cenoura, ela nunca se transformará em um bacon frito. Isso está bem claro para mim neste momento. Mas veja bem – minha alternativa anterior era sentir o gosto do bacon em caldo de feijão. Essa segunda opção me dá algo que tem aparência de bacon e textura mais próxima de bacon (ignore que qualquer outro alimento tem textura mais próxima de bacon do que feijão). Então olha aí, por curiosidade, o que diz a receita dos brothers que tiveram essa ideia lá no Flickr:

1. Plante e colha sua cenoura;
2. Use um cortador de legumes (mano, vende no trem e custa 1,50) pra cortar suas cenouras em finas e deliciosas fatias que se pareçam com bacon (USE A IMAGINAÇÃO AQUI)
3. Use um DEEP FRYER (comé que traduz isso? FRITADOR PROFUNDO? São aquelas panelas em que você imerge o alimento no óleo, sabe? Tem em restaurantes que fritam batatas, você já deve ter visto uma) para fritar suas SOON-TO-BE-BACONCARROTS em oléo de canola a 375 graus por um minuto e meio.

A verdade é que eu não faço ideia de como fazer esse passo. Só estou reproduzindo. Se alguém tiver uma boa ideia, por favor, use e abuse dos comentários, eles estão à sua disposição. Alô galere do Paladar, me ajudem aqui.

4. Coloque sal trufado nas suas cenouras, a essa altura já bacons. Coisa fina e tal.

E aí é isso. E sim, eu sei que eu deveria desencanar de regime e comer bacon de verdade – só achei que era uma informação interessante que tinha gente por aí substituindo bacon por cenoura, ainda que isso seja triste e, de certa forma, um pouco patético. Até porque, se você já vai comer cenoura frita, que coma o bacon, né.

No fim, bacon de cenoura vai acabar entrando na mesma categoria do TOFUPIRY e da proteína de soja (SOJA NÃO É UM BICHO, LOGO, NÃO DÁ PRA TER CARNE DE SOJA, POR DEUS. Parem de usar esse termo, por favor).

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Manifestando intimidade com taxistas e porteiros

Olá, Stepan Nercessian. Posso te cumprimentar? Só um beijo de despedida.

Sabe quando você, sem querer, acaba tratando como íntimo alguém que não é? Tipo quando o porteiro interfona pra dizer que chegou um Sedex e você agradece e emenda um ‘beijo, tchau!’?

(Peço licença para contar o causo que aconteceu com uma amiguinha de quarta série que eu nunca esqueci – a menina, eu nunca mais vi e nem lembro direito da cara, mas a história jamais me saiu da cabeça: ela tinha acabado de falar com a mãe pelo telefone e se despediu como a gente se despede de mãe, ‘beijo, te amo, tchau’. O porteiro interfonou pra dizer que a Capricho tinha chegado. Ela, é claro, repetiu: ‘Ok, obrigada. Te amo, tchau.’ HEH)

Bom. O que acontece comigo é que sempre que eu uso serviços de motorista, isso é, pego um taxi ou sou levada para casa pelos motoristas da empresa, quando eu vou descer do carro eu quase sempre quase (sim, ‘quase sempre quase’, mesmo) dou um beijo no rosto do cara, sabe? De despedida. É terrível, eu preciso sempre ficar me policiando pra não deixar todo esse carinho transbordante se manifestar com um desconhecido. Fica ainda mais forte o ímpeto se eu tiver passado a viagem inteira conversando com o tiozinho.

Alguém tem solução pra esse distúrbio social grave? Nem me venha dizer que é carência. No máximo, excesso de simpatia.

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O barraco de Sorocaba

Histórico de MSN é dessas coisas traiçoeiras da vida. Você dificilmente se lembrará dele até que precise de um trecho de alguma conversa, ou quando alguém chegar com um chumaço de papel impresso com os 5 anos de conversas suas com o seu amante, marido desse alguém, e der com o chumaço na sua orelha. Acontece.

Daí você vai querer ter frequentado aquele cursinho de informática na Bit Company que seu marido insistiu para que você fizesse. Lá, você aprenderia que era possível simplesmente não ter salvo as conversas, e agora o Brasil inteiro não estaria sabendo que você traiu seu marido com o marido da sua melhor amiga, seu compadre.

Mas é como eu disse, super comum. Incomum mesmo é intimar (/gíriademano) a amante do seu marido, socar a mulher e gravar em vídeo. Dizer pro G1 que seu objetivo era só deixar o vídeo exposto em sua página no Orkut e achar que tudo bem. Porque cuidado com o que você deseja, né?

O barraco de Sorocaba, como ficou conhecido o episódio, passou de problema de família em cidade pequena a assunto de interesse nacional. Virou Trending Topic no Twitter na segunda-feira à noite. A Vivian e a família dela certamente perderam o sono, muito mais do que já sabiam que perderiam no meio de tanta confusão. E estragaram qualquer chance de voltar a ter uma vida minimamente normal ao menos nos próximos meses – pra ela e pra todos os envolvidos.

É por isso que eu acho que quem reclama que a internet tira a nossa privacidade são as mesmas pessoas que colocam esses vídeos delas no Youtube e querem que eles fiquem restritos a um público selecionado. Não dá nem pra dizer que não tem como restringir o acesso, porque essa opção é bem explícita quando a gente sobe um vídeo no YouTube.

Outra coisa que o sucesso do barraco prova é que programas como o da Márcia Goldschimdt jamais sairão do ar. O que a gente curte mesmo é um barraco.

Mas dane-se essa doutrinação barata sobre o que é culturalmente enriquecedor no consumo de entretenimento e o que não é. O importante aqui: você é #teamvivian ou #teamjuliana?

Tenho certeza que essa imagem, que eu tirei lá da PIX, vai te ajudar a fazer um julgamento justo e equilibrado da situação.

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Fuck, o furacão amiguinho

Como a pobre e ingênua Suzy, quando criança eu também criei um personagem de nome Fuck. Fuck era um furacão. Estava mais para um tornado, pensando bem – a gente não desenha um furacão, né. Mas eu achava que aquilo era um furacão então assim vou chamá-lo. Fuck era um furacão simpático, serelepe e bem espevitado.

Fuck foi concebido por mim para ser um personagem de games. Eu ia enviar a sugestão para a revistinha da SEGA, mas antes mostrei para minha mãe, que riu e me alertou para o fato que Fuck era um palavrão em inglês. Desanimada, desconsiderei trocar o nome do bichinho e enviar a sugestão, e o desenho se perdeu no limbo da minha infância.

Mas foi por bem. Fuck, o furacão personificado, era bonzinho, o que provavelmente causaria alguns problemas para pensar o roteiro do game. Seria Fuck um furacão que destruiria casas de gangster malvados? Ou ele causaria tempestades marítimas que, como mágica, limpariam o lixo do mar? Pior – Fuck seria um furacão tradicional, que destruiria tudo pelo caminho, mas sua condição de bonzinho causaria então uma eterna depressão pós-destruição, que faria com que Fuck lutasse contra sua própria natureza de furacão para seguir a verdade em seu coração?

Espero que a SEGA esteja aí, vendo minha sugestão, e possa colocá-la em prática mesmo tanto tempo depois. Essa última ideia ai que eu dei de roteiro dá pra ganhar prêmio, heim.

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Para de ler esse post e vai ler um livro

Sabe essas pessoas que dizem que você ou sei lá quem deveriam parar de fazer alguma coisa e ir ler um livro? Geralmente esse ‘alguma coisa’ é algo considerado fútil pela massa pseudo-intelectual, tipo assistir televisão, ouvir Rebolation, sei lá.

Eu acho que essas pessoas deveriam parar de mandar as pessoas irem ler livros e aproveitar esse tempo para lerem livros elas mesmas. Livros não resolvem todas as coisas – eles são ótimos, adoro livros, não me entenda mal. Mas em vez de ficarem mostrando como são intelectuais e maduras, essas pessoas poderiam ler os livros elas mesmas, se elas gostam tanto de livros quanto parece. E assim, qual o problema de você conciliar a leitura de livros com outros afazeres? Eu não preciso não ver Big Brother pra ler um livro, essas coisas não são excludentes.

O mundo não é tão simples, as pessoas não são tão óbvias. Boa parte é muito igualzinha e faz a mesma coisa, mas você está sendo tão igual quanto as que criticam as pessoas iguais quando as critica – e portanto torna-se igual a elas (as últimas, quero dizer). Acho que compreender que as pessoas têm nuances maiores e que o fato de alguém assistir Big Brother não significa que ele não lê livros faz de você alguém que você mesmo admiraria, porque acho que é preciso ler muitos livros para concluir isso.

É claro que, como eu tô mandando as pessoas lerem livros, e criticando as que criticam, eu tô me encaixando exatamente dentro do grupo das pessoas de quem eu tô falando mal. Mas isso só prova meu ponto, não?

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Uma viagem no tempo


Essa é uma experiência bizarra, mas excitante. Primeiro, será que você (eu) estará achando que eu escrevo de maneira bizarra, quase poser? Espero que não. No dia 03-01-2010, daqui a dois anos (e eu espero, espeeeeeeeero que este email chegue), eu devo estar formada (e com diploma, i hope), feliz, bonita, com muitos amigos (ou seja, manter meu status atual social), mais modesta… é brincadeira. Eu vou tentar adivinhar sobre o quê foi meu TCC: documentário, música… acertei?

Em 2010, eu preciso estar com a minha partida engatilhada. Com dinheiro o suficiente, ânimo o suficiente, coragem, roteiro… espero que quando eu ler isso, esteja sorrindo com a minha previsão perspicaz.

Também vou formular outras previsões.

Em 2010, eu já terei um notebook. Com conexão de no mínimo 4MB, que é o básico em 2010. Eu tenho um emprego legal num grande veículo, rádio ou impresso. Eu já sei surfar, andar de skate e sou incrivelmente engraçada. Não namoro, mas tenho uma vida sexual ativa e feliz aos 21 anos. Tenho um iPhone. Melhor, um google phone. Tenho uma câmera digital profissional.

E tenho uma bela família. Vovó, vovô, papai, léo e mamãe. E todas as outras pessoas, também.

Acho que os computadores vão ser mais baratos, o brasil vai se rum pouco mais legal mas eu ainda vou querer ir embora e os estados unidos vão ter invadido o irã.

legaaaal.

Você está se perguntando que porra é essa?

É o seguinte. Se você já lia esse blog em 2007, talvez se lembre do meu post naquela virada do ano (2007-2008). Nele, eu falei sobre o FutureMe.org, um site que permite que você envie um e-mail a si mesmo, agendado para o futuro.

E foi o que eu fiz: programei o e-mail para que eu o recebesse dois anos depois, ou seja, ontem. Foi essa a mensagem que recebi. E queria compartilhar e comentar minhas previsões, os erros e acertos, além de dar um briefing do próximo e-mail que vou me enviar (pra daqui a dois anos poder ter um post na manga de novo).

Erros e acertos

  • Em primeiro lugar, algo importante que mudou sobre mim em dois anos, e pelo quê eu sinto orgulho: eu não uso mais o termo “excitante”, nem para me referir a algo sexualmente excitante, o único contexto em que essa palavra se aplica sem provocar vergonha alheia. Isso significa que cresci como pessoa.
  • Acertei sobre estar formada, mas isso era algo simples de acertar, quase óbvio. Sobre o diploma eu errei, mas quem é que precisa de um? De fato estou feliz, bonita e um pouco mais modesta. HEH. E com MAIS amigos, o que é fantástico. Todos eles também são muito bonitos e felizes, o que superou minha expectativa.
  • Errei 50% do meu TCC. Foi sobre música, mas (ainda bem) não foi um documentário. Caso você não tenha visto, corra antes que o domínio expire: www.amplicomunicacao.com. Tiramos 10, aliás. E a @flaviadurante foi a convidada da minha banca. How cool is that?
  • Não estou com a “minha partida engatilhada”, mas isso não me assusta, porque as coisas estão acontecendo como deveriam, de modo geral. “Minha partida”, caso alguém não saiba, se refere a grande diáspora que eu pretendo realizar assim que possível. Felizmente, o “assim que possível” está mais próximo do que nunca, inclusive financeiramente falando.
  • Eu tenho um notebook com uma conexão de internet de 4MB. Isso é realmente fantástico, porque minha mãe deu um upgrade na velocidade há tipo um mês. E eu também ando de skate, e isso também é fantástico porque comecei a andar há uns 3 meses. E eu juro que não lembrava desse e-mail, óbvio. Ah, e tenho um emprego legal – legal a ponto de superar qualquer expectativa de “emprego legal” que eu tivesse naquela época.
  • Errei sobre as outras coisas materiais – nada de iPhone, ou Google phone (que hoje seria um Android, né), nem uma câmera profissional. Acertei sobre não namorar, mas mudei minha opinião sobre o que é ter uma vida sexual ativa e feliz, então essa previsão ficou meio truncada.
  • Realmente tenho uma bela família, com todas as pessoas mencionadas e os outros também.
  • Acertei sobre o Brasil, sobre os computadores mais baratos, sobre eu querer ir embora mas errei sobre o Irã. Obviamente, já que eu jamais poderia ter previsto Obama.

Percebi, com certa satisfação, que continuo praticamente a mesma idiota de sempre. Dois anos e pouca coisa mudou. Não sei se isso é bom ou ruim. O que você acha?

A outra carta

Acabei de me enviar um outro e-mail, no futuro. Agendado pro dia 04/01/2013, a mensagem agradece por ter chegado (porque se chegar, o mundo não acabou) e reconhece que, se não acabou, ele mudou. E pra melhor.

Fiz outras previsões meio hipongas, acho que tô muito nessa vibe nova era, sabe? Mas elas não dizem nada que você não saiba: espero estar no Brasil, ainda solteira, provavelmente sem emprego, com uma ideia bem legal de estilo de vida pra botar em prática, recém “de-volta” do exterior (ou não).

Vamos ver se dá tudo certo. Vou ler esse post de novo em 3 anos.

Sobre 2010

Então é o seguinte: chegamos em 2010, quem diria. E por “chegamos”, entenda “todos nós”: eu, você, o blog, a humanidade, o Calypso, o Irã. Todo mundo mesmo.

Estive na última semana em um retiro espiritual em Santa Rita do Passa Quatro, rodeada por camaradas da mais alta estirpe. Obviamente, foi por isso que desapareci do mapa, ainda que brevemente, já que neste momento estou de volta – revigorada, um pouco mais velha, mais experiente e mais feliz.

Saiba que desejo um bom ano pra todo mundo que me lê, mas desejo sempre, na realidade. Menos aos mobrais, mesmo que eles me leiam.

Mentira. Não desejo um mal ano pra ninguém, não.

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UMA MISTURA DE SABORES

Eu não sou tipo uma gourmet. Até cozinho umas paradas de vez em quando. Mas sempre na vibe MENOS É MAIS. Essas paradas tipo Spoletto, em que você escolhe 80 ingredientes diferentes que não têm nenhuma relação entre si, mas as pessoas apreciam pela quantidade, não me agradam. Tipo – azeitona com champignon com orégano com manjericão com molho vermelho com calabreza com bacon com gorgonzola com ervilha. Ou aqueles hot dogs completos que têm até, sei lá, coisas estranhas e inapropriadas que alguns hot dogs chamados ‘completos’ têm.

Então você deve imaginar o que eu achei desse PORCOPIZZA. Isso é um monstro, um homicídio gastronômico bizarro. E tipo, quase um homicídio real, porque deus, como alguém consegue tornar algo tão, tão escrotamente gorduroso? Tipo, já é um leitão. Ele diz que é um LEITÃO LIGHT, mas isso é tão engraçado por si só que vamos ignorar, é tipo tomar Coca-Zero no Burger King (fiz isso hoje, ABS).

Enfim, a parada já é pesada pra caramba. Você vai conversar com o PORCOPIZZA (HEH) por um longo tempo depois de deglutí-lo. Você ainda ac rescenta 2 QUILOS de carne de frango? UM QUILO E MEIO de coração de galinha? Calabreza? Catupiry e mussarela? Você é megalomaníaco.Ninguém se perguntou se essas coisas, além de pimentão, ervilha, são REALMENTE NECESSÁRIAS?

E ainda se chama PORCOPIZZA, que além de ser sonoramente engraçado, na melhor das hipóteses lembra PORCUPINE (que é porco-espinho em inglês), e na pior lembra aquelas piadas do filme dos Simpsons, com o Porco Potter e o Porco Aranha.

harry-pig

Como sempre, fico imaginando o momento em que o inventor dessa iguaria gaúcha teve o insight que o levaria a criar a receita mais gordurosa de todos os tempos. “Tenho um leitão assado, que já é um dos maiores entupidores de artéiras já conhecidos… como torná-lo ainda pior? Já sei. Posso colocar queijo. Posso colocar dois queijos, um deles sendo meio quilo de catupiry. Mas não estou satisfeito. Ainda não é tudo que posso fazer… já sei! Porco combina com… porco! Posso colocar calabreza. E corações de frango, o que será uma espécie de implante interespécies. Já que tô botando coração, coloco peito de frango também. Tomate, ervilha, milho, tudo isso só pra temperar… ah, vamos jogar molho de tomate também, né? E que tal PIMENTÃO, essa iguaria de sabor tão leve e delicado, que de maneira alguma se impõe sobre os outros sabores?”

Sabe, senti falta do ovo.

Tipo, podia ser tudo o que a pessoa tinha na cozinha no momento. Ela jogou dentro do porco e o colocou de volta no forno, basicamente. Chamou de PORCOPIZZA, mas podia ter chamado de PORCO-TUDO tranquilamente.

É o tipo de coisa ideal pro This Is Why You’re Fat, um sitezinho batuta com imagens de coisas muito, muito gordurosas e over, tipo esse leitão, que são fritas e têm bacon só porque isso as torna mais calóricas ainda, mas não exatamente porque elas ficam gostosas desse jeito. Tipo essa bomba de chocolate com bacon e calda de chocolate por cima:

Tipo essa bomba de chocolate com bacon e calda de chocolate por cima

Ou esse hambúrguer, que eu já nem sei mais o que tem dentro

Ou esse hambúrguer, que eu já nem sei mais o que tem dentro

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O protesto mais tosco da história

Vamos supôr que o governo federal baixe uma lei te proibindo de ficar laranja.

Seria fantástico, né? Ninguém quer ficar laranja, certo?

Errado. Algumas pessoas querem, e elas tipo saíram na rua para manifestar seu direito de serem laranjas. Mesmo sabendo que existe a possibilidade do bronzeamento artificial ser cancerígeno, pessoas saíram na rua defendendo o direito de se bronzearem artificialmente. Isso é mais ridículo que brincar de #FORASARNEY no Twitter.

Você sabe, meu bom amigo leitor, que eu sou a favor da liberdade de escolha. Portanto, se fulano quer ser laranja, ainda que isso venha com um tumor de brinde, que seja laranja. O governo não proíbe o cigarro, né, e ele taí causando câncer. Mas assim.

Bronzeamento artificial, como o nome já diz, é é um processo artificial, que felizmente pode ser substituído pelo natural, que é vulgarmente conhecido como TOMAR SOL. Se você acha ridículo estender uma canga na sua LAJE e tomar sol, mais ridículo é pagar pra ficar uma hora dentro de um caixão quente que pode te dar câncer e ainda sair laranja de lá. Portanto, tome vergonha na cara, finja que você não tem dinheiro sobrando e pare de pagar por algo que pode ser adquirido de graça. Você compraria música digital? Não, né, porque pode baixar. É a mesma coisa. Com o ônus de que tomar sol não é ilegal.

Agora a outra parte bizarra, é demais pra minha cabeça: vá arrumar o que fazer em vez de ir pra rua PROTESTAR. Gente que faz bronzeamento artificial não PROTESTA, ok, isso é proibido por definição. PROTESTO é coisa de proletariado, minhas senhoras, e proletariado não precisa de bronzeamento porque geralmente já é bronzeado por natureza.

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Gosto muito do que diz VOLTAMOS À DITADURA, ali à esquerda. Voltamos sim, com a exceção que nesse mundo de ditadura você não estaria aí fazendo seu protesto e estaria tomando porrada de milico. E de outros militantes políticos, por protestar por uma coisa tão babaca.

Por isso, recolha seus cartazes almofadinhas, e use o tempo desperdiçado na rua tomando sol na sua piscina, substituindo a sessão de bronzeamento que a senhora não pode mais fazer. Impressionante essa classe média brasileira: o que causa indignação é proibição de bronzeamento artificial. Bem que dizem que se proibissem futebol aí sim o povo ia pra rua… tsc

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