OEsquema

Arquivo: Crônicas

Uma carta para uma senhora desconhecida que me abordou na rua

Você talvez já conheça a história: no fundo, acho que fiz jornalismo pra poder ter uma desculpa pra conversar com qualquer pessoa. Ou seja – eu gosto de falar, né. Não é exatamente que eu não goste.

Mas se eu tô de fone de ouvido, minha senhora, provavelmente estou entretida no som que sai do fone. Então, em primeiro lugar, não comece a falar comigo como se eu estivesse escutando desde o início.

Em segundo, mesmo que a senhora tenha uma bengala, não adianta me perguntar se VAI DAR TEMPO DA SENHORA ATRAVESSAR A RUA. É muito mais eficaz e tradicional seguir os seguintes passos:

- Olhar o semáforo de pedestres, que naquele momento estava piscando em vermelho. Vermelho usualmente significa NÃO VÁ

- Olhar para os carros parados antes da faixa, que aceleram ferozmente. Isso provavelmente indica que a senhora não pode atravessar

- Olhar para sua bengala, que indica que sua velocidade está seriamente reduzida, e combinar isso com os dois outros fatores analisados anteriormente

- Não confiar sua VIDA a uma transeunte desconhecida de 21 anos, que nem ouviu o que a senhora dizia porque escutava o Nerdcast. Se eu dissesse que sim, dava tempo, a senhora ia se jogar na rua e ser feliz?

Me faça o favor.

Abraços,

O calor afetou meu cérebro, derreteu tudo e ando com preguiça de passar por aqui (e por qualquer lugar, na verdade). Mas ás vezes dá pra me encontrar no http://aprendendoskate.wordpress.com
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Esse negócio de andar de avião

Pois é, amigo. O negócio é que eu, até a semana passada, nunca tinha passado pela feliz experiência de estar dentro de uma caixa metálica que voasse. Minha experiência anterior mais próxima de um vôo foi estar num balão, mas ele estava amarrado à terra, DE MODOS QUÊ não dá pra dizer que aquilo era voar, acho.

Considerava essa parada de voar um marco na minha vida, porque meu grande sonho – tipo, meu objetivo de vida – sempre foi, é ainda, viajar pelo mundo (ok, de quem não é, mas prossigamos). E eu, até os 21, não tinha sequer andado de avião.

Achei que teria medo, porque existe algo muito errado sobre aviões: eles não querem estar no alto. Uma caixa de metal pesando milhares de toneladas não quer estar suspensa. Você pode provar isso segurando-a no ar e soltando-a, pra ver se ela permanece lá em cima. Meu palpite é que a caixa não permanecerá, o que me diz que ela não quer ficar ali.

Mas na prática tudo acabou se mostrando bem menos aterrorizante. Eu adorei a sensação de voar em si, uma mistura de ‘estou a centenas de milhares de pés de altura’ com a felicidade que dá o pensamento ‘estou fazendo o trajeto que normalmente demoraria 8 horas em 1 hora’. Até aquela vibe esquisita da decolagem, em que o avião parece estar de lado, depois você se sente pesado e leve, eu achei legal. Só me deu medo na hora de pousar em Congonhas: a parada parecia que não ia freiar nunca, tava muito rápido, deu aquelas batidinhas no chão… mas no final foi tudo ok.

Gostei também da classe econômica, porque me parece a oportunidade que a classe média (e alta alta, nos vôos domésticos) tem de perceber o inferno que é pegar o 151 todo dia de manhã pra faculdade. O 151 é o micro-ônibus que vai até São Bernardo e cujos espaços entre os assentos e o corredor são certamente inspirados nos boeings da Gol.

As nuvens, vistas de cima, pareciam animação de computador. E eu percebi os diferentes tipos: aquelas que parecem algodão doce, as mais sólidas, as de chuva… sem contar poder observar a cidade de um jeito que eu só conhecia do Google Maps, ver o planejamento das ruas e essas coisas que parecem bobas, mas que pra uma deslumbrada como eu foi como ver o mar pela primeira vez.

Cheguei ontem e ainda to exausta, trabalhando direto. Postei mesmo só porque muita gente tem perguntado como foi andar de avião. Aconteceu muita coisa em Minas pra contar aqui, fora histórias do apagão, show do Gogol Bordello E MUITO MAIS, SÓ AQUI NO OLHÔMETRO, O BLOG DA FAMÍLIA BRASILEIRA! NÃO DEIXE DE CONFERIR!

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Domando o espírito selvagem do rum

Ontem, fui num bar lá na Bela Cintra numa festa que a Bacardi promoveu pra ensinar um bando de nerds uns blogueiros a fazer Mojitos.

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Isso é um Mojito

Eu não sabia do que era feito um Mojito e não via nada de legal nele, até saber que é um drink com RUM criado pelos PIRATAS, que misturavam limão e hortelã na bebida pra ficar mais fácil de beber. E bem, você sabe que tudo que envolve piratas é infinitamente mais divertido por causa do tapa-olho.

Enfim. Tinha um barman lá pra explicar como faz o MOJITO PERFEITO. Esse é o mote da campanha da Bacardi, COMO FAZER O MOJITO PERFEITO. Eu vou ser muito sincera que não ligo muito pro equilíbrio perfeito do Mojito, porque assim, eu tenho uma filosofia inovadora referente a bebidas alcoólicas: eu não gosto do gosto delas. Logo, se as bebo, estou em busca do efeito secundário provocado por elas, e ebriedade. Logo, na minha mente, que se dane o gosto da parada, né? É tudo ruim mesmo.

Mas assim, o Mojito até que é gostosinho. Não chega a mudar meu CONCEITO INOVADOR, mas é gostosinho. Vou ensinar a fazer, só pra pescar uns desavisados do Google:

MOJITO

Você vai precisar de várias coisas que ninguém nunca tem em casa, como:
Uma coqueteleira;
Um pilão;
RUM do BOM, pra não dar dor de cabeça;

E algumas que talvez você possa ter, como:
Hortelãs fresquinhas;
Gelo;
Água com gás;
Açúcar;
Limão;

Vamos ao preparo – é fácil, até eu consegui fazer lá na hora.

Esprema meio limão na COQUETELEIRA (deus, como eu amo essa palavra), joque açúcar a gosto (uma colher de sopa rasa é o padrão) e umas SETE FOLHAS de hortelã. Precisam ser sete OK. O barman que disse, EU SEI, não faz sentido.
Daí você pega o PILÃO e “MACERA SUAVEMENTE A NOSSA HORTELÔ.

Isso foi um quote do barman.

Daí põe uma dose de RUM. Não sei quanto é uma dose, vira a garrafa e conta até 8, sei lá. Depois, joga bastante gelo na parada, fecha a coqueteleira e chacoalha por uns 40 segundos.

Abre, põe no copo e dai acrescenta meio dedo de água com gás. Está pronto seu DRINK DOS PIRATAS. Pode pegar o tapa-olho e sair tirando onda.

Sobre os barmen, observei algo curioso. Alguns homens, pra impressionar as mulheres, compram um belo carro. Outros, se vestem com ternos importados. Outros ainda criam uma banda de rock, ou de qualquer outra coisa que seja sucesso de onde essa pessoa vem. Alguns fazem academia e ficam bombadões. Etc

Mas alguns, poucos, optam pelo caminho mais fácil: em vez de impressionar as mulheres fazendo algo incrível, eles preferem deixá-las bêbadas, assim abaixam o nível de expectativa delas e não precisam fazer algo tão incrível para impressioná-las. Astuto, eu diria.

Daí, para camuflar a estratégia, eles aprendem meia dúzia de receitas com bebidas, colocam uma regata e uma bandana bem zuada na cabeça, um gel no cabelo e aprendem a JOGAR GARRAFA PRA CIMA POR BAIXO DO SUVACO.

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OEEE

Esses, Brasil, são os barmen. Sem contar os que se valem de artifícios linguísticos e poéticos: o de ontem disse, sério, que iríamos aprender a DOMAR O ESPÍRITO SELVAGEM DO RUM. Me valeu um belo título de post. Obrigada.

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O dia em que eu decidi andar de skate

Eu sempre quis aprender a surfar. Fazer mágica. Andar de skate. Há pouco mais de um mês, resolvi eliminar a última da lista de “eu quero” e passar para a lista que “eu já”.

Foi assim: tinha uma memória de ter visto gente andando de skate longboard, e achado isso muito legal. Mais legal ainda seria se eu morasse num lugar com praia, porque andaria pela orla, no calçadão, sentindo a maresia numa noite suave de verão. Mas não moro. Ainda assim, resolvi comprar um longboard. Fui numa loja e pedi pro moço montar um pra mim. Ele montou, mas não ficou exatamente como eu queria. Fui trocando uma coisa, colocando outra e cheguei nisso:

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O que deu pra notar assim, de início:

1. as pessoas acham muito legal o fato de uma mulher andar de skate;

2. as pessoas acham muito legal o fato de ser uma mulher andando num skate gigante;

3. criancinhas de bicicleta seguem pessoas de skate. Elas ficam orbitando você. O que é péssimo, pois você quer ficar o mais longe possível delas, afinal está aprendendo e não quer machucá-las;

4. cair se torna rotina depois da segunda vez. Pra você. Pras pessoas ao redor continua sendo bem engraçado.

É isso. Fui acometida por uma crise de meia-idade aos 21 anos. Sabe, aquilo que dizem ter os tios que aos 45 resolvem furar a orelha, fazer tatuagem e comprar uma moto? Pois é. Tô sofrendo disso aos 21.

E quem dera sofrer só de crise de meia-idade, porque to sofrendo também com os hematomas que adquiri nessa brincadeira. Tenho caído bem menos do que pensei que cairia, mas é o suficiente pra eu poder me queixar. Aprender a cair, eu notei, é também uma arte. Minha primeira queda foi ridícula: o skate pegou muita velocidade e então eu saltei dele, mas precisava fazê-lo parar. Corri atrás dele, pisei na roda e voei. O moço que tava parado em frente a veterinária, eu notei pela expressão dele, tava tentando juntar as peças daquela cena UM TANTO QUANTO inusitada: uma menina, correndo atrás de um skate gigante, toma um tombo porque pisou na roda.

Não quero entrar no clichê da coisa, mas na primeira vez que conseguir ‘dar uma remada’ (sabe, empurrar a parada com o pé. Seu noob) e de fato andar de skate, sentir o vento na cara, eu soube que seria algo que eu gostaria de poder fazer sempre. Tô pensando até em criar um blog pra contar minha saga. Algo como Aprendendo Longboard ou algo assim. Será que alguém ia ler?

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@gabrielahesz, companheira de aventuras

Outra coisa curiosa sobre o long: porque ele é um pouco diferente do skate convencional, as pessoas acham que ele é um convite para puxarem papo com você. Acho que é porque um skatista de long parece mais amigável do que os que andam de skatinho. Os do skatinhos sempre são hostilizados por supostamente serem parte de gangues ou serem punks ou vândalos. O que eles são na maioria das vezes, mas enfim.

Logo tô eu aí ouvindo tchárliebráu e escrevendo SK8 NA VEIA DOS IRMÃO no topo do blog. Aguarde.

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A prova de que a humanidade não evoluiu nada

Várias coisas provam que a humanidade é bem menos evoluída do que a gente gosta de pensar, em termos tecnológicos e espirituais até. Guerras são uma dessas coisas. Hummers são outra. O reggaeton é uma bela evidência.

Mas você só se dá conta realmente de que a nossa medicina e ciência não chegou a lugar nenhum quando um médico resolve te pedir um exame de fezes.

Já adianto que o papo só vai ser escatológico até o necessário, e não vai ter nada de gráfico, então fique tranquilo. Eu também não sou exatamente fã de falar de cocô. Mas dessa vez foi inevitável. Peço licença.

Acontece que eu fui a uma médica endocrinologista, pra fazer um checkup geral depois da minha internação, e ela pediu vários exames, incluindo fezes e urina. Daí eu fui fazer um deles, de sangue, e descobri que ela pediu tudo na mesma guia, ou seja, eu estava fazendo o de sangue então deveria necessariamente levar urina e fezes lá.

Mas não podia simplesmente cagar num potinho e levar. Eu tinha que fazer isso por três dias, com intervalo de um dia entre eles. Isso dá seis dias de pura tensão.

Tirando a situação deplorável que fazer cocô no potinho deve configurar, e o fato de eu nem sequer imaginar como conseguiria fazer isso, tem que ser num pote transparente. Então você vai lá, FAZ O QUE TEM QUE FAZER e depois é obrigado a ficar olhando para O QUE VOCÊ FEZ. E precisa levar aquilo até o laboratório, ou seja, de repente você chega lá e põe um pote de merda no balcão. E quando você pensa ‘ufa, pelo menos estou livre’, você se dá conta que vai precisar fazer isso mais duas vezes, com uma pausa interminável entre elas.

Ia ser engraçado se um ladrão resolvesse roubar sua bolsa bem no dia em que você resolveu levar o exame.

Tem outra parte triste, que é pensar nas pessoas que avaliam essas AMOSTRAS. Puxa.

Mas assim. Se você, médico, suspeita que a pessoa tem vermes, custa de repente dar a ela o remédio mais forte para vermes que existe e ver o que acontece? Por que assim, se ela não tiver, você vai poupá-la desse ‘trabalho’ desnecessário. E mal o remédio não vai fazer, se não tiver verme pra matar, não mata e pronto. E se tiver, fim. Sabe?

Pois bem. Não vou fazer e pronto. E acho que todas as pessoas do mundo deveriam ter o direito de não precisar fazer exames de fezes.

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A função de uma vendedora

Acho sacanagem que a gente saia por aí e tenha uma porção de regras de etiqueta pra atender e os vendedores de lojas, essas criaturas peculiares que ficam sorridentes, à espreita atrás das gôndolas esperando pela presa pelo cliente, não tenham que seguir nenhum estatuto. Me proponho, portanto, a formular uma série básica de leis para os vendedores de lojas:

1. Não falar com o cliente nada além de ‘Boa tarde, estou à disposição’ a não ser que seja requisitado;

2. Não oferecer nada ao cliente que não lhe foi pedido;

3. Em caso de dúvida sobre como proceder com determinado cliente, confira as regras 1 e 2.

Esses três mandamentos praticamente contemplam toda e qualquer situação constrangedora pela qual o consumidor passa com vendedores em loja. Inclui ser abordado de maneira passivamente-agressiva enquanto olha uma vitrine (O SENHOR GOSTARIA DE ESTAR ENTRANDO PRÁ TAR DANDO UMA OLHADA NESSAS PEÇA?), ter que calçar oito pares de tênis em cores e modelos semelhantes porém diferentes daquele que você pediu e receber aquela opinião sincera sobre a roupa que você está provando.

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“Ah, e não, eu não quero tá dando uma olhada em nada pra minha mãe, meu pai ou meu namorado. Não tenho namorado, sou um desastre com homens. E meus pais morreram quando eu tinha 8 anos.

Falando em sinceridade, tem uma perfumaria aqui em Santo André que aparentemente incentiva issso nas vendedoras. Ou a intimidação, não sei. É um lugar bem grande, que vende todo tipo de cosméticos. Vou lá mais ou menos uma vez a cada 45 dias, pra repor shampoo e condicionador, além de hidratante pro corpo e essas coisas de mulherzinha. Há um ano e meio que uso o mesmo shampoo, um pra cabelos lisos que tem me deixado muito feliz. Entrei, coloquei dois frascos na cestinha e fui interceptado por uma alegre PROMOTORA DE VENDAS:

COLABORADORA: Amiga, posso tár te oferecendo um shampoo melhor? Porque assim, não é que esse shampoo que você tá levando é ruim, mas ele não tem vitamina. Esse aqui ó, tá super em conta e tem vitaminas A, B e D, 30 nutrientes, protetor solar, reparador de pontas duplas e silicone.

EU: Oi? HEH. Não é por nada moça, MUITO OBRIGADA, mas a verdade é que eu não sinto que tô assim precisando de todas essas coisas, sabe?

COLABORADORA: Olha, não tá mesmo, porque seu cabelo é bom sabe? Mas assim, você que tem assim um corte fashion, descolado assim, moderno, precisa tár hidratando seu cabelo.

EU: Obrigada moça, mas hoje vou ficar com o de sempre.

Daí me desvencilhei do ATAQUE daquela que me julgava amiga dela, pois assim me chamou durante todo o diálogo, além de elogiar meu cabelo (senti uma inveja ok) e contornei outra gôndola atrás de um gel da Nivea. Procurei outra vendedora e antes que eu pudesse perguntar sobre o gel, ela bradou indignada:

COLABORADORA II: Olha amiga, esse shampoo na sua cesta não é pra você não, né?

EU (num mundo divertido): Claro que não! É PRA VOCÊ, GOSTARIA DE PRESENTEÁ-LA!

EU (no mundo real do que aconteceu de verdade): Humm… é…?

COLABORADORA II: Olha, desculpa mas a minha função como vendedora é tá te informando sobre isso, e esse shampoo vai acabar com o seu cabelo.

EU: Veja só, a moça ali já me falou tudo sobre…

COLABORADORA II: Não, vai estragar tudo o seu cabelo. Porque seu cabelo é bom, mas é oleoso na raiz e seco nas pontas né?

EU (assustada): Hum, mas moça, tenho usado esse shampoo por mais de um ano.

COLABORADORA II: Esse shampoo vai acabar com seu cabelo. Ele vai estar entupindo seus bulbos capilares a longo prazo, sabe? Olha, eu sou cabeleireira, então aqui meu dever é tá instruindo tá amiga? E vai entupir seus bulbo capilares e aí seu cabelo vai tá caindo. E quando você for no médico, ele vai dizer “por que não tratou antes”?

EU:

COLABORADORA II: O que você tem que levar é esse aqui, ó (e me mostra um tubo com 100ml a menos que o shampoo que eu tinha pegado, mas que custava 5 vezes mais). Esse aqui vai hidratar seu cabelo, olha aqui, é pra quem tem cabelo oleoso na raiz e seco nas pontas.

Agora eu te pergunto, leitor. O que você faria no meu lugar? Ignoraria o SEGUNDO alerta, já se imaginando tão careca quanto a Britney Spears quando raspou a cabeça? Você certamente não faria isso, leitor. Até porque, nesse ritmo quando até você chegar no caixa seria interpelado por pelo menos mais três dessas. E se você insistisse no shampoo de má qualidade, provavelmente a mulher no caixa não deixaria você levar.

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“Passei dois anos usando shampoo barato.

Como toda pessoa temente a promotoras de vendas obcecadas, levei o shampoo sugerido. Gastei um montão de dinheiro a mais. Se funciona? Sim, meu cabelo parece menos oleoso, ainda que não seja nada marcante, que vá mudar minha vida. Mas preferi não desafiar a gangue uniformizada das vendedoras agressivas.

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O mundo, dublado. E as consequências disso

Você já viveu um momento mágico?

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Oi

Eu sinceramente espero que não, porque isso é uma coisa muito idiota de se dizer. “O momento foi mágico”. Sabe aquelas frases de filme indizíveis, que são fruto de dublagens ou legendagem engraçadas e que às vezes acabam na boca de gente estranha e/ou ingênua? Como as crianças que assistem muita TV e acabam virando pequenas coisinhas esquisitas, dizendo aos amiguinhos ‘VOU TE DESTRUIR! SEUS PODERES NÃO SÃO PÁREOS PARA A FÚRIA DA MINHA LÂMINA, HUMBERTINHO! AAAAAAAAH’, empunhando uma espada de plástico que pisca.

Pra começar que de onde eu venho a gente brincava com pedaços de madeira fingindo que eram espadas. A gente até pregava outro teco de madeira pra fazer a parte onde segura, super artesanal e criativo. Segundo que ela não piscava, que espada que é espada não pisca. E terceiro que não tinha essa palhaçada de falar frases copiadas do roteiro do Yu-Gi-Oh, que isso é bem esquisito.

Daí rolam os anglicismos. E veja bem, eu sou uma grande vítima deles. Quanto mais contato a gente tem com outras línguas, mais propício fica a usar estruturas que só são familiares naquela língua. Ou vocabulário. Ou você conhece alguém que diz “Volte aqui, seu bastardo! Vou te dar uma lição!”? Não, né? Mas certamente já ouviu um personagem falando isso em um filme. E nem estranha mais.

Equivalente a isso, e infelizmente mais contagiante, são os bordões de novela. Tem uma amiga que diz que repetir bordão de seriado americano é brega igual a repetir bordão de novela E EU CONCORDO. Mas paciência, no fundo continuo reprovando mais quem fala HAREBABBA do que quem repete, sei lá, paida do Seinfeld. É o equivalente a falar ME POUPE, SALGADINHO!. Você consegue imaginar o quão ridículo é dizer isso? Ou então “N’é brinquedo não”? Pois é. O HAREBBABA é igual. Só não parece, porque tem a Juliana Paes lá falando. Vai ver daqui a uns dois anos, como você vai perceber o quão esquisito e deslocado era.

3+O+Clone+O+Melhor+Do+Bar+Da+Dona+Jura

Que bela trilha sonora.

Deslocado. Repetir bordões da TV na vida real é deslocado. E é de um humor zorra-totalístico incrível, assustador. Tem a exceção, de quando é um bordão realmente engraçado, mas eu e você sabemos que algo assim só acontece muito ocasionalmente.

Tem o mesmo efeito que aqueles lugares-comum que professor de jornalismo pede pra gente não usar em texto, porque é ridículo: “A nível de…”, começar texto com “Atualmente…”, colocar título de entrevista como “Sem papas na língua”.

Repetir bordão, frase-feita e lugar comum na vida real é um problemão. Começa a parecer que a gente tá dentro de um filme e que todo mundo é dublado. E nada contra dublagem, existem dubladores ótimos, mas não é exatamente a ideia que eu tenho de um mundo legal. Se bem que torna as coisas bem mais engraçadas.

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A verdade sobre os membros de fã-clubes

Já discorri uma vez, nesse post, sobre a obssessão inexplicável que algumas pessoas têm por tirar fotos ao lado de alguém famoso. Qualquer alguém famoso, não alguém do qual você é superfã – é tipo, ‘vi o fulano do Big Brotherno supermercado’, daí a pessoa saca o celular e tira a foto. E fica feliz, sabe-se lá porque. O engraçado é quando a pobre alma é portadora de um aparelho cuja câmera deixa um pouco a desejar em qualidade, e acaba tirando uma foto que é um borrão, e mesmo assim mostra pra todo mundo e coloca no Orkut, sem perceber que por aquele borrão pode ser qualquer pessoa na face da terra com a estrutura física semelhante à de um ser humano.

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Encontrei a Sabrina Sato e o ZINA em um restaurante, na foto dá pra ver direitinho

OK. O curioso é que tem gente que tira foto com os caras do Big Brother porque é fã deles. Tipo, existem fãs de verdade, admiradores fiéis e profundos dos participantes do Big Brother. E ser fã de alguém do Big Brother é o tipo de coisa que não tem explicação – como admirar alguém que não fez nada de relevante para chegar onde está, que a rigor não é nada muito admirável e além disso, carrega o estigma de todas as pessoas famosas, ou seja, não faz ideia que nenhum de seus fãs existem?

Pior do que ser fã de alguém do Big Brother é ser fã de um casal no Big Brother. Conheça o surpreendente FÃ CLUBE OFICIAL DO MAX E DA FRANCINE.

Estar num fã-clube desse é patético em várias instâncias. A saber:

- Você está torcendo por um casal (!) formado no Big Brother.

- Você está torcendo por um casal (!) que não envolve você.

- Você tem tempo para perder torcendo por um casal que não envolve você e foi formado no Big Brother.

- Você torce para um casal que está atualmente separado.

Em resumo, participar do fã-clube Maxine é como torcer por um sonho impossível, platônico. Poético. Um sonho que envolve outras pessoas, e é importante lembrar, essas pessoas não querem que esse sonho se realize. É tipo torcer pela implantação do modelo ocidental de democracia no Iraque (nota mental: melhorar as analogias).

Fã-clube é pra quem não tem nada pra fazer, obviamente, e é por isso que todo mundo sabe que tem algo errado com gente maior de 17 anos envolvida com fã-clubes, e não fala nada por RESPEITO. Eu respeito fã-clubes porque VEJA BEM, eu já fui semi-responsável por um. Mas meu caso é perdoável porque eu tinha 15 anos. Aos 15 todo mundo tem direito de fazer coisas que dão vergonha depois.

Não importa se você é fã do Latino ou do Franz Ferdinand, que é minha banda preferida do momento há pelo menos 3 anos. Fãs se comportam de maneira inexplicável. Gritinhos histéricos, choros, berrar o nome do cara lá de baixo da platéia só pra ele olhar pra você e dar um tchauzinho: isso não vai tornar sua vida melhor, embora pareça. É uma pena.

Mas tudo bem, hobby é hobby. Deve ter um monte de gente legal por aí em fã-clubes. Pior do que ser do fã-clube, é ser aquele cara lá no começo do texto, que não gosta de ninguém, mas quer muito tirar foto com todo mundo e estar perto de todos os artistas acha isso o máximo. Lá no VMB tinha um cara assim no Snake Pit. Ele chegou até a dizer pro Frota “E aí Frota, beleza?”, e me fez ficar perguntando qual o benefício de ter cumprimentado ALEXANDRE FROTA. Não consegui responder.

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Nem eu.

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A surpresinha traiçoeira da vovó

Vovós são seres, em boa parte das vezes, bonzinhos e angelicais. No meu caso, minha  vovó é conhecida por me engordar para o abate (ela cozinha ignorantemente bem e muito) e por fazer virtualmente tudo o que eu peço a ela e que estiver dentro das possibilidades. Conheça minha avó:

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A expressão angelical de tia do pão e queijo esconde um segredo

Pois bem. Como você já leu, eu fiquei adoentada recentemente. Desde então, minha vó tem vindo aqui em casa frequentemente (A.K.A. TODOS OS DIAS) para trazer-me bolos, doces, comida em geral e medir minha pressão. Só que desde terça ela tem vindo para preparar uma tal vitamina que, segundo ela, me livraria de todo o mal amém me ajudaria a na cura da pneumonia (eu ainda estou em processo de recuperação).

Só que eu odeio vitamina, pelo mesmo motivo que eu odeio salada de frutas: as frutas que eu não gosto, tipo banana e mamão, acabando roubando o gosto de todas as outras. E essa vitamina, eu sabia, tinha beterraba, uma parada que eu odeio. Mas vamos tomar, né? Agradar a vovó. Melhorar, quem sabe. Custa nada.

Até que tomei o primeiro gole daquela coisa horrível. Eu só conseguia sentir o gosto da banana, da beterraba e um gosto horrível e muito forte de algo que parecia ser um bife.

Obviamente eu ignorei meu paladar que dizia que tinha um bife na minha vitamina, porque né, nem dá pra cogitar a possibilidade de ter carne lá. E continuei tomando a parada, tampando o nariz e mandando pra dentro, obediente que sou. Ingênua. No último dia que minha vó veio, ela achou legal fazer a parada num copo GIGANTE:

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À esquerda, copo normal. À direita, COPO DESCOMUNAL no qual eu tive de beber a ‘vitamina’ nesta quinta

Pois é, a tortura ia longe. Eu quase tirei uma foto hoje de manhã e enviei via Twitter – a parada era realmente horrível. Ainda bem que a vovó não forçava o chorinho, porque eu não aguentava nem o que já tava no copo.

Daí de tarde fui visitar meu pai. Estávamos conversando sobre as visitas frequentes da minha vó e acabamos caindo no assunto ‘vitamina do capeta’. Eis que ele solta:

- AQUELA VITAMINA TEM FÍGADO.

E começa a rir.

Mal sabia ele que naquele momento eu me dei conta que aquilo não era uma piada. Não, meu amigo. O gosto de bife que eu sentia, o enjôo, a força de vontade para não botar a parada toda pra fora antes mesmo de engolir, todos eles eram originados num singelo PEDAÇO DE FIGADO DE BOI CRU que vovó, em toda sua sabedoria, decidiu colocar para bater junto com as outras coisas terríveis que estavam naquele copo.

bife figado

UMA RODADA DE SUCO PRA GALERAAAAAAAAAAAAAAAAAARGH

Papai continuou rindo e tentou fingir que estava brincando, mas eu tive certeza que ele não estava. Afinal, aquilo explicava o gosto terrível. Confrontada, vovó confessou: colocava sim fígado na tal vitamina. Eu perguntei se ela não podia, sei lá, fritar o bife pro almoço, e fazer o suco só com coisas com as quais você realmente faz suco, sem incluir carne esquisita crua ou coisas heterodoxas no campo das vitaminas. Vovó disse que não – ou o suco era feito completo, ou então não haveria suco nenhum. E ela pararia de vir aqui.

Optei pela presença de vovó. Consegui, contudo, negociar a banana. Ela estará fora da próxima vitamina. A beterraba continua. Quanto ao fígado, vamos fingir que eu não sei. É como disse mamãe, ao tentar me consolar: “veja pelo lado bom, filha: pelo menos não tem ovo cru”.

Sim, pode ficar pior.

Em defesa dos métodos da vovó: fígado, um super alimento. Mas precisa ser cru? E misturado num suco? Com beterraba?

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“Puxa, que coisa chata” é o…

Eu vejo com maus olhos essa popularização da expressão ‘Puxa, que coisa chata’. Eu vejo com maus olhos a popularização da expressão ‘eu vejo com maus olhos’. Mas sobre a segunda faço um post outro dia.

Então, sério. As pessoas tem que entender que só deveriam soltar um ‘Puuuuuxa, que coisa chata, hein…’ diante de coisas realmente chatas. E por ‘chatas’, entenda constrangedoras, nesse contexto. Exemplos: um atropelamento não é uma coisa chata. Perder o emprego: não é ‘puxa, uma coisa chata’. Sua mãe morreu: nada chato.

E sabe porque? Porque algumas coisas exigem adjetivos fortes. Se sua mãe morrer, não é uma coisa chata, é uma merda foda. Se você foi atropelado, puta que pariu, é uma tragédia desgraçada. Não tem nada de ‘chato’, o eufemismo genérico pra tragédias. Não menospreze o valor do palavrão caracterizando algo intenso. Ele precisa estar lá. ‘Chato’ é aguado, não diz nada. É simplesmente algo que incomoda, só.

Semana passada fiquei doente. Doente não, eu quase morri. Internei na UTI em estado grave, com pneumonia e infecção generalizada. Daí fica todo mundo perguntando: ‘nossa, mas como você tá?’, ‘Nossa, mas o que aconteceu?’. Ok que dá vontade de fazer um comunicado oficial e salvar no notepad, daí tu só copia e cola. Mas não vou fazer isso, né? É sacanagem. Não posso culpar os amigos por quererem saber como eu estou.

Aí falo: puxa, me fudi. Tô internada, fiquei na UTI, toda cheia de picadas, catéteres, sonda pro xixi, tomei morfina. Vou ter que ficar um tempão ainda em recuperação, de repouso em casa, e cuidar da saúde depois disso por mais um booom tempo.

Beleza. E nego me responde ‘Puxa, que chato’? Pô. Chato é chutar a quina da cama, amigo. Ficar na UTI não dá para caracterizar como chato. E pronto.

Você pode até ser uma pessoa legal. Mas se usa a expressão ‘coisa chata’ pra tudo, fique atento. Isso pode estar depondo contra a sua personalidade. Seja mais espontâneo e mais preciso nos seus adjetivos. As pessoas que se fodem ao seu redor agradecem.

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