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O feitiço do Cheddar McMelt maligno

Falemos de McDonalds.

McDonalds é daquelas coisas que não são exatamente gostosas, mas a gente come porque tá alí. Ok, a batata frita é gostosa. O Cheddar é um bom lanche. O resto, sério, carece de gosto. Eu sempre achei isso, e por esse motivo mesmo, nunca fiz questão de comer no Mc. Se fosse pra comer comida desse gênero, Burger King dá um pau.

É por isso que estranhei como, nos últimos dois meses, minha vontade de comer McDonalds aumentou exponencialmente. Comecei a me alimentar semanalmente com números 4, o que nunca tinha acontecido antes. Ninguém consegue comer no McDonalds toda semana e achar ok. O Cheddar é um grande lanche, mas está diminuindo em velocidade diretamente proporcional à redução das calotas polares. Não mata a fome, o hambúrguer é insosso e é caro. Ou seja: no fim, não vale a pena. Eu sempre soube disso. Por que é então que eu estava querendo devorar um daquele sempre que possível?

Foi aí então que minha fiel escudeira @gabrielahesz me alertou para a recente inserção de painéis publicitários do McDonalds nas estações de trem e de metrô. Massivamente. Como você sabe, passo boa parte do tempo dentro dessas conduções. Assim que ela mencionou, a propaganda em questão me veio à cabeça, vívida: um Cheddar delicioso, com queijo transbordando, pelo mísero valor de R$5, praticamente sendo esfregado na minha cara todos os dias quando eu ia e voltava do trabalho.

Cheddar delicioso

Não acho que ninguém aqui tenha dúvidas quanto à eficácia da publicidade. Mas se fosse o caso, essa peça acabaria com qualquer indecisão. A primeira coisa que vem a cabeça do cidadão ao olhar esse cartaz é algo como “Preciso de um lanche desses para ser feliz. Ele é tão suculento, o queijo é tão brilhante e abundante, tem tanta cebola. É disso que eu preciso. E custa só cinco reais”. Ou algo assim.

Eu fui completamente seduzida pelo lanche. E queria ter acesso aos números (tipo, estatísticas, não aos lanches, esses eu tenho. Todos temos) do McDonalds, porque tenho certeza que as vendas do Cheddar aumentaram de maneira escandalosa depois dessa campanha. E o pior, não dá pra sacar o que há de especial nela, porque veja bem – o lanche está em cima de um carpete vermelho. Um sanduíche. Em. Um. Carpete. Não faz sentido, não deveria ser tão hipnotizante, mas é.

Resultado automático: o excesso de ingestão de Cheddars casou curiosamente com o surgimento de várias espinhas no meu rosto e de um mau-humor crônico, além de uma TPM mais descontrolada. Pra suprir essa voracidade sem me ferrar com hormônios de hambúrgueres industrializados, resolvi aprender a fazê-los. Segui uma mistura das dicas para hambúrgueres do Fred (esse hambúrguer com recheio de provolone é genial), do Gravata e do Roberto, do Fora de Órbita.

Fiz meu próprio hambúrguer, que ficou até que gostosinho. Mas nem ele, nem a visão dos fabulosos sandubas da Cheese & Burger Society me fizeram esquecer o sonho do Cheddar próprio. O que será que esse carpete vermelho fez comigo?

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Saboreando as ilusões do mundo moderno

Vai ver eu tô meio velha.

É que eu sou de uma época, desculpa a caretice, em que se você tá com vontade de comer, digamos, um frango assado, vai à padaria de domingo e pede um frango assado. Se tá com vontade de comer peito de peru, vai lá, manda fatiar 300 gramas, embrulha, chega em casam bota no pão e come. Tradicional mesmo, sabe? Culinária moleque. Uma época em que, se você quisesse tomar Coca-Cola com limão, você espremia o limão no copo, colocava a Coca e tomava. Lembra aquele barulho da Coca caindo no copo? Você bebendo? O “aaaaaaaaaahhh”?

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Sim, essa batata frita é sabor champanhe. Não, não quero falar sobre isso. Grata.

Sou dessa época aí. É que hoje em dia tá tudo meio esquisito. Você chega pra comprar refrigerante, já tem a opção que vem com limão. Vai pegar a batata frita, e encontra as versões frango assado, presunto e queijo, azeitonas… peraí, bicho. Se eu quiser frango assado, vou comprar um. Eu quero batata frita, pô. É tão mais barato comprar azeitona. Se eu quisesse azeitona, comprava um potinho de azeitona. E eu tenho capacidade mental de espremer o limão num copo antes de tomar o refri.

Daí, vai comprar Miojo. Miojo tem de tudo né – galinha (e é caipira, não é de granja. É sabor ‘galinha caipira’), bacon, carne, churrasco, caldo de feijão, creme de brócolis, pizza, quatro queijos… porra, tu quer me fazer acreditar que eu vou simular, com 10 gramas de pó amarelo, um molho quatro queijos?

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Desconfio que o sabor picanha é um meio termo entre o sabor churrasco e o sabor carne. Mas é só suposição

Pior é aquelas coisas sabor ‘churrasco’. Veja bem, ‘churrasco’ não é nada. Pode ser qualquer coisa que vai na brasa. O mais curioso é que esses quitutes têm de fato o poder de ter gosto de qualquer coisa que vai na brasa! Não sei o que é, talvez uma mistura de fumaça com curry. É tipo o ‘sabor pizza’. É uma puta invenção sacana o tal sabor pizza, porque não existe ser nesse mundo que ligue na pizzaria e peça uma pizza sem especificar um outro elemento, que geralmente é o sabor dela. Ou seja, pizza necessariamente tem sabor da outra coisa que tá em cima dela. Mas ninguém vai fazer um salgado sabor ‘pizza de quatro queijos’.

Outra parada que virou moda, sério, é doce de limão. Tipo, não torta e bolo de limão, que são bons – tipo WAFER DE LIMÃO e TRAKINAS DE LIMÃO, de cor verde, com o corante gritando desesperado EU NÃO PERTENÇO A ESTE LUGAR, POR FAVOR, ME TIRE DAQUI. Quem gosta de limão (e na boa, eu posso falar de limão) sabe que limão é tipo das melhores coisas do mundo, e justamente por isso sabor artifical de limão é uma merda, porque qualquer pessoa que tentar copiar um dos melhores sabores do mundo falhará miseravelmente. Não é bom. Por favor, não façam mais bolachas de limão.

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A cor dá uma aparência bem natural pras bolachinhas

E há, também nesse campo dos sabores, o grande mistério do tutti-frutti. Outro dia li assim numa embalagem: ‘sabor artificial idêntico ao natural de tutti-frutti’. Alguém já comeu um tutti-frutti? Não existe sabor natural de tutti-frutti, a não ser que alguém tenha sido capaz de misturar todas as frutas numa grande… argh. Mesmo assim, tenho uma certa quantidade de certeza que o gosto dessa gororoba não seria parecido com o dessas coisas tutti-frutti.

É a concretização daquelas previsões de filmes de ficção científica antigos, que mostravam astronautas consumindo comida em forma de pílulas. Nessa toada, isso não tá muito distante. Pílula sabor pizza. Pílula sabor Miojo de galinha caipira. Pílula sabor Miojo sabor pizza sabor frango com catupiry. É a beleza da metalinguagem da flavorização.

Pois bem. Voltando ao que rolava na minha época, lá quando você queria ter um cachorro, comprava um cachorro. Queria um lhama, comprava um lhama. Um caracol? Comprava um. Uma fada? Comprava uma fada.

Nos nossos tempos, um filho da puta vai lá e transforma o pobre poodle dele nesses bichos.

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Conheça assuste-se com o garboso Poodle-Camelo. E fica mais cruel que isso, porque não chegamos ainda ao Poodle-Panda (imagens fortes):

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Clica no link lá em cima, por favor. Tem Poodle-Cavalo, Poodle-Jack Sparrow, Poodle-Galinha e até, deus me perdoe, Poodle-Buffalo. O ser humano dá passos longos em direção ao inferno quando bola essas aberrações.

Tudo o que consigo pensar ao olhar para a cara desses cãezinhos é: ainda bem que você são cãezinhos. Porque têm mães que fazem coisas parecidas com os filhos, vestindo eles com fantasias e achando tudo muito bonitinho.

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10 links de coisas que você devia conhecer

Voltei, ainda que brevemente, à vibe das listas. Na vontade de fazer um post simples mas com dicas de coisas legais, bolei isso. Seguem abaixo várias coisas – entre sites, lugares, objetos e pessoas – que, se você ainda não conhece, deveria conhecer. Confia em mim e vai.

Link ambidestro

Blog do Link

Não é esse Link. O Link é o caderno de cultura digital do Estadão. Não é um caderno de tecnologia, veja bem. Cultura digital é mais que tecnologia – é analisar como a tecnologia muda o mundo a nossa volta. Eu trabalho lá, posto nesse blog e posso dizer: é muito bom. Porque nós somos os únicos no Brasil que cobrimos cultura digital, e não tecnologia. E isso faz uma diferença animal.

Nigel Goodman

Nigel Goodman

Pega um carioca com sotaque bem arrastado, coloca um óculos e um cabelo engraçado nele e você tem Nigel Goodman, o menino prodígio do standup carioca. Indico o Nigel não só por causa dos textos excelentes de standup dele (as sacadas são das melhores que eu já li), mas porque o cara é gente fina demais.

Mulher de bigode

Women With Mustaches

Um blog com fotos de mulheres de bigode. Alguns bigodes são maiores que o do meu avô. Nem o diabo pode.

Provos

Provos

Os inventores da contracultura. Antes dos hippies, antes dos mods, dos Beatles, do maio de 68 na França, foram eles que mudaram a sociedade holandesa e transformaram a Holanda no país mais liberal e democrático do mundo, com manifestações baseadas em zombaria contra as autoridades e resistência pacífica. Gênios desconhecidos por causa da barreira linguística, inspiração pra mudar o mundo e pra fazer ação de guerrilha com blog (mesmo que isso seja muito paradoxal).

HOW I MET YOUR MOTHER

How I Met Your Mother

O melhor sitcom que eu já vi PONTO. Eu considerava Friends a série de comédia mais bem feita da história, com o melhor equilíbrio de humor, romance e simulação de identificação com o público. Até eu assistir How I Met Your Mother. São cinco amigos desses que você acha correspondente entre os seus: a solteira convicta, o galinha, o casal bonitinho e o rapazinho romântico. Os bordões são tão geniais que você vai acabar falando pros amigos. Altamente viciante.

This is why you are fat

This is why you’re fat

Um blog que dá fome. Mostra toda a sorte de guloseimas nojentas, com altíssimo índice de gorduras trans. Divertido, mas perigoso na hora do almoço. E tem muito bacon.

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Um smartphone

Eu sempre fui do time que dizia que celular precisava fazer ligação e só, até ter um. Ter à sua disposição câmera decente, aplicativo, tocador de música, teclado QWERTY e internet 3G muda a vida da pessoa. Não precisa ficar bitolado e checar e-mail toda hora não, que isso é idiotice. Mas garanto que vale a pena ter tudo num aparelho só. E garanto, eu uso tudo.

Paço de Santo André

Santo André

Os paulistanos que me perdoem, até porque sou amante distante da paulicéia (paulicéia perdeu o acento?), mas não há nada como Santo André. O paço com seu teatro em forma de pudim, os calçadões, o caminho até a estação de trem, as travessas arborizadas da Portugal, a Figueiras e seus idiotas de costume, o Black Label com seus motoqueiros, o bar secreto, a padaria… você, paulistano, visite Santo André. Será inesquecível.

Chineses

Deal Extreme

O melhor lugar do mundo pra comprar eletrônicos chineses. O preço é de banana, o frete é gratuito e você pode solicitar que os chineses safados enviem o pacote como ‘gift’, para evitar que ele seja taxado na alfândega. Geralmente, chega em 20 dias.

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Gogol Bordello

Punk-cigano é um gênero musical que não faz sentido pra ninguém até que você ouça Gogol Bordello. Minha mãe gosta, minha vó gosta, meu amigo baterista de banda punk gosta, minha melhor amiga gosta. O Nigel gosta. Não tem ninguém que consiga ficar impassivo diante do que eles fazem.

Posterous

O novo jeito legal de compartilhar as coisas. É só mandar o que você quiser por e-mail para post@posterous.com e o sistema vai lá e atualiza seu blog com o que você mandou. E ele replica automaticamente o conteúdo que você postou onde você quiser – no seu WordPress, Twitter,  YouTube, o que for. Cuidado, é viciante.

P.S.: Obrigada por se compadecerem do meu estado de miséria e comprarem no Submarino. Faltam só 3 reais para eu atingir o valor mínimo para receber, que é de R$50. Vocês são demais.

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Um cartão virtual que você não quer receber nunca. Mesmo

Você tem uma Doença Sexualmente Transmíssivel? Você fez sexo com alguém sem preservativo e omitiu essa informação do seu parceiro? Você agora está arrependido, mas não quer passar pelo constrangimento de revelar sua gonorreia para uma pessoa conhecida?

Se você respondeu sim para as três perguntas, você é muito escroto o governo federal tem a solução para você!

Através do site www.aids.gov.br/muitoprazer, você, portador de DSTs diversas e transmisssor dessas doenças pra todo mundo, poderá enviar postais virtuais ANÔNIMOS para as pessoas a quem você contaminou.

Olha só, que alegria receber um cartão virtual desse (clique na imagem para ampliar):

SURPRESA!

“Não sei se essa é a melhor forma de dizer…” é uma bela frase para começar um cartão assim. Há uma melhor forma de dizer que você transmitiu uma doença pra alguém? Se há, com certeza é esse cartão. Porque o governo federal não está disponibilizando, sei lá, agentes de telemarketing ativos para avisar às pessoas. Nem animadores de festa, nem pintores de faixas de rua. Então acho que essa é sim a melhor maneira, por enquanto.

E o cartão diz “Agora eu digo NÃO às Doenças Sexualmente Transmíssiveis”. Eu acho bem apropriado o uso do “agora” aqui, já que se a pessoa tá mandando o cartão ela realmente só diz não agora, porque antes não dizia. Na hora que precisava dizer “não”, não disse. Fora que não adianta nada dizer não agora, que já pegou. E se você recebe um cartão desse, quer saber se o fulaninho disse não? Pô, você quer saber de nada, você sabe que já tá todo fudido. Pode repetir “não” 30 vezes, a doença não vai se curar sozinha.

Gosto também que o postal não específica a DST. Vai na surpresa né? É bom, um pouco de suspense é sempre legal. Vai lá fazer o exame e descobre né. O que vai ser dessa vez? Herpes? HPV? AIDS? Roooooda a roleta!

E se tiver várias DSTs? O cartão diz “…, mas tenho uma DST”. Daí manda vários cartões? Tô confusa.

Benza Deus, que ideia mirabolante. Parece RickRoll. Será que eles não pensaram que vai virar tipo história do Pedro (aquele do ‘Olha o Looooooooooobo’), porque nego vai usar isso adoiado pra sacanear os amigos, e quando alguém receber e for de verdade não vai levar a sério?

Ah, como eu adoro o Brasil.

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Estamos na era do óbvio. E isso é péssimo

O País de Gales lançou um vídeo muito, muito trash, para desencorajar as pessoas a dirigirem enquanto mandam mensagem de texto. Não assista se for viadinho tiver estômago fraco:

Forte, né? Alguns diriam que é exagerado. Eu não acho – concordo que precisa ser chocante mesmo. Porque né, a pessoa que não perceber SOZINHA que é extremamente perigoso escrever mensagem de texto no celular enquanto dirige realmente só pode ser atingida por algo extremamente gráfico, como é esse vídeo. É óbvio que você não pode dirigir enquanto manda SMS, do mesmo jeito que é perigoso dirigir com os olhos fechados. Aí me sai uma pesquisa assim:

SMS é pior que álcool para motoristas

OH REALLY?

Estamos na era do óbvio, meu caro. É a era em que você precisa deixar tudo ali, na cara, mastigado, pra não ser mal-entendido, interpretado como politicamente incorreto e/ou processado. A era em que as pessoas só entendem as coisas se elas forem literais. E elas nem sabem o que ‘literal’ significa, tanto que usam ‘literalmente’ o tempo todo mesmo que o termo não se encaixe na frase.

No nosso tempo, os desodorantes precisam escrever na embalagem que o uso em outras regiões do corpo que não as axilas é desencorajado. Os eletrônicos precisam vir com uma mensagem dizendo que engolir peças pode ser perigoso. Os materiais de limpeza precisam alertar o consumidor para, por favor, não ingerir água de lavadeira, obrigada. E ai se não tiver escrito e alguém fizer e morrer, porque aí a conta bancária empresa em questão vai ser escalpelada pela família do estúpido morto.

Olha essa parada que eu encontrei no elevador. É uma peça institucional feita pela própria empresa de elevadores:

No elevador...

O documento todo é bem chocante, mas veja bem: precisamos de um papel no elevador para dizer às pessoas que elas falem baixo dentro de uma caixa de alumínio de 4 metros de altura, não comam nem gargalhem lá dentro. Um papel no elevador tentando fazer o que os pais de uma pessoa não conseguiram. Daí fico pensando que se a pessoa não sabe disso, na boa, ela certamente não é o tipo de pessoa que lê papel na parede do elevador. Então pode esquecer. Não funciona.

Logo, o papel serve pra quê? “Só pra não dizer que não avisei”? Pra você não reclamar com algum mal-educado no elevador e ele dizer “onde tá escrito que eu não possso gritar aqui dentro hein?!”, e você apontar o papel?

A era do óbvio é prejudicial em várias instâncias pra nossa sociedade. Primeiro, todo mundo começa a achar que pode alegar que não sabia algo se esse algo não tiver sido explicitamente dito a ela. Entrelinha não vale, subentendimento também não. Precisa ser claro. Nessa, perdem-se um monte de piadas, um monte de não-ditos, um monte de sutilezas.

Mas é o preço que se paga pela burrice. Idiocracy, here we go.

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Aaaaaahhhh, a medicina moderna

Tem uma coisa bonita em ser médico. Altruísta. Assim eu prefiro acreditar, já que até onde eu sei essa história de que médico ganha muito dinheiro, em parte, não é verdade. Sei que eles precisam estudar muito tempo, depois trabalhar como residente de graça por mais outro tempão, e aí ter oito empregos diferentes para então, sim, ganhar dinheiro.

Ou seja: tecnicamente, ninguém hoje mais escolhe cursar medicina se não estiver compromissado não só com a grana, mas com uma vida que exigirá trabalhar duro, enfrentar situações extenuantes mental e fisicamente e ganhar algum dinheiro, provavelmente sem ficar muito rico.

Mas não conheço nenhum médico pobre, então deve existir alguma falha aí na teoria. De qualquer forma, eu tenho reparado nos hábitos dos médicos que frequento e esses hábitos me dão coisas.

Dr. Chapatin jamais permitira algo assim

Vou explicar. Quando você precisa de um médico, geralmente liga no consultório e agenda um horário. Em alguns casos, só consegue agendar esse horário pra dali a um, dois meses. Ok, você tem paciência. Quando chega no consultório atrasado, liga pra avisar. E se não ligar, quando chega lá perde a vez, muitas vezes precisa remarcar a consulta.

Então porque diabos um senhor com um jaleco branco, assessorado por uma moça da recepção, acha que tem direito de te fazer esperar 2 horas sentado em uma cadeira, tendo à disposição para seu lazer somente revistas Caras velhas e catálogos de medicina? É porque ele estudou por dez anos? Porque se for, isso não me parece um bom motivo. Não existe motivo que justifique desrespeito com ninguém, ainda mais com alguém que está pagando por um serviço.

Outra parada que me corrói por dentro é ligar pra marcar horário e no fim a mulher soltar um ‘É por ordem de chegada, viu?’. OI? EU MARQUEI HORÁRIO. É pegadinha? Se ele vai atender primeiro quem chegar primeiro, porque eu preciso marcar?

Daí você tá lá, marcou horário às 11h da manhã, são dez pras uma e você ve o senhor doutor que iria lhe atender se preparando para sair para almoçar. E você lá. Só que antes de sair o cara ainda resolve atender uma merda de um promotor de vendas de indústria farmacêutica, que vai dar a ele várias amostras grátis e vai coagí-lo a receitar a você os remédios da marca daquele laboratório. Ele tem tempo pra atender este senhor antes do almoço dele, mas não tem tempo pra você.

Você, é claro, deve se recolher à sua insignificância de pessoa que não fez 20 anos entre faculdade e residência. Sim, porque parece que todas as outras pessoas do mundo que não são colegas de trabalho do senhor médico não têm absolutamente mais nada pra fazer, a não ser esperá-lo após ler dois anos de Caras, que é semanal.

E sabe o que dói? Se você for embora, DANE-SE, porque o prejudicado vai ser você. Sempre você. Você vai ter que faltar outro dia no trabalho, porque precisa passar no médico de qualquer forma. Você vai ter perdido aquele tempo em nada, pra nada. E você vai ter que aguentar a cara da recepcionista de OK SENHOR PODE IR PORQUE TEM OUTRAS 30 PESSOAS AQUI MESMO E TODO DIA TEM ESSAS 30 PESSOAS E UMA A MENOS NÃO VAI DEIXAR O DOUTOR MENOS POBRE OBRIGADA. Porque as outras 30 pessoas já estão com o cérebro anestesiado, se submetem ao dotô e esperam, esperam, esperam. Nunca vão embora. Pode ser que elas não possam ir, também, por terem algo grave, sei lá. Só sei que se você sair, ninguém vai dar a mínima.

Mas supondo que você aguarde as 3 horas e seja atendido. E vamos considerar que ele te atenda bem, que não é o que acontece sempre. Bom, você sai dali e passa na farmácia, pra comprar os remédios que o doutor passou. Pede um, dois, três. O balconista fala os preços deles e confere, um por um, os descontos dos remédios. E te fala. E você fica WTF. Todo remédio tem desconto, todos eles. E se todos eles têm desconto então nenhum tem. Sacaram? É só jogar o preço pra cima e dizer que existe um desconto que não existe. E no caixa a mulher ainda te diz – ‘você economizou 8,76, senhora’. Vá pra merda. Economizei nada. Você inventam essas coisas, farmacêuticos safados.

Não vou nem mencionar as festas de medicina, japonês no fundo de piscina, uso excessivo de estimulantes para se manter acordado durante plantões e coisas assim, porque tudo que ouvi sobre isso é boato. Mas não se esqueçam, nunca, daquele episódio em que uns estudantes de medicina malucos invadiram um hospital, soltaram fogos de artifício e ofenderam pacientes quando a residência deles acabou. Tipo uma ‘despedida de residente’. Não viu isso?

Embora me pareça óbvio e eu odeio falar o óbvio, vou fazer isso para me blindar dos xingamentos óbvios – é claro que existem pessoas escrotas em todos os segmentos da sociedade. Eu sei que existem médicos bons e médicos ruins, porque médicos são pessoas e existem pessoas boas e pessoas ruins.

Mas que ser médico e fazer essas coisas é mais escroto que a média, aaah, isso é. Parece que o autoritarismo da sociedade sobe a cabeça, né? Todo mundo é tão subserviente a um título de médico que algumas pessoas começam a achar que elas realmente são melhores que os outros.

O curioso é que, dado que o cara é um médico, provavelmente um dos profissionais que mais lida com a morte, é ele quem deveria melhor reconhecer que, no fim, é todo mundo igual.

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Manual Mercado Livre de Redação e Estilo

Você soube do #mercadolivreday no Twitter? Se não soube, tudo bem. Dá uma lida aqui que eu explico. Preciso que você esteja familiarizado com a ideia para filosofar a respeito dessa que foi uma das datas mais emblemática na história da interwebs brasileira, por ajudar a consolidar um fenômeno social bizarro que acomete todos aqueles que passam a fazer parte ativamente da comunidade de vendedores e/ou compradores no Mercado Livre.

Já assistiu o esquete de Monty Python chamado ‘My brain hurts’? Olha aí:

Quando o doutor coloca os apetrechos para operar cérebros, ele fica repentinamente estúpido. Muito burro. E é algo parecido ao que acontece com todo mundo que faz login no Mercado Livre: a pessoa emburrece. Conheci um cara formado em duas faculdades, plenamente articulado, muito inteligente… mas nada disso adiantava quando ele entrava no Mercado Livre. Uma vez lá, seus textos eram todos assim, adequados ao Manual Mercado Livre de Redação e Estilo. Confira alguns exemplos dessa que pode ser considerada uma nova escola literária (clique para ampliar):

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As características dessa nova corrente cultural são diversas, e refletem o comportamento e o perfil do brasileiro na internet. Observe: simpático e conciliador, o usuário do Mercado Livre sempre se dirige a qualquer outra pessoa usando o substantivo AMIGO, que acaba se tornando pronome de tratamento e transformando o ML numa rede social, tamanha a quantidade de amigos que a gente tem mesmo sem querer. Repare que você chama de AMIGO até o cara que tá xingando, de tão instituída que tá a coisa.

O estilo também reflete o entusiasmo e alegria do brasileiro. Escrever em caixa alta, sem vírgulas, conota uma gritaria sem fim e sem pausas, como a gente ouve por aí em todo bom cortiço nas capitais. Bonito.

Não dá pra esquecer dos erros ortográficos. Mas isso só confirma nossas altas taxas de analfabetismo, mesmo. Por fim, observe o OBRIGADO e o ABS sempre presentes no fim das frases. Eles também mostram o quando a gente é boa praça.

(ABS significa ABRAÇOS. Eu nunca entendi exatamente porque, já que ABRAÇOS deveria ser algo como ABÇS, no mínimo. ABS parece que você tá desejando ABRASSOS. Fora que ninguém dá abraços quando se despede, geralmente é um só, já que vários seriam interpretados de uma maneira socialmente mal-vista. Enfim)

O bagulho é instantâneo, eu fiz o teste. Uma vez lá dentro, fica impossível redigir qualquer coisa fazendo uso de vírgula. Eu não entendo porque, acho que tem a ver com a gente mimetizar o comportamente de terceiros. Ou o ML deve penalizar quem não escreve assim.

A única coisa que posso dizer a respeito é que esse não é o único lugar da internet em que as pessoas se comportam linguisticamente de forma bizarra. Inclusive, existe um site que supera o ML. Quem sabe um dia o site de leilões não supere o Yahoo!Respostas?

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Aliás, demorou pra rolar o #Yahoo!RespostasDay.

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CINE, a nova sensação do rock nacional (?) ajuda a explicar o comportamento humano

Você já ouviu/ouviu o clipe de GAROTA RADICAL, o single de estreia do CINE? Tira dois minutos aí:

Acalme-se.

A palavra ‘radical’ pode assumir vários significados, dependendo do contexto em que é inserida. Pode ser adjetivo para designar alguém ou algo considerado extremista. No termo ‘radicais livres’, ‘radical’ é uma marca de expressão da pele. Associado a um esporte, ‘radical’ significa que aquele esporte é muito perigoso.

Nesse clipe, não tem nenhum homem bomba, ninguém fazendo rapel e nenhuma idosa usando creme da Avon. Isso significa que ‘radical’ aí é usado como uma gíria, sinônimo de MUITO IRADO. Você conhece alguém que use a gíria ‘radical’ e não faça parte de um desenho animado ou tenha mais de 4 anos?

Nem eu.

Ok, o Cine é a nova sensação do rock nacional (?). Foram contratados pela Universal recentemente, estão aí com esse clipe maravilhoso que graças a deus a gente tem aí essa conexão maravilhosa pra dar pra gente. Têm seu merito ao ser a primeira banda emo a misturar sintetizador e aproveitar a onda fashion da new rave, tudo junto – quer dizer, não sei se eles têm o mérito disso ou quem tem é algum marketeiro muito esperto, mas enfim.

Mas tem um ou dois problemas com eles, não sei se você notou. Como bem observou o @ibere:

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Esse é um deles, e legal que se aplica tanto ao Cine quanto a qualquer grupo que toca em trio elétrico na Bahia, e mesmo a alguns grupos de pagode. O segundo é que, aparentemente, as meninas ficam malucas por eles. As fãs são 90% mulheres e gays. Elas acham todos lindos e sedutores, mas observe bem a cara desses meninos. O vocalista é MUITO FEIO (pros padrões de beleza clássica ok). E não que ele fique bonito nessas roupas ou com esse cabelo lambido, mas por algum motivo isso parece ofuscar a feiúra dele aos olhos das fãs, porque elas amam o menino. E ele é horrível, tadinho. Apesar dos outros meninos da banda serem mais bonitos.

Por isso, acho que o Cine é a comprovação de algumas teorias que rondam o mundo da música desde sempre, relativas ao comportamento humano, e que Darwin esqueceu de mencionar em seus estudos. São elas:

1. Não importa o quão asqueroso você for. Se a sua música agradar alguém, e você estiver em cima de um palco executando-a, você repentinamente se torna o macho alfa mais apto e recomendado para a reprodução aos olhos daqueles a quem sua música agrada.

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O Eugene que o diga.

1.1. Sendo assim, a maioria das pessoas faz bandas para aumentar suas chances de se reproduzir e passar seus genes adiante.

2. O objetivo de um grupo musical deve ser, sempre, agradar às fêmeas da comunidade. Porque no caso de as fêmeas se interessarem pelo grupo, mesmo que o macho não se interesse, repentinamente ele vai começar a mimetizar o comportamento do macho alfa, que é o cara em cima do palco, e isso inclui ouvir aquela música, gostar dela, se vestir como aquele cara e inclusive tocar músicas parecidas.

2.1. sendo assim, a maioria das bandas do mundo foi feita para agradar mulheres.

Obrigada, Cine, por contribuir na comprovação de duas teorias sociais que eu considerava há anos. Só tem algo sobre vocês que eu não consegui explicar, porque não faz sentido, nem do ponto de vista instintivo – a música de vocês é muito ruim. Por deus. NX Zero é chato, mas vocês superam com esse sintetizador distorcendo a voz do IÔ-Ô. Como é possível que as meninas em idade reprodutiva, dos 13 aos 17, gostem tanto de vocês? A única explicação é que o gosto delas seja péssimo, mas não vou considerar isso porque gosto de fugir do óbvio.

Talvez seja algo tipo perfume de ferormônios.

*Editado: maluquinho do Cine respondeu nos comentários, foi fino e profissional. Check it out. Só lembrando que não gostar do som não significa não respeitar.

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Sobre o destino e cocô de pombo

Você acredita em destino? Acredita que o universo arranja as coisas para que você esteja na hora certa, no lugar certo para que as coisas aconteçam (ou não) com você?

Se você assiste Lost, pode ser que seja um believer. Uma pessoa que, como eu, acredita que os planetas podem se alinhar e coisas estranhas podem acontecer, e que nenhuma delas é por acaso.

Vamos ser estatisticamente diretos. Quais as chances de um cocô de pomba cair na sua cabeça? Por sua, entenda a minha. Minha cabeça.

pombo

Elas devem ser altas se você estiver, por exemplo, embaixo de uma marquise em que as pombas costumam pousar. Mas caem se você estiver embaixo de um lugar coberto. Caem mais se você estiver caminhando. Mais ainda, suponho, se estiver a três ou quatro passos da porta do trem que vai pegar.

Embora eu estivesse em condições em que, aparentemente, as chances de que uma pomba cagasse na minha cabeça fossem mínimas, eu demonstrei que sou uma garota de sorte. No breve espaço de tempo (e de plataforma) que me separava da porta aberta do trem, senti algo batendo na cabeça.

Andar na cidade e ter que lidar com o ‘algo batendo na cabeça’, como você que anda na cidade sabe, é um momento crítico. O momento entre sentir o pingo, se dar conta dele e criar coragem para levar a mão até o cabelo e olhar parece uma eternidade, especialmente porque você sabe que elas (as pombas) estão por todos os lugares, cagando sobre você quando podem. Naquele momento, porém, não tive medo. Frações de segundo antes do tiro, minha melhor amiga @gabrielahesz alertou (não a tempo, mas alertou): “Cuidado! Um pingo!”

Pois bem. Era um pingo. Se era um pingo, eu não precisava me preocupar – bastava entrar no trem, encontrar um lugar, sentar-me e então ver se tinha molhado meu cabelo ou coisa assim. Mas quando o fiz, eis que tive uma desagradável e inesperada surpresa.

Fez coco

Não era um pingo comum. Quando olhei minha mão, ela estava – desculpe ser tão descritiva – suja com um negócio verde que claramente não era um pingo, a não ser que água fosse verde, o que eu sei que não é, perspicaz que sou.

Meu caro amigo, é com tristeza que lhe digo que o momento em que você se dá conta que se fudeu é desses únicos. Mas eu sou prática, sou alegre, tenho desenvoltura. Enquanto minha amiga @gabrielahesz chorava de rir da minha situação deprimente, eu sugeri que ela pegasse a toalha na minha bolsa (VIU PORQUE A GENTE SEMPRE PRECISA DE UMA TOALHA NA BOLSA MEU DEUS) e tentasse me ajudar a limpar… a merda.

Não vou nem mencionar a sorte de estar acompanhada, e mais, por alguém que me limpasse sem reclamar, exigindo em troca apenas a chance de rir descontroladamente da minha cara. Terminado o asseio, @gabrielahesz me informou que a situação estava sob controle. Eu havia tomado apenas um tiro de raspão, e a toalha tinha feito um bom trabalho. Naquele momento, meu cabelo parecia apenas ensebado.

Já tendo enfrentado o pior, antes de respirar aliviada, sugeri – até agora não sei se por sorte ou não – que a prestativa @gabrielahesz desse uma olhada no lado esquerdo da minha blusa, já que a toca poderia estar tampando algum respingo maroto ou algo assim. Me inclinei e, certa de que estaria tudo bem, soltei a respiração. Até que ouvi o grito de @gabrielahesz, que disse algo mais ou menos assim, antes de cair em prantos provocados por uma alegria descontrolada – AH MEU DEUS TEM MUITA MERDA

Eu visualizei uma piscina de cocô de pombo dentro da toquinha da minha blusa. @gabrielahesz não se controlava, e a enquanto tentava em vão usar a toalhinha para minimizar o dano, murmurava desesperada AH MEU DEUS NÃO TÁ SAINDO, TEM MUITA MERDA AQUI, enquanto eu procurava me manter calma.

Esqueci de mencionar que o vagão estava cheio.

Mas isso, no fim, não foi algo ruim. Uma senhora na nossa frente se solidarizou e forneceu lencinhos umedecidos, que por hora tiraram ao menos o que era visível da minha cabeça. Outra moça deu um saquinho plástico pra jogar a toalhinha inutilizada.

Eu cheguei em casa e tomei um banho. A @gabrielahesz ficou dizendo que era sorte, mas eu não vi sorte nenhuma – desde então, só tive stress e dor de cabeça. Até já achei a causa – deve ser criptococose, doença causada por um fungo no cocô de pombo e que dá dor de cabeça crônica. O nome é apropriado.

Aprendi várias coisas nesse dia. A primeira delas é que você nunca está a salvo de merda de pombo, mesmo se estiver andando dentro de uma estação de trem coberta. A segunda é que cocô de pombo não fede. A terceira, não menos importante, é que as pessoas podem ser solidárias ainda nesses dias frios e individualistas. A quarta é que quando algo é pra acontecer, acontece – eu estava voltando de uma confraternização com meu grande parceiro de olhos claros, o Alex, do Move That Jukebox!, carioca que passava por São Paulo, e seu truta Marçal Righi. Tinha marcado com eles às 14h, eles chegaram às 17h. Se Alex tivesse chegado no horário, aquela pomba jamais teria cagado na minha cabeça e eu não teria um post pra hoje. EVERYTHING HAPPENS FOR A REASON

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Eu, Alex (@movethatjukebox) me segurando pelo braço numa tentativa vã de me atrasar para o tiro do pombo, Marçal (@marcall), Gabi (@gabrielahesz), Zorzo (sem Twitter) e Kelly, suja única coisa que sei sobre é o nome

Mas o mais importante: aprendi que, quando você resolve tatuar na nuca algo que é muito parecido com um alvo, deve aguentar as consequências.

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Resultado da promoção (aquela em que você tinha que escrever um texto…)

Ok, demorei eras. Mas acordei nesse domingo – meio tarde, é verdade, porque ontem foi divertido – e tomei como resolução organizar a minha vida. Significado prático disso: resolver todos os assuntos pendentes possíveis.

Arrumei minha estante de livros, as revistas que eu guardo, as gavetas… claro que na prática não funciona, porque eu acabo aumentando a fila de coisas pra ler e reler, e a tarde que serviria para organizar minha vida e eliminar coisas pendentes acaba como uma verdadeira maternidade de pendências.

De qualquer forma, a última delas seria escolher o vencedor da última grande promoção aqui do blog, que dará hoje e neste momento um livro ao autor do melhor texto de tema ‘A pessoa mais idiota que conheci’.

Eu recebi pouco mais de dez textos, pro meu espanto, todos muito acima da média. Muito MESMO. Não li um texto ruim, que fosse. Por isso, embora eu tenha que escolher um só pra ganhar o livrinho, digo a todos os que participaram que publiquem estas coisas em algum lugar. Alguns me mandaram textos publicados em seus blogs, ou seja, já seguiram o conselho antes que ele fosse dado. Mas praqueles que mandaram texto por e-mail ou mesmo nos comentários do post (é, eu aceitei e tal, tenho coração mole), publiquem.

Mas vamos ao vencedor:

Descontrole Remoto

por Gustavo Carnelós

Com licença, se não for tomar muito do seu tempo, eu gostaria de desabafar sobre um vício que eu tenho. É televisão. O pior da televisão. Sabe aqueles programas tão ruins, mas tão ruins, que você começa a assistir e não consegue parar? Que você continua assistindo só pra ver o quanto é ruim e o quanto pode piorar? Eu sou assim. Mas de um jeito patológico mesmo. A qualquer hora, em qualquer canal, há um programa feito especialmente pra mim, telespectador idiota que engole tudo o que resolvem mostrar!

Decidi relatar meu caso porque sei que existem mais pessoas como eu. Inclusive há outros casos assim na minha família. Caiu no canal, é peixe. Peixe na rede. Rede de televisão. Ligou, ficou. Não consigo desligar porque não quero perder a próxima besteira. Pura insanidade! Quero ver do que eles são capazes de fazer, quero ver que pela audiência realmente tudo é possível, que topam tudo por dinheiro. As coisas mais inúteis, absurdas e constrangedoras. É um circo de horrores, uma zona, uma zorra, vergonha alheia total! Aliás, a vergonha é mais minha mesmo, que assisto. Estou aqui pra confessar: também gosto de me sentir o ser humano mais inteligente do mundo por odiar esses programas infernais que são exibidos em rede nacional como algo super legal, super pop, super na moda. E quero ver até onde pode chegar o nível de ridículo, que infelizmente não é só do programa, é meu também, por assistir. É uma palhaçada na tela e um palhaço no sofá.

Fico repetindo comigo mesmo: só mais um pouco, só mais um pouco, só até o comercial… que nada! No comercial eu zapeio os canais até achar um programa pior do que aquele, e se não achar, já é hora de voltar ao mesmo.

E eu sei que tenho muita coisa melhor pra fazer com a TV desligada. Até mesmo admirar meus ídolos, pois eles não são feitos de exposição na TV. Mas na TV, fama não falta, mesmo pra quem não sabe fazer nada. Aliás, hoje em dia, principalmente pra esses, que tanto contribuem pra que eu desperdice preciosas horas da minha vida assim, vendo e ouvindo pessoas que não têm nada pra mostrar ou dizer. Embora algumas até tenham o que mostrar, tipo peito, bunda…

Tem gosto pra tudo, é o que dizem. Gosto não se discute. Mas qualidade sim, penso eu. Ok, ok, a televisão não tem obrigação de educar ninguém, mas precisava emburrecer? Porque só por me fazer perder tanto tempo já me torna um idiota, além de queimar meus olhos e entupir meus ouvidos com bobagens, fazendo do meu cérebro um caldeirão de merda.

Algumas pessoas falam assim: assisto a esse programa porque não tem nada melhor em outros canais. Pô, mas quem disse que precisa assistir alguma coisa? Se não tem nada de bom, desliga, ué! Vamos procurar algo melhor pra saúde física e mental. Principalmente mental, né? Leitura, esporte, malhação, passear numa praça, é nossa escolha. É fantástico descobrir o quanto podemos fazer se não estivermos catatônicos em frente àquela maldita tela. Mas aí o viciado aqui chora: “Eu sei! Eu sei! Mas é mais forte do que eu, mimimi…”

E tem outra: ficar preso à TV igual inseto em volta da lâmpada nem sempre significa que dedico toda a minha profunda atenção ao que está sendo exibido. Eu queria entender o que é que acontece no meu cérebro que me faz ligar a TV pra não assistir. NÃO assistir! Às vezes me deparo com a TV ligada e não lembro de ter ligado. Pior: não lembro nem de ter desligado. Quando me dou conta, é tarde demais. E fico furioso comigo mesmo. “Casseta! De novo!” Ou minha TV tem um poltergeist ou realmente estou fazendo isso automaticamente. Um sonambulismo televisivo. Medo. O que mais posso estar fazendo sem perceber? Comprando no Polishop? (apareceu um fazedor de suco aqui em casa que eu não sei da onde veio…)

Diz o sábio e verdadeiro ditado: cabeça vazia, oficina do diabo. Quando estou em casa supostamente sem nada pra fazer, ligo a TV procurando qualquer bobagem, feito um ratinho atrás do queijo. E meu tempo livre escorre pelo ralo. É hipnotizante. Se a tarde era minha, já não é mais. Perco meu sábado, meu domingo, e isso não é nada legal. Novela então, é um perigo. É mais do que uma lavagem cerebral, os neurônios entram em verdadeira hibernação enquanto aquela caixa emite suas ondas. Ondas sonoras, visuais e débil mentais.

Eu, telespectador hipnotizado, passivo, manipulado, engolindo tudo o que a TV joga na minha cara, como sou idiota! “Ô da poltrona, toma essa!” Pois é, meu irmão, grande idiota eu sou! Quer saber? Chega de televisão! Internet é a salvação! Pelo computador vejo só o que me interessa, na hora que eu quiser, sem reclames do plim plim. É isso! É minha cura! Conquistarei assim minha liberdade! Vamos ver o que tem de legal no Youtube…

O texto do Gustavo foi meu preferido porque muito embora eu dificilmente pare pra ver TV, quando páro sou exatamente o tipo de pessoa idiota que assiste programa ruim só pra ver o quão pior ele pode ficar.

Eu não quis ser gentil quando disse que todos os textos estavam muito legais. Menções honrosas pra outros dois, Interação com (ex-)descohecidos, Ação e Reação e um que passou da data e só por isso não ganhou – A pessoa mais idiota que eu conheço, um fabuloso TOP5 de idiotices. HEH

Fico por aqui antes que o lado direito da minha cabeça exploda de dor, e volto no meio da manhã de segunda com um post supimpa pra começar a semana de pé direito. É nóis.

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